Ó Pai, estamos alegres porque nos reunimos em nome do Teu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo. Estamos alegres porque sabemos que Ele está aqui em nosso meio.
Desejamos não ver ninguém além de Jesus. Por favor, abre o nosso coração para Ele e permite que Ele nos encha até que sejamos inteiramente tomados por Ele. Desejamos ser tão cheios Dele que a nossa vida na terra seja um testemunho para o louvor da Tua glória.
Senhor, como Te louvamos e agradecemos porque tens falado conosco! Nosso coração se volta a Ti em adoração e amor. Olhamos para Ti nesta noite para que, se for do Teu agrado, continues a falar conosco.
Senhor, esperamos em Ti para que o Teu Espírito opere entre nós e em cada um de nós. Oramos para que fales acima do instrumento humano e diretamente a nós. Pedimos que, à medida que a Tua Palavra for anunciada, o Teu Espírito opere. Entregamos este tempo em Tuas mãos e buscamos a Tua glória, em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Queridos irmãos e irmãs, agradecemos ao Senhor pelo que Ele nos falou nesta manhã. Nosso irmão nos conduziu de volta ao princípio de todas as coisas, e ali vemos que o pensamento de Deus, o propósito de Deus, está centrado em Seu próprio Filho.
Então, nosso irmão continuou a nos dizer que, nesse Filho, habita corporalmente toda a plenitude da Divindade. Como Ele é rico! Agradecemos ao Senhor porque o evangelho que nos foi apresentado não é limitado. É o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo.
Creio que, com o passar do tempo, o Senhor usará nossos dois irmãos para nos revelar cada vez mais plenamente o Seu propósito e as insondáveis riquezas de Cristo.
Antes de terminar a noite, se Deus quiser, sinto que talvez seja da parte do Senhor que passemos ao aspecto prático disso. Ou seja: esse propósito eterno de Deus a respeito de Seu Filho, essas riquezas de Cristo — como chegam até nós para afetar, mudar e transformar a nossa vida?
Em outras palavras, como as insondáveis riquezas de Cristo se tornam a nossa vida, e como essa vida se expressará aqui na terra?
Irmãos e irmãs, vocês precisam ter paciência comigo, porque parece que estamos descendo do céu para a terra. Agradecemos ao Senhor porque está chegando o dia em que todos seremos arrebatados e estaremos lá. Mas, por enquanto, ainda estamos na carne; ainda estamos na terra.
Creio que é da vontade de Deus que as insondáveis riquezas de Cristo sejam a nossa vida hoje e que Ele seja expressado em nosso viver como um testemunho para Deus.
Não ouso lhes apresentar a visão panorâmica, o grande esboço do propósito de Deus. Creio que Deus confiou isso aos nossos irmãos. Pela graça de Deus, estou apenas pensando em preencher alguns detalhes. Por isso, espero que vocês tenham paciência comigo enquanto prosseguimos.
Por favor, abram em algumas passagens da Palavra de Deus.
Mas Deus, sendo rico em misericórdia, pelo Seu grande amor com que nos amou,
mesmo quando estávamos mortos em nossas transgressões, nos vivificou juntamente com Cristo
(pela graça sois salvos).
Dou graças Àquele que me fortaleceu, a Cristo Jesus, nosso Senhor, porque me considerou fiel, designando-me para o Seu serviço;
embora antes eu fosse blasfemo, perseguidor e insolente: contudo, alcancei misericórdia, porque o fiz por ignorância, na incredulidade.
E a graça de nosso Senhor transbordou com a fé e o amor que há em Cristo Jesus.
Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores; dos quais eu sou o principal.
Mas, por esta razão, alcancei misericórdia: para que em mim, o principal, Cristo Jesus manifestasse toda a Sua longanimidade, como exemplo para os que haveriam de crer Nele para a vida eterna.
Ora, ao Rei eterno, incorruptível, invisível, o único Deus, sejam honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém.
Pois Ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem Eu tiver misericórdia,
e Me compadecerei de quem Eu Me compadecer.
Assim, pois, não depende de quem quer, nem de quem corre,
mas de Deus, que tem misericórdia.
E se Deus, querendo mostrar a Sua ira e dar a conhecer o Seu poder,
suportou com muita longanimidade os vasos de ira preparados para a destruição;
a fim de dar a conhecer as riquezas da Sua glória nos vasos de misericórdia,
que de antemão preparou para a glória,
os quais somos nós, a quem também chamou, não somente dentre os judeus, mas também dentre os gentios?
O apóstolo Paulo foi chamado para pregar o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo. Naturalmente, gostaríamos de observar a sua vida para ver se as insondáveis riquezas de Cristo eram algo real nele ou não.
Ele não foi chamado simplesmente para pregar um evangelho que nos fala das insondáveis riquezas de Cristo enquanto a sua própria vida permanecia na pobreza espiritual. Se esse fosse o caso, não seria uma demonstração muito boa. Faltaria poder.
As pessoas diriam: “Bem, isso é verdade? É real? Funciona? É apenas uma teoria ou é uma realidade? Queremos ver isso funcionar na sua vida antes de estarmos dispostos a aceitar”. Acho isso bastante natural.
Assim, irmãos e irmãs, depois que o Senhor nos mostrou as insondáveis riquezas que estão em Cristo, talvez seja proveitoso irmos a um laboratório e procurarmos demonstrá-las. Provavelmente, Paulo seja uma boa demonstração.
É claro que o nosso Cristo é tão grande, tão infinito, que nem mesmo o apóstolo Paulo poderia contar toda a história. Sim, na vida do apóstolo Paulo há uma manifestação muito singular, uma manifestação gloriosa das insondáveis riquezas de Cristo; mas, ainda assim, é apenas uma parte.
É necessária a igreja inteira. São necessários todos os santos para demonstrar as insondáveis riquezas de Cristo. Mas, pelo menos, sinto que na vida de Paulo podemos ter uma demonstração muito boa do que o evangelho realmente é.
Na vida do apóstolo Paulo com o Senhor, creio que a primeira coisa que ele descobriu foram as riquezas da misericórdia de Deus.
Queridos irmãos e irmãs, creio que vocês conhecem a história da sua vida. Ele nasceu hebreu de hebreus. Foi criado na melhor tradição do judaísmo. Se alguém pudesse encontrar as melhores oportunidades na vida, certamente Saulo de Tarso teve todas elas.
E, no entanto, vemos que ele cresceu e se tornou um blasfemo, um perseguidor, um homem insolente e arrogante.
Quando lemos sobre Saulo antes da sua conversão, provavelmente temos a impressão de que esse homem foi levantado por Deus para ser um vaso de ira, para manifestar o poder e a ira de Deus. Ele recebeu tudo de melhor que podemos imaginar.
Quem teve oportunidades melhores do que Paulo? Ele tinha a Palavra de Deus. Recebeu educação e formação aos pés de Gamaliel, o grande rabino. Teve todas as vantagens que alguém poderia esperar e, ainda assim, tornou-se esse tipo de pessoa.
Sim, ele era muito zeloso. Havia progredido muito mais do que os seus contemporâneos e, no entanto, vemos como se tornou um blasfemo. Pensava que estava servindo a Deus, mas estava servindo a si mesmo. Pior ainda, estava servindo ao adversário de Deus.
Um homem assim, ao que parecia, só poderia estar destinado a ser um vaso de ira. Vemos que ele foi de mal a pior.
Quando Estêvão foi martirizado, Saulo consentiu e ficou ali como testemunha, vendo Estêvão ser apedrejado pelo povo. Depois disso, entrou em diferentes casas para prender os cristãos, condená-los e obrigá-los a blasfemar. Foi até mesmo a cidades estrangeiras. Chegou a esse ponto.
Quando lemos uma história assim, temos a impressão de que esse homem certamente foi levantado com o propósito de demonstrar o poder de Deus para a destruição.
Então ele foi a Damasco. Irmãos e irmãs, todos vocês se lembram dessa história. Enquanto estava a caminho de Damasco, aproximando-se da cidade com a intenção de perseguir aqueles que pertenciam ao Senhor Jesus, ao meio-dia, de repente, uma luz brilhou sobre ele, mais forte do que o sol.
Ele foi atingido pela luz. Quando li isso, disse: “Agora chegou o fim. Sua iniquidade atingiu a medida completa. Deus não poderia permitir que continuasse desse jeito. Deus já lhe havia dado oportunidades suficientes”.
Certamente, enquanto ele lia a Palavra de Deus, deve ter havido momentos em que a luz penetrou em seu coração. Vocês se lembram da história de Martinho Lutero. Antes da sua conversão, quando ele lia as Escrituras, repetidas vezes a luz irrompia em seu coração por meio da Palavra de Deus.
Deus fez o mesmo com esse homem, e ainda mais. Quando Estêvão foi apedrejado, Saulo viu como ele morreu. Ouviu a oração de Estêvão. Ouviu o testemunho de Estêvão. Sua consciência deve ter sido tocada e, para aliviar a consciência, ele a endureceu e redobrou seus esforços para perseguir os cristãos.
Uma pessoa assim — certamente não havia esperança para um homem desses. Estava condenado à destruição. Agora o fim havia chegado. Aquela luz desceu do céu e o lançou ao chão. Esperaríamos que ele estivesse morto. Deus havia vindicado a Si mesmo. Deus havia demonstrado ser mais poderoso do que esse homem, Saulo.
Certamente, quando aquela luz veio sobre Saulo e ele caiu no chão, talvez tenha dito em seu coração: “Agora acabou. Este é o meu fim”. Ele sabia disso. Sua consciência o incomodava. Estêvão estava sempre em sua mente; ele não conseguia se livrar daquela lembrança.
Ele havia testemunhado algo tão real. Sabia que estava lutando contra Deus. Tentava impor a própria vontade e seguir o próprio caminho, mas agora o fim havia chegado.
Isso deve ter sido uma grande surpresa para Saulo, e creio que é uma grande surpresa para nós. Se estivéssemos ali como espectadores naquele momento, testemunhando tudo isso, talvez batêssemos palmas e disséssemos: “Louvado seja o Senhor! O fim chegou”.
Mas, queridos irmãos e irmãs, como Deus nos surpreendeu! Creio que nenhum de nós estaria aqui se o Senhor não nos tivesse surpreendido.
Desde aquele dia, uma nota se destacou na vida de Paulo: misericórdia. “Foi-me concedida misericórdia. Até mesmo eu recebi misericórdia.” Que coisa! Que surpresa!
Um vaso que, segundo todas as aparências, seria um vaso de ira; contudo, em Sua soberania, Deus determinou que Saulo de Tarso fosse um vaso de misericórdia, e não de ira. Deus desejava manifestar as riquezas da Sua glória sobre esse vaso de misericórdia, destinado à glória.
Na vida de Saulo, a primeira coisa que ele encontrou em Cristo, a primeira coisa que descobriu de Cristo, foram as insondáveis riquezas da Sua misericórdia.
Paulo esperava misericórdia? Certamente não. Ele não era um homem que conhecia a misericórdia. Entrava nas casas e prendia até mulheres e crianças. Não demonstrava misericórdia. A misericórdia não fazia parte da sua natureza.
E, no entanto, irmãos e irmãs, Deus fez a misericórdia triunfar em seu coração. Isso é uma demonstração, uma prova das insondáveis riquezas de Cristo.
O próprio Paulo nos disse:
Por esta razão, foi-me concedida misericórdia: para que Deus manifestasse a Sua longanimidade para com todos os que haveriam de crer para a vida eterna.
O que é misericórdia? Em termos comuns, misericórdia é a manifestação exterior da compaixão. Pressupõe que há alguém em necessidade e que essa necessidade é suprida por outra pessoa que dispõe dos recursos necessários.
Isso implica que alguém está em aflição, alguém está em miséria e não consegue sair dessa situação por si mesmo. Então vem outra pessoa que se compadece daquele homem, que tem compaixão dele e, da abundância dos seus recursos, lhe concede misericórdia.
Nas Escrituras, a misericórdia de Deus é a Sua bondade amorosa. Em algumas versões, traduzem a palavra misericórdia como bondade amorosa. A misericórdia é a expressão do amor — do próprio amor de Deus — que se compadece de nós.
Ele sabe que estamos em miséria e aflição. Poderia, com justiça, nos deixar ali, porque nós mesmos nos colocamos nessa situação. Essa é a nossa porção, o que nos é devido. Não podemos esperar outra coisa. Contudo, por causa do grande amor de Deus, Ele é rico em misericórdia. Ele nos ama com bondade e nos deu Seu Filho unigênito. Isso é graça.
A misericórdia é um ato de Deus. A misericórdia é o amor demonstrado a quem não merece. A misericórdia é a compaixão de Deus para conosco, os culpados.
Não é verdade que a primeira coisa que encontramos em Cristo é a Sua misericórdia?
É pelas misericórdias do Senhor que não somos consumidos,
porque as Suas compaixões não falham.
Renovam-se a cada manhã;
grande é a Tua fidelidade.
O Senhor é a minha porção, diz a minha alma;
portanto, esperarei Nele.
Queridos irmãos e irmãs, se não fosse pela misericórdia de Deus, onde estaríamos? Você não estaria aqui. Eu não estaria aqui. Todos nós seríamos consumidos.
Se conhecermos a nós mesmos, se soubermos o que somos, se ficarmos face a face com Deus, imediatamente seremos consumidos. Não merecemos nada além da morte eterna. Isso é o que nos é devido, a nossa porção.
Mas, graças a Deus, Ele tem misericórdia. Sua compaixão nunca falha. Grande é a Sua fidelidade. Suas misericórdias se renovam a cada manhã.
O profeta Jeremias disse:
O Senhor é a minha porção; portanto, esperarei Nele.
Queridos irmãos e irmãs, onde está a nossa esperança? Você apoia a sua esperança em alguma outra coisa? Coloca a sua esperança em si mesmo, nos seus méritos, no seu trabalho?
Se faz isso, está fazendo a coisa errada. Mas, graças a Deus, a nossa esperança está Nele, porque a Sua misericórdia dura para sempre.
Ó queridos irmãos e irmãs, a misericórdia de Deus é insondável. Vocês se lembram da história dos israelitas. Deus havia sido tão bondoso com eles. Deus os tirou da terra do Egito e os levou ao deserto, até o monte Horebe.
Ali, Deus chamou Moisés ao monte para receber a lei. No entanto, enquanto Moisés estava no alto do monte recebendo a Palavra de Deus, o povo de Israel, lá embaixo, se rebelou contra Deus e se afastou Dele. Fizeram um bezerro de ouro e o adoraram.
Deus mandou Moisés descer. Deus disse:
Exterminarei este povo, um povo de dura cerviz. Eu os consumirei e levantarei uma descendência de ti.
Mas todos nos lembramos da história de como Moisés suplicou diante de Deus.
Então Deus chamou Moisés novamente ao monte. Quando Moisés subiu à presença de Deus, Deus lhe mostrou a Sua glória. Vocês se lembram disso em Êxodo. Deus mostrou a Sua glória a Moisés.
O que era a glória de Deus?
Quando Moisés chegou à presença de Deus, Deus proclamou quem Ele é. Qual foi essa proclamação?
O Senhor, o Senhor, Deus misericordioso e gracioso, tardio em irar-Se e abundante em bondade amorosa e verdade.
Queridos irmãos e irmãs, o que é a glória de Deus? A glória de Deus é a Sua misericórdia. Deus é misericordioso para com aqueles que não merecem. Este é o nosso Deus.
É claro que a misericórdia vem de Deus. A misericórdia é a vontade soberana de Deus. Ele disse:
Terei misericórdia de quem Eu tiver misericórdia,
e Me compadecerei de quem Eu Me compadecer.
Não depende de quem quer, nem de quem corre, mas de Deus, que demonstra misericórdia.
Nosso irmão nos disse nesta manhã que precisamos voltar ao princípio de tudo. No que diz respeito ao propósito de Deus, no princípio está o Filho. Mas, no que diz respeito à nossa história com Cristo, ela começa com misericórdia — a insondável misericórdia de Cristo.
Dependemos inteiramente da misericórdia de Deus. Não pense que pode conquistar alguma coisa apenas pela força da sua vontade. Sim, você pode conquistar muitas coisas pela força da sua vontade no plano humano, no que diz respeito a este mundo presente. Mas, quando se trata do reino de Deus, você depende de uma única coisa: a misericórdia de Deus.
Você não pode entrar no reino de Deus pela força da sua vontade. Não pode entrar no reino de Deus pelo seu esforço. É a misericórdia de Deus que o traz até aqui.
Isso é um princípio. Não é verdadeiro apenas no início da nossa vida em Cristo; esse princípio governa toda a nossa vida com Cristo. É um princípio que nunca devemos esquecer, porque é assim que Deus lida conosco do princípio ao fim. Dependemos inteiramente da misericórdia de Deus.
Talvez você diga: “Bem, se é assim, então o que devemos fazer? Não podemos fazer nada. Se Deus escolher não demonstrar misericórdia para conosco, então por quê?”.
Mas, queridos irmãos e irmãs, vocês se lembram daquele precioso versículo em Oseias 6:6:
Pois desejo bondade amorosa, e não sacrifício;
e o conhecimento de Deus mais do que holocaustos.
Nosso Deus Se agrada da misericórdia. Se Ele Se agrada da misericórdia, isso significa que é livre para demonstrá-la. Seria extraordinário, incomum, que Ele não demonstrasse misericórdia. Sua maneira habitual de agir é demonstrar misericórdia. Não é essa a nossa esperança?
Agrado-Me da misericórdia, e não do sacrifício.
Nosso Senhor Jesus, enquanto esteve na terra, citou esse versículo muitas vezes. Vocês se lembram de que, certa vez, Ele chamou Mateus do posto de cobrança de impostos. Mateus reuniu todos os seus amigos — os cobradores de impostos e os pecadores —, e eles se sentaram à mesa com o Senhor. O Senhor participou de uma refeição com eles.
Os fariseus murmuraram e disseram: “Por que o Mestre de vocês come com pecadores e cobradores de impostos?”. Nosso Senhor Jesus usou esta palavra:
Se ao menos soubésseis o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício.
Pois não vim chamar justos, mas pecadores.
Novamente, em outra ocasião, num sábado, nosso Senhor Jesus estava passando por uma plantação de cereais com os Seus discípulos. Os discípulos estavam com fome, colheram espigas, esfregaram-nas nas mãos e comeram.
Aqueles olhos dos fariseus, sempre presentes, percebiam cada pequeno detalhe e imediatamente levantaram uma objeção: “Como alguém pode fazer uma coisa dessas? Isso não é permitido”.
Mais uma vez, nosso Senhor Jesus usou esta citação:
Se ao menos compreendêsseis: Misericórdia quero, e não sacrifício,
não condenaríeis os inocentes.
É assim que nosso Senhor Jesus lida conosco. Ele ama a misericórdia, e não o sacrifício.
Embora, às vezes, quando chegamos ao nosso limite e percebemos a nossa miséria, clamemos por misericórdia, ainda assim a misericórdia não é natural para nós. Não conhecemos a misericórdia. Em nossa mente, não existe algo como misericórdia.
Mesmo quando nos achegamos a Deus, não é estranho que a ideia de misericórdia não nos venha à mente? É a ideia de sacrifício que está sempre conosco. Sempre que sentimos que pecamos, sempre que sentimos que falhamos para com Deus, sempre que sentimos que há alguma coisa que torna impossível nos aproximarmos de Deus, imediatamente a nossa primeira reação é: “Muito bem, vou oferecer um sacrifício e compensar isso”.
Essa é a nossa reação. Essa é a natureza humana. A misericórdia não faz parte da natureza humana.
O que você pode oferecer a Deus? Que sacrifício pode fazer? Que obra pode realizar?
Todas as nossas justiças são como trapos de imundícia. Não são nada aos olhos de Deus — são piores do que nada. São uma abominação para Deus; são um insulto à santidade de Deus. Você ousa depender do seu sacrifício?
Quando nos achegamos a Deus, a única maneira de nos aproximarmos Dele é pela misericórdia: “Tem misericórdia de nós”.
Como louvamos a Deus! Em Romanos 3:24-25, encontramos:
Sendo justificados gratuitamente pela Sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus;
a Quem Deus apresentou como propiciação, mediante a fé, no Seu sangue,
para demonstrar a Sua justiça, por ter deixado passar os pecados anteriormente cometidos, na tolerância de Deus.
Estou lendo uma versão diferente da de vocês; espero que tenham paciência comigo. Literalmente, a palavra traduzida como propiciação é propiciatório. Deus apresentou Cristo como o propiciatório.
Isso imediatamente nos leva de volta aos tempos do Antigo Testamento. Deus desejava habitar entre o Seu povo, mas isso era impossível. Como um Deus justo poderia habitar entre um povo iníquo e injusto? Isso contrariava a Sua própria natureza.
Contudo, Ele desejava tanto habitar entre o Seu povo que fez uma provisão. Qual foi essa provisão?
No centro do tabernáculo estava a arca. A arca também é chamada de testemunho. Em outras palavras, a arca simboliza a presença de Deus. A arca representa Deus; a arca fala de Deus.
O que havia na arca? A lei — as exigências e os requisitos de Deus para o homem. Deus é santo, justo e reto. Com justiça e retidão, Ele exige que sejamos assim e que não façamos aquilo. Caso contrário, não podemos vê-Lo; seremos consumidos.
Qualquer pessoa que entrasse atrás do véu sem a provisão de Deus seria fulminada. Ali estava a arca, com a lei dentro dela. Ali estavam as leis de Deus, Suas justas exigências para nós. Mas quem poderia satisfazê-las? Quem poderia se aproximar de Deus sem ser fulminado?
A arca era um baú aberto. Não foi construída como uma peça única, como uma caixa com uma tampa integrada. Assim, havia uma abertura, e a lei estava dentro da arca. Mas, graças a Deus, foi feita uma cobertura. Uma tampa foi colocada sobre a arca, e essa tampa foi chamada de propiciatório.
Deus disse:
Ali Me encontrarei contigo e falarei contigo de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins.
Graças a Deus, há uma saída.
Em Seu grande amor, Deus fez uma provisão para os homens pecadores. Nosso Senhor Jesus Cristo satisfez todas as exigências de Deus. Ele cumpriu em Si mesmo toda a lei de Deus. Porque fez isso, tornou-Se o propiciatório para nós.
Hoje, Deus O apresentou como o propiciatório. Hoje, Deus fala conosco em Cristo. Hoje, Deus tem comunhão conosco em Cristo. Hoje, Deus habita conosco em Cristo. Esse é o único caminho.
Uma vez por ano, o sumo sacerdote entrava atrás do véu e aspergia sangue sobre o propiciatório. Assim, em Romanos 3, encontramos o sangue, Cristo e o propiciatório com o sangue derramado.
O que resta para nós fazer? Crer. Creia, e você será salvo.
Ó, louvamos e agradecemos ao Senhor porque é Seu desejo, Seu anseio, habitar com o homem. Não sabemos por que Ele teria esse desejo. Poderíamos dizer que seria muito mais simples se Ele não desejasse viver conosco.
Algumas pessoas dizem que, se você tentar viver com Deus, terá uma vida muito difícil. Mas vamos inverter isso e dizer: para Deus viver conosco, como deve ser?
Contudo, do coração do Pai vem esse anseio: Ele deseja, Ele almeja viver conosco. Não pode descansar até encontrar descanso em nós. Quer fazer de nós um lar para Si, assim como fazemos Dele o nosso lar. Como? Em Cristo, por meio do propiciatório.
Deus fala conosco hoje sobre o propiciatório. Deus vive conosco hoje em Cristo. Esse é o nosso caminho.
A misericórdia de Deus em Cristo Jesus é o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo. É a primeira experiência que temos. A primeira coisa que percebemos, ao entrarmos em contato com Cristo, é a Sua insondável misericórdia — as riquezas da Sua misericórdia.
Se há alguém aqui nesta noite que ainda está tentando se aproximar de Deus com o próprio sacrifício, querido amigo, posso lhe fazer uma advertência? Deixe de lado o seu sacrifício e venha pedindo a Sua misericórdia, e você a encontrará.
Vocês se lembram da parábola do fariseu que entrou no templo e orou. Ele olhou ao redor. Estava muito satisfeito consigo mesmo, muito satisfeito com a sua condição espiritual. Ficou ali e murmurou consigo:
Ó Deus, dou-Te graças porque não sou como os demais homens — extorsionários, injustos, adúlteros —, nem mesmo como este publicano.
Jejuo duas vezes por semana. Dou o dízimo de tudo o que recebo.
Depois de terminar o seu relatório, voltou para casa sem ser justificado.
Mas o publicano ficou à distância. Nem sequer ousava levantar os olhos, mas, do fundo do coração, clamou:
Ó Deus, sê misericordioso para comigo, pecador.
E o Senhor disse que ele voltou para casa justificado.
Você está se achegando a Deus como um fariseu, ou vem a Ele como o pecador que clama por misericórdia?
Lembrem-se, irmãos e irmãs: isso não é apenas algo que aconteceu na nossa conversão. Não deixem a misericórdia de Deus restrita à conversão.
Quantas vezes, depois de recebermos misericórdia, imediatamente nos afastamos de novo e voltamos a depender de nós mesmos? Quando nos achegamos a Deus, quantas vezes trazemos muita coisa conosco: “Olha aqui — meu conhecimento espiritual da Bíblia, minha experiência espiritual, meu trabalho espiritual. Olha aqui, tenho muito a Te oferecer. Não estás satisfeito comigo?”.
Talvez o Senhor dissesse:
Afasta-te, pessoa perversa. Não te conheço.
Ó queridos irmãos e irmãs, nós nos achegamos ao trono da graça sem nenhuma outra base além da pura misericórdia de Deus em Cristo Jesus.
Quanto mais conhecemos a nós mesmos e quanto mais O conhecemos, mais percebemos que não há outro fundamento além da Sua misericórdia.
Toda vez que o Senhor nos conduz a uma crise, toda vez que o Senhor nos leva ao nosso limite, o único apelo que temos diante de Deus é por misericórdia.
Quando você ainda não chegou ao seu limite, quando ainda consegue se sustentar sobre os próprios pés, não pede misericórdia, porque sente que isso está abaixo da sua posição. Deus demonstrará misericórdia aos humildes, mas aos orgulhosos, não.
Por que Deus precisa nos levar repetidas vezes ao nosso limite? Por uma razão: para aprendermos as insondáveis riquezas de Deus em misericórdia, em Cristo Jesus.
Vocês se lembram de Jacó — como ele era autoconfiante! Era esperto. Podia fazer qualquer coisa. Podia ser mais astuto do que qualquer pessoa. Podia contornar qualquer um. Ainda estava firmado em si mesmo. Sabia o que devia fazer.
Mas vocês se lembram de por que ele chegou àquele lugar chamado Peniel. Ele já não sabia a que recorrer. Não sabia o que fazer. Tomou todas as providências para a sua família e, mesmo assim, ainda se sentia inseguro. E tinha razão para se sentir assim; ele estava inseguro.
Por fim, vocês se lembram de como ele orou diante de Deus. Sua oração diante de Deus se resumiu a uma coisa:
Não sou digno da menor de todas as misericórdias
e de toda a fidelidade que tens mostrado ao Teu servo;
pois com o meu cajado atravessei este Jordão;
e agora me tornei dois grupos.
Quando você chega ao fim dos próprios recursos, a única coisa com que pode se apresentar a Deus é esta: “Sou pequeno demais para todas as Tuas misericórdias. Sê bondoso comigo, ó Deus, segundo a Tua bondade amorosa e segundo as Tuas ternas misericórdias”.
A misericórdia de Deus não é algo que deixamos para trás depois de sermos salvos. O salmista, em Salmos 23:6, conclui com esta nota:
Certamente a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida;
e habitarei na casa do Senhor para sempre.
Conhecemos a misericórdia de Deus? Conhecemos as insondáveis riquezas da Sua misericórdia? Conhecemos Cristo Jesus como a misericórdia de Deus? Quanto temos experimentado dessa misericórdia de Deus em Cristo Jesus e entrado nela?
O primeiro efeito que surge em nossa vida quando conhecemos a misericórdia de Deus em Cristo Jesus é que ela nos mantém humildes. Mal podemos acreditar que tudo seja a pura misericórdia de Deus.
Ela nos mantém em nosso lugar, no lugar que nos cabe diante de Deus. Também nos mantém naquele lugar em que Deus pode trabalhar em nós e nos abençoar.
Esperamos, nestes dias, que o Espírito de Deus trabalhe em nós e conosco até que se realize o Seu glorioso propósito em Cristo Jesus? Você espera isso? Se espera, irmãos e irmãs, precisa voltar ao lugar que lhe cabe diante de Deus. Precisa estar firmado na Sua misericórdia.
Você precisa vir a Ele sem ter em vista nada além da Sua misericórdia. Está disposto a fazer isso? Está disposto a começar desde o princípio — isto é, a partir do fundamento da misericórdia?
O segundo efeito está em Romanos 12:1:
Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus,
que apresenteis o vosso corpo como sacrifício vivo, santo, agradável a Deus,
que é o vosso culto espiritual.
Se você conhece todas as misericórdias de Deus, não pode viver para si mesmo. Há apenas um caminho: você precisa apresentar o seu corpo como sacrifício vivo a Deus.
O terceiro efeito será este: se Ele é misericordioso para conosco, não devemos ser misericordiosos uns para com os outros?
Lembrem-se da parábola que nosso Senhor Jesus contou. Um rei demonstrou compaixão por um servo que lhe devia dez mil talentos. Ele não tinha como pagar. O servo caiu de joelhos e disse: “Senhor, tem misericórdia. Dá-me tempo”. O senhor demonstrou misericórdia para com ele.
Então aquele servo saiu e encontrou um companheiro de serviço que lhe devia apenas cem denários. Agarrou-o, segurou-o pelo pescoço e disse:
Paga o que deves.
O homem disse: “Tem misericórdia. Dá-me tempo”. Mas ele não quis; lançou-o na prisão.
Vocês se lembram do que nosso Senhor Jesus disse:
Se Eu demonstrei misericórdia para contigo, não devias tu demonstrar misericórdia para com o teu próximo?
Como ele não quis demonstrar misericórdia, teve de voltar e pagar a dívida.
Bem-aventurados os misericordiosos: porque alcançarão misericórdia.
Que o Senhor seja misericordioso para conosco, para que Ele nos recrie como pessoas que conhecem a misericórdia e sabem demonstrá-la. Esse será o nosso testemunho Dele.
Ó Pai celestial, como Te louvamos e agradecemos porque és rico em misericórdia! Apresentaste o Teu Filho, nosso Senhor Jesus, como o propiciatório, e por meio Dele nos achegamos a Ti.
Como Te louvamos e agradecemos porque, toda vez que nos achegamos a Ti, estamos firmados na Tua misericórdia! Nós Te louvamos e agradecemos porque Te agradas da misericórdia, e não do sacrifício.
Senhor, oramos para que conheçamos mais da Tua misericórdia. Ó, que possamos experimentar essa infinita misericórdia de Deus em Cristo! Que ela seja tão real para nós, que seja a nossa vida, para que sejamos não apenas vasos da Tua misericórdia, mas também canais da Tua misericórdia para este mundo miserável.
Pedimos no precioso nome do nosso Senhor Jesus. Amém.