Então respondeu Moisés e disse: Mas eis que não me crerão, nem ouvirão a minha voz, porque dirão: O Senhor não te apareceu.
E o Senhor lhe disse: Que é isso na tua mão? E ele disse: Uma vara.
E Ele disse: Lança-a na terra. Ele a lançou na terra, e tornou-se uma serpente; e Moisés fugia dela.
Então disse o Senhor a Moisés: Estende a tua mão e pega-lhe pela cauda. E ele estendeu a mão e pegou-lhe pela cauda, e tornou-se uma vara na sua mão;
Para que creiam que te apareceu o Senhor, Deus de seus pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó.
E disse-lhe mais o Senhor: Mete agora a tua mão no teu seio. E meteu a mão no seu seio; e, tirando-a, eis que a sua mão estava leprosa, branca como a neve.
E Ele disse: Torna a meter a tua mão no teu seio. E tornou a meter a mão no seu seio; e, tirando-a do seu seio, eis que se tornara como a sua outra carne.
E acontecerá que, se não te crerem, nem ouvirem a voz do primeiro sinal, crerão à voz do segundo sinal.
E acontecerá que, se ainda não crerem a estes dois sinais, nem ouvirem a tua voz, tomarás das águas do rio e as derramarás na terra seca; e as águas que tomares do rio tornar-se-ão em sangue sobre a terra seca.
E era o homem Moisés mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra.
Temos considerado juntos, diante do Senhor, Moisés, o servo de Deus. Em essência, todos nós somos servos do Senhor. Não somos apenas filhos de Deus; ao mesmo tempo, somos também Seus servos.
Quando chegamos a essa questão de ser servo, a primeira coisa que precisamos reconhecer é que não fomos nós que O escolhemos, mas Ele nos escolheu. Vocês se lembram de que nosso Senhor Jesus disse, em João 15:16:
Não Me escolhestes vós a Mim, mas Eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto.
É Deus Quem, em Sua soberania, misericórdia e graça, nos escolheu. Ele nos escolheu antes mesmo da fundação do mundo. Ele nos separou quando ainda estávamos no ventre de nossas mães e, um dia, nos chamou por Sua graça, para que fôssemos Seus servos, para que O servíssemos.
Agora, porque Deus nos escolheu, chegará um dia em que precisaremos escolhê-Lo. Vocês se lembram de Moisés? Um dia, quando tinha quarenta anos, ele preferiu sofrer com o povo de Deus a desfrutar de todas as riquezas do Egito. Ele fez sua escolha.
Então, queridos irmãos e irmãs, é verdade que Deus nos escolheu para sermos Seus servos, para servi-Lo. Mas começar ou não a servi-Lo depende, por outro lado, de um dia O escolhermos como nosso Mestre e nosso Senhor.
É como aquele escravo entre os filhos de Israel. Se um hebreu ficasse tão pobre que se vendesse a outro hebreu, serviria a ele durante seis anos como escravo. Mas, no sétimo ano, poderia sair livre.
Mas, se aquele escravo amasse seu senhor, amasse a casa de seu senhor e dissesse: “Não, quero permanecer para sempre como seu escravo”, então seria levado à porta, e sua orelha seria furada junto ao batente. Esse era um sinal de que ele seria escravo por toda a vida. Mas não era um escravo comum; era um escravo por amor.
Então, irmãos e irmãs, é isso que precisa acontecer com cada um de nós. Um dia diremos ao Senhor: “Nós Te amamos. Queremos permanecer Contigo. Queremos Te servir”. Teremos nossas orelhas furadas, para sermos escravos por amor para sempre. Nós O escolhemos como nosso Mestre e nosso Senhor.
Mas, sabem, outra coisa acontece. Sempre que começamos a desejar servi-Lo, quando estamos cheios de zelo, quando nosso coração se aquece por Ele, quando queremos fazer algo por Ele, parece natural que não esperemos até que Ele nos diga o que fazer. Geralmente, tomamos a iniciativa. Simplesmente saímos e tentamos fazer alguma coisa por Ele.
Fazemos isso à nossa maneira, com nossa própria força e nossa própria inteligência. O resultado é que Deus permite que fracassemos. Às vezes, não entendemos por quê. Pensamos que O amamos tanto, que queremos servi-Lo, que fazemos o melhor que podemos; mas não apenas nossos irmãos e irmãs não nos compreendem, como até Deus parece não nos dar apoio.
Essa é outra lição que precisamos aprender se quisermos ser servos do Senhor. Precisamos ver que Deus não quer que O sirvamos à nossa maneira, com nossa força, por nós mesmos. A obra de Deus só pode ser feita pelo próprio Deus.
A menos que estejamos dispostos a passar pela morte e ser ressuscitados, não temos utilidade em Sua mão. Essa é a razão pela qual Moisés teve de fugir para o deserto por mais quarenta anos.
Primeiro, ele teve de desaprender tudo o que havia aprendido no Egito. Isso não significa que ele se esqueceu de tudo. Significa que começou a perceber que não podia depender de seu poder em palavras e obras. Ele estava disposto a passar pela morte. Estava disposto a deixar tudo de lado. Estava disposto a ser reduzido a zero, por assim dizer.
Quando ele se considerava praticamente morto — aos oitenta anos —, já não tinha ambição alguma. Estava muito contente em apenas cuidar de algumas ovelhas. Perdeu sua eloquência. Suas grandes ideias, seu poder — tudo parecia entrar na morte.
Foi nesse momento que Deus tomou a iniciativa. Deus o enviou de volta ao Egito para libertar os filhos de Israel. É claro que, durante os quarenta anos no deserto, ele também teve de aprender algumas lições novas. Teve de aprender a conhecer a si mesmo, o que é uma lição muito difícil. E teve de aprender a conhecer Deus.
Ele precisava conhecer a própria natureza de Deus, o coração de Deus, a compaixão de Deus, a misericórdia de Deus, a vontade de Deus e o propósito de Deus. Precisava conhecer Deus de uma maneira como nunca antes O havia conhecido.
Então, finalmente, o Senhor lhe apareceu numa sarça: uma visão. Queridos irmãos e irmãs, se quisermos servir ao Senhor, precisamos ter visão.
Sem visão, o povo fica sem freio. Sem visão, o povo perece. Sem visão, não haverá direção, nem força, nem poder que nos sustente, nem unidade.
Portanto, precisamos de visão. Precisamos ver a visão que Moisés viu. Precisamos ver que não passamos de uma sarça. Não somos o cedro no alto do Líbano; somos humildes, inúteis, nada — uma sarça. Uma sarça só serve para ser queimada, para ser consumida.
Mas o estranho é que ela não é consumida. Por quê? Porque o Senhor estava na sarça. Então, precisamos ver que não passamos de sarças. Precisamos ser consumidos, mas graças a Deus, Ele está em nós.
Porque Ele está em nós, o fogo apenas nos purifica e nos santifica; não nos consome. É verdade que toda a escória em nós precisa ser consumida, mas tudo o que é de Cristo se torna mais resplandecente do que nunca. É nessa força que somos enviados para fazer a obra.
Nesta manhã, começaremos a compartilhar sobre os últimos quarenta anos. Sabem, os dois primeiros períodos de quarenta anos foram anos de preparação. Deus preparou aquele servo durante oitenta anos e o usou durante quarenta.
O tempo de preparação foi o dobro do tempo em que Deus pôde usá-lo. Quando vocês observam a vida de nosso Senhor Jesus, encontram isso de maneira ainda mais acentuada. Quando nosso Senhor Jesus esteve aqui, Deus O preparou durante trinta anos para realizar uma obra de três anos.
Às vezes, somos muito impacientes. Queremos começar a trabalhar, mas nos esquecemos de que Deus precisa nos preparar. Por quê? Sem preparação, Deus não pode nos usar, porque estamos servindo a Ele, não a nós mesmos.
Desta vez, não concentraremos nossa atenção na obra que Deus enviou Moisés para realizar. Deus enviou Moisés para fazer uma obra tremenda: libertar os filhos de Israel do Egito e conduzi-los pelo deserto, a fim de que entrassem na terra prometida.
Deus deu a Moisés a lei e também lhe mostrou o modelo do tabernáculo. A obra que foi confiada a Moisés era uma obra tremenda. Seria muito fascinante, muito interessante e muito proveitoso considerarmos essa obra, mas não é isso que faremos desta vez.
O que faremos desta vez é considerar Moisés como servo do Senhor. Em outras palavras, enquanto ele estava envolvido na obra, por que Deus aceitava seu serviço? Por que Deus disse: “Moisés, Meu servo”? Por que sua obra foi aprovada e aceita por Deus?
Qual é o segredo de sua condição de servo? Quais são as qualificações? Quais são as coisas que fizeram de Moisés um verdadeiro servo de Deus? É isso que gostaríamos de compartilhar juntos.
Não queremos, de maneira alguma, diminuir a obra de Moisés — ele realizou uma obra tremenda —, mas estamos mais interessados no obreiro do que na obra.
Nos últimos quarenta anos, quando Moisés servia ao Senhor e aos filhos de Israel, creio que duas coisas se destacam muito claramente como a razão pela qual ele era um verdadeiro servo do Senhor. Nesta manhã, provavelmente falaremos sobre o primeiro aspecto: autoridade e mansidão.
Em Moisés, vocês podem ver autoridade, por um lado, e mansidão, por outro. Ninguém pode realizar obra alguma sem autoridade. A autoridade é indispensável.
Moisés era um homem de autoridade, e essa autoridade é representada pela vara em sua mão. Não se pode separar Moisés de sua vara, ou cajado. Ela é um símbolo de autoridade.
Geralmente, quando pensamos em autoridade — e, de fato, quando os artistas fazem imagens ou pinturas de Moisés —, vocês percebem que ele costuma ser retratado como um homem de tremenda força e energia. Por ter tanta força, parece haver nele uma característica não apenas régia, mas até despótica.
Pensamos que uma pessoa com autoridade é alguém duro, severo, forte a ponto de se tornar inflexível. É assim que geralmente imaginamos a autoridade. Mas não é assim.
Moisés é um homem de autoridade, mas a Bíblia diz que ele é o mais manso de todos os homens. Pensem nisso.
Vocês podem achar que essas duas coisas parecem opostas: autoridade e mansidão. Se você tem autoridade, talvez pense que precisa ser muito forte, talvez que precise pisar em todo mundo. Se você é manso, então será um capacho e deixará que todo mundo pise em você.
Mas a autoridade espiritual e a verdadeira mansidão caminham juntas. A autoridade espiritual será exercida no espírito de mansidão. Se for verdadeira mansidão, há nela uma força tremenda.
É isso que encontramos na vida de Moisés como servo de Deus.
Moisés teve a visão. Moisés recebeu e ouviu a comissão. Mas ele disse: “É verdade, eu Te vi. Eu Te ouvi. Tu me enviaste de volta para libertar os filhos de Israel. Mas, se eu for até lá, eles não acreditarão em mim. Dirão: ‘Deus não apareceu a você’”.
“Como posso convencer os filhos de Israel de que Tu realmente me apareceste e de que realmente me enviaste?” Em outras palavras: “Preciso de algumas credenciais que possa apresentar”. Para usar a expressão do Novo Testamento, quais são os sinais do apostolado?
Como as pessoas saberão que fui enviado por Deus? Como posso provar isso? Qual é a credencial que posso apresentar ao povo? É claro que isso é importante.
Então Deus disse: “O que está em sua mão?”. Moisés respondeu: “Um cajado, uma vara de pastor”. Deus disse: “Lance-a na terra”. Quando ele a lançou ao chão, ela se transformou numa serpente, e Moisés fugiu dela.
Então Deus disse: “Estenda sua mão. Pegue-a pela cauda”. Ele estendeu a mão e a pegou pela cauda, e ela se tornou uma vara em sua mão. Deus disse: “A voz desta vara será ouvida. Eles acreditarão em você”.
Se não acreditassem na voz desse sinal, Deus lhe daria outro. “Ponha sua mão no seu seio.” Quando ele a tirou, estava leprosa. Deus disse: “Ponha-a de volta”. Ele a pôs de volta, tirou-a, e ela estava como antes.
Deus disse: “Se não ouvirem a voz do primeiro sinal, ouvirão a voz do segundo. Se não ouvirem as vozes dos dois sinais, então lhe darei outro sinal. Tire um pouco de água do rio — o rio Nilo — e derrame-a no chão, e ela se transformará em sangue. Certamente acreditarão em você”.
Esses são os sinais de seu apostolado. Em outras palavras, por meio desses sinais, as pessoas poderiam ver que ele realmente havia sido enviado por Deus. De certa maneira, sabem, todos nós precisamos dessas credenciais.
O que é uma vara? Nas Escrituras, uma vara ou um cajado fala de poder, autoridade, governo, domínio, habilidade e força.
Em Salmos 110:2, está escrito:
O Senhor enviará o cetro da Tua força desde Sião:
Domina no meio dos Teus inimigos.
A vara fala de governo. Em Apocalipse 19:15, Ele regerá com uma vara de ferro. Portanto, nas Escrituras, uma vara fala de governo, autoridade, poder, força e habilidade.
Agora, a vara na mão de Moisés era uma vara de pastor. Em outras palavras, essa vara representava sua habilidade e sua força como pastor. Essa vara era sua autoridade e seu poder sobre as ovelhas. Era por meio dessa vara que ele ganhava a vida. Ele dependia dela para seu sustento.
Essa era a vara de Moisés. Queridos irmãos e irmãs, cada um de nós tem uma vara. Cada um de nós tem alguma força, alguma autoridade, algum poder, alguma habilidade — algo por meio do qual vive.
Ela é o símbolo de nossa força: dons naturais, talentos, formação, experiência. Tudo isso se torna uma vara em nossa mão. É por meio dessas coisas que ganhamos a vida. Dependemos delas para trabalhar, para realizar qualquer trabalho que Deus nos tenha dado.
Talvez você não seja pastor de ovelhas, mas seja médico, enfermeiro, professor ou dona de casa. Vocês perceberão que cada um de nós tem uma vara nas mãos. Temos algo de que nos orgulhar, algo em que nos apoiar, algo que usamos para manter nossa posição e realizar nosso trabalho. Essa é a nossa vara — uma vara de pastor.
Mas a questão é que, quando aquela vara saiu da mão de Moisés e tocou a terra, tornou-se uma serpente — uma serpente que feria, uma serpente que fazia mal às pessoas.
É claro que sabemos que, nas Escrituras, a serpente fala de Satanás e do poder satânico. Em outras palavras, aquilo que temos, aquilo de que dependemos, aquilo de que até nos orgulhamos, aquilo que consideramos que nos faz ser o que somos e nos capacita a fazer o que devemos fazer — lembrem-se: se isso tocar a terra, torna-se uma serpente.
Qualquer talento que você tenha, qualquer habilidade, qualquer poder, autoridade ou força que possua, se tocar a terra — isto é, se cair nas mãos do inimigo, Satanás —, você verá que ele transformará isso em algo prejudicial ao mundo.
Satanás é a antiga serpente. Ele se apodera de todos os talentos, poderes, autoridade e habilidades dos homens e usa essas coisas para ferir e prejudicar as pessoas. É isso que vemos hoje.
Às vezes, as pessoas podem pensar que têm tudo em suas próprias mãos. Não sabem que a vara já saiu de suas mãos e já tocou a terra.
Oh, como Satanás usa o poder humano, a autoridade humana, a sabedoria humana, a força humana, a energia, a habilidade e todas essas coisas, transformando-as em algo que fere e prejudica! É isso que estamos vivenciando no mundo hoje.
A mente mais brilhante pode ser usada por Satanás para fazer o pior às pessoas deste mundo.
Moisés fugiu dela. Quando percebeu que aquilo que possuía, se fosse tomado por Satanás, poderia ser tão perigoso, teve de fugir.
Queridos irmãos e irmãs, nós enxergamos isso? Vocês não percebem que, se Satanás se apoderar de vocês — e talvez vocês não saibam; talvez pensem que estão segurando a vara na mão, mas ela já está fora de sua mão —, ele os usará? É a coisa mais perigosa do mundo.
Quem dera fugíssemos disso.
Você tem medo de seu talento? Tem medo de sua habilidade? Tem medo de sua força? Tem medo de seu poder? Tem medo de sua autoridade? Se você não tem medo, eu temo por você.
Fujam dessas coisas como de algo que pode ferir e prejudicar.
Bem, graças a Deus. Deus disse a Moisés: “Estenda sua mão. Pegue-a pela cauda”. Não sei até que ponto isso é verdade, mas me disseram que, se você conseguir segurar a cauda de uma cobra e sacudi-la, ela morrerá.
Em outras palavras, Deus disse: “Pegue a cauda. Levante-a”. Ela se tornou uma vara na mão de Moisés. Mas lembrem-se: essa vara se tornou a vara de Deus.
Em outras palavras, não era a vara original na mão de Moisés, que era uma vara de pastor. Já não era aquela vara que se tornara uma serpente. Agora era a vara de Deus.
Mas como ela se tornou a vara de Deus? Teve de passar pela morte e pela ressurreição. Depois de passar pela morte e pela ressurreição, tornou-se a vara de Deus.
Oh, irmãos e irmãs, qualquer talento, energia, força, autoridade, poder ou formação que Deus, em Sua providência, tenha dado a vocês, se essas coisas estiverem em suas próprias mãos, só poderão ajudá-los a ganhar a vida.
Se saírem de suas mãos e o inimigo se apoderar delas, tornam-se as coisas mais perigosas do mundo inteiro. Mas, se vocês estiverem dispostos a permitir que essas coisas passem pela morte e pela ressurreição e estejam na mão de Deus, verão que elas se tornam a vara de Deus — o símbolo da autoridade espiritual.
Foi por essa autoridade que Moisés exerceu seu ministério para completar a obra. Deus disse: “Leve a vara com você quando for ao Egito”.
Se vocês lerem os livros de Êxodo e Números, verão quantas vezes, sempre que um milagre era realizado — seja para castigar o inimigo, seja para libertar os filhos de Israel —, a vara estava presente. Quando Moisés estendia a vara de Deus, algo acontecia.
Ele feriu o rio, e as águas se dividiram. Vocês veem que tudo era feito por meio dessa vara. Essa era a autoridade de Moisés para realizar a obra de Deus.
Irmãos e irmãs, se quisermos servir a Deus, precisamos ter essa vara: a vara de Deus, não apenas uma vara de pastor. Estamos dispostos a deixar que tudo o que temos, tudo o que consideramos nosso poder e nossa autoridade, passe pela morte?
Então, na ressurreição, vocês verão que Deus pode usar essas coisas para realizar a obra que Ele nos chamou para fazer. Esse é o símbolo da autoridade espiritual, e é algo que precisamos ter.
Essa é a voz do primeiro sinal: entreguem tudo o que possuem nas mãos de Deus. Deixem que passe pela morte para a ressurreição, e Deus o usará para Sua glória.
Agora, se as pessoas não acreditarem nesse sinal, há outro. O segundo sinal é este: Deus disse a Moisés: “Ponha sua mão no seu seio”. Ele pôs a mão no seio, tirou-a, e ela estava leprosa.
Olhe para sua mão. Você pensa que sua mão está limpa, mas coloque-a sobre seu coração. Em outras palavras, nosso coração é enganoso acima de todas as coisas. Quem pode conhecê-lo? Mas Deus conhece.
O problema não está em suas mãos; o problema está em seu coração. Como é nosso coração? Oh, nosso coração é leproso.
A lepra, no Antigo Testamento e também no Novo Testamento, representa o pecado. O pecado é como a lepra. Uma pessoa pode ter lepra, mas ela pode permanecer latente durante vinte ou trinta anos. Ninguém sabe. Então ela pode se manifestar, e pode se manifestar por toda parte.
Antigamente, ela era considerada incurável. Era algo impuro. Qualquer pessoa que tivesse lepra precisava morar fora do acampamento. Quando alguém se aproximava, ela precisava cobrir os lábios e gritar: “Impuro, impuro! Não toque em mim. Fique longe de mim”.
Essa é uma imagem do pecado. Nós, que pecamos, somos todos como leprosos, impuros diante de Deus.
É isso que somos. Deus mostrou a Moisés o que ele era: “Ponha sua mão no seu seio”. Quando a tirou, ela estava leprosa. “É isso que você é. Você é como um leproso; é impuro.” Pensem nisso. Como uma mão impura pode manejar a vara de Deus?
Mas Deus disse: “Ponha-a de volta”. Ele a pôs de volta, tirou-a, e ela estava como antes.
O princípio do segundo é um grande princípio na Bíblia. Não tenho tempo para percorrer a Bíblia com vocês a respeito disso, mas talvez fosse bom que vocês o estudassem. É o princípio do segundo.
O princípio do segundo é um princípio de graça. A lei é o primeiro princípio, e a graça é o princípio do segundo. Aqui vocês encontram o princípio de olhar pela segunda vez, que é a graça.
Deus disse: “Quanto a você, é tão pecaminoso e leproso quanto um leproso. Mas Deus, em Sua graça, o purifica, o santifica, e com essa mão ele pode segurar a vara de Deus”.
A vara representa poder, mas a mão representa vida. Você precisa de uma vida pura para manejar o poder de Deus. Essas duas coisas precisam caminhar juntas.
Em outras palavras, se lhe forem dados poder e autoridade, mas suas mãos forem impuras, você sabe o que acontecerá. Algumas pessoas têm grande poder, mas não têm uma vida correspondente para exercer esse poder. O resultado é que ferem em vez de ajudar.
Precisamos de uma vida que dê sustentação ao nosso poder. O poder que Deus nos deu precisa ser manejado, ou exercido, por uma vida divina em nós. É a vida divina de Cristo em nós que pode exercer autoridade espiritual.
Não é a vontade de Deus que a carne exerça qualquer autoridade de Deus. É aquilo que é do Espírito que deve exercer autoridade espiritual. A voz do segundo sinal é a vida de Deus.
Se você tem a vida de Deus, as pessoas a verão; as pessoas a ouvirão. Portanto, com esses dois sinais, temos as credenciais de um servo do Senhor.
Um servo do Senhor, por um lado, precisa ter uma vara; por outro, precisa ter uma mão. A vara representa autoridade espiritual; a mão representa vida espiritual. Essas duas coisas caminham juntas como os sinais do apostolado.
É uma questão de grau, não de natureza. Em outras palavras, você precisa ter essas duas coisas se quiser servir a Deus. É claro que há diferentes graus, mas, de qualquer modo, esses são os dois sinais.
Deus disse a Moisés: “Se eles não ouvirem esses dois sinais, o que acontecerá? O terceiro sinal: tire água do rio, derrame-a no chão, e ela se transformará em sangue”.
O rio Nilo é a fonte de vida do Egito. Eles bebem da água do rio. Plantam às margens do rio. Ele é a própria vida deles.
Mas, se rejeitarem a autoridade de Deus, se rejeitarem o sinal de Deus, o que acontecerá? Juízo. Juízo.
É claro que isso é algo sério. Há muita falsa autoridade, ou substitutos humanos para a autoridade. Mas, se a autoridade realmente vem de Deus, se um homem é realmente enviado por Deus, se há uma vida que comprova isso, quem não ouve não está rejeitando esse homem, mas rejeitando Deus. O resultado é juízo.
Portanto, o terceiro sinal é juízo. “Se eles não ouvirem você”, disse Deus, “haverá juízo”.
Foi por essa autoridade que Moisés voltou ao Egito para conduzir os filhos de Israel para fora do Egito, através do deserto, a fim de levá-los à terra prometida.
Agora, esse é um dos lados. Mas a autoridade precisa ser equilibrada pela mansidão. Se a autoridade não for equilibrada pela mansidão, poderá causar muito dano.
Sempre que se tratava de Deus, de Sua verdade, da vontade de Deus, daquilo que Deus queria fazer, Moisés era firme como uma rocha. Em outras palavras, ele jamais faria concessões.
Moisés defendia a vontade de Deus. Moisés representava Deus. Porque representava Deus e porque representava a autoridade de Deus, jamais poderia fazer concessões. Jamais poderia rebaixar o padrão de Deus. Precisava permanecer ao lado de Deus em todas as coisas.
Nesse sentido, ele era muito firme e muito forte. Não cederia nem um centímetro, e graças a Deus por isso.
Mas, por ter autoridade, ele não se tornou duro, frio, áspero ou ditatorial. Quando se tratava dele mesmo, nem sequer se defendia.
A autoridade está relacionada a Deus e às coisas de Deus. Por isso, não pode haver negociação nem concessões. Se um servo de Deus faz concessões quanto à verdade de Deus, já não é servo de Deus. Ele perde sua autoridade.
Quando você fala em nome de Deus, precisa falar com autoridade. Você representa Deus; não se trata de você. Não pode rebaixar o padrão de Deus. Não pode fazer concessões.
Não importa o que as pessoas digam — elas podem dizer: “Duro é este discurso; quem o pode ouvir?” —, aquilo que o Senhor tem a dizer não pode ser rebaixado nem um pouco para agradar ao gosto das pessoas. Não podemos fazer isso, porque a autoridade está relacionada a Deus e à verdade de Deus.
Mas, quando a questão diz respeito ao próprio servo, a história é outra. Vocês encontram Moisés manso e terno.
Ele não era assim antes. Foi criado e educado no palácio egípcio. Como príncipe, foi ensinado a ser orgulhoso, autoconfiante, a dar ordens e a dominar os outros. Foi assim que ele foi formado.
Quando começou a agir por conta própria, foi assim que fez. Mas não funcionou.
Durante quarenta anos no deserto, Deus o formou no espírito de mansidão. Você não pode pastorear ovelhas com distanciamento, arrogância e orgulho. Não. Precisa cuidar delas com ternura e suavidade. Moisés aprendeu com Deus o espírito de mansidão.
Como sabemos que Moisés era mais manso do que todos os homens? Vocês se lembram de que Moisés tinha uma irmã, Miriã, e um irmão, Arão.
Miriã era, na verdade, uma irmã mais velha e cuidava bem de seu irmãozinho. Quando Moisés foi colocado naquela arca no rio Nilo, foi Miriã quem ficou observando entre os juncos. Portanto, Miriã tinha um grande interesse por Moisés.
Miriã era profetisa. Vocês se lembram de que, depois de atravessarem o mar Vermelho, foi Miriã quem conduziu as mulheres no cântico de vitória. Arão, irmão mais velho de Moisés, era o sumo sacerdote.
Deus realmente Se revelou a Miriã e a Arão. Mas, de alguma maneira, quando estavam no deserto — isso está registrado em Números 12 —, vocês veem que Miriã e Arão ficaram com ciúmes de Moisés.
Esses três eram líderes entre os filhos de Israel: Moisés, o líder; Arão, o sumo sacerdote; e Miriã, a profetisa. Mas, de alguma maneira, havia ciúme.
Se vocês examinarem bem a história, perceberão que isso provavelmente começou com a rivalidade de Miriã com a esposa de Moisés. Miriã queria ter influência sobre Moisés. Era tão apegada a ele, e Moisés tinha uma esposa, Zípora.
É claro que marido e mulher tinham um relacionamento próximo. De alguma maneira, Miriã ficou com muito ciúme. Então começou a dizer: “Moisés se casou com uma mulher cuxita”. Na verdade, Zípora não era cuxita, mas provavelmente tinha a pele um pouco escura. Era ciúme — ciúme de mulher.
A partir disso, Miriã começou a influenciar Arão. Não creio que Arão estivesse tão preocupado com a esposa de Moisés, mas certamente estava preocupado com sua posição. Todas essas coisas se misturaram, e eles começaram a criticar Moisés.
Eles disseram:
Porventura falou o Senhor somente por Moisés? Não falou também por nós?
Certamente, Deus também havia falado a eles. Por que Moisés deveria estar acima de todos?
Quando Moisés ouviu isso, disse alguma coisa? Fez alguma coisa? Nada.
Moisés ouviu, mas não disse nada. Não fez nada. Aceitou aquilo com mansidão. Isso é mansidão.
Se a questão dizia respeito a Deus, ele não cedia nem um centímetro. Mas, se dizia respeito a ele mesmo, não tinha nada a dizer.
Então Deus falou por ele. Oh, irmãos e irmãs, se vocês falarem demais, Deus não falará por vocês. É melhor não falar e deixar Deus falar — não como uma estratégia, mas como uma realidade.
Sua irmã e seu irmão o criticaram sem motivo real, exageraram as coisas, mas Moisés não quis explicar nem se defender. Simplesmente suportou aquilo. Esse é o espírito de mansidão. Por quê? Porque ele não dava importância a si mesmo.
Deus chamou os três à entrada da tenda da congregação, e então falou. Deus disse: “De fato, Eu falo a um profeta, mas falo por sonhos e visões. Não é assim com Meu servo Moisés. Com ele, falo face a face. Como vocês ousam criticar Meu servo?”.
Deus Se retirou irado. Quando Deus Se retirou, Arão percebeu que Miriã estava leprosa.
Então Arão suplicou a Moisés. Vocês sabem o que Moisés fez? Moisés suplicou a Deus e pediu que Deus curasse Miriã. Deus o ouviu. Isso é mansidão.
Mesmo antes disso, Moisés já tinha uma postura muito interessante. Espero que vocês a observem. Sempre que as pessoas começavam a murmurar contra ele, a criticá-lo e a atacá-lo, sabem o que Moisés fazia?
Se alguém estiver criticando ou atacando você, o que fará? Se as pessoas o criticam, você se ergue ainda mais, não é? É assim que fazemos. Mas olhem para Moisés: ele se prostrava com o rosto em terra.
Sempre que o criticavam, sempre que o atacavam, ele se prostrava com o rosto em terra. Não apenas diante de Deus — a Bíblia diz que ele se prostrava com o rosto em terra diante do povo.
“Vocês acham que sou ruim? Sou pior.” Quando você assume essa atitude, o que as pessoas podem fazer contra você?
Já em Números 11 vemos isso. Números 1 a 10 trata da preparação para a jornada. A partir de Números 11, os filhos de Israel começaram a partir do monte Sinai. Assim que partiram, algo aconteceu.
Vocês encontram alguns daquela multidão mista, os que haviam saído com eles do Egito. Não eram israelitas, mas foram atraídos pelo poder de Deus, por isso saíram com os filhos de Israel. Essa multidão mista sempre causava problemas.
Eles começaram a reclamar: “Estamos cansados deste maná. Todos os dias comemos este maná e nada mais. Pensamos no que tínhamos no Egito — melões, peixe, alho e cebola. Agora, estas coisas são tão sem graça, tão sem graça. Estamos cansados disso”.
Como começaram a murmurar, logo isso se espalhou por todo o acampamento, e todos os filhos de Israel passaram a murmurar. Quando Moisés ouviu, não conseguiu mais suportar. Foi a Deus e disse: “Senhor, por quê? Por que queres que eu cuide destes filhos como uma mãe que carrega e cuida de seus filhos?”.
“É demais. Não consigo fazer isso. Preferiria morrer. Não quero ver este povo chorar. É demais para mim.”
Deus disse: “Está bem. Se é demais para você, chame setenta anciãos dos filhos de Israel. Reúna-os, e Eu tomarei do Espírito que está sobre você e O porei sobre essas setenta pessoas, para que possam compartilhar a responsabilidade com você”.
Deus é tão cheio de graça. Ele não disse: “Reúna os setenta, e Eu lhes darei o Espírito”. Não, Deus disse: “Tomarei do Espírito que está sobre você e O porei sobre eles”.
Em outras palavras: “Você não sabe que o Espírito que está sobre você é suficiente para a tarefa? Mas, se acha que é demais, está bem, Eu permitirei que compartilhe o Espírito com as outras pessoas. Elas compartilharão a responsabilidade com você”.
Na verdade, é pelo Espírito, não por você nem pelos setenta. Não é insensatez da nossa parte?
Então Moisés reuniu os setenta, mas dois homens não quiseram vir. Eles também deviam ser contra Moisés. Esses dois líderes, Eldade e Medade, nem se deram ao trabalho de vir. Moisés os chamou, mas eles não vieram. Permaneceram no acampamento, mas o Espírito veio sobre eles mesmo assim.
Eles começaram a profetizar no acampamento. Alguns jovens correram até Moisés e disseram: “Esses dois homens estão profetizando no acampamento”.
Um dos jovens que serviam a Moisés, Josué, era zeloso por ele e disse: “Meu senhor Moisés, proíbe-os”. Vocês sabem o que Moisés disse? “Não diga isso.”
Tomara que todo o povo do Senhor fosse profeta!
Isso é mansidão.
Em Números 14, quando os espias voltaram e deram seu relatório, o povo começou a chorar e a acusar Moisés. Disseram: “Por que você nos trouxe para cá? Preferiríamos morrer no Egito ou morrer no deserto. Agora seremos mortos pelos cananeus, e nossos filhos e nossas mulheres serão levados por eles. Vamos escolher outro líder e voltar”.
O que Moisés fez? Prostrou-se com o rosto em terra diante do povo. Nunca falou em sua própria defesa.
Ele aceitou aquilo. Deixou que Deus o justificasse. Isso é mansidão.
Não apenas isso, mas, em Números 16, Corá e seu grupo — duzentos e cinquenta líderes dos filhos de Israel — se rebelaram contra Moisés e Arão. Eles os criticaram e disseram: “Toda a congregação é santa. Por que vocês se exaltam como se fossem mais santos do que qualquer outra pessoa?”.
Moisés nunca havia feito isso, mas eles o acusaram. Vocês sabem o que ele fez? Prostrou-se novamente com o rosto em terra. Essa era sua postura. Sempre que era criticado, ele se abaixava. Isso é mansidão.
Quando Deus lhe ordenou que dissesse ao povo qual seria o castigo, Moisés disse: “Não é isso que eu quero fazer. É apenas para mostrar que isso vem de Deus”.
A terra se abriu e tragou aquelas pessoas vivas para o Hades. Mesmo assim, o povo se rebelou. Acusaram Moisés como se ele tivesse feito aquilo.
Uma praga começou a atingir o povo. Vocês sabem o que Moisés fez imediatamente? Ele conhecia o caminho do Senhor. Pediu que Arão pegasse o incensário, colocasse nele o incenso e se pusesse entre os vivos e os mortos. Ele salvou a situação.
Isso é mansidão.
Foi no espírito de mansidão que Moisés serviu a Deus e ao povo de Deus. Essa é a razão pela qual Deus disse: “Moisés, Meu servo”. Ele é diferente.
Queridos irmãos e irmãs, se quisermos servir a Deus, precisamos ter autoridade. Mas lembrem-se: essa autoridade não é autoridade natural. A autoridade precisa vir por meio da morte e da ressurreição.
Ela precisa estar acompanhada de uma vida que vem de Deus. Deve haver o espírito de mansidão no exercício da autoridade.
Vocês se lembram de que Paulo disse em 1 Coríntios 4:21:
Que quereis? Irei ter convosco com vara, ou com amor e espírito de mansidão?
Nosso Senhor Jesus é manso e humilde de coração. Ele disse em Mateus 11:29:
Tomai sobre vós o Meu jugo, e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração;
E encontrareis descanso para as vossas almas.
Que o Senhor nos ajude. Como servos do Senhor, de que maneira podemos servi-Lo de modo aceitável? Lembrem-se: precisamos de autoridade e mansidão.
Nosso Pai celestial, como Te louvamos e agradecemos por nos teres chamado para Te servir em Tua obra. Cada um de nós é chamado.
Pedimos que não sejamos daqueles que são chamados, mas não escolhidos. Oramos para que todos sejamos escolhidos, porque realmente Te escolhemos como nosso Mestre, como nosso Senhor.
Ó Deus, pedimos que nos ensines a Te servir. Concede-nos a autoridade que vem do alto. Dá-nos uma vida que possa sustentar a autoridade que nos dás.
Também, Senhor, desenvolve em nós um espírito de mansidão. Oramos para que sejamos firmes como um leão quando se tratar da Tua verdade e mansos como um cordeiro quando se tratar de nós mesmos, porque é assim que Tu és.
Pedimos em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.