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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    The Riches of Christ in the Cross of Christ and in The Church of Christ © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Riches of Christ in the Cross of Christ and in The Church of Christ
    The Riches of Christ in the Cross of Christ and in The Church of Christ
    Austin-Sparks, T.

    A grandeza do sacrifício de Cristo e de Sua casa

    Senhor, Tu disseste:

    Separados de Mim, nada podeis fazer.

    Nós sabemos disso; nós o reconhecemos. E isso se aplica a este exato momento e a esta hora.

    Mas, Senhor, nós Te pedimos: remove toda forma e todo grau de separação de Ti. Que haja tamanha unidade Contigo que Tu possas produzir Teu próprio fruto por meio deste ministério, e assim o Pai seja glorificado. É o que pedimos, em nome do Senhor Jesus. Amém.

    Agora preciso pedir que vocês examinem várias passagens das Escrituras, começando pelo primeiro livro de Reis.

    Salomão, o altar e a casa

    Em 1 Reis 8:1, Salomão reuniu os anciãos de Israel, os cabeças das tribos e os príncipes das casas paternas dos filhos de Israel diante de si, em Jerusalém.

    Depois, em 1 Reis 8:22:

    E Salomão se pôs diante do altar do Senhor, na presença de toda a congregação de Israel, e estendeu as mãos para os céus.

    E em 1 Reis 8:62-63:

    E o rei e todo o Israel com ele ofereceram sacrifícios perante o Senhor.
    E Salomão ofereceu, em sacrifício de ofertas pacíficas ao Senhor, vinte e dois mil bois e cento e vinte mil ovelhas.
    Assim, o rei e todos os filhos de Israel consagraram a casa do Senhor.

    Abram também a carta aos Efésios. Em Efésios 1:7-10:

    Segundo as riquezas da Sua graça, que Ele fez abundar para conosco em toda a sabedoria e prudência;
    dando-nos a conhecer o mistério da Sua vontade, segundo o Seu beneplácito, que propusera em Cristo;
    para a dispensação da plenitude dos tempos, de reunir todas as coisas em Cristo, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra.

    Em Efésios 2:1-6:

    E Ele vos vivificou, estando vós mortos em vossas transgressões e pecados;
    nos quais outrora andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência;
    entre os quais também todos nós outrora vivíamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos, e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais:
    mas Deus, sendo rico em misericórdia, pelo Seu grande amor com que nos amou;
    estando nós ainda mortos em nossas transgressões, nos vivificou juntamente com Cristo — pela graça sois salvos —;
    e nos ressuscitou juntamente com Ele, e nos fez assentar juntamente com Ele nos lugares celestiais, em Cristo Jesus.

    E Efésios 3:17-19:

    Para que Cristo habite, pela fé, em vossos corações; a fim de que, estando arraigados e alicerçados em amor;
    possais compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade;
    e conhecer o amor de Cristo, que excede todo o conhecimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus.

    Finalmente, Efésios 5:27:

    Para que Ele apresentasse a Si mesmo a igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem qualquer coisa semelhante; mas santa e irrepreensível.

    Aquele que é maior do que Salomão

    A meu ver, chegamos ao coração destas mensagens. Preciso confessar a vocês que, do ponto em que estamos, nesta breve hora que temos, o limite não é o céu, mas a eternidade.

    Estou dependendo inteiramente do Senhor para transmitir uma quantidade imensa de coisas, mas Ele decidirá o que poderemos assimilar no espírito, e isso basta.

    Vocês têm considerado a grandeza dAquele de Quem Salomão é o tipo. Temos permitido que Salomão seja, para nós, uma ilustração e um tipo dAquele que é maior do que Salomão. Salomão, vocês se lembram, é uma prefiguração de Cristo; e uma prefiguração é sempre muito menor do que aquilo que prefigura.

    Contemplamos alguns aspectos da grandeza de Salomão: a grandeza de sua sabedoria, a grandeza de suas riquezas, a grandeza de sua glória, a grandeza da provisão de sua mesa e a grandeza de sua honra.

    Mas essa grandeza, em seus muitos aspectos, é vista de modo mais destacado no altar e na casa.

    O que lemos sobre Salomão reunir todo o povo, os príncipes e os cabeças das casas paternas — toda a congregação — em Jerusalém, para a dedicação da casa de Deus, está intimamente relacionado ao altar.

    Há dois elementos supremos, predominantes: o altar e a casa. Ambos convergem na pessoa de Salomão como rei.

    Tenham isso em mente. É a própria pessoa de Salomão, assentado no trono de Davi, que dá significado ao altar e à casa. Eles recebem dele seu significado e seu caráter, de sua posição exaltada e de sua glória.

    Essa é uma afirmação que vocês precisarão guardar à medida que prosseguirmos.

    A imensidão do altar

    Agora considerem a grandeza desse altar. Não li a descrição da construção do altar, mas leiam, e vocês verão que ele era imenso — um altar imenso.

    Diz-se que sua espessura era de um palmo. Bem, isso não é pouca coisa. Não era, de modo algum, algo leve. A descrição mais completa nos faz perceber que esse altar devia ser imenso, algo extraordinário e pesado.

    Depois, imaginem as ofertas. Uma procissão de bois, estendendo-se quase até perder de vista, avançando em direção àquele altar — vinte e dois mil bois. Atrás deles, cento e vinte mil ovelhas.

    É quase impensável, inimaginável. Vocês veem aquela fila escura de ovelhas estendendo-se ao longe, e lá vêm elas. Quantos dias seriam necessários para sacrificar todas? Dia após dia, da manhã à noite, o sangue seria derramado.

    É claro que eu não gostaria de ter sido um dos sacerdotes ou levitas encarregados dessa tarefa. Deve ter sido necessário empregar muitos turnos de levitas.

    Mas o que quero destacar é a imensidão desse sacrifício e o significado desse altar — um altar capaz de comportar tudo aquilo. Como esse altar devia ser grande!

    O sacrifício transcendente de Cristo

    E aqui está Alguém maior do que Salomão. Um altar maior, um sacrifício incomparavelmente maior, está aqui, no Filho de Davi que é maior do que Salomão, o Senhor Jesus.

    O sacrifício de Salomão, afinal, foi um acontecimento histórico. Pertenceu a um dia de um passado distante. É um registro, um relato de algo que aconteceu então, nos dias de Salomão, que passaram e se foram.

    Mas, quando vocês passam de Salomão, de seu altar e de seu sacrifício para Aquele que é maior do que Salomão, encontram o primeiro aspecto da superioridade e da transcendência da cruz de nosso Senhor Jesus Cristo.

    Ela é supra-histórica. Isto é, ultrapassa todos os limites do tempo. Estende-se de eternidade a eternidade.

    O Cordeiro foi morto desde a fundação do mundo; e, quando todas as eras passam em procissão diante de nossos olhos através da Bíblia, do Antigo e do Novo Testamento, e chegamos além do tempo, quando o tempo já não existe, ali, na eternidade, está um Cordeiro no meio do trono, o centro que domina tudo.

    Supra-histórica — ultrapassando todo o tempo.

    E isso se deve a uma eficácia que jamais esteve nos vinte e dois mil bois e nas cento e vinte mil ovelhas oferecidos por Salomão.

    A carta aos Hebreus pergunta:

    É possível que o sangue de touros e de bodes tire pecados?

    Não por meio de vinte e dois mil bois e milhares de ovelhas, mas por uma única oferta, o Senhor Jesus fez mais do que todos aqueles sacrifícios jamais poderiam fazer. Havia uma eficácia em Seu sacrifício.

    A eficácia da morte de Cristo

    É impressionante que, nos primeiros escritos cristãos — nos primeiros relatos do Novo Testamento —, a crucificação quase não seja mencionada. Ela quase não é mencionada como crucificação. Mas Sua morte está em toda parte.

    “Ele morreu. Ele morreu.”

    É a morte que está em evidência, não a crucificação. A crucificação é o fato histórico; é aquilo que os homens fizeram. Mas, dentro e por trás daquele aspecto exterior de Sua morte, havia uma eficácia — uma poderosa eficácia.

    Aquela morte estava enfrentando um poder, uma força imensa, indizivelmente forte e profunda, responsável pela miséria deste mundo e pela miséria eterna dos homens. Por trás da crucificação, e mais profundamente do que ela, havia uma morte poderosa, dotada de eficácia.

    Há coisas que, se vocês as tocarem — ou se elas tocarem vocês —, lhes dão a sensação de algo pavoroso, algo terrível. Se estamos espiritualmente vivos e sensíveis, há esferas e coisas diante das quais recuamos.

    Aquilo que Watchman Nee costumava chamar de “contato com a terra” é muito real. Você se envolve voluntariamente em algo deste mundo e, se está espiritualmente vivo e sensível, algo o fere. Você sente que foi contaminado, tirado de sua posição. Precisa afastar-se e tomar um banho espiritual — lavar-se, colocar-se diante do Senhor e apropriar-se da poderosa eficácia do sangue.

    Isso o traz de volta à esfera que lhe é própria como filho de Deus, não é? Isso é real, e se torna cada vez mais real à medida que prosseguimos.

    Uma marca de crescimento é essa sensibilidade cada vez mais profunda ao que é vida e ao que é morte. É um fator determinante e decisivo na direção que recebemos.

    A lei do Espírito da vida é a lei da direção. A mente do Espírito é vida e paz. Essa é uma lei que nos guia.

    Mas não devo entrar em detalhes demais. Por trás de Seu sacrifício havia uma eficácia, um poder, que nunca se encontrou em todos aqueles sacrifícios.

    Não se trata do crucifixo. Você pode usar um crucifixo e dar muita importância ao crucifixo, aos sofrimentos físicos; mas o Novo Testamento coloca a ênfase no poderoso, poderoso efeito de Sua morte.

    É um poder que veta, um poder que proíbe — um poder que diz a todo um sistema, uma ordem, uma esfera e um universo: “Não!”

    Estar unido a Ele na semelhança de Sua morte é tornar-se consciente do que é e do que não é aceitável a Deus. Esse é o efeito da cruz do Senhor Jesus.

    A vida cristã é exatamente isso. É supra-histórica. Estende-se de eternidade a eternidade. Atravessa todo o tempo e avança até a eternidade na poderosa efetividade e eficácia da morte do Senhor Jesus.

    O significado interior da cruz

    A crucificação havia acontecido menos de quarenta anos antes de as epístolas serem escritas. Se algo assim tivesse acontecido nos últimos quarenta anos de nossa vida, estaríamos falando do próprio acontecimento, não estaríamos? Estaríamos ocupados com o horror do que aconteceu ali.

    Mas os apóstolos não estavam ocupados com isso. Estavam ocupados com seu significado interior — com o que aquilo significa na esfera espiritual, para nós e para todos os demais.

    Isso é algo notável. O significado espiritual e interior, o poder da cruz, é o assunto do Novo Testamento.

    Em Salomão, temos essa imensa oferta apenas em figura e tipo, para nos mostrar, figurativa e simbolicamente, quão grande, imenso e poderoso é o sacrifício de Jesus, nosso Senhor.

    Agora, vejam, posso esforçar-me para encontrar palavras que expressem isso, mas sei que, ao começar, já estou vencido, porque sei que serão necessárias todas as eras das eras para nos revelar tudo isso.

    Eles cantarão o cântico do Cordeiro para sempre.

    Sabemos tão pouco. Tudo o que podemos dizer numa ocasião como esta é que buscamos que o Senhor grave em nós uma impressão acerca dessa cruz de que tanto falamos. Pensamos que sabemos, porque temos os termos e a linguagem: identificação com Cristo, união com Ele em Sua morte e ressurreição, e tudo o mais.

    Mas precisamos que se grave em nós uma impressão da imensidão do que Jesus foi e fez em Sua cruz.

    O alcance cósmico da cruz

    Salomão, afinal, é apenas uma sombra. Ainda assim, pensem naqueles vinte e dois mil bois e cento e vinte mil ovelhas, oferecidos dia após dia sobre aquele altar, com sacerdotes servindo em sucessivos turnos, exaustos na realização desse trabalho.

    Quanto maior é a realidade — a cruz de nosso Senhor Jesus Cristo!

    Ela está além da história. Está além da terra. As palavras não nos bastam.

    Ao dizer que está além da terra, quero dizer que está acima deste mundo. Seu alcance vai muito além do que está aqui. Para usar outra expressão, ela é supracósmica.

    Essa cruz, essa morte do Senhor Jesus, não apenas abrange tudo o que está aqui nesta terra, mas alcança o céu. Os céus foram contaminados. Algo aconteceu no céu antes de acontecer na terra.

    Quando os anjos não guardaram seu estado original, e o diabo que os liderava perdeu seu lugar, uma grande ruptura aconteceu no céu. O princípio de toda divisão estava ali.

    Isso é algo muito maior do que este mundo. Efésios nos dá um vislumbre disso. Nossa luta não é contra carne e sangue, mas contra principados, potestades, dominadores deste mundo de trevas e hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais.

    Não temos tempo nem mesmo para tentar explicar tudo isso. Mas o que queremos destacar é que a eficácia da morte do Senhor Jesus atravessa todas as extensões e esferas, até alcançar o próprio trono do céu.

    E ali um Cordeiro é o testemunho eterno, a testemunha daquilo que foi feito naquele lugar, naquele momento do tempo, aqui.

    Quão vasta é a morte do Senhor Jesus! O sacrifício de Salomão, por maior que fosse, não alcançou além desta terra. Mas o Senhor Jesus é Senhor de tudo.

    A redenção como recuperação

    Temos redenção em Seu sangue. Que coisa linda é a redenção! Nós nos alegramos na redenção. Mas pensem nisso: redenção é uma daquelas grandes palavras do Novo Testamento com o prefixo re-.

    Reconciliação. Redenção. Restauração.

    Algo existia, e se perdeu. Algo foi vendido no mercado de escravos.

    Essa cruz, essa morte, é uma recuperação — não apenas da condição do homem e daquilo que o homem perdeu, mas de algo maior: uma recuperação de tudo o que Deus perdeu no que diz respeito a Seu propósito, Sua intenção e o destino que havia estabelecido.

    Por algum tempo, isso ficou perdido para Ele.

    Há um contexto muito mais amplo para o nosso evangelho. O Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido.

    Quando vocês remontam àquilo que se perdeu para Deus, isso é quase indescritível. O Senhor Jesus fala do que se perdeu e da vinda do Filho do Homem para buscar e salvar o que se havia perdido; e inclui a parábola que chamamos de parábola do filho pródigo.

    Esse filho está longe — perdido para o pai, perdido para o lar, perdido para a família. Traduzam isso em termos celestiais, e vocês verão do que o Senhor está falando.

    Ele faz aquele homem despertar para sua condição de perdido e para as causas dela, e coloca estas palavras em sua boca:

    Pai, pequei contra o céu e perante ti.

    O Senhor Jesus é extraordinariamente cuidadoso na maneira como expressa isso. O pecado é contra o céu. É o céu que sofre a perda, e o pecado rouba do céu seus direitos e do Pai os Seus direitos.

    É por isso que há alegria na presença dos anjos por um pecador que se arrepende: o céu recebeu de volta aquilo que lhe havia sido roubado. O céu recuperou o que Deus perdeu.

    Como a redenção é grande! Não se trata apenas do homem; trata-se de um universo. O universo está cheio de conflito, cheio de disputa. Na própria atmosfera deste universo há forças em confronto.

    O antagonismo espiritual no mundo

    Em nossa sensibilidade espiritual, entramos nessa atmosfera em que duas coisas se chocam — as coisas do céu, que sabemos serem nossa verdadeira esfera e vida, e o antagonismo que se opõe a elas.

    É terrível sentir a hostilidade que existe na atmosfera deste mundo.

    Muitos que trabalharam em países pagãos sabem do que estou falando. Lembro-me de minha primeira visita à Índia. Fui a lugares onde havia adoração de ídolos, e não era apenas algo exterior. Naqueles templos pagãos, você sente algo maligno — algo maligno. Você quer sair dali.

    Vou dizer agora algo que talvez me cause problemas. Senti isso em minha primeira visita à Basílica de São Pedro, em Roma.

    Na primeira visita a Roma, você quer conhecer essas coisas. Entrei inocentemente para visitar um ponto turístico. Mas, quando entrei, senti algo ali tão fortemente que não consegui permanecer por muito tempo. Olhei ao redor e saí o mais depressa que pude. Havia um antagonismo espiritual.

    Existe esse conflito por causa daquilo que começou no céu, atravessando todas as esferas, contaminando todas as esferas e fazendo sentir seu mal sobre esta terra.

    Mas o Calvário tratou disso. A morte do Senhor Jesus nos libertou disso. Que coisa gloriosa e maravilhosa é ser liberto disso!

    Não estou falando de geografia. Os lugares celestiais não são meramente geográficos. Tudo o que está nos lugares celestiais, bom e mau, faz-se sentir em seu espírito. Em seu espírito, você está tão perto dos lugares celestiais quanto jamais poderia estar geograficamente.

    Um cristão sabe o que isso significa. Há algo mais do que uma esfera geográfica quando falamos do céu. Estamos falando de forças supracósmicas, do mal e do antagonismo, e da bendita esfera em que estamos em Cristo.

    A redenção da criação e do corpo

    Graças a Deus, esta própria criação foi redimida. Ela está esperando agora o dia em que essa redenção será consumada e a criação será libertada da escravidão da corrupção.

    Esta terra como é, e este mundo, serão consumidos pelo fogo com tudo o que neles há; e haverá um novo céu e uma nova terra — redimidos.

    Isso foi realizado e assegurado na morte de Jesus Cristo.

    E então há a maravilhosa ressurreição de corpos físicos redimidos.

    Como ressuscitam os mortos? E com que corpo vêm?

    E quanto à cremação? E quanto às cinzas espalhadas sobre as ondas? Como?

    A resposta de Paulo é:

    Insensato!

    Você está sendo governado por sua sabedoria natural. Você tem um espírito. Como crentes, esse espírito nasceu do alto.

    Nesse espírito há uma vida divina, uma vida incorruptível. Esse é o princípio germinal. Na desintegração física, Deus preserva aquilo que pertence à Sua própria vida, e lhe dá um corpo como Lhe agrada.

    Há um princípio germinal, e, onde ele vive, o corpo correspondente virá depois. Isso é um mistério, é claro.

    Paulo diz que, nessa condição, gememos, aguardando nossa adoção, a redenção de nosso corpo. Redenção significa trazer de volta algo que se perdeu.

    Creio que Adão e Eva, quando perceberam que estavam nus, haviam perdido algo glorioso. Entendo isso como linguagem simbólica. Havia alguma cobertura, alguma glória, e eles perceberam que a haviam perdido.

    O Novo Testamento retoma essa palavra, “nudez”, e a relaciona a algo muito além do meramente físico.

    Redimir o corpo significa trazê-lo de volta a algo que ele perdeu. Temos alguma base para afirmar isso? Creio que temos.

    Vi pessoas partirem desta vida — pessoas muito próximas de mim. Uma era filha de Deus, que havia vivido de maneira sacrificial e sofrido pelo Senhor durante muitos anos. Outra havia rejeitado o Senhor persistentemente ao longo dos anos.

    Vi ambas partirem diante de meus próprios olhos. Quando aquela que pertencia ao Senhor partiu, havia glória naquele rosto — uma renovação, uma renovação como a de uma criança.

    Não estou exagerando. Estou dando a vocês um exemplo.

    Vocês sabem que, às vezes, o verdadeiro desfrutar do Senhor faz diferença no rosto. Está no rosto e nos olhos. Alguns queridos filhos de Deus nem precisam ser apresentados a vocês; vocês podem perceber isso.

    Há uma glória que pertence ao corpo, que o pecado desfigurou e retirou. O pecado realmente tira a glória do rosto. Mas a redenção nos tornará semelhantes ao Seu corpo glorioso.

    Como essa redenção é grande!

    O caráter definitivo e abrangente da oferta de Cristo

    A oferta do Senhor Jesus é muito maior do que a de Salomão. Ela é abrangente e definitiva.

    Todos os sacrifícios desde Abel — Abraão, Israel, Moisés e todos os demais — jamais poderiam fazer o que essa única oferta fez. Essa única oferta abrange tudo, e é definitiva.

    Porque, com uma só oferta, Ele aperfeiçoou para sempre os que são santificados.

    No que diz respeito à Sua obra como oferta, está consumada.

    Quando traziam o cordeiro pascal ao sacerdote, ele era examinado. Precisava ser sem defeito — nem um pelo de outra cor, nenhuma imperfeição. O sacerdote colocava a mão sobre ele e o declarava aceitável.

    Do Senhor Jesus se diz:

    Ele ofereceu a Si mesmo.

    Ele ofereceu a Si mesmo, sem mácula, a Deus.

    Isso é definitivo. Esse é o sacrifício indescritivelmente maravilhoso de Cristo, o sacrifício do Senhor Jesus.

    Apenas toquei no assunto da cruz, vejam. Eu disse que não conseguiria dar conta dele. Nem sequer comecei a falar da casa.

    A grandeza da casa de Cristo

    Davi disse a respeito de Salomão:

    Salomão, meu filho, é jovem e tenro, e a casa que se há de edificar para o Senhor deve ser sobremodo magnífica, de renome e glória em todas as terras.

    A casa era muito grande e muito maravilhosa.

    Agora passamos do altar para a casa. O templo de Salomão era grande em si mesmo. Mas, quando vocês pensam no altar e no sacrifício, percebem que a casa recebe suas dimensões espirituais do altar.

    Se o altar é tão imenso e o sacrifício tão incalculável, como essa casa deve ser grande! A casa custou tudo aquilo.

    O Senhor Jesus disse:

    Edificarei a Minha igreja.

    E nos é dito:

    A Sua casa somos nós.

    Essa casa que Ele está edificando é a concretização do valor e do significado daquele imenso sacrifício. O sacrifício fez parte da dedicação da casa.

    A casa recebe suas dimensões do altar. Se tudo aquilo foi necessário para o altar, se a casa recebe seu caráter de tudo o que havia na oferta, que casa ela deve ser!

    A igreja como expressão concreta de Cristo

    Vejam Filipenses 2. Ele estava na forma de Deus, não considerando a igualdade com Deus algo a que Se apegar, mas esvaziou a Si mesmo. Deixou de lado as glórias do céu, as prerrogativas do céu, tudo o que Lhe pertencia por eras eternas.

    Por quê? Para ter essa casa.

    Queridos amigos, precisamos ir além da verdade como doutrina. A preciosidade do Senhor Jesus precisa tornar-se algo mais do que uma ideia objetiva e maravilhosa, mais do que um ensinamento maravilhoso.

    Se realmente compreendêssemos que essa casa é a expressão de Cristo, e que cada parte dela é preciosa para Ele, que diferença isso faria em nosso comportamento!

    Se tudo o que sabemos sobre a igreja não faz diferença dessa maneira prática, então não sabemos nada sobre a igreja.

    A igreja abrange todos aqueles por quem Cristo morreu. Não estou adotando uma postura exclusivista; estou dizendo que vocês não podem ser estreitos, pequenos, legalistas ou exclusivistas se viram a igreja.

    Porque, ao ver a igreja, vocês viram Cristo. Não é possível separar os dois.

    A preciosidade do Senhor Jesus é a base da igreja. Estamos Nele.

    Cantamos sobre uma cidade com uma rua de ouro. Há apenas uma rua naquela cidade. Todos nós teremos de morar na mesma rua, ao lado uns dos outros, e viver juntos.

    Talvez, a essa altura, vocês estejam prontos para desistir do cristianismo! Mas vocês sabem o que quero dizer. A preciosidade do Senhor Jesus tornará possível vivermos juntos em felicidade. Será Cristo, e não nós mesmos.

    A igreja como expressão corporativa de Cristo

    Alguns dos maiores problemas que muitos cristãos têm estão relacionados à igreja. “O que é isso? O que é isso?” Eles reduzem a questão à igreja local, a um enfoque local.

    Olham para grupos locais de cristãos, que supostamente são membros do corpo de Cristo, e perguntam: “Como isso é a igreja?”

    Mas, queridos amigos, vocês e eu, em nós mesmos, não somos a igreja. Não somos partes da igreja num sentido meramente exterior.

    A igreja, universal ou local, não é um agregado de corpos de cristãos. A verdadeira igreja é a medida de Cristo em cada um.

    Cristo é a igreja. É a medida de Cristo que está em nós que constitui a igreja. Vocês não podem filiar-se à igreja. Não existe isso de filiar-se à igreja.

    Se você não é uma parte orgânica de Cristo, produzida por Sua vida divina como algo diferente de sua própria vida natural, você não está na igreja. Mas, se interiormente você se tornou uma parte orgânica de Cristo, então, quando nos reunimos — não apenas fisicamente, mas em espírito —, a igreja está ali.

    Podemos nos reunir fisicamente como congregações e chamar a nós mesmos de igreja, sem que haja igreja no sentido espiritual. É quando nos reunimos em espírito, e o Cristo que está em nós está espontânea e naturalmente presente, que a igreja está ali.

    Ela simplesmente é. Vocês não a fabricam. Vocês não a formam.

    Talvez vocês se surpreendam quando eu disser que os apóstolos nunca tiveram a ideia de que precisavam sair e formar igrejas. Eles não foram chamados pelo Senhor para sair e formar igrejas.

    O que fizeram foi sair e pregar Cristo — não apenas pregar Cristo, mas levar Cristo em si mesmos.

    Quando as pessoas recebiam Cristo em sua vida, eram reunidas Nele. Não há registro de os apóstolos dizerem: “Agora vamos procurar essas pessoas, percorrer algumas ruas, reuni-las e organizá-las como uma igreja”.

    Nunca. A igreja nasceu espontaneamente. Era Cristo sendo reunido de maneira corporativa.

    A igreja é Cristo expresso corporativamente. É o Seu crescimento. É o crescimento do próprio Cristo que a constitui.

    Isso não significa, é claro, que podemos nos comportar de qualquer maneira. Mas precisamos compreender a verdadeira ideia.

    A casa espiritual para além da geografia

    Pedro é muito claro a respeito dessa casa espiritual. Ele escreve aos que estão dispersos pelo Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, e ainda assim fala de uma única casa espiritual.

    Quer dizer que a geografia não é a primeira coisa? Estar juntos num só lugar não é a primeira coisa?

    Não. Onde quer que Cristo esteja, ali está a igreja. Onde quer que Cristo esteja, onde dois ou três estejam em qualquer lugar com Cristo neles, a igreja está representada.

    Ele é a igreja. Ela é Seu próprio corpo.

    Essa casa é maior do que a casa de Salomão. É magnífica e maravilhosa. É eterna, atemporal, celestial e supramundana.

    Fomos escolhidos Nele antes da fundação do mundo.

    A Ele seja a glória na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre.

    Isso é algo eterno. Fomos chamados em Cristo Jesus antes de começarem as eras. Este não é o começo das coisas; estamos apenas entrando em algo que começou há muito, muito tempo, antes de termos qualquer participação nisso.

    A permanência e a vitória da igreja

    Graças a Deus por isso. Quando olho para a história, vejo as forças que se levantaram contra ela — mesmo nos primeiros dias dos apóstolos. Tudo o que aconteceu desde então, em muitas partes do mundo, em nação após nação, tem sido dirigido contra essa única realidade.

    As portas do Hades se levantaram contra ela. Mas não prevaleceram.

    Nenhum império, nação, ideologia, perseguição ou martírio pode extinguir essa realidade. A igreja de Jesus Cristo prevalecerá. As portas do Hades não prevalecerão contra ela.

    Ela não tem fim. Podemos prosseguir, e então, no fim, todos seremos arrebatados. Haverá aquele dia em que Ele nos apresentará diante da presença de Sua glória, sem defeito, com grande alegria.

    Seja o que for que pertença ao tempo — morte, martírio, perseguição ou qualquer outra coisa —, Ele prossegue com Sua igreja.

    Exortação final

    Isso é grande o bastante para vocês.

    Em tudo o que esperei que pudesse resultar deste ministério nesta semana, uma coisa tem pesado em meu coração: que fique uma impressão — algo profundo e forte —, não apenas que nos lembremos de algo maravilhoso, mas que saibamos interiormente que tudo isso é verdade.

    Como Cristo é grande! Como Sua casa é grande e bela!

    Que Deus faça disso algo que governe não apenas nosso pensamento, mas nossa maneira de viver e nossa influência sobre outras pessoas. Que elas sintam, ao nos encontrar, que essas pessoas representam algo — não algo mesquinho ou desprezível, mas algo de outro mundo.

    Nós entregamos tudo de volta a Ti, Senhor. Faze com isso o que puderes. Trabalha nisso. Mantém isso vivo. Vela por isso e protege-o.

    E, em meio a tudo, dizemos:

    A Ele seja a glória na igreja, por Cristo Jesus, por todas as eras, para todo o sempre.