Senhor, lembramos aos nossos corações, diante de Ti, que a iniciativa, em tudo, sempre foi Tua. Nada podemos iniciar.
E pedimos que mantenhas tudo em Tuas mãos e assumas pleno controle, para que tudo proceda de Ti mesmo. E Teu Filho disse que nem mesmo o Filho pode fazer coisa alguma de Si mesmo, senão aquilo que vê o Pai fazer.
Nesta manhã, sabemos — ah, como sabemos! — que, nesta obra, nada podemos fazer de nós mesmos. Que tudo proceda do Senhor. E, naturalmente, a glória será Tua; não pode ser de outra maneira. E cuidaremos para que ela realmente seja dada a Ti.
Em nome do Senhor Jesus. Amém.
Eu sabia que isso aconteceria. É inevitável. Quando o Senhor está em alguma coisa, sempre sobram doze cestos cheios, e cinco mil pessoas já receberam tudo o que podiam receber.
Há o embaraço da abundância. Aqueles discípulos estavam embaraçados de antemão e se reuniram para discutir como aquilo seria feito — alimentar tanta gente. Não está registrado, mas creio que, depois de tudo, devem ter feito outra reunião: “O que vamos fazer com isto?”
Doze cestos cheios, não é? E creio que esse é o nosso embaraço hoje. É o meu nesta manhã. Não sei como vamos dar conta de tudo, mas o Senhor nos ajudará.
Bem, prossigamos, então, com essa plenitude avassaladora e inesgotável das riquezas insondáveis de Cristo. Estamos tomando Efésios 3:10 como fundamento, e não precisamos repeti-lo novamente.
Se voltarmos de Efésios 3 para Efésios 1:17, quero que vocês sublinhem a palavra comum a tudo o que vamos ler: sabedoria.
O Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê espírito de sabedoria e de revelação no conhecimento Dele.
Não vou me deter nessa palavra, mas ela é muito importante. É uma pena que os tradutores não tenham traduzido corretamente aqui, mas deixaremos isso por enquanto: um espírito de sabedoria.
Abram em Colossenses 1:28:
A Quem anunciamos, admoestando a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria.
Depois, Colossenses 2:3:
Em Quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento.
Agora, voltemos a Romanos 11:33:
Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus!
E isso nos leva de volta ao Antigo Testamento, em 1 Reis 4:29:
E Deus deu a Salomão sabedoria e muitíssimo entendimento, e largueza de coração, como a areia que está na praia do mar.
Depois, 1 Reis 5:12:
E o Senhor deu a Salomão sabedoria, como lhe havia prometido; e houve paz.
E houve paz. Portanto, as riquezas da sabedoria — a Bíblia tem muito a dizer sobre a sabedoria, e o Novo Testamento dá um lugar muito amplo e importante à sabedoria espiritual.
Não vou percorrer todas essas passagens. Vou fazer essa afirmação e deixá-la com vocês. Salomão tem sido nosso intérprete nessas diversas questões ao longo da segunda sessão desta semana, e ele nos ajudará a prosseguir nesta manhã.
No caso de Salomão, seu próprio nome é sinônimo de sabedoria. Acima de tudo o mais que Deus deu a Salomão estava a sabedoria, e foi desse dom de sabedoria que veio todo o restante, como vimos.
O Senhor disse:
Porque pediste sabedoria, Eu te dou todas as outras coisas.
Riquezas, e assim por diante. Mas a fonte de tudo é a sabedoria.
Sabemos um pouco sobre a sabedoria de Salomão. Diz-se que ele proferiu três mil provérbios. Compôs mil e cinco cânticos. Falou das árvores, desde o cedro que está no Líbano até o hissopo que brota da parede. Falou também dos animais, das aves, dos répteis e dos peixes — um domínio no campo da história natural.
E poderíamos dizer muito mais sobre sua sabedoria. A rainha de Sabá veio de uma terra distante, e me impressiona a maneira como isso é expresso: ela veio para ver a sabedoria de Salomão, não apenas para ouvi-la. Vocês verão a importância disso daqui a pouco.
Mas, depois de termos dito tudo sobre a sabedoria de Salomão — seus muitos aspectos, sua versatilidade, sua abrangência e sua profundidade —, o clímax, o ponto culminante da sabedoria de Salomão, está na edificação da casa do Senhor.
Toda a sabedoria que Deus lhe deu convergiu para a casa do Senhor e nela se concentrou: a edificação da casa de Deus, o cumprimento da vida e da visão de seu pai, Davi, de encontrar um lugar para o Senhor.
A casa foi a obra-prima de Salomão. Quando vocês olham para essa história e depois para o Novo Testamento, descobrem que a sabedoria encontra sua principal expressão na edificação.
O apóstolo retoma isso e diz:
Como sábio mestre de obras, lancei o fundamento.
Já houve, entre os homens, um mestre de obras mais sábio que o apóstolo? Ele edificou tão bem que, durante vinte séculos, os homens têm, por um lado, tentado derrubar sua construção, e ela permanece intacta até hoje, triunfante sobre todos os esforços deles.
Por outro lado, essa edificação realizada por meio do apóstolo é aquilo em que encontramos tanto da plenitude divina, da beleza divina, da glória divina e da preciosidade divina. Paulo edificou. Ora, ela tem desafiado todas as nossas tentativas de sondá-la, de esgotá-la, de explicá-la. Aqui estamos novamente, depois de todos esses séculos, ainda desfrutando de seu frescor. Ele edificou bem: um sábio mestre de obras.
Bem, assim como no caso de Salomão, essa sabedoria para edificar era um dom de Deus — um verdadeiro dom de Deus. O apóstolo, que tinha tanta compreensão disso, ora, como lemos:
O Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê espírito de sabedoria.
Um espírito de sabedoria no — e agora posso chegar à palavra — pleno conhecimento Dele. Digo que é uma pena que os tradutores tenham cometido esse erro. Bem, não os culpamos; eles tinham uma tarefa muito difícil nas mãos.
Mas aqui está: vocês notarão que a palavra simples, conhecimento, é usada no Novo Testamento em relação ao início das coisas.
E a vida eterna é esta: que Te conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a Quem enviaste.
Esse é o início da vida cristã: esse conhecimento. Mas, quando chegamos ao estágio mais avançado da vida cristã, como encontramos em Efésios, no original há aquele pequeno prefixo na palavra epígnosis: pleno conhecimento.
Portanto, o apóstolo não está orando para que esses crentes cheguem ao primeiro conhecimento, ao conhecimento elementar. Ele está orando para que cheguem ao pleno conhecimento. E chegar ao pleno conhecimento exige esse dom de um espírito de sabedoria e de revelação.
Mas permitam-me destacar outra coisa comum a Salomão e a essa oração de Paulo: essa sabedoria é uma sabedoria do coração, para edificar. Edificar exige sabedoria, e essa é uma sabedoria do coração.
Vocês notam o que se diz sobre Deus dar a Salomão um coração sábio e entendido:
Eu te dei um coração de sabedoria.
Ah, sabedoria. Dissemos outro dia que o coração tem razões muito melhores que a cabeça.
O amor — o amor — é um poço profundo de sabedoria. O apóstolo ora:
Que Ele vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento Dele;
sendo iluminados os olhos do vosso coração.
Há uma ilustração disso na vida de Salomão. Vocês se lembram do episódio das duas prostitutas e de seus dois bebês. Elas moravam na mesma casa, dormiam juntas e tinham seus dois bebês. Uma delas se deitou sobre seu filho e o sufocou, e ele morreu durante a noite.
Então veio a disputa sobre a quem pertencia o bebê vivo. Uma situação terrível: vida saindo da morte; vida e morte em conflito. E toda a questão foi levada a Salomão.
Em sua sabedoria, ele não olhou apenas para aquelas duas mulheres; enxergou o que havia dentro delas. Ali estava uma mulher gritando e berrando: “Esse bebê vivo é meu! Ele me pertence!” Ah, ela estava transtornada, mas estava revelando quem realmente era.
A outra pobre mulher estava em lágrimas, torcendo as mãos — uma cena de dar pena. Salomão disse: “Tragam-me uma espada. Peguem esse bebê vivo e dividam-no ao meio; deem metade a cada uma.”
Uma das mulheres ficou para trás. Estava fria e indiferente. A outra disse: “Ah, não, não, não! Não tirem a vida dessa criança. Deem a ela, em vez de matá-la. Ah, simplesmente deem o bebê a ela.”
A resposta a isso é o coração. O coração. A sabedoria é uma questão do coração. Vejam, a outra atitude é morte — desfazer, estragar. Mas edificar! Qualquer pessoa pode destruir. Qualquer tolo pode destruir. Mas só haverá edificação onde houver coração.
Aqui está, então, uma grande ilustração desse tipo de sabedoria:
Sendo iluminados os olhos do vosso coração.
Mas o que é sabedoria? O que é sabedoria? A sabedoria é mais que conhecimento. A sabedoria é saber como fazer — saber como fazer.
Anos atrás, conheci um homem que queria realizar uma grande obra — construção e reforma em sua casa. Ele entrou em contato com um construtor e lhe mostrou o que queria que fosse feito. O construtor enviou seus homens e começou o trabalho.
Quando terminou, enviou a conta. Era apenas uma conta com o valor total, uma conta global: pela execução de tal serviço, tanto — e uma quantia muito elevada.
O dono da casa olhou para a conta e disse: “Como você chegou a tudo isso? É uma quantia alta. Pode me dar os detalhes? Como chegou a esse valor?”
Então o construtor disse: “Materiais, tanto. Horas de trabalho dos homens, tanto. Mais um ou dois itens, tanto”. E o homem disse: “Mas isso é apenas metade da conta. O que é a outra metade?”
“O restante é por saber como fazer.”
Sim, mais da metade da conta é por saber como fazer. Isso é sabedoria. Sabedoria é saber como fazer.
E sugiro a vocês, queridos amigos, que o verdadeiro problema na edificação da casa de Deus não é conseguir pessoas como material, nem trabalhar nelas; o verdadeiro problema está em como edificar. Sabedoria para edificar. A sabedoria é mais que conhecimento; é saber como fazer.
E o valor da sabedoria divina está em sua capacidade de edificar: edificar de modo a resistir à prova dos séculos, da vida, do tempo; permanecer intacta, não apenas no fim dos tempos, mas por toda a eternidade. Edificar assim é a essência da sabedoria espiritual.
Agora, o sistema deste mundo, como vocês provavelmente sabem — o sistema desta presente ordem mundial, incluindo o próprio homem —, repousa sobre uma mentira. Repousa sobre uma mentira.
O fundamento de tudo na presente ordem mundial é uma mentira. O próprio homem — bem, naturalmente, ele tem pontos cegos a respeito de si mesmo —, o próprio homem é uma mentira. Vocês e eu, por natureza, somos uma mentira. Somos falsos. Não correspondemos ao padrão original. Há uma mentira em nós.
De uma maneira ou de outra, essa mentira — e vocês sabem como e quando uma mentira foi aceita:
É assim que Deus disse?
A introdução da mentira na vida da alma da criação, da raça humana — Jesus disse:
Ele é mentiroso desde o princípio.
Essa inoculação, essa injeção da mentira, está bem na raiz e no âmago desta presente ordem mundial.
E essa mentira acabará por alcançar o homem e a criação, porque ela está se desenvolvendo, se desenvolvendo e se desenvolvendo até atingir sua plena maturidade. Então será descoberta. Será mostrado ao universo o quanto tudo isso é falso.
John Ruskin, o grande crítico, foi à Itália para observar algumas das grandes construções e a arquitetura daquele lugar. Ele voltou e escreveu seu famoso livro, As Sete Lâmpadas da Arquitetura.
Um dos capítulos é “A Lâmpada da Verdade”. Ele conta como passou de edifício em edifício e encontrou um que, em certa época, havia sido muito belo em sua aparência, mas agora os belos afrescos estavam arruinados pela entrada da chuva.
As magníficas colunas, supostamente de mármore, haviam perdido, com a chuva, seu revestimento de mármore; o telhado estava inclinado para a rua, e o edifício estava abandonado.
E ele disse: “Quando investiguei, descobri que havia uma mentira no fundamento”. O construtor havia construído de maneira falsa, sem sinceridade. Havia colocado uma mentira no fundamento.
No fim, essa falsidade foi exposta no quase completo desmoronamento de tudo — no abandono do edifício, um monumento a um construtor desonesto, um mentiroso.
E é assim com esta criação. Não se enganem a respeito disso. Vocês e eu, por natureza, temos, na própria raiz do nosso ser — ah, há ali uma mentira. Nós a herdamos desde o princípio. Ela está em nossa natureza.
E, em todo este presente sistema mundial, há uma mentira: um engano, uma falsidade, uma indução ao erro, uma duplicidade, um ardil.
E como isso está se desenvolvendo? Bem, nós, em nossos dias, queridos amigos, estamos vivendo um tempo extraordinário. O que aconteceu durante a nossa vida — durante a vida de alguns de vocês, mais jovens, e durante a vida de alguns de nós, mais velhos —, no rápido desenvolvimento deste mundo?
Estamos vendo todo esse desenvolvimento, não estamos? O homem está chegando à plena maturidade, e chama isso de sua sabedoria — sua sabedoria. “Isto é sábio. Ah, tão sábio!” Enviar homens à Lua, colocar homens em órbita, sair e caminhar no espaço, e criar todas essas coisas atômicas.
Ele não está satisfeito? Não está parabenizando a si mesmo? Não está se vangloriando de sua sabedoria? Não está competindo, fazendo o máximo possível para superar o outro e ser ainda mais inteligente?
E há nisso uma mentira tão grande que, no fim, essa sabedoria destruirá esta criação. Agora, não se enganem a respeito disso. Apesar de tudo o que possam fazer para contrariar ou impedir isso, não terão sucesso.
Se Pedro escreveu sob a inspiração do Espírito Santo — e aqui a questão é se vocês creem na inspiração das Escrituras —, se Pedro, um pescador sem instrução e sem estudos, escreveu aquilo que jamais poderia ter escrito naturalmente sobre a era atômica, então isso acontecerá.
Os elementos se dissolverão com intenso calor.
Todas essas coisas serão dissolvidas. Isso acontecerá. Não quero que vocês saiam correndo para seus abrigos, mas isso acontecerá. É profecia. Todas essas coisas têm de ser dissolvidas. Se a Igreja já terá partido antes ou não, essa é outra questão, mas isso acontecerá.
Porque há uma mentira na sabedoria do homem. E Tiago diz que a sabedoria que vem de baixo é diabólica. A sabedoria que vem do alto é pacífica, pura.
Essa falsidade, essa falsa sabedoria, é destrutiva.
E Deus está fazendo agora o que fez no caso de Israel. Pergunto-me se vocês já observaram por que os filhos de Jacó tiveram de permanecer no Egito por quatrocentos e oitenta anos.
O Senhor disse a Abraão, quando fez a aliança, que eles estariam no Egito, em escravidão, por quatrocentos e tantos anos. Por quê? Bem, a resposta pode ter mais de um aspecto, mas o Senhor revelou um aspecto específico:
A iniquidade dos amorreus ainda não está completa.
Enquanto esse povo estava na terra do Egito, sendo formado como um povo poderoso, uma grande nação em número, estava sendo preparado para ocupar a terra dos amorreus. “Amorreus” é uma expressão que abrange os habitantes daquela terra.
Mas Deus não iria tratar com os amorreus até que o pecado deles tivesse atingido seu limite e não pudesse mais ser tolerado.
A iniquidade dos amorreus ainda não está completa.
Ah, se isso ainda se aplica, é um veredito muito, muito triste sobre o que está acontecendo hoje. Ouvimos Billy Graham em Londres, noite após noite, expondo o terrível estado das coisas nos Estados Unidos e, naturalmente, na Grã-Bretanha.
Conhecemos, dentro do período de que ainda temos memória, a terrível avalanche do declínio moral. Ah, é terrível como isso avança rapidamente entre os jovens e os demais. É uma situação chocante, e tudo tem sido feito impunemente — prosseguindo impunemente.
O cálice da iniquidade está se enchendo rapidamente. Esse é um lado do quadro, naturalmente. Há outro lado, graças a Deus. Mas esse é um lado do quadro, e é um sinal terrivelmente vívido.
Sim, o cálice da iniquidade está se enchendo. Sabem, quando Israel finalmente foi para a Babilônia, foi por essa razão, no caso deles.
Fiquei chocado — e vocês também ficariam — quando estava relendo a história de Israel. Bem, esta acusação foi feita contra Israel, e aquela, e mais aquela — não, desculpem-me, não Esdras: Josias, o grande avivamento sob Josias.
Isto e aquilo são imputados a Israel, e então surgiu um pensamento: em Jerusalém, ele destruiu as casas dos sodomitas. As casas dos sodomitas em Jerusalém.
Ora, descemos muito baixo, não é? Não é de admirar que o juízo de Deus tivesse de vir sobre Jerusalém, levando-a ao cativeiro. E assim seguimos. É isso: o cálice da iniquidade.
Essa é a mentira no fundamento da falsa sabedoria, entendem?
Por que estou dizendo tudo isso? Porque essa edificação — a edificação que o Espírito Santo está realizando —, feita com a sabedoria dada por Ele para construir esta casa para a eternidade, que jamais será queimada, consumida, derrubada ou destruída, é a expressão daquilo que é absoluta e inteiramente contrário à mentira.
É a expressão da verdade — da verdade —, sem mentiras, sem falsidade.
Nosso irmão destacou uma palavra a respeito dessa edificação, no simbolismo da Igreja no livro de Apocalipse: transparência. Transparência.
Nada opaco, nada dúbio, nada irreal, nada inverídico, nada falso. Nenhuma duplicidade, nenhuma insinceridade.
Vocês sabem o que significa a palavra sincero? Significa simplesmente que se pode ver através — inteiramente aberto, aberto à luz. Nada de que se envergonhar, nada questionável, nenhuma ficção.
Essa casa deve permanecer como a anulação da mentira, a contradição de tudo o que pratica a mentira. Fora da cidade está tudo o que pratica a mentira.
Ah, isso não é desafiador? Desafiador para nós? Isso, naturalmente, dá uma ênfase tremenda a essa questão da alma e do espírito, queridos amigos.
É a verdade no íntimo. É no espírito, onde está o Espírito da verdade. Mas nossas almas nos enganarão de todas as maneiras. Não se enganem a respeito disso: se vocês viverem no nível da alma, se esse for o âmbito da sua vida, serão enganados.
Se for o lado emocional da alma, e vocês viverem com base em seus sentimentos e dentro de seus sentimentos, a própria sensibilidade do coração poderá levá-los a erros terríveis. Seus próprios sentimentos poderão envolvê-los em algo que é uma contradição.
Ah, se ao menos investigássemos essa verdade de modo proveitoso. Se sou governado apenas pelos meus sentimentos — por como me sinto —, quantos erros vou cometer! Com todas as boas intenções, com os melhores motivos, como Davi trazendo a arca de volta.
Sim, movido por suas emoções, providenciando aquele carro novo e atrasando o testemunho por anos — por muitos meses —, tudo paralisado por seus bons motivos. Insensatez.
Se ele estivesse agindo no espírito, o Espírito teria dito: “Veja, consulte sua Bíblia, e Eu lhe mostrarei que não são carros novos que Eu uso; são pessoas vivas e santificadas que devem carregar o testemunho”.
Bem, há muitas perspectivas complementares sobre essa questão. O mesmo vale se vocês viverem naquele outro lado da alma: o intelectual — o intelectual.
Bem, naturalmente, isso é evidente aqui. Qualquer pessoa que vive sempre na cabeça, no intelecto, está sempre em dificuldade — sempre em dificuldade.
Tenham cuidado para não estar nessa posição e para não voltar, mesmo depois destas mensagens, com uma porção de perguntas meramente mentais — muitas perguntas.
Vão ao Senhor e digam: “Senhor, não entendo isso. Não entendo isso da maneira como foi dito. Mas, Senhor, se é a verdade, dá-me luz. Dá-me luz”.
Vocês precisam fazer isso. Nós, que ministramos, precisamos fazer isso continuamente. Aqui está algo na Palavra: ora, o que isso significa? Há algo ali na Palavra; você sabe que há algo ali. Qual é o significado que o Senhor quer comunicar nisso?
Bem, então vamos à estante para ver o que este homem diz, e o que aquele homem diz, e pegamos ainda outro autor. E, depois de fazer tudo isso — que confusão! Nenhum deles concorda com o outro.
Este livro de Apocalipse — as livrarias estão cheias de interpretações variadas e discordantes do livro de Apocalipse. Então vocês reúnem tudo e não sabem o que fazer com aquilo. Vocês estão aqui em cima, entendem; é tudo na cabeça.
Não, precisamos ir — sem rejeitar a ajuda —, mas ir ao Senhor: “Senhor, o que queres dizer com isso? Agora, Senhor, quanto à realidade do espírito de sabedoria e de revelação — o que queres dizer?”
E esperar, e esperar. Talvez seja necessário esperar dias, talvez semanas, meses, por aquela questão. Veremos. De alguma maneira, a luz vem. Ah, fico pensando, fico pensando.
Sabem, certa vez tive uma experiência maravilhosa assim, a respeito de Gideão e de seus velos. Havia uma verdadeira perplexidade quanto a isto: seria certo experimentar com o Senhor usando velos?
O Senhor permitiu isso a Gideão, porque ele estava numa época de ilustrações de jardim de infância, e assim Gideão foi aceito. Ele disse: “Agora, Senhor, vou deixar este velo lá fora durante a noite, e, se pela manhã este velo seco estiver encharcado de água — sem chuva nem orvalho durante a noite —, que o velo seco fique molhado”.
E ficou. “Mas, Senhor, mas, Senhor, deixa-me inverter a situação. Vou colocar este velo lá fora e, se pela manhã ele estiver seco, muito bem, então creio que devo ir fazer esse trabalho.” Ah, o Senhor o fez.
Agora, em minha perplexidade sobre se é certo experimentar com o Senhor colocando velos — vocês talvez tenham feito isso em seu jardim de infância, em sua imaturidade; talvez até façam isso hoje —, penso que fazer esse tipo de coisa é um sinal de infância espiritual.
No entanto, não vamos deixá-los aí para se meterem em dificuldades. Mas eu estava perplexo com isso, orando e pensando muito a respeito, perguntando-me se ousaria dizer às pessoas que poderiam colocar velos e pôr o Senhor à prova dessa maneira.
O Senhor me levou àquela passagem:
A morte opera em nós, mas a vida em vós.
Ah, este é o velo seco. Gideão vai conduzir Israel à vida, exercer um ministério de vida e salvação para Israel — ele, o homem que se sente tão insuficiente, tão seco.
Agora, há alguns pregadores aqui. Vocês não tiveram essa experiência? Às vezes, quando se sentiram mais secos — mais secos —, fracos, limitados, ah, tão inúteis, e exerceram seu ministério, muitas vezes foi justamente nessas ocasiões que mais pessoas vieram e disseram: “Ah, uma parte disso foi para mim”. Não é verdade?
Ah, mas, invertendo a situação: às vezes tivemos um tempo maravilhoso. Ah, o lugar inteiro parece vibrar com aquilo. Estamos tendo um tempo glorioso, e ninguém vem dizer coisa alguma a respeito.
Sim, a morte opera em nós, mas a vida em vocês. E, às vezes, a vida está em nós — e agora, naturalmente, estou contradizendo o que acabei de dizer. A vida está em nós quando a morte está por toda parte.
Não sei como são suas cerimônias fúnebres. Nas cerimônias fúnebres na Inglaterra, há um trecho: “Em meio à vida, estamos na morte”. Não — mil vezes não!
Se o Espírito da vida está em nós, embora a morte esteja por toda parte — os midianitas e os filhos do Oriente como a areia da praia do mar, a morte por toda parte, e Gideão na vida —, invertemos a cerimônia fúnebre: em meio à morte, estamos na vida.
Todos nós tivemos essas experiências. E estou usando isso, não por si mesmo, mas como minha ilustração, entendem?
Um súbito raio de luz divina, celestial, sobre algo que não entendíamos — o espírito de revelação iluminando algo a respeito do qual estávamos cheios de perplexidade, seja na Palavra, seja em nossa experiência —, e então poder dizer: “Estou vendo. Agora estou vendo”.
E sabem, quando vocês recebem esse tipo de visão, não há como desfazê-la. Ela permanece.
Tivemos um jovem conosco certa vez, há muitos anos. Ele é missionário na Etiópia há muitos anos — uma vida preciosa, bela. Mas esteve conosco em nossas reuniões em Londres por bastante tempo.
Durante cerca de três anos, eu vinha insistindo repetidamente em:
Cristo em vós, a esperança da glória.
O significado de Cristo habitando em nós. Ele deve ter ouvido isso, sentado ali, durante anos.
E, um dia, veio a mim com o rosto sorridente, um rosto realmente radiante, e disse: “Sr. Sparks, o Senhor me mostrou uma coisa. Ele me mostrou que Cristo está em mim”.
Ele estava me contando aquilo como se eu não soubesse nada a respeito. Entendem, era como se eu simplesmente não soubesse daquilo. Aquilo era algo na Bíblia inteiramente desconhecido para mim, porque havia chegado a ele dessa maneira. Ora, ninguém mais sabia nada a respeito! Tão maravilhoso!
Ele foi liberto. Algo que vinha escutando durante anos, ouvindo as palavras, sentado, como dizemos, sob o ministério — ah, sim, agora era algo diferente — tornou-se uma luz resplandecente. Um homem liberto, que saiu para servir ao Senhor durante anos, fielmente, na Etiópia.
Temos tido isso muitas vezes: “Estou vendo, estou vendo, estou vendo”.
Espírito de sabedoria e de revelação — isso é edificação. Isso é realmente edificação. É assim que a construção cresce.
O que vou fazer? Meu tempo acabou. Bem, nesta manhã — mas retomarei isso nesta tarde, como está previsto, de modo que poderei continuar a partir daqui.
A marca distintiva do espírito de sabedoria em vocês e em mim é a nossa transparência: a verdade, a verdade. Ah, que pena não podermos ter mais uma hora exatamente neste ponto — a verdade.
Jesus disse à mulher de Samaria:
Mulher, crê-Me: a hora vem, quando nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai.
Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade.
Então tudo isso em Jerusalém é falso? Tudo isso em Samaria é falso? Sim, não é a realidade. Não é o verdadeiro.
Tem uma forma exterior, uma configuração exterior, causa uma impressão exterior, e as pessoas pensam que é algo maravilhoso, mas não é o verdadeiro. É em espírito e em verdade.
Mas a verdade se encontra em Jesus. Olhando para o templo, aquele magnífico templo de Herodes e de seus sucessores, junto de Seus discípulos e dos outros — os críticos, os inimigos —, Jesus estava ali.
Ele não apontou para o templo, mas estava à sua sombra, e disse:
Destruí este templo, e em três dias Eu o levantarei.
Eles disseram:
Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e Tu o levantarás em três dias?
Mas João insere seu pequeno comentário entre parênteses:
Mas Ele falava do templo do Seu corpo.
E, depois que Ele ressuscitou, eles se lembraram de Suas palavras. Esse é o verdadeiro templo que foi edificado. Não é uma coisa, por mais que ela seja a expressão da engenhosidade, da inteligência e da capacidade artística do homem; por mais impressionantes que sejam suas formas, seus procedimentos, seus rituais, suas vestes e tudo o mais.
Qual é a edificação que Deus está realizando? É simplesmente Jesus Cristo: nós sendo edificados Nele, e Ele sendo edificado em nós.
Cristo é o templo. Cristo é o templo. Cristo é a casa de Deus.
E somente aquilo que é edificado Nele — as pedras vivas edificadas Nele — é o templo.
Onde dois ou três estão reunidos em Meu nome, aí estou Eu no meio deles.
Aí está a formulação de vocês. Mas é preciso compreender o significado: “Onde quer que dois ou três estejam reunidos para dentro do Meu nome” — esse é o verdadeiro significado: para dentro, para dentro de todo o tremendo significado desse nome.
É o nome que expressa tudo o que Ele mesmo é: Sua encarnação, Sua humanidade, Sua vida, Sua morte, Sua ressurreição, Sua exaltação. Tudo o que é verdadeiro a respeito Dele está contido nesse nome. Reunidos nessa realidade, ali estou Eu. Ali estou Eu.
Numa cabana, num sótão ou num porão, onde quer que seja — essa é a casa que Deus está edificando. Como são diferentes as nossas ideias sobre a casa!
Bem, preciso parar aqui e retomar deste ponto, porque chegamos a algumas coisas muito práticas. Esse tipo de edificação realmente exige sabedoria divina em nós. Ah, sabedoria, como precisamos dela!
Quando vamos à Índia, assim que chegamos à entrada de qualquer casa, precisamos tirar as sandálias e deixá-las do lado de fora.
Saber como deixar a nós mesmos do lado de fora é um caminho de sabedoria. Deixar uma porção de coisas do lado de fora, do outro lado da soleira — falo em sentido figurado —, e haver somente Cristo, somente Cristo: essa é a casa de Deus.
Essa é a sabedoria que vem de Deus. Isso está incompleto, eu sei; é uma coluna interrompida. Mas, por enquanto, permaneçamos firmes, e o Senhor nos sustentará.
Novamente, Senhor, precisamos dizer: cabe a Ti, e é para Ti, pelo Teu Espírito, mostrar-nos a verdade, iluminar nossos corações e guiar-nos em toda a verdade.
Nossa parte é estar abertos, receber, comprometidos pela Tua graça. Assim será para a Tua glória, em nome do Senhor Jesus. Amém.