Por favor, abram em Gênesis 1. Acho bom, no início do ano, lermos Gênesis.
Gênesis 1:26-28, começando pelo versículo 26.
E disse Deus: Façamos o homem à Nossa imagem, conforme a Nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra.
E criou Deus o homem à Sua imagem; à imagem de Deus Ele o criou; macho e fêmea os criou.
E Deus os abençoou; e Deus lhes disse: Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo animal que se move sobre a terra.— Gênesis 1:26-28
Gênesis 2:8-9.
E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, da banda do Oriente; e pôs ali o homem que havia formado.
E o Senhor Deus fez brotar da terra toda árvore agradável à vista e boa para comida; e a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore do conhecimento do bem e do mal.— Gênesis 2:8-9
Romanos 5:19-21.
Porque, como pela desobediência de um só homem muitos foram feitos pecadores, assim, pela obediência de Um, muitos serão feitos justos.
Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça:
Para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo, nosso Senhor.— Romanos 5:19-21
Vamos orar.
Nosso Pai celestial, como Te louvamos e agradecemos porque, no início do ano, Tu nos reúnes diante de Ti para aprendermos de Ti e do Teu propósito para o homem. Nós Te pedimos, ó Senhor, que, pelo Teu Espírito Santo, vivifiques a Tua Palavra em cada coração, para que a Tua Palavra seja verdadeiramente vida e espírito para nós. E a Ti seja toda a glória, em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.
O primeiro livro da Bíblia, Gênesis, é um livro de biografias.
Sabe, às vezes pensamos na Bíblia como um livro de doutrinas, um livro de ensinamentos, um livro de verdades. Isso é verdade. Mas, quando você abre a Bíblia, descobre que o primeiro livro da Bíblia é um livro de biografias.
É verdade que há ensinamentos, doutrinas e verdades ali. Mas ele não foi escrito como um livro de ensinamentos, um livro de doutrinas, nem mesmo como um livro de verdades. Foi escrito como um livro de biografias.
Ora, por que isso? Isso mostra que o interesse de Deus não está, em primeiro lugar, no ensino. O interesse de Deus está no homem. Deus se interessa pelo homem. O propósito de Deus é voltado para o homem, e a obra de Deus se realiza no homem. Deus faz Sua obra no homem até que o homem chegue àquilo que Deus originalmente planejou para ele.
Neste livro de Gênesis, você encontra principalmente as biografias de oito pessoas. Embora várias pessoas sejam mencionadas nesse livro, você perceberá que a ênfase está principalmente nessas oito pessoas.
Deus realizou uma obra na vida de cada uma dessas oito pessoas. Em cada uma, você pode ver um aspecto especial, uma característica, um símbolo, uma marca distintiva, por assim dizer, que nos revela o que Deus fez naquela vida.
Quando você reúne essas oito pessoas, encontra um homem segundo o coração de Deus.
Em certo sentido, você perceberá que essas oito pessoas são tipos de Cristo. Em cada uma delas, você vê um pouco de Cristo. Quando as reúne, encontra Cristo, o Homem segundo o coração de Deus.
Então, você pode ampliar essa perspectiva e dizer que o propósito de Deus para o homem não diz respeito a um homem individual. O propósito de Deus para o homem diz respeito a um homem coletivo. Portanto, você perceberá que a mesma obra que Deus realizou nessas oito pessoas, que são expressões do que esse homem é, Ele realizará em cada um de nós.
Juntos, como corpo de Cristo, manifestaremos essas mesmas marcas distintivas, para a glória de Deus. É disso que trata esse livro.
Em cada uma dessas oito pessoas, você pode ver um sinal, um símbolo, algo que se destaca. Para nossa consideração futura, se Deus quiser, vou apenas mencioná-las primeiro. É claro que, nesta manhã, não podemos estudar todas essas oito pessoas.
A primeira pessoa é Adão, naturalmente, e, com Adão, temos a árvore: a árvore de Adão.
A segunda pessoa é Abel, e, com Abel, temos o sacrifício de Abel.
A terceira pessoa é Enoque, e, com Enoque, temos o céu de Enoque.
A quarta pessoa é Noé, e, com Noé, temos a arca de Noé.
A quinta pessoa é Abraão, e, com Abraão, temos o altar.
A sexta pessoa é Isaque, e, com Isaque, temos o poço.
A sétima pessoa é Jacó, e, com Jacó, temos a coluna.
A última pessoa é José, e, com José, temos o trono.
Assim, você percebe que a obra divina se manifesta nesses diferentes símbolos:
Por meio de todos eles, você pode ver como o propósito de Deus se realiza plenamente ao final desse livro.
Nesta manhã, gostaríamos de nos concentrar no primeiro homem, Adão: na árvore de Adão.
Deus criou o homem à Sua própria imagem. Isso não se refere à aparência exterior, porque sabemos que imagem significa uma qualidade interior: uma semelhança moral e espiritual interior. É isso que imagem realmente significa.
Quando Deus criou o homem, Ele o criou à Sua própria imagem. Isto é, Ele criou o homem com essa mesma semelhança moral e espiritual interior. Por causa disso, o homem tem capacidade para receber Deus.
O homem é capaz, por assim dizer, de conter Deus em si e de se unir a Deus em vida. Essa é a beleza da criação de Deus.
Sabe, quando Deus criou o homem, embora tenha usado apenas a terra vermelha para formar o corpo exterior do homem — o material é muito barato, apenas terra vermelha —, Salmos 139:14 nos diz que fomos feitos de modo assombroso e maravilhoso. Isso é verdade.
Mesmo quando você considera o corpo do homem, que Deus formou com o material da terra, se analisar a terra e analisar o seu corpo, descobrirá que ambos contêm os mesmos elementos químicos. Deus fez o homem da terra vermelha e, ainda assim, o fez de modo assombroso e maravilhoso. Nosso corpo é uma maravilha.
Mas essa é apenas a menor parte de tudo isso. O homem não é apenas um ser físico, embora esse ser físico seja maravilhoso. O homem também é um ser moral e espiritual. Em outras palavras, por ter sido criado à imagem de Deus, o homem é diferente de todo o restante da criação.
Deus usou a terra vermelha para formar o corpo do homem, e Deus soprou o fôlego de vida nas narinas daquela forma. A Bíblia diz que o homem se tornou alma vivente.
Em outras palavras, na criação do homem, há o corpo, que foi feito da terra vermelha. Por meio desse corpo, temos consciência do mundo físico ao nosso redor, através dos nossos cinco sentidos.
Então, quando o sopro de Deus entrou naquela forma, o homem se tornou alma vivente. Em outras palavras, o homem tem uma alma. Ter uma alma significa simplesmente que ele se torna um ser vivo. Há uma vida que o anima, uma vida criada dentro dele. Ele pode pensar, pode se expressar, pode sentir e pode tomar decisões.
Há vontade, há mente e há emoção. Por meio dessa alma, ele tem consciência de si mesmo. Como você sabe que existe? Porque pensa, sente e exerce sua vontade. Isso lhe dá consciência de si mesmo.
Então, você percebe que o fôlego de vida, ao entrar em você, se torna o seu espírito: um espírito humano. Você tem consciência moral, intuição e comunhão com Deus. Como Deus é Espírito, e nós fomos feitos com um espírito humano, podemos adorar a Deus com o nosso espírito.
Deus é Espírito, e importa que os que O adoram O adorem em espírito e em verdade.
Graças a Deus, temos um espírito, e, com esse espírito, temos consciência de Deus.
É assim que o homem foi maravilhosamente feito: um corpo admirável, uma alma maravilhosa e um espírito extraordinário.
Quanto à criação do homem por Deus, quando o homem foi criado, ele foi criado completo. Mas, quanto ao propósito de Deus ao criar o homem, esse propósito ainda precisava ser cumprido e aperfeiçoado.
Isso é muito importante. Quanto ao ato da criação, quando o homem foi criado, ele era perfeito. Não havia nada ausente ou faltando. Assim como um bebê: quando nasce, ele é perfeito no que diz respeito a todos os membros do corpo.
E, no entanto, esse bebê precisa crescer até a maturidade, até se tornar um homem ou uma mulher. Esse é o propósito relacionado ao nascimento, e isso precisa se desenvolver gradualmente.
Portanto, você perceberá que, quando o homem saiu das mãos de Deus, ele foi criado perfeito e completo. Mas, quanto ao propósito de Deus ao criá-lo, esse propósito ainda precisava ser aperfeiçoado e completado.
Ora, como sabemos disso? Porque, quando Deus criou o homem, o homem foi criado como um vaso.
Um vaso não é um fim; um vaso é um meio para um fim. Um vaso existe para ser preenchido com alguma coisa. Quando um vaso é preenchido com a coisa certa, então o propósito desse vaso se cumpre.
Suponha que você faça um copo, um copo para beber. Você pode fazer um copo muito bonito; mas, se ele não for preenchido com uma bebida, com água, então o propósito desse copo nunca se cumpre.
Mas, quando esse copo é preenchido com água, podemos dizer que o propósito do copo se cumpriu.
Portanto, lembre-se: o homem foi feito como um vaso — um vaso para Deus, não para qualquer outro propósito. O homem foi feito para ser um vaso para Deus. Somente quando o homem é preenchido com Deus é que o propósito da criação do homem se cumpre.
É por isso que, se uma pessoa não está cheia de Deus, ela está sempre vazia. Você pode enchê-la de ouro e prata, mas ela continua vazia.
Como disse Santo Agostinho: “Ó Deus, minha alma jamais encontrará descanso até descansar em Ti, porque foi feita para Ti”.
É por essa razão que, depois de criar o homem, Deus plantou um jardim: o jardim do Éden. A palavra Éden significa prazer. Deus plantou um jardim de prazer.
Por quê? Porque, no jardim, Deus plantou toda espécie de árvore frutífera. Elas não eram apenas agradáveis à vista, mas também boas para alimento. Todos os frutos serviam para nutrir o corpo físico do homem. Deus preparou todas as árvores no jardim do Éden.
No meio do jardim, no centro do jardim, Deus plantou a árvore da vida. Ao lado dessa árvore da vida estava a árvore do conhecimento do bem e do mal.
Deus colocou o homem no jardim e lhe disse:
De toda árvore do jardim comerás livremente:
Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás:
Porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.— Gênesis 2:16-17
Ora, por que Deus, depois de criar o homem, o colocou em um jardim? Bem, podemos dizer que Deus queria que o homem desfrutasse daquilo que Ele havia criado. Isso é verdade.
Mas por que Deus plantou a árvore da vida no centro do jardim? O homem já não tinha vida? O homem era alma vivente. O homem tinha uma vida que o animava. O homem podia andar, falar, pensar e fazer muitas coisas. O homem tinha vida.
Então, por que a Bíblia especifica que Deus plantou a árvore da vida no meio do jardim? Porque a árvore da vida simboliza a vida divina de Deus.
Em outras palavras, Deus, por assim dizer, colocou Sua própria vida na forma de uma árvore. Por que Deus colocou Sua vida na forma de uma árvore? Porque isso tornou Sua vida acessível ao homem.
O homem poderia tomar o fruto da árvore e comê-lo, recebendo, assim, a vida divina dentro de si. Deus tornou Sua vida acessível ao homem.
Deus não estava satisfeito apenas em criar o homem e lhe dar uma vida criada. O propósito de Deus era dar ao homem Sua própria vida incriada, divina e eterna, para que Ele e o homem fossem unidos em um só. Esse é o propósito de Deus.
Portanto, no centro do jardim estava a árvore da vida. Isso nos mostra qual é realmente o propósito de Deus ao criar o homem. Deus criou o homem para que o homem pudesse receber Deus dentro de si e se unir a Deus em vida, em amor e em propósito. Esse é o propósito de Deus.
Você também encontra isso em Romanos 8:29:
Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de Seu Filho.
Deus quer que recebamos Sua vida e sejamos conformados à imagem de Seu Filho unigênito: que sejamos semelhantes a Ele. Esse é o propósito de Deus para o homem.
Mas, ao lado da árvore da vida, Deus colocou outra árvore. Ela é chamada de árvore do conhecimento do bem e do mal. Essa é uma árvore muito peculiar.
Não é uma árvore comum. Não é uma macieira, uma pereira nem um pessegueiro. Todas essas árvores são boas para alimento; isto é, podem suprir as necessidades do nosso corpo físico. Naquele tempo, o homem não comia carne. O alimento do homem eram os frutos.
Assim, Deus deu ao homem um corpo e providenciou todos os bons alimentos para sustentar esse corpo. Todas as árvores do jardim produziam frutos para o nosso corpo físico, com diferentes sabores, para que a alimentação não se tornasse monótona nem nos parecesse sem sabor. Deus realmente ama as pessoas, sabe.
Então, você encontra a árvore da vida. É uma espécie diferente de fruto, porque nos dá a vida divina. Ela nos dá vida para o nosso espírito, para que, em nosso espírito, tenhamos a vida de Deus em nós.
Mas então você encontra a árvore do conhecimento do bem e do mal. É uma espécie diferente de árvore. É a árvore do conhecimento. Que espécie de conhecimento? O conhecimento do bem e do mal.
Às vezes, as pessoas pensam que havia uma árvore ruim no jardim do Éden, e que era a árvore do conhecimento do bem e do mal. Você acha que Deus plantaria alguma árvore ruim naquele jardim do Éden? Todas as árvores eram boas.
A árvore do conhecimento do bem e do mal não é uma árvore ruim. Na verdade, ela é uma árvore melhor do que todas as demais, exceto aquela que é a melhor de todas: a árvore da vida.
A árvore da vida é alimento para o nosso espírito. A árvore do conhecimento do bem e do mal é alimento para a nossa alma. As outras árvores são alimento para o nosso corpo.
O conhecimento é para a nossa alma.
De todo o conhecimento do mundo, não há conhecimento mais elevado do que o conhecimento do bem e do mal.
Hoje nos orgulhamos de estar na era da tecnologia. Nós nos orgulhamos de toda a ciência e de todas as invenções científicas que temos. Damos tanto valor à ciência, como se a ciência fosse tudo.
Mas lembre-se: de todo o conhecimento do mundo, o mais elevado não é a ciência. Não é o conhecimento das coisas físicas. O conhecimento mais elevado é o conhecimento do bem e do mal.
É o conhecimento que permite discernir o que é bom e o que é mau, o que é certo e o que é errado. É o conhecimento moral. É a ética. É a lógica. É a filosofia. É o racionalismo. É o conhecimento racional. Não há nada mais elevado do que o conhecimento racional.
Nós nos chamamos de seres racionais. Por quê? Porque somos tão racionais, tão lógicos. Podemos saber o que é bom e o que é mau. Esse é o conhecimento mais elevado.
Na verdade, na China, em toda a nossa cultura, literatura e erudição chinesas, o conhecimento que consideramos mais elevado é o conhecimento racional.
Não é uma árvore ruim. Mas ela significa morte quando é recebida separadamente da vida.
Ora, por que Deus colocou o homem no jardim do Éden, com a árvore da vida no meio do jardim e a árvore do conhecimento do bem e do mal ao lado dela? Deus disse que o homem não deveria comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque, se comesse dela, certamente morreria. Por que era assim?
Porque Deus criou o homem à Sua própria imagem. Deus tem livre-arbítrio. Em outras palavras, Deus é livre. Ele tem uma vontade. Ele pode fazer tudo o que escolher.
Quando Deus criou o homem, Ele o criou com livre-arbítrio. Deus nos deu uma vontade. Como temos livre-arbítrio, somos livres. Somos livres para escolher aquilo que queremos escolher.
Deus respeita o nosso livre-arbítrio. Por isso, Deus deu ao homem a oportunidade de exercer seu livre-arbítrio e fazer sua própria escolha.
Deus não simplesmente plantou a árvore da vida no jardim do Éden e disse ao homem: “Agora coma”. Não haveria escolha; você teria de comer. Deus não faz isso.
Ele colocou outra árvore ao lado dela. Por um lado, Deus disse: “Você pode comer de todas as árvores”. É claro que, se lhe dizem que você pode comer de todas as árvores, a árvore no centro do jardim vai chamar sua atenção. A indicação é: “Essa é a árvore”.
Então Deus disse: “Não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal”. Ao dizer isso, em certo sentido, Deus estava procurando dizer ao homem: “Por que não comer da árvore da vida?”. Infelizmente, o homem não percebeu essa indicação.
Há outra razão pela qual Deus colocou o homem sob um mandamento:
Da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás:
Porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.
Não apenas porque Deus amava o homem e não queria que ele morresse, mas também porque o homem está acima de todas as criaturas, porém abaixo do Criador. Às vezes, esquecemos disso. Pensamos que estamos acima de tudo, até mesmo acima de Deus.
Por isso, Deus colocou o homem sob um mandamento para mostrar que, de fato, o homem está acima de todas as coisas, mas há Alguém acima dele, a Quem ele deve obedecer. O homem precisa conhecer seu lugar no universo.
De qualquer maneira, Deus não obrigou o homem a fazer Sua vontade. Deus colocou Sua vontade diante do homem e permitiu que o homem escolhesse livremente.
Se o homem quisesse escolher a árvore da vida, poderia fazê-lo. Se o homem quisesse escolher a árvore proibida do conhecimento do bem e do mal, também poderia fazê-lo. Deus deu ao homem essa liberdade de escolha porque o homem foi criado com livre-arbítrio. O que seria esse livre-arbítrio se não houvesse escolha, ou se você não pudesse escolher?
Aqui você vê como Deus respeita o homem que Ele criou.
Assim, aqui você encontra o homem diante de duas árvores. Aqui está a árvore da vida, e ali está a árvore do conhecimento do bem e do mal. Deus colocou o homem diante dessas duas árvores e permitiu que ele escolhesse seu próprio destino.
Ele poderia escolher a árvore da vida, recebendo a vida de Deus dentro de si e tornando-se um com Deus, cumprindo, assim, o propósito de Deus ao criá-lo.
Ou poderia escolher a árvore do conhecimento do bem e do mal. Isto é, ele não quer a vida de Deus. Ele quer desenvolver sua própria alma, aumentar seu próprio conhecimento e fazer de si mesmo um deus, independente de Deus. Ele declara sua independência de Deus: “Não preciso de Deus. Vou fazer de mim mesmo um deus”. Ele também poderia fazer isso.
O conhecimento não é mau. O conhecimento do bem e do mal é, certamente, um bom conhecimento.
O que é desastroso é isto: ter o conhecimento do bem e do mal e, no entanto, não ter o poder de fazer o bem e se abster do mal. Isso produz morte.
Não há nada de errado com o conhecimento. Não há nada de errado com o conhecimento do bem e do mal. É um bom conhecimento; você deve tê-lo. Mas, infelizmente, separado da vida de Deus, o conhecimento só traz morte, e não vida.
Você tem o conhecimento, mas não tem o poder de fazer aquilo que sabe ser bom e de não fazer aquilo que sabe ser mau.
Você se lembra de Romanos 7:24, em que o homem clama:
Miserável homem que eu sou!
Por que sou tão miserável? Porque sei o que é bom, mas não consigo fazê-lo. Sei o que é errado, mas faço. Não consigo deixar de fazer e, portanto, sou condenado.
Isso traz morte.
Com a vida de Deus há conhecimento, mas esse conhecimento traz vida. Você se lembra de João 17:3: conhecer a Ele e conhecer Aquele que O enviou — isso é a vida eterna.
O que é a vida eterna? A vida eterna também é conhecimento, mas é um conhecimento vivo. Em outras palavras, você não apenas sabe, mas tem o poder de fazer ou de não fazer. Essa é a diferença.
Deus amou tanto o homem que queria que o homem tivesse Sua vida. Com Sua vida, o homem teria conhecimento; mas, com o conhecimento, haveria o poder de fazer aquilo que deveria fazer.
Mas o homem pode escolher se quer a vida de Deus ou o conhecimento do bem e do mal. Qual é a diferença?
A árvore da vida fala da vida divina de Deus. A árvore do conhecimento do bem e do mal fala do conhecimento racional desenvolvido no homem à parte de Deus.
Se recebemos da árvore da vida, então a vida de Deus se torna a vida do nosso espírito, porque a vida de Deus habita em nosso espírito.
A árvore do conhecimento do bem e do mal habita em nosso cérebro, em nossa mente, em nossa alma.
A vida de Deus em nós é uma vida de fé. A vida do conhecimento racional é uma vida de razão.
A árvore da vida em nós é uma vida de obediência. Mas a árvore do conhecimento do bem e do mal em nós é uma vida de independência.
A árvore da vida em nós é uma vida de união com Deus, de dependência de Deus, de andar com Deus e de seguir a Deus. A árvore do conhecimento do bem e do mal é uma vida separada de Deus, procurando desenvolver a si mesmo para se tornar um deus.
Uma nos leva à vida eterna; a outra nos leva à morte. Essa é a diferença entre essas duas árvores.
Adão precisava fazer uma escolha. Infelizmente, nosso antepassado fez a escolha errada. Em vez de aceitar a árvore da vida, o homem declarou sua independência de Deus.
O homem foi tentado a desenvolver a si mesmo e a procurar fazer de si mesmo um deus. O resultado foi que ele fez de si mesmo não um deus, mas um diabo. Em vez de ser conformado à imagem do Filho de Deus, ele foi deformado à imagem do diabo.
O homem foi expulso do jardim do Éden, e o caminho para a árvore da vida foi guardado por querubins com uma espada flamejante. Em outras palavras, o caminho para a árvore da vida ficou completamente bloqueado para o homem. Essa foi a tragédia da história humana.
Pela desobediência de um só homem, todos foram constituídos pecadores. Nascemos pecadores.
Nascemos com a árvore do conhecimento do bem e do mal em nós. Em Adão, a árvore do conhecimento do bem e do mal é um princípio de vida. As pessoas vivem segundo o princípio do conhecimento do bem e do mal, e essa é a melhor maneira de viver que conseguem alcançar.
Por causa disso, todos estamos sob a sentença de morte.
Mas, graças a Deus, Ele enviou a este mundo um segundo Homem, Cristo.
Esse segundo Homem que veio a este mundo é vida. Ele é a árvore da vida, e veio oferecer vida à humanidade. Deus nos deu uma segunda oportunidade.
Aqui você encontra Cristo crucificado na cruz, no Calvário. Ora, o que é a cruz?
Hoje pensamos na cruz como algo belo, algo glorioso. As pessoas usam ouro para fazer uma cruz e pendurá-la no pescoço. Mas, quando Cristo foi crucificado, aquela cruz não era lisa e bonita.
Na verdade, 1 Pedro 2:24 diz:
Levando Ele mesmo em Seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça.
— 1 Pedro 2:24
Era uma árvore cortada. Quando se quer crucificar um criminoso, não se corta uma árvore para depois alisá-la, deixando-a bem lisa e bonita antes de colocar aquele criminoso nela. Não. É apenas uma árvore cortada — áspera, rústica —, e se crucifica aquela pessoa naquela árvore.
Nosso Senhor Jesus foi crucificado em uma árvore.
Essa árvore, em primeiro lugar, é a árvore do conhecimento do bem e do mal. Porque comemos da árvore do conhecimento do bem e do mal, Cristo provou a morte por nós naquela árvore. Ele morreu para o pecado.
Essa árvore, em primeiro lugar, representa a árvore do conhecimento do bem e do mal. Você e eu deveríamos ter sido crucificados ali. Comemos daquele fruto e deveríamos ter sido crucificados naquela árvore. Mas, em vez disso, vemos que nosso Senhor Jesus provou a morte por todos os homens. Ele foi crucificado naquela árvore em nosso lugar.
Mas, graças a Deus, depois que Ele foi crucificado ali, aquela árvore se transformou em outra árvore: a árvore da vida.
Do Seu lado saíram sangue e água. Sangue para a expiação e a remissão dos nossos pecados, e água para nos dar vida, para que recebêssemos uma nova vida.
Por meio de Sua morte e ressurreição, Ele liberou Sua vida divina, Sua própria vida, para nós. Ele é a árvore da vida. Ele torna a vida acessível a nós por meio da cruz.
Sem a cruz, Sua vida está somente Nele mesmo. Quando os gregos vieram querendo vê-Lo, o que o Senhor Jesus disse? O Senhor disse:
É chegada a hora em que o Filho do Homem há de ser glorificado.
Então Ele disse:
Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto.
— João 12:24
Sem a cruz, a vida divina de Deus está em Cristo, mas está somente Nele. Ah, que vida maravilhosa Ele viveu! Ele viveu segundo a vida divina de Deus. Que vida Ele viveu! Mas ela estava somente Nele.
É por meio da morte, por meio da cruz, que essa vida se torna acessível a todos os que creem Nele. Por meio da cruz, Sua vida é liberada, para que nós, que cremos Nele, possamos receber Sua vida dentro de nós.
Queridos irmãos e irmãs, aqui vocês encontram a obra da Sua redenção. Por um lado, Ele precisa eliminar o efeito da árvore do conhecimento do bem e do mal em nós.
Ele precisa tirar os nossos pecados. Ele precisa provar a morte por nós, para que passemos do juízo, da morte, para a vida. Ele precisa realizar a obra negativa de limpar o terreno, e então realiza a obra positiva de nos dar Sua vida.
Queridos irmãos e irmãs, por meio da cruz do Calvário, a humanidade recebe uma segunda oportunidade. Você pode escolher.
Não culpe Adão, dizendo que ele fez a escolha errada por nós. Deus lhe dá outra oportunidade de escolher por si mesmo.
Agora, quem você vai escolher? Vai escolher a árvore da vida, ou ainda quer permanecer com a árvore do conhecimento do bem e do mal? O que você quer?
Em Adão está a árvore do conhecimento do bem e do mal. Em Cristo está a árvore da vida.
Pela desobediência de um só homem, muitos foram constituídos pecadores; mas, pela obediência de Um, muitos são feitos justos.
Queridos irmãos e irmãs, esse é o evangelho de Jesus Cristo. O evangelho de Jesus Cristo é que Ele veio tirar o efeito da árvore do conhecimento do bem e do mal, que é a morte em nossa vida. Ele veio nos oferecer Sua própria vida.
Para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Graças a Deus, hoje você fez a escolha. Você escolheu Cristo. Você escolheu a vida. Você recebeu Sua vida dentro de si. A vida Dele em você é hoje o seu princípio de viver.
Assim, chegamos a dois princípios diferentes de vida. Há duas maneiras diferentes de viver, duas leis diferentes de vida.
Um princípio de vida é viver pela vida divina. O outro princípio é viver pelo conhecimento do bem e do mal.
Irmãos e irmãs, antes de crermos no Senhor Jesus, vivíamos pelo conhecimento do bem e do mal. Essa era a melhor maneira de viver que conseguíamos alcançar.
Quanto àquilo que considerávamos mau, dizíamos: “Bem, não faça isso”. Quanto àquilo que considerávamos bom, dizíamos: “Bem, isso é algo que você deve fazer”. Você simplesmente pensa no assunto e raciocina a respeito. Conforme a conclusão a que chega pelo raciocínio, pensa que deve fazer uma coisa e não deve fazer outra.
Isso sem falar que seu raciocínio talvez seja irracional. Mas você acha que é muito racional? Mesmo que seu raciocínio seja racional e esteja correto, o que você descobre? Descobre que aquilo que considera certo, não faz; aquilo que considera errado, faz.
Assim era a sua vida. É por isso que você estava condenado.
Mas, queridos irmãos e irmãs, depois de recebermos a vida de Cristo em nós, depois de comermos da árvore da vida, vocês não percebem que, de agora em diante, o princípio pelo qual vivemos já não deve ser o conhecimento do bem e do mal? Deve ser a vida divina.
Isso não significa que um cristão deva tratar com pouco caso o que é certo ou errado, o que é bom ou mau. Certamente não.
Algumas pessoas se tornam tão superespirituais, como se estivessem acima de qualquer padrão moral. Em outras palavras, pensam que podem fazer coisas más e ainda dizer que estão certas. Não, certamente não.
Você não deve ser pseudoespiritual a ponto de desprezar o certo e o errado, ou o bem e o mal. É claro que não.
Mas, como cristãos, vocês devem viver em um nível mais elevado do que simplesmente o bom ou o mau, o certo ou o errado. Em outras palavras, o bom não é bom o suficiente para vocês.
Vocês precisam viver por um princípio mais elevado, e esse é o princípio da vida divina de Deus. Esse é o princípio pelo qual vivemos.
Como é lamentável encontrarmos tantos cristãos hoje fazendo esta pergunta: “Isso é errado?”.
Um jovem cristão pode chegar a você e dizer: “Irmão, vou fazer tal coisa. Você acha que é errado? Você acha que é certo? Você acha que é bom? Você acha que isso é mau? Você acha que é pecado?”.
O que ele quer dizer? Quer dizer que, se não é pecado, se não é mau, se não é errado, se é bom, então ele pode fazer. Ele ainda é governado pelo conhecimento do bem e do mal.
Em seu relacionamento com as pessoas, esse ainda é o seu critério?
Você acha que fez algo bom, mas as pessoas o interpretaram mal? Você acha que tem o direito de brigar porque fez algo bom?
Ora, se você fez algo mau, sabe que agiu mal. Está bem, você aceita isso. Mas, se agiu bem, como reage?
Você reage segundo a vida divina de Deus em você, ou ainda age e reage pelo padrão do bem e do mal?
Lembre-se: para nós, cristãos, o princípio que governa a vida é a vida divina de Deus.
Em outras palavras, nossa pergunta não é se algo é certo ou errado. Nossa pergunta é: “Isso procede da vida ou não procede da vida?”
Não se trata de perguntar: “E quanto a mim?”. Trata-se de perguntar: “O que Deus pensa?”.
Vivemos em um nível mais elevado. Por quê? Porque em Cristo está a árvore da vida. Esse é o princípio pelo qual vivemos.
Como é lamentável que tantas vezes nos vejamos caindo para o nível do conhecimento do bem e do mal. Ainda estamos discutindo: “Eu estou certo; você está errado. Você está errado; eu estou certo. Isso é bom. Isso é mau”, como se isso resolvesse a questão.
Não. É preciso ir além disso. Às vezes, algo pode ser bom, mas pode não ser a vontade de Deus.
Precisamos perguntar: “Isso procede da vida? Isso procede da vida?”.
Às vezes, você pode sofrer um pouco, mas, mesmo assim, sente-se cheio de vida.
Em outras ocasiões, você pode argumentar com muita força que está certo. Quanto mais argumenta que está certo, mais morto se sente. Essa é a experiência cristã.
Os cristãos vivem segundo uma regra diferente, segundo regras diferentes.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, não se trata apenas de receber vida. Depois de recebermos a vida de Cristo em nós, cabe a nós viver por essa vida.
Não sejam governados apenas pelo conhecimento do bem e do mal. É preciso ir além disso. Precisamos ser governados pela vida divina de Deus em nós.
Se fizermos isso, vocês perceberão que a vida divina em nós começará a tomar forma. Seremos gradualmente transformados e conformados à imagem do Filho de Deus.
O que é a imagem do Filho de Deus? É o caráter moral e espiritual.
Deus quer não apenas que recebamos Sua vida, mas também que Sua vida seja seguida e vivida. À medida que essa vida é vivida, ela cresce até a maturidade.
Cresceremos até nos tornarmos um homem plenamente desenvolvido, até a medida da estatura da plenitude de Cristo. Esse é o propósito de Deus.
Assim, na árvore de Adão, você pode ver o propósito de Deus para o homem. Embora Adão tenha falhado diante daquela árvore, em Cristo Deus nos ofereceu a árvore da vida.
Na verdade, a espada flamejante caiu sobre nosso Senhor. Ele foi morto em nosso favor. No entanto, o caminho para a árvore da vida está novamente aberto, e somos convidados a comer.
Depois de comermos da árvore da vida, que possamos andar nessa vida. Que o Senhor nos ajude. Vamos orar?
Nosso Pai celestial, como Te louvamos e agradecemos porque, embora nosso antepassado tenha falhado em receber a vida que Tu lhe ofereceste e, em vez disso, tenha recebido o conhecimento do bem e do mal, que é morte, nós Te agradecemos porque, em Cristo Jesus, Tu nos ofereceste novamente essa árvore da vida.
Tu abriste para nós um caminho para a vida. Nós Te louvamos e agradecemos porque foi a Tua graça que abriu nossos olhos e até nos deu fé para crer em Teu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo.
Mas, Pai, nós Te pedimos que não sejamos apenas um povo que recebe Tua vida, mas que sejamos um povo caracterizado por Tua vida; que realmente andemos nesta terra segundo a vida divina de Deus.
Que não voltemos a viver sob o padrão inferior do bem e do mal. Senhor, pedimos que sempre perguntemos: “Isso procede de Ti ou de nós mesmos? É vida, ou é apenas bem ou mal?”.
Ajuda-nos, ó Senhor. Conduze-nos à plenitude do Teu propósito para o homem. Em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.