Por favor, abram no Evangelho segundo Marcos.
Marcos 1:1:
Princípio das boas-novas de Jesus Cristo, Filho de Deus.
Marcos 10:45:
Pois também o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida em resgate por muitos.
Marcos 16:19-20:
Portanto, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu e assentou-Se à direita de Deus.
E eles, tendo partido, pregaram por toda parte, cooperando com eles o Senhor e confirmando a palavra por meio dos sinais que a acompanhavam.
Voltemo-nos para o Senhor.
Amado Pai Santo, como Te louvamos e agradecemos por nos teres dado o Teu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo. Oh, quanto desfrutamos Dele, O apreciamos, O amamos e O adoramos.
E agora, Pai, pedimos que, mais uma vez, pelo Teu Espírito Santo, reveles mais do Teu Filho a nós, para que possamos conhecê-Lo mais, amá-Lo mais e permitir que Ele nos tenha mais para Si. E a Ele sejam todo o louvor e toda a glória. Em nome de nosso Senhor Jesus, amém.
Toda Escritura é divinamente inspirada. Ou, literalmente, toda Escritura é soprada por Deus.
O propósito de toda Escritura é um só: revelar o Senhor Jesus Cristo. Seja qual for a forma da Escritura — biográfica, histórica, profética, poética ou qualquer outra —, ela existe para esse único propósito: revelar Jesus Cristo.
Portanto, ao tocarmos na Escritura, devemos tocar no Senhor Jesus. Se lemos a Escritura e não tocamos na Palavra viva, nosso Senhor Jesus, então descobriremos que perdemos de vista todo o propósito das Escrituras.
Na última vez, mencionamos que o Evangelho segundo Mateus é biográfico. Ele nos apresenta a história de nosso Senhor Jesus. Mas é mais do que biográfico; é espiritual. Não é apenas histórico; é uma revelação — uma revelação do Senhor Jesus para nós.
Em Mateus, vemos que o Senhor Jesus é o Rei, o Rei de Deus. E como o Rei de Deus é diferente da concepção humana! Ele é Rei porque é humilde. Ele é Rei porque morreu na cruz. E está nos chamando para o Seu reino, para que também possamos participar de Sua natureza real.
Nesta manhã, vamos considerar juntos o Evangelho segundo Marcos. Muito provavelmente, dos quatro Evangelhos, o Evangelho segundo Marcos foi o primeiro a ser escrito. Mas, na ordenação soberana de Deus, ele foi colocado em segundo lugar. O Evangelho segundo Mateus foi colocado em primeiro. Por quê?
Do ponto de vista de Deus, Ele quer que vejamos Jesus como Rei, para que Lhe prestemos obediência, lealdade e adoração. Então, no Evangelho segundo Marcos, vemos que o Senhor Jesus é o Servo do Senhor.
Na compreensão humana, rei e servo são opostos. Na verdade, a palavra servo significa escravo. Rei e escravo estão em dois extremos opostos. Não conseguimos colocar os dois juntos.
Quando pensamos em um rei, ele está lá no alto, cheio de autoridade, dando ordens e sendo obedecido pelas pessoas. Mas, quando pensamos em um escravo, um servo, ele está lá embaixo, sem nenhum direito próprio. Cabe a ele servir; cabe a ele obedecer.
Mas, queridos irmãos e irmãs, segundo a compreensão divina, esses dois — rei e servo — são complementares. Ou podemos dizer que são um só. Por quê? Porque vocês se lembram de que o Senhor Jesus disse que, no mundo, os que governam exercem domínio e autoridade sobre os outros. Mas o Senhor disse:
Não é assim entre vós.
Se vocês querem ser grandes, precisam aprender a ser servos. Se querem ser os primeiros, precisam aprender a ser escravos. Porque o Senhor Jesus disse:
Pois também o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida em resgate por muitos.
Aqui vemos que aquele que serve é o rei. O Rei serve. Essa é a concepção divina. E, naturalmente, vemos na vida de nosso Senhor Jesus que Ele é o Servo exemplar.
Quando vocês abrem o Evangelho segundo Marcos, a primeira frase é:
Princípio das boas-novas de Jesus Cristo, Filho de Deus.
Vocês não encontram nenhum registro de Sua genealogia, como encontram em Mateus. Não encontram nenhum registro de Seu nascimento, como encontram em Lucas. Nenhuma genealogia, nenhuma menção ao nascimento. Por quê?
Porque quem se importa com a genealogia e o nascimento de um escravo? Um escravo não é nada; ele não é ninguém. E essa é a razão pela qual não encontramos esse tipo de registro no Evangelho segundo Marcos.
Mas, quando vocês leem a primeira frase:
Princípio do evangelho de Jesus Cristo.
Esse é o evangelho de Jesus Cristo como o Servo do Senhor. No entanto, imediatamente o texto diz:
Filho de Deus.
Essa é uma combinação estranha.
Esse Evangelho tem o propósito de nos revelar Jesus como o escravo de Deus: ninguém, nada. E, no entanto, esse escravo de Deus é o Filho de Deus. É claro que um escravo não é ninguém, mas o Filho de Deus está acima de todos. Como isso pode ser?
Sabemos que é assim porque lemos em Filipenses 2 que Ele, que é igual a Deus, que tem a própria natureza de Deus, porque Ele é Deus, não considerou a igualdade com Deus algo a que devesse Se apegar. Mas esvaziou-Se a Si mesmo. Fez-Se nada.
É claro que Ele não poderia Se esvaziar de Sua divindade; isso é impossível, porque Ele é Deus. Mas esvaziou-Se de toda a glória, a honra, a majestade e a adoração ligadas à divindade. Esvaziou-Se para Se tornar nada.
Então tomou sobre Si a forma de servo, de escravo — ou, em outras palavras, a própria natureza de um escravo. Sendo encontrado em semelhança de homens, humilhou-Se, tornando-Se obediente a Deus até a morte, sim, a morte de cruz.
Assim, irmãos e irmãs, aqui encontramos o Filho de Deus, que é igual a Deus e, no entanto, para que o plano de Deus pudesse se realizar, voluntariamente fez-Se nada e tomou sobre Si a própria natureza de um escravo. Colocou-Se sob o governo de Deus, Seu Pai, e foi obediente até a morte, a morte de cruz.
Vocês sabem que, em Marcos 12, há uma parábola sobre um homem que possuía uma vinha. Ele arrendou a vinha a lavradores. Na época da colheita, enviou servos para receber os frutos, mas os lavradores os expulsaram. Enviou outro grupo de servos; chegaram até a matá-los. Enviou mais servos, mas rejeitaram todos eles.
Por fim, o dono disse: “Tenho um filho unigênito. Vou enviá-lo. Talvez o respeitem”. É claro que sabemos como a história termina. Mas aqui vemos que Deus enviou Seu Filho a este mundo como Seu Filho, porque o Filho é o Servo de Deus.
Antes de prosseguirmos, gostaria de aplicar a nós mesmos esse princípio da filiação e do serviço. Sabem de uma coisa, irmãos e irmãs? Ninguém pode servir a Deus. Nenhum serviço é aceitável a Deus a menos que seja realizado pela vida do Filho de Deus.
Em outras palavras, se queremos servir a Deus, se queremos ser servos de Deus, não podemos servi-Lo com nossa vida natural, essa vida adâmica caída. Mesmo com o melhor de nosso conhecimento, intenção, experiência e energia, se tentarmos servir a Deus a partir de nós mesmos e com nossos próprios recursos, seremos inteiramente rejeitados.
Deus não aceitará nem pode aceitar esse serviço. Quantos hoje estão tentando servir a Deus com sua própria sabedoria e força? Pensam que estão prestando um serviço a Deus, mas sabemos que estão prestando um desserviço a Ele.
Somente quando servimos a Deus com a vida de Cristo em nós, somente quando servimos a Deus com a energia do Espírito Santo, somente quando servimos a Deus com a mente de Cristo — irmãos e irmãs, essa é a única maneira de servirmos a Deus, e esse é o único serviço em que Deus tem prazer.
Há aqui um princípio básico: o princípio da filiação e do serviço. Não se trata apenas de um servo fazendo alguma coisa; é preciso ser um filho que tenha a própria vida e a própria mente necessárias para servir ao Deus a Quem servimos.
Antes de o Senhor Jesus vir a este mundo, Sua vinda foi profetizada no Salmo 40. O Salmo 40 é uma profecia.
Salmos 40:6-8:
Sacrifício e oferta não desejaste;
Ouvidos preparaste para Mim.
Holocausto e oferta pelo pecado não exigiste.
Então disse Eu: Eis que venho;
No rolo do livro está escrito a Meu respeito:
Fazer a Tua boa vontade, Meu Deus, é o Meu prazer,
E a Tua lei está dentro do Meu coração.
Isso profetiza a vinda do Servo de Deus, o Filho. Ele disse:
Sacrifício e oferta não desejaste.
Em certo sentido, isso é estranho, porque, para o povo do Antigo Testamento, sacrifícios e ofertas eram aquilo que Deus exigia. Mas aqui encontramos:
Sacrifício e oferta não desejaste;
Ouvidos preparaste para Mim.
No original, isso significa um ouvido que foi escavado ou perfurado. Segundo o Antigo Testamento, um escravo por amor não queria sair em liberdade. Então o senhor levava esse escravo até a porta e furava sua orelha. Aquele escravo se tornava escravo por toda a vida, um escravo por amor.
Deus não deseja meramente uma oferta ou um sacrifício. O que Ele realmente deseja é um ouvido que tenha sido perfurado.
Eis que venho;
No rolo do livro está escrito a Meu respeito.
Isto é, na Bíblia.
Fazer a Tua boa vontade, Meu Deus, é o Meu prazer.
O prazer de nosso Senhor Jesus, como o Servo de Deus, é fazer a vontade de Deus, porque a lei de Deus está dentro de Seu coração. É claro que sabemos que isso se cumpriu plenamente na vida de nosso Senhor Jesus. Em Hebreus 10, encontramos essa passagem citada como algo que se cumpriu na vida de nosso Senhor.
Portanto, o Senhor Jesus é o Servo do Senhor. Ele veio para fazer a vontade de Deus.
Lembrem-se, irmãos e irmãs: quando lemos o Evangelho, vemos que nosso Senhor Jesus, enquanto esteve na terra, era muito ocupado. Ele pregava, curava, expulsava demônios, confortava as pessoas, dizia muitas palavras, fazia muitas coisas e viajava de um lugar para outro. Vivia uma vida muito ocupada e supria as necessidades das pessoas.
Mas lembrem-se de uma coisa: embora estivesse muito ocupado com muitas coisas, e embora fizesse muitas coisas e dissesse muitas palavras, como Servo do Senhor, Ele não fazia tudo isso simplesmente porque havia necessidades.
Ele fazia todas essas coisas para cumprir a vontade de Deus. O que governava Sua vida, Seus movimentos e Suas ações não eram as necessidades, as pessoas, o ambiente ou o trabalho. O que realmente governava Sua ação era a vontade do Pai.
Em outras palavras, como Servo do Senhor, Ele veio para fazer a vontade de Seu Pai. Essa é a própria natureza de Seu serviço. Vocês não podem pressioná-Lo a realizar um trabalho qualquer. Não podem dizer: “Senhor, aqui há uma necessidade. Atende-a”.
É verdade que Ele é uma Pessoa cheia de compaixão, mas não é governado pelas necessidades. É governado pela vontade do Pai.
Eis que venho para fazer a Tua vontade.
Essa é a própria natureza de Seu serviço.
Ora, se essa é a natureza de Seu serviço, qual deve ser a natureza de nosso serviço a Deus? Em certo sentido, todos fomos salvos para servir. Como vemos em 1 Tessalonicenses, eles se converteram dos ídolos para servir ao Deus vivo. Cada um de nós deve servir a Deus. Mas como servimos? Qual é a natureza de nosso serviço?
O Senhor Jesus disse:
Tomai sobre vós o Meu jugo e aprendei de Mim;
Porque sou manso e humilde de coração:
E encontrareis descanso para as vossas almas.
Porque o Meu jugo é suave, e o Meu fardo é leve.
O Senhor Jesus disse:
Tomai sobre vós o Meu jugo.
Ele quer que estejamos unidos a Ele sob o mesmo jugo.
O Senhor Jesus nunca esteve sob o jugo do pecado. Vocês se lembram de que, em Números 19, quando os filhos de Israel estavam no deserto, Deus providenciou um meio de purificação. Eles deveriam tomar uma novilha vermelha que nunca tivesse estado sob um jugo. Essa novilha vermelha deveria ser completamente queimada até se tornar cinzas, e suas cinzas seriam misturadas com água viva para purificar os que estivessem contaminados.
Nosso Senhor Jesus é como aquela novilha vermelha. Ele nunca esteve sob nenhum jugo de pecado. Todos nós estivemos sob o jugo de ferro do pecado, mas nenhum jugo de pecado jamais poderia recair sobre nosso Senhor Jesus. Ele era completamente livre.
No entanto, nosso Senhor Jesus voluntariamente colocou o pescoço sob um jugo. Ele nunca esteve sob o jugo do pecado, mas voluntariamente colocou o ombro sob o jugo da vontade do Pai. Então disse:
Tomai sobre vós o Meu jugo.
Antigamente, não havia tratores; por isso, usavam bois, cavalos ou jumentos. Quando um agricultor ia arar a terra, tomava um boi ou um cavalo e o colocava sob um jugo. O jugo representava a vontade do agricultor, porque, quando um boi estava sob o jugo, estava sob a vontade de seu senhor.
Às vezes, para realizar o trabalho de maneira mais eficaz, em vez de um boi, usavam dois bois ou dois cavalos. De um lado ficava um animal que havia sido treinado, disciplinado, domado e que conhecia a vontade do senhor. Para domar um novo animal, o agricultor o colocava do outro lado do jugo.
Um animal é treinado, disciplinado, domado, obediente e faz a vontade do senhor. O outro não é domado, é inexperiente, não está acostumado e tem vontade própria. À medida que o agricultor os conduz, o animal treinado segue inteiramente a vontade do senhor. O que não foi domado quer seguir seu próprio caminho, mas o animal treinado é mais forte e o puxa de volta.
Aos poucos, o animal não domado aprende com o que foi domado. É isso que o Senhor Jesus disse:
Tomai sobre vós o Meu jugo.
Se vocês querem servir a Deus, há apenas uma maneira: precisam tomar sobre si o jugo de nosso Senhor Jesus. Ele está de um lado, e vocês precisam colocar o pescoço sob o outro lado.
Em 2 Coríntios 6, somos instruídos:
Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos.
Que comunhão há entre a justiça e a iniquidade, entre a luz e as trevas, entre Cristo e Belial, entre os crentes e os incrédulos, ou entre o templo de Deus e os ídolos? Não há acordo, participação nem comunhão. Portanto, não devemos nos colocar em jugo desigual com os incrédulos.
Infelizmente, muitos crentes hoje estão em jugo desigual com o mundo. Mas o Senhor Jesus diz: “Unam-se a Mim sob o mesmo jugo”.
Tomai sobre vós o Meu jugo.
É verdade: quando o jugo é colocado sobre vocês, vocês o sentem. Queremos ser livres — “Dê-me liberdade ou dê-me a morte”. Mas, queridos irmãos e irmãs, se realmente queremos servir a Deus, há apenas uma maneira: precisamos tomar sobre nós o jugo de Cristo.
O jugo de Cristo é a vontade de Deus. Vocês precisam estar sob o jugo da vontade de Deus. Não devem estar sob o jugo de um trabalho. Não devem estar sob o jugo de uma necessidade. Sim, vocês suprirão uma necessidade e realizarão um trabalho, mas não estão sob o jugo do trabalho.
Muitos servos de Deus estão sob o jugo do trabalho. Querem que o trabalho seja bem-sucedido e farão qualquer coisa para que tenha sucesso, até mesmo comprometendo a vontade de Deus. Por quê? Porque estão sob o jugo do trabalho; não estão sob o jugo da vontade de Deus.
Irmãos e irmãs, precisamos estar sob o jugo da vontade de Deus. À medida que nos submetemos a essa vontade, a obra de Deus pode ser realizada. Mas temos muito a aprender. Naturalmente, nos rebelamos contra ela; naturalmente, lutamos contra ela. Mas, graças a Deus, do outro lado está o Senhor Jesus.
Enquanto lutamos e fazemos força, olhemos para o Senhor. Aos poucos, somos quebrantados e domados e, assim, aprendemos a nos submeter à vontade de Deus. Portanto, queridos irmãos e irmãs, quanto à natureza do serviço, ela é a vontade de Deus — não o trabalho em si, mas a vontade.
Para que uma pessoa sirva a Deus em Sua obra, há algo de extrema importância: o caráter.
O discipulado significa, por um lado, a formação do rei. Quando vocês respondem ao chamado para o discipulado, colocam-se sob a disciplina do Senhor. Então percebem que Seu caráter real começa a ser formado em vocês.
Mas, ao mesmo tempo, o discipulado é o treinamento do servo. No discipulado, vocês estão sendo treinados para ser servos do Senhor, e o caráter de servo está sendo formado em vocês.
No livro de Watchman Nee, O Obreiro Cristão Normal, há um parágrafo:
A vida diária de um obreiro cristão está intimamente relacionada ao seu trabalho.
Para estar qualificado para o serviço espiritual, um homem não deve apenas ter certa medida de experiência espiritual, mas também deve possuir determinado tipo de caráter.
O caráter do obreiro deve ser adequado ao caráter da obra.
O desenvolvimento do caráter de um homem não acontece em um dia.
Se um obreiro há de possuir as qualidades necessárias para o serviço ao Senhor, então muitas questões práticas relacionadas à sua vida diária terão de ser examinadas.
Velhos hábitos terão de ser abandonados, e novos hábitos, formados por meio de um processo de disciplina; e um ajuste fundamental terá de ocorrer na vida para colocá-la em harmonia com a obra.
Aqui vemos como é importante que o caráter do servo seja adequado ao caráter do serviço. Se queremos servir a Deus — se o caráter de nosso serviço é fazer a vontade de Deus —, então há um determinado caráter que precisa ser desenvolvido em nossa vida.
Esse caráter é uma questão diária. Precisa ser desenvolvido aos poucos. Haverá muitos ajustes. Velhos hábitos precisam ser abandonados, novos hábitos precisam ser formados, e deve haver uma transformação acontecendo dentro de nós, para que possamos ter o caráter necessário para realizar o trabalho de um servo.
No caso de nosso Senhor Jesus, isso é perfeito. O caráter de servo de nosso Senhor Jesus corresponde completa e perfeitamente ao caráter de Sua obra, porque Ele é o Servo exemplar. Esse tipo de caráter de servo precisa ser formado dentro de nós.
Vocês conseguem imaginar uma pessoa realizando uma obra de Deus sem que esse caráter de servo tenha sido formado nela? O que acontecerá com a obra? É impossível.
Provavelmente, uma das características importantes de um servo é a diligência. Ao lerem o Evangelho segundo Marcos, vocês encontram uma palavra repetida muitas vezes — trinta e sete vezes, na verdade. Qual é essa palavra? “Imediatamente”, “logo” ou “sem demora”, dependendo da tradução.
Por que essa palavra é usada trinta e sete vezes? Porque o Evangelho segundo Marcos revela Cristo como o Servo de Deus. Como Servo de Deus, Ele é diligente. Está realizando diligentemente a obra de Deus. Ele não diz: “Bem, amanhã”. Imediatamente. Logo. Sem demora.
Marcos 1:10 diz:
E logo, ao sair da água, Ele viu os céus se abrindo e o Espírito, como uma pomba, descendo sobre Ele.
Marcos 1:12 diz:
E imediatamente o Espírito O impele para o deserto.
Marcos 1:21 diz:
E entram em Cafarnaum; e logo, no sábado, Ele entrou na sinagoga e ensinava.
Marcos 5:36 diz:
Mas Jesus, não dando atenção à palavra que fora dita, diz ao chefe da sinagoga: Não temas, crê somente.
Quando o servo veio e disse: “Não incomodes o Mestre, porque tua filha morreu”, o Senhor imediatamente confortou o pai e disse:
Não temas, crê somente.
Marcos 6:50 diz:
Mas Ele logo falou com eles e lhes disse: Tende bom ânimo: sou Eu; não temais.
Estou usando apenas algumas ilustrações, mas, ao longo do Evangelho segundo Marcos, essa palavra é repetida trinta e sete vezes. Ela nos mostra um Servo diligente.
Deus nunca pode usar uma pessoa preguiçosa. Acho que D. L. Moody disse: “Deus nunca salva uma pessoa preguiçosa; ela é preguiçosa demais para ser salva”. Todos os que foram ou estão sendo usados por Deus são pessoas diligentes. Deus nunca usa uma pessoa preguiçosa, porque uma pessoa preguiçosa estragará a obra de Deus.
Nosso Senhor Jesus é o mais diligente de todos os homens. Esse caráter precisa ser desenvolvido em nós. Naturalmente, gostamos de adiar as coisas: “Amanhã faremos isso”. Mas o amanhã nunca chega.
Precisamos ser disciplinados. Se é a vontade de Deus, se Deus está revelando Sua vontade a vocês, e se é algo que Ele quer que façam, então não adiem.
Talvez vocês digam: “Há alguma contradição entre ser diligente e esperar em Deus? Não devemos esperar em Deus?”. É claro que devemos esperar em Deus. Se vocês não sabem qual é a vontade de Deus, não se precipitem em fazer alguma coisa, porque não sabem o que estão fazendo.
Vocês serão como Pedro. Muitas vezes, Pedro não sabia o que estava dizendo, mas simplesmente dizia. Não sabia o que estava fazendo, mas simplesmente fazia. Esse era Pedro, e, porque agia assim, era disciplinado.
Vocês precisam esperar. Não avancem se não têm certeza da vontade de Deus. Mas também não usem a espera como desculpa. Se não têm certeza da vontade de Deus, esperem em Deus. Mesmo que isso signifique esperar um ano inteiro, esperem um ano inteiro. Não avancem.
Mas, assim que a vontade de Deus se tornar conhecida, façam. Imediatamente. Logo. Sem demora. Não adiem. Não deem mais desculpas e não tentem deixar para depois.
Essas duas coisas não são contraditórias; na verdade, trabalham juntas. Na vida de nosso Senhor Jesus, vocês podem ver como isso é verdadeiro. Pensem na cena do Getsêmani. Assim que Ele soube que aquela era a vontade de Deus, imediatamente seguiu adiante, sem olhar para trás.
Portanto, como servos de Deus, queridos irmãos e irmãs, precisamos que a diligência seja desenvolvida em nossa vida: diligência em fazer a vontade de Deus.
No Evangelho segundo Marcos, encontramos outra característica do Servo de Deus: a compaixão.
Para um servo, não se trata apenas de fazer alguma coisa ou dizer alguma coisa. Podemos fazer algo por dever; podemos dizer algo por obrigação. Mas talvez não haja coração nisso, nem compaixão, nem sentimento dentro de nós.
Se vocês estão apenas fazendo isso, são mercenários. Estão sendo contratados, como mercenários. Não são verdadeiros pastores nem verdadeiros servos de Deus. Nosso Senhor Jesus é cheio de compaixão.
Tudo o que Ele diz, diz de coração. Tudo o que Ele faz, faz de coração. Ele não está apenas tentando cumprir um dever ou uma obrigação. É cheio de amor e cheio de compaixão.
Vocês se lembram do leproso que veio a Ele e disse:
Senhor, se Tu quiseres, podes purificar-me.
A Bíblia diz que o Senhor, movido de compaixão, não apenas disse:
Quero.
Mas também estendeu a mão e tocou no leproso.
Qualquer pessoa que tocasse em um leproso se tornava impura. Mas nosso Senhor Jesus estendeu a mão para tocá-lo e purificá-lo, porque era cheio de compaixão. Ele queria Se identificar com aquele homem.
Em Marcos 6, o Senhor Jesus saiu do barco e viu as pessoas. Ficou cheio de compaixão, porque as viu como ovelhas sem pastor, aflitas e desamparadas. Em Marcos 8, as pessoas O haviam seguido e ouvido por três dias, e não tinham nada para comer. Os discípulos disseram: “Manda-os embora”, mas o Senhor estava cheio de compaixão por eles e os alimentou.
Como nosso Senhor Jesus é uma Pessoa cheia de compaixão! Ao realizar a obra de Deus, Ele faz a vontade de Deus com um coração cheio de compaixão. Oh, quanto precisamos ser cheios de Sua compaixão!
Mas a compaixão não significa que Ele seja cego. Pensamos na compaixão como algo emocional, e ela é. No entanto, a compaixão é mais do que emoção; é uma característica do caráter.
A emoção é algo que surge de repente ou é despertado. Quando vocês veem uma cena muito comovente, isso desperta sua compaixão. É por isso que os missionários, quando voltam a este país buscando apoio para seu trabalho missionário, muitas vezes mostram as piores imagens — uma criança sem comida, suja e abandonada. Isso desperta sua compaixão.
Mas essa compaixão vem e vai. Quando vocês não veem a situação, não sentem compaixão. É uma emoção. Mas, na Bíblia, a compaixão é uma característica do caráter, algo profundamente enraizado em vocês. Não depende de influências externas; vem de dentro.
Portanto, a compaixão não é cega. Em Marcos 7, encontramos o episódio da mulher siro-fenícia. Ela clamou ao Senhor:
Filho de Davi, tem misericórdia de mim.
Porque sua filha estava possessa por um demônio.
O Senhor Jesus continuou como se não tivesse ouvido. A mulher O seguia, clamando:
Filho de Davi, tem misericórdia de mim.
Os discípulos ficaram incomodados. Parecia que tinham mais compaixão do que o Senhor. Disseram: “Senhor, faz alguma coisa. Manda-a embora”.
O Senhor disse:
Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos.
Por quê? Porque o Senhor havia sido enviado por Deus aos filhos de Israel. Essa mulher siro-fenícia não tinha parte na comunidade de Israel. Ela não podia reivindicar algo do Senhor como Filho de Davi, porque, como Filho de Davi, Ele veio para os filhos de Israel.
Ela O havia chamado pelo título errado. Mas, quando o Senhor falou dos cães, usou uma palavra especial: cães de estimação, cães domésticos. Ele deu àquela mulher um ponto de apoio para a fé.
Imediatamente, ela disse:
Sim, Senhor; até os cachorrinhos debaixo da mesa comem das migalhas dos filhos.
O Senhor disse:
Por causa dessa palavra, vai; o demônio já saiu de tua filha.
Sua fé era grande, e sua filha foi curada.
O Senhor é cheio de compaixão, mas é compaixão com discernimento. Às vezes, estamos cheios de compaixão, mas não temos discernimento. Em outras ocasiões, temos tanto discernimento que não temos compaixão.
Se nosso coração está quente, nossa cabeça também fica quente. Mas o coração de nosso Senhor é quente, e Sua cabeça é fria. Esse é o nosso Senhor, porque Ele está aqui para fazer a vontade de Deus. Queridos irmãos e irmãs, precisamos que a compaixão com discernimento seja desenvolvida em nós.
Em terceiro lugar, o Evangelho segundo Marcos revela Cristo, o Servo do Senhor, como Alguém absolutamente abnegado. A abnegação é uma característica do caráter de um servo.
Um servo nunca deve pensar em si mesmo. Se um servo busca seus próprios interesses, não pode servir aos interesses de seu senhor. Um servo precisa ser tão abnegado que possa estar inteiramente ocupado com os interesses de seu senhor.
Foi isso que o Senhor Jesus disse:
Pois também o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida em resgate por muitos.
Esse é o versículo-chave do Evangelho segundo Marcos. Pensem nos discípulos. Eles deveriam aprender com o Senhor a servir, mas, o tempo todo, discutiam entre si. Discutiam a respeito de quê? Quem seria o maior? Quem teria a posição mais elevada?
Estavam cheios de preocupação consigo mesmos, de interesses próprios e de egocentrismo. Não é de admirar que o Senhor tivesse de suportá-los, instruí-los repetidas vezes e dizer-lhes: “Entre vocês não é assim. Vocês não devem agir dessa maneira”.
Até mesmo Pedro, quando o Senhor disse que iria a Jerusalém para morrer e ressuscitar no terceiro dia, tomou o Senhor à parte e disse: “Não, não, isso não”. O Senhor Jesus disse:
Não cogitas das coisas de Deus, mas das coisas dos homens.
Não havia interesse próprio no Senhor. O Senhor não tinha absolutamente nenhum egoísmo. Irmãos e irmãs, desenvolver esse tipo de caráter em nós leva muito tempo. Oh, como a cruz precisa cortar cada vez mais fundo, mais fundo, mais fundo, porque somos tão centrados em nós mesmos!
Em quarto lugar, a mansidão. Vemos como nosso Senhor é manso. Isso foi profetizado a Seu respeito em Isaías 42:
A cana quebrada Ele não quebrará,
E o pavio que arde fracamente Ele não apagará.
A mansidão do Senhor pode ser vista na maneira como Ele trata as crianças. As pessoas vinham com crianças, e os discípulos diziam: “Nosso Mestre é um grande Homem. Ele não tem tempo para crianças. Vão embora, vão embora”. Mas o Senhor disse:
Deixai vir a Mim as criancinhas.
O Senhor tinha tempo para as crianças. Ele as tomou nos braços e as abençoou. Isso é mansidão.
Pensem na mansidão do Senhor depois de Sua ressurreição. Em Marcos 16, Ele enviou as mulheres aos discípulos, dizendo-lhes que havia ressuscitado e que iria encontrá-los. Ele disse:
Dizei a Meus irmãos e a Pedro.
Tão manso com aquele que O havia negado!
Mas a mansidão de maneira nenhuma significa fraqueza. Nossa própria mansidão pode ser fraqueza, mas a mansidão divina é força. É porque Ele é tão forte que é manso.
Pensem em Marcos 3. O Senhor entrou em uma sinagoga onde havia um homem com uma das mãos ressequida, e todos observavam para ver se Ele o curaria no sábado. O Senhor os desafiou:
É lícito, no sábado, fazer o bem ou fazer o mal?
Ninguém respondeu.
O Senhor Jesus ficou cheio de indignação. Denunciou a hipocrisia dos fariseus e dos escribas. Ele não era fraco, mas era manso.
Em 2 Timóteo, Paulo diz a Timóteo que o servo do Senhor não deve contender, mas deve ser manso. A mansidão é uma característica do caráter do servo de Deus. Não significa fraqueza. Não significa que, por serem mansos, vocês devam fazer concessões ou ceder.
Por fim, vemos que nosso Senhor Jesus tem plena confiança. Como servo, é preciso ter confiança em seu senhor. Se vocês não têm confiança em seu senhor, como podem servi-lo?
Nosso Senhor Jesus tinha plena confiança em Deus. Em Marcos 11, Ele disse:
Tende fé em Deus.
Ele andou sobre as águas. Acalmou o mar. Tinha plena fé em Deus. Confiou em Deus até a morte, porque sabia que haveria ressurreição.
Irmãos e irmãs, precisamos ter esse tipo de fé.
Ilustramos algumas das características de um servo. Por fim, gosto muito da maneira como Marcos conclui seu Evangelho. Ele diz:
Portanto, o Senhor.
O Servo agora é o Senhor.
Portanto, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu e assentou-Se à direita de Deus.
Ele veio como Servo e voltou como o Senhor de todos. Deus O ungiu como Senhor e Cristo, porque Ele cumpriu plenamente o propósito de Deus. Agora está assentado à direita de Deus como Rei. O Servo agora é Rei.
Ele serviu. Demonstrou ser digno de Se assentar no trono. Esse é o caminho para o trono.
Então Marcos diz:
E eles, tendo partido, pregaram por toda parte, cooperando com eles o Senhor e confirmando a palavra por meio dos sinais que a acompanhavam.
Os discípulos saíram e se tornaram servos. Começaram a servir, e o Senhor cooperava com eles. Pensem nisso: embora o Senhor esteja hoje assentado à direita do Pai como Senhor e Rei, por Seu Espírito Ele ainda está trabalhando conosco.
Seu caráter de servo e Sua vida de servo estão em nós. Ele ainda está trabalhando conosco e confirmando a palavra por meio dos sinais que a acompanham.
Aqui encontramos: Filho, Servo; Servo, Filho; Servo, Rei; Rei, Servo. São um só; não estão separados. Que o Senhor nos ajude, neste Evangelho segundo Marcos, a ver Cristo como o Servo do Senhor.
Irmãos e irmãs, já mencionamos: se há revelação, certamente haverá transformação. Se há revelação, tem de haver transformação.
Não podemos ver Cristo como o Servo do Senhor e, ainda assim, não ter comunhão com Ele em Seu caráter de servo. Não podemos dizer que vemos o Senhor como o Servo do Senhor e, ainda assim, não ser transformados para ter esse mesmo caráter dentro de nós.
Dizendo de maneira inversa: se não há comunhão com Cristo como o Servo de Deus, se não há transformação em nós para termos esse caráter de servo, então não vimos Cristo como o Servo do Senhor.
Que o Senhor tenha misericórdia de nós. Vamos orar?
Amado Pai Celestial, como Te louvamos e agradecemos por nos teres revelado o Teu Filho perfeito, o Teu Filho, o Servo do Senhor. Nosso Pai, Tu nos chamaste para o Teu serviço. Reconhecemos que, em nós mesmos, não estamos aptos para servir.
Mas nós Te louvamos e agradecemos porque essa vida de servo, essa vida de Filho, está em nós. Pedimos que, pelo Teu Espírito Santo, haja transformação, para que essa vida seja desenvolvida e manifestada em nós e por meio de nós, e para que também possamos servir-Te diligentemente.
Que possamos servir-Te com compaixão, com abnegação, com mansidão e com fé. Em nome de nosso Senhor Jesus, amém.
Senhor, nós pedimos essa revelação. Quando vemos, sabemos que, em nós mesmos, não estamos aptos para servir; no entanto, essa revelação nos transformará.
Senhor, hoje, em nosso coração, dizemos que queremos estar unidos a Ti sob o mesmo jugo. Queremos colocar nosso pescoço sob esse jugo, para que possamos aprender de Ti. Confessamos diante de Ti nossa fraqueza, mas, em nosso espírito, realmente queremos ver-Te e ser semelhantes a Ti.
Senhor, pedimos que aquele último versículo de Marcos seja verdadeiro em nós: que sejamos encontrados entre aqueles que fazem a Tua vontade e que Tu cooperes conosco.
Oh, Senhor, pedimos que, acima de qualquer outra coisa, nossa vida tenha essa marca: a vontade de Deus. Senhor, nem mais nem menos, mas simplesmente que façamos a Tua vontade. Em nome de Jesus, amém.