Por favor, abram no livro de Gênesis.
E aconteceu, depois da morte de Abraão, que Deus abençoou a Isaque, seu filho;
e Isaque habitava junto a Beer-Laai-Roi.
E semeou Isaque naquela terra, e colheu, no mesmo ano, cem por um: e o Senhor o abençoou.
E engrandeceu-se o homem, e ia-se engrandecendo, até que se tornou muito grande.
E tinha possessão de ovelhas, e possessão de vacas, e grande número de servos: e os filisteus o invejavam.
E todos os poços que os servos de seu pai haviam cavado nos dias de Abraão, seu pai, os filisteus os entulharam e encheram de terra.
E disse Abimeleque a Isaque: Aparta-te de nós; porque muito mais poderoso te tens feito do que nós.
Então Isaque partiu dali, e acampou no vale de Gerar, e habitou ali.
E tornou Isaque a cavar os poços de água que haviam cavado nos dias de Abraão, seu pai; porque os filisteus os haviam entulhado depois da morte de Abraão: e chamou-os pelos nomes pelos quais seu pai os havia chamado.
E os servos de Isaque cavaram naquele vale, e acharam ali um poço de águas vivas.
E os pastores de Gerar contenderam com os pastores de Isaque, dizendo: Esta água é nossa: por isso chamou o nome daquele poço Eseque; porque contenderam com ele.
Então cavaram outro poço, e também contenderam por causa dele: por isso chamou o seu nome Sitna.
E partiu dali, e cavou outro poço; e não contenderam por causa dele: por isso chamou o seu nome Reobote; e disse: Porque agora o Senhor nos deu espaço, e frutificaremos na terra.
Depois subiu dali a Berseba.
E apareceu-lhe o Senhor naquela mesma noite, e disse: Eu sou o Deus de Abraão, teu pai: não temas, porque Eu sou contigo, e abençoar-te-ei, e multiplicarei a tua descendência por amor de Abraão, Meu servo.
Então edificou ali um altar, e invocou o nome do Senhor, e armou ali a sua tenda: e os servos de Isaque cavaram ali um poço.
E Abimeleque veio a ele de Gerar, com Auzate, seu amigo, e Ficol, capitão do seu exército.
E disse-lhes Isaque: Por que viestes a mim, visto que me odiais e me despedistes de vós?
E eles disseram: Vimos claramente que o Senhor era contigo: por isso dissemos: Haja agora juramento entre nós, entre nós e ti, e façamos aliança contigo,
que não nos faças mal, como nós te não tocamos, e como te fizemos somente bem, e te deixamos ir em paz: agora tu és o bendito do Senhor.
Então lhes fez um banquete, e comeram e beberam.
E levantaram-se de madrugada, e juraram um ao outro: depois Isaque os despediu, e partiram dele em paz.
E aconteceu, naquele mesmo dia, que vieram os servos de Isaque, e lhe anunciaram acerca do poço que haviam cavado, e lhe disseram: Achamos água.
E chamou-o Seba: por isso é o nome daquela cidade Berseba até o dia de hoje.
Mas nós, irmãos, somos filhos da promessa, como Isaque.
Mas, como então aquele que era nascido segundo a carne perseguia o que era nascido segundo o Espírito, assim é também agora.
Mas que diz a Escritura? Lança fora a serva e seu filho: porque o filho da serva não herdará com o filho da livre.
De maneira que, irmãos, não somos filhos da serva, mas da livre.
Nosso Pai celestial, como Te louvamos e Te agradecemos por nos teres revelado Teu Filho, nosso Senhor Jesus. Oh, Ele não é apenas um tesouro para Ti, mas também é preciosíssimo para nós.
Como Te louvamos e Te agradecemos por podermos nos reunir para adorá-Lo e nos lembrar Dele. E agora podemos nos reunir em Tua própria presença para ouvir o que tens a nos dizer.
Nosso Pai celestial, pedimos que, por meio da Tua Palavra, o Senhor Jesus nos seja revelado novamente, que sejamos cheios do Teu Espírito, que nossa vida na terra seja um reflexo de Quem Tu és e que a glória seja dada a Ti. Em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Ultimamente, temos considerado juntos este livro de Gênesis. Mencionamos, logo no início, que o livro de Gênesis é um livro de biografias.
Em outras palavras, Deus não está tão interessado em doutrinas, em métodos ou em qualquer outra coisa; Ele está interessado no homem. E é por isso que o primeiro livro da Bíblia, Gênesis, é um livro de biografias.
São as biografias de oito pessoas. Elas nos revelam o que Deus fez na vida desses homens e por meio deles. Também nos mostram o homem que Deus realmente procura. E, como mencionamos logo no início, Deus encontrou esse homem em Cristo Jesus, e agora vai encontrá-lo em Sua igreja, o homem coletivo.
Vemos que Deus realizou uma obra em cada um desses homens. E essa obra se expressa por meio de uma única coisa, quase como uma marca deixada pela maré na vida dessas pessoas.
Mencionamos a árvore de Adão, o sacrifício de Abel, o céu de Enoque, a arca de Noé e o altar de Abraão. Agora, nesta manhã, gostaríamos de chegar a Isaque. Sem dúvida, a coisa singular que marcou a vida de Isaque foi o poço.
Vocês verão que a vida de Isaque está ligada aos poços. Ao longo de sua vida, ele cavou muitos poços. Assim como Abraão edificou altares, o altar simboliza Abraão, e o poço simboliza Isaque.
Na verdade, Isaque encontrou sua esposa junto a um poço. Vocês se lembram de como, em Gênesis 24, o servo de Abraão foi procurar uma esposa para Isaque. Esse servo ficou junto a um poço e orou: se uma jovem viesse e, quando ele lhe pedisse água, ela não apenas lhe desse água para beber, mas também desse água aos seus camelos, então aquela seria a mulher que Deus havia escolhido para o filho de seu senhor.
E, de fato, Rebeca veio e fez exatamente isso. Assim, Isaque encontrou sua esposa junto a um poço. Ele se encontrou com ela logo depois de voltar de Beer-Laai-Roi. Na Escritura, Beer significa “poço” — o poço de Laai-Roi.
Ele começou sua vida morando em Beer-Laai-Roi. Depois, vocês veem como ele foi para a terra dos filisteus. Ali, tornou a cavar os poços que seu pai havia cavado antes e cavou novos poços. Finalmente, vemos que ele se mudou para Berseba, e ali encontrou outro poço de águas vivas. Beer significa “poço” — o poço de Seba.
Assim, ao longo de sua vida, vemos que ele cavou muitos, muitos poços. Isso o simboliza.
Agora, irmãos e irmãs, sabemos o que a água representa na Escritura. Naturalmente, às vezes a água pode representar algo ruim, como o juízo — o dilúvio. Mas, muitas vezes, vemos que a água na Escritura representa algo muito, muito bom.
A água representa a vida — o Espírito de vida. Vocês se lembram de que, certo dia, nosso Senhor Jesus estava junto ao poço de Jacó, e uma mulher samaritana saiu da cidade para tirar água daquele poço. Nosso Senhor Jesus lhe disse:
Se soubesses com Quem estás falando, e se Lhe pedisses, Ele te daria água viva.
Essa água se tornará, dentro de você, uma fonte de água, e você nunca mais terá sede. Naturalmente, sabemos que o Senhor ofereceu a Si mesmo, Sua própria vida, àquela mulher.
Depois, em João 7:37-39, vemos que, no último dia da Festa dos Tabernáculos, nosso Senhor Jesus Se levantou e clamou:
Se alguém tem sede, venha a Mim.
Aquele que crê, como diz a Escritura, do seu ventre correrão rios de água viva.
Isso Ele disse a respeito do Espírito Santo.
Assim, sabemos que o Espírito Santo é o Espírito de água viva. Ele é o Espírito de vida, o Espírito de água viva. Deus oferece essa vida, esse Espírito de vida, a todo aquele que vier e crer em Cristo Jesus.
Mas o que é um poço? Qual é a diferença entre um poço e um rio? Um rio é algo que Deus fez. Um poço é algo que o homem cava.
Deus dá a água. A nascente está ali. Mas você precisa cavar para fazer um poço, a fim de que a água possa ser preservada e retirada.
E vocês sabem, essa é a parte que o homem precisa fazer. Há uma parte que Deus faz: Ele dá a água, Ele dá a vida, Ele dá o Espírito de vida. Mas há uma parte que nós precisamos fazer — nossa responsabilidade. Precisamos cavar. Precisamos retirar a terra. Precisamos preparar esse espaço vazio para que a vida de Deus, o Espírito de vida, possa nos encher.
Não devemos apenas saciar nossa própria sede, mas também fornecer água — vida — a outras pessoas. Portanto, isso fala do aspecto da experiência em nossa vida, e é algo que precisamos fazer.
Agora, vamos examinar a vida de Isaque. Isaque começou sua vida em Beer-Laai-Roi, no poço de Laai-Roi. Não sei se vocês conhecem esse poço, mas, se estão familiarizados com o livro de Gênesis, sabem que, certo dia, quando Agar foi perseguida por sua senhora, Sara, ela fugiu.
Ela fugiu e se viu no deserto. Deus lhe apareceu e lhe perguntou:
Agar, o que estás fazendo aqui?
E Agar disse:
Minha senhora me oprime; por isso eu fujo.
Deus disse:
Volta. Submete-te.
E darás à luz um filho, e o seu nome será Ismael, e ele será abençoado.
Deus apareceu a Agar junto a um poço. Por isso, Agar chamou aquele poço de Beer-Laai-Roi. Esse é o poço do Deus vivo que Se revela, ou o poço do Deus vivo que vê.
Esse é o nome daquele lugar: Beer-Laai-Roi, o poço do Deus vivo que Se manifestou, ou que foi visto.
Assim, quando Isaque começou sua própria vida — antes disso, ele morava com seu pai, mas, quando começou sua própria vida —, ele a começou em Beer-Laai-Roi. Em outras palavras, fez daquele lugar o início de sua própria vida.
Em outras palavras, isso significa que ele percebeu que precisava começar sua vida com um Deus vivo. Precisava começar sua vida com um Deus vivo que Se revela. Precisava obter de Deus todos os seus recursos. E como ele obtinha seus recursos de Deus? Ele os obtinha quando Deus Se revelava a ele.
Portanto, irmãos e irmãs, espiritualmente falando, esse é o lugar onde Isaque começou sua vida. E não é verdade que é ali que nós também devemos começar nossa própria vida?
Precisamos começar nossa vida com um Deus vivo. Precisamos começar nossa vida com a revelação que vem de Deus. Sem revelação, se Deus não Se revelar a nós, estamos mortos. Não há vida.
Mas, quando Deus Se revela a nós, descobrimos que Ele é um Deus vivo, e Nele encontramos vida. E é aí que a vida deve começar.
Se uma pessoa nunca viu Deus, se uma pessoa nunca recebeu revelação do alto, ela está morta. Assim como o Senhor Jesus disse:
Deixa os mortos sepultar os seus mortos.
Ou, como diz a Escritura:
Estáveis mortos em delitos e pecados.
Sem revelação, sem conhecer o Deus vivo, estando separados do Deus vivo — isso é morte. Isso é morte espiritual. E era isso que nós éramos antes. Mas, graças a Deus, um dia aprouve a Deus revelar Seu Filho em nós.
Quando a revelação chegou até nós, vimos o Deus vivo e recebemos essa vida dentro de nós. É aí que nossa verdadeira vida começa.
Lembrem-se: se vocês não começam com a revelação do Deus vivo, sua vida ainda não começou. Mas, se começam com essa revelação do Deus vivo — se Deus Se revela a vocês —, então lembrem-se: precisam continuar vivendo nessa revelação.
Isso não significa que, em algum momento do passado, vocês tiveram essa revelação. Viram o Deus vivo e receberam vida Dele, mas depois pararam. Não, precisamos continuar bebendo daquele poço. Precisamos continuar extraindo de Deus a água da vida.
Toda vez que recebemos vida de Deus, lembrem-se, é por meio da revelação. Não é verdade? Sempre que Deus Se revela novamente a nós, encontramos vida outra vez, e outra vez, e outra vez. Foi aí que Isaque começou.
Depois, vemos que Isaque foi provado. Nossa vida na terra será provada. Abraão foi provado e, da mesma maneira, vemos que seu filho Isaque foi provado.
Houve fome na terra, na terra prometida. E vocês sabem como Abraão desceu ao Egito para escapar da fome. Isaque também quis fazer isso. Não é curioso que o filho sempre siga os passos do pai? Que responsabilidade para o pai! Lembre-se: seu filho está seguindo seus passos.
Assim, quando veio a fome, Isaque também estava pensando em ir para o Egito. Deus o advertiu. Deus disse:
Não vás para o Egito.
Permanece na terra que prometi.
Então Isaque não foi para o Egito, mas se mudou para a região do sul — em outras palavras, para a terra dos filisteus.
Ora, a terra dos filisteus ainda fazia parte da terra da promessa, mas os filisteus ocupavam aquele lugar. Assim, Isaque desceu à terra dos filisteus, a Gerar.
Ele não foi para o Egito. Graças a Deus por isso. Mas cometeu a mesma falta que seu pai, Abraão. Ele mentiu. Disse à sua esposa: “Não diga às pessoas que você é minha esposa. Você é minha irmã”.
Ele tinha medo dos filisteus. Pensava que eles não conheciam Deus, não temiam a Deus e provavelmente lhe fariam alguma coisa por causa de sua esposa. E, por isso, foi repreendido por Abimeleque, o rei dos filisteus.
Isso foi uma falta. Mas, de qualquer maneira, quando estava na terra dos filisteus, ele começou a semear; começou a plantar. Isaque era agricultor. Também era criador de rebanhos.
Como era agricultor e criador de rebanhos, a água era o mais importante, especialmente porque ele morava na região do sul, perto do deserto. Essa é a razão pela qual precisava cavar um poço após outro: porque precisava de água, fisicamente falando. Precisava de água porque era agricultor e criador de rebanhos.
Mas, naturalmente, sabemos que há um significado espiritual ali, não apenas uma provisão física. Deve haver um significado espiritual nesses poços. É isso que estamos procurando descobrir.
Assim, quando estava em Gerar e plantou, Deus o abençoou, e ele colheu cem por um. Tornou-se grande, cada vez maior, até se tornar muito grande. E os filisteus o invejavam.
Vocês sabem quem eram os filisteus. Os filisteus também saíram da África, assim como os filhos de Israel saíram do Egito.
Os filhos de Israel saíram do Egito. Tiveram um cordeiro pascal, atravessaram o mar Vermelho e entraram na terra prometida. Mas os filisteus também saíram da África. Não tiveram a Páscoa e não atravessaram o mar Vermelho.
Na verdade, foram para Canaã por terra firme. Assim, ocuparam aquele lugar entre o Egito e Canaã, naquela região do sul, e habitaram ali.
Portanto, na Escritura, os filisteus representam a carne, enquanto os israelitas representam o espírito. Aquilo que é da carne veio primeiro, e depois veio aquilo que é do Espírito. Assim, os filisteus chegaram à terra prometida antes dos israelitas.
Depois vieram os israelitas. Mas os filisteus não tiveram o cordeiro pascal; não atravessaram o mar Vermelho. Em outras palavras, não conheciam Deus. Mas os filhos de Israel tiveram o cordeiro pascal, atravessaram o mar Vermelho, e foi Deus quem os levou à terra prometida.
Assim, na tipologia, os filisteus representam a carne, o natural, enquanto os israelitas representam o Espírito, o sobrenatural, o espiritual.
Aqui vemos Isaque na terra dos filisteus. Como Deus estava com ele, ele prosperou, e os filisteus o invejavam. Ora, essa é sempre a história: a carne sempre inveja o Espírito, e o Espírito se opõe à carne, como vemos em Gálatas 5.
A carne e o Espírito nunca podem estar em paz. Vocês verão que, quando o Espírito começa a ser abençoado, a carne sente inveja. Na verdade, Abimeleque e seu povo realmente odiavam Isaque porque ele era abençoado por Deus.
Por essa razão, Isaque saiu de Gerar e foi para o vale de Gerar. Ora, Gerar — essa palavra significa região ondulada. É uma região ondulada, e, a partir de sua raiz, também significa expulsar rudemente. Também significa ruminar, remoer.
Isaque habitou no vale de Gerar, naquela região ondulada, e ia cavar os poços que seu pai havia cavado antes.
Vocês sabem, Abraão havia estado na terra dos filisteus antes e, por isso, cavara muitos poços. Mas, depois que ele partiu, os filisteus entulharam todos esses poços com terra. Eles não tomaram posse desses poços; eles os entulharam.
Então Isaque veio e tornou a cavar esses poços, reabriu os poços que seu pai havia cavado e lhes deu os mesmos nomes que seu pai lhes havia dado, porque precisava de água.
Nossa vida espiritual precisa ser sustentada pelo suprimento do Espírito Santo. Temos vida, mas essa vida do Espírito necessita do suprimento do Espírito Santo. Se não receber esse suprimento do Espírito Santo, nossa vida ficará sedenta e fraca.
É por isso que vocês precisam cavar poços para receber mais suprimento. Isaque cavou todos os poços que seu pai havia cavado antes. Ora, o que isso significa?
Cada um de nós precisa ter sua própria experiência espiritual. Precisamos cavar poços. Precisamos retirar a terra. Precisamos nos esvaziar para que possamos experimentar o enchimento do Espírito Santo. Para que possamos experimentar o Espírito de vida.
Nossos antepassados, nossos pais, experimentaram a vida de Deus. Tiveram experiências com o Espírito Santo. E, muitas vezes, vemos que precisamos redescobrir esses poços que eles já haviam cavado antes.
Se tivéssemos de viver todas as nossas experiências espirituais de maneira inteiramente original — isto é, começando do zero —, não sei quantas experiências espirituais teríamos ao longo da vida.
Mas, graças a Deus, aqueles que vieram antes de nós experimentaram Deus de muitas maneiras. Mesmo que esses poços tenham sido entulhados pelos filisteus, é muito mais fácil tornar a cavar um poço do que cavar um poço novo.
Em outras palavras, quantas vezes, seja pela leitura, seja ouvindo relatos das experiências e revelações que nossos pais — aqueles que vieram antes de nós — tiveram e conheceram, essas coisas começam a nos ser transmitidas. Ouvimos a respeito delas. Lemos a respeito delas.
E, enquanto fazemos isso, o Espírito de Deus nos ajuda a redescobrir e reabrir esses poços. Graças a Deus, entramos nas experiências que eles tiveram, mas de uma maneira muito mais rápida e fácil.
Agora, damos graças a Deus por isso. Em certo sentido, não somos originais. Recebemos de todos aqueles que Deus nos deu. Essa é a nossa herança cristã.
Recebemos de Pedro, recebemos de Paulo, recebemos de João. Recebemos de Agostinho, recebemos de Martinho Lutero, recebemos de Wesley, recebemos de T. Austin-Sparks, e recebemos de todos aqueles que vieram antes de nós.
Eles cavaram. Encontraram os poços. Encontraram a água viva. Mas, infelizmente, os filisteus os entulharam. Graças a Deus, nós os redescobrimos.
E, quando os redescobrimos, lembrem-se: também precisamos cavar um pouco. Em outras palavras, não é simplesmente ouvir e ler que nos dará as experiências deles.
À medida que lemos e ouvimos, o Espírito de Deus começa a trabalhar em nós, e começamos a cooperar, cavando, retirando a terra que tem entulhado nosso coração. Ao fazermos isso, experimentamos pessoalmente o que nossos antepassados experimentaram.
É verdade que isso nos foi transmitido, mas nós o experimentamos pessoalmente. Não é apenas ouvir de segunda mão. É uma experiência pessoal, mas uma experiência muito mais rápida e fácil. Graças a Deus por isso.
Mas lembrem-se: isso não basta. Isaque não apenas tornou a cavar todos os poços que Abraão havia cavado e lhes deu os nomes que seu pai lhes havia dado; vocês se lembram de que, no vale de Gerar, ele também cavou novos poços.
Em outras palavras, o que recebemos de nossos antepassados é bom para nós, mas não basta. Precisamos ter novas experiências.
Cada geração deveria acrescentar algo mais. Nossa geração deveria ser mais rica que a geração anterior, e a geração que virá deveria ser mais rica que nós. É assim que deveria ser.
Em certo sentido, ainda estamos lendo livros escritos, talvez, no século VI, ou no século XVI, ou no século XVIII, ou no século XIX. Ainda recebemos muita ajuda deles, mas, ao mesmo tempo, encontramos muitas coisas que estão desatualizadas.
Precisamos cavar novos poços.
Assim, Isaque cavou novos poços. Mas, toda vez que cavava um poço, os filisteus discutiam com ele e diziam: “Este poço é nosso”. Eles o tomavam dele.
Por isso, ele chamou esse primeiro poço novo de Eseque — contenda. Depois cavou outro poço, e novamente contenderam por causa dele. Ele o chamou de Sitna, que significa oposição.
Mas ele não parou de cavar porque encontrou oposição. Não, precisava continuar cavando. Então cavou um terceiro poço, e não contenderam por causa daquele poço. Chamou-o de Reobote — lugares espaçosos.
Em outras palavras, queridos irmãos e irmãs, vemos que o conflito entre o Espírito e a carne é contínuo. Não é verdade que, depois de recebermos a vida, a água viva, o Espírito de vida dentro de nós, descobrimos que há um conflito acontecendo em nossa vida entre o Espírito e a carne?
O espírito deseja receber um suprimento mais abundante do Espírito Santo para poder viver diante de Deus. Mas a carne sempre se intromete e tenta, por assim dizer, arrastar o espírito rudemente para longe. É uma região ondulada. A carne se intromete e tenta arrastar você para longe e privá-lo do suprimento do Espírito Santo, tentando deixá-lo faminto e ressequido.
Não é verdade? Vemos que esse conflito acontece o tempo todo em nossa vida. Descobrimos alguns antigos poços de nossos pais, e como ficamos felizes; mas então eles vêm e tentam entulhá-los. Ou cavamos novos poços, e como ficamos alegres; mas eles tentam contender conosco e tomá-los de nós.
O Espírito se opõe à carne, e a carne se opõe ao Espírito. Vemos uma guerra contínua entre o Espírito e a carne.
Irmãos e irmãs, não sei quantas vezes vocês sentem que estão sendo tratados rudemente e, por assim dizer, arrastados para longe. Mas não fiquem decepcionados. Não se desesperem. Por quê?
Porque, ao mesmo tempo, Gerar significa ruminar, remoer. Em outras palavras, quando passamos por essas experiências dolorosas de ser arrastados rudemente para longe, e por todos esses conflitos, lembrem-se de que isso nos dá a oportunidade de ruminar.
Isto é, por meio de todas essas experiências, começamos a ponderar, começamos a meditar, começamos a pensar e começamos a ruminar. Começamos a aprender as lições que precisamos aprender.
Ora, como você aprenderá a lição se nunca tiver sido tratado rudemente? Graças a Deus por isso. Por causa disso, você verá que se torna cada vez mais forte.
Não desistam. Continuem cavando. Se continuarem cavando, chegará o dia em que o poço não será disputado. Em outras palavras, o espírito se torna cada vez mais forte, até que a carne diz: “Bem, isso se tornou impossível”.
Vocês chegam a Reobote, ao lugar espaçoso. E essa é uma experiência que precisamos ter.
Queridos irmãos e irmãs, vocês ainda estão nessa etapa de ser arrastados rudemente para longe? Vocês veem sua vida como um conflito entre o Espírito e a carne?
Uma coisa que gostaria de lhes dizer é esta: em Gálatas 5:17, está escrito:
O Espírito se opõe à carne, e a carne se opõe ao Espírito, para que não façais o que quereis.
Ora, isso é muito diferente de Romanos 7. Em Romanos 7:19, está escrito:
O que quereis fazer, não podeis fazer;
e o que não quereis fazer, isso fazeis.
Em outras palavras, vemos que a carne é forte demais para nós.
Como disse Melanchthon, aquele reformador: “O velho Adão é forte demais para o jovem Melanchthon”. Quantas vezes descobrimos que a carne é forte demais para o espírito. O espírito quer fazer, e a carne diz não. O espírito está disposto, mas a carne é fraca. O espírito não quer fazer, mas a carne faz.
Oh, como nos vemos em dificuldades. Mas lembrem-se: Gálatas 5 é diferente.
Gálatas 5:17 diz:
O Espírito se opõe à carne, e a carne se opõe ao Espírito, para que não façais o que quereis.
O que isso significa? Significa que aquilo que a carne quer fazer, a carne não pode fazer, porque o Espírito venceu.
Glorioso!
É verdade que há um conflito entre o Espírito e a carne, mas não desistam. Prossigam. Continuem cavando. Continuem buscando o suprimento do Espírito Santo, e verão que a carne será enfraquecida à medida que o espírito se torna cada vez mais forte.
Essa deveria ser a nossa experiência.
Mas Isaque não permaneceu em Gerar. Por quê? Porque Gerar ainda era a terra dos filisteus. Assim, vemos que, posteriormente, Isaque se mudou outra vez. Ele se mudou de Gerar para Berseba.
Beer, como já dissemos, significa “poço”: o poço de Seba.
Não sabemos se Jacó nasceu em Berseba, mas sabemos que, quando Jacó saiu de casa, saiu de Berseba.
Assim, vemos que Isaque se mudou e permaneceu em Berseba, o poço de Seba.
Aqui vemos novamente que Isaque experimentou aquilo que seu pai havia experimentado antes. Não é curioso?
Abraão teve a mesma experiência. Peregrinou na terra dos filisteus. Tornou-se grande. Mudou-se para Berseba, e Abimeleque, o rei dos filisteus, veio a ele e fez uma aliança com ele. Disse: “Sabemos que você é abençoado por Deus. Deus está com você. Por isso, queremos fazer uma aliança”.
Por isso, o lugar se chama Seba, que significa juramento. Enquanto faziam aquele juramento, aquela aliança, Abraão separou sete cordeiras. Eles perguntaram: “Por que você faz isso?” Ele disse: “Porque cavei um poço, e estas cordeiras serão a prova de que ele me pertence”. Assim, Seba também significa sete.
Isso aconteceu com Abraão. Agora aconteceu novamente com Isaque. Estão vendo? Isaque se mudou para Berseba, e Deus lhe apareceu. Deus disse:
Eu te abençoarei. Eu te abençoarei.
Tu serás grande.
Ali, Isaque edificou um altar. Esse foi o único altar que Isaque edificou. Armou ali sua tenda, e seus servos vieram até ele e disseram: “Encontramos água viva — um poço”.
Assim, vemos três coisas na vida de Isaque: o altar, a tenda e o poço.
O altar, para expressar isso em termos do Novo Testamento, é a cruz. A tenda é a casa de Deus. O poço é o Espírito do Deus vivo.
Ele tem a cruz, tem a casa de Deus e tem o Espírito do Deus vivo.
Ali, Abimeleque, o rei dos filisteus, veio até ele. Isaque disse: “Por que vocês vêm? Vocês me odiavam. Vocês me expulsaram”. Abimeleque disse: “Sabemos que Deus está com você. Por isso, queremos fazer as pazes com você. Vivamos em paz”.
“Que haja um juramento, que haja uma aliança, de que você não fará nada contra nós, assim como nós não fizemos nada contra você”. Então fizeram um juramento; fizeram uma aliança.
E, naquele mesmo dia, os servos de Isaque vieram até ele e disseram: “Encontramos água viva”. Por isso, ele o chamou de Berseba — o poço do juramento, ou o poço de sete.
O que é sete? O número sete é um número de completude, assim como o número doze é a completude eterna. O número sete é a completude nesta era.
Portanto, creio que esse poço de Berseba, que é o poço de sete ou o poço do juramento, fala da plenitude do Espírito.
Em outras palavras, primeiro experimentamos a habitação do Espírito Santo em nós. Quando cremos no Senhor Jesus, o Espírito Santo entra em nós e habita em nosso espírito. Ele testifica conosco que somos filhos de Deus.
Queridos irmãos e irmãs, nós, que cremos no Senhor Jesus, temos o Espírito Santo dentro de nós. Mas, porque o Espírito Santo habita em nosso espírito, vemos que começa a haver essa guerra civil dentro de nós.
Vemos que o espírito e a carne começam a contender um com o outro. E, graças a Deus, gradualmente o espírito passa a prevalecer. Então avançamos para uma vida de plenitude do Espírito.
A plenitude do Espírito é um estado de vida. Em outras palavras, não é apenas uma experiência especial; é um estado contínuo.
Como diz Efésios 5:18:
E não vos embriagueis com vinho, em que há excesso,
mas enchei-vos do Espírito Santo.
Em outras palavras, sejam constante e continuamente cheios do Espírito Santo, no estado de plenitude do Espírito. Essa é a plenitude representada pelo sete.
É isso que Deus nos prometeu: que tenhamos uma vida cheia do Espírito Santo, mantida na plenitude do Espírito, sendo cheios o tempo todo. Isso significa ser controlados e governados pelo Espírito Santo o tempo todo. Toda a nossa vida está sob o governo do Espírito Santo.
É isso que Berseba representa.
Quando chegamos a esse ponto, vemos que o espírito e a alma começam a fazer as pazes um com o outro.
Em nossa experiência espiritual, deve haver a divisão do espírito e da alma. Em Hebreus 4:12, vemos que a Palavra de Deus é viva, operante, poderosa; ela penetra, separa e divide o espírito e a alma.
O espírito e a alma precisam ser divididos. Por quê? Porque em nosso espírito está o Espírito de Deus. O Espírito de Deus é a vida do nosso espírito. Já em nossa alma está Adão, a vida do eu. O eu é a vida da alma.
Portanto, em nossa experiência espiritual, precisamos passar por uma etapa em que o espírito e a alma sejam separados. Se o espírito e a alma não forem divididos, ficam tão misturados — tão misturados.
É por isso que vemos tanta mistura em todas as nossas experiências espirituais, em nosso serviço espiritual e em nossas obras. Há algo de Deus e muito de nós mesmos nisso. É tudo muito, muito misturado.
É por isso que precisamos ver o espírito e a alma divididos. Assim como o Santo dos Santos é separado do Lugar Santo por um véu espesso.
Mas, um dia, quando o espírito entra em tamanha plenitude, o véu é rasgado. A glória do Senhor não encherá apenas o Santo dos Santos, mas também encherá o Lugar Santo.
Em outras palavras, a alma virá e fará as pazes com o espírito. A alma se colocará aos pés do espírito e dirá: “Sou sua serva. Estou disposta a fazer o que você quiser que eu faça”. Haverá cooperação.
E vocês sabem, essa é a plenitude do Espírito. Quando entramos na plenitude do Espírito, isso não significa que o Espírito fique confinado dentro do nosso espírito. Não, o Espírito Santo é capaz de penetrar e permear toda a nossa alma e transformá-la.
Assim, o resultado é que teremos a mente de Cristo. Seremos constrangidos pelo amor de Deus e escolheremos a vontade de Deus:
Não a minha vontade, mas seja feita a Tua vontade.
Há uma aliança. Há uma união do espírito e da alma — uma reunificação.
Irmãos e irmãs, o espírito e a alma precisam ser divididos. Mas, depois de serem divididos, serão reunificados. Quando forem reunificados, a alma permanecerá em seu devido lugar.
Em vez de tentar levantar a cabeça para governar sobre nós, a alma estará disposta a ser a administradora sob o governo do senhor, o espírito, e a cooperar e trabalhar para Deus.
Assim, vemos que, em nossa experiência do Espírito Santo, precisamos finalmente entrar nessa etapa: a plenitude do Espírito. A alma se torna tão obediente, tão disposta a realizar a vontade do Espírito de Deus.
Glorioso. Essa é a vida de Isaque.
Portanto, em Gálatas, somos informados de que, segundo o modelo de Isaque, somos filhos da promessa.
Mas, assim como Isaque, que primeiro foi alvo da zombaria de Ismael, aquilo que é nascido do Espírito será perseguido por aquilo que é nascido da carne.
Mas o que Deus diz?
Lança fora a serva e seu filho,
porque ele não pode herdar com o filho da promessa.
Em outras palavras, vemos aqui que a carne será lançada fora, e o Espírito prevalecerá. E isso é segundo o modelo de Isaque.
Portanto, que o Senhor nos ajude. Vamos orar?
Nosso Pai celestial, nós Te louvamos e Te agradecemos pelo que fizeste na vida de Isaque e por nos mostrares, por meio dele, o que estás fazendo conosco hoje.
Oh, como Te louvamos e Te agradecemos por esses poços. Como Te louvamos e Te agradecemos pela água viva que nos deste.
Oh, Pai, pedimos que possamos aprender a cavar, e a cavar, e a cavar profundamente. Desejamos nos esvaziar de tal maneira que Tu possas nos encher plenamente. Pedimos que nos enchas até transbordarmos.
Pedimos que não apenas conheçamos o Espírito Santo, e não apenas conheçamos Seu poder, mas que conheçamos Sua plenitude. Oh, que possamos realmente viver uma vida que faça a Tua vontade.
Nós nos entregamos a Ti neste dia. Em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.