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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    Exhortation #1: So Great A Salvation © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Exhortation #1: So Great A Salvation
    Exhortation #1: So Great A Salvation
    Kaung, Stephen

    A exortação a atentar para tão grande salvação

    Por favor, abram no livro de Hebreus, capítulo 13. Hebreus 13:22.

    Rogo-vos, porém, irmãos, que suporteis a palavra de exortação; porque vos escrevi em poucas palavras.

    Na Versão Amplificada, está escrito:

    Ouvi pacientemente esta mensagem de exortação, admoestação e encorajamento; pois vos escrevi brevemente.

    Agora abram em Hebreus, capítulo 2. Vamos ler Hebreus 2:1-4.

    Por isso, devemos atentar com mais diligência para as coisas que ouvimos, para que delas jamais nos desviemos. Porque, se a palavra falada por meio de anjos se mostrou firme, e toda transgressão e desobediência recebeu justa retribuição; como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada primeiramente pelo Senhor, foi-nos confirmada pelos que a ouviram; dando Deus também testemunho com eles, por sinais e prodígios, por diversas manifestações de poder e por dons do Espírito Santo, segundo a Sua própria vontade.

    Vamos orar.

    Querido Pai celestial, nós Te louvamos e Te agradecemos porque, pela graça de Deus e pela redenção de nosso Senhor Jesus, temos ousadia não apenas para entrar em Tua presença, mas para permanecer nela. Nós Te louvamos e Te agradecemos porque, nesta manhã, permanecemos em Tua presença.

    Pedimos que a luz do Teu rosto brilhe sobre nós, revele-nos o Teu coração e nos atraia para Ti. Pedimos em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.

    Hebreus como uma carta de exortação

    Esta carta aos Hebreus é uma carta de exortação. Isso está claramente declarado no final da carta. O escritor de Hebreus diz:

    Rogo-vos, irmãos, que suporteis a palavra de exortação.

    Ele suplica aos irmãos que ouçam pacientemente esta mensagem de exortação, admoestação e encorajamento.

    Ele diz:

    Porque vos escrevi em poucas palavras.

    Ora, podemos pensar que a carta aos Hebreus é longa, mas o escritor diz que escreveu muito brevemente. Ela não é nada longa, se entendermos do que ele está falando.

    Portanto, esta carta é, antes de tudo, uma carta de exortação. Agora, queridos irmãos e irmãs, o que é exortação?

    Exortar significa chamar alguém para junto de si. A palavra exortar significa “para o lado” e “chamar”: chamar para junto de si. Significa simplesmente suplicar, rogar, chamar, admoestar e insistir para que vocês sigam determinada maneira de proceder.

    Portanto, nas Escrituras, a exortação envolve chamar a atenção para algo, advertir contra algo e encorajar a buscar algo. Nesta carta, vocês encontram muitos encorajamentos e advertências.

    Se lerem esta carta com bastante atenção, encontrarão pelo menos cinco exortações distintas, cada uma acompanhada de encorajamento e advertência. Vocês encontram várias vezes expressões como “façamos” ou “prossigamos”, que expressam encorajamento. Também encontram várias vezes a expressão “para que não”, e, sempre que ela é usada, vocês sabem que se trata de uma advertência.

    Esses são os lados positivo e negativo: o encorajamento é positivo; a advertência é negativa. A razão desses encorajamentos e advertências é a grandeza do assunto, do tema e da perspectiva que encontramos nesta carta — e também a facilidade com que podemos perder tudo isso.

    Assim, irmãos e irmãs, se Deus quiser, gostaríamos de dedicar algum tempo a essa questão da exortação: contemplar a grandeza da mensagem, o encorajamento que nos é dado e também a advertência que nos é dada.

    A primeira exortação em Hebreus 2

    Nesta manhã, gostaríamos de nos concentrar na primeira exortação. Ela se encontra na segunda passagem que acabamos de ler: Hebreus 2:1-4.

    Há algo que vale a pena observar: sempre que uma exortação é apresentada na carta aos Hebreus, ela vem depois ou antes de uma mensagem, uma verdade, um ensino ou uma realidade de enorme importância.

    Por exemplo, esta primeira exortação está entre os capítulos 1 e 2. No capítulo 1, vemos a glória do Filho de Deus. No capítulo 2, vemos o sofrimento do Filho do Homem.

    No capítulo 1, vemos o que Cristo é na eternidade; no capítulo 2, encontramos o que Ele é no tempo. No capítulo 1, vemos especialmente a pessoa de nosso Senhor Jesus; no capítulo 2, vemos especialmente a obra de nosso Senhor Jesus. Assim, entre esses dois capítulos, encontramos a primeira exortação. Isso acontece ao longo de todo o livro.

    Aqui, nesta primeira exortação, o escritor diz:

    Por esta razão, devemos atentar mais diligentemente para as coisas que ouvimos.

    Agora, irmãos e irmãs, quais são as coisas que ouvimos?

    A palavra definitiva proferida no Filho

    Certamente, essas coisas não se referem àquilo que os profetas falaram no passado. Por quê? Porque encontramos em Hebreus 1 que Deus falou antigamente aos pais, pelos profetas, em muitas partes e de muitas maneiras. Nosso Deus é um Deus que fala.

    Graças a Deus por isso. Se Ele ficasse em silêncio, ninguém O conheceria. Ninguém saberia qual é o Seu plano. Ninguém saberia o que Ele vai fazer. Mas, graças a Deus, nosso Deus é Aquele que fala.

    No passado, Ele falou aos nossos pais por meio dos profetas — muitos profetas —, mas em muitas partes e de muitas maneiras. Em outras palavras, os profetas eram homens. Embora fossem santos homens de Deus, eram seres humanos; portanto, sua capacidade era muito limitada.

    Quando Deus os usava, quando o Espírito de Deus os movia a falar, eles só podiam falar em parte. Nunca podiam falar em plenitude. Podiam falar de muitas maneiras: às vezes por parábolas, às vezes por figuras, às vezes usando a história e relatos. Mas só podiam fazê-lo dessas muitas maneiras.

    Era assim que Deus falava aos nossos pais pelos profetas. Mas não é isso que nós ouvimos. Então, o que foi que ouvimos e a que precisamos prestar muita atenção?

    Não são as palavras proferidas pelos profetas, por mais importantes que sejam. São as palavras proferidas por nosso Senhor Jesus. Em outras palavras, nos últimos dias, ao final destes dias, Deus nos falou na pessoa de Seu próprio Filho.

    No passado, Deus falou por meio dos profetas. Era Deus falando, mas Ele falava por meio dos profetas. Agora, Deus nos falou na pessoa de Seu próprio Filho. Quando Ele fala em Seu Filho, o que é proferido é pleno, rico, definitivo e completo. Foi isso que ouvimos.

    A palavra proferida pelo Senhor

    O que ouvimos não se refere ao que foi ouvido por meio de anjos. Em Hebreus 2:2, está escrito:

    Se a palavra falada por meio de anjos se mostrou firme.

    Agora, nós nos perguntamos: quando os anjos falaram?

    É claro que isso se refere ao momento em que Moisés recebeu os Dez Mandamentos, a lei, no monte Sinai. A Bíblia diz que, quando ele recebeu a palavra no monte Sinai, foi por meio do ministério de anjos.

    Em outras palavras, Deus usou os anjos como Seus agentes. Por meio dos anjos, a palavra veio a Moisés e, de Moisés, aos filhos de Israel. Mas aqui, aquilo que ouvimos não se refere à palavra proferida por anjos, por mais importantes que essas palavras fossem.

    Essas palavras que ouvimos foram proferidas pelo próprio Senhor: não as palavras proferidas por anjos, a palavra da lei, mas as palavras proferidas por nosso Senhor Jesus, a palavra da verdade e da graça.

    Então, quanto mais importante é aquilo que ouvimos! Se precisamos ouvir os profetas, se precisamos atentar para a palavra proferida por anjos, quanto mais precisamos prestar muita atenção à palavra proferida pelo Filho de Deus, por nosso Senhor Jesus.

    A abrangência de tão grande salvação

    Agora, irmãos e irmãs, o que Ele falou? O que os profetas falaram? O que os anjos falaram? O que é? Creio que é importante sabermos isso. O que Ele falou? O que ouvimos hoje?

    Algum de vocês leu o terceiro versículo? Ele diz:

    Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?

    É isso, irmãos e irmãs. O que ouvimos do próprio Senhor é tão grande salvação.

    Salvação é uma palavra que abrange tudo. Às vezes, em nosso entendimento, limitamos a salvação a simplesmente ter nossos pecados perdoados, receber a vida eterna e ter a promessa de ir para o céu.

    Graças a Deus, essas coisas são grandes para nós — coisas tremendas. Pensem nisso: nossos pecados perdoados. Nós estávamos mortos em pecados e transgressões, e o salário do pecado é a morte; não havia esperança para nós. Graças a Deus, nossos pecados foram completamente perdoados; não apenas perdoados, mas esquecidos. Isso é uma boa notícia para nós.

    Pensem em ter a vida eterna. Esta vida que temos é uma vida mortal, corrompida, pecaminosa, derrotada — uma vida destinada à morte. Mas agora recebemos a vida eterna, uma vida que nunca morre, uma vida que não apenas continua, mas continua em glória. Isso, é claro, é maravilhoso para nós.

    Ir para o céu — ora, quem quer ir para o inferno? Nós, que estávamos destinados ao inferno, graças a Deus, pela salvação de nosso Senhor Jesus, tivemos nosso rumo mudado. Estamos indo para o céu. Maravilhoso.

    Queridos irmãos e irmãs, essa é a salvação como normalmente a entendemos. Mas será que isso é tudo o que nosso Senhor Jesus nos anunciou como tão grande salvação? Do nosso ponto de vista, ela é grande. Mas, do ponto de vista de Deus, do ponto de vista de nosso Senhor Jesus, isso ainda não é grande o suficiente para Ele.

    A salvação no passado, no presente e no futuro

    A salvação como normalmente a entendemos pode ser chamada de salvação inicial. Essa expressão não se encontra nas Escrituras; nós a usamos para fazer uma distinção. A salvação que normalmente conhecemos é aquilo que podemos chamar de salvação comum.

    Mas, se vocês lerem a Palavra de Deus e ouvirem o que nosso Senhor Jesus diz, descobrirão que a salvação é muito, muito maior do que ter nossos pecados perdoados, receber a vida eterna e ter a promessa de ir para o céu.

    A salvação não diz respeito apenas ao passado; ela diz respeito ao presente e, naturalmente, ao futuro.

    Por exemplo, Efésios 2:5 e Efésios 2:8 dizem:

    Pela graça sois salvos.

    No original grego, o sentido é: “Pela graça, sois aqueles que já foram salvos”. Isso está no passado.

    Quando vocês creem no Senhor Jesus, são salvos. Essa salvação é uma questão resolvida, algo realizado de uma vez por todas. Portanto, essa é a salvação no tempo passado: vocês já foram salvos. Não é maravilhoso?

    Muitas pessoas creem no Senhor Jesus, mas vivem com medo e tremor, perguntando-se se, depois de morrerem e chegarem à porta do céu, encontrarão Moisés ou encontrarão o Senhor Jesus — se serão recebidas no céu ou impedidas de entrar.

    Mas, graças a Deus, se cremos no Senhor Jesus, pela graça já fomos salvos. Nossa salvação é certa e segura. Nada pode tirá-la de nós — nem mesmo nós mesmos.

    Mas essa é a salvação no tempo passado. Nas Escrituras, também existe a salvação no tempo presente. Por exemplo, 1 Coríntios 1:18 diz:

    Porque a palavra da cruz é loucura para os que estão perecendo; mas, para nós, que estamos sendo salvos, é o poder de Deus.

    Então, naturalmente, vocês também encontram em Romanos 5:10:

    Tendo sido reconciliados, seremos salvos pela Sua vida.

    Na Versão Amplificada, vocês encontrarão que isso significa a libertação diária do domínio do pecado.

    Libertação do domínio do pecado: essa é a salvação presente. Em outras palavras, no tempo presente, vocês podem ser salvos sendo libertos diariamente do poder do pecado. Não precisam mais viver sob o domínio do pecado. Podem vencer a lei do pecado e da morte, porque agora a lei do Espírito da vida está operando em vocês, em Cristo Jesus.

    Depois, encontramos a salvação no tempo futuro. Por exemplo, Hebreus 1:14 fala daqueles:

    Que hão de herdar a salvação.

    A salvação é algo que haveremos de herdar.

    Agora, irmãos e irmãs, sempre que pensamos em herança, pensamos em algo futuro. Um herdeiro há de herdar algo no futuro, porque, quando recebe a herança, já não é apenas herdeiro; é proprietário. Portanto, a herança tem relação com o futuro.

    Vejamos 1 Pedro 1:3-5:

    Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a Sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos; para uma herança incorruptível, incontaminada e que não se desvanece, reservada nos céus para vós; que, pelo poder de Deus, sois guardados mediante a fé, para a salvação preparada para se revelar no último tempo.

    Aqui vemos que fomos gerados de novo, nascidos de novo, para uma viva esperança. A esperança diz respeito ao futuro. Qual é essa esperança? É uma herança incorruptível, incontaminada e que não se desvanece.

    Tudo neste mundo é corruptível — não apenas corruptível, mas corrompido. Tudo neste mundo é contaminado — não apenas sujeito à contaminação, mas já contaminado. Tudo neste mundo está se desvanecendo, passando. Mas, graças a Deus, temos uma esperança.

    Temos a esperança de uma herança incorruptível — não apenas não corrompida, mas incapaz de ser corrompida —, incontaminada e que não se desvanece, reservada nos céus para vocês.

    Ela está reservada para vocês, que são guardados, protegidos pelo poder de Deus mediante a fé. Não podemos guardar a nós mesmos, mas Deus pode. Contudo, vocês precisam crer nEle. Somos guardados, protegidos pelo poder de Deus mediante a fé, para uma salvação plena, preparada para se revelar no último tempo.

    Há uma salvação reservada para vocês, preparada para se revelar no último tempo, para aqueles que são guardados pelo poder de Deus mediante a fé, a fim de herdá-la. Essa é a salvação no futuro.

    A salvação do espírito, da alma e do corpo

    Então, vocês veem que a salvação é algo grandioso. Ela abrange o passado, o presente e o futuro. Não apenas isso: nas Escrituras, também nos é dito que a salvação alcança diferentes áreas do nosso ser.

    Somos seres tripartidos. O ser humano é constituído de três partes: espírito, alma e corpo. O capítulo 5 de 1 Tessalonicenses fala do ser de vocês por inteiro: o espírito, a alma e o corpo.

    Quando cremos no Senhor Jesus, nascemos de novo.

    O que é nascido do Espírito é espírito.

    Essa é a salvação do espírito. O espírito de vocês, que estava morto em pecados e transgressões, é vivificado para uma nova vida e se torna um novo espírito. O Espírito de Deus vem e habita no espírito de vocês. Isso é regeneração. Isso é nascer de novo. Isso é a salvação do espírito.

    Depois, encontramos nas Escrituras a salvação da alma. Essa expressão aparece de fato na Bíblia: salvação da alma. Se perdermos nossa alma hoje por amor ao evangelho, por amor a Cristo, nós a ganharemos para a eternidade. Essa é a salvação da alma.

    Depois, há a salvação do corpo: a redenção do nosso corpo. Quando o Senhor Jesus vier, este corpo mortal será transformado em imortalidade, e este corpo corruptível será transformado em incorruptibilidade. Teremos um corpo de glória.

    Hoje temos um corpo de humilhação. Este corpo realmente me humilha. Mas um dia teremos um corpo de glória. Graças a Deus, quando esse dia chegar, teremos a salvação completa.

    Portanto, a salvação é tão grande salvação. Irmãos e irmãs, nós limitamos a salvação de Deus a um pequeno canto. Pensamos que isso é suficiente para nós. Mas lembrem-se sempre: não é suficiente para Deus; não é suficiente para nosso Senhor Jesus.

    O que Ele nos anunciou, o que Ele providenciou para nós, é tão grande salvação. É impossível eu tentar descrever para vocês tão grande salvação em uma hora, mas talvez, nesta manhã, possamos nos limitar à tão grande salvação encontrada nesta primeira exortação.

    A salvação como entrada na glória

    Por que somos exortados a prestar atenção especial ao que ouvimos? Porque é tão grande salvação. Por que somos advertidos a não nos desviar nem ficar à deriva? Por causa de tão grande salvação.

    Agora, qual é a tão grande salvação que encontramos nesses dois capítulos de Hebreus? Hebreus 2:5 diz:

    Porque não foi aos anjos que Ele sujeitou o mundo vindouro, de que falamos.

    Esse é o mundo habitável que há de vir. Talvez precisemos voltar um pouco — voltar a Gênesis.

    Depois que Deus criou os céus e a terra e, em seis dias, restaurou a terra para que fosse habitável, no sexto dia Ele criou o homem. Criou o homem à Sua própria imagem, conforme a Sua semelhança.

    Então, Ele abençoou o homem que havia criado e disse:

    Frutificai, multiplicai-vos, enchei a terra e dominai sobre as aves dos céus, os animais do campo e os peixes do mar.

    Em outras palavras, ao criar o homem à Sua própria imagem, Deus lhe deu a terra para governar. Sujeitou a terra ao domínio do homem que havia criado. Essa é a vontade de Deus.

    É claro que há uma razão para isso — mas não vou contar a vocês. Vocês terão de descobri-la por si mesmos. Quando Deus criou o homem, colocou-o em um mundo habitável e lhe deu o domínio: governar a terra para Deus. Que privilégio!

    Mas, infelizmente, o homem desobedeceu a Deus. O homem caiu em tentação e, ao fazer isso, não apenas perdeu a imagem de Deus, mas também perdeu o domínio sobre a terra.

    Hoje, vocês não conseguem dar ordens nem a um pequeno pardal. Muitas vezes, vocês veem um pardal ali, gostam muito dele e dizem: “Venha aqui”. O pardal não vai obedecer. Se vocês se aproximarem e tentarem fazer amizade com ele, ele vai voar para longe.

    O homem perdeu o domínio — não apenas sobre um tigre ou um leão, mas até mesmo sobre um pardal.

    Mas isso significa que Deus desistiu do homem? Deus desistiu de Seu propósito a respeito do homem? De modo nenhum.

    O propósito de Deus cumprido em Cristo

    Três mil anos depois, o rei Davi, como profeta de Deus, escreveu o Salmo 8:

    Que é o homem, para que Te lembres dele? E o filho do homem, para que o visites? Pois o fizeste um pouco menor do que os anjos, e de glória e honra o coroaste. Fizeste-o dominar sobre as obras das Tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés.

    No que diz respeito à ordem da criação, o homem pertence a uma ordem inferior à dos anjos. Por quê? Porque os anjos são espíritos, enquanto nós temos espírito, alma e corpo. Este corpo realmente nos limita. Um espírito pode estar em qualquer lugar, mas, com este corpo, vocês só podem estar em um lugar.

    Portanto, fomos criados um pouco menores do que os anjos. Contudo, embora o homem tenha sido criado um pouco menor do que os anjos, Deus o coroou de glória e honra e lhe deu domínio sobre as coisas que Ele criou.

    Agora, vocês podem dizer que isso já não é verdade. Em Gênesis 1, quando Deus criou o homem, isso era verdade. Mas o homem perdeu sua herança, seu lugar. Já não é verdade.

    Mas Davi, o doce cantor de Israel, no espírito de profecia, continua dizendo:

    Que é o homem, para que Te lembres dele?

    Deus não desistiu dele. Aquilo que Deus propôs a respeito dele continua de pé. Ele ainda fará com que o homem tenha domínio sobre a terra.

    Então, passaram-se mais mil anos. Quando chegamos a Hebreus 2, encontramos o início do cumprimento do propósito de Deus e de Sua profecia.

    Que é o homem, para que Te lembres dele? Ou o filho do homem, para que o visites? Fizeste-o um pouco menor do que os anjos; de glória e honra o coroaste, e o constituíste sobre as obras das Tuas mãos: todas as coisas sujeitaste debaixo de seus pés.

    Pois, ao sujeitar-lhe todas as coisas, nada deixou que não lhe fosse sujeito. Mas agora ainda não vemos todas as coisas sujeitas a ele. Vemos, porém, Jesus.

    Queridos irmãos e irmãs, o homem segundo o coração de Deus, tal como Deus havia criado Adão, foi procurado durante quatro mil anos. Deus ainda buscava o homem que havia criado e, finalmente, encontrou esse Homem em Jesus.

    Aqui encontramos nosso Senhor Jesus. Embora Ele fosse o Filho de Deus, o eterno Filho de Deus, foi feito um pouco menor do que os anjos. O Verbo Se fez carne. Deus Se encarnou.

    Quando Deus veio para Se tornar homem, foi feito um pouco menor do que os anjos. Como homem, Ele assumiu um lugar inferior ao dos anjos. Mas Deus O coroou de glória e honra e sujeitou todas as coisas a Ele, dando-Lhe todas as coisas.

    Mas ainda não vimos isso plenamente realizado. Vemos apenas Jesus, feito um pouco menor do que os anjos por causa do sofrimento da morte.

    Por que Ele foi feito um pouco menor do que os anjos? Por que precisou Se tornar um homem como vocês e eu? Porque precisava passar pelo sofrimento da morte. Deus não pode morrer. Deus é imortal.

    Para que Deus pudesse morrer, Ele precisou Se tornar homem. A razão de Sua encarnação é que Ele queria sofrer; queria morrer por nós. Porque provou a morte por todos, Deus agora O coroou de glória e honra.

    Ele ressuscitou. Ele ascendeu aos céus. Foi ungido como Senhor e Cristo. Deus Lhe deu todas as coisas, e todas as coisas serão sujeitas a Ele.

    Este é o Homem.

    Muitos filhos conduzidos à glória

    Mas isso é apenas para o próprio Jesus? Não. Se fosse apenas para Ele mesmo, não precisaria Se tornar homem. Como Deus, o Filho de Deus, Ele estava coroado de glória e honra, e todas as coisas Lhe estavam sujeitas. Esse era Seu direito; isso Lhe pertencia.

    Mas Deus deu isso ao homem, e o homem o perdeu. Assim, aqui vemos que o Senhor Jesus veio para recuperá-lo — tirá-lo das mãos do inimigo e recuperá-lo para o homem, para Deus.

    Ele não fez isso apenas para Si mesmo. Fez isso para uma nova humanidade, para aqueles que Ele gerou e que ainda trará à existência.

    Porque não foi aos anjos que Ele sujeitou o mundo vindouro, de que falamos.

    O mundo habitável que há de vir aponta para o milênio que está chegando. Estamos nesta era e, segundo o uso judaico da expressão, quando eles dizem “o mundo vindouro”, referem-se ao tempo em que o Messias virá e estabelecerá Seu reino.

    Queridos irmãos e irmãs, o que é tão grande salvação? Tão grande salvação é isto: Cristo veio. Ele tirou esta terra das mãos do usurpador, Satanás, e a trouxe de volta para Si e para aqueles que redimiu, para que herdem essa herança incorruptível, incontaminada e que não se desvanece.

    Se usarmos uma única palavra para descrevê-la: glória. Glória.

    É por isso que encontramos em Hebreus 2:10:

    Porque convinha Àquele, para Quem são todas as coisas e por meio de Quem são todas as coisas, ao conduzir muitos filhos à glória, aperfeiçoar, por meio de sofrimentos, o Autor da salvação deles.

    Aqui encontramos as palavras “a salvação deles”. O que significa essa salvação? Essa salvação significa glória.

    Irmãos e irmãs, não se trata apenas de ter nossos pecados perdoados. É claro que carregar o pecado sobre nós é vergonhoso, condenatório e desprezível. Ter nossos pecados perdoados é uma experiência de grande alegria; isso é verdade.

    Mas, queridos irmãos e irmãs, o que Deus tem em mente para nós é muito maior do que simplesmente ter nossos pecados perdoados. O que Deus tem em mente é nos conduzir à glória.

    Cristo está agora na glória. Um dia, Ele conduzirá muitos filhos para compartilhar Sua glória, compartilhar Seu reinado, compartilhar Seu trono, governar nesta terra sobre todas as coisas, como herdeiros e coerdeiros com Cristo. Irmãos e irmãs, isso não é grandioso?

    Mas lembrem-se: como Ele conduzirá muitos filhos à glória? Ele já entrou na glória. Percorreu o caminho do sofrimento, para que o Autor da salvação deles fosse aperfeiçoado por meio do sofrimento.

    Foi por meio de Seu sofrimento que Ele foi aperfeiçoado. Ele é perfeito e, ainda assim, precisava ser aperfeiçoado, porque, em Hebreus 5, encontramos que, embora fosse Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu, para Se tornar o Autor da salvação eterna.

    Nosso Senhor Jesus não apenas providenciou a salvação para nós; também providenciou um caminho para essa salvação. O caminho passa pelo sofrimento.

    A união com Cristo e o crescimento para a maturidade de filhos

    Encontramos estas palavras:

    Porque tanto Aquele que santifica como os que são santificados são todos de Um; por essa razão, Ele não Se envergonha de lhes chamar irmãos.

    Aquele que santifica é o Senhor Jesus. Os santificados somos nós. Somos todos de um. Em outras palavras, estamos unidos a Ele.

    Primeiro, Ele veio para Se unir a nós. Nós éramos de carne e sangue, por isso Ele participou de carne e sangue para Se unir a nós, a fim de morrer por nós. Agora, vemos que Ele nos uniu a Si.

    Aquele que santifica e os que são santificados são todos de um, e Ele nos chama irmãos. Não é maravilhoso? Ele nos chama irmãos — homens ou mulheres, somos todos irmãos para Ele. Por quê? Porque compartilhamos Sua vida. Somos Seus irmãos.

    Em Hebreus 2:12, Ele diz:

    Anunciarei o Teu nome aos Meus irmãos; no meio da congregação, cantarei o Teu louvor.

    Somos Sua congregação, Sua igreja. Por meio de Sua morte e ressurreição, estamos unidos a Cristo. Por isso Ele diz:

    Vai e dize a Meus irmãos: Subo para Meu Pai e vosso Pai, Meu Deus e vosso Deus.

    Nós nos tornamos Seus irmãos e nos tornamos Sua congregação — isto é, Sua igreja.

    Ele cantará louvores na congregação, e nós nos tornamos Seus filhos, aqueles que Deus Lhe deu. Pensem nisso. Ao crermos no Senhor Jesus, somos Seus filhos, Seus irmãos e irmãs — não apenas bebês.

    Começamos como bebês, mas Ele há de conduzir muitos filhos à glória. Pensem nisso. Quando vocês creem no Senhor Jesus, tornam-se filhos de Deus, bebês em Cristo. Mas não permaneçam como bebês, porque, se permanecerem assim, o propósito de Deus não poderá ser realizado.

    Deus quer que vocês governem e reinem com Cristo em glória. Deus quer colocar todas as coisas debaixo dos pés de vocês, assim como colocou todas as coisas debaixo dos pés de Cristo. Vocês podem fazer isso sendo apenas bebês? Não conseguem dar conta.

    Vocês precisam crescer até a maturidade de filhos. Deus quer filhos — filhos e filhas maduros. É isso que Deus quer. Precisamos crescer.

    O que significa crescer? Significa que a medida de Cristo em nós precisa aumentar. Cristo precisa aumentar em nós, e nós precisamos diminuir. Então estamos crescendo. Crescemos até a maturidade de filhos.

    Um dia, na manifestação dos filhos de Deus, toda a terra será transformada. Hoje, a terra geme porque está sujeita à corrupção e à vaidade.

    O mundo inteiro é vaidade — vaidade, sem propósito. Toda a terra está corrompida. Tudo está corrompido. Olhem para as árvores. Na primavera, elas estão cheias de folhas, e isso é maravilhoso. Mas não dura muito.

    Não quero ser pessimista, mas o outono vem, o inverno vem, e a árvore fica nua. Corrompida. Tudo está corrompido. Tudo é vão — sem propósito.

    Toda a criação está sujeita à vaidade e à corrupção. Mas um dia, quando os filhos de Deus forem manifestados, quando o Filho de Deus conduzir muitos filhos à glória, quando o Filho unigênito for o primogênito entre muitos irmãos, o mundo inteiro será restaurado.

    Maravilhoso. E isso é tão grande salvação — nada menos do que isso.

    O chamado a atentar com diligência

    Queridos irmãos e irmãs, vocês estão entusiasmados com isso? Pensem na tão grande salvação que Cristo nos anunciou e para a qual nos chamou.

    Por causa da grandeza do tema, da grandeza do assunto, somos encorajados e exortados a atentar mais diligentemente para as coisas que ouvimos. Precisamos prestar muito mais atenção ao que ouvimos.

    Muitas pessoas ouvem, mas não ouvem, porque o coração delas não está ali.

    Vocês se lembram da parábola do semeador. Quando a palavra é espalhada, algumas sementes caem à beira do caminho, endurecido pelo pisar dos pés. Em outras palavras, o trânsito do mundo é tão intenso que o coração fica endurecido pelas coisas do mundo, e a semente não consegue entrar nele.

    Uma pessoa pode ouvir, mas não ouve. As aves — Satanás — vêm e levam a semente embora. Portanto, ela não ouviu.

    Ou o coração de vocês pode ser como um terreno pedregoso. Há pedra por baixo e apenas uma camada muito fina de terra. A semente cai e começa a brotar, mas não tem raiz. Quando chega a tribulação, ela desaparece.

    Ou pode ser um terreno com espinhos. A semente entra e começa a crescer, formando uma haste, mas não consegue dar fruto, porque as ervas daninhas, os espinhos e os abrolhos roubam todo o alimento. Os espinhos impedem o fruto; ele não chega a amadurecer.

    Somente o terreno, o coração, que foi lavrado, revolvido, amolecido e preparado pode receber a palavra. Então, a palavra cairá no coração e, com perseverança, dará fruto — a cem, a sessenta e a trinta por um — para a glória de Deus.

    Queridos irmãos e irmãs, prestem muita atenção ao que ouvem. Cuidem para que o coração de vocês esteja nisso. Caso contrário, ouvirão como se não tivessem ouvido.

    A confirmação abundante de Deus

    Esta expressão, “mais abundantemente”, é usada uma segunda vez em Hebreus 6:17. Ali está escrito:

    Pelo que Deus, querendo mostrar mais abundantemente aos herdeiros da promessa a imutabilidade do Seu conselho, interpôs-Se com juramento.

    Aqui encontramos “mais abundantemente” da parte de Deus. Ele quer nos mostrar a imutabilidade, o caráter inalterável de Seu propósito. Por isso, Ele nos dá Sua verdade mais abundantemente.

    Tudo o que Deus diz é verdade. Ele não precisa fazer um juramento, mas o faz para nos encorajar mais abundantemente. Queridos irmãos e irmãs, em resposta a essa graça tão abundante, certamente precisamos prestar uma atenção ainda maior. Ouçamos.

    A advertência contra a negligência

    Então vem a advertência:

    Para que, de maneira alguma, nos desviemos.

    Esta expressão, “nos desviemos”, no original, tem sido explicada de três maneiras diferentes. O grego original é muito rico, mas, quando o traduzimos para o inglês, só conseguimos expressar uma de suas nuances de significado.

    O perigo do vazamento

    Alguns dizem que essa palavra significa “escoar”, como acontece com um recipiente que vaza. Suponham que vocês tenham um recipiente com furos e tentem buscar água com ele. Vão ao rio, recolhem a água e a levam para casa; mas, quando chegam em casa, toda a água se foi. Por quê? Porque ela vazou inteiramente.

    Tenham cuidado com o que ouviram, para que não vaze nem escorra. Isso não é verdade? Muitas vezes, vocês vêm a uma reunião e ouvem a Palavra de Deus, mas, depois que saem pela porta, se alguém lhes pergunta o que ouviram, não conseguem se lembrar nem de uma palavra. Tudo vazou.

    Não é estranho que consigamos nos lembrar de tantas coisas, mas, quando se trata das coisas de Deus, não conseguimos lembrar? Elas vazaram.

    Cuidado para que tudo o que ouviram não escoe de um recipiente que vaza. Ah, que não sejamos recipientes que vazam — que ouviram muito, mas retiveram muito pouco. Isso não produz o que deveria produzir.

    Ah, como precisamos ser cuidadosos diante de Deus!

    O perigo do esquecimento

    Outra maneira de expressar isso é “escapar”. Muitas vezes, dizemos: “Bem, isso me escapou da memória. Simplesmente não me lembro”. Por que escapa? Por que escapa da memória de vocês? Porque, antes de tudo, o coração de vocês não está nisso.

    Se o coração de vocês realmente estiver nisso, não poderá escapar; não escapará. Por que vocês se lembram de tantas coisas? Porque o coração de vocês está nelas.

    Suponham que alguém faça algo errado contra vocês. Vocês nunca conseguem esquecer. Por quê? Porque isso toca o coração de vocês; vocês se lembram. Mas, quando alguém faz algo bom por vocês, podem facilmente esquecer. Tratam aquilo como algo normal, garantido.

    Cuidado para que, de maneira alguma, isso escape de vocês. Já que pode escapar, segurem firme.

    Como seguramos firme? Irmãos e irmãs, quando ouvimos a Palavra de Deus e simplesmente vamos embora, somos quase como aquelas pessoas que encontramos no livro de Tiago: olham no espelho, depois se viram e esquecem como são.

    Muitas pessoas são assim. Ouvimos a Palavra, vamos para casa, e tudo escapa. Como podemos retê-la e fixá-la?

    Unam-na à fé. Orem sobre ela até assimilá-la. Isso a reterá e a fixará, para que não escape simplesmente.

    É por isso que sempre é bom orarmos ao final de uma mensagem: para fixá-la, para retê-la. Não apenas algumas orações aqui, mas, mesmo depois de chegarem em casa, pensem nela, meditem nela, orem sobre ela e deixem que seja fixada no coração de vocês. Então ela não escapará.

    O perigo de ficar à deriva

    Outra maneira de expressar isso é “afastar-se à deriva”. É como um navio no rio, na água. Pode haver uma tempestade, e o navio está navegando em direção a um porto seguro.

    Mas, se vocês não se esforçarem para conduzir o navio e o deixarem à deriva, a tempestade e o vento o afastarão do porto ao qual desejam chegar. Vocês simplesmente estarão se afastando à deriva.

    Queridos irmãos e irmãs, como isso é verdade! Muitas vezes, não conseguimos alcançar aquilo que Deus providenciou para nós porque não fazemos esforço algum. Simplesmente deixamos nossa vida à deriva.

    Se vocês deixarem sua vida à deriva, a correnteza os levará para longe de Deus, não para perto de Deus. Um peixe vivo precisa nadar contra a correnteza. Quando ele segue a correnteza, vocês sabem que é um peixe morto.

    Queridos irmãos e irmãs, não fiquem à deriva. Se ficarem à deriva, não chegarão ao porto.

    O terrível em ficar à deriva é que isso não acontece de repente. É algo que vai acontecendo na vida de vocês dia após dia, hora após hora, sem que percebam.

    Vocês podem imaginar um homem em uma canoa, em um lago ligado às cataratas do Niágara. A água está tranquila, o sol está agradável; então ele larga o remo, recosta-se e deixa a canoa à deriva. Pensa que tudo está bem, até que, de repente, chega à beira das cataratas. É tarde demais.

    Isso é ficar à deriva. Queridos irmãos e irmãs, nossa vida cristã não pode se dar ao luxo de ficar à deriva.

    O que Deus nos deu — tão grande salvação — é precioso demais. Não podemos permitir que escape. Vocês não podem deixar que escoe. Apeguem-se a isso. Como a Bíblia diz:

    Toma posse da vida eterna.

    Tomem posse dela.

    A negligência como escolha deliberada

    Por que vocês deixam escapar? Por que ficam à deriva? Porque estão sendo negligentes. Negligência: essa é a razão.

    Vocês não precisam cometer algo terrível. Basta negligenciar. É só isso que precisam fazer. Apenas por negligenciá-lo, vocês o perdem.

    A palavra negligenciar, no Novo Testamento, é usada não apenas aqui:

    Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?

    Ela também aparece em três outras passagens.

    Uma delas é Hebreus 8:9. Ali encontramos:

    Porque não permaneceram na Minha aliança, e Eu não atentei para eles, diz o Senhor.

    As palavras “não atentei para eles”, ou “os desconsiderei”, no original, correspondem à mesma palavra traduzida por “negligenciar”. Deus disse: “Desconsiderei Minha aliança”. Por quê? Porque eles haviam primeiro violado Sua aliança.

    Uma aliança é estabelecida entre duas partes. Quando uma parte viola os termos da aliança, a outra tem todo o direito de desconsiderá-la, de declará-la nula e sem efeito. Foi isso que Deus fez. Ele declarou aquela aliança nula e sem efeito; desconsiderou-a.

    Portanto, negligenciar não significa apenas ser descuidado. Significa pôr deliberadamente de lado aquilo a que vocês deveriam prestar atenção ou aquilo que deveriam fazer.

    Irmãos e irmãs, não pensem que negligência é apenas descuido. Às vezes, negligência é descuido; isso é verdade. Mas, às vezes, negligência é mais do que descuido — é deliberada.

    Como é pecaminoso negligenciarmos deliberadamente tão grande salvação, anunciada a nós pelo Filho de Deus, confirmada pelo Pai celestial e estabelecida pelo Espírito Santo! Como podemos deliberadamente desconsiderar e negligenciar tão grande salvação?

    Outra passagem é 1 Timóteo 4:14. Paulo diz:

    Não negligencies o dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbitério.

    Ali, a palavra “negligenciar” tem o sentido de continuidade. Em outras palavras, não se trata de negligenciar apenas uma vez, mas de negligenciar repetidamente, até que isso se torne um hábito.

    A negligência pode se tornar um hábito. Pode ser habitual. Se vocês negligenciam, negligenciam, negligenciam, aquilo se vai. Vai embora.

    O dom que Deus lhes deu — se vocês o negligenciarem na primeira vez em que o Espírito Santo os mover a exercê-lo, depois o negligenciarem na segunda vez e continuarem a negligenciá-lo —, perceberão que é como se não o tivessem.

    Então, em Mateus 22:5, na parábola da festa de casamento, está escrito:

    Mas eles não fizeram caso.

    Uma festa, uma festa de casamento, foi preparada, e pessoas foram convidadas. Mas, quando foram chamadas a vir, não fizeram caso. Consideraram outras coisas mais importantes.

    Consideraram os bois que haviam comprado mais importantes. Consideraram o campo que haviam comprado mais importante. Consideraram suas esposas e seu casamento mais importantes do que o filho do rei.

    Queridos irmãos e irmãs, se não fazemos caso de tudo o que Cristo nos anunciou — tão grande salvação —, nós o negligenciamos. Não tratem isso como algo sem importância. Deem-lhe a prioridade máxima.

    Lembro-me de Andrew Murray dizer que a fraqueza e a enfermidade da vida cristã de hoje se devem ao fato de não dedicarmos a Deus e à Sua Palavra uma atenção intensa, uma atenção cuidadosa e a prioridade devida.

    É assim que acontece.

    A responsabilidade decorrente de um grande privilégio

    Assim, queridos irmãos e irmãs, aqui encontramos a primeira exortação. Por causa da extraordinária grandeza do tema — tão grande salvação —, somos encorajados a prestar muita atenção. Somos advertidos a não negligenciá-la.

    Como escaparemos? Se vocês a negligenciarem, não apenas a perderão — isto é, não poderão entrar na glória e reinar com Cristo durante os mil anos do milênio. Ah, o que vocês terão perdido!

    Mas o pior é isto: como vocês escaparão? Escaparão de quê? Perder algo é uma coisa, e já é ruim o suficiente; mas não escapar de algo terrível é outra coisa.

    Do que vocês não escaparão? Leiam novamente. Hebreus 2:2 diz:

    Porque, se a palavra falada por meio de anjos se mostrou firme, e toda transgressão e desobediência recebeu justa retribuição;

    Pensem nisso. As palavras proferidas por anjos são as palavras da lei. Se alguém violar a palavra da lei, receberá justa retribuição.

    Voltem ao Antigo Testamento e leiam sobre aquelas pessoas que desobedeceram à lei de Deus e a transgrediram. O que lhes aconteceu? Justa retribuição. Receberam aquilo que mereciam.

    Como escaparemos, se tivermos negligenciado tão grande salvação? Irmãos e irmãs, o princípio é este: quanto maior o privilégio, maior a responsabilidade — e maior a retribuição.

    Pensem nisso. Não vou entrar nos detalhes, mas apenas apresentar a advertência. Que o Senhor tenha misericórdia de nós.

    Vamos orar?

    Querido Pai celestial, ah, nosso coração clama a Ti. Que graça, que misericórdia, que salvação Tu nos anunciaste e providenciaste para nós!

    Ah, que possamos ouvir, que possamos ver, que possamos acolher isso no coração, que possamos prestar muita atenção e dedicar nossa vida a isso; que não o percamos, não o deixemos escapar, não o deixemos escoar nem passemos à deriva.

    Senhor, oramos para que não sejamos pessoas negligentes, mas um povo diligente para Contigo. Pedimos em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.