Já avançamos demais no assunto que nos foi apresentado para este tempo para fazermos qualquer revisão ou retrospectiva.
Mas basta dizer que aquilo que o Senhor está nos dizendo se concentra nas primeiras palavras de Isaías 42:1:
Eis o Meu Servo, a Quem sustento;
O Meu eleito, em Quem se compraz a Minha alma:
Pus o Meu Espírito sobre Ele.
O Servo do Senhor — o significado de ser servo.
Olhemos brevemente para o capítulo anterior, Isaías 41. No versículo 8, vemos que essa concepção divina do serviço estava, em primeiro lugar, relacionada a Israel:
Mas tu, ó Israel, Meu servo,
Tu, Jacó, a quem elegi,
Descendência de Abraão, Meu amigo.
Vimos que, embora o grande propósito de servir a Deus no meio da nação e entre as nações estivesse ligado ao chamado de Israel, essas profecias e outras mostram como Israel falhou de maneira lamentável e precisou ser deixado de lado como servo do Senhor.
Então, nas profecias, o Senhor colocou plenamente em evidência Aquele que não falharia e que cumpriria todo esse propósito de servir a Ele. Aqui está Ele, nessas palavras de Isaías 42.
Mas vimos que o Senhor não abandonou Seu pensamento e Sua intenção originais: ter todo esse significado do serviço, agora reunido e apresentado em Seu Filho, expresso em um povo.
Avançamos para as profecias posteriores, não apenas neste livro, mas também nos outros profetas, e vemos esse pensamento e propósito confiados a um remanescente. A nação como um todo falhou; o Senhor assegurou tudo em Seu Filho e, depois, encontrou para Si uma resposta, por assim dizer, em uma nação dentro da nação.
Vimos que isso é exatamente o que encontramos no Novo Testamento. A igreja em geral, por não corresponder ao pensamento do Senhor e ao seu chamado de satisfazê-Lo, servi-Lo e atender ao Seu prazer, volta a falhar.
Mas o Senhor prossegue, apelando à igreja e encontrando nela, por assim dizer, uma igreja dentro da igreja: um grupo que não é apenas nominal, mas real e verdadeiro. Essa é uma verdade muito evidente no Novo Testamento.
A questão que nos interessa, portanto, é a natureza desse tipo de serviço e dessa condição de servo que trará a Deus aquilo que Seu coração deseja, que O satisfará e estabelecerá no universo essa lei do serviço ou ministério a Deus.
Agora quero que vocês observem apenas mais uma ou duas passagens, para chegarmos ao assunto específico que nos ocupará, nesse contexto, nesta tarde. Para começar, ele está em Isaías 41.
Lemos as palavras referentes a Israel no versículo 8: “Israel, Meu servo”. Vejam Isaías 41:15-16:
Eis que farei de ti um trilho novo e afiado, que tem dentes;
Trilharás os montes e os reduzirás a pó,
E aos outeiros farás como a palha.
Tu os padejarás, e o vento os levará,
E o redemoinho os espalhará.
Agora, observem estas palavras de Isaías 21:10:
Ó povo Meu, debulhado e grão da Minha eira!
Vamos a Isaías 28:28:
O cereal para o pão é triturado;
Pois não se debulha para sempre;
Embora a roda do seu carro e os seus cavalos o espalhem,
Ele não o mói.
Isaías 28:29:
Também isto procede do Senhor dos Exércitos,
Que é maravilhoso em conselho e excelente em sabedoria.
Aqui está mais uma das diversas concepções do servo do Senhor nessas profecias de Isaías: um instrumento novo e afiado de debulha.
Quantas facetas tem esse serviço! Como seu caráter muda! Com essa nota, algo forte — algo quase terrível — passa a fazer parte do serviço. A condição de servo assume um aspecto muito severo.
Há outros aspectos. Há a delicadeza; há a mansidão. Isaías 42:2-3:
Não clamará, nem levantará a Sua voz,
Nem a fará ouvir na rua.
A cana quebrada não quebrará,
E o pavio que arde tenuemente não apagará.
Isso parece muito distante de um instrumento afiado de debulha que tem dentes, mas é a obra do mesmo Servo. É apenas outro aspecto de Seu ministério.
Há a bondade e a severidade de Deus. Ambas são de Deus. Antes de examinarmos esse instrumento afiado de debulha, observemos algo muito importante.
O que li nas outras passagens — em Isaías 21 e Isaías 28 — nos conduz a esta passagem de Isaías 41, na qual vocês podem observar uma transição. É a transição de ser debulhado a tornar-se aquele que debulha.
Nas duas passagens, isso está bem claro: Israel foi debulhado.
Ó povo Meu, debulhado. — Isaías 21:10
O cereal para o pão é triturado. — Isaías 28:28
E então:
Farei de ti um instrumento afiado de debulha. — Isaías 41:15
O ponto é este: antes de podermos realizar qualquer obra eficaz para o Senhor, essa obra precisa ter sido realizada em nós.
Essa é uma parte muito importante, muito vital, do serviço do Senhor. O instrumento afiado de debulha, como veremos, é algo importante para o Senhor, algo de que Ele necessita. Ele precisa tê-lo. Precisa ter um ministério que corresponda a essa ideia de um instrumento afiado de debulha.
Mas, queridos amigos, pode ser fácil demais assumir a função de um instrumento afiado de debulha e começar a tratar pessoas e situações com muita dureza. Qualquer trabalho desse tipo só pode ser realizado por aqueles que, eles mesmos, passaram pela debulha e pelo esmagamento. Só é seguro, e só é correto, que seja assim.
Foi assim com Israel. Que debulha o Senhor realizou em Israel! Quantas vezes Ele os esmagou ao longo de sua história!
Sugiro a vocês que o remanescente que voltou do exílio sabia, por experiência própria, o que significava ser debulhado e o que realmente era ser esmagado, quebrantado, humilhado e, depois, usado dessa maneira tremendamente eficaz.
Isso pode explicar muita coisa. A força, o poder e o ministério tremendamente penetrante e eficaz da igreja só podem resultar de ela mesma ter sido tratada dessa maneira.
Eu disse que esse é um ministério de que o Senhor necessita, um serviço que Ele requer. Para tê-lo, Ele precisa conduzir aqueles que usará pela experiência que deseja produzir naqueles a quem eles servirão. É uma lei do serviço.
Quanto aos servos de Deus individualmente, para serem eficazes — sugiro que um instrumento afiado de debulha que tem dentes é algo bastante positivo. É algo eficaz; não há nada de negativo nisso.
Para que qualquer indivíduo seja assim — positivo, penetrante e eficaz —, esse servo passará por um tratamento aparentemente duro da parte do Senhor. É uma lei do serviço.
Se for um grupo, precisamos enfatizar isso repetidamente nestes dias: o Senhor necessita de grupos de pessoas que assumam esse ministério de servos aqui, ali e em outros lugares, como Seu servo, a quem Ele sustenta e sobre quem põe Seu Espírito.
Esses grupos — assembleias locais —, para serem realmente eficazes, passarão por experiências devastadoras. Não se enganem: um instrumento afiado de debulha realiza uma obra devastadora.
O Senhor é muito prático; Ele não é teórico. Ele torna as coisas muito reais.
Assim, aquilo que aqui, no simbolismo, é comparado a uma máquina não é, na realidade, uma máquina. É um povo com uma história espiritual: um povo capaz de sentir, ao contrário de uma máquina; sensível, com sentimentos, com coração, com alma, com natureza humana.
Esse povo — essa máquina, se vocês quiserem — é um povo com uma história espiritual. Ele passou por isso.
Essas pessoas, quando realmente chegam a cumprir esse ministério, estão em condições de dizer: “Bem, eu sei do que estou falando. Passei por isso, e isso passou por mim. Não estou lhes apresentando apenas o assunto, o tema, a teoria e o ensino. Conheço isso no meu próprio ser. Passei por isso”.
É isso que temos aqui. Vocês não podem ousar chegar a Isaías 41:15 sem antes ter passado por Isaías 21:10:
Farei de ti um instrumento afiado de debulha. — Isaías 41:15
Povo Meu, debulhado. — Isaías 21:10
Percebem isso?
Bem, isso parece bastante duro. Mas, como eu disse, pode explicar muita coisa — talvez por que o Senhor nos trata tão severamente, por que Ele não permitirá que estejamos em uma posição falsa se havemos de ter algum valor para Ele, por que nos faz passar por isso, por que nos tornamos Seu povo debulhado e o grão que é esmagado.
Dito isso — e confio que vocês o compreendam e que isso possa trazer alguma ajuda e alguma explicação para sua experiência —, podemos prosseguir e examinar a função desse instrumento: o que ele faz, seu efeito.
Esse ministério, esse tipo de serviço, é, em primeiro lugar, algo que confronta. Imaginem o instrumento de debulha avançando em direção à plantação de cereais ainda em pé.
Ao entrar em contato com ela, ele é uma interrogação; é um desafio. Diz, em outras palavras: “O que você é? O que você tem? Você vale alguma coisa? Vou descobrir isso”.
É um desafio. Há alguém aqui nesta tarde que diria que um ministério assim é desnecessário nestes tempos, ou em qualquer tempo? É o questionamento daquilo que se professa — daquilo que está ali no campo, ocupando o terreno —, o questionamento quanto ao que realmente é. O que você é?
Agora, quando o Senhor realiza essa obra em nós, é isso que vem à tona imediatamente: o que somos e o que temos.
De modo geral, podemos dizer que, sempre que o Senhor começa a nos colocar debaixo de Sua mão, sob Sua prova, em dias de provação severa, a primeira coisa que se descobre é o que somos e o que temos.
Você consegue realmente resistir a isso? Tem algo com que enfrentar essa prova? Na verdade, é importante que isso seja descoberto e revelado.
Repito: não é da vontade do Senhor que alguém esteja em uma posição falsa — professando algo sem realmente possuí-lo.
Portanto, se Ele necessita de um ministério, necessita de vocês e de mim, e necessita de grupos de pessoas. Ah, que toda a igreja fosse assim, como Ele pretendia que Israel fosse e como pretendia que a igreja fosse!
Ele deseja que se cumpra esse tipo de ministério, que, antes de tudo, descobre o que há para Deus naquilo que se professa — em todo esse sistema de coisas, em tudo o que está espalhado pela terra, permanecendo ali e ocupando o terreno. Qual é sua importância? Qual é seu valor? O que possui? Qual é a verdade a seu respeito?
O Senhor precisa ter um ministério que faça isso, que descubra essas coisas. Entendem?
Ainda na semana passada, ouvi falar de uma pessoa que pensava ser cristã. Quando lhe perguntaram se era cristã, ela disse: “Sim, vou à igreja. Participo da ceia. Leio a Bíblia. Oro”. Ela enumerou todas as práticas cristãs.
Então, alguns cristãos muito autênticos entraram no círculo daquela família. Quero dizer, foi triste, mas ali estava a questão: havia algo diferente. Aquilo não era apenas um sistema cristão formal; não era uma concordância nominal com um credo. Era real. Havia ali, de fato, vida em Deus.
Aquela pessoa foi para seu quarto, teve uma noite ruim e, na manhã seguinte, desceu e disse: “Escutem, acho que não sou cristã coisa nenhuma. Será que sou mesmo? Vocês podem me dizer?”
É claro que isso abriu a porta para tratar, de maneira muito profunda, da diferença entre professar a fé, o nominalismo, as práticas cristãs e a vida real no Senhor.
Fico feliz em dizer que aquela pessoa atravessou tudo isso e chegou a uma posição inteiramente nova de certeza. Mas foi necessário, entendem, algo que realmente expusesse a falsidade e manifestasse o verdadeiro estado das coisas. Esse é um ministério necessário.
As pessoas que passaram por isso com Deus, e por um tratamento muito drástico da parte Dele, terão, entre outros efeitos, o de estar presentes como Seu desafio a tudo o que não é real — Seu desafio a toda falsidade, Seu desafio quanto ao que realmente existe ali.
Pode ser que, aqui nesta tarde, o Senhor queira realizar essa obra: revelar as coisas e confrontar alguém aqui. Você tem ido à igreja; tem participado da ceia; talvez leia a Bíblia, mais ou menos; talvez ore às vezes. Mas um instrumento afiado de debulha vai confrontá-lo hoje: o que você realmente tem, se for colocado à prova?
Creiam em mim, queridos amigos: todo o nosso cristianismo será submetido a essa prova. Já começou. Já começou.
Cristãos em todo o mundo estão sendo confrontados pela situação. O instrumento de debulha está em ação. Está sendo revelado se eles possuem a realidade ou se apenas professam a fé. Ele está em ação. Já começou.
Isso mesmo está chegando a toda a igreja que professa a fé. Que não haja engano a esse respeito.
Bem, em primeiro lugar, portanto, o instrumento de debulha nos desafia e nos confronta com a pergunta: “O que você é? O que você tem?”
Então, à medida que prossegue em sua obra, ele separa. Ele separa; faz distinção.
Vocês veem o que ele está fazendo. Ali estão as cascas. Ali está aquilo que aparece por fora; há aquela cobertura. Ali está.
O instrumento afiado de debulha entra em ação para separar aquilo que é meramente e apenas exterior daquilo que é verdadeiramente interior — o grão. Ele separa.
Sim, é um grande ministério de discernimento. Outro profeta, Jeremias, cuja vida e ministério tiveram tanto a ver com o falso Israel, fez uma pergunta em nome do Senhor, em Jeremias 23:28:
Que tem a palha com o trigo? — diz o Senhor.
Palha — aquilo que é tão leve, tão frágil, tão superficial, que pode ser levado facilmente por qualquer corrente de ar. Vai com o vento: aquilo que não tem peso.
Ah, não estou tentando inventar algo nesta tarde. Qualquer pessoa que se preocupe com o estado das coisas hoje sentirá uma profunda tristeza, uma dor, diante da superficialidade, da leveza e da frivolidade de grande parte do cristianismo.
De fato, parece que algumas pessoas se empenharam em torná-lo assim — em transformar o cristianismo em uma oportunidade de se divertir. Todos os seus atrativos são: “Venham se divertir”. Quando examinamos aquilo para ver o que é, tudo é tão leve, tão frívolo, tão superficial.
Há muito disso hoje. Não estou exagerando, e Deus sabe como detesto qualquer crítica desnecessária. Mas o espírito de um profeta — não afirmo ser profeta, mas o espírito de um profeta — exige que o ministério do instrumento afiado de debulha venha ao lado de todos os outros tipos de ministério: primeiro para confrontar, depois para discernir, para separar o que é verdadeiro do que é palha.
A palha pode ser um engano. Vocês podem ir ao campo de trigo, onde tudo cresce e permanece em pé, pegar uma espiga e, ao apertá-la, descobrir que não há nada dentro dela. É palha. É um engano.
Vocês acham que Deus será servido por esse tipo de coisa — apenas um engano exterior? Não. O instrumento afiado de debulha, um ministério desse caráter, sempre descobrirá se aquilo é verdadeiro ou falso.
Isso é muito necessário — é necessário que seja feito em vocês e em mim, descobrindo se há algum engano em nossa posição, alguma mentira nela, e até que ponto ela é verdadeira.
Repito: Deus necessita de um ministério que, por Sua misericórdia, faça aqueles que estão em uma posição falsa perceberem como sua posição é falsa e buscarem a realidade.
Palha! Vocês gostariam de se alimentar de palha? Quanta satisfação e quanto crescimento encontrariam em uma dieta de palha?
Hoje há muitíssimas coisas no ministério e na vida cristã das quais os cristãos se alimentam, mas que não trazem satisfação. São vazias. Não contribuem para sua edificação, força e vigor espirituais. Não fazem isso.
Há cristãos demais, muitíssimos, em debilidade espiritual por falta de alimento saudável — alimento verdadeiro, cereal para o pão. Como isso é necessário! O Senhor precisa ter um ministério que descubra e faça distinção entre aquilo que é apenas palha e nunca edifica, e aquilo que contribui para a estatura espiritual e o pleno crescimento.
Se considerarmos o grande Servo, o Senhor Jesus, Aquele que satisfez a Deus em todos os outros aspectos de Seu ministério, como essas coisas eram verdadeiras a respeito Dele!
Como Ele confrontou a situação em Seus dias! Ah, não era possível que Ele estivesse em qualquer lugar sem que o estado das coisas fosse exposto. Isso era uma parte vital de Seu serviço como Servo: o confronto, e como Ele o realizava de maneira completa!
Sim, nesse aspecto, Ele era um instrumento afiado de debulha que tinha dentes. E como também era verdade a Seu respeito que Ele estava, o tempo todo, fazendo distinção, colocando as coisas em seu devido lugar: isto é a verdade, e aquilo é a falsidade.
Nesta manhã, falamos da videira, de Israel como a videira de Deus. Lemos em Isaías 5 como a videira havia decepcionado o lavrador. Então Jesus entrou em cena, e tivemos de traçar um círculo ao redor de uma palavra em João 15:1:
Eu sou a videira verdadeira.
A videira verdadeira. Isso não é uma tradição. Não é apenas algo que se professa. Não é algo vazio, uma aparência.
Eu sou a videira verdadeira. — João 15:1
Eu sou a verdade. — João 14:6
Sua presença, assim como Seu ministério, tinha esse efeito de separar o falso do verdadeiro.
A próxima coisa que o instrumento afiado de debulha faz é determinar o destino. Ele determina o destino.
Vocês sabem o que foi dito quando o Senhor Jesus iniciou Seu ministério. Mateus 3:12:
A Sua pá está em Sua mão, e limpará completamente a Sua eira;
E recolherá o Seu trigo no celeiro,
Mas queimará a palha com fogo inextinguível.
O celeiro e o fogo: dois destinos. A eira decide e determina esse destino — qual será o fim.
Seu objetivo positivo, é claro, não é enviar para as chamas. Acho que alguns ministérios, especialmente em tempos passados, pensavam que essa era a coisa suprema a fazer: destinar as pessoas ao inferno e colocar as chamas diante delas.
Bem, talvez seja necessário manter em vista esse lado do destino — seja qual for seu significado, seja qual for seu significado, com fogo inextinguível. Essa é uma possibilidade, e o instrumento de debulha determina isso de um lado.
Mas a intenção e o propósito positivos desse instrumento são, certamente, recolher o trigo no celeiro — preservá-lo, protegê-lo contra a perda. É disso que realmente se trata.
Se esse instrumento afiado de debulha tivesse inteligência, não viria com esta atitude: “Vou descobrir toda a palha. Essa é minha tarefa: ocupar-me da palha, falar da palha e condenar a palha”. Isso é fácil. Vocês não devem se deixar prender nisso.
O instrumento diria: “Não, estou aqui. Embora saiba que há muita palha, estou realmente aqui para obter trigo. É isso que busco. Busco aquilo que é positivo”.
Queridos amigos, lembremo-nos sempre, em nosso ministério, de que o Espírito de Deus está interessado no lado positivo, não no negativo. Ele precisa levar em conta o negativo e tratá-lo de acordo com o que ele é, mas aquilo para o qual Ele realmente está aqui é obter o grão — o grão, a realidade. É isso que Ele busca.
“Não para condenar o mundo, mas para que o mundo fosse salvo”: assim falou o grande Servo a respeito de Sua vinda, em João 3:17:
Porque Deus enviou o Seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo,
Mas para que o mundo fosse salvo por Ele.
Então, o instrumento afiado de debulha tem talvez sua última e definitiva função — sua expressão de ministério — ao prover a continuidade do testemunho.
A última obra não é guardar o grão no celeiro, fechar a porta e deixá-lo lá: “Pronto. Conseguimos. Isso é tudo o que importa”. Não, ele precisa ser semeado novamente. Precisa tornar-se a matéria de uma nova colheita.
É isso que o Senhor realmente busca: levar adiante, perpetuar e ampliar o testemunho. Ele busca crescimento espiritual. Mas isso se obtém por meio de um instrumento afiado de debulha, entendem — algo muito drástico.
A continuidade do testemunho de Jesus ao longo dos séculos sempre ocorreu dessa maneira. Nunca foi algo acomodado e superficial.
Sabemos disso pelo Novo Testamento. Sabemos, por meio do apóstolo João em Patmos, que a continuidade do testemunho vinha através de um tratamento muito drástico das igrejas por parte do Senhor.
Ah, ouçam novamente aquelas palavras às sete igrejas. O que o Senhor está buscando? A preservação e a continuidade do testemunho de Jesus — esse é o centro de tudo.
Mas, para que isso aconteça, o instrumento afiado de debulha, de discernimento, de revelação e de separação precisa realizar sua obra nas igrejas, nos crentes e em toda a igreja. Se o testemunho há de ser perpetuado, será dessa maneira.
Bem, encontremos algum ânimo nisso. Isso parece um pouco desconcertante. Mas encontrem algum ânimo nisso, queridos amigos: o tratamento do Senhor conosco visa tornar as coisas permanentes e produzir crescimento.
Em Suas intenções, esse tratamento não é destrutivo nem limitador. Seu propósito é que Ele tenha cada vez mais.
Mas, tendo dito tudo isso, precisamos observar uma coisa aqui, ao concluirmos. Vejam o contexto de Isaías — essas palavras sobre o instrumento afiado de debulha que esmaga os montes e os outeiros.
Se quiserem saber o que isso significa, creio que encontrarão a resposta em Isaías 41:11:
Eis que todos os que se indignam contra ti serão envergonhados e confundidos:
Os que contendem contigo serão reduzidos a nada e perecerão.
Porque, como diz Isaías 41:15:
Farei de ti um instrumento afiado de debulha que tem dentes;
Trilharás os montes.
Esses montes correspondem àquelas forças adversas, àquelas forças que se opunham ao Senhor, ao Seu propósito e aos Seus servos.
De alguma maneira misteriosa, elas seriam quebradas e entregues como palha ao vento por meio do ministério desse povo. Ficaria demonstrado que eram incapazes de permanecer diante do Senhor.
Os montes, os outeiros, aqueles que se indignam contra você, não conseguirão subsistir se vocês forem um povo assim.
Mais uma vez, olhem brevemente para o grande Servo. Que montanhas de oposição havia! Que montanhas de pessoas indignadas contra Ele! O que Ele fez com elas?
Certamente havia uma montanha tremenda contra Ele, determinada a destruí-Lo, indignada contra Ele. Ah, como estava indignada contra Ele! “Crucifica-O! Fora com Ele! Crucifica-O!” O que Ele fez com ela?
Ele arrancou aquela montanha e a lançou no mar — o mar representando as nações. Ela afundou entre as nações. Ele fez isso.
Agora, isso parece duro. Mas, vocês sabem, o Senhor precisa ter um ministério que realmente derrube as forças do mal. Talvez possamos dizer mais sobre isso depois, mas aí está.
Mas vamos concluir. Um povo disciplinado, purificado e separado é uma grande força contra tudo o que se levanta contra Deus. É, sim. Esse povo representa algo diante das forças hostis.
Bem, isso é muito verdadeiro a respeito do Senhor Jesus, e a intenção é que seja verdadeiro a nosso respeito. Pergunto-me se vocês conseguem realmente compreender isso e se apropriar dessa verdade.
Vejam, o Senhor deseja um ministério desse tipo hoje. Ele necessita dele. Necessita do grupo de vocês. Vocês estão ali — e eu poderia mencionar os vários lugares representados aqui. Ele quer que aquele grupo, ali, e ali, e ali, seja, entre todos os outros aspectos do serviço, um instrumento afiado de debulha que tem dentes.
Um povo assim confrontará tudo o que está ao redor quanto ao que possui e ao que é — não apenas por palavras, mas pelo que vocês são. Ele fará distinção e separação.
Primeiro vocês enfrentarão dificuldades — e muitas dificuldades —, mas isso precisa ser feito: a separação entre a falsidade e o fruto. Esse povo fará tudo isso. O Senhor necessita de um instrumento assim.
Bem, eu não inventei isso; portanto, não é uma concepção minha. Eu lhes apresentei a Escritura. O Senhor disse isso a Israel, e Israel falhou.
Ele transferiu isso para um Israel dentro de Israel. Disse isso a respeito da igreja. A igreja, como um todo, não está realizando essa obra; por isso, Ele a transfere para a igreja dentro da igreja.
Ele diz:
Fiz de ti um instrumento afiado de debulha que tem dentes. — Isaías 41:15
Não desprovido de toda a mansidão e humildade necessárias para cumprir esse ministério.