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    Seeing Christ in Christian Fellowship - 1st John © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Seeing Christ in Christian Fellowship - 1st John
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    Kaung, Stephen

    A comunhão cristã como compartilhamento da vida divina

    Leitura bíblica: 1 João 1:1-7

    O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida
    (e a vida foi manifestada, e nós a temos visto, e dela damos testemunho, e vos anunciamos a vida, a vida eterna, que estava com o Pai e nos foi manifestada);
    o que temos visto e ouvido, também vos anunciamos, para que também vós tenhais comunhão conosco; e, de fato, a nossa comunhão é com o Pai e com Seu Filho Jesus Cristo.
    E estas coisas escrevemos, para que a nossa alegria seja completa.
    E esta é a mensagem que Dele temos ouvido e vos anunciamos: que Deus é luz, e Nele não há treva alguma.
    Se dissermos que temos comunhão com Ele e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade;
    mas, se andarmos na luz, como Ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, Seu Filho, nos purifica de todo pecado.

    Vamos orar.

    Pai celestial, lemos a Tua Palavra e agora pedimos que o Teu Espírito Santo abra a Tua Palavra ao nosso coração, para que possamos ouvir a Tua voz, ser atraídos à Tua comunhão e para que o Teu nome seja glorificado. Assim, entregamos este tempo em Tuas mãos e pedimos que faças a obra que desejas fazer nesta manhã. Em nome de nosso Senhor Jesus, amém.

    As epístolas de João e o tema da comunhão

    O apóstolo João escreveu três cartas: a primeira carta de João, a segunda carta e a terceira carta. Cronologicamente, elas estão entre os últimos escritos do Novo Testamento, tendo sido escritas depois do Evangelho segundo João e do livro de Apocalipse.

    A primeira carta de João não é dirigida a nenhuma igreja em particular. A segunda e a terceira cartas são dirigidas a indivíduos. No entanto, quando vocês leem essas três cartas escritas pelo apóstolo João, podem perceber com muita facilidade que há algo em comum entre elas. Elas tratam de uma questão essencial: a comunhão.

    Nesta manhã, vamos concentrar nossa atenção na primeira carta de João: ver Cristo na comunhão cristã.

    Esta carta é bastante incomum. Normalmente, quando você escreve uma carta, há uma identificação do destinatário, uma saudação e, depois, cumprimentos ou observações finais. Mas, quando lemos esta carta, percebemos que não há começo nem fim no sentido formal de uma carta. Ainda assim, não há dúvida de que é uma carta, porque encontramos uma atmosfera e um tom muito pessoais e íntimos ao longo de todo o texto.

    Esta carta do apóstolo João provavelmente foi escrita entre os anos 95 e 98 d.C. No original, o autor não é mencionado. É como no Evangelho segundo João: o nome do autor não é apresentado. No entanto, há uma grande semelhança e ligação entre o Evangelho e a epístola.

    Em João 20:31, o autor apresenta a razão pela qual escreveu o Evangelho: para que creiamos que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhamos vida em Seu nome. Em 1 João 5:13, ele diz que escreve aos que creram no Senhor Jesus para que saibam que têm a vida eterna.

    Portanto, vocês encontram uma ligação entre o Evangelho e a primeira epístola. É geralmente aceito — e não creio que haja qualquer dúvida a esse respeito — que aquele que escreveu o Evangelho foi o mesmo que escreveu esta carta. Cremos que o autor do Evangelho foi o apóstolo João e, por isso, cremos que esta carta também foi escrita pelo apóstolo João.

    O apóstolo João e seu ministério

    João estava entre os primeiros que seguiram o Senhor Jesus. Vocês se lembram de que ele era um dos discípulos de João Batista? Um dia, enquanto ele e André estavam com João Batista, Jesus passou por ali. João disse:

    Eis o Cordeiro de Deus.

    Os dois discípulos deixaram seu mestre e seguiram o Senhor Jesus, e ficaram com Ele naquela noite.

    Um deles era André, que é mencionado no Evangelho segundo João. O outro não é identificado pelo nome, mas sabemos que era o próprio João. Ele era o discípulo a quem Jesus amava. Foi ele quem se reclinou sobre o peito de nosso Senhor Jesus durante a última ceia. Foi ele quem seguiu o Senhor até a cruz. Quando nosso Senhor Jesus foi crucificado, nenhum dos doze estava ali, exceto João.

    Entre os apóstolos, João foi o que viveu mais tempo. Os outros morreram, mas João continuou vivo quase até o fim do primeiro século. Podemos dizer que sua vida abrangeu o primeiro século.

    Se vocês estudarem esse homem, perceberão que ele era incomum, porque nele havia uma combinação de temperamentos opostos. Por um lado, João era reservado, introvertido, um pensador profundo, alguém que meditava muito e contemplava. Mas, por outro lado, tinha uma paixão ardente. Foi por essa razão que nosso Senhor Jesus deu a ele e a seu irmão Tiago o nome de “filhos do trovão”.

    Esses dois temperamentos opostos pareciam encontrar morada em João. Sob o controle soberano e a disciplina de Deus, ele foi grandemente usado pelo Senhor.

    Embora João não tenha escrito a nenhuma igreja em particular, cremos que ele se dirigia às igrejas da Ásia Menor. Em seus últimos anos, ele trabalhou entre as igrejas da Ásia — não a Ásia como continente, mas a província romana da Ásia. Como trabalhou naquela região, é evidente que tinha essas igrejas em vista quando escreveu sua carta.

    A condição espiritual da igreja no final do primeiro século

    Precisamos compreender a condição da igreja primitiva no final do primeiro século. A igreja teve um começo maravilhoso no dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo desceu do céu e cento e vinte crentes foram batizados em um só corpo. Foi então que a igreja passou formalmente a existir.

    Ela teve um começo tão glorioso. Em uma geração — trinta anos —, o evangelho foi pregado até os confins do mundo: de Jerusalém a toda a Judeia e Samaria, chegando até Roma, que naquela época era considerada tanto o centro quanto o extremo do mundo.

    No princípio, quando o povo de Deus estava reunido, todos eram unânimes. Amavam uns aos outros, tinham tudo em comum, e seu testemunho era tão forte que o Senhor acrescentava diariamente pessoas ao seu número. A igreja teve um começo glorioso.

    A princípio, enfrentaram oposição dos judeus, depois dos gentios e, mais tarde, o Império Romano perseguiu a igreja. Mas, quando João escreveu esta epístola, havia, evidentemente, uma trégua na perseguição romana aos crentes.

    No final do primeiro século, os cristãos provavelmente já estavam na segunda ou terceira geração. A glória da descoberta inicial do evangelho de Jesus Cristo parecia estar desaparecendo aos poucos. A visão do Senhor Jesus havia se tornado obscura. Como não havia perseguição, as pessoas começaram a relaxar, e sua maneira de viver tornou-se menos cuidadosa.

    Então, o inimigo pôde se aproveitar dessa condição para se infiltrar na igreja, e muitos ensinamentos falsos começaram a surgir.

    Se vocês considerarem Apocalipse 2-3 sob uma perspectiva profética, podemos dizer que a igreja havia entrado no período de Éfeso — o período representado pela primeira das sete cartas, a carta à igreja em Éfeso.

    Exteriormente, tudo continuava como de costume. Havia obras, trabalho, perseverança, conhecimento e discernimento. Tudo parecia prosseguir como se nada tivesse acontecido. Mas o Senhor disse:

    Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor.

    Exteriormente, nada parecia errado, mas, interiormente, a mudança já havia ocorrido. Eles haviam abandonado seu primeiro amor. Não amavam a Deus de todo o coração. Seu amor pelo Senhor Jesus estava dividido. Amavam a Deus, mas também amavam o mundo. Por causa disso, seu amor uns pelos outros havia enfraquecido.

    Não amavam uns aos outros a ponto de estarem dispostos a dar a própria vida uns pelos outros. Tornaram-se mais centrados em si mesmos do que em Cristo. Por isso, o Senhor os chamou ao arrependimento, a se lembrarem de onde haviam caído, a voltarem e a praticarem as primeiras obras.

    Essa era a situação da igreja naquele tempo, e foi a esse tipo de situação que João se dirigiu quando escreveu esta carta.

    A igreja como comunhão

    A primeira carta de João trata da comunhão — da comunhão cristã. Queridos irmãos e irmãs, a igreja é uma comunhão. Ekklesia são os chamados para fora; koinonia é comunhão.

    Deus chamou pessoas de toda tribo, língua, nação e povo, e as reuniu em Seu nome. Elas se tornam uma comunhão, uma comunhão viva.

    Essa comunhão está fundamentada na comunhão do Pai, do Filho e do Espírito. Ou, dizendo de outra maneira, a comunhão de todos os crentes é uma extensão da comunhão do Pai e do Filho no Espírito.

    Há comunhão entre o Pai e o Filho. A própria palavra significa compartilhar algo em comum. Na Divindade, há comunhão perfeita. O Pai compartilha tudo com o Filho, e o Filho compartilha tudo com o Pai, e tudo se realiza no Espírito.

    O Pai e o Filho têm tudo em comum. Na essência da Divindade, Eles são um.

    Vocês se lembram de que nosso Senhor Jesus disse em João 17:10:

    Todas as Minhas coisas são Tuas, e as Tuas coisas são Minhas.

    Depois, Ele disse:

    Tu, Pai, estás em Mim, e Eu em Ti.

    Eles têm tudo em comum. Tudo o que pertence ao Filho pertence ao Pai, e tudo o que pertence ao Pai pertence ao Filho. Por quê? Porque Eles são um. Um está no Outro, e o Outro está no Um. Sua unidade está fundamentada nessa habitação mútua. Não é uma questão exterior; é uma realidade interior.

    Por causa disso, Sua comunhão é perfeita harmonia e doce comunhão. Não há sombra, penumbra nem trevas. É a comunhão perfeita no universo.

    Queridos irmãos e irmãs, não podemos imaginar quão alegre e gloriosa é essa comunhão entre o Pai e o Filho. O Filho sempre agrada ao Pai, e o Pai sempre encontra Seu prazer no Filho. Isso é comunhão: compartilhar em comum na Divindade.

    Mas graças a Deus, por causa de Seu grande amor, Ele deseja estender essa comunhão à humanidade.

    Precisamos nos lembrar de que a comunhão que o Pai e o Filho têm Um com o Outro no Espírito é algo de que ninguém mais pode exigir ou pedir para participar. Não temos o direito de exigir que sejamos aceitos nessa comunhão. Somos completamente incapazes e indignos. No entanto, é do agrado do Pai estender essa comunhão à humanidade.

    Ele nos chama à comunhão de Seu Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor. Em 1 Coríntios 1:9, lemos:

    Fiel é Deus, por Quem fostes chamados à comunhão de Seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.

    Como agradecemos a Deus por nós, que não temos direito algum e somos completamente incapazes e indignos, termos sido, ainda assim, chamados à comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo, nosso Senhor.

    A comunhão do Filho de Deus consiste em o Filho compartilhar o Pai conosco. O Pai é exclusivamente Seu desde a eternidade. Ele é o Filho unigênito, e somente Ele tem o direito de ter comunhão com o Pai e de compartilhar tudo em comum com o Pai. Tudo o que o Pai tem é Seu, e tudo o que Ele tem é do Pai.

    Mas graças a Deus, Ele nos chamou à comunhão de Seu Filho. Em outras palavras, Seu Filho está disposto a compartilhar o Pai conosco. É por isso que Deus pode nos abençoar com toda bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo Jesus.

    Nossa comunhão com o Pai é por meio do Filho. Hoje, irmãos e irmãs, somos chamados a essa comunhão. Agora temos comunhão com o Pai e com o Filho.

    O custo da comunhão

    Como isso acontece? Para estender Sua comunhão a nós, Deus precisou fazer algo. A comunhão tem um custo muito elevado. Para nos atrair à Sua comunhão, isso custou muito a Deus. Dizendo de maneira mais clara, custou a Deus Seu próprio Filho amado.

    Na passagem de Hebreus 2 que nosso irmão leu nesta manhã, está escrito:

    Porque tanto Aquele que santifica como os que são santificados são todos de um só.

    Aquele que santifica é o Senhor, e os que são santificados somos nós. Como essa unidade passa a existir? Nós não somos um. Aquele que santifica é o Filho de Deus; os que são santificados são seres humanos caídos. No entanto, a Bíblia diz que Aquele que santifica e os que são santificados são todos de um só.

    Hebreus 2:14-15 explica como essa unidade se estabeleceu:

    Visto, pois, que os filhos participam de carne e sangue, também Ele, igualmente, participou das mesmas coisas; para que, pela morte, reduzisse a nada aquele que tinha o poder da morte, isto é, o diabo;
    e libertasse todos aqueles que, pelo temor da morte, estavam sujeitos à escravidão durante toda a vida.

    Nós, Seus filhos, participamos de carne e sangue. A palavra “participar” fala de compartilhar algo em comum. Essa é nossa condição comum: nascemos de carne e sangue. Mas, porque somos carne e sangue e porque estamos escravizados ao pecado, Ele também, de igual modo, participou das mesmas coisas.

    A palavra usada para descrever a participação de Cristo em carne e sangue não é a mesma. Ela significa que Ele tomou sobre Si algo que estava fora Dele. Originalmente, Ele não era carne e sangue como nós, mas deliberadamente tomou sobre Si aquilo que estava fora Dele.

    Em Sua encarnação, o Verbo Se fez carne. Deus veio em carne e, em Sua encarnação, identificou-Se conosco, que somos carne e sangue. Esse é o primeiro passo.

    Tendo-Se tornado homem, Ele Se humilhou, obedeceu a Deus e morreu na cruz. Tomou sobre Si todos os nossos pecados e morreu em nosso lugar, para que pudéssemos ser libertos da morte. Então, em Sua ressurreição, Ele nos transmitiu Sua própria vida. Deu Sua vida a todos os que creem Nele, e, dessa maneira, somos feitos um com Ele.

    Ele Se identificou conosco em Sua encarnação, e nós somos identificados com Ele em Sua morte e ressurreição. Sua morte é nossa morte — morte para a velha criação. Sua ressurreição é nossa ressurreição — somos ressuscitados para uma nova vida. Somos feitos um com Ele.

    Portanto, irmãos e irmãs, custou muitíssimo a Deus nos trazer à comunhão de Seu Filho.

    A comunhão como realidade interior da vida

    Vocês podem perceber imediatamente que a comunhão à qual somos atraídos não é algo exterior. É uma realidade interior. Em outras palavras, é uma questão de vida.

    Essa comunhão está fundamentada na vida — a vida que é dada a cada um de nós. Porque recebemos Sua vida, estamos nessa comunhão do Filho com o Pai.

    Qual é, então, o princípio da comunhão? A comunhão está fundamentada na vida. A comunhão é o compartilhamento da vida.

    Tudo o que não é vida, tudo o que não é compartilhar Cristo, não pode ser considerado comunhão.

    Hoje, muitas vezes pensamos na comunhão como algo exterior, assim como pensamos na igreja como uma organização exterior. Mas a igreja é formada pelos chamados para fora, reunidos para serem uma comunhão viva: para compartilhar Cristo e ministrar Cristo juntos. É isso que a igreja realmente é — uma comunhão viva.

    Às vezes dizemos: “Vamos ter um pouco de comunhão”. O que fazemos? Compartilhamos nossos problemas. Isso é comunhão? Quanto mais temos comunhão dessa maneira, mais desanimados ficamos.

    Pior ainda, às vezes dizemos: “Vamos ter comunhão”, e então falamos de política, de problemas sociais e de todas essas coisas. Isso é comunhão? Isso é convívio social.

    Ou podemos tentar ensinar uns aos outros doutrinas a respeito do Senhor Jesus e diferentes interpretações da verdade. Isso é comunhão? Pode ser, se Cristo estiver sendo compartilhado. Mas, se estamos apenas compartilhando o que está em nossa mente, onde está Cristo?

    Você pode ter uma mente muito inteligente, analítica e perspicaz. Pode pensar que vê na Bíblia algo que os outros não viram, e compartilhar isso. Mas, se você apenas compartilha sua mente com os outros, onde está Cristo? O conhecimento deles pode aumentar, mas sua vida pode não crescer nem um centímetro. Você chama isso de comunhão?

    A comunhão é o compartilhamento de Cristo, o compartilhamento da vida. Tudo o que não procede da vida não é comunhão.

    Nossa comunhão uns com os outros é proporcional à nossa comunhão com o Pai e com o Filho. Você não pode ter comunhão ininterrupta com o Pai e com o Filho enquanto sua comunhão com seus irmãos e irmãs está interrompida. Isso é impossível.

    O quanto você pode compartilhar com seus irmãos e irmãs é medido pelo quanto você tem comunhão com o Pai e com o Filho. O quanto você conheceu e experimentou do Pai e do Filho é a medida de sua comunhão com seus irmãos e irmãs — e nada além disso.

    Deixem-me repetir: koinonia significa comunhão, compartilhar algo em comum. É porque temos algo em comum, e esse algo é a vida de Cristo. Portanto, quando temos comunhão, compartilhamos Sua vida.

    O caráter inclusivo e exclusivo da comunhão

    Porque a comunhão está fundamentada na vida de Cristo, ela inclui todo o povo de Deus. Todos os que têm a vida de Jesus Cristo estão nessa comunhão.

    Hoje, as pessoas podem falar desta comunhão ou daquela comunhão, mas isso não é bíblico. Há apenas uma comunhão: a comunhão do Pai e do Filho no Espírito; a comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo, nosso Senhor; a comunhão dos apóstolos.

    Atos 2:42 diz que os crentes perseveravam no ensino e na comunhão dos apóstolos. O que é a comunhão dos apóstolos? É a comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo. Quando ela se estende a nós, Cristo é compartilhado conosco. Há apenas uma comunhão no universo.

    Isso tem uma aplicação prática. Temos de receber todos os que têm a vida do Senhor Jesus. Não podemos excluir ninguém. Se excluirmos alguém que tenha a vida do Senhor Jesus, tornamo-nos uma seita, um partido, uma divisão, e isso desagrada ao Senhor.

    Essa comunhão inclui todos os que conhecem o Pai e todos os que conhecem o Filho — todos os que têm a vida de Deus em Cristo Jesus. Mas, por outro lado, essa comunhão é extremamente exclusiva: qualquer pessoa que não tenha a vida, por melhor que seja, não está na comunhão.

    Não é porque certas pessoas são moralmente corretas, têm uma boa posição social ou um bom nome no mundo que as trazemos à comunhão. Não, não podemos fazer isso. Essa comunhão está fundamentada na vida.

    Até Nicodemos precisou nascer de novo para pertencer a essa comunhão. Graças a Deus, nascemos de novo para fazer parte dessa comunhão. Não há como ingressar nela, a não ser nascendo nela.

    O rol de membros não está na terra. Vocês não podem encontrá-lo em lugar algum na terra. O livro da vida está no céu. É ali que está o registro de sua participação. Todos os que creem no Senhor Jesus, todos os que têm o Filho, têm a vida — a vida eterna — e pertencem a essa comunhão.

    Temos algo em comum: Deus compartilhou conosco Seu Filho amado, Sua própria vida. Por causa disso, temos comunhão com o Pai, com o Filho e uns com os outros.

    A comunhão não está fundamentada na luz; está fundamentada na vida. Por luz, quero dizer a luz que as pessoas afirmam ter a respeito da Palavra de Deus. Cremos na Palavra de Deus, mas há muitas interpretações diferentes.

    Alguns dizem que têm luz sobre determinada passagem das Escrituras, enquanto outros pensam ter uma luz diferente sobre a mesma passagem. Entre o povo de Deus, há muitas interpretações diferentes e, por causa disso, as pessoas dividem o povo de Deus. Dizem: “Se você não crê na minha interpretação desta passagem das Escrituras, está fora”.

    Lembrem-se: vocês podem ter luzes diferentes, por assim dizer — interpretações diferentes das Escrituras —, mas, se têm o mesmo Cristo, têm comunhão uns com os outros. Nenhuma dessas diferenças deveria afetar nossa comunhão.

    Não quero dizer que a luz não tenha nada a ver com a comunhão; explicarei isso mais adiante. Mas a comunhão está fundamentada na vida. Graças a Deus, ela não está fundamentada no quanto vocês sabem das Escrituras. Está fundamentada na vida de Cristo que receberam pela graça, mediante a fé.

    O testemunho apostólico acerca do Verbo da vida

    Agora podemos voltar a 1 João. O apóstolo João começa sua carta com essa questão da comunhão:

    O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida.

    A comunhão é muito pessoal. É algo vivido. Você não pode relatar aos outros o que não viu nem ouviu. A comunhão está fundamentada no ver e no ouvir. Você viu, você ouviu e, por isso, pode relatar e compartilhar. Quando você compartilha, os outros verão o que você vê e ouvirão o que você ouve. Essa é a alegria da comunhão.

    Quem é Aquele que era desde o princípio? O Verbo.

    No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

    João está compartilhando conosco o Verbo, o Verbo da vida. Ele é desde o princípio. Ele é o Deus eterno.

    O que temos ouvido.

    Onde eles ouviram? Ouviram por meio dos profetas antigos. Aquele que era desde o princípio havia permanecido desconhecido, mas Deus falou aos pais por meio dos profetas, em muitas porções e de muitas maneiras.

    O que temos visto com os nossos olhos.

    Quando? Quando o Verbo Se fez carne e habitou entre nós. Os apóstolos O viram com seus olhos.

    O que contemplamos.

    Isso significa que eles fixaram o olhar Nele. Em outras palavras, olharam atentamente para Ele até verem o que os outros não viam. Houve revelação. João 1:14 diz:

    E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós
    (e contemplamos a Sua glória, glória como do Unigênito do Pai),
    cheio de graça e de verdade.

    Enquanto O contemplavam, o Espírito de Deus lhes revelou Quem Ele realmente era. Receberam revelação a respeito desse Homem, Jesus.

    E as nossas mãos apalparam.

    Quando? Depois da ressurreição de nosso Senhor Jesus. O Senhor disse a Tomé que O tocasse, que colocasse o dedo na marca dos pregos. Eles tocaram o Senhor ressurreto.

    Aqui vocês encontram toda a história: o Filho de Deus Se tornou homem, morreu por nós, foi ressuscitado dentre os mortos e é o Verbo da vida. A vida foi manifestada.

    Essa vida foi manifestada na carne, na pessoa de nosso Senhor Jesus. Os apóstolos viram, deram testemunho e agora nos anunciam a vida eterna.

    A vida eterna como a vida do Filho

    Queridos irmãos e irmãs, isso é vida. O que é a vida eterna? A vida eterna não é algo fora de Deus. Não é simplesmente algo que Deus dá. A vida eterna é Seu Filho; é o próprio Deus. Ele é a vida eterna. Ele é o verdadeiro Deus e a vida eterna.

    A vida eterna é mais do que uma duração sem fim. A vida eterna é uma qualidade de vida, e Deus é a vida eterna.

    Os apóstolos tiveram uma experiência pessoal dessa vida eterna. Porque tiveram essa experiência pessoal, eles a anunciaram a nós; compartilharam-na conosco. Ao compartilhá-la, nós recebemos a vida eterna. Vimos e ouvimos o Verbo da vida.

    O apóstolo diz:

    Vos anunciamos, para que também vós tenhais comunhão conosco.

    Compartilhamos com vocês o que temos, para que vocês também tenham isso em comum conosco. Mas o que compartilhamos tem sua raiz em outro lugar: nossa comunhão é, de fato, com o Pai e com Seu Filho.

    Não estamos compartilhando a nós mesmos com vocês. Pedro não está compartilhando Pedro com vocês; está compartilhando o Cristo que está nele. Nossa comunhão é com o Pai e com o Filho. Portanto, quando vocês recebem esse compartilhamento e são atraídos à comunhão conosco, entram na comunhão do Pai e do Filho.

    E estas coisas escrevemos, para que a nossa alegria seja completa.

    Não há nada que possa nos trazer mais alegria do que a verdadeira comunhão. Quando vocês podem ter comunhão com seus irmãos e irmãs e, por meio dessa comunhão, estão realmente tendo comunhão com o Pai e com o Filho, podem encontrar algo mais cheio de alegria?

    Ao terem comunhão com seus irmãos e irmãs, vocês têm comunhão em Cristo. Ao terem comunhão com Cristo, têm comunhão com seus irmãos e irmãs. Como essa alegria deve ser plena. A comunhão é o céu na terra.

    O andar na luz da vida

    Depois de estabelecermos os princípios da comunhão, precisamos considerar sua prática. A comunhão está fundamentada na vida; portanto, deve ser praticada segundo a linha da vida — o caminho da vida. Vocês não podem praticar a comunhão fora da vida.

    Quando vocês entram em comunhão, precisam entrar segundo a natureza dessa vida eterna. A vida tem sua natureza, seu caráter. Somente quando vocês se desenvolvem de acordo com esse caráter e essa natureza é que sua comunhão aumenta. Quando violam essa natureza da vida, sua comunhão é prejudicada.

    É disso que trata 1 João. Porque a igreja tinha uma visão obscura de Cristo, começou a perder seu primeiro amor. Por isso, a comunhão entre os crentes foi enfraquecida, interrompida, impedida e danificada. João procurou ajudá-los a ver como sua comunhão poderia se desenvolver e aumentar.

    A comunhão é viva. Tudo o que é vivo cresce. Quando para de crescer, começa o processo de morte. A comunhão cristã é um processo de crescimento. Nunca chegamos a um ponto em que não possamos crescer mais.

    A comunhão entre o Pai e o Filho está sempre crescendo e nunca termina. Isso não é maravilhoso? Nossa comunhão é da mesma forma.

    Em 1 João, o caráter ou a natureza de Deus é mencionado sob três aspectos:

    1. Deus é luz.
    2. Deus é justo.
    3. Deus é amor.

    Depois de fazer a introdução, João diz em 1 João 1:5:

    Esta é a mensagem que Dele temos ouvido e vos anunciamos: que Deus é luz, e Nele não há treva alguma.

    A luz aqui é diferente da luz que mencionei antes. A luz anterior era a interpretação das Escrituras. A Palavra de Deus é, de fato, lâmpada e luz, mas não é disso que estamos falando aqui.

    A comunhão não está fundamentada na luz que vocês afirmam ter a respeito da Palavra de Deus — sua interpretação. A comunhão está fundamentada na luz em outro sentido: Deus é luz.

    O próprio Deus é luz. Essa é Sua natureza, Seu caráter. Ele é puro, resplandecente, glorioso. Nele não há trevas, sombra, penumbra nem mudança. Deus é plena luz.

    João 1:4 diz:

    Nele estava a vida; e a vida era a luz dos homens.

    Em Cristo está a vida, e no Filho está a luz. Essa luz é a luz dos homens. Então, em João 8:12, o Senhor diz:

    Eu sou a luz do mundo; quem Me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida.

    Irmãos e irmãs, a vida que recebemos é Cristo, e essa vida tem a natureza da luz. A vida que vocês têm em Cristo é a luz da vida. Essa vida em vocês brilhará.

    Não podemos andar nas trevas; se o fizermos, tropeçaremos. Mas como andamos como cristãos? Não por regras ou regulamentos exteriores. Não. Andamos pela luz da vida.

    À medida que você segue o Senhor, a luz em você brilha e lhe mostra o próximo passo. Ela talvez não ilumine toda a jornada de sua vida, mas iluminará seu próximo passo. Se você obedecer à luz da vida, anda com o Senhor; dá mais um passo, e então a luz da vida ilumina outro passo diante de você. Esse é o crescimento cristão.

    Andamos na luz. O “se” de 1 João 1:7 não significa que podemos ou não andar na luz. Como crentes, devemos andar na luz. Onde está essa luz? Mais uma vez, não se trata apenas de interpretações da Palavra, porque há interpretações diferentes demais. A luz é a luz da vida. Sigam a vida.

    Dizendo de outra maneira, Romanos 8 ensina que a mente voltada para o Espírito é vida e paz. Se vocês seguirem a vida que está em seu interior, à medida que ela ilumina seu caminho, e lhe obedecerem, então andarão na luz, como Deus está na luz.

    Há uma diferença entre nosso andar na luz e o fato de Deus estar na luz. Deus é luz. Ele próprio é luz e habita em luz inacessível. Sua vida é plena, perfeita, completa, santa e gloriosa.

    Mas nós andamos na luz da vida à medida que ela ilumina nosso caminho. Se assim fizermos, então acontece algo maravilhoso: temos comunhão com Deus.

    Não há comunhão entre luz e trevas. Como diz 2 Coríntios 6:14:

    Que comunhão tem a luz com as trevas?

    Como Deus, Que é luz e em Quem não há trevas, pode ter comunhão conosco, embora tenhamos a luz da vida em nós, mas ainda haja tantas trevas ao nosso redor? É aqui que entram a misericórdia e a graça.

    Deus está na luz, e nós temos a luz da vida em nós. À medida que Sua vida ilumina um passo, damos um passo. A diferença entre o grau de nossa luz e o grau da luz de Deus é imensurável, mas a qualidade e a natureza da luz são as mesmas.

    Portanto, Deus diz, em essência: “Enquanto você estiver andando na luz, Eu terei comunhão com você”. Embora ainda haja muitas trevas em você, isso não interrompe a comunhão, porque você está obedecendo à luz da vida que tem hoje. Isso não é graça?

    Mas, se você não andar na luz da vida que lhe foi dada, então anda nas trevas, e não há comunhão entre você e Deus até que confesse seus pecados.

    Irmãos e irmãs, para que nossa comunhão com Deus — o Pai e o Filho — seja ininterrupta, é extremamente importante, fundamental e básico que cada crente aprenda a andar fielmente na luz da vida que lhe foi dada.

    É claro que haverá diferenças. Algumas pessoas são como criancinhas. A vida dentro delas é jovem, e por isso a luz ainda é pouca. Mas, se obedecem a essa luz, estão bem, e sua comunhão com Deus não é interrompida.

    Então elas crescem e se tornam jovens. Sua vida cresce e, à medida que sua vida cresce, sua luz também cresce. Se obedecem a essa luz, têm comunhão com Deus. Depois crescem e se tornam pais, e a luz fica ainda mais brilhante. Precisam obedecer. Se não obedecerem, estarão nas trevas, e a comunhão será interrompida.

    Essa comunhão com o Pai é viva. É por isso que não podemos julgar uns aos outros. Você não pode usar seu padrão e impô-lo a outro irmão ou irmã. Ele pode ser uma criança e, de acordo com a luz que lhe foi dada, tem obedecido. Você pode ser um jovem, sabendo mais e precisando ser mais fiel. Se não obedece, está pior do que a criança.

    Comunhão, purificação e crescimento espiritual

    Se andarmos na luz, como Deus está na luz, então temos comunhão uns com os outros. A expressão “uns com os outros”, estritamente falando, refere-se à comunhão com os demais crentes.

    Certamente, quando andamos na luz, temos comunhão com o Pai e com o Filho. E, por causa disso, temos comunhão uns com os outros. Se você não anda na luz, sua comunhão com o Pai e com o Filho não está correta, e você não tem comunhão com seus irmãos e irmãs.

    Então vem a declaração maravilhosa:

    E o sangue de Jesus, Seu Filho, nos purifica de todo pecado.

    Pensem nisso. À medida que vocês têm comunhão com seus irmãos e irmãs e compartilham a luz, a luz aumenta. Talvez eu seja uma vela, e meu irmão seja outra vela. Quando temos comunhão, há duas velas, e a luz aumenta.

    Quando a luz aumenta, vocês percebem trevas que nunca haviam sido expostas antes. Graças a Deus, o sangue de Jesus, o Filho de Deus, nos purifica de todo pecado. Ele nos purifica, e crescemos em vida.

    Quando vocês têm comunhão com seus irmãos e irmãs e nada acontece, há algo errado com essa comunhão. Muitas vezes, quando têm comunhão com seus irmãos e irmãs, vocês são convencidos do pecado. A luz da vida em outra pessoa começa a brilhar sobre vocês, e vocês descobrem uma área em que estão nas trevas.

    Então vocês começam a ver. E, porque veem, confessam. O sangue de Jesus os purifica. Ele não apenas os perdoa, mas os purifica, e seu caráter é purificado.

    Essa é a glória da comunhão. Não pensem que a comunhão é algo barato, apenas passar um tempo agradável. Não. A comunhão pode custar muito.

    Se vocês ousarem ter comunhão com seus irmãos e irmãs, abrirão espaço para que sejam expostos — mas expostos para serem libertos. Assim também, quando vocês ousam ter comunhão com Deus, nem tudo são flores. Há muitos espinhos, muitas purificações, muito esvaziamento e muita obra a ser feita.

    Mas graças a Deus, nada é mais glorioso do que aquilo que a comunhão pode nos proporcionar.

    Conclusão e oração

    Não posso continuar, porque meu tempo já acabou. Mas lembrem-se: vocês avançam nessa questão da comunhão segundo a linha da vida.

    Deus é luz: andem na luz. Deus é justo: pratiquem a justiça. Deus é amor: amem uns aos outros. À medida que fizerem isso, a comunhão aumentará.

    Que o Senhor nos abençoe. Vamos orar?

    Querido Pai celestial, o que podemos dizer? Não temos direito algum; não merecemos isso. Ainda assim, Tu estendes a nós a Tua maravilhosa e gloriosa comunhão. Tu compartilhas Teu Filho conosco, e Teu Filho compartilha a Ti conosco.

    Oh, nós Te louvamos e Te agradecemos porque hoje somos chamados à comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo. Nossa comunhão é com o Pai, com o Filho e uns com os outros.

    Pai, oramos para que possamos compreender verdadeiramente o que é a comunhão, para que a valorizemos e estejamos dispostos a pagar qualquer preço por ela. Oramos para que nossa comunhão aumente e cresça, para que Tu sejas glorificado e nossa alegria seja completa.

    Pedimos em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.