Por favor, abram no Evangelho segundo João. João 1.
João 1:1-4:
No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
Ele estava no princípio com Deus.
Todas as coisas vieram a existir por meio Dele, e sem Ele nem uma só coisa veio a existir, dentre as que vieram a existir.
Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.
João 1:14-18:
E o Verbo Se fez carne, e habitou entre nós, e contemplamos a Sua glória, glória como de um unigênito junto ao Pai, cheio de graça e de verdade.
João dá testemunho Dele, e clamou, dizendo: “Este era Aquele de Quem eu disse: Aquele que vem depois de mim tem a primazia sobre mim, porque era antes de mim”.
Porque da Sua plenitude todos nós recebemos, e graça sobre graça.
Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade subsistem por meio de Jesus Cristo.
Ninguém jamais viu a Deus; o Filho unigênito, que está no seio do Pai, Ele O revelou.
João 10:10, a segunda parte:
Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância.
João 20:30-31:
Muitos outros sinais, portanto, Jesus também fez diante dos Seus discípulos, os quais não estão escritos neste livro;
estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em Seu nome.
Voltemo-nos ao Senhor em oração.
Querido Pai celestial, nós Te louvamos e Te agradecemos porque nos prometeste:
Se houver dois ou três reunidos em Meu nome, ali estou Eu no meio deles.
Sabemos, em nosso espírito, que Tu estás aqui conosco, e pedimos que não apenas sintamos isso em nosso espírito, mas que verdadeiramente ouçamos a Tua voz por meio da Tua Palavra.
Que possamos ver-Te; que possamos realmente saber Quem Tu és; e que possamos desfrutar de Ti em comunhão. Entregamos este tempo em Tuas mãos e pedimos que o abençoes. Em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Mencionamos anteriormente que os quatro primeiros livros do Novo Testamento são livros históricos, porque os quatro Evangelhos registram a história do nosso Senhor Jesus.
Mas dizemos que esses quatro livros, embora sejam registros históricos, são mais do que história. Na verdade, são revelação do alto. Deus procura nos revelar Cristo por meio da história.
Se tudo o que sabemos a respeito do Senhor Jesus são apenas os acontecimentos históricos, perdemos de vista o verdadeiro propósito desses livros. Em outras palavras, por meio do conhecimento da história do nosso Senhor Jesus, devemos receber uma revelação — uma revelação de Quem o Senhor Jesus realmente é.
Não se trata apenas de um conhecimento mental; precisa ser um entendimento espiritual. E, se realmente virmos, por meio da história, Quem o Senhor Jesus é, seremos atraídos à comunhão com Ele.
E, como já mencionamos muitas vezes, dessa comunhão certamente haverá transformação. Isto é, seremos transformados de glória em glória, segundo a Sua imagem.
Portanto, ao nos aproximarmos desses livros históricos do Novo Testamento, este é o nosso desejo e a nossa oração: que possamos realmente ver, no íntimo do nosso espírito, Quem Jesus de fato é.
No Evangelho segundo Mateus, vemos Jesus como o Rei, e como Ele é diferente dos reis deste mundo. Ele é o Rei a Quem devemos seguir e obedecer.
E, ao segui-Lo e obedecer-Lhe, Seu caráter real se tornará nosso, porque não apenas fomos comprados pelo precioso sangue do Senhor Jesus, mas Ele também nos fez reis e sacerdotes para Deus.
Depois, no Evangelho segundo Marcos, vemos Jesus como o Servo do Senhor. Ele nos chama a tomar o jugo juntamente com Ele, para que aprendamos Dele e sirvamos ao propósito de Deus, assim como Ele serviu ao propósito de Deus.
No Evangelho segundo Lucas, vemos o Senhor Jesus como o Filho do Homem. Ele é o princípio de uma nova humanidade. E, ao vê-Lo como o Homem — o Homem segundo o coração de Deus —, seremos atraídos a Ele, e Seu próprio caráter começará a ser incorporado em nós.
Assim, verdadeiramente nos tornamos essa nova humanidade que pertence a Ele.
Agora, nesta manhã, gostaríamos de abordar o Evangelho segundo João. João, como sabemos, é o último dos quatro Evangelhos. Nesse Evangelho, João nos apresenta Jesus como Deus Filho.
Isso fica muito claro porque, em João 20:30-31, ao concluir seu Evangelho, ele mesmo nos diz que essas coisas estão sendo escritas, esses sinais estão sendo registrados, para que creiamos que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus.
E, crendo Nele, receberemos vida — vida eterna — em Seu nome.
Primeiramente, gostaríamos de pensar na expressão o Filho de Deus. O que ela significa? O que significa Ele ser o Filho de Deus?
Mencionamos, na última ocasião, que Ele também é chamado de Filho do Homem. Como Filho do Homem, em primeiro lugar, Ele é Homem. Ele é um Homem verdadeiro, um Homem perfeito. E, em segundo lugar, como Filho do Homem, Ele é o princípio de uma nova humanidade.
Agora, o que significa Ele ser o Filho de Deus?
“Filho de Deus” significa que Ele é Deus. Ele é a imagem do Deus invisível. Ninguém jamais viu a Deus, mas Aquele que está no seio do Pai, Ele O revelou.
Nosso Senhor Jesus, sendo o Filho de Deus, é a imagem do Deus invisível. Nas Escrituras, a palavra “imagem” sempre fala de representação. Nosso Senhor Jesus, como o Filho de Deus, é a plena representação daquilo que Deus é.
E “imagem” também significa manifestação. Ele é a plena manifestação daquilo que Deus é.
Nos tempos do Antigo Testamento, encontramos Deus falando aos nossos pais por meio dos profetas. Mas tudo o que Deus revelou de Si mesmo por meio dos profetas veio em porções e fragmentos. Era em partes, não no todo; era de muitas maneiras, mas não em sua totalidade.
Mas, quando Deus enviou Seu Filho a este mundo, e quando Deus falou no Filho, vemos que Deus foi plenamente revelado. Deus foi plenamente manifestado. O mistério de Deus foi completamente desvendado, porque nosso Senhor Jesus é o mistério de Deus.
Portanto, quando pensamos no Filho de Deus, pensamos Nele como o próprio Deus, como a plena representação e a plena manifestação de Deus.
O Senhor Jesus disse:
Se virdes a Mim, vereis Meu Pai.
Se ouvirdes a Mim, ouvireis Meu Pai, porque Eu e o Pai somos um.
E esse é o significado de ser o Filho de Deus.
Agora, é claro, há um significado secundário. É semelhante ao fato de Ele ser o Filho do Homem. Em outras palavras, por ser o Filho de Deus, Ele é o unigênito de Deus.
E o Filho unigênito de Deus veio a este mundo para conduzir muitos filhos à glória. O Filho unigênito de Deus há de ser o Primogênito, para que seja o Primogênito entre muitos irmãos e conduza muitos filhos à glória.
O Evangelho segundo João começa com estas palavras:
No princípio era o Verbo.
Agora, sabemos que a palavra verbo significa simplesmente fala, enunciação, expressão.
O Senhor Jesus é a própria fala de Deus. Ele é a própria enunciação de Deus. Ele é a própria expressão de Deus.
No princípio era o Verbo.
Isso fala de Sua preexistência eterna. Ele existe por Si mesmo desde a eternidade passada.
E o Verbo estava com Deus.
Isso fala de Sua Pessoa distinta. Ele é uma Pessoa; há uma distinção em Sua Pessoa.
E o Verbo era Deus.
Isso fala da unidade essencial e eterna da Divindade.
Portanto, logo no início, vemos que nosso Senhor Jesus, como o Filho de Deus, é a expressão de Deus. Ele está com Deus, e Ele é o próprio Deus. Todas as coisas foram criadas por Ele. Não há nada que não tenha sido criado por Ele. E Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.
Esse Verbo de Deus Se fez carne. Em outras palavras, o Filho Se encarnou. Vemos que o Verbo Se fez carne.
Agora, no Evangelho de João, não nos é dito como Ele Se fez carne. Mas sabemos, pelos outros Evangelhos, que, pelo poder do Espírito Santo sobre o ventre da virgem Maria, nasceu Cristo Jesus, o Santo.
Mas, quanto Àquele que é a plenitude de Deus — vocês se lembram de que, em Colossenses, é dito que toda a plenitude da Divindade se agradou de habitar Nele? Nosso Senhor Jesus, o Filho de Deus, é a plenitude da Divindade.
Agora, para que a plenitude da Divindade viesse a este mundo, tomasse sobre Si a forma de homem, até mesmo a semelhança da carne pecaminosa, mas sem pecado — como isso poderia acontecer?
Em Filipenses 2, somos informados de que Ele, sendo igual a Deus, não considerou essa igualdade como algo a que devesse Se apegar. Ele Se esvaziou.
Para Se tornar Homem, Ele precisou Se esvaziar. Esse esvaziamento não significou abrir mão de Sua divindade — isso é impossível. O esvaziamento consistiu em abrir mão de toda a glória, honra, posição, majestade e adoração ligadas à divindade.
Ele abriu mão de tudo para tomar sobre Si a forma de escravo, a própria semelhança de homem. E, estando na semelhança de homem, humilhou-Se ainda mais, tornando-Se obediente a Deus até a morte — sim, a morte de cruz.
Assim, vemos que Deus Filho, um dia, há dois mil anos, Se fez carne e habitou entre os homens. No original, a palavra habitou significa armou Seu tabernáculo. O Verbo Se fez carne e armou Seu tabernáculo entre os homens.
Isso, é claro, nos leva imediatamente ao Antigo Testamento. Ali vemos que Deus libertou os filhos de Israel do Egito. Ele os trouxe a Si no monte Sinai, e ali Deus lhes revelou Seu pensamento.
Deus disse:
Fazei-Me um tabernáculo, para que Eu habite entre vós.
Portanto, irmãos e irmãs, lembremo-nos de que o pensamento de Deus é sempre habitar entre os homens. Deus ama habitar com os homens.
Mas, infelizmente, Ele não havia podido habitar com os homens, porque Ele é santo e os homens são pecadores. Assim, na tipologia, vemos que somente depois de libertar os filhos de Israel do Egito Deus começou a lhes revelar Seu pensamento e a dizer: “Quero habitar entre vocês. Façam-Me um tabernáculo”.
Mas, na realidade, esse tabernáculo é o Senhor Jesus. O Verbo feito carne é o tabernáculo. Quando o Verbo Se fez carne, Ele armou Seu tabernáculo entre os homens. Agora Deus está com os homens, e Ele é cheio de graça e de verdade.
Sabemos que Deus é amor. Essa é a própria natureza de Deus: Deus é amor. Em outras palavras, Deus sempre ama, e Seu amor não depende das circunstâncias externas.
Vocês sabem, quando amamos, nosso amor é muito influenciado pelo que está ao nosso redor. Mas Deus, sendo amor, ama a partir de Si mesmo. Isso não depende do ambiente; não depende das condições. É a própria natureza de Deus. Deus é amor. Mesmo quando julga, Ele ama.
E, quando o amor se traduz em uma expressão humana e prática, isso é graça — graça, graça. Portanto, aqui vemos o Verbo encarnado, cheio de graça, porque o amor de Deus agora se converte em graça concreta: atos, obras de graça.
Nosso Senhor Jesus é cheio de graça e cheio de verdade. Agora, sabemos que Deus não é apenas amor; Ele também é luz. Deus é luz, e Nele não há treva alguma.
Quando a luz se traduz em uma manifestação humana e prática, isso é verdade. E é por essa razão que, quando o Verbo Se fez carne e armou Seu tabernáculo entre os homens, Ele era cheio de graça e de verdade.
Ele é a própria expressão prática daquilo que Deus realmente é. Nele encontramos as palavras de verdade, e Nele encontramos as obras de graça.
É muito interessante ler o Evangelho segundo João. João escreve de tal maneira que frequentemente começa com um acontecimento — uma obra de graça — e depois apresenta um ensinamento, as palavras de verdade.
É assim que o Evangelho de João foi escrito. Ele é cheio de graça e de verdade.
Então a Bíblia diz:
A lei foi dada por Moisés.
Em outras palavras, Moisés foi o instrumento por meio do qual a lei veio aos filhos de Israel. Mas a graça e a verdade subsistem por meio de Jesus Cristo.
O que significa dizer que a graça e a verdade subsistem em Cristo Jesus? Significa que, antes da vinda de Cristo, não havia graça nem verdade no mundo. Foi com a Sua vinda que a graça e a verdade vieram a esta terra.
Por que é assim? Porque a graça e a verdade não são apenas algo que procede de Deus. A graça e a verdade são a própria essência de Deus.
Em outras palavras, quando Cristo veio ao mundo, a graça veio à terra e a verdade veio à terra. E, quando recebemos graça, quando recebemos verdade, estamos, na realidade, recebendo o próprio Cristo. Ele comunica a Si mesmo na forma de graça e na forma de verdade.
Vocês sabem, irmãos e irmãs, há uma grande diferença. Às vezes, podemos ouvir um ensinamento e talvez dizer que ele é verdadeiro porque é correto, preciso e certo.
Mas, se tudo o que recebemos é apenas um ensinamento correto, e se Cristo não está sendo recebido, irmãos e irmãs, isso não é verdade. É apenas um ensinamento.
Não podemos dizer que isso é verdade, porque, quando a verdade está realmente sendo recebida, o que vocês recebem não é apenas um ensinamento. O que vocês recebem é uma Pessoa viva — é Cristo. Ele é a verdade.
E o mesmo se aplica à graça. Podemos presenciar um milagre; podemos presenciar uma obra maravilhosa. Mas, se tudo o que vimos foi apenas um milagre, uma obra maravilhosa, e se Cristo não está nela, então, mesmo que seja algo muito maravilhoso, não podemos dizer que isso é graça.
Por quê? Porque a graça é o próprio Senhor. Ele mesmo é a graça que nos é concedida.
Portanto, seja o que for que Ele faça ou ensine, não se trata apenas de fazer algo maravilhoso ou ensinar algo maravilhoso. Em tudo o que faz e em tudo o que ensina, Ele está, na realidade, comunicando a Si mesmo a nós por meio de Seus ensinamentos e de Suas obras.
Assim, queridos irmãos e irmãs, não podemos nos deter apenas em um ensinamento em si, ou em uma obra em si. Precisamos ver que todos os Seus ensinamentos de verdade e todas as Suas obras de graça não têm outro propósito senão que O recebamos — que O tenhamos como nossa graça e O tenhamos como nossa verdade.
Vocês sabem, o Evangelho segundo João usa uma palavra muito especial. Nosso Senhor Jesus, quando esteve na terra, fez muitas obras maravilhosas, milagres e prodígios. Mas, no Evangelho segundo João, João não usa a palavra prodígio ou milagre. Em vez disso, João sempre usa a palavra sinal.
Agora, o que é um sinal? Um sinal é uma indicação, uma placa de orientação. Um sinal aponta para alguma coisa. Em outras palavras, um sinal não é a coisa em si; um sinal aponta para algo além dele.
Portanto, todos os milagres realizados no Evangelho segundo João são chamados de sinais. Por quê? Porque Deus não quer que fiquemos ocupados apenas com esses prodígios, por mais maravilhosos que sejam — e eles são maravilhosos.
Mas Deus quer que vejamos algo além desses prodígios e milagres. Ou, em outras palavras, Ele quer que vejamos Alguém.
E é por essa razão que todos esses sinais foram registrados. João disse que havia muitos outros sinais que ele não registrou, mas considerou que os sinais registrados eram suficientes para demonstrar que Jesus é o Filho de Deus. E, se vocês O recebem, recebem vida.
Agora, outra coisa: lembremo-nos de que, no Evangelho segundo João, a palavra vida recebe muita ênfase.
O Senhor Jesus disse:
Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância.
Na verdade, todas as Suas palavras de verdade e todas as Suas obras de graça, quando reunidas, podem ser expressas em uma única palavra: vida.
Suas palavras de verdade têm o propósito de nos dar vida. Suas obras de graça têm o propósito de nos dar vida. Vida é o que Ele veio conceder.
Ele é o Filho de Deus e, sendo o Filho de Deus, tem vida em Si mesmo. E Ele tem o poder de dar Sua vida a todo aquele que crê Nele. Por isso, a palavra vida recebe muita ênfase no Evangelho segundo João.
E, quando lemos esses sinais no Evangelho, vemos que são sinais de vida. Por meio desses sinais, o Senhor nos diz que tipo de vida Ele nos concede.
Precisamos reconhecer a vida que recebemos do Senhor Jesus. Que tipo de vida é essa? Podemos vê-la em todos esses sinais.
Ao todo, no Evangelho segundo João, há oito sinais registrados. O primeiro: em João 2, vemos o Senhor transformando a água em vinho. Isso aconteceu em Caná da Galileia, durante uma festa de casamento.
É muito interessante que o primeiro sinal realizado por nosso Senhor Jesus tenha sido em um casamento. A Bíblia diz que esse foi o primeiro sinal que Ele fez para manifestar Sua glória.
Por que esse primeiro sinal deveria acontecer em um casamento? Porque sabemos, pela Palavra de Deus, que no pensamento de Deus há um casamento.
Todos os casamentos que vocês veem nesta terra são apenas uma figura daquele casamento entre Cristo e Sua igreja. Vocês se lembram de que Paulo, em Efésios 5, ensina sobre o relacionamento entre o marido e a esposa, e o tempo todo diz que o marido e a esposa são apenas uma figura de Cristo e da igreja.
Grande é este mistério.
Mas ele diz:
Eu falo de Cristo e da igreja.
Porque, lá na eternidade passada, antes de Deus criar qualquer coisa, havia um casamento no pensamento de Deus.
Ele disse:
Não é bom que o homem esteja só.
Ele tinha Seu Filho unigênito, mas disse: “Não é bom que Ele esteja só. Quero dar-Lhe uma companheira de vida”.
Haverá um casamento, um casamento eterno, entre Cristo e Seu povo, a igreja. Isso está no próprio coração de Deus.
Essa é a razão pela qual o primeiro sinal que nosso Senhor Jesus realizou na terra aconteceu em uma festa de casamento. Isso nos dá uma indicação do que Deus realmente busca. Foi para isso que Cristo veio ao mundo.
Ele transformou a água em vinho.
Antigamente, quando havia um casamento, normalmente havia um banquete. Não era como hoje, quando, depois do casamento, talvez haja apenas um pequeno lanche. Antigamente, depois de cada casamento, normalmente havia um período de festa.
Segundo a tradição judaica daquela época, eles costumavam festejar durante vários dias. Lembro-me de quando meu irmão mais velho se casou; ainda foi à moda antiga. Todos os parentes e amigos vieram, e festejamos durante três dias.
Aqui vemos esse jovem casal se casando, com muitos convidados e, provavelmente, muitos que nem haviam sido convidados. Talvez esse casal fosse bastante popular, e por isso vieram mais convidados do que o esperado. A festa continuou dia após dia, e talvez, no terceiro dia, todo o vinho tivesse acabado.
Que tragédia seria! Que vergonha isso traria ao casal recém-casado! Eles estavam no auge da felicidade e, de repente, não havia vinho. Que vergonha seria!
Mas, felizmente, Maria estava ali. Naturalmente, ela se voltou ao Senhor Jesus, e então vemos o Senhor Jesus transformar a água em vinho.
Agora, não vou explicar essa história, porque esse não é o meu propósito. Mas o que quero enfatizar é isto: o que é a água?
A água não tem graça, não tem sabor. E, na verdade, a água com que o Senhor Jesus mandou os servos encherem os recipientes de pedra era água para purificação.
Havia seis recipientes de pedra na entrada, e essa água era para purificação. Segundo a tradição judaica, sempre que os convidados entravam na casa, precisavam ter os pés lavados.
Eles usavam sandálias, não sapatos, e as ruas não eram pavimentadas; eram ruas de terra. Assim, quando as pessoas entravam, precisavam ter os pés lavados. Caso contrário, não se sentiriam à vontade para desfrutar do banquete.
Provavelmente também precisavam lavar as mãos, porque essa era a tradição judaica. Tinham de lavar as mãos e os pés. Havia ali seis recipientes de pedra com água — muita água —, mas evidentemente havia muitos convidados, e por isso a água foi diminuindo cada vez mais.
O Senhor Jesus mandou enchê-los de água. Assim, a água aqui, em certo sentido, representa nossa velha vida — a vida que recebemos de nosso pai Adão, a vida adâmica.
Essa vida não tem graça; não tem sabor. E a única utilidade dessa vida é lavar por fora. Em outras palavras, tudo o que podemos fazer é ter uma aparência exterior de limpeza.
Algumas pessoas parecem ser muito corretas. Algumas parecem ser muito bondosas. Algumas parecem ser muito generosas. Mas, vocês sabem, isso é apenas uma fachada exterior. Quanto ao coração, ele continua tão perverso quanto sempre foi.
Nossa vida só consegue fazer algo exteriormente, dando uma aparência de limpeza. Mas, no que diz respeito ao nosso coração interior, ele é mais perverso do que qualquer outra coisa e, vocês sabem, engana até a nós mesmos.
Apenas água. E nem isso é suficiente. O nível vai baixando cada vez mais naqueles recipientes. Nossa vida é insuficiente. Nossa vida não é nada.
E então vemos nosso Senhor Jesus transformar a água em vinho. A própria natureza do vinho e a própria natureza da água são muito diferentes. Vocês não podem transformar água em vinho a menos que algo novo entre nela.
Portanto, na realidade, quando o Senhor Jesus transformou a água em vinho, Ele colocou algo na água. E vocês sabem o que Ele colocou? Ele colocou a Si mesmo. Ele colocou Sua própria vida em nossa vida.
E, ao colocar Sua vida em nós, experimentamos uma transformação.
O vinho é aquilo que alegra o coração. O vinho é aquilo que nos faz esquecer nossas tristezas. E vemos que havia tamanha abundância de vinho naqueles seis recipientes de pedra que não apenas podia suprir todos os convidados durante a festa de casamento, mas ainda sobrava muito para o jovem casal desfrutar.
Em outras palavras, isso significa que é inesgotável. A vida que nosso Senhor Jesus nos concedeu é cheia de sabor, cheia de alegria, e é inesgotável. Essa é a vida que o Senhor Jesus ofereceu àqueles que creem Nele.
Gostaria de falar um pouco sobre transformação. Transformação não significa que sua carne seja transformada em espírito — de modo algum.
A Bíblia diz:
O que é nascido da carne é carne;
e o que é nascido do Espírito é espírito.
E isso é eternamente verdadeiro.
O que é nascido da carne é sempre carne. Vocês nunca podem mudá-lo. Podem melhorar sua aparência; podem lavá-lo exteriormente. Mas nunca podem mudar sua própria natureza. A carne é sempre carne; continua sendo carne.
E o que é nascido do Espírito é espírito. Tudo o que procede do Espírito de Deus é de Deus, e isso vocês também não podem mudar.
Portanto, transformação não significa que sua carne agora se transformou em espírito — de modo algum. Transformação significa simplesmente que a vida de Cristo entra em sua vida, e essa nova vida toma o lugar da velha vida em vocês.
Daí em diante, é a vida Dele que se manifesta em vocês. Isso é transformação.
Ou posso colocar de outra maneira? Nossa alma — isto é, nós mesmos — permanece como um órgão. Deus nos criou como alma vivente, portanto nossa alma permanece a mesma.
Mas o problema é que, como resultado da queda do homem, a vida da alma somos nós mesmos. O eu se torna a própria vida de nossa alma.
Essa é a razão pela qual todos os nossos pensamentos, emoções, intenções, decisões e desejos expressam apenas a nós mesmos. Tornam-se egoístas; a carne se torna egoísta.
Agora, quando ocorre a transformação, vemos que uma nova vida entra em nossa alma. Ela toma o lugar do eu. Cristo agora vive em meu coração, em vez de o eu reinar em mim.
E o resultado é que começo a amar como Ele ama. Começo a conhecer o pensamento de Deus e começo a querer a vontade de Deus. Isso é transformação.
Suponhamos que eu esteja crucificado com Cristo.
Já não sou eu quem vive;
é Cristo Quem vive em mim.
Em outras palavras, o “eu” ainda está ali. Eu, como pessoa, ainda estou ali. Todos vocês continuam ali.
Isso não significa que, quando acontece a transformação, vocês deixam de existir. Vocês continuam ali. Mas lembrem-se: embora vocês estejam ali, não são vocês; é Cristo Quem vive em vocês. Essa é a diferença.
Assim, Paulo podia dizer:
Para mim, o viver é Cristo.
Se vocês olharem para Paulo, é Paulo; mas o que procede de Paulo não é Paulo — é Cristo. Isso é transformação.
Irmãos e irmãs, não temos confiança em nossa carne, pois sabemos que nossa carne permanece sempre a mesma. Mesmo que vocês creiam no Senhor há trinta anos, sua carne ainda é a mesma carne; não mudou nem um pouco.
Mas, graças a Deus, sabemos que Ele nos deu uma vida. E, se permitirmos que essa vida reine em nossa alma, veremos que estamos sendo transformados de glória em glória, segundo a Sua imagem.
Aqui, o Senhor Jesus, como o Filho de Deus, nos concede uma nova vida — que é Ele próprio. E essa vida é alegre, satisfatória e inesgotável. Graças a Deus, temos essa vida.
Depois encontramos o segundo sinal que Ele realizou, em João 4. Ali vemos que nosso Senhor Jesus curou o filho de um oficial do rei.
Aqui estava um oficial do rei. Esse homem devia ser romano. Ele fazia parte do círculo real; devia ter riqueza, honra, posição e tudo o mais. Mas, infelizmente, seu filho estava doente, à beira da morte.
De que adiantam posição, riqueza, honra e todas essas coisas se seu filho, seu único filho, está morrendo? Isso torna todas as coisas vãs.
Felizmente, esse oficial ouviu falar do Senhor Jesus. Então veio de Cafarnaum a Caná para suplicar ao Senhor que fosse à sua casa e curasse seu filho.
O Senhor disse:
Volta. Teu filho está curado.
Pela fé, crendo no Senhor Jesus, ele voltou para casa. No caminho, encontrou seus servos, que vinham lhe dizer que seu filho estava bem.
Ele perguntou a hora, e era exatamente a hora em que o Senhor Jesus lhe havia dito:
Vai para casa; teu filho está curado.
E ele creu, e toda a sua casa creu.
Esse é o segundo sinal que nosso Senhor Jesus realizou. Qual é o significado desse sinal? Creio que seu significado é que o Senhor, como o Filho de Deus, nos concede Sua vida, e essa vida nos dá sentido. Essa vida nos dá força.
Aquela criança estava com febre alta. A febre fez com que ela perdesse a lucidez e os sentidos; tudo estava confuso e, por fim, ela caminhava para a morte.
Agora, irmãos e irmãs, vocês sabem que é assim a nossa velha vida? Se vocês olharem para sua velha vida, ela está febril. Estamos tão agitados; não sabemos o que estamos fazendo. Estamos todos confusos.
Podemos fazer alguma loucura, e o resultado é a morte. Não conhecemos o sentido nem o propósito da vida. Não sabemos. Agarramo-nos a isto e àquilo, mas somos completamente ignorantes.
Mas, graças a Deus, quando a vida do nosso Senhor Jesus entra em nós, Ele dá sentido à vida. E, como cantamos: “A vida vale a pena por causa Dele”.
Se não fosse por Ele, a vida não valeria a pena. Isso é verdade. Mas, quando Sua vida entra em nós, ela dá um novo sentido à nossa vida. Sabemos por que estamos aqui.
Não estamos aqui apenas para nós mesmos, para desfrutar de nós mesmos ou desfrutar do mundo. Não, estamos aqui para adorar o Senhor, desfrutar Dele e permitir que Ele desfrute de nós. É por isso que estamos aqui.
E Ele nos dá novas forças para prosseguirmos na jornada da vida. Portanto, irmãos e irmãs, essa é a nova vida que nos foi concedida.
Depois encontramos o terceiro sinal. O terceiro sinal está registrado em João 5. Ali há um homem que estava enfermo havia trinta e oito anos.
Ele ficava deitado junto ao tanque, esperando que, quando o anjo descesse e agitasse a água, a primeira pessoa a entrar fosse curada. Mas, por ser paralítico, ele não podia fazer isso sozinho, e ninguém o colocava ali com rapidez suficiente para que fosse o primeiro.
Assim, ele estava deitado ali havia trinta e oito anos, e não havia absolutamente nenhuma esperança. Ele havia perdido toda a esperança.
Então o Senhor Jesus veio e disse:
Queres ficar são?
Em outras palavras, o Senhor colocou um pensamento em seu coração. Naturalmente, ele disse: “Quero”. E o Senhor disse:
Levanta-te, toma o teu leito e vai para casa.
E ele foi curado.
Depois, o Senhor Jesus o encontrou no templo.
Agora, irmãos e irmãs, o que esse sinal nos diz a respeito da vida? Aqui vemos que a vida que tínhamos originalmente é uma vida enferma. Não podemos andar. Não podemos andar no caminho da justiça.
Esse homem estava doente por causa de seu pecado; era um juízo. Sabemos que o juízo já está sobre nós. Não temos esperança e, provavelmente, já desistimos de ter esperança.
Talvez antes tenhamos tentado ser bons, assumir um compromisso, mas talvez agora tenhamos perdido a esperança, porque simplesmente não há esperança em nós.
Mas, graças a Deus, quando Cristo vem, Ele nos dá esperança. Ele nos dá Sua própria vida. O resultado é que esse homem não apenas é liberto, mas o encontramos adorando no templo.
Em outras palavras, há descanso. Há descanso. E o Senhor fez isso no sábado, porque o Senhor Jesus é o nosso sábado.
Queridos irmãos e irmãs, a vida que recebemos do Filho de Deus é um descanso sabático. Fomos libertos da escravidão do pecado e agora descansamos Nele. E, porque descansamos Nele, nós O adoramos. Essa é a vida que Ele nos concedeu.
O quarto sinal está em João 6. Ali vemos nosso Senhor Jesus alimentando cinco mil pessoas com cinco pães e dois peixes.
Aqui vemos o Senhor Jesus dizendo:
Eu sou o pão da vida.
Irmãos e irmãs, Ele não é apenas vida; Ele também é o pão da vida.
Em outras palavras, Ele não apenas nos dá Sua vida, mas continuamente nos supre com Ele mesmo como pão.
Como precisamos crer Nele! Como precisamos confiar Nele! Como precisamos recebê-Lo dia após dia, dia após dia, ao longo de nossa jornada pelo deserto!
Deus fez chover maná sobre os filhos de Israel durante toda a sua jornada pelo deserto. Em certo sentido, estamos no deserto hoje. O mundo não passa de um deserto.
Mas como teremos forças para atravessar este mundo? Recebendo-O como o pão da vida. Oh, como Ele Se dá continuamente!
Ele disse:
Assim como Eu vivo pelo Meu Pai, vós vivereis por Mim.
Irmãos e irmãs, aprendemos esse segredo? Ainda estamos vivendo por nós mesmos, confiando em nossa própria força? Assim vocês não conseguirão.
Não sabemos que precisamos viver por Ele? Sem Ele, nada podemos fazer. Sem Ele, não podemos completar nossa carreira. Precisamos de Sua vida, suprindo-nos continuamente como o pão do céu.
Nós nos alimentamos Dele? Vocês não precisam apenas recebê-Lo, mas precisam se alimentar Dele.
Quanto ao maná, era preciso recolhê-lo todos os dias antes que o sol esquentasse. Quando o sol esquentava, o orvalho secava e o maná desaparecia.
Por isso, como precisamos ir diariamente ao Senhor e recebê-Lo como nosso pão de cada dia — para nossa necessidade diária, para nosso sustento e suprimento espiritual.
Irmãos e irmãs, Ele é o nosso suprimento. Ele é Aquele que supre, e Ele também é o suprimento.
Depois encontramos o quinto milagre, o sinal que o Senhor realizou, em João 9. Ali nosso Senhor Jesus abriu os olhos do cego. Aquele homem era cego de nascença.
Os discípulos começaram a tentar descobrir por que aquele homem era cego. Seria por causa dos pecados de seus pais, ou por causa de seu próprio pecado? Ora, como ele poderia pecar antes de nascer?
Mas, vocês sabem, quando tentamos teologizar as coisas, podemos fazer qualquer coisa. Esses discípulos eram teólogos por natureza, e teorizavam sobre tudo.
O Senhor Jesus disse:
Não façais todas essas coisas. É para a glória de Deus.
Vocês não veem a lógica disso, não é? Mas há uma lógica aí.
Aqui vemos que o Senhor Jesus abriu os olhos daquele que era cego de nascença, e Ele disse:
Eu sou a luz do mundo.
Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.
Irmãos e irmãs, éramos cegos — cegos de nascença. Nunca vimos.
Não pensem que já viram, enquanto ainda são cegos. Nunca vimos a realidade. Fomos enganados a vida inteira. Vivemos de imaginação e suposições.
Mas, graças a Deus, quando Sua vida entra em nós, começamos a ver. Em Sua luz, vemos a luz. Oh, irmãos e irmãs, que diferença!
Vemos que Sua luz é a luz da vida. Quando a luz da vida começa a brilhar sobre nosso caminho, sabemos para onde estamos indo.
Se andarmos na luz, como Ele está na luz, temos comunhão uns com os outros,
e o sangue de Jesus Cristo, Filho de Deus, nos purifica de todo pecado.
É aí que está a vida.
O sexto sinal é a ressurreição de Lázaro, em João 11. Ali vemos que nosso Senhor Jesus ressuscitou um morto. Lázaro estava morto.
O maravilhoso é que essa família era amada pelo Senhor Jesus, e eles amavam o Senhor. As duas irmãs mandaram um recado ao Senhor Jesus, porque Ele estava do outro lado do Jordão.
Por causa da oposição dos judeus, nosso Senhor havia Se retirado para além do rio Jordão, e permaneceu ali. Assim, as duas irmãs mandaram um recado ao Senhor Jesus e disseram:
Aquele a quem Tu amas está enfermo.
Elas acreditavam que isso seria suficiente, que o Senhor viria depressa, colocaria a mão sobre Lázaro e o curaria. Mas, quando o Senhor ouviu essa notícia, permaneceu onde estava.
Ele não veio até que Lázaro estivesse morto. Então o Senhor Jesus disse:
Vamos, para que Eu o desperte do sono.
Os discípulos disseram: “Bem, se Lázaro realmente está dormindo, isso é bom”. E o Senhor disse: “Não, ele está morto”. Mas o Senhor disse que iria ressuscitá-lo dentre os mortos, para que eles vissem a glória de Deus.
Quando o Senhor chegou, Lázaro já estava no túmulo havia quatro dias. Marta disse que a decomposição já havia começado. Completamente morto.
Por quê? Porque o Senhor Jesus queria manifestar Sua glória como o Filho de Deus. Ele é a ressurreição e a vida.
Vocês não conhecem a ressurreição se não há morte. Caso contrário, chamam isso de reanimação ou algo semelhante. Mas, quando há morte real, então há ressurreição real.
Assim, aqui vemos nosso Senhor Jesus dizendo:
Eu sou a ressurreição e a vida.
Deixem a velha vida morrer, porque Eu lhes darei uma vida que passou pela morte e saiu da morte. Sim, ressurreição.
Queridos irmãos e irmãs, não é verdade que, muitas vezes, em nossa experiência, quando estamos em dificuldades e temos algum problema, clamamos: “Senhor, depressa, depressa! Vem nos ajudar. Não nos deixes morrer”?
Às vezes, vemos que o Senhor simplesmente permanece onde está. Vocês começam a se perguntar, começam a culpá-Lo e começam a murmurar. Dizem: “Agora o Senhor não me ama mais”.
Não. Ele quer que vocês morram, para que possam experimentar a ressurreição. Oh, quantas vezes Ele permite que cheguemos ao fim, ao fim de tudo, antes de vir!
E, graças a Deus, quando Ele vem, que glória! É ressurreição. Em outras palavras, é Ele; não são vocês. Vocês não podem ficar com nenhuma glória disso. Toda a glória é Dele. Ele é a ressurreição e a vida.
O sétimo sinal é o maior de todos os sinais: a ressurreição do próprio Senhor Jesus, em João 20.
Ali vemos que o Senhor Jesus foi ao túmulo, ficando sepultado por três dias. E, ao terceiro dia, vemos que Ele ressuscitou dentre os mortos.
Nunca havia existido um homem que entrasse na morte e fosse capaz de sair dela.
Mas aqui vemos nosso Senhor Jesus fazer isso voluntariamente, deliberadamente, porque Ele disse:
Ninguém pode tirar de Mim a Minha vida.
Eu dou a Minha vida, e posso retomá-la.
A razão pela qual o Senhor entregou Sua vida foi por nossa causa. Ele entrou na morte. Ele tirou da morte o seu poder e saiu vitorioso.
Isso não é uma vitória? Que vitória — a maior vitória do mundo!
Queridos irmãos e irmãs, essa é a vida que Ele nos concedeu. Não é uma vida derrotada. Não é uma vida fraca. É uma vida forte, vitoriosa.
Ela é capaz de vencer até a própria morte. Não há nada que ela não possa vencer. Essa é a vida que Ele nos concedeu.
E, finalmente, em João 21, o oitavo sinal acontece depois da ressurreição. Vemos que os sete discípulos foram pescar, mas naquela noite não pegaram nada.
De manhã, o Senhor estava na praia e disse:
Filhos, tendes alguma coisa para comer? Apanhastes alguma coisa?
Nada.
Então perceberam que era o Senhor. Vemos que o Senhor preparou o café da manhã para eles. E, quando estavam terminando de comer, o Senhor começou a perguntar a Pedro:
Tu Me amas?
E o Senhor disse:
Apascenta os Meus cordeiros.
E assim por diante. Agora, o que isso significa?
Significa que a vida que nosso Senhor Jesus nos concedeu é uma vida de amor — é uma vida de amor. E, porque há amor nessa vida, certamente haverá serviço.
Vocês não podem pensar apenas em si mesmos. Precisam enxergar os cordeiros. Precisam pastorear as ovelhas. Precisam alimentar as ovelhas. Essas são as palavras, irmãos e irmãs.
A vida que recebemos do Senhor Jesus é uma vida sacrificial. É uma vida de amor. É uma vida de serviço.
Vocês não podem simplesmente ficar sentados, recebendo, recebendo e recebendo o tempo todo. Precisam dar. Precisam amar. Precisam servir.
Precisam pensar nos pequeninos entre o povo de Deus. Precisam ajudar aqueles que já cresceram. Precisam cuidar dos que estão enfermos — espiritualmente enfermos.
Irmãos e irmãs, esse é o tipo de vida que recebemos.
Assim, nesses oito sinais, vemos que o Senhor está nos dizendo que Ele é o Filho de Deus. Se vocês creem no Filho de Deus, recebem vida. Vocês O recebem como sua vida.
E, quando Ele entra em vocês como sua vida, o que acontecerá? Vocês terão alegria e satisfação.
Encontrarão sentido na vida, e haverá força. Verão que estão sendo libertos e terão descanso.
Verão que têm não apenas vida, mas vida em abundância — sendo supridos diariamente. Verão que há uma luz dentro de vocês, brilhando sobre seu caminho, para que saibam para onde estão indo e o que estão fazendo.
E, se tiverem feito algo errado, o sangue do Senhor Jesus os purificará quando reconhecerem isso.
Verão que é uma vida capaz de vencer a morte. Estamos cercados pela morte, mas há uma vida que vencerá. A vida de Cristo é uma vida vitoriosa. É uma vida ressurreta; está no céu, assentada nas regiões celestiais.
E verão que essa vida é uma vida de amor e serviço. Irmãos e irmãs, essa é a vida que Ele nos concedeu.
Portanto, não se trata apenas de ler o Evangelho de João como história. Trata-se de receber Jesus como o Filho de Deus.
Se vocês realmente O recebem como o Filho de Deus, recebem vida. E esse é o tipo de vida que receberam.
Não é de admirar que o apóstolo Paulo tenha dito:
Toda a plenitude da Divindade habita Nele corporalmente,
e vós estais completos Nele.
Tudo está Nele, e Ele deu a Si mesmo a vocês. Portanto, vocês estão completos Nele.
Que o Senhor seja tudo para nós. Não precisamos ir a outro lugar para recolher espigas; recolhamos espigas no campo do nosso Boaz.
Vamos orar?
Querido Pai celestial, nós Te louvamos e Te agradecemos porque nos revelas Teu Filho, o Filho de Deus.
E, crendo Nele, recebemos vida em Seu nome. Nós Te agradecemos pela vida que recebemos.
Pedimos que abras nossos olhos para vermos que vida é essa, para que nos recusemos a continuar vivendo por nossa própria vida corrompida, egoísta, centrada no eu.
Que estejamos dispostos a deixar Tua vida viver e reinar em nós, para que Tu sejas glorificado. Pedimos em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.