Estamos ainda, ó Senhor nosso Deus, com o coração voltado para Ti e todas as nossas faculdades atentas, para ouvir e ver o que o Senhor nos dirá.
Nossa oração mais fervorosa é que seja o Senhor a falar, talvez por meio de uma voz humana; que seja o Senhor Quem fale. Por esta única coisa oramos: que haja novamente, nesta hora, a consciência da presença do Senhor.
E que Tu governes todas as coisas para o Teu próprio prazer e satisfação, por meio do Senhor Jesus, Teu Filho amado. Amém.
Foi anunciado, como tema central deste encontro de ministração durante a semana, que nos ocuparemos das insondáveis riquezas de Cristo.
Não houve nenhuma colaboração entre aqueles que estão ministrando, mas meu coração se alegra muito ao perceber que, até aqui, estamos seguindo exatamente na mesma direção, naquilo que o Senhor tem dito em nosso irmão e por meio dele. Confio que também será assim por meu intermédio.
Eu lhes disse ontem à noite que tinha uma grande dúvida quanto a estar aqui nesta semana, porque tudo havia sido tão marcado por conflitos e desafios até o último momento. Depois desta última hora, estou me perguntando se não encontrei a resposta: se não era o Senhor dizendo: “Você não era necessário ali, irmão; outra pessoa estará lá”.
Ora, vocês não poderiam ter uma visão mais completa do que aquela que lhes foi apresentada nesta manhã. Qualquer coisa que eu tenha a dizer será, em grande parte, um preenchimento de detalhes.
Bem, nossas palavras-chave estão em Efésios 3:8. Vamos lê-las novamente:
A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça: anunciar aos gentios as insondáveis riquezas de Cristo.
O que tenho a dizer nesta manhã é, em grande parte, uma introdução ao que, se o Senhor quiser, poderei dizer em outra manhã.
Essas palavras que acabamos de ler estão no meio da carta que contém a essência mais plena do ministério do apóstolo Paulo: Cristo em Sua grandeza.
Esta carta, mais do que qualquer outra, é a carta da ampliação espiritual. A abrangência desta carta, como vocês sabem, vai de eternidade a eternidade. Esse é o horizonte da carta, infelizmente chamada assim, porque, no princípio, ela nunca esteve limitada a Éfeso. Deixou-se um espaço na carta para ser preenchido. Era simplesmente uma carta com um espaço a preencher.
O apóstolo diz: “Às nações me foi dada esta graça” — às nações. Portanto, a carta tem o horizonte das nações dentro do horizonte das duas eternidades.
Esta expressão, “as insondáveis riquezas de Cristo”, é apenas um dos vários superlativos desta carta. Se vocês a lerem cuidadosamente e com atenção, encontrarão expressões como estas:
A suprema grandeza do Seu poder.
A plenitude Daquele que enche tudo em todos.
As abundantes riquezas da Sua graça.
Muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos.
Muito acima de todo principado, e autoridade, e poder, e domínio, e de todo nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro.
Até toda a plenitude de Deus.
Chegar à medida da estatura da plenitude de Cristo.
A Ele seja a glória na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre.
Uma seleção de superlativos! O apóstolo encontra palavras para expressar o que viu e o que está em seu coração. Não tenho razão ao dizer que esta é a carta da ampliação espiritual?
Bem, a necessidade premente, queridos amigos — a necessidade premente do nosso tempo — é a de uma capacidade espiritual maior.
Digo que, se lhes perguntassem hoje: “Qual vocês consideram ser a maior necessidade dos cristãos neste tempo?”, suas respostas seriam muitas e variadas. Talvez esta não seja a maior de todas, mas sugiro que ocuparia uma posição muito elevada, um lugar de destaque, quando digo que a necessidade dos cristãos em nosso tempo é de um aumento da capacidade espiritual.
Estamos de acordo com o apóstolo Paulo quando dizemos isso. Quando ele se viu lançado nessa maravilhosa revelação ao escrever esta carta, não foi muito longe antes de cair de joelhos. Ali estava ele, com seu tema diante de si e sua grande visão no coração, e era como se dissesse: “Será que consigo transmitir isso? É uma tarefa sem esperança. É impossível, a menos que o Senhor faça alguma coisa”.
Ao cair de joelhos, ele disse:
Por esta causa, me ponho de joelhos diante do Pai […] para que Ele vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no conhecimento Dele, sendo iluminados os olhos do vosso coração.
Que expressão: “sendo iluminados os olhos do vosso coração”. Sabem, o coração tem razões melhores do que a cabeça. Perguntem a qualquer mãe sobre isso!
Sim, este é, em muitos aspectos, um tempo de mediocridade. O fato é que hoje não há pessoas suficientemente grandes para lidar com a situação em nenhuma esfera — na esfera política, na esfera social, na esfera industrial, na esfera da sociedade ou na esfera da natureza humana.
Ninguém é suficientemente grande para lidar com a situação de hoje e colocá-la sob controle. Isso também é, em grande parte, verdade na esfera espiritual.
Os cristãos estão sendo, como dissemos nesta manhã, encurralados. A Igreja está sendo pressionada para um canto, onde a única consciência que nos domina é esta: “Não somos suficientes para estas coisas. Não estamos à altura da situação. Simplesmente não conseguiremos lidar com isso, a menos que o Senhor aumente nossa capacidade”. Não é verdade?
Se algum de vocês ainda não tem essa consciência, entregue-se nas mãos do Senhor, e é por esse caminho que será conduzido. Uma medida espiritual ampliada será a única solução para o seu problema.
Sim, é verdade. Não somos suficientes. Precisamos que o Senhor nos amplie, e talvez seja nesta semana que isso aconteça.
Creio que a primeira coisa será uma nova visão do Senhor Jesus. Ele já começou a fazer isso, e creio que continuará a nos conduzir exatamente nessa direção.
Agora, vocês sabem que a limitação espiritual, a capacidade insuficiente, tem sido responsável por tantas tragédias espirituais na história.
Esse foi o segredo, ou a causa, da tragédia de Israel em Cades-Barneia. Quando chegaram à fronteira da terra, deram meia-volta e retornaram ao deserto, perecendo ali e não entrando na herança.
Tudo se resumiu a uma coisa: capacidade espiritual insuficiente. Eles viram os gigantes na terra, as cidades fortificadas e as coisas que se interpunham no caminho. Disseram:
Éramos, aos nossos próprios olhos, como gafanhotos; e assim também éramos aos olhos deles.
Sabem, às vezes é muito bom enxergar a si mesmo dessa maneira. Na verdade, é bastante essencial, na economia divina, que vocês e eu sintamos que, em nós mesmos, não somos mais do que gafanhotos — que sintamos, de fato, que somos completamente incapazes de lidar com a situação.
Mas pode haver algo errado em enxergar a si mesmo dessa maneira. Depende de quem vocês tomam como referência para avaliar a situação: vocês mesmos ou o Senhor. Se avaliarem cada situação tendo o Senhor como referência, ainda que sejam gafanhotos, atravessarão para a terra e tomarão posse dela.
Eles avaliaram o que eram em si mesmos, por natureza, e não o que eram pela fé no Senhor.
Esse paradoxo, é claro, aparece muitas vezes em Paulo. Talvez o encontremos à medida que prosseguirmos, porque aqui o apóstolo está dizendo:
A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça: anunciar aos gentios as insondáveis riquezas de Cristo.
“O menor de todos os santos” — isso parece capacidade espiritual? Ah, mas a alguém assim foi dada esta graça: as insondáveis riquezas de Cristo para as nações. Isso é capacidade em alguém cuja concepção de si mesmo era tão pequena, tão limitada, tão reduzida em si mesmo.
E, no entanto, aqui ele escreveu sua carta com todos esses superlativos. Tudo depende do seu ponto de vista.
Há uma simplicidade que é perfeitamente correta. Mas há uma simplicidade que é inteiramente errada, quando as pessoas dizem: “Queremos apenas um evangelho simples”. Muitas vezes dizem que não estão interessadas em toda essa linguagem elevada, nesse vasto campo de ideias espirituais. “Deem-nos uma verdade simples.”
As pessoas que falam assim não conhecem o Novo Testamento. Ora, o Senhor está sempre muito à nossa frente, enquanto nós queremos que Ele acompanhe o nosso passo. Estamos sempre tentando fazê-Lo acompanhar o nosso passo. Estamos sempre tentando reduzi-Lo ao nosso tamanho, fazer do Senhor Alguém com Quem possamos lidar, a Quem possamos compreender plenamente e com Quem possamos concordar inteiramente em termos de eficácia absoluta.
O Senhor não aceita nada disso. Se vocês sabem alguma coisa sobre a vida com o Senhor — sobre prosseguir com o Senhor —, sabem que Ele está sempre muito à frente de vocês. Ele sempre faz exigências que vão além de vocês, além da sua capacidade, além da sua habilidade.
O homem que escreveu esta carta também havia escrito:
Fomos sobremaneira oprimidos, acima das nossas forças.
Sim, o Senhor está sempre nos levando além da nossa medida, por uma razão muito boa. É claro que vocês não aceitam, em nenhuma outra esfera além da espiritual, o princípio de ter tudo dentro da sua medida, aceitam?
Por que vocês mandam seus filhos à escola? Para que lhes ensinem o que eles já sabem? Vocês não fazem isso em nenhuma esfera da educação. Sabem muito bem que a lei da educação e do crescimento é que sempre deve haver algo que exija de vocês mais do que seu conhecimento e sua capacidade atuais.
E na vida espiritual é assim. Não quero desanimá-los, mas será assim cada vez mais, à medida que prosseguirem.
Meus irmãos aqui, que estão ministrando a vocês, têm avançado com o Senhor, e é verdade que hoje estão além daquilo com que conseguem lidar. Estamos além da nossa capacidade com o Senhor. Nossa capacidade de compreender o que o Senhor está fazendo conosco é limitada demais. Sim, Ele nos levou além de nós mesmos.
Muito bem, louvado seja o Senhor. Tem de ser assim, ou nunca cresceremos. Aqui está o caminho do aumento da capacidade. Entendam que, em todo o Seu trato conosco, o propósito do Senhor é aumentar e ampliar nossa medida espiritual. Essa é a Sua escola.
A ampliação da capacidade espiritual é a solução para todos os nossos problemas. Essa é a única maneira pela qual os problemas serão resolvidos.
Como ilustração, considerem as cartas aos coríntios e a situação em Corinto. Se alguma vez houve uma situação que representasse limitação espiritual, foi a de Corinto.
“Não pude”, diz o apóstolo:
Falar-vos como a espirituais, mas como a carnais.
Com leite vos alimentei.
Não o podíeis suportar.
O resultado dessa limitação espiritual se manifestava em todas as coisas mencionadas em sua carta — coisas trágicas e terríveis. Seus relacionamentos: estavam levando uns aos outros aos tribunais do mundo. Sua atitude em relação ao apóstolo. Alguns diziam: “Bem, Paulo é o nosso homem. Sejam como Paulo. Vocês podem ficar com Pedro; podem ficar com Apolo”.
Outros diziam: “Nosso homem é Pedro. Gostamos do estilo dele. Gostamos da maneira como fala. Gostamos do que ele apresenta. É algo que conseguimos acompanhar. Paulo está muito além de nós; Pedro está mais ao nosso alcance”.
Outros diziam: “Agora, vocês sabem, Apolo é um homem instruído. É um homem eloquente. É poderoso nas Escrituras. Apolo é o nosso homem”.
Divisões por causa de homens — preferências e preconceitos humanos. O apóstolo diz: “Isso é pequenez espiritual. Isso é carnalidade”. Como pode haver uma bela vida espiritual quando as coisas são assim?
Havia também a atitude deles em relação ao próprio apóstolo. Só Deus sabe, a partir das muitas indicações dadas por Paulo nessas cartas, qual era a atitude deles para com ele. Creio que ele a resumiu em uma expressão:
Quanto mais abundantemente vos amo, menos sou amado.
O que dizer disso? Imaturidade espiritual.
Havia também a atitude deles em relação à obra do Senhor. Paulo fez, creio eu, uma comparação desfavorável entre eles e os de Filipos. Os filipenses estavam prontos para dar, prontos para compartilhar. Mas aos coríntios ele precisou dizer: “Há um ano vocês disseram que fariam alguma coisa, e nunca a fizeram. Agora, realizem o que prometeram”.
Mesquinhez ao contribuir e falta de cooperação na obra do Senhor. E, quando essas coisas eram uma realidade, de que tratava essa extensa parte de sua primeira carta? “Ora, acerca dos dons espirituais.” Não sei se havia nisso um toque de ironia, mas quase me atreveria a sugerir que sim.
Ele prosseguiu corrigindo-os a respeito de curas, línguas e dons de manifestação — não dizendo que essas coisas eram erradas. Mas, ao resumir tudo, é preciso dizer: “Vocês estão mais preocupados com essas coisas elementares do cristianismo do que com Cristo”.
Toda a atenção de vocês está voltada para coisas que apelam aos sentidos, por meio das quais se pode fazer uma exibição.
Vocês conhecem a palavra que Paulo usa nesse contexto, e ela é o ponto central do que estamos dizendo: “para edificação”. É uma pena que seja assim em nossas traduções. Sempre que encontrarem a palavra “edificação” ou “edificado”, voltem ao sentido original, que é “construir”, “fazer crescer”.
Para muitas pessoas, quando leem ou ouvem a palavra “edificar”, sua interpretação é, na verdade, sentir-se agradadas. Mas nada que simplesmente emocione ou agrade necessariamente faz alguém crescer espiritualmente.
Não. A edificação é o teste de todas essas coisas. Afinal, elas resultam em edificação — isto é, em crescimento e ampliação espiritual — ou são algo que termina em si mesmo e deixa vocês em um estado de imaturidade espiritual?
Por meio dessas coisas, ou sem elas, vocês estão crescendo e chegando à maturidade espiritual? Esse é o teste.
Faço aqui um parêntese: é algo muito impressionante que, tantas vezes, as pessoas mais preocupadas com os aspectos de manifestação do cristianismo sejam as menos maduras espiritualmente. Não se consegue conversar com elas sobre nada além dessas coisas. Você tenta falar sobre o Senhor Jesus, e a conversa perde todo o interesse.
Bem, esse é o parêntese. Talvez eu volte a tratar disso. Mas aqui está: o tempo todo, Paulo está dizendo: “Bem, essas coisas que vocês consideram sinais de espiritualidade — são realmente sinais de crescimento espiritual? Como se explicam essas condições que existem entre vocês?”
Qual é o remédio para Corinto? Todos os problemas, toda a desordem, todas as coisas de que Paulo está tratando — tudo se resume a uma palavra, a uma expressão:
Dilatai-vos.
O nosso coração está dilatado.
Não estais estreitados em nós; mas estais estreitados nos vossos próprios afetos.
Ora, como justa retribuição […] dilatai-vos também vós.
Essa é a resposta. Se vocês fossem pessoas de maior estatura espiritual, essas coisas não marcariam suas vidas de maneira alguma. Teriam crescido para além dessas coisas, imagens e elementos infantis.
Agora, esta é uma palavra de apelo, amigos. Sim, talvez seja um desafio nesta semana. Não quero abordar isso de maneira excessivamente dura, mas talvez seja um desafio.
Vejam, é perfeitamente possível que, em relação aos ministérios aqui, vocês tenham suas preferências e suas inclinações, e talvez seus preconceitos. Seria possível vocês dizerem: “Bem, sabe, eu gosto do jeito americano”? Ou talvez digam: “Gosto da maneira inglesa de apresentar”. Talvez digam: “Bem, não há muito espaço para o europeu”.
Permitam-me dizer que, se entrarmos nesse terreno, estaremos em Corinto. Que atitude pobre, mesquinha e desprezível!
Capacidade espiritual significa aquilo que foi dito nesta manhã: uma atenção inteiramente voltada para Jesus Cristo. Ele é o critério do ministério. Este homem, aquele homem ou o outro tem algo de Cristo para ministrar? Se tem, concentramo-nos nisso, não no homem ou em outras coisas naturais. É Cristo.
Peço-lhes que, se não estiverem recebendo nada de Cristo por meio do meu ministério, não venham. Não; tem de ser o Senhor Jesus, não é?
“Dilatai-vos.” Tudo era estreito, restrito e limitado em Corinto. Paulo precisou impor uma restrição a si mesmo ao se aproximar deles. Ele disse:
Decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e Este crucificado.
Em outras palavras: “Limitei meu campo e me concentrei, para vocês, em uma única coisa: Cristo e Este crucificado”. Ele estava limitado — não que quisesse ir além de Jesus Cristo e Este crucificado. Ora, as dimensões de Jesus Cristo e Este crucificado não são as dimensões de Corinto — de modo algum.
Quando Paulo passa de Corinto para Éfeso, para usar essa expressão, observem as dimensões. É quase como dois mundos diferentes, não é? De Corinto para Éfeso, falando espiritualmente — que dimensões! O homem está livre; está emancipado; está fora de todas as amarras.
Está livre das amarras da linguagem. Não consegue dominar a linguagem; não consegue encontrar palavras para expressar o que está em seu coração. As comportas estão abertas. Ele está fora deste mundo, nas regiões celestiais. O homem está livre.
Seu único problema é: “Como vou transmitir o infinito a estas pessoas para quem estou escrevendo?” Esse é o problema de vocês aqui.
Finalmente, esse grande apóstolo está livre da ocupação pessoal com os problemas locais, presentes ali — os problemas das igrejas em cada lugar e todo o trabalho aqui, ali e por toda parte; as diversas complexidades com que se deparava o tempo todo. Pela vontade soberana de Deus e por Sua maneira de agir, ele está livre na prisão.
Vejam, é uma prisão. Nunca houve um homem de maior amplitude espiritual do que aquele homem com uma corrente no pulso e um guarda romano. Mas, em meio às restrições que lhe eram impostas, nunca houve um homem com maior liberdade. Ele está solto e livre.
Por essa vontade soberana de Deus — essa ordenação estranha e misteriosa de Deus —, ele pode sentar-se tranquilamente e encarar a questão de frente.
É estranho que tenha chegado a Roma dessa maneira, quando havia dito que tanto desejava ir a Roma. Ansiava por ir a Roma e lhes comunicar alguma bênção espiritual. Toda a sua ambição era chegar a Roma, o centro do mundo, e pregar ali. E então, a maneira como chegou lá: todo o conflito e a luta, o naufrágio, as discussões, as frustrações, o diabo e tudo o mais.
Talvez houvesse muitas perguntas na mente de outros sobre se ele algum dia chegaria. Mas, por fim, aquela antiga frase que norteava tudo se tornou realidade:
E assim chegamos a Roma.
Muito bem, de qualquer maneira estamos aqui, pelo poder soberano de Deus. Foi um caminho estranho — desconcertante, difícil e árduo. Parece haver tanta contradição nos métodos de Deus.
Mas agora ele se senta tranquilamente. Tudo o mais fica em segundo plano. Agora, ele diz: “Tenho a oportunidade pela qual ansiei durante anos. Nunca pude fazer isso antes. Estive ocupado demais, envolvido demais na obra do Senhor, legitimamente ocupado com os problemas dos crentes e das igrejas”.
Agora chegou a hora. “Posso abrir meu coração e liberar tudo o que se acumulou ali, tudo o que ficou guardado. Eu queria expressar isso, mas não tinha oportunidade nem condições. Mas agora…”
Assim, esta carta veio à luz em toda a sua indescritível plenitude, com todas as insondáveis riquezas de Cristo.
Então, nesta carta estão a grande vocação eterna, a grande capacidade que Deus deseja que a Igreja tenha e a grande responsabilidade que repousa sobre aqueles que têm a luz. É isso que está aqui.
Ah, vocês sabem, o Novo Testamento leva em conta três categorias de pessoas. Primeiramente, leva em conta os não salvos.
Aqui quero dizer algo que, creio, precisa ser dito, e dito sem hesitação. No que diz respeito aos não salvos, pensa-se que o evangelho deve ser pregado a eles da maneira mais simples possível — que o evangelho, como é chamado, deve ser algo elementar.
Vocês não encontrarão isso no Novo Testamento. E eu, queridos amigos, realmente creio que aqui está um dos grandes erros. Creio que, quanto maior for o evangelho que vocês pregarem aos não salvos, melhores serão os cristãos que surgirão.
Coloquem isso de outra maneira: a tragédia é que tantos cristãos sejam tão pobres em seu começo espiritual porque não passaram por uma crise suficientemente profunda com Cristo. Tão pouca verdade!
O Novo Testamento diz: “Apresentem aos não salvos a grandeza do Senhor Jesus, e vocês terão melhores convertidos”. Levem isso a sério. Levem isso a sério.
Ah, como eu gostaria que algumas das maiores realidades — as grandes coisas do evangelho — fossem apresentadas aos não salvos, ao convertido, ao iniciante.
Ah, sim, talvez vocês achem necessário ter conselheiros depois, bem como orientadores e instrutores. Tudo isso é muito bom. Mas, sabem, queridos amigos, o Novo Testamento se fundamenta nisto: se, ao crerem verdadeiramente e virem ao Senhor, vocês recebem o Espírito Santo em seu coração e compreendem que receberam o Espírito Santo, Ele lhes dirá o que devem fazer e o que não devem fazer.
Vocês não precisarão que as pessoas venham dizer: “Agora você é cristão, sabe. Não deve fazer isto; não deve ir ali; é isto que deve fazer”.
Sempre nos lembramos de nosso querido irmão Watchman Nee a esse respeito. Ele estava lidando com um convertido no campo, quando saiu da cidade para descansar. Hospedou-se na casa de um camponês pagão e de sua esposa.
Durante algum tempo, não lhes disse nada. Depois, finalmente, falou sobre Cristo e lhes contou a respeito do Senhor Jesus. Quando voltou para Xangai, deixou-lhes uma Bíblia.
Não lhes disse nada sobre o que deveriam fazer e o que não deveriam fazer, e aquele homem bebia muito.
Depois que o irmão Nee foi embora, o homem disse à esposa, na hora da refeição seguinte: “Traga minha bebida”. Ela colocou a bebida diante dele, e ele disse: “Bem, o irmão Nee sempre pedia uma bênção antes de fazermos a refeição. Vamos pedir uma bênção”.
Ele inclinou a cabeça e tentou pedir uma bênção, mas não saía nada. Não conseguia orar.
Então disse à esposa: “Bem, vamos tentar de novo”. Não, ele não conseguia. “Não consigo pedir a bênção sobre isto. O que devemos fazer?”
“Bem”, disse ela, “o irmão Nee nos deixou uma Bíblia. Você sabe ler a Bíblia; eu não sei. Procure nela. Talvez encontre alguma coisa sobre isso.”
Então ele pegou a Bíblia grande — suponho que fosse uma grande Bíblia chinesa — e a folheou repetidamente, tentando encontrar alguma coisa. “Não consigo encontrar nada sobre isso.”
“Tire isso daqui”, disse ele. “Vamos tentar novamente.” Ainda assim, não. “Não consigo orar.”
Então ela disse: “Bem, é melhor você ir procurar o irmão Nee e perguntar a ele sobre isso”.
O homem foi depressa à cidade e procurou o irmão Nee. Disse: “De repente, depois que o senhor foi embora, pedi à minha esposa que trouxesse a bebida e tentei orar como o senhor fazia, mas não consegui. Tentei várias vezes, mas não consegui. De repente, alguma coisa dentro de mim não me deixava tomar aquela bebida”.
O irmão Nee havia ensinado a realidade da habitação do Espírito Santo no novo nascimento. O Espírito Santo que nele habitava disse: “Tire isso daqui”.
É muito simples. Vocês já ouviram isso muitas vezes, mas não poderiam ter uma ilustração melhor de um convertido que recebe o evangelho e já conhece a soberania do Espírito Santo como uma realidade interior.
E, no entanto, em Corinto, havia crentes com algum tempo de caminhada — vocês entendem isso? Sabem que eles não teriam levado uns aos outros aos tribunais se o Espírito que neles habitava tivesse sido ouvido e obedecido?
Ah, isso nos desafia, não é? Desafia, sim. Mas meu ponto é este: o evangelho é algo maior do que aquela coisinha supostamente simples que tantas vezes é apresentada. Apresentem-lhes a grandeza de Cristo. Deixem que conheçam alguma coisa daquilo para o qual são chamados, e vocês formarão cristãos melhores.
Essa é uma esfera. Depois, há a categoria dos crentes, reconhecida pelo Novo Testamento. E quanto a eles? Todo o Novo Testamento está voltado para essas pessoas, com advertências, exortações e admoestações para que prossigam.
Grande parte do Novo Testamento segue esta linha: os crentes não devem ficar parados, não devem permanecer onde estão, mas devem prosseguir e continuar sempre prosseguindo, porque Deus está avançando. Se vocês não avançarem, ficarão para trás.
Depois, há outra categoria entre os crentes. Há aqueles a quem o Novo Testamento chama de vencedores — entre os crentes, aqueles para quem há a coroa.
Paulo não estava preocupado com a possibilidade de sua salvação estar em risco quando disse:
Não que já a tenha alcançado, ou que já seja perfeito; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que atrás ficam e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo.
Vocês veem? Trata-se do prêmio da soberana vocação — algo mais do que simplesmente entrar no céu.
Não posso me deter nisso agora. Talvez voltemos a esse assunto, se prosseguirmos nesta semana, se o Senhor quiser. Mas essas são as categorias que o Novo Testamento leva em conta.
Preciso encerrar aqui nesta manhã com esta afirmação abrangente: tudo depende de nossa compreensão de Jesus Cristo.
Que compreensão temos Dele? Bem, vocês nunca poderão dizer que conseguiram medir Sua grandeza. Mas temos uma compreensão de Jesus Cristo que, por um lado, nos faz sentir que Ele está além de nós — inteiramente além de nós — e, por outro, que a nós, que somos menores do que o menor de todos, foi dada esta graça: as insondáveis riquezas de Cristo?
Vamos deixar o assunto aqui por enquanto. Mas essas insondáveis riquezas estão diante de nós — algumas delas, se o Senhor quiser.
Ora, Àquele que é poderoso para fazer muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera,
a Ele seja a glória na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém.