Testimony Ministry LogoChristian Testimony MinistryCTM
  • Home
  • Speakers
  • Venues
  • Topics
  • Scripture
  • Fellowship Finder
THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
About CTMContact CTMPrivacy PolicyRelated Ministries
    Seeing Christ As The Son Of Man - Luke © 2026 Christian Testimony Ministry
    0:00
    Seeing Christ As The Son Of Man - Luke
    Seeing Christ As The Son Of Man - Luke
    Kaung, Stephen

    Cristo como o Homem Perfeito no Evangelho segundo Lucas

    Por favor, abram no Evangelho segundo Lucas. Lucas 1:1-4.

    Visto que muitos empreenderam compor uma narrativa acerca dos fatos que entre nós se cumpriram,
    conforme nos transmitiram os que, desde o princípio, foram testemunhas oculares e ministros da palavra,
    pareceu-me também conveniente, depois de investigar cuidadosamente todas as coisas desde o princípio, escrever-te em ordem, excelentíssimo Teófilo;
    para que conheças a certeza das coisas em que foste instruído.

    Lucas 19:10.

    Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido.

    E agora Lucas 24:50-53.

    E Ele os conduziu até às proximidades de Betânia; e, levantando as Suas mãos, os abençoou.
    E aconteceu que, enquanto os abençoava, apartou-Se deles e foi elevado ao céu.
    E eles, adorando-O, voltaram para Jerusalém com grande alegria;
    e estavam continuamente no templo, bendizendo a Deus.

    Vamos nos voltar ao Senhor.

    Querido Pai celestial, como Te louvamos e agradecemos pelo privilégio de conhecer o Teu Filho, de conhecer a Ti, porque conhecer a Ti é a vida eterna. Pai, nós Te louvamos e agradecemos porque podemos nos reunir para adorar e recordar o que o Teu Filho fez por nós.

    Nosso Pai, enquanto permanecemos na Tua presença, pedimos que nos abras a Tua Palavra. Abre os nossos olhos para a Tua Palavra, para que possamos realmente ver o Teu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo. Pedimos em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.

    A Apresentação de Cristo como o Homem Perfeito em Lucas

    Sabemos que Lucas era grego e médico de profissão. Antioquia era uma cidade grega, e ele era médico. Por isso, vocês percebem que ele se interessava muito pelos seres humanos.

    Ele nos diz que, embora não tivesse sido testemunha ocular do que havia acontecido, investigara tudo com precisão. A partir dessa investigação, desejou escrever a Teófilo o que havia descoberto, para que Teófilo compreendesse que tudo aquilo em que havia crido era digno de confiança.

    Não sabemos quem era Teófilo. Provavelmente era um nobre daquela época, pois era costume que, quando um autor escrevia alguma coisa, geralmente dedicasse seu escrito a um nobre.

    Se Teófilo era ou não um nobre naquela época, isso realmente não faz muita diferença, porque sabemos que o nome Teófilo significa “aquele que ama a Deus”. Assim, encontramos aqui alguém que ama a Deus, e este Evangelho é apresentado àquele que ama a Deus, para que conheça o Jesus em Quem crê.

    Queridos irmãos e irmãs, em certo sentido, todos nós somos Teófilo. Todos nós amamos a Deus. E, se amamos a Deus, precisamos ter uma revelação de Quem é Jesus.

    No Evangelho segundo Lucas, Lucas reconhece que Jesus é o Homem perfeito. Ele é o Filho do Homem. Ele é o Deus-Homem. Lucas compartilha conosco o que compreendeu. Portanto, neste Evangelho segundo Lucas, o Senhor Jesus nos é apresentado como o Homem perfeito, o Filho do Homem.

    O Interesse de Deus pela Humanidade

    Sabem, irmãos e irmãs, Deus sempre se interessa pelo homem. Foi por isso que Ele criou o homem. E, quando pensamos na redenção, Hebreus 2:16 diz que Deus não toma os anjos pela mão, mas toma pela mão a descendência de Abraão. Em outras palavras, a redenção é em favor do homem.

    Em Salmos 16:3, que profetiza acerca do nosso Senhor Jesus, está escrito:

    Quanto aos santos que estão na terra,
    eles são os excelentes em quem está todo o Meu prazer.

    Novamente, encontramos Provérbios 8:31, que também fala do Senhor Jesus. Ali se diz que o Seu prazer estava com os filhos dos homens. Então, vocês veem: Deus sempre se interessa pelo homem.

    Sabem, às vezes cometemos um erro muito sério. Não queremos ser seres humanos; queremos ser anjos. Mas Deus Se interessa mais pelos seres humanos do que pelos anjos. Ele quer que sejamos seres humanos.

    O problema hoje é que o homem está abaixo do normal, está anormal. Se pudermos ser normais, se pudermos ser o homem segundo o coração de Deus, então vocês verão que é isso que Deus realmente procura.

    Às vezes pensamos que, para sermos espirituais, precisamos ser menos humanos. Mas isso é um erro sério. Lembro-me de que o nosso querido irmão Watchman costumava dizer: “Se você quer ser espiritual, primeiro precisa ser humano. Se não consegue ser humano, como poderá ser espiritual?”

    Não ser do mundo, ser celestial, não significa tornar-se menos humano. Pelo contrário, a salvação do Senhor nos conduz àquela humanidade que Deus estabeleceu desde o princípio.

    Olhem para o Senhor Jesus. Ele é esse Homem perfeito. Ele é um Homem segundo o coração de Deus. Ele é o Homem que Deus procura. Portanto, vemos que o interesse de Deus está realmente centrado no homem. Assim, não tentem ser anjos; procurem ser seres humanos.

    A Humanidade na Criação e na Redenção

    Na Palavra de Deus, vemos que o interesse de Deus pelo homem é muito evidente. Por exemplo, em Gênesis 1:26-27, vemos que Deus criou o homem à Sua própria imagem. À Sua própria imagem Ele o criou; homem e mulher Ele os criou.

    E, quando Deus criou o homem, abençoou-os e lhes disse, em Gênesis 1:28:

    Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a;
    e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus,
    e sobre todo ser vivente que se move sobre a terra.

    Isso mostra como Deus Se interessa pelo homem. Então, quando chegamos a Salmos 8:4-6, encontramos:

    Que é o homem, para que Te lembres dele?
    E o filho do homem, para que o visites?
    Pois o fizeste pouco menor do que Deus,
    e de glória e de honra o coroaste.
    Tu o fazes dominar sobre as obras das Tuas mãos.

    Sabemos que Salmos 8 se cumpre literalmente, antes de tudo e fundamentalmente, no nosso Senhor Jesus. Em Hebreus 2:9, encontramos:

    Vemos, porém, Aquele que foi feito um pouco menor do que os anjos, Jesus,
    por causa do sofrimento da morte, coroado de glória e de honra;
    para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todo homem.

    Então, quando chegamos a 1 Coríntios 15:49, vemos que nós, que trouxemos a imagem do terreno, também traremos a imagem do Celestial.

    Em outras palavras, vemos que o nosso Senhor Jesus é, de fato, o segundo Homem. Sabem, aos olhos de Deus, no mundo inteiro, ao longo de todos os séculos, existem apenas dois homens. Nós vemos milhões de pessoas, mas, aos olhos de Deus, existem apenas dois homens.

    Em 1 Coríntios 15:47, somos informados de que o primeiro homem foi feito da terra — esse é Adão — e de que o segundo Homem é do céu — esse é Cristo. Há dois homens, e Cristo é o princípio de uma nova humanidade, de uma nova raça. Assim como Ele é, assim também seremos nós, os que cremos Nele.

    Portanto, em todos esses versículos, vocês podem ver que o interesse de Deus está realmente voltado para a humanidade, para os seres humanos. Ele quer que sejamos homens e mulheres segundo o Seu coração.

    O Nascimento de Cristo

    Quando consideramos a história de um homem, várias coisas têm grande importância: primeiro, o nascimento; segundo, o crescimento; terceiro, o trabalho, o serviço ou o ministério; e quarto, a morte. No Evangelho segundo Lucas, essas quatro coisas são registradas de maneira metódica.

    Dos quatro Evangelhos, o Evangelho segundo Lucas nos apresenta o relato mais detalhado do nascimento do nosso Senhor Jesus. No Evangelho segundo Marcos, Seu nascimento nem sequer é mencionado. Por quê? Porque o Evangelho segundo Marcos nos apresenta Cristo como o Servo de Deus, ou como o escravo de Deus. Quem se interessa pelo nascimento de um escravo?

    Mas aqui, porque Cristo Jesus nos é apresentado como Homem, Seu nascimento é descrito com muito cuidado.

    Sabemos que o nascimento de João Batista foi sobrenatural, porque seus pais já tinham idade muito avançada. Não tinham filhos e não tinham condições de ter filhos. Haviam perdido completamente a esperança. No entanto, de maneira maravilhosa, Deus interveio, e João nasceu.

    Assim, João, o precursor do nosso Senhor Jesus, nasceu de maneira sobrenatural. Mas, embora tenha nascido de maneira sobrenatural, ele foi naturalmente sobrenatural, porque nasceu de pais naturais.

    Mas, queridos irmãos e irmãs, quando chegamos ao nascimento do nosso Senhor Jesus, percebemos que ele é realmente único. É completamente sobrenatural. Por quê? Porque o nosso Senhor Jesus nasceu pela ação do Espírito Santo, que cobriu com Sua sombra o ventre da virgem Maria.

    Isso é de importância tremenda. Por quê? Porque, se o nosso Senhor Jesus tivesse nascido de pais humanos naturais, inevitavelmente teria herdado a natureza pecaminosa de Adão.

    Adão, o primeiro homem, é o cabeça federal da humanidade. Portanto, todos os que procedem de Adão herdam dele a natureza pecaminosa. Se o Senhor Jesus tivesse nascido de pais naturais, teria herdado essa natureza pecaminosa. E, se tivesse uma natureza pecaminosa, não poderia ser o nosso Salvador. Não poderia ser o nosso Substituto, porque somente Aquele que é sem pecado pode ser o Substituto dos pecadores.

    Essa é a razão pela qual a encarnação do nosso Senhor Jesus se deu pela ação do Espírito Santo, que cobriu Maria com Sua sombra. Quando o Senhor nasceu, era inteiramente sem pecado. Ele é o Santo de Israel. Ele é Aquele que não tem pecado. Não herdou de Adão aquela natureza pecaminosa. Aquele que não conheceu pecado não apenas jamais cometeu qualquer ato pecaminoso; Ele nem sequer tinha uma natureza pecaminosa. Ele não conhecia o pecado.

    Ele nasceu pela ação do Espírito Santo, que cobriu com Sua sombra a virgem Maria.

    A Adequação Espiritual de Maria

    Quando Deus quis usar uma virgem para trazer ao mundo o Seu Filho amado, dentre milhares e dezenas de milhares de mulheres, Deus escolheu uma virgem: Maria. Por quê? Ela era a agraciada, a bendita. Mas por que foi escolhida? Porque Deus encontrou nela uma adequação espiritual ao Seu propósito.

    Quando o anjo lhe disse que ela daria à luz um Filho, a princípio ela não compreendeu. Como isso poderia acontecer? Quando lhe foi explicado que seria pela ação do Espírito Santo, que a cobriria com Sua sombra, sabem o que ela disse?

    Eis aqui a serva do Senhor;
    cumpra-se em mim segundo a tua palavra.

    Isso era extremamente difícil, em certo sentido, porque uma virgem grávida — o que as pessoas diriam? O que seu marido diria? Segundo o costume dos judeus, se uma mulher tivesse um filho antes do casamento, era considerada adúltera, e aqueles que a acusavam podiam apedrejá-la.

    No entanto, aqui encontramos a virgem Maria, disposta a entregar-se inteiramente a Deus, para que o Filho de Deus pudesse tornar-Se o Filho do Homem. Havia nela uma adequação espiritual.

    Cristo como o Segundo Homem

    Cristo nasceu. Aos olhos de Deus, Ele é o segundo Homem. Isto é, Ele é o princípio de uma nova raça, o princípio de uma nova humanidade.

    Isso está declarado com muita clareza em 1 Coríntios 15. Abram em 1 Coríntios 15:45-49:

    Assim também está escrito: O primeiro homem, Adão, tornou-se alma vivente; o último Adão tornou-Se Espírito vivificante.
    Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois, o espiritual.
    O primeiro homem é da terra, terreno; o segundo Homem é do céu.
    Qual o terreno, tais também os terrenos; e qual o Celestial, tais também os celestiais.
    E, assim como trouxemos a imagem do terreno, também traremos a imagem do Celestial.

    Portanto, irmãos e irmãs, antes procedíamos de Adão, o primeiro homem, feito do pó. Trazíamos a imagem de Adão, aquele que foi feito do pó. Mas, graças a Deus, por meio do nosso Senhor Jesus, agora passamos a estar no segundo Homem. Procedemos do segundo Homem e, porque procedemos do segundo Homem, também traremos a imagem do Celestial.

    Esse é o Evangelho. Essa é a razão pela qual precisamos nascer de novo.

    Nascemos de pais naturais, da descendência de Adão. Nascemos de Adão e, porque nascemos de Adão, fomos feitos do pó. Herdamos em nós a natureza pecaminosa. Éramos pecadores quando nascemos.

    Muitas vezes pensamos que nos tornamos pecadores depois de cometer pecado. Mas, segundo a Palavra de Deus, em Romanos 5:19, somos informados de que, pela desobediência de um só homem, muitos foram constituídos pecadores. Em outras palavras, porque todos pertencemos a Adão, nosso pai, todos fomos feitos pecadores. Quando nascemos, já éramos pecadores, antes mesmo de termos cometido qualquer coisa.

    Mas, graças a Deus, embora tenhamos nascido de Adão, sendo pecadores e feitos do pó, quando nos arrependemos e cremos no Senhor Jesus, nascemos de Deus.

    O que é nascido da carne é carne;
    e o que é nascido do Espírito é espírito.

    Nascemos na família de Deus. Recebemos uma nova vida, a vida do segundo Homem, uma vida celestial. É isso que somos hoje pelo Evangelho, pela graça de Deus.

    Portanto, queridos amigos, se alguém aqui ainda não nasceu de novo, por mais correto que seja, por melhor que seja, lembre-se: se você é de Adão, em Adão todos morrem. Mas, em Cristo, todos serão vivificados. Como é importante que sejamos encontrados no segundo Homem, em Cristo.

    O Crescimento de Cristo

    Agora, a segunda coisa importante na vida de um homem é o seu crescimento. Dos quatro Evangelhos, somente o Evangelho segundo Lucas nos apresenta algum relato do crescimento Dele.

    No Evangelho segundo Lucas, vemos que, depois de nascer, o nosso Senhor Jesus foi circuncidado ao oitavo dia. Por quê? Porque isso O introduz em Sua relação de aliança com Deus. Deus fez uma aliança com Abraão, segundo a qual toda criança do sexo masculino deveria ser circuncidada ao oitavo dia. A circuncisão é um sinal da Sua aliança com os filhos de Israel.

    Se algum filho de Israel não fosse circuncidado, não era considerado parte da comunidade de Israel; isto é, estava fora da aliança de Deus. Assim, quando nasceu, o nosso Senhor Jesus foi circuncidado ao oitavo dia. No dia da circuncisão, recebeu o nome Jesus, o nome dado pelo anjo. Naturalmente, sabemos que foi dado por Deus. Significa:

    Ele salvará o Seu povo dos seus pecados.

    Depois de Ele ser circuncidado, vemos em Lucas 2 que Seus pais foram ao templo para apresentá-Lo a Deus. Isso estava de acordo com a lei, porque, segundo a lei, o primogênito pertence a Deus. Jesus foi levado ao templo para ser apresentado a Deus, para que tivesse não apenas uma relação de aliança, mas também uma relação divina com Deus.

    Então Ele foi para Nazaré. Há apenas uma frase que nos conta o que aconteceu em Sua infância. Está em Lucas 2:40:

    E o Menino crescia e Se fortalecia, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre Ele.

    Depois de Ele nascer, ser circuncidado e apresentado a Deus, Seus pais O levaram de volta para Nazaré. Ali vemos que Ele cresceu. Está escrito que Ele Se fortalecia; isso é físico. Fisicamente, Ele ficava mais forte. Era cheio de sabedoria; isto é, mentalmente, estava Se desenvolvendo. E a graça de Deus estava sobre Ele; espiritualmente, tinha a graça de Deus. Era um crescimento perfeitamente normal.

    Quando pensamos em crescimento normal, precisamos considerar três aspectos: o físico, o mental e o espiritual. Na criança, o físico vem primeiro. A Bíblia diz que Ele Se fortalecia. Fisicamente, tornava-Se mais forte e maior. Depois, mentalmente, era cheio de sabedoria. Em terceiro lugar, a graça de Deus estava sobre Ele. Foi um crescimento perfeito durante a Sua infância.

    Cristo aos Doze Anos de Idade

    Não sabemos mais nada a respeito Dele até que chegou aos doze anos. Mais uma vez, vemos que esse episódio está registrado somente no Evangelho segundo Lucas. Quando tinha doze anos, Seus pais O levaram a Jerusalém, ao templo, para adorar.

    Naqueles dias, quando um menino chegava aos doze anos, tornava-se filho da lei, um bar mitzvah. Hoje, entre os judeus ortodoxos, o bar mitzvah acontece aos treze anos, mas naquela época era aos doze.

    Evidentemente, quando o Senhor Jesus tinha doze anos, Seus pais foram ao templo, e ali Ele Se tornou filho da lei. O que significa ser filho da lei? Significa que, perante a lei, Ele agora era um verdadeiro membro do povo de Deus. Tinha o direito de ler os oráculos de Deus, de fazer perguntas e de responder a perguntas. Tornou-Se um membro pleno da sinagoga.

    Algo aconteceu. Normalmente, quando iam a Jerusalém para adorar o Senhor, depois que a festa terminava, todos voltavam para casa. Seus pais fizeram a mesma coisa. Os que vinham de Nazaré costumavam viajar em grupos. Os adultos viajavam juntos e conversavam, e as crianças viajavam juntas.

    Seus pais pensavam que Jesus estivesse com as outras crianças da Sua idade. Só à noite descobriram que Ele não estava ali. Levaram três dias para encontrá-Lo no templo. Em outras palavras, Seus pais partiram para casa, mas Ele permaneceu no templo.

    Quando Sua mãe Lhe disse:

    Filho, por que fizeste assim conosco?
    Eis que Teu pai e eu Te procurávamos aflitos.

    O Senhor Jesus respondeu:

    Por que Me procuráveis?
    Não sabíeis que Me cumpre estar na casa de Meu Pai?

    Em outras palavras, aos doze anos, quando Se tornou filho da lei, Ele tinha plena consciência da Sua relação com Deus, Seu Pai. Naturalmente, o Senhor Jesus é Deus, mas também é Homem. Ele é perfeito Deus e perfeito Homem.

    Do ponto de vista humano, à medida que crescia, havia Nele uma consciência cada vez maior da Sua relação divina com Deus — uma consciência de que era o Filho de Deus. Essa consciência foi crescendo até que, aos doze anos, Ele tinha plena consciência da Sua relação com Deus, Seu Pai. Por causa disso, precisava ocupar-Se dos assuntos de Seu Pai. Por isso permaneceu no templo.

    Mas, mesmo assim, ainda era menor de idade, tinha apenas doze anos. Embora tivesse plena consciência da Sua relação divina com Deus Pai, também era um Homem perfeito. Portanto, como menor de idade, obedeceu aos Seus pais. Voltou para Nazaré e permaneceu com eles. Que equilíbrio entre humanidade e divindade.

    Os Anos Ocultos em Nazaré

    Dos doze aos trinta anos, Ele permaneceu oculto na vila de Nazaré, entre as colinas, longe dos centros de atividade. Nunca frequentara uma escola — isto é, uma escola formal —, mas estava na escola de Deus, Seu Pai.

    Humanamente, vemos que Ele aprendeu o ofício de carpinteiro. Deve ter sido um carpinteiro extraordinário, porque O chamavam de “o carpinteiro”. Aprendeu o ofício de carpinteiro e viveu uma vida perfeitamente normal, uma vida humana perfeita.

    Durante aqueles anos ocultos, Ele foi preparado na escola de Deus. Não sabemos realmente o que aconteceu naqueles anos de formação, mas a Bíblia nos dá uma frase, em Lucas 2:52:

    E Jesus crescia em sabedoria e em estatura, e em graça diante de Deus e dos homens.

    Da primeira infância à infância, o crescimento mais evidente é o físico. Na adolescência e na juventude, dos doze aos trinta anos, o crescimento mais evidente deveria ser o mental — a sabedoria. Assim, vemos que Jesus crescia em sabedoria. Sua mente se desenvolvia. Ele crescia em sabedoria, mas também em estatura, até os trinta anos.

    Então vemos que Ele tinha o favor de Deus e dos homens. Ele teve o favor de Deus durante todos esses anos, até chegar aos trinta anos.

    O Batismo de Jesus

    Quando Ele Se apresentou publicamente, a primeira coisa que fez foi ser batizado por João Batista. O batismo de João era um batismo de arrependimento. Mas aqui estava um Homem perfeito, que não tinha nada de que Se arrepender.

    Irmãos e irmãs, existe alguém no mundo inteiro que não tenha nada de que se arrepender? Receio que nós tenhamos coisas demais de que nos arrepender. Há muitas coisas das quais nos esquecemos e das quais deveríamos nos arrepender. Mas aqui encontramos o nosso Senhor Jesus, o Homem perfeito. Ele não tinha nada de que Se arrepender.

    No entanto, veio para ser batizado por João. A princípio, João quis impedi-Lo, porque viu algo naquele Homem — tão perfeito, tão nobre. João disse:

    Eu careço de ser batizado por Ti, e vens Tu a mim?

    Mas o Senhor respondeu:

    Deixa por agora; porque assim nos convém cumprir toda a justiça.

    Aqui vemos que o nosso Senhor Jesus Se identificou com aquelas almas arrependidas. Deus estava chamando os homens ao arrependimento, e aqui estava o Homem perfeito, que não tinha nada de que Se arrepender; ainda assim, identificou-Se com os que se arrependiam, para que pudesse oferecer-Se como sacrifício por eles.

    Portanto, depois de Ele ser batizado, o Espírito Santo desceu sobre Ele como uma pomba. Ora, na Escritura, a pomba é o sacrifício dos pobres. Quando um homem pobre não tinha recursos para oferecer um cordeiro, seu sacrifício era uma pomba.

    Aqui vemos o nosso Senhor Jesus oferecendo-Se a Deus pelo Espírito eterno, sem mácula como uma pomba, como sacrifício pelos pobres. Graças a Deus pelo nosso Senhor Jesus.

    O Crescimento dos Crentes em União com Cristo

    Meus irmãos e irmãs, esse é o crescimento do nosso Senhor. Em certo sentido, em nossa união com Cristo, também precisamos desse crescimento. Depois que nascemos de novo, deve haver uma consciência crescente da nossa relação com Deus.

    Agora somos filhos de Deus. Como filhos de Deus, não deveríamos nos ocupar dos assuntos de nosso Pai? Creio realmente que, em união com Cristo, à medida que crescemos em Cristo, deve haver uma percepção cada vez maior de que pertencemos a Deus, de que estamos aqui por causa Dele e de que não estamos aqui apenas para viver para nós mesmos.

    Não estamos aqui para nos ocupar dos nossos próprios assuntos, mas para fazer a vontade do Pai, para nos ocupar dos assuntos do Pai. Por isso, como precisamos nos entregar a Ele para esse propósito. Creio que essa consciência deve crescer dentro de nós.

    É verdade que temos outros deveres e outras obrigações. Mas o nosso Senhor Jesus, aos doze anos, embora tivesse plena consciência da Sua relação com Seu Pai e desejasse ocupar-Se inteiramente dos assuntos de Seu Pai, sendo menor de idade, ainda tinha o dever de obedecer aos Seus pais — e obedeceu.

    Embora tenhamos outros deveres e obrigações, eles não contradizem a nossa consciência de que precisamos servir a Deus. Pelo contrário, por meio de todos esses conflitos e da conciliação dessas responsabilidades, cresceremos de maneira equilibrada e amadureceremos.

    À medida que crescemos no Senhor, podemos nos ocupar dos assuntos do Pai mesmo quando estamos ocupados com outras coisas. Começamos a perceber que os assuntos do Pai são a nossa vocação.

    Sob o Seu governo e a Sua direção, podemos ser maridos, esposas, estudantes, médicos, professores ou exercer esta ou aquela atividade. Mas todas essas coisas são as nossas ocupações. A nossa vocação é servir ao nosso Deus, ao nosso Pai. Ao exercer essas ocupações, cumprimos a nossa vocação.

    Portanto, queridos irmãos e irmãs, precisamos crescer espiritualmente como o nosso Senhor Jesus cresceu, porque Ele é o nosso Cabeça.

    O Ministério Público de Cristo

    Em terceiro lugar, na história de um homem, está o seu trabalho, o seu serviço. Depois de crescer, naturalmente, você precisa trabalhar, servir, fazer coisas. Aqui vemos que, quando o nosso Senhor Jesus tinha trinta anos, Ele entrou na cena pública do mundo.

    Ao ler o Evangelho segundo Lucas, especialmente do capítulo 4 ao capítulo 21, encontramos o relato do que o nosso Senhor Jesus fez e do que disse. Ele viajou de aldeia em aldeia e de cidade em cidade. Pregou o Evangelho, expulsou demônios e curou os enfermos.

    Ele falou palavras de graça e realizou obras de autoridade. O nosso Senhor Jesus fez muitas coisas, embora tenha trabalhado apenas por três anos, talvez um pouco mais de três anos.

    Segundo o Evangelho de João, João disse que, se tudo o que o nosso Senhor Jesus fez enquanto esteve na terra fosse escrito, nem o mundo inteiro poderia conter os livros. Em três anos e meio, Ele fez muita coisa. Disse muita coisa. Mas tudo o que disse era verdade, e tudo o que fez era graça.

    Queridos irmãos e irmãs, lembrem-se de uma coisa: apesar das muitas coisas que fez e das muitas palavras que falou, Ele não estava na terra em busca de sucesso ou popularidade. Disse essas coisas e fez essas coisas porque estava fazendo a vontade de Seu Pai.

    Durante toda a Sua vida, especialmente naqueles anos de ministério público, tudo o que disse e tudo o que fez não procedia de Si mesmo. Era para cumprir a vontade de Seu Pai celestial. Essa era a única coisa que O movia: Ele entregou toda a Sua vida para fazer a vontade do Pai.

    Outra coisa que vocês podem observar é o quanto Ele Se interessava pelos seres humanos. Interessava-Se por todos os homens — não apenas pelos judeus, mas também pelos gentios; não apenas pelos respeitáveis, como Nicodemos, mas também pelos pecadores e publicanos. Ele Se interessava por todos.

    Ele os tocava não apenas com Sua divindade, mas também com Sua humanidade. Essa é a bondade do nosso Senhor.

    Em certo sentido, irmãos e irmãs, em união com o nosso Senhor Jesus, nós também estamos aqui para servir. Deus pode nos usar de muitas maneiras diferentes. Podemos fazer muitas coisas diferentes. Mas lembremo-nos de uma coisa: tudo o que fizermos, tudo o que dissermos, deve ser para a glória de Deus.

    Não estamos aqui trabalhando em busca de sucesso. Não estamos aqui buscando popularidade. Estamos aqui para fazer a vontade de Deus pelo poder do Espírito Santo, pela graça do nosso Senhor Jesus. Isso deve caracterizar tudo o que fazemos e tudo o que dizemos.

    A Morte, a Ressurreição e a Ascensão de Cristo

    Finalmente, é claro, há a morte. Isso está registrado em Lucas, nos capítulos 22 a 24. Nós a chamamos de morte do nosso Senhor Jesus, mas a morte do nosso Senhor Jesus é única.

    Sua morte é sobrenatural, em certo sentido. Ele não morreu de morte natural. Nem sequer morreu a morte de um mártir.

    Quando os mártires morrem pelo Senhor Jesus, milhares e milhares deles glorificam a Deus em sua morte. Por exemplo, Estêvão, o primeiro mártir em Atos, quando o apedrejavam até a morte, viu o céu aberto. Viu o Filho do Homem em pé, esperando para recebê-lo. Quando se ajoelhou, orou:

    Senhor, não lhes imputes este pecado.

    Glorioso!

    Mas, queridos irmãos e irmãs, quando o Senhor Jesus morreu na cruz, não morreu a morte de um mártir. Por quê? Porque clamou:

    Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?

    Isso é a morte de um mártir? Não.

    Ele morreu uma morte substitutiva e vicária. Em outras palavras, morreu uma morte santa.

    Àquele que não conheceu pecado, Ele O fez pecado por nós;
    para que Nele fôssemos feitos justiça de Deus.

    Quando estava pendurado na cruz, durante as primeiras três horas, Ele sofreu às mãos dos homens e dos inimigos das trevas. Mas, ao meio-dia, o sol escureceu, e Ele clamou:

    Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?

    Do meio-dia às três da tarde, Ele não sofreu às mãos dos homens, nem do diabo. Sofreu às mãos de Seu amado Pai. Deus O julgou na cruz. Por quê? Ele Se tornou Aquele que levou o pecado do mundo. Sua morte foi vicária e substitutiva.

    Por causa da Sua morte, nós não morremos mais. Ele ressuscitou dentre os mortos ao terceiro dia. Apareceu aos Seus discípulos e, então, ascendeu ao céu.

    Agora há um Homem na glória. Irmãos e irmãs, o Evangelho segundo Lucas começa com um bebê numa manjedoura e termina com um Homem na glória.

    Em união com Cristo, em Sua morte e ressurreição, somos ressuscitados dentre os mortos. Em Sua ascensão, agora estamos assentados com Ele nas regiões celestiais. Graças a Deus por tudo o que Ele fez por nós.

    A Personalidade e o Caráter de Cristo

    Mas, sabem, irmãos e irmãs, o mais importante é a vida de uma pessoa. Ainda mais importante do que aquilo que ela diz ou faz é a sua pessoa — a sua personalidade. Que tipo de pessoa ela é? Que tipo de personalidade ela manifesta ao mundo? Penso que isso é o mais importante.

    O que você diz e o que faz são simplesmente a expressão exterior da sua pessoa, da sua personalidade. O que é personalidade? Para mim, a personalidade é a soma total do caráter. Ao longo dos anos, você desenvolve o seu caráter, e a soma total do seu caráter é a sua personalidade. É isso que constitui a sua pessoa. É isso que você é.

    Irmãos e irmãs, muitas vezes penso que Deus nunca deseja eliminar a nossa individualidade, mas certamente deseja transformar a nossa personalidade.

    Cada um de nós é uma pessoa, um indivíduo, e Deus nos fez assim. Não há duas pessoas exatamente iguais. Fisicamente, não há duas pessoas exatamente iguais. Nem mesmo gêmeos são cem por cento iguais; há alguma diferença.

    Um amigo meu costumava me dizer: “Olhe para o rosto. Quantos elementos você tem nessa pequena área? Apenas alguns: duas sobrancelhas, dois olhos, um nariz, uma boca, duas orelhas. É tudo o que você tem. Apenas alguns elementos. No entanto, Deus consegue colocar esses poucos elementos numa pequena área e, entre bilhões e bilhões de pessoas, não há duas iguais. Isso não é um milagre?”

    Deus faz algo além disso. Não apenas os seus traços são diferentes, mas o seu temperamento também é diferente. Deus faz as nossas almas diferentes umas das outras. Você tem um temperamento; eu tenho outro. Isso constitui a nossa individualidade. Você é você, e eu sou eu.

    Não é da vontade de Deus que você seja eu e que eu seja você. Nós gostamos de copiar e copiar, sabem. Deus não gosta de cópias. Cada pessoa é um original. Portanto, seja você mesmo. É isso que Deus quer que você seja. Ele o fez assim. É isso que você é. Essa é a nossa individualidade.

    A nossa individualidade permanece por toda a eternidade. Mesmo na Nova Jerusalém, as doze pedras dos fundamentos são pedras diferentes, porque uma é Pedro e outra é João, e Pedro e João são muito diferentes. Pedro era extrovertido, e João era introvertido. Mas, graças a Deus, Deus pode usar a todos. Não importa qual seja o seu temperamento; se você permitir que Deus o controle, Ele poderá usá-lo.

    A individualidade permanece, mas a nossa personalidade precisa ser transformada. Em outras palavras, o caráter de Cristo precisa ser formado em nós. Você tem o caráter de Adão, e eu tenho outra combinação do caráter de Adão. Tudo isso é caráter de Adão — não presta.

    O nosso caráter precisa ser transformado e desenvolvido. Quando cremos no Senhor Jesus, essa nova vida em nós tem uma nova natureza. Se seguirmos essa nova natureza e a cultivarmos, desenvolveremos um novo caráter, o próprio caráter de Cristo.

    Quando as pessoas olham para você, não veem você; veem Cristo. Cristo é expresso por meio de você. A personalidade Dele está sendo produzida por meio da sua individualidade. Isso é glorioso. Esse é o propósito de Deus para a humanidade.

    Aqui encontramos o nosso Senhor Jesus, o Homem perfeito. Deus O enviou ao mundo para ser um modelo, em certo sentido. Deus diz que todos nós seremos conformados a Ele. Naturalmente, Ele é mais do que um modelo, porque coloca a Sua própria vida dentro de nós. À medida que permitimos que Sua vida se desenvolva em nós, Ele será formado em nós.

    A Bíblia diz:

    Conformes à imagem de Seu Filho.

    E também diz:

    Até que Cristo seja formado em vós.

    Portanto, irmãos e irmãs, quando chegamos a esse relato de Cristo como o Homem perfeito, precisamos conhecer Sua personalidade. Precisamos conhecer Seu caráter humano, o caráter no qual Deus tem pleno prazer.

    A Transparência de Cristo

    Agora, se vocês lerem o Evangelho segundo Lucas, verão que há coisas demais para explicarmos em poucos minutos, mas penso que algumas se destacam.

    Primeiro: ao ler a respeito de Cristo como Homem, uma coisa que chama a atenção de maneira muito marcante é que Ele é transparente. Ele é real. Ele é verdadeiro.

    O que isso significa? Significa que Ele não é uma pessoa que vive de uma maneira em particular e de outra em público. Não é uma pessoa que vive de uma maneira diante dos homens e de outra quando eles não estão vendo. Não é uma pessoa que diz uma coisa e faz outra.

    O nosso Senhor Jesus era o mesmo por dentro e por fora. Diante de Deus, era assim que Ele era. Diante dos homens, era assim que Ele era. Diante de Seus inimigos, era assim que Ele era. Diante das pessoas, dos desconhecidos, era assim que Ele era. Ele não fingia coisa alguma. Não havia fachada. Era claro como cristal. Era transparente.

    Irmãos e irmãs, vocês conseguem encontrar um homem mais transparente do que o nosso Senhor Jesus? O pecado nos faz esconder. Quando Adão e Eva pecaram no jardim, ao ouvirem a voz de Deus que Se aproximava, esconderam-se entre as árvores.

    O pecado nos faz esconder. Essa é a razão pela qual nenhuma pessoa na terra é transparente. Não podemos nos dar ao luxo de ser transparentes. Se houvesse um raio X capaz de mostrar tudo o que se passa na sua mente, irmãos e irmãs, vocês desejariam afundar nas profundezas do mar.

    Não somos transparentes. Estamos sempre nos escondendo. Escondemo-nos uns dos outros. Não podemos nos dar ao luxo de ser abertos ou transparentes, porque sabemos que há coisas demais dentro de nós que não podem vir para a luz.

    Mas não é assim com o nosso Senhor Jesus. Ele é transparente. Até Seus inimigos tiveram de admitir isso. Vieram a Ele para tentá-Lo e disseram:

    Mestre, sabemos que ensinas o caminho de Deus em verdade,
    e não fazes acepção de pessoas.

    Uma pessoa assim nunca procura fazer política, manobrar, agir diplomaticamente ou fazer jogo de interesses. Ele é tão transparente. Esse era o tipo de pessoa que o nosso Senhor Jesus era.

    Porque Ele é tão transparente, consegue enxergar você por inteiro. Nada pode ser escondido Dele. Você não precisa Lhe dizer nada; Ele já sabe. Ele é transparente.

    Às vezes somos honestos — embora, na maior parte do tempo, não sejamos. Mas suponhamos que sejamos honestos. Podemos ser honestos e, ao mesmo tempo, ingênuos. Infelizmente, muitas pessoas honestas são muito ingênuas. Mesmo sendo honestos, podemos ser enganados.

    Mas ser transparente significa que você não é apenas honesto; você é real, verdadeiro, claro como cristal. Você enxerga as coisas por inteiro. Essa é a razão pela qual a Bíblia diz:

    O homem espiritual discerne todas as coisas.

    Ele consegue enxergar através de tudo.

    Esse é o nosso Senhor Jesus: transparente. Por que Ele é transparente? Porque vive pelo Seu coração. Vive pela verdade. Não há diferença entre o que mostra e o que esconde. Ele é o mesmo ontem, hoje e para sempre.

    Queridos irmãos e irmãs, essa é uma característica que precisa ser desenvolvida. Como somos opacos. Como somos escuros. Como precisamos que o sangue nos limpe. Como precisamos que a cruz nos purifique, para que a transparência seja desenvolvida dentro de nós.

    Diante dos inimigos, das pessoas, dos amigos, em particular e em público, que sejamos a mesma pessoa.

    Um dia, graças a Deus, quando a obra de Deus estiver completa na eternidade, na Nova Jerusalém, sabem o que acontecerá? A Nova Jerusalém será uma cidade transparente. Até o ouro será transparente, claro como cristal.

    Vocês nunca encontrarão na terra ouro transparente; não existe tal coisa. Mas, na eternidade, encontram-se as ruas pavimentadas de ouro, e o ouro é como vidro límpido. Transparência.

    Espiritualmente, uma rua significa comunhão. A comunhão acontece na transparência. Não há sombra, não há obscuridade, não há nada escondido. Tudo é aberto. Tudo é claro. É isso que a graça de Deus é capaz de fazer. Que o Senhor produza mais transparência.

    A Dependência de Cristo

    Então vemos, na vida do nosso Senhor Jesus como ser humano, que Ele viveu uma vida de dependência — dependência absoluta.

    Quando Deus criou o homem, criou-o para depender Dele. O pecado é uma declaração de independência em relação a Deus. Adão e Eva disseram: “Não precisamos de Deus. Nós mesmos somos deuses”. Isso é pecado.

    Mas aqui encontramos o nosso Senhor Jesus, o Homem perfeito. Ele viveu uma vida de dependência absoluta de Deus.

    Dependência não significa que você é fraco, que não tem firmeza ou que se torna muito passivo. De maneira nenhuma. Vemos que o nosso Senhor Jesus era profundamente dedicado. Sua vida era cheia de poder. No entanto, Seu poder e Sua dedicação dependiam de Deus, Seu Pai.

    Ele disse:

    Eu não posso fazer nada de Mim mesmo.

    Eu faço porque Meu Pai faz.

    Não posso dizer nada de Mim mesmo, porque ouvi Meu Pai dizer.

    Em outras palavras, toda a Sua vida dependia de Deus. Ele nunca agiu independentemente de Deus.

    Esse é o homem que Deus deseja, porque, em nossa dependência de Deus, encontramos a nossa realização.

    A Oração como Expressão de Dependência

    Como sabemos que o Senhor Jesus viveu uma vida de dependência? Penso que há um sinal muito evidente. De todos os Evangelhos, é no Evangelho segundo Lucas que encontramos mais registros de como o nosso Senhor Jesus orava.

    Por que você ora? Por que nós oramos? Se você é independente, não precisa orar. Não precisa pedir nada a ninguém. Nem sequer precisa orar a Deus, porque você é capaz; é independente.

    Por que nós oramos? Oramos porque sabemos que não podemos. Sabemos que precisamos depender Dele. Precisamos olhar para Ele. Precisamos esperar Nele. A oração é um sinal exterior da nossa dependência de Deus.

    Espero que vocês leiam todo o Evangelho de Lucas. Não tenho tempo de examiná-lo inteiro, mas vocês podem ver como o nosso Senhor Jesus orava. Quando saiu do Seu batismo, no capítulo 3, nós O encontramos orando.

    Antes de escolher Seus discípulos, foi ao monte e orou a noite inteira. Encorajou as pessoas a orar e a não desfalecer. Disse a Pedro:

    Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça.

    No monte da transfiguração, como Ele orou; e, enquanto orava, foi transfigurado. No Getsêmani, como Ele orou. Mesmo quando estava na cruz, como Ele orou.

    Queridos irmãos e irmãs, vemos que o nosso Senhor Jesus viveu uma vida de dependência. Como precisamos desenvolver esse tipo de vida.

    A Grandeza de Cristo

    Terceiro: ao ler a vida do nosso Senhor Jesus como Homem, vemos que Ele era um Homem de grandeza. Não me refiro ao aspecto físico, mas à amplitude do Seu coração. Ele era um Homem universal.

    O Senhor Jesus nasceu em Belém e foi criado em Nazaré. Quando tinha trinta anos, começou a viajar. Durante todos aqueles três anos e meio de viagens, nunca foi além de duzentas milhas.

    Hoje, duzentas milhas não são nada. Você pode percorrer duzentas milhas num dia. Mas talvez o nosso Senhor nunca tenha viajado além de duzentas milhas.

    No entanto, encontramos um Homem tão grande. Ele nunca foi influenciado pelos preconceitos ou pelo sistema legalista do Seu tempo. Nunca foi estreito nem pequeno. Vemos que Ele era um Homem de grandeza. Seu coração abraçava o mundo inteiro.

    Ele era tão grande que até as crianças podiam aproximar-se Dele. Era tão grande que até pecadores e publicanos podiam sentir-se à vontade em Sua presença. Irmãos e irmãs, Ele era grande.

    Como somos pequenos. Nossos corações são tão estreitos. Estamos cheios de preconceitos. Que Deus nos liberte da nossa pequenez e estreiteza. Uma pequena coisa já nos perturba. Que sejamos libertos, para que possamos ser grandes.

    O nosso Senhor Jesus é grande. Ele abraça a todos.

    A Unidade de Propósito de Cristo

    Finalmente, o Senhor Jesus tinha um único propósito. Vemos que Sua vida era dirigida por um único propósito. Ele firmou o rosto para ir a Jerusalém. Estava na terra por uma só coisa: a vontade do Pai, não importava o que Lhe acontecesse.

    Esse é o tipo de homem que Deus procura. Queridos irmãos e irmãs, que o caráter do nosso Senhor Jesus como Homem perfeito seja formado em nós: que sejamos transparentes, que tenhamos um coração amplo, que dependamos de Deus e que tenhamos um único propósito, para honrá-Lo.

    O Homem na Glória e a Transformação dos Crentes

    Hoje temos um Homem. Ele não é apenas Deus; também é Homem. Ele é um Homem na glória. Esse Homem na glória garante que um dia haverá muitos homens e mulheres na glória, porque Ele conduzirá muitos filhos à glória.

    Portanto, irmãos e irmãs, graças a Deus porque nascemos de novo. Mas, se seguirmos o Senhor, Ele trabalhará em nós pelo Seu Espírito Santo. Ele nos transformará e nos conformará à imagem do nosso Senhor Jesus, para que um dia, quando voltar, encontre muitos semelhantes a Ele.

    Ele será o Primogênito entre muitos irmãos. Haverá muitos homens e mulheres semelhantes a Ele.

    Querido Pai celestial, como Te louvamos e agradecemos porque o Teu Filho, nosso Senhor Jesus, não é apenas Deus, mas também é Homem. Nós Te agradecemos porque Ele é um Homem segundo o Teu coração. Ele é o Homem perfeito, e Tu estás buscando homens assim Nele.

    Pai, nós Te louvamos e agradecemos porque, pela Tua graça, nascemos de novo e agora estamos em Cristo. Nosso desejo hoje é: Senhor, trabalha em nós, e que o Teu caráter seja plenamente formado dentro de nós, para que Cristo seja encontrado em nós.

    Que Tu tenhas muitos filhos segundo o Teu Filho unigênito. Em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.