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    Seeing Christ in Spirituality - 2nd Corinthians © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Seeing Christ in Spirituality - 2nd Corinthians
    Seeing Christ in Spirituality - 2nd Corinthians
    Kaung, Stephen

    A espiritualidade em 2 Coríntios

    Por favor, abram em 2 Coríntios, a segunda carta aos coríntios, capítulo 1. Vamos ler 2 Coríntios 1:3-7.

    Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e Deus de toda consolação; Que nos consola em toda a nossa tribulação, para que possamos consolar os que estiverem em qualquer tribulação, mediante a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus. Porque, assim como os sofrimentos de Cristo abundam em nós, também a nossa consolação abunda por meio de Cristo. Mas, se somos atribulados, é para a vossa consolação e salvação; ou, se somos consolados, é para a vossa consolação, a qual opera na perseverança paciente nos mesmos sofrimentos que nós também padecemos: E a nossa esperança a vosso respeito é firme; sabendo que, assim como sois participantes dos sofrimentos, também o sois da consolação.

    Agora, abram no último capítulo, em 2 Coríntios 13:11.

    Finalmente, irmãos, adeus. Sede aperfeiçoados; sede consolados; sede de um mesmo parecer; vivei em paz: e o Deus de amor e de paz estará convosco.

    Vamos orar.

    Querido Pai celestial, entregamos a Tua Palavra em Tuas mãos e pedimos que a abençoes, que a partas e a distribuas a nós, para que sejamos satisfeitos e glorifiquemos o Teu nome. Entregamos este tempo em Tuas mãos e confiamos que o Teu Espírito Santo fará a obra. Em nome de nosso Senhor Jesus, amém.

    O contraste entre 1 e 2 Coríntios

    A segunda carta aos coríntios é muito diferente da primeira. Em 1 Coríntios, encontramos problemas e ostentação; mas, em 2 Coríntios, vemos glória após glória.

    Em 1 Coríntios, vemos carnalidade — santos que vivem segundo a carne. Em 2 Coríntios, vemos espiritualidade — santos que estão no Espírito. Em 1 Coríntios, vemos a condição lastimável da igreja de Corinto. Em 2 Coríntios, vemos a vida gloriosa de Paulo, um servo do Senhor.

    Isso é o que faz a diferença entre 1 e 2 Coríntios. Na verdade, é a operação da cruz em nossa vida. Se permitirmos que a cruz opere em nossa vida, descobriremos que somos libertos da carnalidade e conduzidos à espiritualidade.

    Agora, 2 Coríntios nos mostra Cristo na espiritualidade. Em outras palavras, a espiritualidade é Cristo. Se não é Cristo, não é espiritual. Se é você, se sou eu, então só pode ser carnal, e não espiritual. Mas, se é Cristo em você ou Cristo em mim, então isso é espiritual. É um fato simples.

    O contexto histórico e o propósito da carta

    Quanto ao contexto histórico desta carta, provavelmente Paulo a escreveu em algum lugar da Macedônia, por volta do ano 57 d.C. A ocasião, ou o contexto, pode ser encontrada em Atos 20:1-6. Foi durante esse período que Paulo escreveu a segunda carta aos coríntios, à qual se seguiu uma estadia de três meses em Corinto.

    Ele escreveu esta carta depois de receber boas notícias a respeito de Corinto. Vocês se lembram de que, quando escreveu a primeira carta, ele estava em Éfeso. Agora, por meio de Tito, chegaram até ele boas notícias de que muitos na igreja de Corinto haviam se arrependido. Por isso, ele escreveu esta carta como uma carta de encorajamento.

    No primeiro capítulo, ele diz:

    Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e Deus de toda consolação.

    Em algumas versões, vocês encontrarão a palavra consolação; em outras, encorajamento. Mas, na verdade, no original, essa palavra inclui consolar, fortalecer, encorajar e colocar-se ao lado de alguém para ajudar. Ela está relacionada ao nome dado ao Espírito Santo: o Paráclito.

    Portanto, esse é realmente o caráter de 2 Coríntios. Paulo escreveu esta carta para encorajar os que haviam se arrependido, fortalecê-los, colocar-se ao lado deles e ajudá-los a alcançar a maturidade e a espiritualidade.

    No início da carta, Paulo diz que, se eles estavam sofrendo, isso era para o encorajamento e a salvação dos coríntios; ou, se eram encorajados, isso também era para o encorajamento e a salvação deles. No final da carta, ele conclui:

    Finalmente, irmãos, adeus. Sede aperfeiçoados. Sede consolados. Sede de um mesmo parecer. Vivei em paz; e o Deus de amor e de paz estará convosco.

    Portanto, é uma carta de encorajamento. Contudo, sabemos, tanto pela própria carta como pelo seu contexto, que, embora a maioria das pessoas na igreja de Corinto tivesse se arrependido, ainda havia uma minoria que continuava no pecado e se recusava a se arrepender. Havia também alguns que se opunham ao ministério do apóstolo Paulo.

    Por isso, Paulo escreve:

    Por esta causa escrevo estas coisas estando ausente, para que, estando presente, não tenha de usar de rigor, segundo a autoridade que o Senhor me deu para edificação, e não para destruição.

    Ele escreveu esta carta também àqueles que se recusavam a se arrepender e que se opunham à autoridade que Deus havia dado a Paulo. Em essência, ele disse: “Escrevo esta carta para prepará-los. Não quero, quando chegar até vocês, ter de usar de severidade segundo a autoridade que Deus me deu. Essa autoridade não é para destruir; é para edificar”.

    Portanto, é uma epístola com um propósito duplo. Por um lado, traz encorajamento aos que se arrependem; por outro, é uma advertência aos que se recusam a se arrepender.

    Paulo revelado como servo de Cristo

    Esta carta do apóstolo Paulo nos oferece uma visão muito íntima do apóstolo como pessoa. Entre todos os escritos de Paulo, há duas cartas que especialmente expõem e revelam Paulo como homem.

    Uma delas é Filipenses. Ali, vocês veem como ele abriu o coração aos crentes filipenses, que tanto o amavam. Há um amor mútuo entre Paulo e esses crentes, e ele abre o coração a eles numa conversa de coração para coração.

    A outra carta é 2 Coríntios. Não há outra carta, além de Filipenses, que revele Paulo como pessoa, como homem. Ele se revela, se expõe, por assim dizer, sem sequer o mais fino véu artificial. Ele nos permite vê-lo como é. É por isso que 2 Coríntios é tão preciosa.

    Ali, vocês encontram todos os diferentes sentimentos de Paulo revelados. Às vezes, ele está ansioso; às vezes, angustiado; às vezes, com medo; às vezes, hesitante; às vezes, em dúvida. Em outros momentos, está cheio de amor. Todo tipo de sentimento é revelado nesta carta.

    Por meio desta carta, podemos ver Paulo como homem. Mas, à medida que vemos Paulo como homem, pouco a pouco Paulo fica em segundo plano, e Cristo vem para o primeiro plano. Em outras palavras, vemos Cristo em Paulo.

    Nesta carta, Paulo menciona que a sentença de morte estava sobre ele e que havia abandonado toda esperança até mesmo de continuar vivo. Contudo, ele disse que sua esperança estava Naquele Que ressuscita os mortos.

    Nesta carta, Paulo também nos conta como mudou de ideia. Ele pretendia ir a Corinto e visitá-los duas vezes, mas, quando foi impedido, mudou de ideia. Em vez de ir a Corinto, foi para a Macedônia. As pessoas o acusaram de ser alguém vacilante. Sim, ele mudou, mas disse: “O Cristo que eu prego é sempre sim e amém. Ele nunca muda”.

    Paulo também revela como sempre trazia em seu corpo o morrer de Jesus, para que a vida de Jesus também fosse manifestada nele. Ele menciona o quanto sofreu e, no entanto, quanta consolação, quanto encorajamento e quanto ministério foram produzidos a partir de todos esses sofrimentos.

    Em suma, Paulo se expõe — suas fraquezas, sua aparente instabilidade, seus fracassos aos olhos das pessoas e seus sofrimentos. Contudo, quando Paulo se abre para nós, não vemos Paulo; vemos Cristo. E isso é espiritualidade.

    A estrutura de 2 Coríntios

    Esta segunda carta aos coríntios pode ser dividida, de maneira geral, em três partes:

    1. Capítulos 1–7: o ministério espiritual.
    2. Capítulos 8–9: a contribuição espiritual.
    3. Capítulos 10–13: o homem espiritual.

    Nesta carta, Paulo procura compartilhar conosco o que é o ministério espiritual.

    O ministério espiritual

    Em 2 Coríntios 4:1, Paulo diz:

    Tendo este ministério.

    É claro que nem todos nós temos o mesmo tipo de ministério que Paulo tinha. Deus deu a Paulo um ministério especial, o ministério de apóstolo. Nem todos são apóstolos; esse ministério especial não foi dado a todos nós.

    Mas, quando Paulo fala sobre ministério, embora esteja falando particularmente de seu próprio ministério, os princípios que ele revela se aplicam a todos os ministérios. Queridos irmãos e irmãs, em certo sentido, todo crente tem um ministério. Se você o cumpre ou não, isso é outra questão, mas, ainda assim, todo crente tem um ministério.

    Todos nós somos sacerdotes para Deus. Nosso ministério é chamado de ministério do Corpo. Isto é, somos membros do Corpo e, como membros do Corpo, cada um tem um ministério para com o Corpo e para com a Cabeça. Todos devem ministrar uns aos outros no Corpo, para a edificação do Corpo e a glorificação da Cabeça.

    Portanto, queridos irmãos e irmãs, lembrem-se: vocês têm um ministério a cumprir como membros do Corpo de Cristo. Vocês não estão aqui apenas sentados passivamente, recebendo o tempo todo. Vocês estão no Corpo recebendo aquilo que o Senhor tem para lhes dar por meio de outros irmãos e irmãs que ministram a vocês, mas, ao mesmo tempo, devem ministrar aos seus irmãos e irmãs.

    Em princípio, o ministério no qual todos estamos envolvidos deve ser um ministério espiritual.

    O ministério que comunica Cristo

    Se aquilo que ministramos aos outros somos nós mesmos, isso não é ministério espiritual. Mas, se ministramos Cristo aos outros, então é ministério espiritual. Se ministramos a nós mesmos às pessoas, é um ministério de morte; mas, se ministramos Cristo às pessoas, é um ministério de vida.

    Portanto, é muito importante entendermos o que realmente é o ministério espiritual, para que, quando ministrarmos, nosso ministério seja espiritual, e não carnal.

    Em 1 Coríntios, vemos que os membros do Corpo de fato ministravam, mas, quanto mais ministravam, pior ficava o Corpo. Por quê? Porque não estavam ministrando Cristo ao Corpo; estavam ministrando a si mesmos ao Corpo. Exibiam a si mesmos em vez de manifestar Cristo.

    Portanto, precisamos entender o que é o ministério espiritual, porque todos estamos envolvidos nele.

    O ministério exige serviço fiel

    Agora, não tenham medo. Na parábola que nosso Senhor Jesus contou, havia um servo que tinha medo de não conseguir ministrar espiritualmente ou de ministrar de maneira carnal. Por isso, enterrou seu talento. Ele disse que essa era a melhor coisa a fazer, para não cometer nenhum erro.

    Mas, quando o Senhor volta, Ele diz:

    Servo mau e preguiçoso.

    Mesmo que você não consiga fazer nada, entregue o dinheiro ao banco, para que ao menos receba juros.

    Portanto, irmãos e irmãs, não escondam nem enterrem o que o Senhor lhes deu. Usem isso para o Senhor. Nesse processo, vocês aprenderão o que é espiritual e o que é carnal. Isso é ministério espiritual.

    O ministério de encorajamento

    Outra característica do ministério espiritual é que ele é um ministério de encorajamento. Já mencionamos que encorajar significa consolar, fortalecer e colocar-se ao lado de alguém para ajudar. O Espírito Santo é o Consolador, Aquele Que fortalece, o Paráclito — Aquele Que Se coloca ao nosso lado para ajudar.

    Nosso ministério, se for espiritual, deve ter a mesma natureza e qualidade. Mas lembrem-se: esse ministério de encorajamento não vem apenas do conhecimento. Ele precisa vir da experiência pessoal.

    Você não pode consolar alguém, fortalecer alguém ou encorajar alguém se tudo o que tem são palavras. Podem ser as palavras certas, mas não são palavras que têm poder.

    Às vezes, somos como os três amigos de Jó. Eles foram visitar Jó com boas intenções. Queriam ajudar, mas, quanto mais tentavam ajudar, pior a situação ficava, porque não tinham aquela experiência. Todas as suas palavras vinham de seus estudos e da tradição.

    Ao ler o livro de Jó, vocês percebem que aquilo que eles disseram estava certo. Não haviam dito nada errado. Mas, infelizmente, suas palavras não se aplicavam à situação. Às vezes, você pode dizer a palavra certa, mas à pessoa errada. Assim, a pessoa não é consolada nem encorajada.

    Aqui, vocês encontram o apóstolo Paulo e os sofrimentos pelos quais ele havia passado. Ele disse: “A sentença de morte estava sobre mim”. Havia abandonado toda esperança. Era uma condição em que não havia auxílio possível. Mas, quando ele estava nessa situação, o Senhor o levantou, e ele experimentou o poder da ressurreição do Senhor Jesus.

    Com essa experiência, ele podia consolar aqueles que estavam desamparados e sem esperança. Podia dizer aos crentes de Corinto: “Vocês estão sem esperança e, no entanto, não estão sem esperança. Há esperança, mas a esperança não está em vocês; a esperança está Nele”. Deus é o Deus de toda consolação e o Pai de todas as misericórdias.

    Irmãos e irmãs, quando procuramos ministrar uns aos outros, ministramos apenas a partir de nossos próprios estudos, da tradição ou de nossa mente? Podemos ter as melhores intenções, mas isso não terá proveito algum.

    Se Deus nos usa para encorajar nossos irmãos e irmãs, muitas vezes isso vem de nossa experiência pessoal. Provavelmente, você precisa passar por alguma coisa para poder ajudar os outros. Lembrem-se: Deus nunca permite que passemos por algo apenas para nós mesmos.

    Tudo aquilo por que passamos na vida e tudo o que aprendemos de Cristo é para o Corpo. É ministério, para que tenhamos algo a oferecer e algo a dar à igreja.

    O ministério de amor

    O ministério espiritual é um ministério de amor. Em 2 Coríntios 2:4, Paulo diz:

    Porque, em muita tribulação e angústia de coração, vos escrevi com muitas lágrimas; não para que fôsseis entristecidos, mas para que conhecêsseis o amor que tenho, em maior abundância, para convosco.

    Quando ele escreveu a primeira carta, ela parecia muito dura, muito forte. Mas ele disse: “Eu a escrevi em muita tribulação e aflição de coração. Estava em agonia. Escrevi com lágrimas — não porque quisesse entristecê-los, mas porque os amava tanto”. Foi por amor.

    Sabem, irmãos e irmãs, não estamos aqui simplesmente para agradar a todos. É fácil tentar agradar a todos. Às vezes, é difícil ferir alguém — mas fazê-lo em amor.

    Paulo sabia que sua carta os feriria profundamente. Mas, porque os amava tanto, não podia deixar de falar a verdade. Em certo sentido, isso custou ainda mais a Paulo do que aos crentes de Corinto.

    Irmãos e irmãs, se nosso ministério não nos custa nada, ele não é nada. Se nosso ministério procede do amor — e o amor aqui não é o amor humano —, ele terá um custo. O amor humano procura agradar a todos e, ao agradar aos outros, pode acabar agradando à carne deles.

    O amor divino ama tanto que é capaz de ferir primeiro a si mesmo e está até disposto a fazê-lo. Ah, que Deus nos encha com o Seu amor, para que amemos uns aos outros a ponto de sermos capazes de falar a verdade em amor.

    Não estamos simplesmente tentando ferir a todos. Mas, às vezes, isso é necessário; precisa ser feito. Pode doer mais em você do que na pessoa que é ferida.

    O ministério da fragrância de Cristo

    O ministério espiritual é um ministério da fragrância de Cristo. Em 2 Coríntios 2:14-15, Paulo diz:

    Mas graças a Deus, Que sempre nos conduz em triunfo em Cristo e, por meio de nós, manifesta em todo lugar o aroma do Seu conhecimento. Porque somos para Deus o bom perfume de Cristo, nos que estão sendo salvos e nos que estão perecendo.

    O ministério espiritual é um ministério da fragrância de Cristo. A fragrância é algo muito misterioso. Parece intangível. Você não pode vê-la, não pode ouvi-la, mas ela está ali. Se está ali, você sabe que está ali.

    Muitas vezes, vocês percebem que o odor ou a fragrância alcança mais longe do que a visão e o som. Talvez você ainda não tenha ouvido nada, talvez ainda não tenha visto nada, mas já sentiu o cheiro. Às vezes, ele também produz um efeito mais duradouro em você. O som pode vir e ir embora. Algo pode ser visto e depois desaparecer. Mas um odor você carrega consigo por algum tempo.

    Vocês se lembram de Jeremias 48:11. O profeta fala a respeito de Moabe:

    Moabe esteve tranquilo desde a sua mocidade, E repousou sobre as suas borras, E não foi despejado de vasilha em vasilha, Nem foi para o cativeiro: Por isso, o seu sabor permanece nele, E o seu aroma não se alterou.

    Moabe nunca havia sido despejado de vasilha em vasilha. Quando se faz vinho, é preciso passá-lo de uma vasilha para outra, para que todo o sedimento se deposite no fundo; então o vinho se torna límpido e puro. Mas Moabe nunca havia sido despejado. Sempre repousava sobre suas borras. Nunca havia sido tratado.

    O resultado foi que seu sabor não havia mudado, e seu aroma não havia mudado. Ele ainda tinha o mesmo cheiro. E que cheiro era esse? Era o cheiro de Moabe: orgulho e arrogância.

    Queridos irmãos e irmãs, essa é uma descrição do homem carnal. Um cristão carnal é alguém que não foi tratado. Ele continua sendo o mesmo, embora seja salvo. Não foi despejado de vasilha em vasilha; isto é, não foi purificado.

    Como a cruz nunca operou em sua vida, seu sabor permanece o mesmo, e seu aroma não se altera. Em outras palavras, ainda se pode sentir o cheiro original.

    Paulo disse: “Aonde quer que vamos, levamos a fragrância”. Por quê? Porque Paulo havia sido despejado de vasilha em vasilha. Todo o sabor e o aroma originais haviam desaparecido, e agora havia a fragrância de Cristo. Para os que estão sendo salvos, ela é vida; para os que estão perecendo, é morte.

    Queridos irmãos e irmãs, um ministério espiritual não exige apenas palavras a dizer ou coisas a fazer. Um ministério espiritual é tal que a própria presença da pessoa realiza a obra e salva o mundo.

    Devemos ter um aroma especial. Aonde quer que vamos, as pessoas devem sentir essa fragrância. Essa fragrância de Cristo vem do conhecimento de Cristo — isto é, do conhecimento de Cristo adquirido pela experiência. Quanto mais você conhece Cristo, mais fragrante se torna. Isso é ministério.

    O ministério do Espírito

    Um ministério espiritual é um ministério do Espírito. Em 2 Coríntios 3, Paulo diz que somos uma carta de Cristo.

    A igreja de Corinto deve ser uma carta. Que tipo de carta? Deve ser uma carta de Cristo. A igreja de Corinto deve ser lida, e, quando as pessoas leem a igreja de Corinto, devem ler Cristo. Devem ver Cristo, porque ela deve ser uma carta de Cristo.

    É isso que devemos ser. Devemos ser uma carta de Cristo.

    Paulo descreve a tinta que usa como sendo o Espírito Santo, e a mensagem da carta que escreve como sendo Cristo. Em outras palavras, pelo poder do Espírito Santo, ele escreve Cristo, letra por letra, no coração dos crentes de Corinto.

    Isso é ministério espiritual. Não estamos escrevendo em pedras; estamos escrevendo em corações humanos. Não estamos apenas escrevendo na mente das pessoas; estamos escrevendo em seus corações.

    Como escrevemos? Que tinta usamos? O poder do Espírito Santo. E o que escrevemos nos corações humanos? Cristo. Não escrevemos a nós mesmos; escrevemos Jesus Cristo, o Senhor. Esse é o nosso ministério.

    Portanto, queridos irmãos e irmãs, nos primeiros quatro capítulos, Paulo nos mostra o que é o ministério espiritual: um ministério de encorajamento, um ministério de amor, um ministério da fragrância de Cristo e um ministério do Espírito.

    O caráter do ministro

    Depois, nos capítulos 4 e 5, Paulo nos mostra que tipo de ministro ele é. Os primeiros três capítulos nos mostram o ministério, e os dois capítulos seguintes — os capítulos 4 e 5 — nos mostram o ministro.

    Ele diz:

    Tendo este ministério.

    Agora, que tipo de pessoa devemos ser? Isso é importante, porque nosso ministério tem muito a ver com o ministro. Se não formos a pessoa certa, não teremos o ministério certo.

    Mesmo que o Senhor nos use, podemos edificar e depois derrubar tudo o que edificamos, e ainda mais. Portanto, o ministro é muito importante — o tipo de vaso que somos.

    Um vaso puro

    Aqui, nestes dois capítulos, Paulo nos mostra, primeiro, que o ministro é um vaso puro. Em 2 Coríntios 4:1-2, ele diz:

    Portanto, tendo este ministério, segundo a misericórdia que recebemos, não desfalecemos: Mas renunciamos às coisas ocultas e vergonhosas, não andando com astúcia, nem adulterando a palavra de Deus; antes, pela manifestação da verdade, recomendando-nos à consciência de todo homem, na presença de Deus.

    Irmãos e irmãs, quando procuramos ministrar, lembrem-se de que estamos nos recomendando à consciência de cada pessoa diante de Deus. Não estamos ministrando apenas com palavras, nem apenas com os dons que Deus nos deu. Quando ministramos, estamos, na verdade, nos recomendando à consciência de nossos irmãos e irmãs.

    Se houver alguma acusação na consciência dos irmãos e irmãs, se houver algum motivo para duvidarem, vocês descobrirão que seu ministério está bloqueado. Precisamos nos recomendar à consciência deles. O vaso precisa ser puro.

    Se houver alguma impureza ou alguma coisa escondida ali, isso afetará o ministério. Como precisamos ser puros diante de Deus! Ah, que o Espírito de Deus sonde nosso coração e nos purifique, para que não haja em nós nenhuma segunda intenção, e para que nossa única motivação seja Ele.

    Irmãos e irmãs, precisamos nos recomendar à consciência de todo o povo de Deus. Para isso, como precisamos do sangue de Cristo!

    Um vaso quebrantado

    Em segundo lugar, o vaso precisa ser um vaso quebrantado. Você não pode se manter intacto. Se tentar se manter intacto — isto é, preservar intacta a sua alma, assim como eu a minha —, descobrirá que o resplendor do tesouro que está no vaso ficará escondido.

    Somos vasos de barro, mas temos um tesouro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós mesmos. Para que a luz e a vida de Cristo sejam manifestadas, o vaso precisa ser quebrantado.

    É por isso que Paulo diz:

    Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; Perplexos, mas não desesperados; Perseguidos, mas não desamparados; Abatidos, mas não destruídos; Trazendo sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo.

    Irmãos e irmãs, isso é um vaso quebrantado. Somente um vaso que foi quebrantado pode ministrar Cristo. Caso contrário, tudo o que você ministra é você mesmo. As pessoas terão contato com sua inteligência. Terão contato com sua personalidade dinâmica. Mas não poderão ter contato com Cristo.

    Um vaso constrangido pelo amor

    Em terceiro lugar, um ministro é um vaso constrangido. Em 2 Coríntios 5, Paulo diz que é constrangido pelo amor de Cristo, sabendo que Um morreu por todos, logo todos morreram; e que aqueles que vivem não devem mais viver para si mesmos, mas para Aquele Que por eles morreu e ressuscitou.

    Irmãos e irmãs, precisamos ser constrangidos pelo amor de Cristo — não por obrigação, mas por amor. Quando o amor de Cristo nos constrange, então podemos ser aquele vaso adequado para o uso do Mestre.

    A responsabilidade daqueles que recebem o ministério

    Nos capítulos 6 e 7, encontramos aqueles que recebem o ministério. Aqueles a quem se ministra também têm responsabilidades.

    Primeiro, em 2 Coríntios 6:1, Paulo diz:

    E, cooperando com Ele, também vos exortamos a que não recebais a graça de Deus em vão.

    A graça de Deus foi ministrada a vocês. Cristo foi ministrado a vocês. Não recebam a graça de Deus em vão. Não deixem que a graça de Deus simplesmente se perca em vocês. Permitam que a graça de Deus opere em sua vida, para que vocês também se tornem pessoas cheias de graça.

    Em segundo lugar, não se coloquem em jugo desigual com os incrédulos. Sejam separados. Não se coloquem em jugo desigual com o mundo. Saiam do mundo e sejam separados. Deus diz:

    Vós sereis Meus filhos e Minhas filhas.

    Em terceiro lugar, 2 Coríntios 7:1 diz:

    Tendo, pois, estas promessas, amados, purifiquemo-nos de toda contaminação da carne e do espírito, aperfeiçoando a santidade no temor de Deus.

    Purifiquemos não apenas nosso corpo e nossa carne, mas até mesmo nosso espírito, aperfeiçoando a santidade no temor de Deus. Isso é ministério espiritual.

    A contribuição espiritual

    Depois, é claro, encontramos os capítulos 8 e 9. Sabem, irmãos e irmãs, contribuir é um ministério. Não pensem que, por ser algo físico ou material, a contribuição não é espiritual.

    Muitas vezes, a contribuição é um teste da espiritualidade. Contribuir é espiritual porque revela que tipo de pessoa somos. Temos a tendência de separar as chamadas questões espirituais das questões materiais, como a contribuição, como se contribuir não fosse espiritual. Mas, segundo a Palavra de Deus, contribuir é tão espiritual quanto qualquer outro ministério.

    Contribuir é agir segundo Deus. Deus deu desta maneira: Aquele Que era rico tornou-Se pobre por nossa causa, para que, por meio de Sua pobreza, nos tornássemos ricos. Isso é dar. Nossa contribuição segue o modelo da entrega de Cristo. Ela deve ter o mesmo espírito com que Cristo deu.

    É por isso que, nos capítulos 8 e 9, a contribuição é chamada de graça. Contribuir é graça. Por que é graça? Porque é a graça de Deus que nos capacita a contribuir. Tudo o que temos vem Dele. É a Sua graça, e a Sua graça nos constrange a contribuir.

    A contribuição também é chamada de bênção. Por quê? Porque, assim como somos abençoados por Deus, abençoamos os outros ao contribuir.

    Não pensem que contribuir é lei. Hoje, as pessoas muitas vezes pensam na contribuição como lei. Mas quem consegue cumprir a lei? Contribuir é graça.

    Vejam os macedônios. Por causa da abundante graça de Deus sobre eles, em sua profunda pobreza, deram além de suas possibilidades. Deram de tal maneira que não ofereceram apenas coisas materiais; primeiro deram a si mesmos a Deus e depois aos apóstolos. Desejavam participar da graça e da comunhão do ministério em favor dos santos pobres de Jerusalém.

    Isso é graça. Irmãos e irmãs, vamos contribuir com graça. Vamos contribuir de maneira espiritual, e não de maneira legalista. Se não conseguimos contribuir a partir da graça, então descobriremos que contribuímos porque Deus foi gracioso conosco, porque Deus nos abençoou tanto e porque desejamos abençoá-Lo e demonstrar graça, para que Ele seja glorificado.

    Até que Cristo seja glorificado — esse é o espírito da contribuição.

    O homem espiritual

    Depois, é claro, os capítulos 10 a 13 tratam do homem espiritual. Não apenas nosso ministério deve ser espiritual, e nossa contribuição deve ser espiritual, mas a própria pessoa precisa ser espiritual.

    Quem é um homem espiritual? Em termos simples, um homem espiritual é um homem em Cristo. Paulo diz:

    Conheço um homem em Cristo que, há catorze anos, foi arrebatado até o terceiro céu. Se no corpo ou fora do corpo, não sei.

    Ele diz novamente que conheceu um homem em Cristo que foi arrebatado ao Paraíso e ouviu palavras inefáveis, que ao homem não é lícito pronunciar. Se no corpo ou fora do corpo, ele não sabia. Quanto a alguém assim, Paulo podia se gloriar; mas, quanto a si mesmo, não se gloriaria, a não ser em suas fraquezas.

    Queridos irmãos e irmãs, quem é um homem espiritual? Um homem espiritual é um homem em Cristo.

    Deus nos abençoou com toda bênção espiritual nos lugares celestiais em Cristo. Se vocês permanecerem em Cristo, descobrirão que toda bênção espiritual está à sua disposição. Deus nos abençoou com toda bênção espiritual em Cristo — não em vocês mesmos, mas em Cristo.

    Deus colocou todos nós em Cristo, mas precisamos permanecer em Cristo. Quanto à nossa posição, por Sua graça, estamos em Cristo. Devemos ser homens e mulheres espirituais. Mas, quanto à nossa condição, podemos permanecer Nele ou não permanecer Nele. Se permanecermos Nele — isto é, se fizermos Dele a nossa morada —, então daremos fruto para a glória de Deus.

    Paulo disse:

    Não sei se no corpo ou fora do corpo.

    Vocês acham que Paulo não conhecia a verdade? É claro que conhecia a verdade. Mas, quando aquele homem em Cristo experimentou o terceiro céu e o Paraíso, não sabia se estava no corpo ou fora do corpo. Não tinha palavras com que nos contar.

    Ah, quanto àquele homem em Cristo, tenho muito de que me gloriar; mas, quanto a mim mesmo, não tenho nada de que me gloriar, a não ser minhas fraquezas. Um homem espiritual não fala de si mesmo. Um homem espiritual nem sequer está consciente de si mesmo. Um homem espiritual se esquece de si mesmo, e tudo de que está consciente é Cristo. Esse é um homem espiritual.

    As características do homem espiritual

    Se vocês lerem esses capítulos, encontrarão várias coisas a respeito do homem espiritual. Primeiro, ele é um homem poderoso segundo Deus. Em outras palavras, não é um homem que luta na carne. É um homem cujas armas são poderosas diante de Deus.

    Ele é um homem de oração, não um homem de discussão. Suas armas são poderosas diante de Deus para destruir fortalezas, derrubando raciocínios e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo.

    Um homem espiritual é um homem com autoridade — não a autoridade natural de uma posição, mas autoridade espiritual diante de Deus.

    Um homem espiritual é um homem que tem o santo zelo de Deus. Paulo diz:

    Porque zelo por vós com zelo de Deus; pois vos desposei com um só esposo, para vos apresentar a Cristo como uma virgem pura.

    Um homem espiritual é cheio de santo zelo, assim como o Senhor:

    O zelo da Tua casa Me consumirá.

    Um homem espiritual é um homem que sofre por causa de Cristo. Paulo menciona o quanto sofreu — não apenas fisicamente, mas também mental e espiritualmente.

    Quem é fraco, e eu não sou fraco? Quem é levado a tropeçar, e eu não me abraso?

    Um homem espiritual é um homem que tem visões e revelações. O Senhor lhe mostrou o Seu propósito. Um homem espiritual é um homem que conhece a graça suficiente de Deus. Ele sabe que a graça de Deus é suficiente.

    Vocês compreendem essa expressão, “homem espiritual”? Ele é um homem em Cristo. Um homem espiritual é Cristo naquele homem.

    Conclusão

    Portanto, 2 Coríntios nos revela Cristo na espiritualidade. O que é espiritualidade? Devemos fazer essa pergunta. Devemos desejar que nosso ministério seja espiritual, para que realmente edifique o Corpo de Cristo. Nossa contribuição deve ser espiritual, para que Deus seja glorificado. Nós mesmos devemos ser espirituais, para que Cristo seja manifestado.

    Mas o que é espiritualidade? A espiritualidade é a pessoa de Cristo. Cristo em vocês — isso é espiritualidade. Que o Senhor nos ajude.

    Querido Pai, nós Te louvamos e Te agradecemos porque colocaste Cristo em nós e nos colocaste em Cristo. Nós Te louvamos e Te agradecemos porque todo o segredo está aí, todo o poder está aí e toda a glória está aí.

    Pedimos apenas que abras nossos olhos, nosso entendimento e nosso coração, para que possamos ver Cristo em nosso ministério espiritual, em nossa espiritualidade e até mesmo em nossa própria pessoa como pessoas espirituais; para que possamos vê-Lo como o nosso tudo.

    Ah, revela-nos Cristo cada vez mais, para que sejamos transformados e conformados à Sua imagem, para a Tua glória. Em nome de nosso Senhor Jesus, amém.