Testimony Ministry LogoChristian Testimony MinistryCTM
  • Home
  • Speakers
  • Venues
  • Topics
  • Scripture
  • Fellowship Finder
THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
About CTMContact CTMPrivacy PolicyRelated Ministries
    Recovery #4 of 4 © 2026 Christian Testimony Ministry
    0:00
    Recovery #4 of 4
    Recovery #4 of 4
    Austin-Sparks, T.

    O cumprimento de Neemias no Novo Testamento

    Nas reuniões desta conferência, temos nos ocupado com a mensagem de Deus para o nosso tempo, transmitida a nós por meio do livro intitulado Neemias.

    Nesta noite, da maneira mais concisa possível, procuraremos reunir a mensagem e as linhas de pensamento que temos considerado.

    Atos 15 e o tabernáculo de Davi

    Quero levar vocês ao Novo Testamento e ler alguns versículos do livro de Atos — Atos 15:12-18.

    Então toda a multidão se calou; e escutava a Barnabé e a Paulo, que relatavam quantos sinais e prodígios Deus havia feito por meio deles entre os gentios.
    E, depois de se haverem calado, respondeu Tiago, dizendo: Varões irmãos, ouvi-me:
    Simão relatou como primeiramente Deus visitou os gentios, para tomar dentre eles um povo para o Seu nome.
    E com isto concordam as palavras dos profetas; como está escrito:
    Depois destas coisas voltarei,
    E reedificarei o tabernáculo de Davi, que está caído;
    E reedificarei as suas ruínas,
    E o levantarei:
    Para que o restante dos homens busque ao Senhor,
    E todos os gentios sobre os quais é invocado o Meu nome,
    Diz o Senhor, que faz conhecer estas coisas desde o princípio do mundo.

    Como vocês podem observar, há uma tradução alternativa na margem para essa última oração:

    Que faz estas coisas, conhecidas desde o princípio do mundo.

    Esse trecho que acabamos de ler é a contrapartida do livro de Neemias no Novo Testamento. Vejam, ele se refere ao tabernáculo de Davi — à sua queda e à sua reconstrução.

    E a citação, como vocês também podem ver, é do profeta Amós.

    Ora, o profeta Amós profetizou quando aquele tabernáculo, ou templo, de Davi estava prestes a ser destruído — caminhava para a queda. Ele era um profeta de juízo, de juízo sobre os pecados do povo de Deus.

    Esse juízo culminaria na destruição, ou na queda, do grande templo de Davi, que representava Davi e seu povo: a derrota deles e o seu cativeiro.

    E, diante dessa perspectiva iminente, Amós profetizou que haveria um depois. O Senhor voltaria e reedificaria o tabernáculo de Davi que havia caído, para que o restante dos homens sobre os quais o Seu nome era invocado pudesse buscá-Lo.

    Aqui temos essa profecia citada no livro de Atos por um apóstolo. Ela é cheia de significado e muito impressionante. Observem como os apóstolos interpretaram a profecia de Amós.

    O tabernáculo, ou templo, de Davi de fato caiu. Sabemos disso. O livro de Neemias o apresenta em ruínas, juntamente com a cidade e o muro da cidade. Isso havia acontecido.

    Um remanescente havia retornado daquele juízo e daquele cativeiro e, ali em Neemias, junto com os companheiros de Esdras, é encontrado reconstruindo o templo. Esses dois livros contêm a história da reconstrução do templo.

    Mas os apóstolos de modo algum estavam convencidos de que aquilo expressava plenamente o que Amós queria dizer. Eles não viam ali o esgotamento da profecia de Amós — apenas, talvez, um cumprimento muito limitado e parcial, por algum tempo.

    Os apóstolos viram que havia um cumprimento muito mais pleno e amplo do que aquele ocorrido no tempo de Esdras e Neemias. A interpretação que deram à profecia de Amós está aqui, no livro de Atos. Para encontrar a profecia de Amós a caminho de seu pleno cumprimento, vocês precisam ler este livro.

    Repito: essas palavras são a contrapartida, no Novo Testamento, daquilo que temos em Neemias. O próprio livro de Atos é essa contrapartida.

    Devemos ficar impressionados, e devidamente impressionados, antes de tudo com este fato: os apóstolos perceberam que a profecia do Antigo Testamento certamente não se limitava àquilo que se havia cumprido até então; Deus tinha algo muito maior em mente quando inspirou o profeta a pronunciá-la.

    Ninguém o percebeu até que o Espírito Santo veio, tomou esses apóstolos e lhes deu o significado mais pleno da palavra profética.

    Cristo como o santuário de Deus

    Gostaria de examinar e reunir os diversos aspectos e elementos desta apresentação da verdade. Há vários pontos específicos.

    Em primeiro lugar, há aquilo que o tabernáculo, ou o templo, representa. Isso aparece com muita clareza no Novo Testamento. É realmente o coração — e mais do que o coração —, é toda a esfera daquilo que temos no Novo Testamento.

    Cristo corresponde plenamente a isso, sendo Ele mesmo o santuário de Deus. Ele usou essa mesma palavra a respeito de Si:

    Destruí este santuário, e em três dias o levantarei novamente.

    É uma declaração tremendamente impressionante.

    Ele falava do santuário do Seu corpo.

    Sabemos, sem precisar de um novo estudo, a verdade do Novo Testamento: o próprio Cristo corresponde a todo esse vasto pensamento de Deus — ter uma habitação entre os homens. Isso se realiza, em primeiro lugar e de maneira perfeita, no próprio Filho de Deus: Emanuel, Deus conosco.

    Deus habitou em Cristo como em um tabernáculo. Deus estava em Cristo. Como diz o apóstolo:

    Deus estava em Cristo.

    Deus, ao olhar para Ele, pôde encontrar Nele aquilo em que outrora havia sofrido uma decepção, quando fez o mundo, quando criou todas as coisas e quando fez o homem e concluiu Sua obra.

    Ele olhou para toda a Sua obra e disse:

    É muito bom.

    E Deus andava no jardim. Deus tinha prazer em habitar ali com o homem. Era o início da realização de uma grande esperança e de um grande desejo no coração de Deus a respeito de Sua criação.

    E então isso Lhe foi roubado. O homem deixou entrar aquilo que era contrário a Deus, e Deus teve de Se retirar.

    Mas, em Seu Filho, Ele encontrou a recuperação e a restauração daquilo que havia caído — daquele santuário que havia caído. Já falamos de como ele caiu, ficou em ruínas e foi devastado; e Deus teve de Se retirar.

    Depois de longos séculos de muitas representações e tipos, veio o Seu próprio Filho — o Seu Homem da nova criação, a expressão plena do Seu pensamento. Olhando para Ele, Deus pôde dizer:

    Meu amado, em Quem Me comprazo.

    Creio que isso significa mais do que estar satisfeito com Ele. Implica: “Em Quem tenho pleno prazer em habitar; estou satisfeito. Aqui está aquilo que Me proporciona um lugar de descanso”.

    Meu amado, em Quem Me comprazo.

    É muito bom.

    Ele correspondeu ao desejo e ao pensamento eternos de Deus. Ele é o santuário restaurado, aquele que havia caído. É Cristo. Isso é o que se revela no Novo Testamento.

    Vocês querem saber onde Deus está, ou querem saber onde encontrar Deus? Somente em Cristo — mas verdadeiramente em Cristo.

    A igreja como extensão de Cristo

    Mas há também a extensão disso. Depois de todo o mistério, de todos os mal-entendidos e de toda a incapacidade de enxergar enquanto Ele estava com eles em carne, os apóstolos finalmente O viram glorificado.

    Eles viram a contrapartida, em realidade espiritual, do templo de Davi, que, quando ficou pronto, era muito magnífico e muito belo — perfeito como tipo. O Senhor o encheu com Sua glória, simplesmente o encheu com Sua glória.

    Assim, aqui, no dia de Pentecostes, Cristo está na glória. Cristo está no céu, cheio de glória; e, a partir Dele, o santuário celestial cheio de glória, a glória saiu para estabelecer sua morada nessa extensão de Cristo.

    Pelo Espírito Santo, Cristo Se estende. Ele vem habitar nos crentes — nos crentes nascidos de novo. E, permanecendo um só, nunca dividido em muitos, permanecendo um só, Ele os constitui, juntamente Consigo, a habitação de Deus.

    O dia de Pentecostes revela essa extensão: Deus vindo ocupar a esfera mais ampla que conhecemos como a igreja. Havia naquele momento algo que trazia todas as marcas do bom prazer de Deus.

    Os homens e as mulheres não eram perfeitos em si mesmos, mas havia tanto de Cristo ali que Deus sorria para aquilo. Deus tinha pleno prazer em estar ali. Toda a cena no início desse livro é uma cena na qual Deus pode dizer: “Tenho pleno prazer”, encontrando Sua casa, Seu descanso e Sua satisfação.

    Foi isso que os apóstolos viram como o cumprimento mais pleno da profecia:

    Reedificarei o que está caído, o tabernáculo de Davi.

    Cristo, o santuário de Deus, é então estendido a um povo escolhido, tomado dentre as nações para o Seu nome, que também passa a ser conhecido como Seu templo, Sua cidade santa, Sua habitação.

    É por aí que começamos com os livros de Neemias e Esdras. É por aí que começamos com o livro de Atos. Agora, isso é transferido da terra para o céu.

    Essa pode ser uma das razões, entre outras, pelas quais o Senhor não permitiu que eles permanecessem definitivamente na Jerusalém terrena. De maneira muito eficaz, o Senhor estava dizendo:

    Aqui não temos cidade permanente, mas buscamos a futura.

    Nossa cidade não é desta terra. Assim, Ele permitiu que a Jerusalém terrena se tornasse um lugar de dispersão para a igreja, porque agora Jerusalém está no céu, e não na terra. Talvez eles estivessem inclinados a fazer dela, novamente, algo terreno.

    O Senhor disse: “Não, de modo algum. Minha cidade, Minha Jerusalém, Meu templo, não está aqui embaixo; está no céu. É Meu Filho”. Eles chegaram a compreender isso.

    O muro de separação

    Então, neste livro do Antigo Testamento, passamos ao muro — o muro cuja reconstrução foi, particularmente, a obra de Neemias. O muro representa o marco divisório entre Cristo e Sua igreja e aquilo que pertence ao mundo, que está separado, do lado de fora e em oposição.

    Já falamos muito sobre isso, mas nunca é demais enfatizar e ressaltar, queridos amigos, que existe essa demarcação tão sagrada. Ignorá-la ou ultrapassá-la é, mais uma vez, anular espiritualmente tudo o que Deus pretende quanto à Sua habitação.

    Vocês não podem derrubar esse muro sem derrubar a verdadeira casa de Deus. A queda alcançará o templo, e a destruição será completa assim que o muro for derrubado. Deus não será encontrado ali se o muro for destruído.

    Isso realmente representa uma grande verdade espiritual: Cristo e Seu povo estão separados deste mundo.

    A grande obra de todos os inimigos — tanto dos inimigos de Neemias como dos inimigos de Cristo e de Sua igreja — é sempre remover esse marco divisório, esse fator distintivo, ultrapassá-lo e introduzir aquilo que pertence ao mundo.

    Tem sido assim ao longo dos séculos, e talvez hoje mais do que nunca. De muitas maneiras, tanto no âmbito religioso como no secular, há um esforço para introduzir o espírito do mundo, os métodos do mundo, os princípios do mundo — algo deste mundo que jaz no maligno — no terreno e na esfera sagrados que pertencem somente a Deus e a Cristo.

    Façam isso, e descobrirão que Deus Se foi — Deus Se foi. Deus Se retirou, tão verdadeiramente quanto isso aconteceu de maneira literal no Antigo Testamento. Assim será na esfera espiritual do Novo Testamento.

    Não há como conservar, se posso colocar assim, a presença de Deus se deixarmos entrar esse mundo que está sob o maligno, seja de que forma for. Esse muro deve ser mantido intacto. Essa demarcação deve ser preservada sem contaminação. Esse marco divisório deve permanecer firme e sem brechas.

    A presença de Deus

    Levemos isso a sério. A coisa mais vital no que diz respeito a vocês e a mim, a qualquer grupo do povo do Senhor e à igreja inteira é a presença de Deus. É simplesmente a presença de Deus.

    Não são cento e uma coisas que constituem o cristianismo. Em última análise, e acima de tudo, é a presença de Deus.

    A presença de Deus em vocês, em mim e em todos os outros — que encontremos o Senhor uns nos outros, e que os outros encontrem o Senhor em nós. Por meio de nossa presença aqui nesta terra, o Senhor tem uma maneira de satisfazer a Si mesmo, de satisfazer Seu desejo de Se revelar e mostrar como Ele é.

    Essa é a vocação da igreja. Essa é a vocação do crente. Levemos isso a sério. Concentrem-se nisso. Bem, é nisso que o Espírito de Deus Se concentra: a presença de Deus.

    Ah, sejamos diligentes e dedicados a isso. É claro que sabemos — sabemos mesmo — que, se perdermos a presença do Senhor, ou a percepção da presença do Senhor, tudo fica oco e vazio. Não é verdade? É uma casca vazia.

    O tabernáculo de vocês em Siló pode continuar existindo como estrutura, mas o Senhor Se foi. É uma casca vazia. Assim também, qualquer vida da qual o Senhor precise Se afastar, qualquer assembleia em que Ele esteja do lado de fora da porta, ou Sua igreja, quando Ele não pode Se entregar a ela, é algo vazio. A vida é vazia sem o Senhor.

    Isso importa, sim. Sabemos muito bem. Mas, ah, que possamos perceber que a grande razão que deve justificar nossa existência é que o Senhor seja cada vez mais conhecido e encontrado em nós e onde estamos.

    Eu tomaria isso como o próprio coração desta conferência — para os indivíduos, para os grupos e para todos os que pertencem ao povo do Senhor e puderem ouvir e receber isso.

    Bem, no início do livro de Atos era assim. Não havia dúvida alguma de que o Senhor estava em Seu santo templo. O Senhor estava ali.

    Mas, por um lado, isso acontecia porque o Espírito Santo havia estabelecido aquela marca tão clara de diferença entre esse povo e o mundo. Por outro lado, observem como, assim que Deus teve esse prazer e essa satisfação, o velho inimigo começou a usar seus velhos artifícios.

    Ananias e Safira foram instrumentos inspirados por Satanás para introduzir na igreja o princípio comercial e mundano. Depois, mais uma vez, houve aquela tentativa de se apropriar do que pertencia a Deus para fins pessoais, para fins terrenos e mundanos.

    Um homem procurou obter dons pela imposição de mãos, para que pudesse fazer alguma coisa; e o apóstolo disse:

    Tu não tens parte nem sorte neste assunto; porque o teu coração não é reto diante de Deus.

    Não há lugar para você nisso.

    Mas, vejam, o inimigo está ocupado — ocupado outra vez — procurando alguma rachadura, alguma fresta, algum lugar pelo qual possa forçar sua entrada, com seu sistema maligno, na esfera reservada somente para Deus.

    Vocês e eu, como Neemias, precisamos ser muito, muito diligentes e vigilantes. Cuidem para que o Senhor não precise Se afastar porque deixamos entrar algo que não é Dele. Bem, esse é o próximo ponto: o muro.

    A autoridade da Palavra de Deus

    Há, então, algo sobre o qual não falamos muito a respeito deste livro de Neemias. Apenas o mencionamos ontem, numa análise: o lugar da Palavra de Deus.

    Se vocês examinarem novamente, verão que houve uma fase, ou um momento, em que a Palavra de Deus foi restaurada ao seu lugar de plena autoridade. Eles buscaram a Palavra de Deus, trouxeram-na de volta e fizeram dela aquilo que governava sua vida em todas as áreas.

    A autoridade — a autoridade absoluta — da Palavra de Deus. Talvez pouco precise ser dito sobre isso. Não estou simplesmente falando de fundamentalismo, da inspiração das Escrituras e desse tipo de coisa. É algo muito maior do que isso.

    Suponho que a maioria de nós creia que a Bíblia é a Palavra de Deus e que a Bíblia deve governar a vida do cristão. Mas isso significa muito mais do que uma declaração ou crença genérica.

    Esta Palavra de Deus tem oculto em si, profundamente contido nela, o padrão para o propósito de Deus. Cristo está ali como o modelo, em todos os aspectos, do santuário de Deus. Ele está oculto em todas as Escrituras. Ele está ali.

    Isso é a Palavra de Deus. Não é a letra; é aquilo que está por trás da letra — aquilo que o Espírito colocou na letra —, e isso é Cristo. É Cristo. Ele é o padrão.

    A maneira como vocês se aproximam da Palavra de Deus, da Bíblia, queridos amigos, deve sempre ter uma pergunta em mente: o que isto tem a me dizer sobre Cristo? O que há aqui que pode me ensinar mais sobre Cristo?

    Examinem tanto o que afirma como o que contrasta. De um lado, sim; do outro, aquilo não é Cristo. A Bíblia apresenta essa distinção. Mas a autoridade da Palavra de Deus não é apenas a autoridade das letras; é a autoridade da Palavra viva dentro da palavra escrita.

    E Ele está ali. Ele é o padrão presente em todas as Escrituras, e Ele é a autoridade absoluta, como a Palavra viva, para a igreja, para o povo de Deus.

    Essa é uma declaração da verdade, e precisa ser aplicada. Não há nada superior às Escrituras. Não há revelação superior à Escritura. Não se enganem a esse respeito.

    Não existe nada — nenhuma revelação de Deus — que seja superior às Escrituras, que ponha a Bíblia de lado em qualquer um de seus aspectos. Se a Bíblia diz alguma coisa, é isso que a Bíblia quer dizer; é isso que ela diz.

    É isso que ela diz. E, se vocês se colocam acima disso, ou violam isso, fazem-no por sua própria conta e risco — e com o efeito de se colocarem fora daquilo em que o Senhor está cumprindo Seu propósito.

    A interpretação espiritual das Escrituras

    Mas, por enquanto, basta sobre isso. Há algo mais neste livro de Neemias que considero muito, muito importante e instrutivo.

    Vejam Neemias 8. Vocês perceberão que, quando a Palavra de Deus foi recuperada, trazida de volta ao seu lugar e estabelecida como a autoridade que governava a vida do povo, ela precisou ser interpretada.

    Essas pessoas haviam estado no cativeiro durante setenta anos, e tinham esquecido sua própria língua materna e aprendido uma língua estrangeira. Quando voltaram, depois de setenta anos, a nova geração e os idosos não compreendiam sua própria língua quando ela era falada — sua antiga língua materna.

    Então nomearam cerca de treze intérpretes, além dos levitas. Já é difícil para vocês ter um intérprete! Mas, naquele dia, ou naqueles dias, enquanto as Escrituras eram lidas, os levitas e mais treze homens ficavam entre o povo.

    À medida que a Palavra de Deus era lida, eles explicavam seu significado e seu sentido. Diziam: “Vocês ouviram isso? Pois bem, isso significa o seguinte. Isso significa o seguinte”.

    E nisso vejo um maravilhoso princípio espiritual. Porque vejo isso acontecendo no livro de Atos. Por causa de nosso afastamento — nosso afastamento espiritual —, não compreendemos a linguagem celestial.

    Quando somos trazidos de volta, já é bastante difícil compreender as coisas do Espírito. Como uma nova geração nascida de novo, precisamos aprender uma nova linguagem o tempo todo.

    Mas aqui, neste livro de Atos, há algo maravilhoso: esses apóstolos eram os intérpretes. Cheios do Espírito Santo, ensinados pelo Espírito Santo, governados pelo Espírito Santo, eles interpretavam o Antigo Testamento de uma maneira que nem os mais familiarizados com ele compreendiam.

    Uma das coisas impressionantes é aquilo que eles viram nas Escrituras com as quais estavam familiarizados. Aqui temos um exemplo — Amós.

    O hebreu ortodoxo diria a respeito das profecias de Amós: “É claro que isso se referia ao retorno do remanescente, a Ageu e àquele tempo em que reconstruíram o templo. É claro que era a isso que Amós se referia”.

    É apenas uma questão de bom senso, diriam eles, perceber que Amós estava falando daquilo e que aquilo cumpriu a profecia de Amós. Agora, aqui estão hebreus em Jerusalém, cheios do Espírito Santo, enxergando o que nenhum judeu ortodoxo enxergou nessa profecia.

    Eles viram que ela não se cumpriu em Neemias nem em seu tempo. Seu cumprimento está em Cristo, em nossos tempos. Se vocês examinarem novamente a pregação desses apóstolos, ela é exatamente assim. Eles dizem coisas sobre a Escritura que ninguém, sem a revelação, a iluminação e a inspiração do Espírito Santo, enxergaria na Escritura.

    E, dessa maneira, as Escrituras se tornaram vivas. Por isso, destaco esse ponto como algo muito importante, porque estamos nesta dispensação do espiritual e do celestial.

    Queridos amigos, tenho dito com muita ênfase que não há nada além das próprias Escrituras. Mas, ah, como precisamos de homens cheios do Espírito para interpretar a Palavra de Deus segundo o pensamento de Deus!

    Há uma enorme quantidade de interpretação e exposição humanas, mas como temos pouca iluminação verdadeira da Palavra de Deus pelo Espírito Santo. E a outra não nos leva muito longe, não é?

    Mas qualquer coisa que seja verdadeiramente um toque do Espírito vivo sobre a Palavra — ah, como ajuda, como vivifica, dá vida e nos eleva às riquezas, de modo que podemos dizer: “Ah, eu nunca tinha visto isso. Como isso é maravilhoso”.

    Precisamos dos intérpretes que enxerguem o significado de Deus na Palavra e por meio da Palavra. Precisamos desse ministério do Novo Testamento.

    Orem para que o Senhor restaure isso, entre outras coisas, em Sua obra de restauração neste tempo. À medida que Ele traz de volta um povo, traz de volta Seu santuário e traz de volta Seu muro de demarcação, orem para que Ele traga de volta intérpretes espirituais de Seu pensamento e de Sua Palavra.

    Orem para que Ele traga de volta aqueles que exercerão um ministério de verdadeira iluminação e orientação para Sua igreja. Orem para que Deus levante tais homens. Precisamos muito deles. Não precisamos apenas de mestres e pregadores tecnicamente preparados; precisamos de intérpretes da Palavra de Deus pelo Espírito Santo.

    O governo do Espírito Santo

    Passamos aos pontos restantes. Dedicamos a tarde inteira a um deles: o governo absoluto do Espírito Santo.

    A Palavra de Deus e o governo do Espírito Santo — esses são os dois grandes fatores de governo na casa de Deus, entre o povo de Deus.

    Não vou me deter para dizer muito mais sobre esse assunto, mas precisamos lembrar que, ao longo de todo o livro de Neemias, há uma força secreta e poderosa em ação: a força do Espírito Santo, levando o plano divino à sua plena realização.

    É isso que temos aqui, neste livro de Atos. O Espírito Santo está no comando. Ele assumiu a responsabilidade pelo propósito divino. Ele mesmo, por Sua própria força, poder e sabedoria, o está realizando.

    Ah, que narrativa fascinante da ação do Espírito é esse livro! Como Ele faz as coisas de modo diferente da maneira como os homens as fariam. Aquilo que Ele faz jamais ocorreria aos homens.

    Vocês precisam dizer: “Bem, eu nunca teria pensado nisso”, quando veem o Espírito agindo — a maneira como Ele faz, Sua estratégia. O Espírito está no comando.

    Há uma grande necessidade dessa restauração também. Não preciso argumentar sobre isso. Vocês e eu precisamos da restauração da autoridade e do governo absolutos do Espírito Santo em todos os aspectos.

    O grupo local precisa disso, onde quer que esteja, e a igreja de Deus precisa disso. Outros senhores exercem domínio. Outros dirigentes ocupam o lugar Dele. O Espírito Santo não pode, hoje, exercer Sua ação porque há outras forças em atividade que não procedem Dele.

    Cremos nisso. Em todas as nossas orações pela obra de restauração de Deus, precisamos orar para que isso seja restaurado juntamente com Seu propósito.

    Expressões locais do propósito divino

    Por fim, há a questão das expressões locais. A última fase deste livro de Neemias apresenta o povo estabelecido nas cidades da terra.

    Aquilo que corresponde a isso no Novo Testamento, é claro, são as igrejas espalhadas pelo mundo — os grupos locais.

    O que temos a dizer a respeito disso é que se trata do resultado de alguma coisa. É o resultado da reconstrução de Jerusalém. É o resultado da existência de um arquétipo, de um modelo a partir do qual tudo o que é local e disperso pode receber seu caráter.

    Ora, aqui, vejam, há aquela realidade espiritual estabelecida no dia de Pentecostes: Cristo e Sua igreja, Seus membros, um modelo naqueles primeiros tempos — simplesmente um modelo.

    E então, porque isso existe, porque está ali, as igrejas locais recebem seu caráter daquilo. Elas são apenas uma extensão do pensamento pleno de Deus, uma expressão local daquilo que existe espiritualmente.

    Queridos amigos, se tudo o que tenho dito sobre o propósito e o desejo de Deus de ter uma habitação, sobre o caráter dessa habitação, sua natureza espiritual e moral, sua separação e distinção, sua absoluta separação do mundo, o governo da Palavra de Deus e o governo do Espírito Santo — se todas essas coisas constituem o propósito integral de Deus e são as características daquilo que o próprio Deus estabeleceu em Seu Filho —, então, em cada localidade onde Seu povo estiver, deve haver uma representação disso, uma extensão disso.

    Essas coisas devem ser verdadeiras onde estiver o povo do Senhor. Bastam dois de vocês para constituir uma representação, sabem? Foi o Senhor Quem disse isso, não eu.

    Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, aí estou Eu no meio deles.

    Isso agora toca numa nota familiar: o Senhor está ali. Bastam dois em Cristo para constituir um microcosmo de toda essa realidade maravilhosa que Deus busca.

    Vocês dois em sua casa — talvez lamentem que não haja outros, nenhuma assembleia maior ali —, mas há vocês dois. O Senhor pode estar ali, porque Ele está em vocês dois.

    E a casa de vocês pode ser uma habitação porque Ele está em vocês dois — uma habitação de Deus. Nisso, tudo o que eu disse pode encontrar sua expressão.

    O Espírito Santo pode exercer o governo e a autoridade. A Palavra de Deus pode ser a regra da vida de vocês. Tudo isso proporciona ao Senhor um lugar para Si mesmo e para Seu prazer, e Ele pode ter prazer em estar ali.

    Lembremos disso. Pode haver apenas dois em algum lugar; essa é a possibilidade de dois, como o Senhor disse. Se houver três, tanto melhor; e, se houver mais, melhor ainda.

    Mas o princípio é o princípio — não a multidão, mas o princípio —: proporcionar ao Senhor aquilo que torna prazeroso para Ele estar ali; um coração para o Senhor, dois corações para o Senhor, onde somente o Senhor é Senhor.

    Que o Senhor conceda que, a partir disso, sejam inspirados em nosso coração tal propósito e tal sentido para a vida que possamos dizer, como alguém disse antigamente:

    Eu e a minha casa serviremos ao Senhor.

    E, se vocês querem saber o que significa servir ao Senhor, significa dar a Ele aquilo que Seu coração deseja. E é isto.