Por favor, abram no livro de Atos. Começaremos em Atos 7:17.
Aproximando-se, porém, o tempo da promessa que Deus havia feito a Abraão, o povo cresceu e se multiplicou no Egito;
Até que se levantou sobre o Egito outro rei, que não conhecia José.
Esse, usando de astúcia contra a nossa raça, maltratou nossos pais, fazendo-os abandonar seus filhos recém-nascidos, para que não sobrevivessem.
Nesse tempo nasceu Moisés, e era formoso diante de Deus; e foi criado por três meses na casa de seu pai.
Quando foi abandonado, a filha de Faraó o recolheu e o criou como seu próprio filho.
E Moisés foi instruído em toda a sabedoria dos egípcios; e era poderoso em palavras e obras.
Quando estava para completar quarenta anos, veio-lhe ao coração visitar seus irmãos, os filhos de Israel.
E, vendo um deles sofrer injustiça, defendeu-o e vingou o oprimido, ferindo o egípcio:
E supunha que seus irmãos compreenderiam que Deus lhes estava dando libertação por sua mão; mas eles não compreenderam.
No dia seguinte, apareceu-lhes enquanto contendiam e procurou reconciliá-los, dizendo: Senhores, sois irmãos; por que fazeis mal uns aos outros?
Mas aquele que fazia mal ao seu próximo o repeliu, dizendo: Quem te constituiu governante e juiz sobre nós?
Queres matar-me, como ontem mataste o egípcio?
Ao ouvir essa palavra, Moisés fugiu e tornou-se peregrino na terra de Midiã, onde gerou dois filhos.
Por favor, abram também em Hebreus 11:23.
Pela fé, Moisés, quando nasceu, foi escondido por seus pais durante três meses, porque viram que era uma criança formosa; e não temeram o mandamento do rei.
Pela fé, Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó;
Escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus do que desfrutar, por algum tempo, dos prazeres do pecado;
Considerando o opróbrio de Cristo maiores riquezas do que os tesouros do Egito: porque tinha em vista a recompensa.
Pela fé, deixou o Egito, não temendo a ira do rei: porque permaneceu firme, como quem vê Aquele que é invisível.
Voltemo-nos ao Senhor.
Nosso Pai celestial, como Te louvamos e agradecemos porque nós, que outrora éramos pecadores, rebeldes, desajustados — nada —, ainda assim somos alvo da Tua grande misericórdia, pois nos deste Teu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo.
Oh, como Te louvamos e agradecemos porque somos filhos de Deus. Nós Te louvamos e agradecemos porque somos verdadeiramente Teus filhos, pois temos a Tua própria vida em nós. Nós Te louvamos e agradecemos pela Tua maravilhosa salvação. Nós Te louvamos e agradecemos pelo Teu grande propósito para nós.
Nós Te louvamos e agradecemos porque não seremos chamados apenas filhos e filhas de Deus, mas também servos do Altíssimo. Ó nosso Pai, ao nos reunirmos aqui nesta manhã, nossos corações estão cheios de gratidão. Nós Te adoramos e desejamos oferecer-nos novamente a Ti, constrangidos pelo Teu amor.
Oramos para que a Tua vontade seja feita na vida de cada um de nós, assim como no céu. Em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.
No passado, tivemos comunhão juntos no primeiro livro da Bíblia, Gênesis. Ali descobrimos que Gênesis é, na verdade, um livro de biografias — as biografias de oito homens.
Ele nos mostra, primeiro, que Deus Se interessa pelo homem. Segundo, que Deus busca o homem segundo o Seu próprio coração. E terceiro, que Deus está trabalhando na vida dos homens para torná-los homens que satisfaçam o Seu próprio coração.
O livro começa com Adão. Deus criou Adão à Sua própria imagem. E termina com José, um homem que se assenta no trono.
Vocês sabem, esse é sempre o pensamento de Deus. A imagem pode falar de vida; o domínio fala de serviço. Com a imagem do Filho de Deus, nossa vida amadurece para entrarmos na filiação — na posição de filhos. E assumir a posição de filho significa assumir responsabilidade, exercer domínio.
Muitas vezes, pensamos que exercer domínio significa ficar lá no alto, olhar todos de cima, dar ordens a todos e ser servido. Não é assim. Domínio, na verdade, é serviço. Ao exercer domínio, você pode servir ao propósito de Deus. Pode servir a Deus e servir ao homem.
É isso, portanto, que encontramos no primeiro livro da Bíblia, Gênesis.
Agora, quando passamos ao segundo livro, Êxodo, vemos, é claro, o plano da salvação de Deus: como Deus salvou os filhos de Israel, tirando-os do Egito para levá-los à terra prometida. É uma história maravilhosa, que nos revela o plano da salvação de Deus.
Mas, para o nosso propósito, não vamos nos aprofundar na história do povo de Deus, em sua libertação e no plano da salvação de Deus. Em vez disso, usaremos o livro de Êxodo, mais uma vez, como um estudo biográfico. Em outras palavras, vamos nos concentrar em Moisés.
Moisés, o servo do Senhor.
Agora, irmãos e irmãs, vocês sabem que a filiação e o serviço são os dois grandes temas da Bíblia: vida e serviço. O tipo de vida que você tem determinará o tipo de serviço que você prestará.
Se Deus puder ter o homem segundo o Seu próprio coração, esse homem será usado por Ele para o Seu próprio propósito.
Nós, que pertencemos ao Senhor, somos filhos de Deus. Mas, irmãos e irmãs, a menos que cresçamos, a menos que amadureçamos, a menos que sejamos transformados e conformados à imagem do Filho de Deus, não chegamos à plena condição de filhos.
Podemos ser bebês em Cristo, filhos de Deus; mas o propósito de Deus para nós é que cresçamos até a maturidade, tornando-nos filhos maduros de Deus, para que Ele possa nos colocar junto de Seu Filho. Porque Seu Filho há de conduzir muitos filhos à glória.
Esse é o propósito de Deus para nós no que diz respeito à vida. Precisamos crescer. Mas, ao mesmo tempo, também somos servos de Deus. Não somos apenas filhos de Deus; somos também servos de Deus.
Todo filho de Deus é um servo do Senhor. É claro que estou falando em um sentido bem geral. Em outras palavras, se nascemos de novo na casa de Deus, ao mesmo tempo somos chamados a servir na casa de Deus. Não há exceção. Todo filho de Deus é chamado a servir.
Mas, às vezes, não conseguimos servir, ou não servimos, não porque não fomos chamados a servir — a ser servos de Deus. É porque não crescemos. Não crescemos em estatura espiritual e, por causa disso, somos impedidos de realizar a obra que Deus chamou cada um de nós a fazer.
Se crescermos no Senhor, poderemos servir a Deus de acordo com o pensamento de Deus a respeito de cada um de nós.
Por essa razão, sinto que, depois de estudarmos o homem que Deus deseja, a sequência adequada é continuarmos com o servo que Deus deseja.
Se quisermos estudar o serviço a Deus, penso que, além de nosso Senhor Jesus, que é o Servo perfeito, no Antigo Testamento devemos olhar para Moisés; no Novo Testamento, para Paulo. É claro que há muitos outros servos do Senhor, mas penso que esses dois homens são servos representativos, com os quais podemos aprender muito sobre o serviço a Deus.
Vocês se lembram de Números 12:7? O Senhor disse:
Não é assim com o Meu servo Moisés, que é fiel em toda a Minha casa.
E isso é citado em Hebreus 3:5: Moisés, o servo de Deus, que foi fiel em toda a casa de Deus.
Quanto à vida inteira de Moisés, o Espírito Santo a divide em três períodos de quarenta anos cada. Se vocês lerem Atos 7, que é o comentário do Espírito Santo, o resumo da vida de Moisés, descobrirão que o Espírito Santo resume sua vida em três períodos de quarenta anos cada:
Agora, quarenta é um número muito especial nas Escrituras. Todo número nas Escrituras tem significado espiritual. Quarenta é o número do teste ou da provação. Quatro é o número do homem; dez é o número da responsabilidade. Quando multiplicamos quatro por dez, temos o teste ou a provação.
Nosso Senhor Jesus esteve no deserto, sendo provado, durante quarenta dias. Moisés subiu ao alto do monte durante quarenta dias e quarenta noites, aguardando para receber os Dez Mandamentos. Os filhos de Israel estiveram no deserto durante quarenta anos. Quarenta é o número do teste ou da provação.
Aqui encontramos a vida de Moisés: quarenta, quarenta e quarenta. Nos primeiros quarenta anos, ele foi provado pelas riquezas do Egito. Nos segundos quarenta anos, foi provado por aquelas ovelhas sem entendimento. Nos últimos quarenta anos, foi provado por aquele povo de Israel de dura cerviz.
Parece que ele foi provado, provado e provado. As provações pareciam nunca chegar ao fim. Mas, de todas essas provações, surge um servo do Senhor.
Portanto, não tenham medo de ser provados. Vocês serão provados até o fim. Mas graças a Deus, de todas essas provações surgirá um servo de Deus.
Bem está, servo bom e fiel. Foste fiel; entra no gozo do teu Senhor.
Oh, que assim seja com cada um de nós.
Nesta manhã, gostaria de compartilhar com vocês os primeiros quarenta anos. Vamos ver até onde conseguimos chegar.
Moisés nasceu em uma situação impossível, mas nasceu com um propósito definido de Deus.
Quando Moisés nasceu, havia um rei que não conhecia José. Pela história secular, sabemos que, naquela época, outra dinastia passou a governar o Egito. Essa nova dinastia não conhecia a história de José — como Deus havia usado José para salvar o Egito e salvar o mundo.
Por isso, o rei não estimava os filhos de Israel como a dinastia anterior havia feito. Como Deus abençoava os filhos de Israel e eles se multiplicavam tão rapidamente, o novo rei ficou com medo desse povo. Pensou que, se houvesse uma guerra, eles se voltariam contra ele e iriam embora.
Por causa disso, ele os oprimiu. Submeteu-os a trabalhos pesados, a trabalho escravo. Fez com que construíssem cidades e armazéns. Mas o povo continuava a crescer.
Então, decretou que todo menino nascido entre os filhos de Israel deveria ser lançado no rio Nilo. Ele queria exterminar aquela raça.
Quando Moisés nasceu, nasceu sob uma sentença de morte. Em outras palavras, nasceu para morrer. Não nasceu para viver. Depois de nascer, deveria ser lançado no rio Nilo e devorado pelos crocodilos.
Mas a Bíblia diz que ele era uma criança formosa. Era extraordinariamente formoso.
Agora, fico pensando se existe algum bebê que não seja bonito — pelo menos aos olhos dos pais. Acho que toda criança é bonita. Então, por que a Bíblia coloca isso de maneira tão enfática?
Em Êxodo, encontramos que Moisés, ao nascer, era formoso. Em Atos, encontramos que ele era “extraordinariamente formoso”, o que significa formoso diante de Deus. E, novamente, em Hebreus, encontramos que ele era formoso. Por que o Espírito Santo chama a atenção para isso?
Creio que isso significa mais do que simplesmente um bebê fisicamente bonito. Creio que ele era formoso no propósito de Deus. Essa criança nasceu com um propósito definido de Deus. Por quê? Porque Deus queria usar essa criança para libertar os filhos de Israel.
Mas, por estranho que pareça, Deus tinha esse propósito para a criança e, ainda assim, ela nasceu em uma situação impossível. Humanamente falando, ela iria morrer. Não havia saída.
Seus pais viram que ele era formoso diante de Deus. De alguma maneira, sentiram em seu espírito que essa criança era diferente das outras, que Deus queria usá-la. Por isso, a Bíblia diz que, pela fé, esconderam a criança.
Isso não era fácil. Quando um bebê queria chorar, o que poderiam fazer? Acho que muitas mães ficam exasperadas quando, em uma reunião, a criança começa a chorar. O que você pode fazer? Todo mundo vai olhar para você.
Eles esconderam a criança durante três meses. Isso foi algo extraordinário. Mas, depois de três meses, já não conseguiam escondê-la, porque seu choro ficava cada vez mais alto. Havia espiões por toda parte.
Então, finalmente, fizeram uma arca. Revestiram-na de betume, tornando-a impermeável, colocaram o bebê naquele cesto e o puseram no rio Nilo. Essa era a sentença do rei.
Mas Deus é soberano. A filha de Faraó veio ao rio para se banhar e viu aquele cesto. Pediu à sua serva que o apanhasse. Quando o cesto foi aberto, Deus fez o bebê chorar, e aquele choro tocou o coração de uma mulher.
Ela sabia que era um bebê hebreu. Ela sabia disso. Mas seu coração foi tocado. Ela acolheu o bebê, e a mãe de Moisés o amamentou para a filha de Faraó até que fosse desmamado. Então, ele foi levado ao palácio, e ali passou a viver como filho da filha de Faraó.
Ele não apenas teve permissão para viver, mas viveu no palácio. A Bíblia diz que ele era poderoso em palavras e obras. Em outras palavras, aprendeu tudo o que o Egito podia ensinar. Naquela época, o Egito era o maior império do mundo.
Ele aprendeu tudo o que o Egito podia oferecer e tornou-se poderoso em palavras e obras. Era eloquente. Tornou-se um grande homem. Segundo a história secular ou a tradição, conta-se que Moisés se tornou um grande general.
A filha de Faraó era uma mulher de grande importância no império egípcio, e Moisés tinha todas as oportunidades de suceder ao trono. Ele se tornou muito importante. Todas as riquezas do Egito estavam diante dele. Ele haveria de herdar o mundo.
Mas, de alguma maneira, estava inquieto. Não estava satisfeito com as riquezas do Egito. De alguma maneira, no íntimo de seu espírito, algo se movia. Provavelmente, isso havia sido plantado em seu pequeno coração enquanto mamava no peito de sua mãe.
De alguma maneira, sua mãe havia colocado Deus em seu coração. De alguma maneira, Deus o estava atraindo. De alguma maneira, ele sentia que Deus era o seu lar. Não conseguia descansar.
Um servo do Senhor é escolhido soberanamente.
Vocês se lembram da história de Jeremias. Quando ele era jovem, Deus lhe falou e disse, em Jeremias 1:5:
Antes que Eu te formasse no ventre, Eu te conheci;
E, antes que saísses da madre, Eu te santifiquei;
Eu te constituí profeta às nações.
Vocês se lembram do que Paulo diz em Gálatas 1:15. Ele diz que Deus o separou desde o ventre de sua mãe.
Efésios 1:4 nos diz que fomos escolhidos em Cristo Jesus antes mesmo da fundação do mundo.
Isso se torna cada vez mais misterioso. Antes mesmo de nascermos, Deus já nos havia escolhido. Antes mesmo de sermos formados no ventre de nossa mãe, Deus já nos conhecia. Antes mesmo de ser lançada a fundação do mundo, Deus já nos havia escolhido em Cristo Jesus.
É um mistério que não compreendemos, mas conhecemos o fato.
Quanto a Moisés, antes mesmo de ele nascer, Deus o conhecia. Antes mesmo de ele nascer, Deus o havia consagrado. Antes mesmo da fundação do mundo, Deus o havia escolhido. Ele não escolheu Deus; Deus o escolheu para ser Seu servo.
E isso é verdade a respeito de cada um de nós aqui, queridos irmãos e irmãs. Quando chegamos a essa questão do serviço a Deus, o primeiro princípio é que Deus nos escolhe.
Você não O escolhe; Ele escolhe você. Ele escolheu você antes mesmo da fundação do mundo. Ele escolheu você antes mesmo de você ser formado no ventre de sua mãe. Ele escolheu você quando ainda estava no ventre de sua mãe.
Você não tinha consciência disso. Não sabia nada a respeito, mas Ele sabia o tempo todo. Ele escolheu vocês para serem não apenas Seus filhos, mas também Seus servos. Vocês são escolhidos. É uma escolha soberana.
Mesmo quando parece que o ambiente está contra o propósito de Deus, Deus escolheu. Moisés nasceu com uma sentença de morte sobre ele. Foi lançado no rio Nilo. Mesmo depois de ser criado no palácio do Egito, com todas as riquezas do mundo, aquilo não parecia estar de acordo com a escolha de Deus. E, ainda assim, Deus o escolheu.
Quaisquer que sejam as circunstâncias, queridos irmãos e irmãs, muitas vezes vocês descobrem que, justamente porque Deus os escolheu, todas as circunstâncias parecem apontar na direção contrária — afastando-os de Deus, afastando-os do serviço a Deus. Ainda assim, Deus os escolheu.
No serviço a Deus, não há voluntários. Todo o nosso conceito de serviço está errado. Pensamos que nos oferecemos voluntariamente para servir a Deus. Pensamos que Deus deveria sentir-Se honrado porque O servimos. Pensamos que Ele deveria nos agradecer porque estamos dispostos a servir.
Nada disso. Nenhum servo escolhe seu senhor. O senhor escolhe seu servo. Você não O escolhe; Ele escolhe você.
E, se Ele escolheu você, você não tem saída.
Vocês se lembram do que Paulo diz em 1 Coríntios 9:16-17?
Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar; pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim se não anunciar o evangelho!
Porque, se o faço de livre vontade, tenho recompensa: mas, se não é de livre vontade, uma administração me foi confiada.
Se você se oferece voluntariamente, tem algo de que se orgulhar. Mas Paulo diz:
Se anuncio as boas-novas, não tenho de que me gloriar, porque uma obrigação me é imposta. Ai de mim se não anunciar as boas-novas.
Se faço isso voluntariamente, tenho uma recompensa, graças a Deus por isso. Mas, se não o faço voluntariamente, uma administração me foi confiada. Mesmo que eu não queira, ela já me foi confiada. O que posso fazer? Tenho de fazê-lo.
Agora, queridos irmãos e irmãs, espero realmente que possamos enxergar isso. Espero realmente que possamos enxergar que não nos oferecemos como voluntários no serviço a Deus. Espero realmente que possamos enxergar que Deus nos escolheu.
Nosso Senhor Jesus disse em João 15:16:
Não fostes vós que Me escolhestes, mas Eu vos escolhi e vos designei, para que vades e deis fruto.
Ele escolheu você. Porque Ele escolheu você, você é escolhido. Não há como escapar. Se fizer isso de boa vontade e voluntariamente, terá uma recompensa. Se não o fizer de boa vontade, ainda assim terá de fazê-lo, porque Deus escolheu você.
Esse é o primeiro princípio do serviço. Precisamos enxergar, queridos irmãos e irmãs, que fomos escolhidos.
Você não foi escolhido apenas para ser filho de Deus — e graças a Deus por isso —, mas não sabe que, ao mesmo tempo, também foi escolhido para ser servo do Senhor?
Em que função você serve, não sei. Mas, ainda assim, você é um servo. Você foi escolhido. Você agradece a Ele por isso ou tem medo de ouvir isso?
Às vezes, entre os cristãos, não encontramos pessoas discutindo se querem ou não ser salvas. Mas encontramos cristãos discutindo se vão ou não servir.
Você não tem escolha. Tem de servir. Todo irmão e toda irmã são chamados a servir.
Deixa ir o Meu povo, para que Me sirva.
Essa é a palavra que Deus deu a Faraó por meio de Moisés.
Por causa disso, vemos que Deus estava trabalhando no coração de Moisés. Ele não conseguia descansar. De alguma maneira, sentia que tinha um chamado. De alguma maneira, sabia que Deus o havia escolhido para libertar os filhos de Israel. Não conseguia evitar isso.
Quando estava com quarenta anos, plenamente amadurecido, ele tomou uma decisão.
Aqui chegamos ao segundo princípio do serviço a Deus. O primeiro princípio é que Deus escolhe você. O segundo princípio é que você escolhe Deus.
Você não pode inverter essa ordem.
Em Hebreus 11:25, lemos a respeito de Moisés:
Escolhendo antes.
Há uma escolha que você precisa fazer; isso é verdade. Mas a sua escolha vem depois, não primeiro. Deus escolhe você primeiro e, porque Deus escolheu você, um dia, no âmbito de sua experiência pessoal, chegará o momento em que você terá de fazer uma escolha.
Você escolherá Deus e o serviço a Ele ou escolherá o mundo?
Aqui encontramos Moisés, em Hebreus 11:24-25:
Pela fé, Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó;
Escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus do que desfrutar, por algum tempo, dos prazeres do pecado.
Moisés teve de fazer uma escolha entre o povo de Deus e o prazer do pecado; entre compartilhar os sofrimentos do povo de Deus e desfrutar os prazeres do pecado. Teve de fazer uma escolha entre o opróbrio de Cristo e as riquezas do Egito.
Cristo ou o mundo. O sofrimento ou os prazeres do pecado.
Moisés tinha o mundo praticamente em suas mãos. Seria o futuro Faraó. Já havia demonstrado seu poder. Era bem-sucedido como grande estadista, grande general, construtor de um império.
Mas, por outro lado, deveria servir ao propósito de Deus servindo aos filhos de Israel. Ao fazer isso, teria de sofrer com eles. Era o opróbrio de Cristo ou as riquezas do mundo. Ele precisava fazer uma escolha.
Ele levou quarenta anos para fazer essa escolha. Finalmente, ao fim de quarenta anos, decidiu ficar do lado de Deus, do povo de Deus. Por quê? Ele viu Aquele que é invisível.
Pela fé, fez a escolha. É uma escolha de fé.
Não há contradição entre essas duas escolhas. No que diz respeito ao propósito eterno de Deus, Deus nos escolhe. Mas, no que diz respeito à nossa resposta ao propósito de Deus, nós O escolhemos.
Chegará um dia, queridos irmãos e irmãs, em que vocês terão de fazer essa escolha. Não há terreno neutro.
Você vai viver para si mesmo? Vai construir seu próprio império? Vai ser bem-sucedido no mundo? Ou vai viver para Deus, servir ao Seu propósito, fazer o que quer que seja a vontade Dele para você, para que Seu povo seja edificado e Seu reino seja manifestado?
Você precisa fazer a escolha.
Talvez você não tenha todas as oportunidades que Moisés teve, mas ainda assim tem o seu mundo. Em princípio, é exatamente a mesma coisa.
Queridos irmãos e irmãs, fico pensando quantos já fizeram a escolha. Fico pensando quantos estão adiando sua escolha. Fico pensando quantos ainda estão pesando essas duas coisas e não sabem o que fazer.
Por Deus ou pelo mundo? Não, você não pode ter os dois. Inevitavelmente, chegará um momento em que você terá de fazer a escolha. É um momento decisivo.
A quem você servirá? A Deus ou a Mamom? A si mesmo ou a Cristo?
Agora, é verdade: no que diz respeito à sua carne, se você escolher Cristo, isso pode significar opróbrio. Pode significar sofrimento. Se escolher o mundo, isso pode significar os prazeres do pecado — isto é, as riquezas dos tesouros do Egito.
Mas você enxerga apenas o que está perto ou consegue enxergar longe? Você vê Aquele que é invisível? Se tudo o que você vê é o visível, aquilo que se pode enxergar, então, sem dúvida, escolherá o Egito. Mas, queridos irmãos e irmãs, se vocês enxergam o invisível, o que é o mundo? Não passa de refugo.
Paulo fez essa escolha. Ele disse, em Filipenses 3:8:
Considero todas as coisas como perda, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor.
E ele fez essa escolha. Não foi fácil para Moisés. Creio que ele passou por muitos exames de consciência, muitas noites sem dormir. Mas, de alguma maneira, o amor de Deus o constrangeu. Aos quarenta anos, decidiu ficar do lado do povo de Deus. Fez a escolha.
Queridos irmãos e irmãs, sei que Deus escolheu cada um de nós, mas fico pensando quantos de nós O escolheram — escolhendo antes.
Não creio que possamos viver nossa vida sem inteireza de coração, pela metade. Você precisa fazer sua escolha. Sim, você precisa ver Aquele que é invisível para fazer a escolha certa. Isso exige fé.
Esse é o segundo princípio do serviço a Deus.
Agora Moisés estava andando na posição de servo. Qual é o sinal de um servo?
O primeiro sinal foi que Moisés passou a se interessar pelo povo de Deus. Quando estava com quarenta anos, veio-lhe ao coração verificar a condição de seus irmãos.
Antes disso, ele vivia em um palácio. Vivia como alguém da realeza, porque pertencia à família real. Enquanto seus próprios irmãos sofriam como escravos, ele não se preocupava com eles. Preocupava-se consigo mesmo. O que poderia obter? Quanto poderia desfrutar? Quanto poderia ganhar? Queria ganhar o mundo inteiro. Essa era sua preocupação e seu interesse.
Mas, assim que se tornou servo do Senhor, o primeiro sinal foi que passou a se interessar por aquilo que interessava a Deus. Sentiu preocupação pelo povo de Israel, porque esse era o povo com o qual Deus Se preocupava.
Agora, irmãos e irmãs, como vocês sabem que são servos do Senhor? Como sabem que estão naquela posição em que podem começar a servir? Penso que o primeiro sinal é que vocês passam a se preocupar e a se interessar pelos interesses de Deus e pelo povo de Deus. Esse é um sinal seguro de que vocês são servos.
Antes disso, você se interessa por si mesmo. Talvez se interesse por sua vida, seus estudos, seus negócios ou seu futuro. Mas, um dia, quando começa a se preocupar com o povo de Deus, com Sua igreja, Seu reino e Sua justiça, então você sabe que está crescendo.
O serviço não é um trabalho imposto a alguém. O serviço é algo que nasce de uma preocupação do coração.
Neste mundo, o trabalho é algo colocado sobre você. Você faz um serviço; é só isso. Talvez não se preocupe se a empresa prospera, fracassa ou está em declínio. Essa é a preocupação do proprietário. Você é apenas um empregado. Chega, faz seu trabalho e recebe seu salário. É só isso.
Mas, no serviço a Deus, é muito diferente. No serviço a Deus, nada é simplesmente imposto a alguém. Tem de vir de dentro de você. Deus colocou um encargo em você. Deus colocou uma preocupação em você. Deus colocou um interesse em você.
É o interesse Dele, a preocupação Dele, o encargo Dele. À medida que esse encargo começa a crescer dentro de você, então você sabe que há algo em que Deus quer que você sirva.
Moisés começou a dizer: “Eu vivo em um palácio, e meus irmãos estão morrendo. Vou ver como estão”. Então, ele saiu.
Infelizmente, começou seu trabalho de maneira independente. O encargo estava certo. A preocupação estava certa. Mas, em vez de esperar em Deus e deixar que Deus tomasse a iniciativa, em vez de esperar em Deus para que Ele lhe mostrasse o que fazer e como fazer, ele simplesmente saiu, movido por seu bom coração, e tentou ver o que poderia encontrar e o que poderia fazer.
E, de fato, a tentação surgiu diante dele. Saiu no primeiro dia, e havia um egípcio maltratando um hebreu. Olhou para a direita e para a esquerda, e não havia ninguém ali. Ele era poderoso em obras, então feriu o egípcio e o enterrou na areia.
Pensava que seus irmãos sabiam que Deus o estava usando para libertá-los. Pensava que estava sendo usado por Deus. Pensava que estava servindo a Deus. Agora havia começado.
No dia seguinte, saiu novamente, e surgiu outra tentação. Dois hebreus estavam brigando, e um fazia mal ao outro. Moisés era poderoso em palavras, então começou a usar sua eloquência e tentou resolver a briga. Ele disse:
Sois irmãos; por que fazeis mal uns aos outros?
Pensou que certamente compreenderiam, mas não compreenderam. Um deles o empurrou para trás e disse:
Quem te constituiu nosso juiz? Queres matar-me como ontem mataste aquele egípcio?
Moisés percebeu que a notícia havia se espalhado. Faraó ficou sabendo, e Moisés fugiu para salvar sua vida.
Graças a Deus por isso.
Vocês sabem, queridos irmãos e irmãs, se você não se considera um servo de Deus, não tem absolutamente nenhum interesse ou preocupação pela igreja de Deus, pelo povo de Deus ou pelos interesses de Deus. Só pensa em si mesmo. Só procura promover a si mesmo. É só isso que pensa em fazer.
Mas, assim que você começa a responder ao chamado de Deus, começa a se preocupar com o povo de Deus, a se interessar por tudo aquilo que interessa a Deus, começa a sentir que tem uma responsabilidade entre os irmãos e irmãs. Graças a Deus por isso. É assim que deve ser.
Mas o problema é este: depois que você começa a se interessar, depois que começa a ter zelo pelo Senhor, em vez de esperar no Senhor e deixar que Ele lhe mostre o que quer que você faça e como fazer, você simplesmente vai em frente.
Você toma a iniciativa. Começa a falar. Começa a agir. O problema é que tudo isso vem da sua carne.
Sim, você pode ser poderoso em palavras e obras, mas esse poder é terrível. Seu coração está certo. Sua intenção está certa. Mas sua maneira de agir está errada.
O bem que você pode fazer é muito pouco, mas o transtorno que pode causar é muito grande. Provavelmente, é isso que encontramos entre o povo de Deus.
Muitas vezes, esperamos que todo o povo de Deus se levante, que todos sejam ativos, que todos contribuam, que cada um faça sua parte e que todos assumam responsabilidade. É assim que deveria ser. Cada talento deveria ser usado — os cinco talentos, os dois talentos e o talento único. Se fosse assim, vocês veriam a igreja em glória.
Mas, se os irmãos e irmãs não se preocupam e alguns poucos assumem toda a responsabilidade, esses poucos vão trabalhar até a morte. Isso é verdade, mas há muito pouco conflito.
Porém, quando todos passam a se interessar e cada um tem algo a dizer, surgem todas as discussões, com um puxando para cá e outro para lá: “Eu concordo”. “Eu não concordo”. “Acho que este jeito é melhor”. “Acho que aquele jeito é o melhor”. “Não vejo como isso deveria ser feito daquele jeito. Acho que deveria ser feito deste jeito”.
Todas essas opiniões vêm à tona. Em vez de esperar no Senhor para conhecer Seu pensamento, cada um dá a sua opinião.
E não apenas palavras, mas também obras. Há muitas atividades. Você quer fazer isto; outra pessoa quer fazer aquilo. Um diz: “Você deveria fazer isto”, e outro diz: “Pelo menos, você deveria fazer aquilo”. Todas essas coisas começam a surgir.
Você pode matar um egípcio; é só isso. Não consegue sequer resolver o problema entre dois irmãos. Finalmente, precisa fugir para salvar sua vida.
Oh, você pensa: “Estou tão decepcionado. Deus me chamou. Agora estou assumindo responsabilidade. Deus deveria me apoiar, me usar e me fazer prosperar. Por que meus irmãos não compreendem? Não compreendem que Deus está me chamando?”.
Eles rejeitam você. O que você faz? Pensa: “De agora em diante, não direi mais uma palavra. Mesmo que a casa desabe, que desabe. De agora em diante, não levantarei um dedo. Não farei nada”.
Ou, pior ainda: “De agora em diante, vocês não verão mais meu rosto. Para mim, acabou. Vocês não merecem ser libertados”.
Queridos irmãos e irmãs, vocês sabem que é assim que aprendemos? Ninguém nasce servo do Senhor sem precisar aprender. Não existe gênio espiritual. Todos nós precisamos aprender da maneira difícil.
O terceiro princípio do serviço a Deus é a cruz. Precisamos aprender a lição da cruz. Deixar que a cruz opere em nossa carne e a elimine.
É por meio de fracassos, decepções e desespero que somos libertos de nós mesmos. A menos que sejamos libertos de nós mesmos, não podemos libertar nenhum irmão ou irmã. A menos que sejamos libertos de nós mesmos, não podemos ser usados na obra de Deus.
Por quê? Porque, caso contrário, será a nossa obra, à nossa maneira, com a nossa força, para a nossa glória.
Irmãos e irmãs, por um lado, precisamos nos levantar e nos entregar a Deus, dispostos a servir. Mas, por outro lado, precisamos aceitar a cruz operando em nossa vida, para que nossa carne, nossa força e nosso eu sejam tratados, e possamos tocar o coração de Deus.
Parece haver um paradoxo e, no entanto, é assim que Deus prepara Seus servos.
Acho que provavelmente vamos parar por aqui. Mas espero realmente, irmãos e irmãs, que enxerguemos os princípios que governam o serviço a Deus.
Cada um de nós é um servo. Em que função, o Senhor sabe. Ainda assim, servir ao Senhor é a nossa vida. Servimos ao Senhor com a nossa vida, com a vida que Ele nos deu.
Mas lembrem-se destes três princípios:
Então, por meio dessas provações, o Senhor pode produzir servos que realmente sirvam ao Seu propósito.
Nosso Pai celestial, como Te louvamos e agradecemos porque foste Tu que nos escolheste, e não nós que Te escolhemos. Como Te agradecemos porque nós — quem somos nós? — fomos escolhidos para servir a um Deus tão grande, a um Senhor tão misericordioso. É uma honra para nós servir a Ti.
Nosso Pai, oramos para que sejamos constrangidos pelo amor de Cristo, para que nos entreguemos a Ti e digamos: “Senhor, não queremos sair livres, porque não queremos fazer nossas próprias coisas. Queremos servir a Ti por toda a vida”.
Pai, ensina-nos a lição da cruz, para que não venhamos simplesmente servir a Ti com zelo, mas sem conhecimento. Oramos para que não toquemos a arca com a mão da carne. Oramos para que nos trates por meio da Tua cruz, para que nosso serviço seja oferecido por meio de Ti e a Ti.
Em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.