E voltamos às profecias de Isaías — às profecias de Isaías.
Isaías 9:6-7:
Porque um menino nos nasceu;
Um filho se nos deu;
E o governo estará sobre o Seu ombro:
E o Seu nome será chamado Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte,
Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.
Do aumento do Seu governo e da paz não haverá fim,
Sobre o trono de Davi e sobre o Seu reino,
Para o estabelecer e o sustentar com juízo e com justiça,
Desde agora e para sempre.
O zelo do Senhor dos Exércitos fará isto.
Isaías 61:1-2:
O Espírito do Senhor Deus está sobre Mim;
Porque o Senhor Me ungiu para pregar boas-novas aos mansos;
Enviou-Me a curar os quebrantados de coração,
A proclamar liberdade aos cativos,
E a abertura da prisão aos que estão presos;
A proclamar o ano do favor do Senhor,
E o dia da vingança do nosso Deus;
A consolar todos os que choram.
E assim por diante.
Nesta conferência, estamos nos ocupando do Servo do Senhor, tendo como trecho fundamental o capítulo 41 destas profecias:
Eis o Meu Servo.
Quando colocamos lado a lado essas duas passagens que lemos, surge uma pergunta.
Se Ele era tudo aquilo que encontramos no capítulo 9 — Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz —, se Ele era tudo isso, por que era necessário que fosse ungido com o Espírito Santo?
Ah, é a mesma Pessoa no capítulo 61 e no capítulo 9.
Essa descrição Dele não é a descrição de Alguém perfeitamente autossuficiente? O que se poderia acrescentar a isso? Que necessidade tinha Ele de ser ungido com o Espírito Santo?
Naturalmente, a resposta se encontra nos capítulos entre essas duas passagens, especialmente naqueles que temos chamado de os sete capítulos do Senhor.
A condição na qual Ele veio a este mundo foi a de Quem tomou sobre Si a forma de um escravo.
Sua vida, Seu ministério e Sua obra aqui não se realizaram em virtude de Sua divindade essencial, nem com base em Sua divindade pessoal e inerente, mas na condição de Homem, como servo.
Tudo foi realizado, e toda a Sua vida foi vivida, nessa capacitação e nessa unção divinas.
Ele próprio repudiou enfaticamente e eliminou qualquer ideia de que fosse capaz de fazer ou dizer alguma coisa por Si mesmo. Mesmo ao falar de Si como o Filho, Ele era enfático ao dizer, repetidas vezes:
O Filho nada pode fazer por Si mesmo.
Ele Se descreveu como manso e humilde de coração, e essa é a linguagem da dependência, não da autossuficiência.
E aqui está algo, queridos amigos, que é muito importante reconhecermos, especialmente em relação a nós mesmos.
Jesus era diferente dos outros homens, e era mais do que os outros homens.
Essa diferença era claramente reconhecida e percebida, ou então sentida de maneira sutil pelas pessoas de Seu tempo. Ele era diferente. Ele era diferente. Ele era diferente.
Em Suas faculdades mentais — Sua sabedoria, Seu conhecimento e Seu entendimento —, Ele era de outra ordem. Isso não vinha das escolas.
Como sabe Este letras, não as tendo aprendido?
Em outras palavras, sem nunca ter frequentado a escola.
As tentativas mais sutis de apanhá-Lo e enredá-Lo em discussões, de encurralá-Lo por meio das melhores inteligências da nação, muito rapidamente deixavam os próprios adversários encurralados, enquanto Ele permanecia livre. Vez após vez, eles tinham de se retirar, completamente derrotados.
Mas era algo de outra ordem. Era diferente.
Essa diferença se encontrava em Suas faculdades espirituais: Seu discernimento, Sua percepção. Quantas vezes se diz:
E Jesus, percebendo os pensamentos deles…
Ou:
Sabendo o que havia no coração deles…
Sua avaliação das situações era diferente.
A diferença se encontrava em Sua capacidade de Se compadecer, em Sua compreensão das pessoas. Seus discípulos deviam muito à compreensão que Ele tinha deles — Sua compreensão, Sua compaixão, Sua tolerância e Sua paciência. Ele era diferente.
Pergunte a si mesmo como você teria agido, mesmo no caso dos doze. Mas, acima de toda a complexidade do temperamento deles, acima de todas as dificuldades que Lhe causavam, está escrito:
Havendo amado os Seus, que estavam no mundo, amou-os até o fim.
Ele era diferente.
E creio que poderíamos dizer que Ele era diferente em Sua capacidade física, em Seu poder de resistência. O que Ele realizou em tão pouco tempo, mesmo fisicamente, é, por si só, digno de estudo. Conhecemos Suas noites de oração, sem descanso algum, e o desgaste contínuo a que estava submetido. Sabemos que isso deixou marcas. Ainda assim, há algo diferente aqui, em cada parte do Seu ser. É isso que estou dizendo.
E, além disso, Ele tinha entre os homens uma relevância que era inconfundível. Este Homem significava alguma coisa. Ele não Se perdia na multidão, na massa; Sua relevância era inconfundível.
Ele causava uma impressão. Havia Nele algo marcante, que não se podia ignorar onde quer que fosse.
Sim, Ele era diferente, e era mais.
E, no entanto, que fique bem claro: tudo isso era recebido. Tudo isso era recebido.
Não era apenas um homem, mas um Homem unido a Deus. Era um Homem que não era extraordinário por Si mesmo, mas que era extraordinário porque, na unção, Deus Se havia unido a Ele como Homem.
Não estou falando aqui de Sua divindade essencial e inerente; estou falando de Sua humanidade unida à divindade. Era algo recebido.
E, do princípio ao fim, Ele permaneceu em um estado de completa dependência Daquele que não era Ele próprio.
Se isso não for verdade, então Ele não pode nos ajudar. Mas isso é verdade, e é justamente nesse ponto que Ele nos ajuda.
Sim, Ele não era apenas um Homem extraordinário entre os homens. Era um Homem de uma espécie diferente. Havia esta diferença: Nele foi restaurado o homem que Deus pretendia que todo homem fosse. E Deus nunca pretendeu que todo homem fosse Deus, ou uma divindade.
Desde o princípio, Deus pretendia ter o homem em união Consigo. Aqui está Ele. Aqui está Ele: o Homem correspondente à intenção e ao pensamento originais de Deus, restaurado.
Por isso, há duas coisas que a Bíblia — ou, podemos dizer, o Espírito Santo — toma extremo cuidado em deixar claras a respeito Dele.
A primeira é que Ele foi despojado de todas as coisas de que os outros homens precisam para ter relevância.
Os outros homens precisam ter certas coisas para possuir ou adquirir alguma relevância. Bem, precisam ter instrução — a instrução das escolas. Precisam ter dinheiro ou riquezas. Talvez precisem ter posição, amigos importantes, pessoas que os ajudem, amigos na corte, influências que atuem em seu favor, patrocínio; ou precisam ter uma personalidade impositiva e uma postura de autoafirmação.
Todas essas coisas, e outras juntamente com elas, são coisas que os demais homens precisam ter — algumas ou todas — para lhes dar relevância. Retire todas essas coisas, e os próprios fundamentos da importância humana serão removidos.
Mas o que encontramos é que Ele foi despojado de todas essas coisas de maneira muito cuidadosa, minuciosa e completa. Ele não possuía nenhuma delas.
Ele era uma raiz saída de terra seca — isto é, considerando a condição à qual a casa de Davi havia chegado. Assim, tudo o que existira naquela casa, ao longo das gerações, agora havia secado. Não encontramos nada disso em Sua condição presente, apenas algo que lhe era remoto.
Ele não tinha riquezas. Bem, um milagre podia pagar um imposto. Ele não tinha riquezas.
Ele não tinha instrução no sentido acadêmico. Eles reconheciam isso:
Não as tendo aprendido.
Sem dúvida, quando menino, Ele recebeu alguma instrução, mas não é disso que estamos falando. Esse nível superior de formação que você precisa ter neste mundo se quiser ser alguém de importância — não.
Ele não tinha patrocínio. Não tinha amigos influentes, nem amigos na corte. E também Lhe faltavam essas outras características pessoais: nenhuma imposição de Si mesmo, nenhuma autoafirmação.
Eis o Meu Servo, a Quem sustento;
O Meu Eleito, em Quem a Minha alma Se compraz:
Pus o Meu Espírito sobre Ele;
Ele trará justiça às nações.
Não clamará, nem levantará a voz,
Nem fará ouvir a Sua voz na rua.
A cana quebrada não quebrará,
E o pavio que arde fracamente não apagará.
Isso não é autoafirmação pessoal, imposição, intromissão ou ostentação. É quietude, reserva, mansidão.
Não, tudo isso, do nascimento à cruz, é uma única história de como estavam inteiramente ausentes, no caso Dele, todas aquelas coisas que tornam um homem importante neste mundo, que lhe dão alguma relevância.
E, no entanto, Ele era mais relevante do que todos os outros. Mas Sua relevância, Sua importância, não se apoiava em nada deste mundo. Apoiava-se em uma base inteiramente diferente.
Como Ele era manso e humilde. Como era despretensioso — verdadeiramente despretensioso — e tranquilo; e, no entanto, quanta força havia Nele.
Tudo o que eu disse, e muito mais que se poderia acrescentar sobre o impacto e a marca deste Homem no mundo, não seria exagero. Em uma frase: Ele não podia ficar oculto. Às vezes, tentava Se esconder; simplesmente não podia ficar oculto, nesse sentido apropriado.
A segunda coisa que se torna tão clara a respeito Dele é o lugar que o Espírito Santo ocupou em Sua vida, desde Belém.
Tudo é atribuído ao Espírito Santo, da infância à idade adulta; e depois, em Sua obra pública, a partir do Jordão, tudo é atribuído ao Espírito.
Toda a Sua relevância, então, é apresentada com perfeita clareza como algo que repousava sobre o Espírito Santo, e não sobre o que Ele era em Si mesmo como Homem. Sei que estou pisando em terreno perigoso e delicado, mas tenho certeza de que vocês terão entendimento suficiente para compreender o que quero dizer.
Sim, e nos últimos momentos, a retirada momentânea do Espírito — momentânea, mas a retirada momentânea do Espírito — fez com que, em Seu desamparo, Ele Se mostrasse tão capaz de experimentar desespero e quebrantamento de coração quanto qualquer outro homem.
Ele provou, em matéria de desespero, aquilo que qualquer outro homem pode conhecer fora de Cristo — experimentando plenamente a separação de Deus.
Há tudo isso. Mas qual é a mensagem para nós? Qual é a mensagem para nós? E isso tem uma mensagem para nós.
Em primeiro lugar, a mesma unção é o direito de nascimento de todo crente consagrado que nasceu de novo.
Não há como se enganar quanto a isso, se você lê o seu Novo Testamento. O Espírito Santo é o direito de nascimento de todo filho de Deus nascido de novo e consagrado — o mesmo Espírito.
E isso significa que, se temos o mesmo Espírito que Ele tinha, e se Ele apenas restaurou para Deus o tipo de homem que Deus sempre pretendeu que fôssemos, então nós recebemos o Espírito.
Esse Espírito nos dá uma relevância de outra ordem, algo a mais, algo diferente e adicional. Todo filho de Deus e todo crente consagrado deveria ser diferente das outras pessoas e ter algo a mais, assim como Ele.
João diz:
Assim como Ele é, somos nós também neste mundo.
Deveria ser assim.
Cada um deveria adquirir uma relevância diferente, algo a mais — se quiserem, algo sobre-humano ou sobrenatural —, algo além e diferente do que somos quando não nascemos de novo.
Talvez essas expressões signifiquem muito pouco, mas vocês veem aonde isso nos leva. Isso é um fato. Quero muito que vocês se apropriem disso e creiam nisso. Apropriem-se disso pela fé.
Em união com o Senhor, pelo Espírito Santo, espera-se que você e eu, em nossa própria constituição pelo novo nascimento, sejamos diferentes dos outros e tenhamos algo a mais, com faculdades diferentes e superiores às naturais.
É o direito de nascimento; não é um dom adicional. É a capacidade que deveria estar em nós por essa segunda natureza, sendo essa segunda natureza a divina, que vem pelo Espírito Santo.
Mas observem: essa relevância é singular. Ela não pode ser explicada com base em qualquer fundamento natural.
O filho de Deus, o crente em quem o Espírito Santo habita e a quem governa, é insondável, assim como Ele era. Eles simplesmente não conseguiam compreendê-Lo por completo. Eram derrotados em todas as tentativas de entendê-Lo e explicá-Lo.
Vez após vez, quando tentavam reduzi-Lo ao nível deles, enquadrá-Lo dentro dos limites de sua compreensão, tinham simplesmente de desistir e ir embora.
Há aqui algo que não corresponde àquilo com que estamos familiarizados. É diferente. É uma relevância singular. Não é apenas natural.
O que tudo isso significa? Bem, queridos amigos, significa o seguinte. No que diz respeito a nós, significa que realmente não deveria haver uma única pessoa insignificante na família de Deus.
Esse é um lado da questão. Vocês vão crer nisso? Vão se apropriar disso?
Não deveria haver um único membro insignificante nesta família.
Em tantas famílias locais, sempre há muitos que apenas ocupam as cadeiras — estão simplesmente ali —, pessoas cuja voz nunca se ouve na oração ou na adoração, cuja presença pode ou não fazer diferença.
Quero muito dizer a todos vocês que, do ponto de vista de Deus, vocês importam. Vocês importam. Vocês têm valor, e foram destinados a fazer diferença.
Vocês realmente creem que o Espírito Santo de Deus habita em vocês? Realmente creem que isso não faz diferença e não lhes confere maior valor? Vocês realmente creem nisso?
Você está mesmo disposto a aceitar que não tem importância, que é uma pessoa insignificante, que isso não faz muita diferença — ou diferença alguma?
A própria verdade da unção não permite qualquer ideia desse tipo.
Mas observem: essa relevância não é algo que se veste. Deus não permita que qualquer coisa que eu diga tenha o efeito de levar vocês a assumir determinada posição e tentar ser alguma coisa.
Não há necessidade de assumir ares de importância. Não há necessidade de presunção. Não há nada a fingir. Não há necessidade de fazer pose. Não há necessidade de se impor.
Não adotamos um uniforme, um tom de voz ou qualquer outra coisa para assumir um ar de importância. Esses são todos meios artificiais de tornar as pessoas importantes e colocá-las em evidência, ou de tentar chamar alguma atenção. Tudo isso é falso. Vocês não precisam de nada disso.
Você pode ser a pessoa mais humilde. Pode não ter nada por nascimento, nada por instrução, nada por sua posição social, absolutamente nada de riqueza, popularidade ou mesmo personalidade marcante; e pode ter mais importância do que aqueles que possuem todas essas coisas sem isto — o Espírito que habita em nós. E espera-se que você faça diferença.
É algo inconsciente. É inconsciente.
Você não deve tentar ser um líder e adotar os modos de um líder, o tom de voz e assim por diante. Isso é algo falso, uma pose. Livre-se de tudo isso.
Se o Espírito de Cristo está em você, e você está sob o governo do Espírito Santo, mesmo sem ter consciência disso, há uma relevância em você, uma influência e um significado em sua vida maiores do que os de todos aqueles que possuem as demais coisas sem o Espírito.
Precisamos ser libertos tanto de nossas inferioridades quanto de nossas superioridades, e chegar a essa base do Servo do Senhor, que operou tão poderosamente em Sua condição de servo.
Em Sua condição de servo — não como um déspota, não como um dos monarcas do mundo, não como um dos grandes do conhecimento, da instrução ou da sabedoria mundana; não em qualquer dessas condições, mas como servo —, deixando Sua marca neste mundo. Um servo, alguém despretensioso. Ah, que sinceridade!
Deixando uma marca impressionante, mas sem consciência de Si mesmo. É nisso que está a santidade dessa influência. No momento em que nos tornamos preocupados com nós mesmos em qualquer obra do Senhor, chamando a atenção para nós, assumindo ares de importância ou nos tornando artificiais, simplesmente afrontamos o Espírito do Senhor.
Mas, quando somos conduzidos e governados pelo Espírito sem essa preocupação conosco, há algo — algo — em nós.
Se nos pedissem para definir isso, a única coisa que poderíamos dizer seria: “O Senhor está com ele. O Senhor está com ela”. É só isso. Você encontra o Senhor.
Ah, que coisa imensa é poder dizer isso a respeito de alguém: “Deixem esse irmão e essa irmã em paz. O Senhor está com eles”.
Essa é a essência da relevância. Esse é o próprio significado da liderança.
Que coisa imensa é poder dizer isso a respeito de alguém: “Deixem esse irmão e essa irmã em paz. O Senhor está com eles”.
Essa é a essência da relevância. Esse é o próprio significado da liderança. Não estamos procurando líderes que assumam a liderança e adotem todas aquelas coisas que os homens consideram sinais de liderança.
Estamos procurando homens e mulheres a respeito dos quais se possa dizer esta única coisa: “O Senhor está com eles”.
Você vai à Bíblia e descobre que essa é a definição de toda liderança, a explicação de toda liderança:
O Senhor era com ele.
O Senhor era com ele.
Não é algo meramente natural. Em muitos casos, os recursos naturais estavam ausentes, mas essas pessoas fizeram diferença. Em outros casos, havia muitos recursos naturais, mas sua liderança não podia ser atribuída a eles. Era o Senhor.
Eles não teriam conseguido chegar ao fim. Moisés não teria conseguido chegar ao fim com toda a instrução dos egípcios se o Senhor não estivesse com ele. Apesar de tudo isso, vez após vez ele esteve a ponto de se desesperar, desmoronar e desistir.
O Senhor, o Senhor.
E assim foi com o Senhor Jesus. Não pensem que Ele trabalhou, viveu e chegou até o fim por causa do que era em Si mesmo como Homem.
A declaração do apóstolo a respeito Dele foi:
Deus era com Ele.
Pois Deus estava com Ele.
Quanto a Si mesmo, Ele diz:
O Espírito do Senhor está sobre Mim, porque…
Todo o poder estava ali: Deus Forte, Conselheiro, Pai da Eternidade, Maravilhoso e tudo o mais.
Sim, levado ao ponto, ao lugar da dependência, que Lhe conferiu Sua verdadeira relevância.
E digo novamente, queridos amigos: não deveria haver uma única pessoa insignificante na família de Deus. Mas essa relevância é espiritual, não natural. É celestial e de outra ordem. É algo a mais. É algo diferente.
Que o Senhor faça de todos nós, de cada um, alguém relevante no sentido correto.