Na primeira epístola de Pedro, em 1 Pedro 1:3-5:
Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo,
Que, segundo a Sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança,
Pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos;
Para uma herança incorruptível, incontaminável e que não se pode murchar,
Guardada nos céus para vós,
Que, pelo poder de Deus, sois guardados mediante a fé.
Uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo.
Na epístola aos Colossenses, precisamos ler toda a passagem de Colossenses 1:24-28:
Agora me regozijo nos meus sofrimentos por vós,
E, na minha carne, cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo Seu corpo, que é a igreja;
Da qual fui constituído ministro, segundo a dispensação de Deus que me foi concedida para convosco, para cumprir a palavra de Deus;
O mistério que esteve oculto desde todos os séculos e gerações: mas agora foi manifestado aos Seus santos;
Aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, a esperança da glória;
A Quem anunciamos, admoestando a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, para que apresentemos todo homem perfeito em Cristo.
Este mistério entre as nações, que é Cristo em vós, a esperança da glória. Uma viva esperança; a esperança da glória.
Precisamos reunir essas duas passagens para compreender o verdadeiro significado da esperança de que se fala.
Para Pedro, a ressurreição do Senhor Jesus foi uma experiência que lhe abriu uma perspectiva inteiramente nova. O contexto daquela expressão, “uma viva esperança”, nos mostra um pouco da perspectiva que a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos havia trazido a Pedro: uma herança incorruptível, incontaminável e que não se pode murchar. Foi isso que se abriu para ele com a ressurreição.
Para Paulo, a ressurreição em Cristo era o próprio coração do mistério que estivera oculto a todas as gerações, mas que agora está revelado.
Consideremos primeiro Pedro nesse contexto. Pedro se assenta para escrever esta carta aos eleitos dispersos pelo Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia. De imediato, ele se vê arrebatado por uma doxologia:
Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo,
Que nos gerou de novo para uma viva esperança,
Pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos.
Talvez, dentre todos os homens, Pedro fosse quem mais tivesse motivo para uma doxologia pela ressurreição de Jesus. Mas tomamos Pedro como representante de todos aqueles que se haviam tornado seguidores do Senhor Jesus nos dias de Sua carne.
Não havia apenas os doze; evidentemente, havia um número bastante grande além dos doze. Havia os setenta e, além dos setenta, muitos outros que seguiam Jesus e tinham algum vínculo com Ele. Pedro pode ser considerado, num sentido muito real, representante de todos eles.
Estamos pensando, neste momento, particularmente no efeito da cruz sobre ele e sobre todos eles: a completa devastação e, depois, o desespero que a cruz do Senhor Jesus trouxe a todos. Ah, ouvimos dizer que todos se dispersaram.
Sabemos como, mesmo antes de a cruz se tornar uma realidade, qualquer referência a ela provocava uma reação terrível. De tempos em tempos, o Senhor mencionava a morte que se aproximava. Quando Ele fazia isso, muitos se retiravam e já não O acompanhavam.
Outros, por sua vez, disseram:
Duro é este discurso; quem o pode ouvir?
Aparentemente, depois disso, eles também se retiraram. A ideia e a perspectiva da cruz eram impossíveis de aceitar.
Então encontramos Pedro, no próprio centro daquele grupo, negando enfaticamente qualquer associação com Cristo, precisamente por causa da cruz. Uma negação terrível.
Todos participaram disso — não com as mesmas palavras nem com a mesma forma de expressão. Está escrito:
Todos O deixaram e fugiram.
E Ele lhes havia dito: “Todos vocês Me deixarão. Todos vocês Me deixarão”. E foi o que aconteceu.
Nós os encontramos depois de Sua crucificação. Encontramos aqueles dois no caminho de Emaús, a própria personificação do desespero. Para eles, tudo havia desaparecido, tudo estava despedaçado. Todas as suas esperanças haviam sido eclipsadas.
E nós esperávamos que fosse Ele o que remisse Israel.
Agora tudo havia terminado, e a esperança jazia em Seu túmulo. Encontramos Tomé de tempos em tempos, e sabemos o que Tomé pensava a respeito da cruz. Ele também estava dominado por um terrível desespero e pela falta de esperança — perda da fé, perda da certeza.
Percorremos aqueles quarenta dias depois da ressurreição e encontramos o Senhor tendo de repreendê-los repetidamente por causa de sua incredulidade. Eles não criam; alguns duvidavam.
Podemos ver que choque a cruz havia sido. Não usei uma palavra forte demais ao dizer que a cruz foi nada menos que uma devastação para cada seguidor do Senhor Jesus.
Bem no centro de todos eles estava Pedro. Podemos dizer que tudo se concentrava nele. Deve ter sido assim, tendo em vista o que ele havia feito. Coloque-se no lugar dele. Veja se você teria alguma esperança a mais, ou qualquer coisa em que se apoiar, em si mesmo. Não.
Mas quarenta dias — quarenta dias de aparições e desaparecimentos, de idas e vindas — foram consolidando continuamente o fato de que Ele havia ressuscitado, vencendo dia após dia aquele desespero e aquela incredulidade, edificando uma nova esperança.
Mas, mesmo depois de quarenta dias assim, ainda falta o mais vital. Você poderia pensar: bem, com tudo isso, certamente há o suficiente para prosseguir. Não. O mais vital, mesmo naquele momento, ainda está faltando.
O que é? É Cristo dentro dele. Tudo aquilo, sim, mas ainda não Cristo dentro dele.
Daí a ordem de esperar:
Ficai em Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder.
Não saiam ainda. Apesar de tudo o que vocês têm, ainda não possuem aquilo que é vital, aquilo que é essencial.
O essencial é Cristo em vocês — Cristo realmente dentro de vocês.
É por isso, queridos amigos, que os apóstolos eram tão rigorosos — tão rigorosos quanto ao recebimento do Espírito Santo na conversão — antes de se sentirem seguros a respeito daquela conversão.
Sim, havia todos aqueles relatos. Não havia motivo para acreditar que fossem relatos falsos, meros rumores sobre coisas que estavam acontecendo em alguma região. O Senhor não havia dito que eles seriam Suas testemunhas em Samaria? Chegam notícias de coisas que estão acontecendo, de pessoas que estão vindo ao Senhor, de conversões verdadeiras que estão ocorrendo em grande número.
Por que não se contentar com o relato? É um bom relato, e certamente não há motivo para duvidar dele. Mas não, os apóstolos não se contentaram apenas com isso. Enviaram representantes de Jerusalém e, quando estes chegaram, impuseram as mãos sobre eles para que recebessem o Espírito Santo.
Vejam, isso aconteceu repetidas vezes. Para eles, as coisas não estavam realmente estabelecidas até que tivessem certeza de que Cristo estava no interior — de que Cristo estava neles —, o que é o mesmo que receber o Espírito Santo, o Espírito de Jesus.
E é por isso, digo eu, que o Senhor disse: “Esperem. Não saiam ainda”. É por isso que os apóstolos eram tão meticulosos nessa questão de receber o Espírito Santo.
Mais uma vez, é por isso que, naqueles tempos, o Espírito Santo dava evidências de que havia entrado no interior deles. Cremos que este livro de Atos é um livro de princípios fundamentais para esta dispensação.
Quando princípios são estabelecidos pela primeira vez, Deus sempre os concretiza com evidências poderosas. Mas são princípios verdadeiros; são coisas que governam em todos os tempos. Deus põe sobre eles o Seu selo.
Assim, quando receberam o Espírito, houve as evidências do Espírito. Falaram em línguas; coisas poderosas aconteceram. Ficou claro para todos, sem qualquer dúvida, que o Espírito estava no interior. Cristo havia entrado.
Aquele Cristo universal, que transcende toda linguagem humana; aquele Cristo do céu, que transcende todas as coisas terrenas, havia entrado. As evidências foram dadas. Não havia como se enganar a respeito disso — não havia como se enganar.
Esta questão, Cristo no interior, é o elemento fundamental e essencial do cristianismo. Você pode ter os fatos mais extraordinários — Seu nascimento, Sua vida maravilhosa, Sua morte, Sua ressurreição. Digo que estes são os fatos mais extraordinários. Você pode ter todos eles, e todos podem permanecer sem efeito até que Ele esteja dentro de você.
Essa é uma afirmação tremenda, mas os fatos a confirmam. Pensem em Pedro: “Espere. Não saia ainda. Afinal, o essencial ainda não aconteceu. Tenha certeza. Não deixe nada ao acaso”.
Que não seja apenas um avivamento emocional em Samaria. Seja o que for que pareça existir exteriormente para provar que algo aconteceu, certifiquem-se de que isso alcançou o interior. Certifiquem-se de que Cristo está dentro; de que o Espírito Santo está dentro. Certifiquem-se.
Bem, vocês podem ter tanta coisa, como veremos à medida que prosseguirmos, e então faltar aquela realidade decisiva — calamidade, calamidade.
Esta poderosa esperança, queridos amigos, não repousa apenas sobre um fundamento histórico — isto é, sobre o fundamento do Jesus histórico. Esta poderosa esperança repousa sobre uma realidade interior: Cristo em vocês. Isso transcende a história.
É aqui que precisamos recorrer a Paulo para compreender o significado pleno:
O mistério que esteve oculto desde todas as gerações.
Ele esteve presente ao longo de todas as gerações — um mistério oculto a todas as gerações, mas agora dado a conhecer —, que é Cristo em vocês, a esperança da glória.
Ora, tudo o que dissemos é uma abordagem geral da questão. Ela precisa ser examinada em suas partes. Assim, tomaremos novamente Pedro e os outros que ele, sem dúvida, representa, considerando primeiro a falta de esperança que, em última análise, caracteriza uma associação meramente exterior com Cristo, por mais sincera que seja.
Não há dúvida quanto à sinceridade de Pedro ou de qualquer um desses seguidores. Eram sinceros. Seus motivos não poderiam ser postos em questão. Tudo era bem-intencionado, não há dúvida.
Eles deixaram tudo e O seguiram. Seguir Jesus de Nazaré naqueles dias envolvia uma oposição bastante considerável por parte das autoridades e do sistema dominante. Sua associação com Ele lhes custava alguma coisa.
Embora talvez não fossem capazes de ver e compreender, embora não tivessem pleno esclarecimento sobre Quem Ele era, a realidade de Quem Ele era estava presente com eles.
Por exemplo, há o fato da encarnação: o fato de que Aquele que estava entre eles era Deus vindo em forma humana, era o Filho de Deus, era Deus que havia descido do céu em forma humana. Eis o fato.
Eles estavam em contato íntimo com esse fato todos os dias de sua vida.
Havia também o fato de Sua personalidade. Não há como escapar disto: que personalidade era aquela! Quero dizer, havia uma presença onde Ele estava que era diferente, que se fazia sentir, que deixava sua marca.
Sua presença era muito, muito impressionante, talvez mais do que a de qualquer outra pessoa com quem tivessem convivido ou de quem tivessem conhecimento. Havia algum mistério acerca desse Homem. Não era possível apreendê-Lo; não era possível explicá-Lo; não era possível compreendê-Lo.
Sua maneira de agir era diferente, e, onde quer que Ele chegasse, Sua presença produzia um efeito — um efeito tremendo. O fato de Sua personalidade.
Então, embora não saibamos até onde isso se difundiu, havia o fato de Maria e de seu segredo. Não sabemos a quantas pessoas ela falou de seu segredo. Somos informados de que ela guardava todas essas coisas em seu coração.
Mas é difícil acreditar que ninguém soubesse coisa alguma a respeito. Sabemos que alguns sabiam. Sabemos que ela contou tudo a Isabel. Isabel sabia. O pai de João Batista sabia. João Batista sabia.
O segredo de Maria — e ela estava ali com eles o tempo todo. Maria e seu segredo: sem insistir demais nisso, o fato está presente.
Há também o fato dos milagres. Não se pode simplesmente ignorá-los: milagres no domínio dos elementos, do mar e do vento; no domínio da natureza.
Como diz o nosso hino: “Era primavera quando Ele tomou os pães, e tempo de colheita quando os partiu”. O domínio da natureza.
No domínio das enfermidades, das doenças e da morte, havia Suas curas e a ressurreição do filho da viúva de Naim. Sim, esses são fatos.
Então, no domínio dos poderes do mal, havia Sua ação de silenciar demônios e expulsá-los, libertando os endemoninhados. Todos esses fatos estavam presentes diante deles — um tremendo acúmulo de coisas.
Além disso, havia o fato do ensino — o ensino. Sem uma instrução especial, Ele deixava perplexas, confundia e derrotava as autoridades de Seu tempo.
Os homens de informação e conhecimento — os escribas, os doutores da lei, os melhores representantes do intelecto judaico — escolhiam, em certas ocasiões, suas melhores inteligências para ir e tentar apanhá-Lo em Suas palavras.
De onde vem a este Homem esta sabedoria, não tendo aprendido?
Havia o Seu ensino.
Bem, aí está um conjunto impressionante de fatos. Uma situação verdadeiramente tremenda. Eles tinham tudo isso. Tinham tudo isso.
E, no entanto, queridos amigos, com toda aquela massa de fatos e realidades poderosas a respeito Dele, e com sua convivência tão próxima com Ele, temos a ruína e o desespero da cruz.
Ouso dizer que vocês pensariam que, se tivessem apenas uma parte daquilo, estariam seguros para sempre e não teriam motivo algum para duvidar de sua salvação ou questionar o cristianismo.
Eles tinham tudo, e aqui os encontramos depois da cruz em completo desespero. Não exagerei. Não creio que se possa exagerar nessa questão.
Contudo, queridos amigos, quando veio a prova suprema, nada daquilo se sustentou. Faltava o único elemento essencial para tornar tudo aquilo vivo, para torná-lo a própria vitória na hora da provação.
Esse único elemento essencial é Cristo — Cristo em vocês. Se tudo isso ainda é objetivo e exterior, mesmo que vocês estejam intimamente ligados a tudo, algo assim ainda pode resultar em desastre.
Pela ressurreição, nasceu uma nova esperança. Pela ressurreição, um novo poder entrou no mundo e na vida humana.
Pela ressurreição, abriu-se o caminho para que Cristo mudasse Sua posição: do céu, de fora, para a vida interior do crente. Sem isso, vocês nunca terão certeza — nunca terão certeza. Tudo precisa ser Cristo em vocês.
Essa esperança — ah, certamente! Esta é precisamente a natureza essencial da dispensação em que vivemos. Numa dispensação anterior, o Espírito agia sobre os homens de fora. Jesus disse: “Quando Ele vier”:
Estará em vós.
Essa é a mudança de dispensação. Esse é o caráter da presente dispensação: o Espírito no interior.
Qual é o segredo do poder da igreja? Qual é o segredo da vida, da força, da perseverança, da resistência e da vitória do crente contra todo o inferno e o mundo? Qual é o segredo da glória final? É Cristo em vocês.
Cristo em vocês: que vocês tenham real e definitivamente recebido o Espírito Santo. Que vocês tenham real e definitivamente recebido o Espírito Santo — é apenas dizer a mesma coisa com outras palavras.
Ah, como isso é importante! Você e eu precisamos saber — saber — que nosso cristianismo, nossa fé, não repousa nem mesmo sobre os maiores fatos históricos, mas que Cristo está no interior. Sabemos que recebemos o Espírito Santo.
Esse é o segredo de tudo. É diferente.
Permitam-me levar isso um pouco adiante. Considerem este próximo ponto: a falta de esperança de trabalhar para Cristo sem ter Cristo no interior.
Ele chamou a Si os doze, escolheu setenta e os enviou. Deu-lhes poder sobre os espíritos imundos, sobre toda espécie de enfermidade, e eles partiram.
Voltaram com grande alegria, dizendo:
Até os demônios se nos sujeitam pelo Teu nome.
Limpai os leprosos, curai os enfermos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios;
De graça recebestes, de graça dai.
Voltaram com grande alegria. Aquilo havia acontecido; eles o tinham visto.
Temos esse quadro depois da cruz, mas eram as mesmas pessoas — as mesmas pessoas —, devastadas. Isso é possível? Isso é real? Se você conhece o seu próprio coração, sabe que é possível.
Bem, qual é o significado disso? Vejam, no caso dos doze e dos setenta, temos diante de nós um fato estranho, maravilhoso e quase assustador.
É que, dentro do vasto âmbito do governo soberano de Deus — que é apenas outra definição do reino de Deus —, existem muitas coisas que expressam somente essa soberania. Elas não procedem da essência intrínseca e permanente do próprio Deus, de Sua própria natureza; são obras de Deus.
Digo que, dentro desse vasto âmbito de Seu governo e de Seu reinado, há muitas, muitas coisas assim. Dizem respeito a uma função; são providenciais.
Deus tem numerosos — incontáveis — instrumentos de Sua soberania, dos quais simplesmente Se serve, em Sua soberania, em relação ao Seu propósito final.
Há um propósito a ser alcançado a respeito de Seu Filho, Jesus Cristo. Isto é, precisa ser dado a conhecer neste mundo que o reino de Deus se aproximou e que Jesus Cristo é o centro desse reino. Isso precisa ser conhecido.
Para tornar isso conhecido, Deus empregará soberanamente até mesmo o próprio diabo. Sua soberania abrange muitas coisas que, em essência, não pertencem à natureza de Deus. Vocês entendem isso?
Às vezes vocês ficam admirados, perplexos e confusos diante do fato de Deus usar esta, aquela e determinadas pessoas. Em princípio, tudo isso contraria aquilo que vocês creem ser necessário a Deus para a realização de Sua obra.
Vocês pensam que a Bíblia diz que os instrumentos precisam estar de acordo com a mente de Deus para serem usados, mas a história não confirma isso. Digo que Ele tem usado o diabo. O diabo não está de acordo com a mente de Deus, mas há uma soberania de Deus que se estende sobre tudo em relação ao Seu propósito final.
Depois de dizer isso, queridos amigos, chegamos a um fato assustador quando se trata da obra de Deus: podemos estar trabalhando para Deus, fazendo muitas coisas poderosas, sendo empregados como instrumentos do reino de Deus, do governo de Deus, e, no fim, também podemos simplesmente desmoronar.
Aqui está, vejam, esta coisa estranha: esses homens — os doze e os setenta — saíram com autoridade delegada, essa autoridade delegada, e a exerceram, produzindo resultados poderosos.
No entanto, encontramos essas pessoas depois da cruz numa situação em que não tinham nada em que se apoiar. O que isso nos diz? Ah, graças a Deus, o livro de Atos transforma toda a situação.
O livro de Atos introduz este fato poderoso: Cristo, que delegou autoridade, agora habita no interior como a própria autoridade. As obras agora são poderosas, mas não são apenas obras para o Senhor; são as obras do Senhor.
Vocês nunca se admiraram? Admiraram-se de que homens que puderam sair daquela maneira, ser usados daquela maneira e ver os demônios sujeitos a eles e os enfermos curados — todas essas coisas — viessem todos a negá-Lo, fugir Dele, abandoná-Lo e se encontrar numa situação como aquela?
Sim, poderíamos muito bem ficar perplexos diante de tal possibilidade se não conhecêssemos o segredo. Queridos amigos, tudo isso demonstra esta tremenda necessidade: Cristo em vocês é a necessidade indispensável para a vida e para o trabalho.
Vocês podem ver que, no início, com tudo o que tinham em sua convivência com Ele, e depois com tudo o que lhes foi permitido fazer por Sua autoridade delegada, tudo isso ainda era insuficiente para torná-los vitoriosos na hora da mais profunda provação.
Aquilo que faltava — bem, Paulo tocou precisamente nesse ponto quando chegou a Éfeso. Vocês se lembram:
Recebestes o Espírito Santo quando crestes?
Era sempre essa a pergunta deles, sempre essa a pergunta. Eles sabiam. Se havia alguma coisa que sabiam, era isso. Nada, nada resistirá a qualquer prova se não for o próprio Cristo presente no interior.
Podemos, é claro, considerar isso dos dois lados. Pelo lado negativo, digo que é uma possibilidade quase assustadora haver tudo isso, tudo isso, e depois um desastre no fim.
Mas vamos dizê-lo positivamente: que coisa maravilhosa é vivermos na dispensação em que a única realidade, acima de todas as outras, que Deus tornará efetiva é Cristo em vocês — Cristo em vocês.
Não é de admirar que Pedro irrompa em sua doxologia:
Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo,
Que, segundo a Sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança,
Pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos.
Que coisa extraordinária Pedro poder falar assim — depois de passar por aquele terrível abalo, por aquela profundidade indescritível de desespero, de perda da esperança —, poder dizer: “Uma viva esperança”.
O que é isso? Cristo em vocês, a esperança da glória.
Pergunto-me o que vocês estão pensando. Estou tentando perceber suas reações enquanto falo. O que estão pensando? O que estão sentindo a respeito disso? Estou desanimando vocês? Estou tornando as coisas difíceis novamente?
Meus queridos amigos, se vocês realmente pensarem de novo — pensarem de novo à luz de tudo isso —, tenho plena certeza de que concordarão que esta é uma palavra importante, uma palavra muito necessária.
Não lhes digo isso porque penso que vocês precisam dessa palavra e eu não. Só Deus sabe. Ainda há mais a dizer a respeito, e tenho plena certeza de que, em breve, vocês estarão ainda mais convencidos da necessidade vital desta palavra e desta realidade.
Se vocês esquecerem tudo o que foi apresentado para demonstrar o ponto, apeguem-se ao próprio ponto. Não há esperança para nós individualmente. Não há esperança para nossos grupos, nossas igrejas, nossas assembleias. Não há esperança para o cristianismo —
— a não ser onde o Cristo vivo, com todo o tremendo significado de Sua vinda a este mundo, de Sua vida aqui, de Sua cruz e de Sua ressurreição, tenha entrado, pelo Espírito Santo, no interior de homens, de pessoas e de igrejas. É Cristo em vocês.
Tudo o mais pode estar presente: o credo, o ensino. Vocês podem, com toda sinceridade e honestidade, dizer: “Creio em Deus Pai”, e assim por diante, e assim por diante, e assim por diante. Tudo isso pode estar presente e, ainda assim, resultar em desastre.
Aquilo de que mais frequentemente se dá testemunho é o impacto de Cristo. Isso importa. Dissemos que Ele não poderia estar presente sem que isso fosse percebido.
É isso, a plena força dinâmica. Esse é o segredo do poder da igreja: a presença de Cristo dentro de você e de mim, e de nós como um povo reunido.
Este mistério entre as nações — entre as nações —, que é Cristo em vocês. Vocês estão entre as nações. Vocês estão entre as nações. A realidade mais profunda, mais insondável, mais inexplicável é Cristo em vocês, enquanto vocês estão entre as nações: a esperança da glória.
Ah, abram o coração à mensagem — não à forma de sua apresentação, nem àquele que tenta transmiti-la —, mas escutem.
A questão da esperança pode ser atingida por um desespero profundo e terrível. Posso ver desintegração e ruptura. O que precisamos é de uma esperança poderosa, poderosa — uma viva esperança.
Essa esperança é Cristo: Cristo ressuscitado, o próprio Cristo.
Quero ir além até mesmo da ressurreição, ou de qualquer outra coisa considerada isoladamente. Digo que é Cristo — Cristo —, o que Cristo significa habitando em nós.
Vamos orar.