Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo,
aos que conosco alcançaram fé igualmente preciosa na justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo:
Graça e paz vos sejam multiplicadas no conhecimento de Deus e de Jesus, nosso Senhor;
visto que o Seu divino poder nos concedeu todas as coisas que dizem respeito à vida e à piedade, pelo conhecimento Daquele que nos chamou por Sua própria glória e virtude;
pelas quais Ele nos concedeu as Suas preciosas e grandíssimas promessas; para que por elas vos torneis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção que há no mundo pela concupiscência.E, por isso mesmo, empregando de vossa parte toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude; e à virtude, o conhecimento;
e ao conhecimento, o domínio próprio; e ao domínio próprio, a perseverança; e à perseverança, a piedade;
e à piedade, a fraternidade; e à fraternidade, o amor.
Porque, se estas coisas são vossas e abundam, não vos deixam ociosos nem infrutíferos no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo.
Pois aquele a quem faltam estas coisas é cego, vendo somente o que está perto, havendo-se esquecido da purificação dos seus antigos pecados.
Portanto, irmãos, procurai com maior diligência tornar firme a vossa vocação e eleição: porque, fazendo estas coisas, jamais tropeçareis:
pois assim vos será amplamente concedida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Vós, pois, amados, sabendo estas coisas de antemão, guardai-vos para que, sendo levados pelo erro dos ímpios, não caiais da vossa própria firmeza.
Antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A Ele seja a glória, agora e para sempre. Amém.
Vamos orar.
Querido Pai celestial, enquanto permanecemos em Tua presença, pedimos que faças brilhar a Tua luz sobre nós, para que não apenas ouçamos a Tua Palavra, mas também possamos ouvir as Tuas palavras. E que vejamos a glória do Senhor na face de Jesus Cristo.
Entregamos este tempo em Tuas mãos e pedimos que o abençoes. Em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.
Em 2 Timóteo, temos o último testamento e testemunho do apóstolo Paulo. Da mesma forma, 2 Pedro é o último testamento e testemunho do apóstolo Pedro.
Pedro amava o Senhor. Estava disposto a entregar sua vida pelo Senhor. Mas, infelizmente, não conhecia a si mesmo. Por causa disso, negou o Senhor três vezes.
Mas, por meio de seu fracasso, seu amor pelo Senhor foi, de fato, purificado. Por isso, vemos que, junto ao mar de Tiberíades, depois de ressuscitar dentre os mortos, o Senhor apareceu a Pedro.
Ele disse a Pedro:
Quando eras jovem, tu te cingias a ti mesmo e andavas por onde querias: mas, quando fores velho, estenderás as mãos, e outro te cingirá e te levará para onde não queres.
Ao dizer isso, o Senhor indicou com que morte Pedro haveria de morrer.
Sendo uma pessoa muito ativa, depois da ascensão de nosso Senhor Jesus, o apóstolo Pedro se dedicou vigorosamente à obra do Senhor até chegar à velhice.
É geralmente reconhecido que Pedro era mais velho do que nosso Senhor Jesus Cristo. Possivelmente, era o mais velho entre os doze apóstolos. Se isso for verdade, quando escreveu esta segunda carta, devia estar na casa dos setenta anos, ou talvez no início dos oitenta.
Ele serviu ao Senhor durante muitos anos, e isso, por si só, é um milagre, uma maravilha. Por quê? Porque sabemos que Pedro era uma pessoa tão impetuosa e inconstante.
E, no entanto, foi guardado pelo Senhor ao longo de todos esses anos, até uma idade avançada. Tornou-se quase como uma pedra inabalável. Isso é a graça de Deus. Isso mostra o poder do Senhor para nos guardar.
Ele escreveu esta última carta. Aqui não se diz a quem a escreveu, mas, naturalmente, ao ler a carta, vemos que ele diz: “Já escrevi duas cartas”. Em outras palavras, ele escreveu uma carta anterior, e esta é a segunda.
Cremos que esta carta é dirigida às mesmas pessoas a quem ele escreveu em sua primeira carta: os peregrinos da Dispersão no Ponto, na Galácia, na Capadócia, na Ásia e na Bitínia.
Já mencionamos, na última vez, que, embora a palavra Dispersão seja usada especialmente para os judeus que foram dispersos para fora de sua terra natal, a Palestina, Pedro não escreveu aos judeus da Dispersão em geral. Escreveu aos judeus que haviam se tornado cristãos.
Eles são estrangeiros e peregrinos nesta terra. E não somente os judeus, pois, na primeira carta, descobrimos que ele também mencionou os gentios, porque a igreja é composta tanto de judeus como de gentios. Assim, cremos que esta segunda carta é dirigida às mesmas pessoas; e, sendo assim, cremos que também é dirigida a nós.
Pedro escreveu esta carta porque sabia que o dia de sua partida se aproximava, como o Senhor havia predito. Queria escrever uma carta antes de sua partida definitiva.
Ao fazer isso, ele tinha um propósito em mente. Se vocês lerem a segunda carta de Pedro, encontrarão, pelo menos três vezes, a razão pela qual ele a escreveu. Escreveu esta carta com um único propósito: lembrá-los, trazer à memória deles, despertar sua mente pura, para que se lembrassem do que os santos profetas haviam dito e do mandamento do Senhor Jesus transmitido por Seus apóstolos.
Em outras palavras, é uma carta para despertar as pessoas, para fazê-las lembrar, para trazer à memória algo que já haviam ouvido. Não é algo que nunca tinham ouvido ou que nunca tinham conhecido. Elas conheciam essas coisas, tinham ouvido essas coisas e estavam firmadas na verdade; mas Pedro sentia que era sua responsabilidade lembrá-las, despertar sua mente pura, para que não se esquecessem.
Esse é, realmente, o propósito desta carta.
Agora, vocês sabem, se uma pessoa está prestes a partir, provavelmente para sempre, e esta será sua última mensagem, sua última palavra, ela não pode se dar ao luxo de dizer ou escrever algo muito trivial — algo insignificante, uma conversa banal. Não pode fazer isso.
Ela precisa derramar aquilo que ocupa o primeiro lugar em seu coração, aquilo que há de mais profundo, mais precioso e mais íntimo, e compartilhá-lo com aqueles que ama.
Vocês se lembram de que, antes de nosso Senhor Jesus deixar Seus discípulos, indo à cruz para morrer, estão ali, no Evangelho de João, do capítulo 14 ao capítulo 16, Suas últimas palavras aos discípulos? Eram palavras importantes, palavras que ocupavam o primeiro lugar em Seu coração. Encontramos a mesma coisa quando Paulo escreveu 2 Timóteo.
Assim, quando Pedro procurava transmitir àqueles que amava suas últimas palavras de despedida, certamente se tratava de algo muito precioso, muito querido para ele.
Quais são as coisas que ele procurou compartilhar com aqueles que amava nesta segunda carta? Creio que está muito claro que aquilo que ocupa o primeiro lugar no coração de Pedro — não apenas nesse momento, mas ao longo dos anos em que seguiu e serviu ao Senhor — é uma coisa muito, muito próxima de seu coração.
É justamente isso que ele procura trazer à memória dos santos: o reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Quando nosso Senhor Jesus estava na terra, vemos que Ele falava muito sobre o reino. Quase não O ouvimos falar sobre o céu. Mas, curiosamente, quando nosso Senhor estava na terra, Ele falava muito sobre o reino.
Logo no início de Seu ministério, Sua mensagem era:
Arrependei-vos: porque é chegado o reino dos céus.
No monte, Ele instruiu Seus discípulos a respeito do reino.
Quando desceu do monte, demonstrou o poder do reino de Deus, expulsando demônios e curando os enfermos.
Ele disse aos Seus discípulos que, desde os dias de João Batista até aquele momento, o reino dos céus sofria violência, e os que usavam de força se apoderavam dele. Naturalmente, violência não significa praticar violência contra outras pessoas. Significa simplesmente exercer violência contra si mesmo — negar a si mesmo.
Também vemos que Ele contava histórias, parábolas, sobre o reino. Em Mateus 13, contou parábolas a respeito dos mistérios do reino dos céus. Prosseguindo na leitura, vemos que Ele frequentemente contava parábolas sobre o reino.
Ele nasceu para ser Rei. Seu testemunho diante de Pilatos foi que nascera para isso. Morreu como o Rei dos judeus. E, depois de ressuscitar, durante quarenta dias falou aos discípulos sobre o reino de Deus.
Em outras palavras, vemos que o reino é algo muito presente no coração de nosso Senhor Jesus. Aqui encontramos o apóstolo Pedro, que seguiu o Senhor durante três anos e, assim, aprendeu a amar o reino. Depois, quando começou a trabalhar para o Senhor, vemos que o reino era algo muito querido, muito próximo dele.
O Senhor disse:
O Meu reino não é deste mundo.
É um reino diferente, mas é um reino — um reino que nosso Senhor Jesus estabelecerá sobre a terra.
Ele está reunindo um povo para esse reino, para torná-lo filhos do reino, a fim de que, um dia, esses filhos do reino possam herdar o reino com Ele.
Para o apóstolo Pedro, o reino é uma realidade. Está sempre diante de seus olhos; está sempre em sua mente. Isso é algo que o libertou.
Pedro disse que esse reino não vem por meio de fábulas engenhosamente inventadas ou de planos imaginários. Não. Ele disse que foi testemunha ocular do reino.
Em Mateus 16, o Senhor Jesus disse aos Seus discípulos:
Há alguns dos que aqui estão que de modo nenhum provarão a morte, até que vejam o Filho do Homem vindo no Seu reino.
Logo depois, em Mateus 17, vemos que o Senhor Jesus levou três dos discípulos — Pedro, Tiago e João — a um monte, e ali foi transfigurado.
Seu rosto resplandeceu como o sol. Suas vestes ficaram brancas, extremamente brilhantes. Então Moisés e Elias apareceram e conversaram com o Senhor Jesus sobre Sua partida, sobre como Ele deixaria o mundo.
Vocês se lembram de que, de repente, Pedro despertou do sono. A glória provavelmente era tão grande que os três discípulos adormeceram. De repente, ele acordou e viu que Moisés e Elias estavam quase partindo, então exclamou: “Senhor, é bom estarmos aqui. Vamos ficar aqui para sempre. Farei três tabernáculos: um para Ti, um para Moisés e um para Elias”.
Enquanto ele ainda falava, o Pai celestial interveio e o interrompeu. Ele disse:
Este é o Meu Filho amado, em Quem Me comprazo; ouvi-O.
Uma nuvem luminosa — a glória Shekinah de Deus — cobriu tudo. Quando abriram os olhos, não viram ninguém, senão somente Jesus.
Ora, Pedro foi testemunha ocular daquela cena. O que é essa cena? É uma antevisão do reino de Deus que virá sobre a terra.
Pedro teve uma experiência plena daquilo, e era algo bom — doce. Jamais poderia esquecer. Por isso, quando escreveu esta última carta como seu último testamento e testemunho, mencionou isso. Disse: “Sou testemunha ocular do reino, porque eu estava lá. Eu o vi”.
“Vi Sua majestade. Vi quando Cristo recebeu honra e glória do Pai, e ouvi uma voz: ‘Este é o Meu Filho amado; ouvi-O’. Esse é o reino. Sou testemunha ocular dele.”
Queridos irmãos e irmãs, o que é o reino de Deus? O que é o reino dos céus?
Venha o Teu reino.
Um dia, Seu reino será estabelecido nesta terra. O que é o Seu reino?
Esse reino é o tempo em que nosso Senhor Jesus receberá honra e glória do Pai celestial. O reino é o tempo em que nosso Senhor Jesus será o centro de tudo.
Vocês não verão ninguém, senão somente Jesus. O reino é quando vocês ouvirão a voz:
Este é o Meu Filho; ouvi-O.
Ele é o reino.
Pedro disse: “É mais do que apenas meu testemunho pessoal, porque há as palavras proféticas ainda mais confirmadas”. Se vocês lerem a Palavra de Deus, verão, no Antigo Testamento e no Novo Testamento, que todos os profetas falavam da mesma coisa.
Eles dizem que essas palavras proféticas são como uma lâmpada que brilha em lugar escuro, até que o dia amanheça e a estrela da manhã surja em seus corações.
Agora, irmãos e irmãs, o mundo está escuro. Não se pode enxergar nada na escuridão. Sabemos, naturalmente, que estamos nos aproximando da parte mais escura da noite. Tudo está escuro e obscuro.
Mas graças a Deus, embora vivamos num mundo escuro, temos uma lâmpada. A Palavra profética de Deus é como uma lâmpada que ilumina nosso caminho, de modo que não estamos em trevas. Sabemos para onde vamos.
À medida que prestamos atenção às palavras proféticas, algo acontece: o dia começa a amanhecer em nosso coração. Embora ao nosso redor ainda seja meia-noite, em seu coração o dia já amanheceu e a estrela da manhã já surgiu.
Vocês sabem, a estrela da manhã só pode ser vista por quem acorda cedo. Se você acorda tarde, nunca verá a estrela da manhã. Quando o sol nasce, não é mais possível vê-la. Mas a estrela da manhã está ali antes de o sol nascer. É uma bela visão.
Um dia, nosso Senhor Jesus virá a esta terra como o Sol da Justiça. Um dia, o Sol da Justiça nascerá, e o mundo inteiro O verá.
Mas, antes que isso aconteça, queridos irmãos e irmãs, Ele aparecerá em seu coração como a Estrela da Manhã, se você estiver desperto enquanto O espera. Se você prestar atenção às palavras proféticas, então, embora o Sol da Justiça ainda não tenha vindo, Ele, como a Estrela da Manhã, já terá surgido em seu coração.
Como são bem-aventurados aqueles que viram a Estrela da Manhã em seu coração.
O reino será estabelecido nesta terra. Isso é um fato. Mas, queridos irmãos e irmãs, entre o povo de Deus há muitos que nem sequer conhecem o reino.
Embora haja um reino, vemos que, entre o povo de Deus, as pessoas só pensam no céu. Um dia, quando morrermos, iremos para o céu. Mas permitam-me dizer: sim, vocês irão para o céu, mas não tão depressa.
Se vocês lerem a Palavra de Deus, verão que, se alguém está no Senhor e morre, não vai imediatamente para o céu. Vai para o Paraíso, aguardando até ser ressuscitado. Então, um dia, sim, irá para o céu.
Infelizmente, entre o povo de Deus, as pessoas só conhecem o céu; não conhecem o reino. Não sabem que, antes de o céu ser nosso lar eterno, o reino virá sobre esta terra por mil anos.
Esse será o tempo em que aqueles que estiverem prontos, esperando, preparados e seguindo o Senhor — e que se apoderarem dele pela força — reinarão com Cristo por mil anos.
Há um reino para o povo de Deus: não somente o céu, mas também um reino. O céu é uma dádiva, mas o reino é uma recompensa.
Vocês não nasceram de novo apenas para herdar a vida eterna. Tendo nascido de novo, devem entrar no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Há outro problema entre as pessoas que conhecem o reino. Existe um temor, e o temor é este: “Como posso alcançar o reino?”
O reino tem tamanha glória e majestade. Como posso alcançar o reino? Talvez seja tão difícil que se tenha de desistir.
Mas vocês sabem o que o Senhor Jesus disse em Lucas 12:32?
Não temas, ó pequeno rebanho; porque é do agrado de vosso Pai dar-vos o reino.
Por que Ele diz: “Não temas, ó pequeno rebanho”? A expressão pequeno rebanho é usada somente ali nas Escrituras, e se refere à igreja. No que diz respeito à igreja, em comparação com o mundo, ela é apenas um pequeno rebanho. O mundo é composto de multidões e multidões, mas a igreja é pequena.
Mas o Senhor diz:
Não temas, ó pequeno rebanho; porque é do agrado de vosso Pai dar-vos o reino.
Nosso Pai celestial tem prazer em dar-lhes o reino.
Agora, é verdade: esse reino dos céus, que é muito melhor do que os reinos deste mundo, tem um padrão muito elevado. Deus não rebaixará o padrão para fazer concessões. Ele não fará isso.
O padrão para as pessoas entrarem no reino e herdá-lo é elevado. Mas, queridos irmãos e irmãs, mesmo assim o Senhor diz: “Não temas”. Em outras palavras, não é tão difícil que vocês não possam alcançá-lo.
Pelo contrário, vemos que ele é tão majestoso, tão glorioso, que vocês devem possuí-lo. Por quê? Como? Porque Deus fez toda a provisão necessária para que vocês o alcancem.
Se Deus não tivesse feito provisão para vocês, ninguém seria capaz de alcançar o reino, porque isso está muito além de nós. Mas, se Deus fez toda a provisão necessária para cada um de Seus filhos alcançar o reino, então, queridos irmãos e irmãs, se alguém não entrar no reino, não o alcançar e não o herdar, a culpa é dele mesmo.
É assim que começa a segunda carta de Pedro:
O Seu divino poder nos concedeu todas as coisas que dizem respeito à vida e à piedade, pelo conhecimento Daquele que nos chamou por Sua própria glória e virtude;
pelas quais Ele nos concedeu as Suas preciosas e grandíssimas promessas; para que por elas vos torneis participantes da natureza divina.
Irmãos e irmãs, aqui vemos que Deus nos chamou por glória e virtude. Vocês sabem que todos nós fomos chamados por Deus? Naturalmente.
Mas, quando pensamos em nosso chamado, nosso problema é que o pensamos em termos de nossa própria necessidade. Preciso que meus pecados sejam perdoados, então considero que Deus me chamou para vir e ter meus pecados perdoados. Graças a Deus por isso.
Minha necessidade é ir para o céu; portanto, considero que Deus me chamou para me dar a vida eterna como um passaporte para ir para o céu. Consideramos nosso chamado de acordo com nossas necessidades e, por causa disso, nosso chamado se torna um chamado inferior.
Mas lembrem-se, irmãos e irmãs: Deus nos chamou por Sua glória e virtude. Ele não nos chama de acordo com nossa necessidade; chama-nos de acordo com o que Ele é. Ele nos chamou segundo a Sua glória.
Nas Escrituras, a glória é algo indescritível, mas glória é sinônimo do próprio Deus. Ele nos chama segundo a Sua glória. Chama-nos segundo a Sua virtude — isto é, Seu caráter.
Porque Ele nos chamou segundo o que Ele próprio é, chamou-nos para que sejamos semelhantes a Ele.
É um chamado elevado, não um chamado pequeno. Ele nos chamou para sermos semelhantes a Ele. Chamou-nos para assumirmos Suas virtudes, Seu caráter. Chamou-nos para entrarmos em Sua glória. Esse é o nosso chamado.
Ele nos chamou para o Seu reino, para sermos herdeiros e coerdeiros com Cristo no reino eterno de nosso Deus e Salvador Jesus Cristo. Que chamado! Não é pouca coisa.
Mas vemos que Ele não apenas nos chamou; também nos deu as grandíssimas e preciosas promessas. Ele nos fez promessas, e, por meio delas, podemos nos tornar participantes de Sua natureza divina.
Pensem em todas as grandíssimas e preciosas promessas de Deus. Todas essas promessas têm um único propósito: tornar-nos participantes de Sua natureza divina.
Então vemos que Ele não apenas nos deu promessas. Ele diz que Seu divino poder nos deu todas as coisas relacionadas à vida e à piedade. Em outras palavras, por Seu divino poder, Ele nos deu vida — a vida de Seu Filho unigênito.
Com essa vida, vemos que há todo o poder necessário para a piedade: para sermos semelhantes a Deus, para assumirmos o caráter de Cristo, para sermos conformados à imagem de Cristo.
Irmãos e irmãs, aqui vocês veem todas as provisões: o chamado, as promessas, o poder divino. Ele não apenas nos chamou e disse: “Agora Eu os chamei; deem um jeito de realizar isso”. Quem poderia fazê-lo?
Ele nos chamou com um chamado elevado. Depois, deu-nos promessas das quais podemos nos apropriar pela fé, e Seu divino poder está à nossa disposição para nos capacitar a entrar em tudo o que Ele prometeu.
Tudo de que precisamos para o reino já foi providenciado.
Irmãos e irmãs, percebemos isso? Percebemos que Deus fez toda a provisão necessária para que vocês e eu entremos no reino de maneira abundante?
Se Ele fez todas essas provisões, então é nossa responsabilidade nos apropriarmos dessas grandíssimas e preciosas promessas e nos colocarmos à disposição do poder divino, que está presente para realizar nossa plena salvação.
Portanto, irmãos e irmãs, temos uma responsabilidade. Qual é a nossa responsabilidade? Nossa responsabilidade é sermos diligentes.
Vocês sabem, o reino de Deus não é para os preguiçosos. É para os diligentes.
Se somos preguiçosos, permanecemos como crianças em Cristo. Como crianças em Cristo, não podemos herdar o reino. Por quê? Porque não há em nós aquilo que nos torna aptos para o reino.
Para herdar o reino, você precisa fazer parte do reino. Em outras palavras, o próprio caráter do reino precisa caracterizar sua vida.
Portanto, não é para crianças em Cristo; é para os maduros em Cristo. Para crescer em Cristo, você precisa ser diligente. Irmãos e irmãs, há algo muito importante em nossa vida cristã, e isso é a diligência.
E, por isso mesmo, empregando de vossa parte toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude; e à virtude, o conhecimento;
e ao conhecimento, o domínio próprio; e ao domínio próprio, a perseverança; e à perseverança, a piedade;
e à piedade, a fraternidade; e à fraternidade, o amor.
Vocês não podem simplesmente ficar sentados, deitar-se e esperar ser levados para o céu. Precisam se aplicar, pela graça de Deus, com diligência.
Essa é a oitava do crescimento espiritual — da fé ao amor. Você começa com a fé, a fé no Senhor Jesus, e então acrescenta a ela.
A palavra acrescentar significa simplesmente suprir, à própria custa, para algum propósito, oferecendo mais do que o mínimo exigido. Você tem fé; crê no Senhor Jesus. Mas precisa acrescentar, suprir, colocar ao lado dela a virtude — o caráter.
É a mesma coisa de que Tiago fala. Ele diz: “Você tem fé? Muito bem, mostre-me sua fé, e eu demonstrarei minha fé pelas obras”. Se você realmente tem fé, ela não é apenas uma coisa vaga, uma ideia. A fé é concreta. A fé produzirá obras. A fé produzirá caráter.
Com a virtude vem o conhecimento: discernimento e entendimento. Com o entendimento vem a temperança, o domínio próprio. Na verdade, é o domínio do Espírito.
Com o domínio do Espírito, então você tem a piedade: ser semelhante a Deus. Depois, acrescenta a ela o amor fraternal. Você ama os irmãos, não porque este é amável ou aquele é desagradável, mas simplesmente porque são irmãos.
Então vemos não apenas o amor aos irmãos, mas o amor a todos. Em outras palavras, para que entremos no reino, Deus nos providenciou todos os meios.
Precisamos fazer uso de todas essas promessas e de Seu divino poder, e nos aplicar com diligência, para que o caráter de Cristo seja formado em nós. À medida que o caráter de Cristo é formado em nós, vemos que ele nos torna aptos para o reino de Deus.
Quando você herdar o reino, não se sentirá deslocado, porque ele já está em você. Se o caráter do reino não estiver em você, mesmo que seja colocado no reino, será como um peixe fora d’água. Não se sentirá à vontade, porque não se encaixa.
Lembro-me daquela história. Havia uma espécie de excursão, e dois barcos estavam saindo do porto ao mesmo tempo. Um barco era para cristãos. Era uma excursão cristã, então todos os crentes estavam naquele barco. Quando embarcaram, estavam cantando, adorando o Senhor e compartilhando uns com os outros.
O outro barco era apenas um barco de passeio para pessoas do mundo, com todo tipo de rock and roll e todo tipo de coisa. Infelizmente, um cristão entrou no barco errado.
Ele percebeu e disse: “Isso, isso, isso não é o que eu esperava”.
Não, irmãos e irmãs, o princípio está correto. Se você entrar no barco errado, não se sentirá à vontade. É por isso que, para herdar o reino dos céus, você precisa ter o caráter do reino formado em você.
Como ele pode ser formado em você? Sua parte é simplesmente a diligência. Aproprie-se diligentemente das promessas de Deus e permita que o poder divino as realize.
Em outras palavras, vemos que é Ele Quem opera em vocês. É a Sua graça. Mas é uma graça que precisa ser recebida diligentemente, obedecida diligentemente e com a qual precisamos cooperar diligentemente. Isso é tudo o que Ele exige que façamos.
Se vocês fizerem isso, não serão ociosos nem infrutíferos no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo.
A palavra conhecimento aqui é epignosis: pleno conhecimento, reconhecimento pessoal. O pleno conhecimento de Deus é conhecer Seu chamado. O pleno conhecimento de Deus é conhecer Suas promessas. O pleno conhecimento de Deus é conhecer Seu divino poder.
Se vocês fizerem isso, não serão ociosos. Não serão infrutíferos.
Mas, se não tiverem essas coisas, serão cegos, de vista curta, tendo se esquecido da purificação de seus antigos pecados. Irmãos e irmãs, damos graças a Deus porque Ele nos purificou de nossos pecados.
Depois de nossos pecados terem sido purificados e de sermos salvos, se não empregarmos diligência e avançarmos da fé ao amor, seremos cegos e de vista curta. Hoje há muitos crentes que são espiritualmente míopes.
O Senhor disse:
Compra de Mim colírio, para que vejas.
Talvez, em termos modernos, precisemos de um par de óculos para conseguir enxergar.
Portanto, irmãos, empreguem diligência para tornar firme sua vocação e eleição. Queridos irmãos e irmãs, a vocação é certa. A eleição é certa. Mas se vocês, tendo sido chamados e eleitos, serão também escolhidos, isso é algo que precisam assegurar.
O Senhor diz:
Muitos são chamados, mas poucos são escolhidos.
Todos nós fomos chamados, porque é do agrado do Pai dar-lhes o reino. Vocês foram chamados; foram eleitos. Mas se serão escolhidos depende de sua diligência em tornar firme sua vocação e eleição.
Pois, fazendo essas coisas, vocês jamais cairão.
Mais uma vez, digo que tudo isso não se refere à salvação eterna. Tudo isso não se refere à dádiva da vida eterna. Tudo isso não se refere a ir para o céu. Não.
Graças a Deus, essa dádiva nos foi dada e, uma vez dada, jamais será retirada, porque Deus é fiel. Mas tudo isso diz respeito ao reino eterno.
Pois assim vos será amplamente concedida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Queridos irmãos e irmãs, o Senhor está vindo, e Ele estabelecerá Seu reino nesta terra. Mas, quando esse tempo chegar, se vocês poderão herdar o reino com Ele, se reinarão com Ele, se serão coerdeiros com Cristo naquele momento, isso é algo que vocês precisam decidir.
Ele lhes é dado, mas aceitá-lo ou não depende de vocês.
Quando o Senhor deu uma antevisão de Seu reino, vocês sabem o que aconteceu? Dos doze discípulos, Ele levou somente três consigo. Em outras palavras, apenas três dos discípulos puderam ver o reino. Os outros nove estavam na planície.
Isso não nos dá uma espécie de indicação? Posso dizer isto? Pode parecer duro, mas é a verdade.
Todos nós somos crentes. Todos nós somos discípulos. Graças a Deus, porque todos somos crentes e discípulos, um dia todos iremos para o céu. As dádivas de Deus são irrevogáveis.
Mas isso não significa que, por sermos crentes e discípulos, todos entraremos no reino e reinaremos com Cristo.
Vocês se lembram de que nosso Senhor disse: “Muitos virão a Mim e dirão: ‘Senhor, Senhor, em Teu nome expulsei demônios; em Teu nome faço isto; faço aquilo’”. E o Senhor disse: “Nunca conheci vocês”. Por quê? Porque vocês não fazem a vontade do Pai.
Queridos irmãos e irmãs, que isso sirva de advertência. Não pensem que, por serem crentes, o reino é, portanto, de vocês. Sim, ele lhes é dado, mas estar qualificados para herdá-lo depende de vocês.
É do agrado do Pai dar-lhes o reino, e Ele quer que vocês entrem no reino de maneira abundante. Ele fez toda a provisão necessária para que façam isso. Se não o fizerem, a culpa é de vocês.
O reino está em vista. Pedro tem o reino diante de si o tempo todo. Mas, enquanto fala sobre o reino, imediatamente percebe as artimanhas do inimigo.
O inimigo da humanidade, Satanás, o diabo, não quer que alcancemos o reino. Ele tentará todos os meios para nos enganar e nos distrair, para nos manter fora do reino de Deus.
Assim, no capítulo 2, Pedro começa imediatamente a falar sobre os falsos mestres. Ele disse: “Assim como houve falsos profetas antigamente entre os filhos de Israel, também agora haverá falsos mestres entre vocês”.
Falsos mestres entrarão. Começarão a ensinar heresias destrutivas. O que é heresia? A palavra heresia é usada hoje com tanta liberdade que não sabemos realmente o que significa.
Na verdade, a palavra heresia, em grego, significa uma escola de opinião. É por isso que a palavra para seita nas Escrituras, em grego, é heresia.
Em vez de se submeter à própria Palavra de Deus, você começa a ter opiniões — suas próprias opiniões. Queridos irmãos e irmãs, todos nós somos pessoas cheias de opiniões, e, a menos que aprendamos a disciplina, seremos pessoas governadas por opiniões.
Assim, haverá mestres, falsos mestres, que surgirão ensinando suas opiniões sobre a Palavra de Deus — sem se submeterem à Palavra de Deus. Em vez disso, tomam a Palavra de Deus e procuram dar sua opinião a respeito dela.
Por fim, vemos que começam a negar o Senhor que os comprou. A palavra Senhor aqui, em grego, é despotes. Não gostamos da palavra déspota, mas a palavra em si significa monarca absoluto.
Nosso Senhor Jesus, que nos comprou por um preço, é nosso Monarca absoluto. Ele é nosso Soberano, nosso Monarca absoluto, e devemos obedecer-Lhe plenamente. É isso que devemos fazer.
Mas, em vez de fazerem isso, esses falsos mestres O negam. Rejeitam-No como seu Monarca, como seu Soberano absoluto, porque querem ter suas próprias opiniões. Negam o Soberano, e isso é destrutivo.
Usam palavras engenhosamente elaboradas — linguagem ambígua, palavras pomposas — para tentar enganar as pessoas. Seu propósito é fazer de vocês mercadoria e obter vantagens para si mesmos.
Eles desencaminharão muitas pessoas. Prometem liberdade, mas eles próprios estão sob escravidão. Isso é muito destrutivo. Mas seu julgamento será rápido e certo.
Não vou me deter nisso, porque 2 Pedro 2 é quase igual à carta de Judas. Um dia, se Deus quiser, teremos de tratar do livro de Judas, então deixarei 2 Pedro para essa ocasião. Há muito a dizer, mas deixarei isso com vocês.
Em 1 Pedro, o problema dos crentes é a perseguição — as provações e os sofrimentos que vêm de fora. Mas o problema em 2 Pedro, o inimigo em 2 Pedro, não vem de fora; vem de dentro.
Dentro da igreja haverá falsos mestres. Eles seduzirão as pessoas, afastando-as de Cristo e atraindo-as para si mesmos, e, ao fazerem isso, tirarão de vocês o reino.
Não apenas isso, mas, se vocês forem ao capítulo 3, verão que não haverá somente falsos mestres, mas também escarnecedores. Esses escarnecedores não são do mundo; estão na igreja.
Por quê? Porque esses crentes têm uma mentalidade tão materialista. São racionais, como dizem. Procuram julgar tudo pelos fenômenos exteriores.
Então olham para o mundo e dizem: “Onde está a promessa de Sua vinda? O mundo não está igual ao que era desde o princípio da criação?”
Eles se esquecem de que o mundo de agora não é o mundo de então. Se vocês lerem com muita atenção, verão que isso não se refere ao dilúvio de Noé. Não, refere-se a Gênesis 1:1–2.
No princípio, Deus criou os céus e a terra.
E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo.
Em outras palavras, em determinado momento, este mundo foi destruído pela água. Depois, Deus restaurou este mundo para torná-lo habitável. O mundo atual, um dia, será destruído pelo fogo.
Mas não se esqueçam de que, para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos como um dia. O Senhor ainda não veio, não porque esteja demorando, mas porque é longânimo. Ele não quer que ninguém pereça, mas que todos venham a conhecê-Lo.
Mas isso está chegando. Um dia, estes céus e esta terra serão queimados e consumidos pelo fogo. Se é assim, quão piedosos precisamos ser.
Portanto, irmãos e irmãs, vemos que os escarnecedores estão tentando tirar de vocês o reino. Eles dizem: “Vamos comer e beber. Vamos aproveitar o mundo. Ele estará aqui para sempre”. Não. Ele chegará ao fim, e o reino de Deus será estabelecido nesta terra.
Por fim, Pedro nos exorta. Ele diz: “Amados, sabendo essas coisas de antemão, tenham cuidado. Tenham cuidado para que, sendo levados pelo erro dos ímpios, não caiam de sua própria firmeza”.
Antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Irmãos e irmãs, estamos aqui não apenas para esperar a vinda de nosso Senhor com Seu reino. Estamos aqui também para apressar Sua vinda.
O cronograma do Senhor é flexível. Sua programação não é mecânica. Vocês podem retardá-la; podem apressá-la. Isso depende de a noiva ter se preparado, para ser adequada a Ele e apta para o reino.
Irmãos e irmãs, temos um grande incentivo. Pela graça de Deus, podemos apressar Seu reino. Podemos apressar Sua vinda.
Vocês querem apressar Sua vinda ou querem retardar Seu retorno?
Se crescermos na graça e no pleno conhecimento de Jesus Cristo, nosso Senhor, então, irmãos e irmãs, vocês não estarão apenas esperando Sua vinda; estarão, de fato, apressando Sua vinda.
Que o Senhor nos ajude. Vamos orar?
Querido Pai celestial, coloca diante de nós o Teu reino, para que não sejamos ociosos a respeito dele, mas diligentes em buscá-lo.
Capacita-nos a fazer uso de todas as Tuas grandíssimas e preciosas promessas e de todo o Teu divino poder para a piedade, a fim de que o caráter do reino seja formado em nós.
Venha o Teu reino. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.