Vede que não rejeiteis Aquele que fala. Porque, se não escaparam aqueles que rejeitaram Aquele que os advertia na terra, muito menos escaparemos nós, se nos desviarmos Daquele que nos adverte dos céus;
Cuja voz então abalou a terra; mas agora Ele prometeu, dizendo: Ainda uma vez farei tremer não somente a terra, mas também o céu.
E esta expressão, Ainda uma vez, significa a remoção das coisas que são abaladas, como coisas que foram feitas, para que permaneçam as coisas que não são abaladas.
Pelo que, recebendo nós um reino que não pode ser abalado, tenhamos graça, pela qual ofereçamos a Deus um serviço que Lhe seja agradável, com reverência e temor;
Porque o nosso Deus é um fogo consumidor.
Temos um altar do qual não têm direito de comer os que servem ao tabernáculo.
Porque os corpos dos animais, cujo sangue é levado pelo sumo sacerdote ao santuário como oferta pelo pecado, são queimados fora do arraial.
Por isso também Jesus, para santificar o povo pelo Seu próprio sangue, sofreu fora da porta.
Saiamos, pois, a Ele, fora do arraial, levando o Seu opróbrio.
Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a que há de vir.
Por Ele, pois, ofereçamos continuamente a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto de lábios que confessam o Seu nome.
E não vos esqueçais de fazer o bem e de repartir com os outros; porque com tais sacrifícios Deus Se agrada.
Querido Pai celestial, nós Te louvamos e Te agradecemos porque podemos nos aproximar do trono da graça com santa ousadia. Isso é por causa do sangue do nosso Senhor Jesus. É por causa do novo e vivo caminho que Ele nos abriu através do véu, isto é, da Sua carne. E é porque Ele é o nosso grande Sumo Sacerdote.
Assim, Pai, ao entrarmos em Tua própria presença nesta manhã, pedimos que a luz do Teu rosto brilhe sobre nós e nos revele o Teu pensamento, para que saibamos como Te servir com reverência e temor. Em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
O livro de Hebreus foi escrito aos crentes hebreus do primeiro século para prepará-los para o abalo que em breve viria sobre o mundo.
Sabemos que, no ano 70 d.C., Deus permitiu que a cidade de Jerusalém e o templo que nela havia fossem completamente destruídos. Isso foi um grande abalo para o povo judeu daquela época. Não podemos imaginar quão grande deve ter sido esse abalo para aquelas pessoas.
Isso também foi uma palavra muito forte aos crentes hebreus, porque eles tendiam a se apegar a Moisés assim como se apegavam a Cristo. Mas era da vontade de Deus que fossem completamente libertos da escravidão do judaísmo para a perfeita liberdade de Cristo. Deus queria que essas pessoas rompessem com Moisés e se voltassem para o Seu Filho, o Senhor Jesus, e esse abalo deveria servir a esse propósito.
Por meio da destruição de Jerusalém e do seu templo, os crentes hebreus estavam finalmente sendo libertos do judaísmo para viver em Cristo, porque essa é a vontade de Deus.
Agora, irmãos e irmãs, temos mencionado repetidas vezes que este livro de Hebreus é extremamente relevante para os nossos dias. Por quê? Porque nós também estamos em um tempo de grande abalo. Creio que todos podem perceber que vivemos numa hora de abalo.
Não somente as coisas terrenas estão sendo abaladas, mas até mesmo as coisas celestiais, ou espirituais, também estão sendo abaladas. A razão desse abalo é que aquilo que pode ser abalado será removido, para que aquilo que não pode ser abalado permaneça.
Tudo o que pode ser abalado será removido, porque Deus nos deu um reino que não pode ser abalado, e Ele quer que herdemos esse reino.
Sabem, quando esse abalo acontece por todo o mundo, as pessoas ficam apavoradas ao pensar nas coisas que estão por vir. Mas a Bíblia diz que nós, que pertencemos ao Senhor e fomos avisados de antemão, devemos levantar a cabeça, porque a nossa redenção se aproxima.
Deus preparou os crentes hebreus do primeiro século para esse grande abalo. Deus lhes deu instruções específicas pelas quais poderiam permanecer firmes durante o tempo de abalo e estar de pé diante de Deus. E cremos que as instruções dadas neste livro são para nós hoje.
No último Dia do Senhor, mencionamos que há duas expressões neste livro que nos servem como diretrizes. Uma é além do véu. Isto é, Deus quer que vivamos além do véu.
Esse era um privilégio que as pessoas dos tempos do Antigo Testamento nunca tiveram. Uma vez por ano, o sumo sacerdote, mediante o sangue e a fumaça do incenso, entrava no Santo dos Santos para fazer expiação por si mesmo e pelo povo; e tinha de se retirar muito depressa. Com isso, o Espírito Santo indicava que o caminho para o Santo dos Santos ainda não estava aberto.
Mas, graças a Deus, por meio da morte do nosso Senhor Jesus, o véu que separava o Santo dos Santos do Lugar Santo foi rasgado. Quando o nosso Senhor Jesus morreu na cruz, no exato momento em que clamou em alta voz: “Está consumado” e entregou o Seu espírito ao Pai, o véu do templo foi rasgado de alto a baixo.
Por causa desse véu rasgado, o caminho para o Santo dos Santos está aberto para nós. Podemos entrar; e não somente podemos entrar, mas é da vontade de Deus que habitemos ali. Viver além do véu agora é o nosso privilégio.
Deus não quer que apenas sejamos ativos no átrio exterior, ajudando as pessoas e pregando o evangelho. Isso é o que faremos, mas Deus não quer que vivamos ali. Tampouco Deus quer que vivamos no Lugar Santo. Ali, como sacerdotes, servimos a Deus, testemunhamos Dele, O adoramos e oramos a Ele; mas esse não é o lugar onde vivemos.
Deus quer que habitemos, que façamos o nosso lar, que vivamos constante e continuamente em Sua presença, porque a nossa vida está escondida com Cristo em Deus. Deus agora é o nosso lar. Ali permaneceremos. Ali O contemplaremos. Veremos a glória do Senhor e seremos transformados, de glória em glória, na mesma imagem, como pelo Senhor, o Espírito.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, como podemos atravessar este tempo de grande abalo sem sermos derrubados, mas podendo estar diante de Deus santos e sem mácula? O segredo é que devemos habitar além do véu. Devemos viver dia após dia, hora após hora, momento após momento, na própria presença de Deus.
Isso é algo que o nosso Senhor Jesus nos deu. Digamos novamente: não é apenas para uns poucos privilegiados; é para todo crente.
Nesta manhã, gostaríamos de continuar com a segunda diretriz: fora do arraial. Além do véu e fora do arraial — essas são duas questões relacionadas.
Em outras palavras, se você vive além do véu, então sairá para fora do arraial. Viver além do véu é viver diante de Deus; sair para fora do arraial é viver diante dos homens.
Além do véu fala da nossa vida oculta em Deus, não vista pelos homens, mas vista por Deus. Fora do arraial é a nossa vida diante do mundo, como testemunhas e testemunho de Deus.
Quanto mais vivermos além do véu, mais sairemos a Ele, fora do arraial. Quanto mais sairmos a Ele, fora do arraial, mais experimentaremos a Sua proximidade. Essas duas coisas caminham juntas.
Viver além do véu nos dá força para sair para fora do arraial, e sair para fora do arraial confirma aquilo que vimos e ouvimos além do véu. Portanto, irmãos e irmãs, não basta apenas viver além do véu. Se vivemos ali, então devemos sair a Ele, fora do arraial.
Em primeiro lugar, gostaríamos de considerar: o que é o arraial? Se vocês lerem Hebreus 13, encontrarão as expressões “fora do arraial” e “fora da porta”, como se o arraial e a cidade fossem uma e a mesma coisa.
Em certo sentido, isso é verdade. Quando os filhos de Israel foram libertos do Egito e viajaram pelo deserto, eram um arraial — o arraial de Deus. Mas, depois de chegarem à terra prometida, habitaram em cidades. Naturalmente, a cidade mais conhecida era Jerusalém.
O arraial e a cidade são uma e a mesma coisa neste sentido: no deserto, eles acampavam; na terra prometida, viviam em cidades. Um arraial ou uma cidade nos fala de um espaço delimitado, altamente organizado como uma unidade. Não é algo disperso; é algo organizado como uma unidade.
De modo geral, o mundo de hoje é um arraial ou uma cidade. No princípio, Deus criou a terra e a deu ao homem para que nela vivesse, desfrutasse dela e a governasse em Seu nome. Mas, infelizmente, o homem pecou contra Deus.
Por meio da queda do homem, não somente o homem ficou sob o domínio do arqui-inimigo de Deus e do homem, Satanás, mas, por meio do homem, Satanás conseguiu usurpar a terra. Ele tomou a terra das mãos do homem e a organizou como um cosmos — um sistema.
Assim, o mundo inteiro hoje é um sistema. Seja na esfera política, econômica, educacional ou até mesmo religiosa, vocês percebem que o mundo inteiro hoje é um sistema — um sistema mundial organizado por Satanás como uma unidade.
Satanás usa esse sistema mundial para se opor a Deus, lutar contra o propósito de Deus e tentar retardar a vinda do reino de Deus. Queridos irmãos e irmãs, isso é o mundo: um arraial, uma cidade, representada por Babel.
Antes pertencíamos ao mundo. Fazíamos parte dele. Estávamos sob o domínio do maligno. Mas, graças a Deus, Ele nos libertou. Ele nos tirou do mundo e nos deu ao Seu Filho, o nosso Senhor Jesus.
Então, irmãos e irmãs, qual é a nossa posição hoje? Estamos no mundo, mas não somos do mundo. Não é da vontade de Deus que saiamos do mundo hoje. Muitas vezes penso como seria bom se, no momento em que você fosse salvo, fosse arrebatado. Isso evitaria tantos problemas! Mas essa não é a vontade de Deus.
Embora Ele nos tenha salvado, nos tirado do mundo e nos dado a Cristo, fisicamente ainda estamos no mundo. Mas, graças a Deus, espiritualmente não somos do mundo. No mundo, mas não do mundo — assim como o nosso Senhor Jesus, quando esteve na terra, estava no mundo, mas não era do mundo.
Essa é a nossa posição. Não pertencemos a esse sistema mundial, embora ainda estejamos aqui.
Por causa disso, somos exortados a não amar o mundo. Em 1 João 2:15, está escrito:
Não ameis o mundo, nem as coisas que há no mundo.
Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.
O que é o mundo? O mundo se apresenta a nós na forma de coisas. O mundo tem muitas coisas — coisas belas, coisas atraentes — e oferece essas coisas para nos seduzir, para despertar em nós a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida.
Irmãos e irmãs, Deus criou esta terra e todas as coisas que nela existem para que o homem desfrutasse delas. Deus nos criou com desejos e necessidades, e esses desejos e necessidades são atendidos pelas coisas que Ele criou sobre a terra.
Não há nada de errado com os desejos ou as necessidades que Deus criou no homem. Não há nada de errado com as coisas que Ele criou nesta terra para suprir as necessidades do homem. Mas hoje vocês percebem que o inimigo organiza o mundo, toma as coisas do mundo e procura despertar a concupiscência em nós.
O que é concupiscência? Concupiscência é desejo ilegítimo. Não há nada de errado com o desejo. Se você tem fome, precisa comer; não há nada de errado nisso. Mas, quando o desejo se torna desmedido, impróprio, ilegítimo e ultrapassa os limites, então se torna concupiscência.
O inimigo usa as coisas do mundo para despertar a concupiscência da carne. Não queremos apenas viver, mas queremos viver no luxo. Queremos satisfazer as nossas paixões pecaminosas. Os nossos olhos nunca se satisfazem com as coisas que vemos. Queremos nos comparar com os nossos vizinhos — a soberba da vida.
Queridos irmãos e irmãs, essas são as coisas do mundo. Se cairmos na armadilha, traspassaremos a nós mesmos com muitas dores, e o amor do Pai não estará em nós.
A Bíblia nos pede que não nos conformemos com o mundo, mas que sejamos transformados pela renovação da nossa mente, para experimentar qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
No original, não se conformar com o mundo significa que o mundo tem o seu próprio molde. Não tente se espremer para caber nesse molde. Ou, para dizer isso em linguagem moderna, não tente andar na moda.
O mundo tem uma espécie de molde, uma espécie de moda. Talvez a cada primavera ou a cada inverno vocês vejam surgir uma nova moda. Provavelmente ela começa em Paris ou Nova York — não sei. Então a moda começa a se espalhar pelo mundo inteiro, e todos querem segui-la, espremer-se para caber naquele molde.
Queridos irmãos e irmãs, vocês são grandes demais para esse molde. Vocês têm dignidade demais para esse molde. Vocês não devem seguir o mundo; o mundo é que deve seguir vocês. Por que deveríamos nos espremer para caber no molde do mundo e tentar andar na moda?
Agora, não quero dizer que devamos ser tão antiquados a ponto de parecermos peças de museu. Mas, ainda assim, devemos ser moderados e não procurar simplesmente andar na moda, espremendo-nos para caber no molde do mundo.
A Bíblia nos diz que, se procurarmos ser amigos do mundo, a amizade com o mundo nos tornará inimigos de Deus. Irmãos e irmãs, não devemos cultivar uma amizade com o mundo que nos leve a comprometer a nossa fidelidade. Se fizermos isso, nos tornaremos inimigos de Deus.
Deus já nos libertou deste mundo. Não pertencemos a ele. Não tentem voltar para pertencer a ele. Se fizermos isso, perderemos o nosso testemunho.
Mas, se vocês lerem o contexto de Hebreus, perceberão que não é principalmente a isso que o Espírito Santo Se refere quando fala do arraial. O arraial, ou a cidade, ali não é o mundo em si.
Como crentes, a questão do mundo como cosmos já está resolvida para nós. Não somos do mundo. O autor de Hebreus, o Espírito Santo, não está tão preocupado com o mundo como arraial ou cidade. Antes, a preocupação a respeito do arraial do qual precisamos sair e da cidade da qual precisamos nos retirar é com o mundo religioso.
Deixem-me ler para vocês um comentário de Andrew Murray:
O arraial não era Roma com o seu paganismo, mas Jerusalém com a sua religião e a sua revelação recebida de Deus. Ali Jesus foi rejeitado pelos judeus porque condenou a justiça própria e o formalismo deles.
Não é do mundo irreligioso, mas do mundo religioso que devemos sair — isto é, de tudo o que não está em harmonia com a Sua cruz e o Seu espírito de abnegação.
Saiamos, não de um vínculo religioso para outro, que, com o tempo, demonstra ter tanto do espírito do arraial quanto o anterior. Não; saiamos a Ele, para uma comunhão íntima, para uma completa conformidade com Ele, para uma conformidade com o Seu espírito manso, paciente e amoroso.
Não lancemos o nosso opróbrio sobre aqueles que deixamos para trás, mas levemos o Seu opróbrio.
Outro comentário diz:
Muitos interpretam isso como se crentes com algum entendimento estivessem justificados em não manter comunhão com aquelas assembleias de crentes que não têm tanta luz quanto eles. Certamente esse não é o pensamento de Cristo.
É bom deixar a idolatria, como a de Roma, e todo sistema mundano que se chama cristão, mas que, na realidade, é apenas uma associação de incrédulos com a qual alguns crentes estão misturados.
Outro comentário, de G. H. Lang, diz:
O templo é o centro da religião terrena, ritualista e legalista. Essa religião está na cidade. É a religião do mundo, parte do seu sistema. Mas Deus não está na cidade nem no seu templo.
Cristo veio a ela como Deus veio a ela. Ele foi lançado fora, no lugar de maldição. Todas as classes da cidade se uniram para desprezá-Lo e rejeitá-Lo: líderes religiosos, sacerdotes e rabinos; políticos e homens da lei; juízes, policiais, escribas instruídos e o povo comum.
Nem a cidade nem o templo voltaram a vê-Lo. Ele não está ali, e é inútil procurá-Lo ali. É no Calvário que primeiro se deve encontrá-Lo, e o Calvário — o lugar de opróbrio — é o único caminho de aproximação ao reino, à casa, ao coração e à glória de Deus.
Em linguagem simples, isso significa que aquele que deseja ter comunhão com Deus em Seu santo céu deve abandonar todo sistema de religião baseado em lei, cerimônias, esforço próprio, invenção humana ou autoridade sectária, e deve aceitar o opróbrio de depender do Redentor, ter comunhão com Ele e obedecer Àquele que sofreu fora da porta.
O arraial era o judaísmo no tempo de Cristo e no primeiro século, antes da destruição do templo.
O judaísmo, em seu início e em sua origem, vinha de Deus. Deus deu a Moisés a lei, o modelo e os sacrifícios. Ele teve o seu início em Deus. Mas, gradualmente, pelas mãos dos homens, tornou-se um “ismo” — um sistema organizado.
Aquilo que era revelação do alto tornou-se tradição dos homens. Assim, no tempo de Cristo, o judaísmo havia se tornado um sistema religioso. No topo do sistema estava o sumo sacerdote, e com ele estavam os setenta — isto é, o Sinédrio, o órgão dirigente do judaísmo. Havia também os saduceus, os fariseus, os escribas e os rabinos.
O judaísmo era altamente organizado no tempo de Cristo. O sumo sacerdote, o Sinédrio, os fariseus e os escribas constituíam o seu corpo dirigente. Eles definiam e explicavam tudo no judaísmo. Eram as autoridades. Controlavam não somente os corpos, mas também as consciências do povo judeu.
Se alguém ousasse contradizer as suas interpretações e os seus conceitos, essa pessoa era excomungada e excluída da comunidade de Israel.
Quando Cristo, o Messias, veio, Ele não Se enquadrou na interpretação que tinham das profecias nem no conceito que tinham do Messias. Esperavam um Messias político que os libertasse das mãos de Roma e os colocasse à frente das nações.
Mas, em vez disso, descobriram que esse Jesus de Nazaré pregava sobre amor e perdão. Ele não estava interessado em derrubar o jugo romano, mas estava interessado em libertar as pessoas do jugo do pecado.
Ele não Se enquadrou no conceito deles. Não Se enquadrou na interpretação deles. Não os seguiu. Não pertencia ao sistema. Ousou desafiar o sistema e a tradição deles. Por causa disso, livraram-se Dele: “Fora com Ele! Fora com Ele! Crucifica-O!”
Não havia lugar para o Messias no arraial. Cristo foi lançado para fora do arraial. Levaram-No para fora de Jerusalém, ao lugar chamado Gólgota, o lugar da caveira, e ali O crucificaram com dois ladrões.
Eles não sabiam que isso era um cumprimento da profecia. Era um cumprimento do tipo. Em Levítico 16, no Dia da Expiação — aquele grande dia de expiação —, eram oferecidos um novilho e um bode.
O sangue do bode e do novilho era levado pelo sumo sacerdote para além do véu e aspergido sobre o propiciatório. Ali, uma vez por ano, o sumo sacerdote fazia expiação por si mesmo e pelo povo diante de Deus.
As ofertas diárias pelo pecado e pela culpa eram para questões pessoais. Mas, no Dia da Expiação, os sacrifícios eram oferecidos por toda a nação. O sangue era levado para além do véu, à própria presença de Deus, para fazer expiação.
Mas os corpos dos animais sacrificados não deveriam ser comidos pelos sacerdotes nem por aqueles que os ofereciam, como acontecia com as ofertas pacíficas. Tampouco deveriam ser queimados inteiramente sobre o altar, como acontecia com o holocausto. Os corpos do bode e do novilho eram levados para fora do arraial, e ali eram queimados até se tornarem cinzas.
O corpo era queimado fora do arraial; o sangue era levado para além do véu. Queridos irmãos e irmãs, aqui vocês percebem como isso se cumpriu na vida do nosso Senhor Jesus.
Eles O expulsaram do templo e da cidade, levando-O àquele lugar fora do arraial — um lugar de maldição e opróbrio. Ali O crucificaram. O Seu corpo foi partido e oferecido, mas, graças a Deus, o Seu sangue foi levado para além do véu para expiar os pecados do mundo. Ele sofreu fora da porta para santificar o povo.
Por que o bode precisava ser queimado fora do arraial, enquanto o sangue era levado para além do véu? Porque o arraial estava contaminado.
Vocês se lembram de Êxodo 32. Quando Moisés estava no alto do monte recebendo os Dez Mandamentos, os filhos de Israel, lá embaixo, na planície, adoraram o bezerro de ouro. Deus mandou Moisés descer. Quando Moisés viu aquela cena, quebrou as duas tábuas da lei, porque eles haviam quebrado a lei.
Ele reduziu o bezerro de ouro a pó, lançou o pó sobre a água e fez todos os filhos de Israel beberem dela — beberem do seu próprio pecado. Então, em Êxodo 32, Moisés se pôs à entrada do arraial e disse:
Quem está do lado do Senhor, venha a mim.
Somente a tribo de Levi saiu do arraial para se unir a Moisés. Moisés ordenou que percorressem o arraial e matassem aqueles que haviam cometido essa idolatria, fossem homens ou mulheres, parentes ou vizinhos, a fim de se santificarem.
Então, em Êxodo 33, aconteceu algo. Moisés tomou a sua própria tenda e a levou para fora do arraial. Levou a sua tenda para fora do arraial e a chamou de tenda da congregação.
Sempre que as pessoas queriam consultar o Senhor, saíam do arraial e iam à tenda da congregação. Quando Moisés saía para a tenda, a coluna de nuvem descia sobre ela. O povo via isso e adorava.
Como o arraial estava contaminado, Moisés teve de levar a sua tenda para fora dele. A glória de Deus veio sobre aquela tenda.
Irmãos e irmãs, Cristo, para nos santificar, não podia realizar essa obra dentro do arraial. O judaísmo deveria preparar o caminho para a vinda do Messias, mas Ele não foi recebido. O arraial estava contaminado. Por isso, Ele teve de realizar a obra da redenção fora da porta.
Ali Ele foi crucificado. Ele ofereceu o Seu sangue no próprio céu, na própria presença de Deus, para expiar os pecados do mundo. Fora do arraial.
É por isso que a Bíblia diz:
Saiamos, pois, a Ele, fora do arraial.
Ele não está no arraial; está fora. Portanto, qualquer pessoa que queira buscá-Lo tem de sair do arraial para encontrá-Lo.
No livro de Atos, na defesa de Estêvão em Atos 7 — ou podemos dizer, no testemunho de Estêvão —, vocês percebem que ele dizia ao povo a mesma coisa: quanto a Jerusalém e ao templo, Deus já não está ali. Vocês precisam sair para encontrar o Senhor.
O judaísmo como arraial não apenas havia rejeitado Cristo; havia perseguido aqueles que seguiam a Cristo.
Queridos irmãos e irmãs, como isso se aplica a nós hoje? O cristianismo tem a sua origem no céu. Começou como uma revelação viva. É uma fé viva. É como um grão de mostarda.
Nosso Senhor diz que, se a sua fé for como um grão de mostarda — sendo o grão de mostarda a menor de todas as sementes —, há vida ali. Isso vem do alto.
Quando Pedro reconheceu o nosso Senhor Jesus como “o Cristo, o Filho do Deus vivo”, Cristo disse:
Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas; porque não foi carne e sangue quem te revelou isso, mas Meu Pai, que está nos céus.
É uma fé viva.
Depois da morte, da ressurreição e da ascensão de Cristo, e depois do dia de Pentecostes, a igreja teve o seu início. Em trinta anos, o evangelho foi pregado por todo o mundo conhecido naquela época. No final do livro de Atos, Paulo estava em Roma, o centro daquele mundo.
O Império Romano usou o seu poder militar e político na tentativa de eliminar o cristianismo; mas o Império Romano é que foi eliminado. Cristo e os Seus seguidores venceram, não pela espada, mas pelo amor.
Mas, infelizmente, esse grão de mostarda, ao crescer — e ele deveria crescer —, deveria ter permanecido uma hortaliça, porque essa é a vontade de Deus. A igreja de Deus deveria permanecer neste mundo como algo pequeno e desprezado aos olhos dos homens.
Mas, pelas mãos dos homens, especialmente a partir do quarto século, os homens começaram a organizar a fé viva e a organizar a revelação do alto. Gradualmente, reduziram tudo isso a uma organização, uma instituição poderosa neste mundo — uma tradição em lugar da revelação, um sistema em lugar da fé viva.
Esse grão de mostarda cresceu de modo anormal e se tornou uma grande árvore, fora da sua espécie e fora da ordem de Deus. Todas as aves do céu vieram e se abrigaram nela. Se vocês lerem a primeira parábola de Mateus 13, saberão que essas aves representam o maligno.
Em vez de se tornar uma habitação do Deus santo, tornou-se um lugar de pouso para toda a maldade.
No princípio, o cristianismo era como três medidas de farinha, que deveriam ser oferecidas a Deus como oferta de manjares. Mas então veio uma mulher e pôs fermento nela. O fermento, nas Escrituras, fala de doutrinas perversas e de condutas perversas.
O fermento fez crescer as três medidas de farinha, tornando-as agradáveis ao paladar humano, mas impróprias para serem oferecidas a Deus. Foi nisso que o cristianismo se transformou. Assim como o judaísmo, teve o seu início no céu, em Deus, mas agora se tornou um sistema religioso terreno e humano.
E o que aconteceu com o sistema? Eles expulsaram Cristo do arraial.
Se vocês lerem a história da igreja — e eu não tenho tempo de fazer isso aqui —, descobrirão que, durante os três primeiros séculos, o mundo como cosmos, como sistema, se opôs a Cristo e perseguiu os Seus seguidores.
O Império Romano perseguiu os cristãos. Vale muito a pena ler sobre como os cristãos morreram — pessoas como Policarpo e muitos outros que deram a vida por Cristo. O Império Romano tentou eliminar o cristianismo, queimando os cristãos, lançando-os aos leões e matando-os.
Mas o sangue dos mártires tornou-se a semente do evangelho, e o evangelho se espalhou.
A partir do quarto século, o cristianismo se tornou um sistema religioso, parte do mundo. E, ao se tornar um sistema religioso e parte do mundo, começou novamente a perseguir aqueles que queriam seguir o Cordeiro para onde quer que Ele fosse.
Não é surpresa que o mundo persiga os cristãos. Mas é surpreendente que o mundo religioso cristão persiga os cristãos. No entanto, isso é um fato.
Andrew Murray disse:
Talvez não haja necessidade maior em nossos dias do que Deus abrir os olhos do Seu povo para a solene verdade de que o chamado mundo cristão é exatamente o mesmo mundo que rejeitou Cristo. Devemos manter com ele a mesma relação que Ele manteve.
Na história da igreja, quando vocês chegam ao sexto século, descobrem que o sistema católico romano estava firmemente estabelecido. Querem saber como o sistema católico romano perseguiu os verdadeiros crentes em Cristo? Deixem-me ler apenas um pouco para vocês.
Em meados do sétimo século, os paulicianos existiam na região da Mesopotâmia. Talvez fossem chamados assim porque davam muita ênfase aos escritos de Paulo. Tinham especial respeito pela autoridade da Bíblia e defendiam uma vida de simplicidade.
Eram pessoas devotas e fervorosas e davam um forte testemunho contra as práticas reprováveis da Igreja Católica. Os seus inimigos testemunhavam contra eles, mas a vida deles testemunhava a favor da verdade.
Os paulicianos não aceitavam nenhuma autoridade central que governasse as assembleias sagradas. As igrejas locais reconheciam Deus como seu Cabeça. Eram edificadas e fortalecidas espiritualmente por mestres que viajavam de um lugar para outro para ministrar entre elas. A sua unidade espiritual estava numa ligação viva com o seu Cabeça, Cristo.
Eram pessoas que queriam seguir o Cordeiro para onde quer que Ele fosse. Mas o que aconteceu? Não somente os seus líderes foram mortos, mas, em meados do nono século, sob a notória perseguição da imperatriz Teodora, no espaço de cinco anos, cem mil pessoas foram mortas.
O sistema católico usou o mundo para matar esses seguidores de Jesus porque eles não pertenciam ao arraial.
Em meados do oitavo século, havia os bogomilos. Eles viviam na península Balcânica, e “bogomilo” significa simplesmente “amigos de Deus”. Pregavam o amor e a graça do evangelho e demonstravam virtudes cristãs em sua vida.
Em vez de edifícios de igreja ornamentados, com todos os seus adornos, os crentes se reuniam em suas próprias casas. A verdade bíblica do sacerdócio de todos os crentes era reconhecida. As congregações eram orientadas por uma pluralidade de presbíteros e edificadas pelo ensino de irmãos que ministravam. Os pobres e necessitados entre as igrejas eram ajudados segundo a lei do amor em Cristo.
A expansão desses amigos de Deus constituía uma ameaça crescente à Igreja de Roma, e Roma não ficou inativa em sua tentativa de conter o avanço dessa oposição mansa e poderosa. O rei da Hungria recebeu ordens para invadir a Bósnia, e o país foi devastado pela guerra durante anos.
Nos séculos XII e XIII, os cátaros, também conhecidos como albigenses, denunciavam vigorosamente os erros eclesiásticos predominantes na época e conduziam as pessoas a uma nova vida por meio da pregação das Escrituras.
Os valdenses se caracterizavam por sua profunda reverência pelas Escrituras, nas quais encontravam a regra para a vida diária. O conhecimento de Cristo habitando interiormente pelo Espírito era, para eles, uma verdade de importância suprema.
Permitiam liberdade na interpretação das Escrituras, desde que não fosse negada a necessidade fundamental de interpretá-las à luz de Cristo. A salvação era pela fé, e a Igreja de Roma não tinha autoridade nem para abrir nem para fechar a porta da graça de Deus. A prova da salvação era a santidade de vida. O batismo era um testemunho de fé em Cristo, e a Ceia do Senhor era uma lembrança do Seu sacrifício.
Mas então, em 1348, sob Carlos IV, imperador do Sacro Império Romano-Germânico, iniciou-se um esforço determinado para eliminar as congregações cristãs. A Inquisição foi posta em ação com eficiência diabólica.
Como aquele sistema religioso chamado cristão perseguiu os que pertenciam a Cristo, os que queriam seguir a Cristo até o fim, porque não pertenciam ao arraial!
Vocês acham que isso aconteceu somente com o sistema católico romano? Não.
Graças a Deus pela Reforma no século XVI. Graças a Deus por Lutero, Calvino, Zuínglio e por essas pessoas. Por meio de uma dura luta, recuperaram a justificação pela fé e abriram a Bíblia.
Mas, infelizmente, esses reformadores não foram longe o suficiente. Em outras palavras, pararam antes de alcançar todo o propósito de Deus. Embora tenham saído de sob o jugo romano, passaram a se submeter a diferentes Estados ou países e formaram igrejas nacionais.
Essas igrejas protestantes, no princípio, eram um mover de Deus. Mas então os homens intervieram, organizaram-nas, e elas se tornaram igrejas estatais. O protestantismo não é melhor do que o catolicismo quando se torna um sistema.
Se vocês lerem a história da igreja, descobrirão que, mesmo no tempo da Reforma, os próprios reformadores — que haviam sido perseguidos pelo sistema católico romano — começaram, por sua vez, a perseguir aqueles que queriam seguir o Senhor até o fim.
Hoje sabemos mais sobre essas coisas do que antes, porque muita história que estava oculta foi recuperada. Tomem, por exemplo, os anabatistas. Na verdade, o termo é muito geral e vago. Não se refere a um grupo específico. “Anabatista” significa simplesmente “aqueles que batizam novamente”.
Por que eram chamados de anabatistas? Durante a Reforma, até pessoas como Martinho Lutero ainda acreditavam no batismo infantil. Mas havia algumas pessoas que não estavam envolvidas nem com o catolicismo nem com o protestantismo. Estavam livres da escravidão de ambos e puderam se aprofundar na Palavra de Deus com tal intensidade que começaram a perceber que o batismo é o batismo de crentes.
Não conseguiam encontrar o batismo infantil na Palavra de Deus. No entanto, todos haviam sido batizados no sistema romano ou em igrejas protestantes, como as da Inglaterra. Assim, quando começaram a seguir o Senhor e a ser batizados nas águas, foram chamados de anabatistas — aqueles que batizam novamente. Mas, na verdade, estavam sendo batizados pela primeira vez.
Essas pessoas se recusavam a adotar qualquer nome além de cristãos ou irmãos. Admitiam à comunhão somente aqueles que haviam experimentado a regeneração por meio da fé em Cristo.
Mas como foram perseguidos, até mesmo pelos reformadores! Mortos, queimados — centenas e centenas foram afogados. Diziam: “Está bem, vocês querem ser batizados? Nós vamos batizá-los”. Amarravam pedras ao pescoço deles e os afogavam — homens, mulheres e crianças pequenas, centenas e centenas deles.
Isso não aconteceu somente no tempo da Reforma. Se vocês lerem a história da igreja, encontrarão os puritanos na Inglaterra — pessoas que se recusavam a fazer o juramento de lealdade ao rei, porque o rei era considerado o chefe da igreja. Eram dissidentes e não conformistas, e como foram perseguidos!
John Bunyan escreveu O Peregrino enquanto estava na prisão. Ele ficou preso por doze anos.
No século XVIII, graças a Deus pelo conde Zinzendorf. Ele abriu a sua propriedade para receber os morávios que eram perseguidos por causa da sua fé pelo mundo religioso cristão. Ali começou a missão morávia.
Pensem em John Wesley e George Whitefield. Deus os usou, mas eles não tinham permissão para pregar nas chamadas igrejas. Por fim, pregaram nos cemitérios das igrejas.
E isso continua, continua e continua, até os nossos dias. Como os verdadeiros crentes em Cristo na China foram perseguidos, muitas vezes mais pelo chamado mundo cristão do que pelo mundo secular! É verdade que o governo comunista os perseguiu, mas foi a organização usada pelos comunistas — a chamada organização cristã — que executou a perseguição.
Queridos irmãos e irmãs, não há lugar para Cristo no arraial. Ele não está ali. É por isso que a Palavra diz:
Saiamos, pois, a Ele, fora do arraial.
Se vocês querem seguir o Senhor, precisam sair para fora do arraial, a Ele.
Irmãos e irmãs, precisamos viver além do véu, mas, ao mesmo tempo, temos de sair para fora do arraial. Por quê?
O que vocês encontram fora do arraial? Se lerem o Antigo Testamento, descobrirão que as pessoas lançadas para fora do arraial eram os leprosos. Vejam Levítico 13. As pessoas levadas para fora do arraial para serem mortas eram os blasfemos. Vejam Levítico 24. Pessoas levadas para fora do arraial eram aquelas que violavam o sábado. Vejam Números 15.
É um lugar de maldição e opróbrio. Foi nesse lugar que lançaram o nosso Cristo.
Portanto, saiamos a Ele. A única atração fora do arraial é Ele, porque Ele está ali. Onde Ele está, ali precisamos estar. Esse é o cerne da questão.
Que tipo de vida se vive fora do arraial? Em primeiro lugar, é uma vida de separação. Precisamos ser separados do mundo — do mundo como sistema, mesmo que seja religioso.
Somente por meio dessa separação podemos nos unir completamente ao Senhor. Separação e unidade não são contraditórias. A separação visa à unidade.
Vocês encontram isso em João 17. O Senhor disse:
Eles não são do mundo.
Eu Me santifico, para que também eles sejam santificados.
Por quê? Para que sejam um, assim como Ele e o Pai são um.
Queridos irmãos e irmãs, se não formos separados do mundo, não poderemos ser unidos em um só.
É uma vida de separação. É uma vida de opróbrio. É o caminho da cruz. Temos de levar o Seu opróbrio. Temos de tomar a cruz e segui-Lo. Seremos mal compreendidos. Seremos rotulados. Seremos acusados. Mas esse é o lugar onde Ele está.
É uma vida de fé, porque não temos aqui uma cidade permanente. Estamos buscando aquela cidade que tem fundamentos. Reconhecemos que somos estrangeiros e peregrinos nesta terra. Não esperamos nada desta terra; a nossa expectativa está Nele.
É uma vida de fé. Não andamos por vista, mas por fé.
Graças a Deus, é uma vida de adoração. Por quê? Porque está escrito:
Por Ele, pois, ofereçamos continuamente a Deus sacrifício de louvor.
Vocês poderiam pensar que as pessoas que estão no arraial, tendo tudo, vivendo uma vida confortável, sem serem contestadas e sendo bem recebidas por todos, seriam capazes de oferecer louvores a Deus. Mas, por estranho que pareça, são aqueles que estão fora do arraial que conseguem oferecer o sacrifício de louvor por meio de Cristo Jesus.
O que é o sacrifício de louvor? Um sacrifício é algo que custa alguma coisa a você. Em certo sentido, causa dor. Irmãos e irmãs, quanto do louvor oferecido a Deus é apenas da boca para fora? Não há sacrifício envolvido. É fácil simplesmente abrir a boca e louvar o Senhor; isso não custa nada a você.
Isso não é chamado de sacrifício de louvor. O sacrifício de louvor custa alguma coisa a você. Porque você segue o Cordeiro para onde quer que Ele vá, porque leva o Seu opróbrio, isso lhe custa alguma coisa. Do sacrifício, sobem louvores a Deus. Esse é o sacrifício de louvor.
Esse tipo de louvor satisfaz o coração de Deus. Aqueles que estão fora do arraial vivem uma vida de adoração.
Outra coisa:
E não vos esqueçais de fazer o bem e de repartir com os outros; porque com tais sacrifícios Deus Se agrada.
Vocês acham que são aqueles que vivem em prosperidade, conforto e popularidade que contribuem? Não; os que contribuem muitas vezes são os que sofrem.
Pensem nos crentes macedônios. Ah, como eles contribuíram — não da sua abundância, mas da sua pobreza! Porque amavam tanto a Deus, entregaram-se a Deus e quiseram participar da graça de contribuir.
Mas os coríntios tiveram de ser incentivados. Irmãos e irmãs, aqueles que estão fora do arraial são os que cuidam dos pobres, pensam nos necessitados e estão dispostos a se sacrificar para suprir os outros.
Essa é a vida que se espera que vivamos neste dia de grande abalo, queridos irmãos e irmãs.
Se vivermos além do véu e sairmos para fora do arraial, seremos guardados pelo Senhor durante o grande abalo e poderemos estar diante da Sua presença santos e sem mácula.
Ó Pai celestial, nós Te agradecemos por nos dares instruções, dizendo-nos como devemos viver num tempo de grande abalo.
Nosso Pai, oramos para que, pela obra do Espírito Santo, sejamos um povo que vive além do véu, no céu, e sai para fora do arraial, aqui embaixo.
Oramos, ó Senhor, para que essas sejam as características da nossa vida na terra, para a glória do Teu nome. Pedimos em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.