Ó Senhor, oramos para que nos tornes conscientes de Ti. Pedimos que removas todo véu que está sobre o nosso coração, para que possamos contemplar-Te de fé em fé e ser transformados de glória em glória.
Ó Senhor, Tu sabes que estamos aqui diante de Ti, e como Te louvamos e agradecemos porque és sempre fiel a nós. Vem, pois, ao nosso meio e eleva-nos, para que não tenhamos consciência de nada além de Ti. Estamos em Tua presença. Amém.
Por favor, abram em Colossenses 1:15-19. Vamos ler esses versículos.
Ele é a imagem do Deus invisível,
o primogênito de toda a criação;
porque nEle foram criadas todas as coisas,
as que estão nos céus e as que estão sobre a terra,
as visíveis e as invisíveis,
sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades:
todas as coisas foram criadas por meio dEle e para Ele;
e Ele é antes de todas as coisas,
e nEle todas as coisas subsistem.
E Ele é a cabeça do corpo, a igreja:
Ele é o princípio, o primogênito dentre os mortos;
para que em todas as coisas tenha a preeminência.
Porque aprouve a toda a plenitude de Deus habitar nEle.
Agora, Colossenses 2:9-10 — a primeira parte do versículo 10:
Porque nEle habita corporalmente toda a plenitude da Divindade,
e nEle estais feitos plenos.
Agora, abram em João 1:14:
E o Verbo se fez carne e habitou entre nós
(e vimos a Sua glória, glória como do unigênito do Pai),
cheio de graça e de verdade.
João dá testemunho dEle e clama, dizendo:
Este é Aquele de Quem eu disse:
Aquele que vem depois de mim passou adiante de mim;
porque era antes de mim.
Porque da Sua plenitude todos nós recebemos, e graça sobre graça.
Porque a lei foi dada por meio de Moisés;
a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo.
Ninguém jamais viu a Deus;
o Filho unigênito, que está no seio do Pai,
Ele O deu a conhecer.
Mencionamos ontem à tarde que o encargo de Paulo pelos santos em Colossos era que fossem cheios do pleno conhecimento da vontade de Deus. Paulo havia ouvido falar da fé deles em Cristo Jesus, do amor que tinham por todos os santos e da esperança que lhes estava reservada nos céus. Contudo, Paulo tinha o encargo de que esses queridos filhos de Deus avançassem para a plenitude que Deus lhes havia preparado.
O pensamento de Deus a respeito do Seu povo é um pensamento de plenitude. Nada menos que a plenitude jamais satisfará a Deus. Às vezes, nossa capacidade é tão pequena que podemos nos contentar com apenas um pouquinho, mas isso jamais satisfará a Deus.
Por isso, Paulo lutava e trabalhava diante do Senhor, em Cristo, e também por meio dos seus escritos, para que essas pessoas fossem conduzidas pelo Espírito de Deus ao pleno conhecimento da vontade de Deus; para que fossem cheias da plenitude que há em Deus.
Creio que esse encargo de Paulo é o encargo do Espírito de Deus. Esse encargo não está limitado pelo tempo nem pelo espaço. Era verdadeiro nos dias de Paulo e deve ser verdadeiro hoje. Esse encargo deve estar no coração de todo filho de Deus: que sejamos cheios do pleno conhecimento da vontade de Deus — nada menos que a plenitude.
Nesta tarde, sentimos que podemos avançar um pouco mais. Vamos procurar descobrir onde está a plenitude de Deus.
Os estudiosos do grego nos dizem que essa palavra, plenitude, significa a totalidade dos atributos e do poder divinos. É a condição de algo que está cheio; é a realização de um ideal.
Na Divindade há uma plenitude: uma perfeição, uma completude. Tudo é pleno e completo na Divindade. Ela está sempre nessa condição; é sempre plena.
É muito difícil para nós compreender a ideia e a realidade da plenitude que há na Divindade. Às vezes, quando algo é grande demais, vasto demais, imenso demais, tende a se tornar vago e genérico em nosso pensamento, porque simplesmente está além da nossa capacidade.
Deus é cheio de amor. Ele é amor, sim, mas Ele é cheio de amor. É por isso que João 3:16 diz:
Deus amou o mundo de tal maneira.
Não apenas que Deus amou o mundo, mas que Deus amou o mundo de tal maneira.
E nos lembramos de 1 João 3:1:
Vede que grande amor o Pai nos tem concedido.
É o maravilhoso amor de Deus, um amor que está além da nossa compreensão e de qualquer explicação. Deus é cheio de amor.
E Deus é luz — não apenas um pouco de luz. A Palavra nos diz que nEle há luz e que não há treva alguma. A luz de Deus é perfeita. Não há variação nem sombra de mudança. Ele habita em luz inacessível, e fomos libertos das trevas e conduzidos à Sua maravilhosa luz.
Queridos irmãos e irmãs, quando pensamos em Deus, precisamos pensar em termos de plenitude. Para onde quer que vocês se voltem — seja para o amor, a vida, a justiça, a glória ou o poder —, quando pensam em Deus, há plenitude. Tudo é completo e perfeito.
Certo dia, eu estava meditando sobre a plenitude que há na Divindade, e olhei para Ele e disse: “Senhor, como posso compreender essa plenitude? Ela é grande demais para mim”.
Então, uma expressão me veio à mente: a plenitude da terra. Lembrei-me da passagem em Deuteronômio 33:13-16.
Moisés, o homem de Deus, estava abençoando os filhos de Israel antes de sua morte. Quando chegou a José, em Deuteronômio 33:13, disse:
Bendita do Senhor seja a sua terra,
pelas coisas preciosas dos céus, pelo orvalho,
e pelo abismo que repousa embaixo;
pelas coisas preciosas dos frutos do sol,
e pelas coisas preciosas produzidas pelas luas;
pelas coisas excelentes dos montes antigos,
e pelas coisas preciosas dos outeiros eternos;
pelas coisas preciosas da terra e da sua plenitude,
e pela benevolência dAquele que habitava na sarça.
Aqui encontramos Moisés abençoando José. Nessa bênção, ele menciona muitas coisas: as coisas preciosas dos céus, o orvalho, o abismo que repousa embaixo, os preciosos frutos do sol, as coisas preciosas produzidas pela lua, as coisas preciosas dos montes antigos, os outeiros eternos e as coisas preciosas da terra e da sua plenitude.
Quando penso na plenitude da terra, penso na plenitude dos céus, da terra e do mar. Como são vastos os céus, a terra e o mar! E, no entanto, estão inteiramente povoados.
Quando vocês olham para o céu, veem as estrelas que o povoam — milhões e milhões de estrelas, incontáveis, inumeráveis. Quando olham para a terra, descobrem que ela está cheia de coisas: não apenas montanhas e colinas, com coisas preciosas em seu interior, mas pessoas por toda parte e muitos seres microscópicos que não conseguimos enxergar. A terra fervilha de vida. O mesmo acontece com o oceano e o mar.
Talvez, quando pensamos na plenitude da terra, isso nos dê uma pequena ideia da plenitude que há em Deus e que pertence a Deus. Mas a plenitude que há em Deus é de natureza espiritual, moral e divina. É de uma qualidade muito superior. Quão pleno, quão completo e quão perfeito deve ser o nosso Deus!
Ainda assim, é muito difícil compreender a plenitude que há em Deus. Somos muito limitados, mesmo nas coisas físicas. Nossos ouvidos só conseguem ouvir determinadas ondas sonoras. Se uma onda sonora for mais curta ou mais longa do que a faixa que conseguimos captar, não a ouvimos. Como nossa capacidade é tão restrita, podemos considerar esses sons irreais ou inexistentes; mas, na verdade, eles estão ali.
Somente quando são trazidos para dentro da nossa faixa de audição é que se tornam reais para nós. Queridos irmãos e irmãs, em Sua grande misericórdia, porque Seu coração é tão pleno em relação a nós, Deus conhece nossas limitações e nossa pequena capacidade.
Contudo, Seu amor por nós é tão grande que, nesse amor maravilhoso, Ele traz a grandeza e a plenitude da Divindade para dentro do nosso alcance, a fim de que nós, como criancinhas, possamos não apenas apreciar, mas também apreender a plenitude que há na Divindade.
E todos nós sabemos que Deus fez isso. Pois nEle — isto é, em Cristo — habita toda a plenitude da Divindade.
O apóstolo João, ao escrever seu Evangelho, disse:
O Verbo se fez carne e habitou entre nós.
Quem é o Verbo? O Verbo é Aquele em Quem habita a plenitude da Divindade. Aquele em Quem habita a plenitude da Divindade agora habitou entre nós.
João disse:
Vimos a Sua glória, glória como do unigênito do Pai.
Nós O vimos, nós O ouvimos, tocamos no Verbo da vida.
Queridos irmãos e irmãs, jamais seremos capazes de compreender a plenitude da Divindade à parte de Cristo. Cristo trouxe a plenitude de Deus para perto de nós.
Quando Paulo escreveu essa carta aos colossenses, os amados filhos de Deus que estavam ali corriam grande perigo. Certos falsos mestres haviam entrado no meio deles e começado a lhes transmitir uma filosofia e um ensinamento que davam a entender que, embora Cristo fosse de fato o principal na manifestação de Deus, Deus era tão grande e tão pleno que havia distribuído Seus atributos e poderes divinos entre outros seres criados.
Eles ensinavam que Cristo havia herdado a maior parte desses atributos, mas que alguns haviam sido distribuídos a outros seres, como os anjos. Assim, diziam aos santos em Colossos que, além de Cristo, havia outros intermediários e manifestações parciais da plenitude de Deus.
Com base nisso, começaram a adorar anjos e outros intermediários. Seus corações estavam sendo desviados de Cristo. Não se apegavam à Cabeça e, por causa disso, seu crescimento havia sido interrompido. Não cresciam como deveriam.
Por isso, Paulo enfatizou repetidas vezes que em Cristo habita toda a plenitude da Divindade. Deus não distribuiu nenhum dos Seus atributos ou poderes divinos a qualquer outro ser. Em Cristo habita toda a plenitude — a totalidade, a soma de todos os atributos e do poder divinos de Deus.
Tudo está em Cristo. Vocês não podem encontrar nada de Deus em qualquer outro lugar fora de Cristo. Tudo está em Cristo. Todos os atributos e poderes divinos têm sua morada permanente em Cristo. Se vocês querem conhecer algo de Deus, precisam encontrá-lo em Cristo, porque está em Cristo. Não precisam procurar em nenhum outro lugar, porque não está lá. Toda a plenitude da Divindade está em Cristo. Ele é a plenitude de Deus.
Creio que a maioria de vocês já tenha ouvido a história de um homem muito rico. Ele tinha muitas terras, muitas propriedades e muitos negócios. Possuía tanta coisa que nem ele mesmo sabia quanto tinha. Tinha apenas um filho, que havia enviado a um país estrangeiro para estudar.
Enquanto seu filho estava fora, o homem ficou muito doente e percebeu que se aproximava da morte. Chamou um advogado para preparar seu testamento, pois desejava que seu único filho herdasse tudo o que possuía. Mas isso era difícil, porque ele não conseguia se lembrar de tudo o que tinha.
Quando o filho voltou, o pai já havia falecido. Toda a casa se reuniu, inclusive os servos, e o advogado leu o testamento. Ele dizia:
“Deixo todos os meus bens, tudo, ao meu administrador. Mas permito que meu filho escolha apenas um item entre os meus bens, e esse será dele.”
Quando o filho ouviu isso, ficou muito angustiado. Pensou que seu pai devia ter perdido o juízo. Como poderia deixar tudo ao administrador, que era seu escravo e cuidava de todos os seus bens, e deixar apenas uma coisa para o filho?
O filho foi ao advogado perguntar por que seu pai havia feito aquele testamento. O advogado sussurrou algumas palavras ao ouvido do filho, e sua expressão mudou. Ele ficou muito feliz.
O filho disse: “De acordo com o testamento de meu pai, vou escolher uma coisa dentre todos os seus bens. Honro e respeito a vontade de meu pai. Não vou contestá-la, mas farei o que ele disse”.
Todos esperavam para ver se ele escolheria um terreno, uma casa, um negócio ou alguma outra coisa. Então ele disse: “Agora vou fazer minha escolha. Escolho o meu administrador”.
E todos nós sabemos que, ao escolher o administrador, ele recebeu tudo. O pai era sábio, e o advogado era inteligente. O pai não conseguia colocar tudo no papel e receava que alguma coisa fosse esquecida. Mas o administrador estava encarregado de tudo; ele conhecia tudo.
Queridos irmãos e irmãs, essa é apenas uma ilustração, mas ela mostra o coração do nosso Pai celestial. Nosso Pai celestial deseja que herdemos a plenitude. Para que possamos fazer isso, Ele colocou toda a Sua plenitude em Seu Filho. É como se Deus dissesse: “Escolham o Meu Filho”.
Nossa compreensão da salvação de Deus geralmente é fragmentada. Quando somos convencidos dos nossos pecados, sentimos a necessidade de perdão. Vamos a Deus e dizemos: “Deus, olha para a cruz do nosso Senhor Jesus. Ali Ele morreu por nós. Ele derramou Seu sangue por nós. Por causa disso, perdoa-me. Permite que meus pecados sejam expiados”.
Vamos ao Senhor, recebemos o perdão dos pecados e ficamos muito felizes. Então, talvez algumas semanas ou meses depois, descobrimos outra necessidade e vamos novamente a Deus, pedindo-Lhe que a supra.
Deus nos aponta para Seu Filho e diz: “Vá ao Meu Filho. Ali está o que você precisa”. Mais uma vez, encontramos no Filho a provisão para a nossa necessidade. Mas ainda não entendemos.
Depois de alguns dias ou meses, descobrimos mais uma necessidade e vamos a Deus, pedindo-Lhe que nos dê o que precisamos, como se pudéssemos encontrar provisão à parte do Filho. Mas Deus diz: “Não Me resta nada. Tudo está em Meu Filho. Se você quer que sua necessidade seja suprida, vá ao Meu Filho. Fora dEle, não tenho nada”.
É como na história de José. Quando as pessoas vinham pedir pão a Faraó, ele dizia:
Ide a José.
José era a provisão. Queridos irmãos e irmãs, Cristo é a provisão.
Há outra ilustração na Bíblia que, a meu ver, é muito útil. Vocês se lembram da história de Abraão. Deus abençoou Abraão grandemente. Deu-lhe rebanhos, gado, prata, ouro, camelos e muitas outras coisas.
Em sua velhice, Abraão desejava conseguir uma noiva para seu filho Isaque. Chamou seu servo e disse:
Jura-me que irás à minha terra e à minha parentela,
e tomarás uma mulher daquele lugar,
e a trarás para cá para ser a noiva e esposa de meu filho.
O servo tomou dez camelos carregados de coisas boas e viajou para a Mesopotâmia, a terra natal de Abraão. Ali encontrou Rebeca junto ao poço. Ele orou diante do Senhor, e tudo aconteceu de acordo com sua oração.
Ele tirou uma argola de ouro de meio siclo de peso e duas pulseiras de ouro de dez siclos de peso, e as colocou em Rebeca. Então se inclinou e adorou a Deus, porque Deus o havia conduzido à casa dos parentes de seu senhor.
Quando foi levado à casa deles, recusou-se a comer antes de lhes contar por que havia vindo. Disse:
O Senhor tem abençoado grandemente o meu senhor.
Deu-lhe rebanhos, gado, prata, ouro, camelos e tudo mais.
Na sua velhice, Deus deu ao meu senhor um filho,
e o meu senhor deu ao seu filho tudo quanto possui.
Essa era sua missão: conseguir uma noiva para o filho. Perguntaram a Rebeca se ela iria, e ela disse:
Irei.
Aqui, queridos irmãos e irmãs, encontramos uma figura. Abraão deu tudo o que possuía a Isaque. Rebeca experimentou apenas um pouco das riquezas de Isaque: uma argola de ouro de meio siclo, duas pulseiras de ouro, roupas e alguns presentes preciosos. Mas essas coisas eram apenas pequenas amostras das riquezas que pertenciam a Isaque.
O que temos experimentado de Cristo é apenas uma pequena amostra. Talvez seja apenas uma argola de meio siclo, ou uma pulseira, ou um pouco de roupa, ou algum pequeno presente. O que temos experimentado de Cristo é apenas um pequeno antegozo.
Mas, queridos irmãos e irmãs, até mesmo essa pequena amostra deveria conquistar nosso coração. Não deveríamos simplesmente permanecer onde estamos e dizer: “Isso é muito bom. Um dia iremos ao céu e O veremos. Isso já basta”.
Oh, queridos irmãos e irmãs, que nosso coração seja conquistado por Cristo, pela plenitude que há em Cristo. Esse pouquinho que temos provado dEle já deveria nos arrebatar e mobilizar nosso coração.
Não creio que Rebeca conseguisse dormir à noite. Embora não tivesse visto Isaque pessoalmente, ela havia visto Isaque naquelas pequenas provas de amor. Como poderia permanecer onde estava? Estava ansiosa para ir ao encontro de Isaque e unir-se a ele, tornando-se uma com ele e coerdeira.
É exatamente isso que Deus deseja. Não se trata apenas de Ele nos dar um pouquinho disto e um pouquinho daquilo. Por meio dessas pequenas provas de amor, Ele deseja conquistar nosso coração, para que nos unamos inteiramente a Cristo, sendo um com Ele. Nessa união, desfrutamos e experimentamos a plenitude de Deus.
Paulo, ao escrever aos colossenses, procurou transmitir-lhes algo da plenitude que há em Cristo — como Ele é pleno, como Ele é perfeito e como Ele é completo.
Paulo apresenta a plenitude de Cristo em três relações: Sua plenitude em relação a Deus, Sua plenitude em relação à criação e Sua plenitude em relação à nova criação.
Primeiro, ele diz que Cristo é a imagem do Deus invisível. Deus é invisível. Ninguém jamais viu a Deus. Mas Deus tem uma imagem na qual pode ser visto: Cristo.
No final da vida terrena do nosso Senhor Jesus, Ele se reuniu com Seus discípulos e começou a lhes dizer que iria para a cruz, que os deixaria e voltaria para o Pai. Os discípulos ficaram entristecidos em seu coração.
Filipe disse ao Senhor:
Mostra-nos o Pai, e isso nos basta.
O Senhor disse a Filipe:
Há tanto tempo estou convosco, e não Me conheces, Filipe?
Quem Me vê a Mim vê o Pai.
Ninguém jamais viu a Deus, mas o Filho unigênito, que está no seio do Pai, O deu a conhecer. A palavra imagem traz a ideia de representação e reprodução exata.
Não é como uma criança tentando copiar as letras de um livro, traçando-as com a mão insegura e saindo das linhas. Esse não é o significado de imagem. Uma imagem é uma reprodução exata, uma cópia direta do original — não algo formado exteriormente, mas algo que procede de dentro.
Nosso Senhor Jesus é a imagem do Deus invisível — não uma imitação produzida por uma tentativa de copiar Deus exteriormente, mas a expressão exata de Deus que procede do interior. Ele não apenas representa Deus; Ele O manifesta.
Deus é invisível, mas, no Filho, o Deus invisível se tornou visível. Tudo o que pertence a Deus — Seus atributos e Seu poder divinos, tudo o que se pode dizer de Deus — encontra-se exatamente em Cristo. Nada falta, nada está ausente. Ele é a expressão completa do Deus invisível.
Paulo nos diz, então, que Cristo é o primogênito de toda a criação. Não devemos pensar que Cristo é um ser criado e que todas as demais coisas criadas simplesmente vieram depois dEle. Não. Ele não é uma criatura. Ele é eternamente gerado pelo Pai. Ele existia antes de todas as coisas.
A palavra primogênito, aqui, fala de prioridade, dignidade e soberania. Não significa que Ele tenha sido o primeiro ser criado. Cristo é anterior a toda a criação e está acima de toda a criação.
Porque nEle foram criadas todas as coisas:
as que estão nos céus e as que estão sobre a terra,
as visíveis e as invisíveis,
sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades.
Todas as coisas foram criadas por meio dEle e para Ele.
Quando vocês passam por um edifício, seja ele grandioso ou belo, sabem que ele expressa o pensamento de seu arquiteto. A beleza e o projeto revelam algo da sabedoria e da capacidade de quem o projetou.
Em um sentido muito maior, a criação revela a sabedoria, o poder e a glória de Cristo. Todas as coisas vieram a existir por meio dEle, e todas as coisas são para Ele. Ele não é apenas o Projetista; Ele é o Criador. Ele é a origem, a fonte e o destino de todas as coisas.
Portanto, Ele tem o direito de exercer soberania sobre todas as coisas. Ele tem o primeiro lugar em todas as coisas.
Paulo apresenta, então, um terceiro aspecto: Cristo é a Cabeça do corpo, a igreja. Cristo não é apenas o Filho eterno e o Criador de todas as coisas; Ele é também a Cabeça da nova criação.
A igreja é Seu corpo. Em Gênesis, Deus disse que não era bom que o homem estivesse só. Contudo, Adão não conseguia encontrar uma companheira que lhe correspondesse. Então, Deus fez cair um profundo sono sobre Adão, tomou algo de seu lado e edificou uma mulher.
Quando Adão a viu, disse:
Esta é agora osso dos meus ossos
e carne da minha carne.
Eva saiu de Adão e foi unida a Adão. Isso é apenas um tipo; a realidade é Cristo e a igreja.
O lado de Cristo foi aberto na cruz. Do Seu lado traspassado saíram sangue e água. Por meio de Sua morte e ressurreição, Deus trouxe à existência a igreja, o corpo de Cristo, Sua noiva, aquela que Lhe corresponde.
Cristo é o princípio, o primogênito dentre os mortos. Nosso Senhor Jesus não foi simplesmente a primeira pessoa a ser ressuscitada dentre os mortos. Outros haviam sido ressuscitados antes dEle, mas morreram novamente. Cristo foi ressuscitado no poder de uma vida de ressurreição indestrutível.
Ele é o primogênito dentre os mortos, para que em todas as coisas tenha a preeminência. A igreja é uma nova criação trazida à existência na vida de ressurreição. Não é simplesmente uma organização exterior; é o corpo produzido pela vida de ressurreição de Cristo.
A Palavra nos diz que somos completos nEle. Somos feitos plenos nEle. Toda a plenitude da Divindade habita corporalmente em Cristo, e somos completos nEle.
Quantas vezes somos como Rute, recolhendo espigas no campo. Rute era pobre e não tinha nada. Ela pediu a Noemi:
Deixa-me ir ao campo e recolher espigas
atrás daquele em cujos olhos eu achar favor.
Pela providência de Deus, ela chegou ao campo de Boaz. Boaz lhe disse:
Ouve, minha filha.
Não vás recolher espigas em outro campo, nem te afastes daqui,
mas permanece aqui junto às minhas servas.
Queridos irmãos e irmãs, às vezes estamos recolhendo espigas nos campos de Cristo, juntando um pouco aqui e um pouco ali. Mas a vontade de Deus não é simplesmente que sejamos pessoas que recolhem espigas atrás de Cristo. Sua vontade é que sejamos unidos a Cristo, que entremos na plenitude que há nEle.
Cristo é o nosso Boaz, nosso Parente-Redentor. Somos atraídos a Ele e unidos a Ele. Ele é nossa alegria, nossa herança e nossa plenitude.
Ó Pai, Santo Pai, Tu conheces nossas limitações. Tu sabes como é impossível para nós nos elevarmos e compreendermos a plenitude do Teu próprio Ser.
Pedimos que abras nossos olhos. Tu colocaste toda a plenitude em Teu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo. Que não recolhamos apenas uma ou duas pequenas coisas aqui e ali, mas que nossos olhos sejam abertos para ver que Tu és a nossa plenitude.
Ó Senhor, que sejamos unidos a Ti, sendo um Contigo. Dia após dia, que conheçamos a realidade da plenitude que há em Ti. Que não passemos fome, buscando provisão em outro lugar, mas que sejamos sempre encontrados em Ti e Contigo. Amém.