Senhor, estamos profunda e intensamente conscientes de nossa necessidade de graça especial, de sabedoria especial e de ajuda especial da Tua parte.
Tu sabes que estamos procurando levar tudo a questões muito práticas. Todas as palavras, todas as mensagens, todo esse volume de expressão verbal precisam produzir um resultado realmente definido e concreto.
E, nestas horas em particular, estamos procurando encontrar um caminho para isso. Por isso, pedimos a Ti aquilo que não é possível ao homem; mas Tu nos mostrarás o caminho. Ensina-nos o Teu caminho, ó Senhor, e guia-nos por uma vereda reta, por amor do Teu nome. Amém.
Vamos nos lembrar do propósito específico destas tardes durante esta semana? É levar tudo o que nos está sendo apresentado ao ponto central de um resultado prático — ao “como” de tudo isso.
Sem dúvida, esta pergunta ocupa muitos corações e mentes: “Bem, sim, nós vemos a verdade. Aceitamos a verdade. Cremos que essa é a verdade. Mas como podemos entrar nela, ou como ela pode entrar em nós?”
É para responder a essa pergunta sobre o “como” que estamos passando estas tardes juntos. Cada uma delas se destina a focalizar uma mensagem específica, embora o conjunto, naturalmente, se relacione com todas.
Quanto a mim, vocês se lembram de que a primeira mensagem que dei tratava da capacidade espiritual — da grande necessidade de uma capacidade espiritual ampliada entre o povo do Senhor.
Toda a tragédia da vida cristã se deve à capacidade limitada. Como é grande a necessidade de uma ampliação interior, para que possamos compreender, com todos os santos, qual é a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, e conhecer aquilo que excede o conhecimento. Estamos procurando entrar nessa realidade.
É algo impossível, naturalmente, por nós mesmos. Isso exige a capacitação do Senhor. Portanto, nesta tarde, fazemos a pergunta: como alcançar a ampliação da capacidade espiritual?
A resposta começou nesta manhã. Fiquei pensando até que ponto meu irmão iria antecipar o assunto da tarde, mas ele nos levou diretamente a ele e disse algumas coisas muito importantes a respeito. Vocês terão de suportar alguma repetição, se é que se trata de repetição — ou de reforço.
A resposta a essa questão da capacidade espiritual e da aptidão espiritual está, naturalmente, inteiramente na cruz. A cruz é a resposta a essa pergunta.
Mas, quando dizemos isso, essa palavra já se tornou tão familiar — tão familiar que já não tem música alguma, emoção alguma, quase nenhum sentimento. Basta mencionar a cruz e, tantas vezes, a reação é: “Ah, bem, nós sabemos tudo sobre isso. Já ouvimos tudo isso. Você não pode nos dizer muita coisa nova a respeito.”
Muito bem. Vamos ver. Veremos que tipo de conhecimento é esse que temos.
Quando falamos da cruz, deixemos bem claro, desde o início, que estamos falando de morte e ressurreição. Ambas se encontram na cruz. A cruz reúne as duas; elas estão centradas ali.
E, quando falamos da cruz, queremos dizer morte e ressurreição em nossa própria história — não apenas na história de dois mil anos atrás; não apenas algo que aconteceu lá no passado, embora, naturalmente, seja ali que está a sua raiz.
Estamos tratando da morte e da ressurreição de Cristo em nossa própria história: em nossa própria história, como parte da nossa história, como parte interior de nós mesmos.
Vocês sabem o que é ter a história no sangue, não sabem? Vocês podem ir a certas partes deste mundo. Por exemplo, quando vou ao Canadá e me encontro com canadenses, eles logo dizem: “Ah, como está a velha pátria?”
Eles querem conversar sobre a velha pátria. Não demora muito e começam a contar tudo sobre seus avós, seus pais, seu próprio lar e a velha pátria. Está no sangue deles. Essa é a sua história; eles a herdaram. É parte deles, e não conseguem se desvencilhar dela.
Isso pode ser verdade também para outras nacionalidades. Há muitas delas aqui, e provavelmente vocês, em maior ou menor grau, têm no sangue essa história à qual sempre retornam.
Quando falo da morte e da ressurreição do Senhor Jesus em nossa história, é isso que quero dizer. É parte de nós — não algo que adotamos, aceitamos, assimilamos mentalmente ou ao qual demos atenção e que, se surgisse outra coisa igualmente atraente e interessante, poderíamos abandonar para ficar com ela.
Não, isso precisa ser tão profundamente parte de nós que abandoná-lo seria um suicídio espiritual. Morte e ressurreição.
Agora, deixem-me dizer uma ou duas coisas que não gosto de dizer. Talvez não soem muito agradáveis, mas precisamos chegar à raiz disso. Não estou falando da doutrina ou do ensino da cruz.
De algum modo, aonde quer que eu vá, parece que me tornei um sinônimo da doutrina da cruz. As pessoas logo dizem: “Sabe, eu ouvi, eu recebi o ensino da cruz — a mensagem da cruz.”
Queridos amigos, quero confessar a vocês que me sinto mal com isso. Sinto mesmo. Talvez estejam inteiramente certos e sejam bastante sinceros, mas não estou falando daquilo que se chama a mensagem da cruz, nem é disso que estamos tratando: algo encontrado em livros e na literatura, nos volumes encadernados que vocês acumularam.
Também não estou falando de algo encontrado em pessoas que sobem às tribunas e são conhecidas, mais do que por qualquer outra coisa, pela “mensagem da cruz”. Não, não estou falando disso, e não é disso que estamos tratando.
Não estou pedindo que vocês aceitem a mensagem da cruz, seja qual for a maneira de expressá-la — identificação com Cristo na morte, no sepultamento e na ressurreição, e assim por diante. Ah, muitas vezes desejo que pudéssemos nos livrar de boa parte da nossa fraseologia. Ela realmente induz ao erro. Muitas vezes desvia a atenção e se torna vazia de significado.
Em todas as esferas do cristianismo, penso que precisamos rever nossa fraseologia. Se tivéssemos uma revolução nesse campo, minha nossa, quanta coisa aconteceria! Nunca mais, no domingo de manhã, vocês diriam que estavam “indo à igreja”. Nunca mais olhariam para determinado tipo de edifício e diriam: “Aquilo é a igreja.”
Eu poderia percorrer toda a variedade de expressões que não correspondem ao significado do Novo Testamento. Mas preciso deixar isso de lado.
Que fique entendido que não é disso que estamos tratando nesta tarde: de uma doutrina, de um ensino específico, de uma fraseologia, de uma terminologia. Não, não de uma terminologia, mas de um término.
É disso que estamos falando: de um término que é nada menos que uma devastação em nossa história. Uma devastação.
Se a cruz do Calvário, a cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, foi alguma coisa na história de Seus discípulos, foi uma devastação. Nos dias que se seguiram imediatamente, eles haviam perdido seu Senhor; haviam perdido sua expectativa. Eram homens perdidos.
Já não estavam unidos; estavam espalhados por toda parte — dois a caminho de Emaús, outros aqui e ali. Pobre Nicodemos, quanto deve ter sofrido em algum lugar, talvez sozinho, encerrado num desespero profundo, muito profundo. Pedro havia saído chorando amargamente.
Que palavras são essas que aqueles dois dizem?
Nós esperávamos que fosse Ele o que remisse Israel.
“Nós esperávamos” — que esperança despedaçada! Foi uma devastação, aquela cruz.
E, se o Senhor Jesus não tivesse ressuscitado, tudo teria permanecido assim. Quando Ele ressuscitou, Sua primeira ação foi recolher os pedaços espalhados, os fragmentos, reuni-los novamente e colocar neles uma nova esperança.
A cruz é uma devastação — talvez em maior ou menor grau num dado momento —, mas, cedo ou tarde, ela será isso, absolutamente. Mesmo que vocês passem trinta ou cinquenta anos como cristãos antes disso, ela será isso.
Eu era ministro, credenciado por duas denominações ao mesmo tempo, pregando por toda parte, com uma agenda cheia, muito cheia. Era sincero e muito dedicado, buscando o melhor que conhecia.
E eu estava nessa atividade havia muitos anos antes de encontrar o verdadeiro significado de Romanos 6. Digo a vocês: foi uma devastação que dividiu minha vida inteira em duas — como dois mundos diferentes.
Mas não quero falar de mim mesmo nem do que aquilo significou. Vocês terão de deduzir, de algumas coisas que digo nesta tarde, que não são apenas palavras; elas vieram de algum lugar, de uma história com Deus.
Talvez a melhor abordagem seja pelo lado positivo, e não pelo negativo. O positivo comprovará a realidade da cruz — se nossa conversa, nosso discurso, nossa fraseologia, nossa profissão de fé e nossas afirmações são realmente verdadeiros.
A primeira coisa positiva que surgiu naqueles discípulos, e que precisa surgir em todos os que verdadeiramente tiveram a cruz plantada profundamente em sua história e em sua própria constituição, é a disposição para serem ajustados.
A disposição para serem ajustados. E isso é uma tremenda provação para muitos. A tradição é uma tirana. A tradição é um cadeado na alma.
Vocês ouviram isso? Não escrevam no caderno; escrevam por dentro. A tradição é um cadeado na alma.
Olhem para Pedro. Pedro se destaca como o primeiro do grupo apostólico. A cruz havia sido plantada muito profundamente nele. Sem dúvida, ela o devastou. Mas agora surge a prova.
Pedro está no terraço, jejuando e orando, e entra em êxtase. Os céus se abrem, e um grande lençol é baixado pelas quatro pontas. No lençol há toda espécie de animais, répteis e criaturas de todo tipo — coisas que, em Levítico 11, os judeus eram proibidos de comer.
A proibição de todas essas coisas estava escrita nas Sagradas Escrituras. E a voz do céu diz a um judeu:
Levanta-te, Pedro; mata e come.
Agora, a questão é: quão profundo, quão prático é isso? Sei o que vocês estão pensando: o Senhor alguma vez contradiz Sua própria Palavra? Sim, Ele o faz, se vocês O entenderem corretamente.
Levanta-te, Pedro; mata e come.
Comer aquele réptil, aquele animal impuro, aquela criatura impura? “Eu, que defendo firmemente a inspiração da Bíblia; eu, que observei Levítico 11 meticulosamente durante toda a minha vida — Tu me dizes para voltar atrás e fazer justamente aquilo que ali é proibido?”
De modo nenhum, Senhor.
“Senhor, agora Tu estás cometendo um engano. Isso não é possível.” No entanto, isso aconteceu três vezes. O Senhor não lhe dava trégua.
Então o Senhor introduz a cruz, coloca a cruz bem diante de Pedro. É como se dissesse: “Bem, Pedro, e aquilo que Deus purificou? Há purificação para toda impureza. Eu tenho uma cruz.”
“Ah, certamente isso não se aplica a esse tipo de pessoa, àquele tipo de pessoa, a essa nacionalidade. Nós é que somos o povo.” Pois bem, Pedro, sua tradição está bem no caminho — bem no caminho da realização prática da cruz.
A cruz produz diferenças tremendas nessas questões. Você precisa abrir esse cadeado da sua alma, Pedro. Você precisa permitir que Eu faça a Minha vontade, apesar da sua tradição.
A cruz fez algo que mudou toda a situação em relação a Levítico 11.
Não faças tu comum ao que Deus purificou.
E vocês veem a aplicação.
Quem eram as criaturas impuras na concepção e na convicção de Simão Pedro? Os gentios. Aqueles que estavam fora dos limites do judaísmo. Eles eram os cães; ninguém faz uma refeição de um cão. Eram chamados de cães.
Mas Deus purificou os gentios. A cruz inclui e abrange a todos.
Sabem, queridos amigos, cometemos um grande erro em nossa doutrina a respeito disso. Pensamos que somente as pessoas salvas são redimidas. Se vocês pensam assim, cometeram o maior de todos os erros.
O mundo inteiro, até o pecador mais profundamente mergulhado nas trevas, é um mundo redimido. Isso não é universalismo — não entendam mal. A tragédia será que aqueles para quem a redenção foi realizada talvez não entrem em seus benefícios; talvez a recusem.
Ela está disponível para eles. Eles foram redimidos. O mundo inteiro é um mundo redimido, e o mundo inteiro não aceitará sua redenção. Ah, a cruz de Jesus Cristo, vocês veem, vai longe e vai fundo.
Mas Pedro está traçando uma linha — uma linha traçada por sua tradição. E toda a questão agora, para Pedro e para todos nós, é esta: estamos dispostos a ser ajustados pela cruz? Podemos ser ajustados para além da nossa tradição?
Sabem, queridos amigos, o Senhor faz algumas coisas muito estranhas em Sua soberania. Na administração soberana de Deus, Ele parece contradizer a Si mesmo de tempos em tempos. Essa é a única maneira de expressar isso.
Tomem o caso do apóstolo Paulo. Paulo nasceu, cresceu e foi criado como judeu — um hebreu —, e isso estava profundamente impregnado nele. Ele nos diz como isso era profundo, como era forte, como era abrangente e como permeava toda a sua vida.
Ele estava realmente imerso, até acima dos olhos, em sua origem, sua herança e sua tradição. Ser judeu fazia parte de sua própria natureza.
E, quando o Senhor vem a esse homem, Ele o tira inteiramente de tudo — inteiramente, pela raiz; tira-o do judaísmo, tira-o de sua herança. Poderíamos dizer: tira-o daquilo que estava em seu sangue — e faz dele o apóstolo dos gentios.
Ah, vocês dizem: “Na soberania de Deus, nasci em determinado ambiente, fui criado ali e me ensinaram isto e aquilo; portanto, é ali que devo permanecer. Deus me colocou nisso e, uma vez que Deus fez isso, devo permanecer ali”?
Bem, a vida de Paulo contradiz vocês, se dizem isso. Sempre há uma razão na soberania de Deus.
Como lhes disse, eu estava profundamente inserido naquele ambiente do cristianismo organizado. Creio até hoje que o Senhor, soberanamente, me colocou ali. Por quê? Para que eu soubesse como ele é.
Sei como falar de uma verdadeira libertação — da diferença, da diferença. Paulo, que soberanamente nasceu e foi criado no judaísmo, conhecia-o como poucos homens o conheciam — por dentro e por fora, de todos os ângulos. Ele conhecia tudo e podia falar sobre aquilo com autoridade.
E ele falou da cruz. Minha nossa, ele podia falar da cruz com o respaldo de sua própria história. Deus não contradiz a Si mesmo, mas às vezes conduz você por um caminho e depois o tira inteiramente dele.
Ele diz: “Em última análise, não é isso que estou buscando. Aquilo serviu apenas a um propósito — ensinar-lhe alguma coisa, mostrar-lhe alguma coisa —, para que sua vida se baseasse numa história, num conhecimento, e não numa teoria. Você sabe do que está falando por causa da sua experiência.”
Vocês entendem o ponto? A cruz fez exatamente isso com Pedro. Assim, o Senhor venceu a batalha, embora Pedro dissesse: “De modo nenhum, Senhor; de modo nenhum, Senhor.”
Depois que ele foi à casa de Cornélio, o Espírito Santo veio novamente sobre ele e sobre todos os que estavam na casa. É o Espírito Santo ao lado da cruz, vocês veem, sustentando a cruz.
Agora, se não estivermos dispostos a ser ajustados, talvez estejamos a caminho da tragédia de perder o caminho de Deus. A tragédia de uma vida pode estar ligada à falta de disposição para o ajuste.
Ah, já vivi o bastante e tive contatos suficientes para ver algumas tragédias. Posso lhes contar sobre elas.
Conheci de perto um querido homem que era grandemente usado pelo Senhor. Ele ocupava as tribunas das maiores convenções. Era requisitado como pregador em conferências por toda parte. Eu pensava: “Este homem vai longe. Este homem vai representar algo importante.”
Então surgiu uma questão na vida daquele homem. Preciso tomar cuidado com o que digo, porque não quero que vocês, queridos amigos, sintam que, só porque digo algo e dou uma ilustração, precisam sair e fazer aquilo. Isso precisa vir de Deus para vocês.
Ele tinha um ministério amplo, de alcance mundial, e então surgiu a questão de seu vínculo denominacional. Creio que, no propósito de Deus, isso se tornou uma questão que ele precisava enfrentar.
A questão passou a ser toda a Igreja de Deus, todo o Corpo de Cristo, o grande chamado universal — ou a denominação. Ele tinha uma posição nela, e não era pouca coisa ter de enfrentar isso.
Eu o vi atravessar a crise e o conflito, e por fim ele decidiu pela denominação. Hoje quase não se ouve falar daquele homem. Ele ainda está vivo, mas antes seu nome estava ligado a todos os movimentos espirituais. Era possível ler nos jornais religiosos: “Ele estará falando aqui nesta semana e ali na próxima.” Agora vocês nunca veem isso.
Ele tem uma posição em sua denominação, sim, e ali o valorizam muito, mas perdeu sua tribuna. Perdeu todas aquelas tribunas. Graças a Deus.
Agora, digo novamente: só porque eu disse isso, não saiam e abandonem sua denominação por causa das minhas palavras. Isso precisa vir de Deus para vocês como uma questão de vida ou morte. Não se movam até que isso aconteça.
Mas aqui está uma tragédia, vocês veem: jogar pelo seguro. “Se eu fizer isso, vocês sabem o que vai acontecer comigo? Vou perder…” Muito bem.
Aqui está outro querido servo de Deus. Eu poderia mencionar seu nome e todos o reconheceriam, mas não vou fazê-lo. Nem à força arrancarão esses nomes de mim.
Esse homem estava entre os principais expoentes do ministério espiritual evangélico, com grande responsabilidade espiritual e um coração muito generoso. Um coração muito generoso — generoso demais. Isso é possível? Um coração generoso demais.
Um homem que era um conhecido modernista liberal em teologia — um homem agradável, um homem bom e agradável, capaz e cativante — pediu a esse outro homem que escrevesse um prefácio para um livro de sua autoria, um livro que defendia a teologia liberal.
“Ah, você escreveria um prefácio, recomendando seu irmão?” E ele o fez. Ele o fez.
Ele perdeu toda a sua grande esfera de atuação e morreu com o coração partido. Amizade? Popularidade? Qual é a questão?
Eu poderia continuar, mas não direi mais nada. Aqui está o ponto: a cruz, queridos amigos, mostrará se é real em nossa vida ao lidar com nossos preconceitos, preferências, simpatias e antipatias naturais, ambições, popularidade e concessões.
Ela mostrará se realmente estamos no Senhor e se estamos dispostos a ser ajustados a qualquer custo. A qualquer custo.
Vocês e eu precisamos saber que o custo é o amor que sofre. Ah, alguns expositores da mensagem da cruz são tão legalistas, tão duros. Eles exercem tamanha pressão sobre as outras pessoas para levá-las à crucificação.
É como se pusessem as mãos sobre a vida das pessoas para levá-las à cruz — em outras palavras, para crucificá-las. Deus nos ajude.
A cruz é amor que sofre. E, quando a cruz realmente entra, ela traz sofrimento.
Por isso, vou dizer aqui e agora: não haverá crescimento nem ampliação da capacidade espiritual sem sofrimento. Sem sofrimento.
Conheço muitas pessoas que abraçam a mensagem da cruz e a pregam, mas, minha nossa, nada sabem sobre sofrimento. Nunca foram quebrantadas.
Elas pregam a cruz — homens não crucificados, homens não quebrantados. A cruz é sofrimento, não é? E, se essa não é a nossa condição, na verdade, afinal de contas, nada sabemos a respeito dela.
Vocês conhecem Davi, de quem temos falado e de quem ainda falaremos muito nesta semana. Davi perdeu seu trono, sua cidade e grande parte de seu povo por algum tempo, numa tragédia terrível. Ele escapou e partiu chorando, chorando.
Tudo por causa do sentimentalismo em sua família. Absalão havia cometido assassinato, e Davi trouxe o assassino de volta sem qualquer confissão, sem qualquer arrependimento, sem qualquer ajuste.
Então vocês conhecem a história: Absalão expulsou seu pai, tomou o trono e depois foi morto por retribuição divina. Mas, mesmo assim, Davi clamou:
Meu filho Absalão, meu filho, meu filho Absalão!
Quem me dera que eu morrera por ti!
E um homem muito pouco espiritual disse, em essência: “Davi, se a vida do seu filho tivesse sido poupada e a nação inteira tivesse sido massacrada, você teria preferido que fosse assim, não é?”
O sentimento no lugar do princípio. A cruz se firma no princípio, mesmo que isso contrarie nosso sentimentalismo. Pois bem, pensem nisso.
Aqui estamos, vocês veem. A disposição para o ajuste é algo tremendo. Gostaria de falar de outras coisas que resultam da cruz, mas não pretendia falar por tanto tempo, e vocês estão aqui para fazer perguntas. Supostamente, estou apenas abrindo o caminho para vocês.
É inevitável que, numa conferência como esta, surja a questão da cruz. Inevitável. Em algum momento ela aparecerá, e teremos de enfrentá-la novamente e verificar se, afinal, nossa doutrina, nosso ensino e nossa conversa sobre a cruz são reais.
Ah, é algo maravilhoso quando isso começa realmente a acontecer em nós. Olho para aqueles onze discípulos que se tornaram onze pessoas.
Vejo, nos primeiros dias com Cristo, a cúpula de bronze sobre a mente deles. Ele podia falar, podia ensinar, e eles simplesmente não conseguiam entender. Não sabiam do que Ele estava falando nem o que Ele queria dizer. Essa era a dificuldade que Ele tinha com eles o tempo todo.
Ele lhes deu todo o Seu ensino, e eles não entenderam. Graças a Deus, a cruz foi erguida.
Depois, os governantes reconheceram que eles eram homens sem instrução e sem formação. Muito bem — mas o véu havia desaparecido. O céu havia sido rasgado. Eles estavam vendo o significado das Escrituras, remontando a todo o passado.
Ouçam Pedro no dia de Pentecostes, como ele falou das Escrituras: “Isto é aquilo, isto é aquilo.” Ele nunca havia visto aquilo antes. Estava simplesmente acumulando passagem sobre passagem das Escrituras, com sua interpretação e seu significado.
Eles haviam adquirido um novo conhecimento — um conhecimento inteiramente novo — e uma nova capacidade para entender aquilo que antes nunca conseguiam compreender.
Isso mostrará se a cruz realmente começou a operar em nós: uma nova capacidade para compreender o significado espiritual das coisas divinas.
Digo a vocês: é maravilhoso quando essa cúpula é removida e vocês passam a ter esse céu aberto. É apenas um começo; seguimos assim para sempre.
É maravilhoso quando vocês começam a dizer: “Ah, nunca vi isso antes. A Palavra antes estava fechada para mim; agora está aberta. Está viva, está viva.”
Nós, que estamos ministrando a vocês nesta semana, ministramos simplesmente porque Deus nos concedeu esse céu aberto — em pequena medida, em pequena medida — para vermos Seus significados, não apenas o que Ele diz, mas o que Ele quer dizer. Há uma diferença.
Agora, perdoem-me por ter falado tanto. Minha intenção não é prolongar esta reunião além do ponto em que ela seja proveitosa. Há alguma coisa que vocês queiram perguntar ou dizer?
Eu sugeriria isto a vocês, queridos amigos, como algo básico e fundamental: conhecendo a verdade, conhecendo a mensagem, conhecendo a Palavra — tomem apenas Romanos 6 —, ao conhecê-la, levem-na ao Senhor.
Levem seu conhecimento ao Senhor e digam: “Agora, Senhor, creio que é isso que Tu queres; é isso que Tu queres dizer. Assumo um compromisso definido Contigo, para que Tu, à Tua maneira e no Teu tempo, tornes isso uma realidade em minha história.”
Ah, mas vocês ousam fazer isso? Ousam?
Talvez não demore muito até que algo aconteça, e vocês digam: “Ah, não era isso que eu queria dizer. Não, Senhor, eu não pensei que significasse isso.” E agora, vocês irão adiante?
É amor que sofre. E não é amor por vocês mesmos; é amor pelo seu Senhor.
Muito bem, assumam um compromisso definido com o Senhor. Eu tive de fazer isso — fechar-me em meu quarto e enfrentar tudo: ministério, posição, tudo — e ir até o fim.
Graças a Deus, Ele estava falando sério. Tudo foi brutal, mas a realidade está aí.
Antigamente, sabem, nos primeiros anos da Convenção de Keswick, era esse tipo de coisa que acontecia.
O Dr. F. B. Meyer, que conheci muito bem, disse certa vez: “Sabem, o Espírito de Deus desceu sobre a Convenção de Keswick quando a mensagem da cruz foi pregada de tal maneira que as pessoas foram imediatamente para seus quartos, silenciosas e solenes.”
“Era possível ver as luzes de seus quartos acesas a noite inteira. Elas estavam de joelhos, levando aquilo até o fim. Homens foram até o lago e jogaram nele seu fumo e seus cachimbos. Outros foram ao correio comprar vales postais para pagar suas dívidas.”
Era assim que as coisas aconteciam quando o Espírito Santo tomava a cruz, tal como era pregada então — de maneira muito prática.
Ele disse que o correio esgotou todos os vales postais disponíveis naquele dia. Perfeito.
Precisamos assumir um compromisso com Deus a respeito disso, de maneira muito definida — apegar-nos a Ele para que o cumpra —, se realmente estamos levando o Senhor a sério.
É melhor conversar com o Senhor do que uns com os outros.
Espero que toda a minha fala não tenha apagado o ânimo de vocês. Têm alguma coisa a dizer agora?
Se não, vamos falar com o Senhor? Mesmo para aqueles de nós que mais sabem sobre isso, ainda há algo mais a ser feito.
Em Tua presença, realmente desejamos conhecer cada vez mais o poder da Tua ressurreição e tudo o que vem com ele.
Mas isso envolve a comunhão dos Teus sofrimentos, sendo conformados à Tua morte.
Oramos para que cada coração que, neste momento, está assumindo um compromisso silencioso, mas sincero, e se entregando a Ti, possa descobrir que Tu assumes a responsabilidade por todas as consequências e o conduzes até o fim.
Conduze-nos não apenas à ressurreição de uma maneira nova, mas também à libertação de todas as faixas mortuárias — nossas tradições, nossos preconceitos e tudo o que pertencia àquela parte da nossa vida.
Ó Senhor, Tu que lês cada coração, atenta para nós e obtém desta hora algo eternamente precioso para Ti.
E a Tua graça nos será suficiente, seja o que for que isso signifique. Portanto, ajuda-nos.
Ah, guarda-nos de toda dispersão e distração. Guarda-nos de qualquer tipo de intensidade tão legalista. Mantém-nos numa alegria solene por estarmos unidos, sendo um com o Senhor Jesus.
Participando de Sua sorte na vida, na morte, na afronta, na rejeição e no desprezo, mas também na alegria que Lhe estava proposta. Assim, ajuda-nos, pedimos em Seu nome. Amém.