Senhor Jesus, buscamos a Tua face. Nós nos prostramos diante de Ti. Que a Tua glória encha este lugar.
Senhor, não há nada que desejemos mais do que a Tua própria glória. A Tua presença conosco é a nossa alegria, o nosso consolo e a nossa satisfação.
Oramos para que, nesta noite, ao nos reunirmos aqui em torno de Ti, tenhas liberdade para estar conosco e nos abençoar com a Tua própria pessoa. Entregamos esta hora em Tuas mãos.
Senhor, a quem recorreremos? Tu tens as palavras de vida eterna. Fixamos os nossos olhos em Ti. Oramos para que, ao Te contemplarmos, o Teu Espírito nos transforme de glória em glória e nos conforme à Tua imagem. Pedimos no precioso nome de nosso Senhor Jesus. Amém.
Irmãos e irmãs, posso antecipar um pouco o que teremos nesta noite? Cantamos sobre a glória. Oramos pela glória. E, se vocês lerem a carta aos Efésios, provavelmente perceberão que, além da palavra graça, a palavra glória aparece muitas vezes.
Pela minha contagem, ela aparece oito vezes; e, se incluirmos “a igreja gloriosa”, são nove. Mas, queridos irmãos e irmãs, parece que o Senhor reserva isso para o futuro. Espero que meus irmãos nos falem das riquezas da Sua glória.
Em vez disso, parece que o Senhor colocou em meu coração algo que nos parece ser exatamente o oposto da glória: o sofrimento.
Para a nossa mente natural, a glória e o sofrimento estão em dois extremos. Se há glória, então não há sofrimento: não há dor, lágrimas, tristeza nem morte. Se há sofrimento — dor, tristeza, lágrimas e até morte —, então onde está a glória?
Mas, de alguma maneira, parece que o Senhor colocou em meu coração este assunto: as insondáveis riquezas dos Seus sofrimentos.
Vamos abrir em algumas passagens da Palavra de Deus.
Por esta causa eu, Paulo, o prisioneiro de Cristo Jesus por amor de vós, gentios—
Portanto, peço que não desfaleçais nas minhas tribulações por vós, as quais são a vossa glória.
—Efésios 3:1, 13
Mas o Senhor lhe disse: Vai, porque este é para Mim um vaso escolhido, para levar o Meu nome diante dos gentios, dos reis e dos filhos de Israel;
pois Eu lhe mostrarei quanto deve padecer pelo Meu nome.
—Atos 9:15-16
Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós;
em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desesperados;
perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos;
trazendo sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo.
Pois nós, que vivemos, somos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal.
De modo que em nós opera a morte, mas em vós, a vida.
—2 Coríntios 4:7-12
Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se desgaste, o nosso homem interior se renova de dia em dia.
Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória, sobremodo excelente.
—2 Coríntios 4:16-17
São ministros de Cristo? Falo como fora de mim: eu ainda mais; em trabalhos, muito mais; em prisões, muito mais; em açoites, sem medida; em perigos de morte, muitas vezes.
Dos judeus, cinco vezes recebi quarenta açoites menos um.
Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio; uma noite e um dia passei nas profundezas do mar;
em viagens, muitas vezes; em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos entre os da minha nação, em perigos entre os gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos;
em trabalho e fadiga, em vigílias, muitas vezes; em fome e sede, em jejuns, muitas vezes; em frio e nudez.
Além das coisas exteriores, há o que diariamente pesa sobre mim: a preocupação com todas as igrejas.
Quem é fraco, que eu também não seja fraco? Quem é levado a tropeçar, que eu não me abrase?
Se tenho de me gloriar, gloriar-me-ei nas coisas que dizem respeito à minha fraqueza.
—2 Coríntios 11:23-30
Agora me regozijo nos meus sofrimentos por vós e preencho, da minha parte, na minha carne, o que falta das aflições de Cristo, por amor do Seu corpo, que é a igreja.
—Colossenses 1:24
Queridos irmãos e irmãs, muitas vezes pensamos no sofrimento como uma desgraça. Ele nos fala de dor, angústia e tristeza. Pensamos que é algo desnecessário na vida. Pensamos que, por natureza, é algo muito negativo. Procuramos evitá-lo e, se pudermos, procuramos escapar dele.
Com muita frequência, ouvimos as pessoas perguntarem: “Por que há tanto sofrimento neste mundo? Por que Deus permite tanto sofrimento neste mundo? Deus é um Deus de compaixão, um Deus de amor? E, se é assim, por que Ele permite tanto sofrimento nesta terra?”
Conseguimos compreender um pouco quando sofremos porque pecamos. Sempre associamos o sofrimento ao pecado. O mundo precisa sofrer porque pecou. Nós precisamos sofrer porque pecamos.
Certa vez, nosso Senhor Jesus estava passando com Seus discípulos, e eles viram um homem cego de nascença. Não sei como vocês se sentem, mas, de alguma maneira, quando vejo um homem cego, sinto que essa é a pior coisa que se pode imaginar.
Os discípulos perguntaram ao Senhor:
De quem é o pecado? Foi este homem que pecou, ou foram seus pais?
Associamos o sofrimento ao pecado e à transgressão. Conseguimos ver uma razão para o sofrimento quando ele decorre do pecado. Sempre que vemos sofrimento, imediatamente procuramos atribuí-lo ao pecado de alguém.
E, no entanto, irmãos e irmãs, nosso Senhor Jesus surpreendeu tanto os discípulos — e, até hoje, Ele nos surpreende. Ele disse:
Não foi este homem nem seus pais; mas isso é para a glória de Deus.
Queridos irmãos e irmãs, nunca relacionamos o sofrimento à glória. Colocamos o sofrimento na mesma categoria do pecado; é ali que pensamos que ele pertence. Mas, de alguma maneira, nosso Senhor Jesus retirou o sofrimento dessa associação e o colocou ao lado de algo que nos parece contrário à natureza do sofrimento: a glória. O Senhor une as duas coisas.
Queridos irmãos e irmãs, quem não ama a glória? E não estou falando apenas da glória eterna, da glória que está à nossa frente, mas até de alguma forma de glória nesta terra. Como a buscamos! Todos nós amamos a glória.
Mas, queridos irmãos e irmãs, em nossa mente nunca associamos a glória ao sofrimento. Queremos glória, mas não queremos sofrer.
Não foi assim nos dias de nosso Senhor Jesus, enquanto Ele estava na terra? Vocês se lembram de que, perto do fim de Sua jornada terrena, o Senhor começou a abrir o coração aos Seus discípulos — àqueles que O haviam seguido durante anos, àqueles que eram muito próximos Dele.
O Senhor os chamou à parte e abriu o Seu coração a eles, dizendo que precisava ir a Jerusalém, que ali seria rejeitado, que sofreria, que seria morto; mas, ao terceiro dia, ressuscitaria.
Vocês sabem o que aconteceu. Quando o Senhor Jesus procurou dizer aos discípulos que iria sofrer, Pedro foi o primeiro a, com boas intenções, segurar o Senhor e repreendê-Lo.
Oh, irmãos e irmãs, vocês ousariam repreender o Senhor? Hoje não ousaríamos, mas Pedro era um homem ousado. Ele ousava fazer qualquer coisa. Ali, segurou o Senhor, olhou para Ele, repreendeu-O e disse: “Senhor, isso não! Poupa-Te. Não procures sofrimento desnecessariamente. Podes chegar ao trono sem passar pela cruz. Podes ter o reino sem sofrer. Não sejas tão insensato”.
E, queridos irmãos e irmãs, vocês conhecem a reação do Senhor. Foi extremamente severa. Conseguem pensar em algo mais severo do que aquilo que o Senhor disse? O Senhor Se voltou, olhou para ele e disse:
Para trás de Mim, Satanás; tu és para Mim uma pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, mas das coisas dos homens.
Queridos irmãos e irmãs, na maneira de pensar de Pedro, ele jamais poderia ver a glória e o sofrimento juntos. Se havia glória, não havia sofrimento. Se havia sofrimento, não havia glória alguma.
Isso não era verdade apenas a respeito de Pedro; era verdade também a respeito dos outros discípulos. Três vezes nosso Senhor Jesus os chamou à parte, abriu o Seu coração a eles e lhes disse que precisava ir a Jerusalém e sofrer, mas que ressuscitaria. Eles nunca conseguiam entender.
Eles eram educados demais para contradizê-Lo, porque tinham visto o que acontecera com Pedro. Agora, queridos irmãos e irmãs, se vocês forem um pouco mais espertos, poderão evitar muitas coisas desagradáveis. Eles observaram o que aconteceu com Pedro, então ninguém quis tentar novamente.
Mas, embora não procurassem contradizer o Senhor, aquilo que Ele havia dito não entrava em sua cabeça. Continuavam discutindo sobre quem seria o maior. Pensavam na glória e procuravam passar à frente uns dos outros.
Aqui vocês veem os filhos do trovão aparentemente tomando a dianteira. Eles foram mais astutos que os outros discípulos. Em vez de se aproximarem do Senhor abertamente, recorreram à mãe. Pediram ao Senhor que lhes prometesse algo — que fizesse qualquer coisa que pedissem —, incondicionalmente, sem dizer o que era.
Eles sabiam que havia algo errado por trás do pedido. Sabiam que os outros discípulos não ficariam contentes; por isso, procuraram primeiro obter uma promessa incondicional. Depois diriam o que queriam.
O Senhor disse:
Que quereis que Eu vos faça?
Eles responderam:
Concede-nos que, na Tua glória, nos assentemos um à Tua direita e o outro à Tua esquerda.
Eles pensavam que, quando nosso Senhor entrasse em Jerusalém, assumiria o governo da nação. Ele seria rei. E eles queriam essa glória — um à direita e o outro à esquerda.
Vocês sabem o que nosso Senhor Jesus respondeu? O Senhor disse:
Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que Eu bebo, ou ser batizados com o batismo com que Eu sou batizado?
Eles disseram: “Podemos”. O Senhor disse:
Bebereis o cálice que Eu bebo; e sereis batizados com o batismo com que Eu sou batizado;
mas assentar-vos à Minha direita ou à Minha esquerda não Me compete concedê-lo; é, porém, para aqueles a quem está preparado.
Queridos irmãos e irmãs, mais uma vez vemos que nosso Senhor Jesus associa o sofrimento à glória.
O que é o cálice? Vocês se lembram de nosso Senhor Jesus à meia-noite, na hora mais escura da noite. As trevas prevaleciam naquele momento. Ele entrou no jardim do Getsêmani. Deixou os demais e levou três consigo. Pediu insistentemente que permanecessem com Ele e vigiassem com Ele.
Ele estava profundamente triste em Seu espírito, até a morte. Foi um pouco adiante e derramou Sua alma diante do Pai. Orou:
Pai, se for possível, afasta de Mim este cálice; contudo, não segundo a Minha vontade, mas segundo a Tua.
Três vezes Ele orou.
Seu suor caía em grandes gotas. Ele estava em agonia. Um anjo precisou vir fortalecê-Lo; caso contrário, Ele teria morrido ali mesmo, no jardim.
Depois de orar três vezes, Ele Se levantou, e Judas chegou com aqueles que tinham vindo prendê-Lo. Pedro desembainhou a espada e cortou a orelha do servo do sumo sacerdote. O Senhor Jesus disse:
Não beberei Eu o cálice que o Pai Me deu?
Então, irmãos e irmãs, o que é o cálice? Sofrimento — a negação de Si mesmo, o santo sofrimento de aceitar a vontade do Pai: não a Minha vontade, mas a Tua.
E qual é o batismo com que Ele seria batizado? A cruz.
Vocês se lembram de que, certa vez, nosso Senhor Jesus disse aos discípulos:
Tenho um batismo com que ser batizado; e como Me angustio até que se cumpra!
Ele Se sentia pressionado, aprisionado, confinado. Oh, como ansiava por essa liberação, por essa liberdade! Mas estava pressionado e confinado.
O Senhor disse: “Anseio pelo dia em que serei batizado e, então, serei liberado”. Queridos irmãos e irmãs, o Senhor associa o sofrimento à glória.
Isso nos leva a algo, irmãos e irmãs. Paulo descobriu as insondáveis riquezas dos sofrimentos de Cristo.
É impossível para mim lhes falar das insondáveis riquezas dos sofrimentos de Cristo. É impossível. Mas, pela graça de Deus, gostaríamos de ter comunhão com Paulo em sua compreensão dos sofrimentos de Cristo.
Para maior clareza, vamos nos concentrar apenas no sofrimento da cruz. É claro que há muito mais, muito mais; mas vamos nos concentrar nisso.
Queridos irmãos e irmãs, sabemos que Cristo sofreu na cruz do Calvário. Lembramo-nos de como, ao meio-dia, o sol se ocultou. As trevas prevaleceram sobre toda a terra. Ali, nosso Senhor Jesus estava pendurado na cruz e clamou:
Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?
O profeta profetizou a esse respeito:
Mas Ele foi ferido por causa das nossas transgressões,
e moído por causa das nossas iniquidades;
o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele;
e pelas Suas pisaduras fomos sarados.
—Isaías 53:5
Porque foi cortado da terra dos viventes;
pela transgressão do Meu povo, a quem o golpe era devido.
Todavia, ao Senhor agradou moê-Lo; Ele O fez sofrer.
—Isaías 53:8, 10
Queridos irmãos e irmãs, quem pode compreender os sofrimentos de Cristo? Quem pode compreender aquele tempo em que Ele esteve na cruz, tornando-Se a oferta pelo pecado do mundo?
Deus fez Aquele que não conheceu pecado ser pecado por nós. Ali, a mão do Senhor pesou sobre Ele. Ele foi esmagado até a morte.
Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?
Na cruz, Ele provou a morte eterna por você e por mim. Sofreu para expiar os nossos pecados. Oh, queridos irmãos e irmãs, jamais poderemos compreender isso. Jamais poderemos sondar a profundidade do Seu sofrimento na cruz do Calvário para fazer expiação por nós.
Pensem nisso. Os nossos pecados — as coisas que cometemos —, foi por eles que Ele sofreu. E sofreu de tal maneira que foi feito maldição por Deus.
Há alguém aqui nesta noite que não saiba que Cristo morreu pelos seus pecados? Há alguém aqui que ainda esteja lutando, que não O conheça? Lembre-se: Ele morreu por você. Oh, como Ele sofreu!
Por que Ele sofreu por você? Para que você não precisasse sofrer a separação eterna do Deus vivo.
Queridos irmãos e irmãs, o sofrimento de Cristo é único. Não há ninguém neste universo que tenha experimentado esse tipo de sofrimento. Ele pisou o lagar sozinho, inteiramente só.
Não é que Ele tenha sofrido pelo seu pecado e, depois, você também sofra, e que, somando os sofrimentos, o seu pecado seja expiado. O sofrimento de Cristo na cruz pelo nosso pecado é único.
Ele estava sozinho ali, suportando trevas absolutas. Estava sozinho diante de Deus, carregando os pecados deste mundo. E graças a Deus: porque Ele sofreu pelo nosso pecado, você não precisa sofrer pelo seu pecado. Você não precisa morrer. Não precisa ficar eternamente separado do Deus vivo.
Oh, queridos irmãos e irmãs, como agradecemos ao Senhor por esse sofrimento expiatório! Esse sofrimento não é algo de que possamos participar. É algo que só podemos receber e aceitar pela graça.
Mas, queridos irmãos e irmãs, há outro aspecto do sofrimento. Ele sofreu na cruz não apenas para expiar os nossos pecados. Ele sofreu e morreu para poder nos dar vida.
Na mesma profecia de Isaías, vocês podem ver:
Quando Tu fizeres da Sua alma uma oferta pelo pecado,
Ele verá a Sua descendência e prolongará os Seus dias;
e a vontade do Senhor prosperará em Sua mão.
Ele verá o fruto do trabalho da Sua alma e ficará satisfeito.
—Isaías 53:10-11
Queridos irmãos e irmãs, quando nosso Senhor Jesus sofreu na cruz, por um lado, sofreu por nós — para expiação. Por outro lado, sofreu a morte de cruz para liberar vida, para nos dar vida: para obter um corpo, uma noiva, para Si mesmo.
Nesta tarde, enquanto conversávamos, surgiu uma pergunta — não exatamente uma pergunta, mas conversar é o mesmo que fazer uma pergunta. Cristo precisaria sofrer se a humanidade nunca tivesse caído?
É claro que se trata de uma suposição. Historicamente, não foi assim que aconteceu. Mas suponhamos que Adão não tivesse caído: Deus precisaria enviar Seu Filho para morrer e sofrer por nós?
Nosso irmão já mencionou que a redenção, na verdade, é um remédio. No plano original de Deus, no pensamento original de Deus, aquilo que Ele tinha em mente antes da fundação do mundo não era que o homem caísse.
Não é como se, caso o homem não caísse, Deus não tivesse nada para fazer, como se Deus ficasse sem saber o que fazer. Não, queridos irmãos e irmãs. Mesmo que o homem nunca tivesse caído, Deus já havia feito provisão. Mas a queda não era o pensamento original de Deus, a intenção divina de Deus.
No propósito divino, Deus criaria um vaso e daria Sua vida a esse vaso. Ao dar Sua vida a esse vaso, ele seria unido ao próprio Deus. A comunicação de vida, a união de vida — esse é o Seu propósito.
Queridos irmãos e irmãs, encontramos algo dessa figura no primeiro Adão, como tipo do último Adão. Encontramos em Gênesis, no capítulo 2, que Deus criou o homem segundo a Sua imagem e conforme a Sua própria semelhança.
Depois de criar Adão, Deus disse que não era bom que o homem estivesse sozinho; ele precisava de uma auxiliadora que lhe correspondesse.
Todos vocês se lembram dessa história. Deus fez Adão dormir e, do seu lado, tirou uma costela e edificou uma mulher. A palavra ali é literalmente “edificou”, como quando se constrói uma casa. Deus edificou uma mulher com aquela costela e, então, a trouxe a Adão.
Adão disse:
Esta é agora osso dos meus ossos,
e carne da minha carne;
ela será chamada mulher,
porque do homem foi tomada.
—Gênesis 2:23
Agora, irmãos e irmãs, isso aconteceu antes de o homem cair.
Os sofrimentos de Cristo nos mostram pelo menos duas verdades. Uma é o aspecto mais negativo — isto é, o aspecto expiatório. Ele precisou sofrer pelos nossos pecados para fazer expiação por nós. Mas esse aspecto é negativo, porque o pecado entrou depois.
Mas, queridos irmãos e irmãs, há também o aspecto positivo do Seu sofrimento. Ele sofreu; Ele morreu; e foi tipificado por Adão, que foi posto para dormir. Por quê? Para que algo fosse tirado do Seu lado e edificado como Sua noiva.
A Bíblia diz:
Cristo amou a igreja e Se entregou por ela.
Se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, fica só; mas, se morrer, produz muito fruto.
—João 12:24
Ao lerem a Palavra de Deus, vocês descobrem que há um aspecto do Seu sofrimento que nada tem a ver com o pecado. A questão do pecado nem sequer entra em consideração. Há um aspecto do Seu sofrimento que está relacionado à comunicação de vida e à própria vida.
Desse sofrimento, queridos irmãos e irmãs, Sua vida é derramada e liberada. Ele deseja um corpo místico que esteja unido a Ele como um só.
Há muitas irmãs aqui que têm filhos. Vocês passaram por esse sofrimento. Passaram pelas dores de parto.
Para não sermos injustos com os irmãos, com os maridos — alguns dizem que o marido passa por dores de parto ainda maiores do que as da esposa. Parece haver alguma razão para dizer isso. De qualquer modo, vocês percebem que, para dar à luz uma criança, é preciso haver sofrimento.
E esse sofrimento é um sofrimento de morte. Quando a mãe passa pelas dores de parto, como deseja que aquilo nunca tivesse acontecido! Para ela, aquilo tem sabor de morte. Ela passa por dor, angústia e luta, como se estivesse morrendo.
Mas das dores de parto nasce um lindo bebê. E, depois de passar por todo aquele sofrimento, ela se alegra com a criança.
Irmãos e irmãs, os sofrimentos de Cristo para dar à luz Sua igreja estão além da nossa compreensão. A ilustração que usamos é apenas uma pequena tentativa de nos ajudar a compreender, mas não pode ser comparada ao sofrimento de Cristo.
Ele sofreu para dar à luz Sua igreja. Não é de admirar que Ele ame Sua igreja, porque ela é o fruto das Suas dores de parto.
Em Filipenses 3:10, nosso irmão mencionou a única paixão de Paulo:
Conhecê-Lo, e o poder da Sua ressurreição, e a comunhão dos Seus sofrimentos, sendo conformado à Sua morte.
Por que isso?
Não sei como explicar. Espero, pela misericórdia de Deus, conseguir expressar ao menos um pouco, mas sei que isso está além de mim.
Irmãos e irmãs, o sofrimento expiatório de Cristo é algo de que simplesmente desfrutamos e em cujos benefícios entramos. Não podemos participar com Ele desse sofrimento. Ele sofreu sozinho por nós. Recebemos os benefícios desse sofrimento, e isso é tudo.
Não pensem que vocês podem sofrer para expiar os pecados do mundo. Recentemente, conheci um jovem e conversamos. Ele me disse que precisava sofrer. Por quê? Porque precisava sofrer para expiar os pecados do mundo.
Então, ele havia decidido reservar alguns anos, ingressar em determinada ordem e ir a algum lugar para sofrer, a fim de expiar os pecados do mundo.
Queridos irmãos e irmãs, essa é a teoria do budismo. Mas certamente isso não está na Palavra de Deus. Somente Cristo pode fazer expiação. Somente Ele sofreu para expiar os pecados do mundo. Louvem-No!
Mas, queridos irmãos e irmãs, Paulo disse:
A comunhão dos Seus sofrimentos.
Participar dos Seus sofrimentos — o que ele quer dizer?
Não pode ser o sofrimento expiatório de Cristo. Mas poderia ser o sofrimento de Cristo no derramamento da Sua vida? Deixem-me explicar.
É claro que ninguém pode dar vida a outros. A única coisa que podemos fazer é ser canais da Sua vida. Há somente uma Vida que é verdadeiramente vida: Cristo. Ele é a vida.
Irmãos e irmãs, Sua vida está em vocês e em mim. Não é a vontade de Deus que, tendo Cristo em nós, não O aprisionemos? Não devemos procurar viver em conforto e comodidade. Não devemos procurar os nossos próprios interesses. Não devemos ousar viver a nossa própria vida.
Mas, para que Cristo seja liberado em nós e por meio de nós, precisamos estar dispostos a sofrer com Ele.
Oh, queridos irmãos e irmãs, ali em 2 Coríntios 4:7 — como nosso irmão já explicou — encontramos que temos este tesouro em vasos de barro. Somos apenas vasos de barro, potes de argila, mas temos este tesouro em nós: Cristo, a vida em nós.
Qual é o propósito de colocar esse tesouro em um vaso de barro? O que Ele deseja fazer? Se vocês tivessem um tesouro, não o colocariam em um vaso de barro. Colocariam em algo mais nobre. Por que, então, o tesouro é colocado em vasos de barro?
É para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós. Em outras palavras, o tesouro está no vaso de barro para que o poder do tesouro seja manifestado.
O tesouro está no vaso. Embora brilhe, embora seja resplandecente, está encoberto. É desconhecido e invisível.
Mas, se o vaso de barro for rachado e quebrado, então a luz do tesouro resplandecerá. Queridos irmãos e irmãs, essa é a comunhão dos Seus sofrimentos.
Queridos irmãos e irmãs, este nosso homem exterior precisa ser consumido, para que o homem interior seja renovado de dia em dia.
O homem interior está no espírito. O homem exterior somos nós mesmos, na alma.
Oh, queridos irmãos e irmãs, como amamos o homem exterior! Aos nossos olhos, estes não são vasos de barro. Aos nossos olhos, são vasos de alabastro. Como gostamos de nos preservar! Oh, gostamos de ver a nossa integridade, a nossa perfeição.
Como procuramos nos fortalecer, tornar-nos mais belos! Como gostamos de ser admirados e apreciados!
Mas, queridos irmãos e irmãs, se não sofrermos com Ele, se não trouxermos em nosso corpo o morrer de Jesus, a vida de Jesus não poderá ser manifestada em uma medida mais plena.
Por que tantos queridos filhos de Deus fazem essa pergunta? Antes de crer no Senhor Jesus, vocês talvez tenham sofrido alguma coisa, entendido a razão e aceitado. Mas, depois de serem salvos, pensam que agora certamente viverão em glória e não haverá mais sofrimento.
Mas, queridos irmãos e irmãs, se vocês não O amarem, poderão evitar o sofrimento com muito mais facilidade. Se amarem o Senhor, quanto mais O amarem, parece que mais sofrerão. Conseguem explicar isso?
Muitas coisas estranhas lhes acontecem — coisas inesperadas. Vocês esperariam que essas coisas acontecessem a pessoas que não creem, pessoas pecaminosas e desequilibradas. Não esperariam que acontecessem àqueles que O amam. Mas, em vez disso, coisas estranhas acontecem justamente a vocês, que O amam.
Quando esses sofrimentos chegam, qual é a sua reação? “Será que pequei? Devo ter pecado.” Oh, seus melhores amigos virão procurar consolá-los e dirão: “Confesse o seu pecado, e tudo ficará bem”.
Queridos irmãos e irmãs, o sofrimento parece tão sem razão e sem sentido. Vocês sabem? Vocês sofrem por amor de Jesus. Sofrem por amor do corpo.
Deus, em Sua sabedoria, pelo Seu Espírito, ordena a sua vida. Vocês talvez pensem que a nossa vida cristã é como navegar em águas tranquilas, mas acabam se vendo cercados por todos os lados.
Talvez pensem que a vida cristã é uma estrada ampla e livre, mas acabam se vendo abalados. Talvez pensem que a vida cristã é uma vida de poder e força, mas descobrem que são derrubados.
Queridos irmãos e irmãs, vocês encontrarão muitas coisas estranhas, inexplicáveis e aparentemente sem razão em sua vida cristã. Como desejamos discutir as razões com o Senhor! Vocês não são os únicos; Jó fez isso há muito tempo.
“Por quê? Por quê, Senhor? Por que esta doença? Por que esta enfermidade? Por que esta perda? Por que estas outras coisas inexplicáveis? Por quê?”
A única razão é que o homem exterior seja consumido, que a casca seja quebrada, que se abram rachaduras e feridas, para que a vida de Cristo seja manifestada — não apenas a vocês, mas como vida para outros.
Queridos irmãos e irmãs, esse é o único caminho.
Paulo se alegrava no sofrimento. Ele não era um estoico. Conhecia a dor. Lemos 2 Coríntios 11:23-30. Ele apresenta todo um relato dos seus sofrimentos e, enquanto relatava, deve ter passado novamente por todas aquelas coisas em seu coração.
Ele era um ser humano. Sabia o que era sofrer. E, no entanto, disse:
Regozijo-me nos sofrimentos.
Por quê?
Para que eu preencha as tribulações, os sofrimentos de Cristo.
O quê? Os sofrimentos de Cristo não estão completos? Não é isso. Mas, em outro sentido, eles precisam ser preenchidos em favor da igreja, que é o Seu corpo.
Oh, queridos irmãos e irmãs, o Senhor amou Sua igreja. A igreja nasceu, e Ele deseja que o corpo alcance sua plenitude. A igreja será uma igreja gloriosa, cheia de vida. Como? Ele está usando vocês e a mim.
E Ele disse a respeito de Paulo:
Eu lhe mostrarei quanto deve padecer pelo Meu nome.
Irmãos e irmãs, Ele nos chamou à comunhão.
Somos tão egoístas que, se a cruz não nos trouxer algum benefício, nós a recusaremos? Você está pronto, pela graça Dele, para se oferecer a Ele e dizer: “Senhor, se é a Tua vontade, se desejas que eu sofra, levarei em meu corpo o morrer de Jesus, para que a vida de Jesus opere em outros, para que o corpo seja pleno e alcance sua plenitude. Senhor, estou disposto”?
Como nosso irmão disse, se vocês não conhecerem o poder da Sua ressurreição, não poderão entrar na comunhão dos Seus sofrimentos. Não poderão.
É a nova vida em vocês que exige que sofram. Caso contrário, ficarão limitados; ficarão confinados. Oh, irmãos e irmãs, precisamos de uma liberação — uma liberação da vida de Cristo em nós. E essa liberação vem por meio do sofrimento.
Não estou falando apenas do sofrimento exterior. É claro que há esse aspecto; mas também há um aspecto interior. Irmãos e irmãs, somos chamados aos sofrimentos de Cristo — à comunhão dos Seus sofrimentos.
Será que essa é a razão pela qual os filhos de Deus sofrem tanto neste mundo? Às vezes nos perguntamos por quê. Às vezes pensamos que é um desperdício. Mas, queridos irmãos e irmãs, será que isso é o preenchimento dos sofrimentos de Cristo por amor do corpo?
Que o Senhor nos dê essa compreensão. Vamos orar.
Nosso Pai celestial, nós nos maravilhamos com a profundidade dos sofrimentos de Cristo. Oh, como desfrutamos do sofrimento expiatório de nosso Senhor!
Como Te louvamos e Te agradecemos porque os nossos pecados foram perdoados, pois Ele sofreu por nós. Senhor, nós Te louvamos e Te agradecemos porque sofreste para dar vida à Tua igreja, para fazer da Tua igreja algo que pertence a Ti.
Ó Senhor, podemos amar a Tua igreja juntamente contigo e deixar de amar a nós mesmos? Oramos para que o amor de Cristo encha de tal maneira o nosso coração que conheçamos a comunhão dos Seus sofrimentos por amor do corpo.
Ó Senhor, concede-nos isso, em Tua misericórdia. Pedimos no precioso nome de nosso Senhor Jesus e para a Sua glória. Amém.