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    Revelation and The Cross © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Revelation and The Cross
    Revelation and The Cross
    Kaung, Stephen

    A Cruz como o Caminho de Cristo e da Igreja

    Por favor, abram no Evangelho segundo Mateus, capítulo 16. Começaremos em Mateus 16:13 e leremos até Mateus 16:25.

    E, chegando Jesus às partes de Cesareia de Filipe, perguntou aos Seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do homem?
    E eles disseram: Uns, João Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias ou um dos profetas.
    Disse-lhes Ele: E vós, quem dizeis que Eu sou?
    E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
    E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que te revelou isso, mas Meu Pai, que está nos céus.
    E também Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta rocha edificarei a Minha igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
    E Eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus; e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.

    Então, ordenou aos Seus discípulos que a ninguém dissessem que Ele era o Cristo.

    Desde então, começou Jesus a mostrar aos Seus discípulos que era necessário ir a Jerusalém, e padecer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia.
    E Pedro, tomando-O à parte, começou a repreendê-Lo, dizendo: Longe de Ti tal coisa, Senhor; isso de modo nenhum Te acontecerá.
    Ele, porém, voltando-Se, disse a Pedro: Para trás de Mim, Satanás; tu Me serves de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, mas das coisas dos homens.

    Então, disse Jesus aos Seus discípulos: Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.
    Porque qualquer que quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas qualquer que perder a sua vida por amor de Mim achá-la-á.

    A Revelação de Cristo e da Igreja

    Creio que esta é uma das passagens mais conhecidas das Escrituras. Todos nós, se posso dizer assim, a conhecemos muito bem. Mas, às vezes, quando uma passagem se torna tão familiar, ela começa a perder sua força.

    Por isso, creio que é bom voltarmos, de tempos em tempos, a essas passagens conhecidas e revê-las, buscando o Senhor para que possamos obter, ou recuperar, algo muito precioso.

    Naquela ocasião, nosso Senhor Jesus havia Se retirado para os limites de Cesareia de Filipe. Era um momento em que Ele estava começando a ser rejeitado pelo Seu próprio povo.

    Enquanto estava nos limites de Cesareia de Filipe, Ele fez uma pergunta muito importante. Perguntou aos Seus discípulos:

    Quem dizem os homens que Eu, o Filho do homem, sou?

    Naturalmente, Seus discípulos não Lhe contariam todos os comentários negativos — todas as coisas ruins que haviam ouvido as pessoas dizerem sobre seu Mestre. Por isso, contaram-Lhe apenas os comentários favoráveis que haviam ouvido.

    Disseram ao nosso Senhor Jesus: “Alguns dizem que Tu és João Batista, que voltou à vida. Alguns dizem que Tu és Jeremias, o profeta que chorava. Ou que Tu és Elias, o maior de todos os profetas. Ou que Tu és um dos profetas”.

    Vejam que todos esses comentários eram favoráveis. Em outras palavras, o mundo considerava o Senhor Jesus um profeta, um homem vindo de Deus, um homem com uma mensagem de Deus — um grande homem.

    Mas nosso Senhor Jesus não ficou satisfeito. Então, perguntou aos Seus discípulos: “E vocês, o que dizem? Vocês que estiveram Comigo todo este tempo — quem dizem que Eu, o Filho do homem, sou?”.

    E Simão Pedro disse:

    Tu és o Cristo, o Ungido de Deus, o Filho do Deus vivo.

    Assim que Pedro fez essa confissão, imediatamente o Senhor Jesus disse:

    Bem-aventurado és tu, Simão, filho de Jonas, porque isso não foi algo que carne e sangue te mostraram. Foi Meu Pai, que está nos céus, Quem te revelou isso.
    Tu és Pedro. Edificarei a Minha igreja sobre esta rocha, e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.

    Agora, irmãos e irmãs, aqui encontramos duas das maiores revelações da Bíblia — duas das maiores revelações do mundo. Vocês não encontrarão nenhuma revelação de Deus, nenhuma revelação do alto, maior do que essas duas que acabamos de mencionar.

    O Pai Revela o Filho

    Quais são elas? Primeiro: vemos que o Pai revela o Filho. O Pai revela o Filho como o Cristo, o Filho do Deus vivo.

    Isso é uma revelação porque, humanamente falando, ninguém jamais será capaz de conhecer Jesus como o Cristo, como o Filho do Deus vivo. Humanamente falando, tudo o que vocês podem saber a respeito Dele é que Ele é um grande homem.

    Carne e sangue só podem ensinar que Jesus é uma grande pessoa, um profeta, um grande homem. Esse é o limite do que os seres humanos podem ensinar. Carne e sangue podem lhes dizer isso.

    É necessário que o Pai, que está nos céus, revele a vocês que Jesus é mais do que um profeta. Ele é o Messias, o Ungido, o Cristo — Aquele que foi enviado por Deus com uma missão especial a cumprir. E Ele é o Filho, o Filho eterno do Deus eterno.

    Quando nosso Senhor Jesus esteve na terra, assumiu a semelhança de um homem. Embora Ele seja Deus, Sua divindade estava oculta sob o revestimento da semelhança humana.

    A Bíblia diz:

    O Verbo Se fez carne, cheio de graça e de verdade.

    Então, entre parênteses, João diz:

    Vimos a Sua glória, glória como do Unigênito do Pai.

    Por que isso está entre parênteses? Porque, do ponto de vista humano, eles viam Jesus cheio de graça e de verdade. Isso era tudo o que podiam ver. É preciso ter olhos espirituais para enxergar além desse corpo, dessa forma física, e ver que Ele é o Filho do Deus vivo.

    É necessária uma revelação do alto para conhecer o Senhor Jesus como o Cristo, o Filho do Deus vivo.

    Revelação e Conhecimento Intelectual

    Irmãos e irmãs, o que é revelação? Qual é a diferença entre revelação e conhecimento intelectual?

    Hoje, as pessoas podem ter conhecimento intelectual. Se vocês foram criados em uma família cristã, ou vivem nos chamados países cristãos, estão cercados pelos ensinamentos do cristianismo. Certamente, podem dizer com facilidade: “Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo”.

    Mas isso não é revelação. É apenas conhecimento intelectual.

    Qual é a diferença entre revelação e conhecimento intelectual? Vocês podem ter um conhecimento correto, um conhecimento exato a respeito de Jesus, porque ouviram falar Dele.

    É muito estranho. Depois que Pedro confessou o Senhor como o Cristo, sabem o que o Senhor disse? O Senhor lhes ordenou que não dissessem a ninguém que Ele era o Cristo.

    Poderíamos pensar que o Senhor diria: “Muito bem. Vocês Me conhecem como o Cristo. Agora, vão a todas as nações e digam que Eu sou o Cristo. Espalhem a notícia”. Mas, em vez disso, o Senhor Jesus disse: “Não digam a ninguém que Eu sou o Cristo”. Não é estranho?

    Isso acontece porque as pessoas podem receber conhecimento intelectual sem revelação. Mesmo que recebam conhecimento intelectual a respeito de Cristo, sem revelação do alto, esse conhecimento pode até impedi-las de realmente conhecê-Lo.

    A diferença entre revelação e conhecimento intelectual é esta: se o seu conhecimento é meramente intelectual, uma informação recebida de fora — algo que carne e sangue podem ensinar —, não há poder transformador. Esse conhecimento não pode transportá-los para outra condição.

    Vocês não poderão se identificar com aquilo que conhecem. Não poderão se unir ao que conhecem. Em outras palavras, o conhecimento é o conhecimento, e vocês são vocês. Não haverá identificação, união, transformação nem transferência.

    O que quero dizer com isso? Quero dizer o seguinte: se for uma revelação do alto, vocês serão transformados por meio dessa revelação. Não apenas transformados, mas também transferidos.

    A transformação é algo que acontece dentro de vocês. A transferência é algo que acontece fora de vocês, exteriormente. Em outras palavras, se realmente tiverem uma revelação do alto, sua posição será mudada. Isso é transferência.

    Vocês serão transportados do poder das trevas para o reino do Filho do amor de Deus. Isso é conversão.

    Vocês serão transformados. Em vez de serem pecadores, serão santos. Isso é transformação. Algo acontecerá dentro de vocês, e algo acontecerá ao seu redor.

    Vocês se identificarão com a revelação que receberem. Estarão unidos a essa revelação. Portanto, irmãos e irmãs, é muito fácil distinguir se algo é revelação ou se é apenas conhecimento.

    No tempo de Cristo, naturalmente, esse conhecimento intelectual ainda não havia sido difundido. Portanto, tudo o que carne e sangue podiam ensinar era que Jesus era um grande homem, um grande profeta. Era necessária uma revelação para conhecer Jesus como o Cristo, o Filho do Deus vivo.

    Hoje, como o evangelho tem sido pregado, esse conhecimento está difundido. Podemos ter o conhecimento intelectual de que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo. Mas lembrem-se disto: se esse conhecimento for ensinado por carne e sangue, não transformará vocês.

    Não os transportará nem os transferirá do poder das trevas para o reino do Filho do amor de Deus. Mesmo que tenham esse conhecimento intelectual, não estarão identificados com ele nem poderão estar unidos a ele.

    É por isso que é tão importante termos uma revelação do Pai que nos mostre, em nosso espírito, que Jesus é, de fato, o Cristo, o Filho do Deus vivo.

    Os Efeitos Transformadores da Revelação

    Sabem o que acontece quando o Pai nos revela Cristo? A palavra Cristo significa “o Ungido”. Ele é ungido por Deus, e o Espírito sobre Ele é sem medida. Este é o Cristo, o Ungido.

    Mas, depois de receberem essa revelação e de O confessarem como o Cristo, o Filho do Deus vivo, vocês se tornam cristãos. Cristãos significa “os ungidos”.

    Cristo é o Ungido, e nós, que recebemos a revelação, nos tornamos os ungidos. Imediatamente, há identificação. Estamos unidos a Ele.

    O Espírito Santo sobre Sua cabeça é sem medida, e o Espírito de Deus vem sobre cada um de nós e habita em nós. Tornamo-nos cristãos, os ungidos.

    Ele é o Filho do Deus vivo. Quando essa revelação nos é dada e cremos Nele como o Filho do Deus vivo, algo acontece: nascemos do alto. Tornamo-nos filhos de Deus, crianças de Deus.

    Assim, vocês percebem como a revelação é importante. Sem revelação, não haverá transformação, transferência, identificação nem união. Tudo será meramente exterior. Nada será real.

    Mas, com a revelação, imediatamente algo acontece com vocês. Algo acontece dentro de vocês. Algo acontece até mesmo fora de vocês, ao seu redor. Isso é revelação.

    Graças a Deus, o Pai revelou o Filho. Paulo disse:

    Aprouve a Deus revelar Seu Filho em mim.

    Creio que nós, que estamos aqui nesta manhã, recebemos essa revelação. Aprouve ao Pai revelar o Filho em nós.

    Esta é a maior revelação em todo o mundo: vê-Lo como o Cristo, o Ungido, o Filho do Deus vivo.

    O Filho Revela a Igreja

    Mas, depois que essa revelação foi dada pelo Pai e recebida, imediatamente nosso Senhor Jesus começou a revelar a segunda grande revelação da Bíblia.

    Àqueles que haviam recebido a primeira revelação do Pai, o Filho começou a revelar a segunda maior revelação em todo o mundo. Que revelação é essa?

    O Senhor disse: “Você é Pedro. Você é uma pedra”. Porque você crê, a transferência e a transformação aconteceram em você. Do pó para uma pedra — você é Pedro, uma pedra.

    Edificarei a Minha igreja sobre esta rocha, e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.

    Queridos irmãos e irmãs, ouçam nosso Senhor Jesus como o Filho. Ele veio revelar a Pedro a segunda maior revelação em todo o mundo. Que revelação é essa? É a revelação da igreja.

    O Senhor disse:

    Edificarei a Minha igreja.

    Essa é a primeira vez que nosso Senhor Jesus usou a palavra igreja.

    Vocês se lembram de que Paulo disse que a igreja é um mistério que esteve oculto em Deus ao longo dos séculos. Aqui, pela primeira vez, nosso Senhor Jesus começou a revelá-lo. Ele disse:

    Edificarei a Minha igreja sobre esta rocha, e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.

    Isso é uma revelação.

    Hoje, como a igreja existe nesta terra há dois mil anos, temos a história da igreja, historiadores da igreja e pessoas que estão formando igrejas. Portanto, hoje a igreja se tornou um assunto de conhecimento comum.

    Em outras palavras, vocês não precisam de revelação para saber a respeito da igreja. Mas lembrem-se: mesmo que saibam a respeito da igreja por meio de carne e sangue, se não tiverem uma revelação do Filho, esse conhecimento da igreja não lhes fará bem algum.

    Não produzirá identificação. Não produzirá união. Não transformará vocês nem os transferirá.

    É por isso que vemos tantas pessoas que sabem a respeito da igreja, falam sobre a igreja e até formam igrejas. Mas o que é a igreja para elas? Para elas, a igreja é uma organização. Para elas, a igreja é um lugar de poder, até mesmo de disputas políticas pelo poder.

    Por quê? Porque não há revelação.

    Irmãos e irmãs, se precisamos de revelação a respeito de Cristo, precisamos de revelação a respeito da igreja. Se o Filho nos revelar a igreja, então encontraremos algo muito diferente.

    Cristo como a Rocha e os Crentes como Pedras Vivas

    O Senhor disse: “Você é Pedro, uma pedra. Edificarei a Minha igreja sobre esta rocha”. Aqui, o Senhor está fazendo um jogo de palavras. Você é Petros; edificarei a Minha igreja sobre a petra.

    Em outras palavras, nosso Senhor Jesus é a Rocha. O Senhor Jesus, revelado pelo Pai e confessado pelo homem, é a Rocha.

    Paulo disse:

    Sou um sábio construtor. Lancei um fundamento, e não há outro fundamento senão Jesus Cristo.

    Nosso Senhor Jesus é, Ele mesmo, o fundamento.

    A revelação do nosso Senhor Jesus e a confissão do nosso Senhor Jesus — Ele é o fundamento. Pedro, ao confessar o Senhor, tornou-se uma pedra. Tornou-se material para a construção.

    Ele, com os outros crentes, seria edificado pelo Senhor sobre o próprio Senhor, para ser uma habitação de Deus.

    Agora, irmãos e irmãs, Pedro compreendeu isso plenamente. Em 1 Pedro 2:5, ele disse que o Senhor é uma Pedra viva. Ao nos achegarmos ao Senhor, todos nos tornamos pedras vivas, sendo edificados juntos como casa espiritual, sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus por meio de Jesus Cristo.

    Isso vem da revelação. Se vocês tiverem uma revelação do Filho a respeito da igreja, imediatamente estarão profundamente envolvidos.

    Por quê? Porque vocês são pedras. Devem ser edificados juntamente com outras pedras sobre a Rocha. Já não são observadores ou espectadores; estão profundamente envolvidos.

    Vocês estão identificados com a igreja. Estão unidos à igreja. Estão no próprio processo de edificação da igreja. Não podem se colocar à parte, como se fossem meros observadores. Não podem fazer isso.

    Uma vez que o Filho lhes revele a igreja, imediatamente vocês se envolvem. Estão envolvidos. Estão identificados. Estão sendo edificados juntos. Tornaram-se material para essa construção. Não há como permanecer do lado de fora.

    Essa é a diferença entre revelação e conhecimento intelectual. Uma vez dada a revelação, ela transforma vocês. Ela os transfere. Coloca-os em uma nova posição. Vocês passam a se identificar com ela e a estar unidos a ela.

    Vocês percebem que o Senhor está realmente tomando sua vida em Suas mãos e edificando vocês com outros crentes sobre Ele mesmo, para que encontre Sua morada em vocês. Que grande revelação!

    A maior revelação é Cristo, e a segunda é a igreja. Por quê? Porque Cristo é a Cabeça, e a igreja é o Seu corpo.

    Queridos irmãos e irmãs, se receberem a revelação de Cristo e da igreja, toda a Bíblia se abrirá para vocês. Na verdade, toda a Bíblia ensina esta única coisa: Cristo e Sua igreja. Não há nada mais importante do que isso.

    Por isso, precisamos realmente buscar o Senhor para que Ele nos conceda essa revelação. Ele nos dará a revelação de Cristo e nos dará uma revelação da igreja.

    É verdade que, quando cremos no Senhor Jesus pela primeira vez, o Pai nos revelou Cristo. Mas lembrem-se: essa revelação precisa continuar e aumentar. Cristo não tem limites.

    Oh, que eu possa conhecê-Lo.

    Não há limites para esse verdadeiro conhecimento de Cristo — o Filho do Deus vivo.

    Quando o Pai abriu os céus pela primeira vez e nos revelou o Filho, aquilo foi apenas o começo de conhecê-Lo, não o fim. Irmãos e irmãs, precisamos receber mais revelação.

    Precisamos receber, pelo Espírito Santo, um conhecimento renovado, novo e vivo do nosso Senhor Jesus. Precisamos conhecê-Lo cada vez mais. Quanto mais vocês O conhecem, mais são transformados, mais estão unidos a Ele e mais se identificam com Ele.

    O mesmo se aplica à igreja. Talvez o Senhor tenha começado a lhes mostrar a igreja: a mostrar que a igreja não é algo que os homens constroem, mas algo que o próprio Senhor edificará. Ele disse:

    Eu edificarei.

    Vocês veem que o Senhor está edificando Sua igreja, ou veem apenas homens construindo? Precisamos ver que o Senhor disse:

    Eu edificarei.

    Com o que Ele edificará? Ele edificará Sua igreja com você e comigo. Somos simplesmente materiais de construção. Como Ele nos edificará? Ele nos edificará sobre a Rocha, que é Ele mesmo.

    Em outras palavras, estaremos profundamente arraigados e fundamentados Nele. A medida em que estivermos arraigados e fundamentados Nele será a medida de nossa edificação.

    Irmãos e irmãs, essa revelação precisa aumentar dentro de nós. Não é algo estático; é algo vivo.

    Quanto mais vocês avançarem com o Senhor, mais Ele lhes revelará a igreja, e vocês verão como Ele amou a igreja e Se entregou por ela. Se é algo que o Senhor ama e pelo qual dá a Si mesmo, então vocês sabem que é algo muito, muito precioso.

    Antes de tudo, precisamos realmente buscar o Senhor para que, nessas duas grandes revelações, não sejamos apenas privilegiados, por Sua graça, com uma revelação inicial, mas prossigamos em uma compreensão crescente, por meio da revelação, do que são Cristo e a igreja.

    A Cruz como o Meio de Concretização

    Mas, na verdade, meu encargo não está naquilo que mencionei até aqui. Meu encargo está na segunda parte, na parte que começa em Mateus 16:21.

    Creio que a segunda parte da passagem que lemos é muito negligenciada. Ficamos tão envolvidos com essas grandes revelações que a deixamos de lado.

    Todos nós gostamos de revelação. Por quê? Porque, quando recebemos uma revelação, sabemos do que se trata. Antes de a revelação ser dada, é um mistério. Não sabemos.

    Todos gostamos de saber. Por isso, como desejamos revelação, para que possamos saber o que as coisas são! Quando realmente sabemos e começamos a ver o que Deus vê, isso nos eleva ao terceiro céu.

    A revelação nos proporciona uma experiência de terceiro céu. Somos elevados ao terceiro céu porque vemos e sabemos. Agora vemos; agora sabemos. Que coisa maravilhosa, admirável, gloriosa!

    Gostaríamos de nos sentir como Pedro, que disse: “Senhor, é bom estarmos aqui. Vamos ficar aqui. Faremos três tendas: uma para Ti, uma para Moisés e uma para Elias. Dormiremos ao ar livre; não importa. Essa revelação é boa demais. Não queremos descer ao vale”.

    Assim, irmãos e irmãs, muitas vezes, quando leem Mateus 16, creio que vocês leem apenas até Mateus 16:20, e param aí. Não continuam a leitura.

    Como não continuamos a leitura, deixamos escapar alguma coisa. Apesar das grandes revelações que recebemos, não vemos essas revelações se cumprirem em nossa vida, tornarem-se reais em nossa vida.

    O Significado de “Desde Então”

    Aqui, em Mateus 16:21, encontramos: “Desde então”. Agora, irmãos e irmãs, isso é muito importante. Ele disse: “Desde então”.

    Em outras palavras, antes daquele momento, o Senhor não havia dito nada a respeito do que estava prestes a dizer. Por quê? Ele não podia dizer. Foi somente desde então, depois que a revelação foi dada, que o Senhor Jesus começou a mostrar aos Seus discípulos que era necessário ir a Jerusalém, sofrer muitas coisas da parte dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitar ao terceiro dia.

    O Pai revelou o Filho a Pedro — que Jesus é o Cristo, o Messias, o Ungido, o Senhor de todos.

    Então, o Senhor começou a explicar como Ele cumpriria Sua missão como o Cristo. A revelação nos mostra o quê; a explicação nos diz como.

    De fato, Ele é o Cristo, o Ungido de Deus. Ele é o fundamento. Mas como o fundamento é lançado? Como Ele cumprirá Sua missão como o Cristo?

    Ele é o Filho eterno de Deus. Desde a eternidade, Ele é Seu Filho. Em Filipenses, lemos que Ele, sendo igual a Deus, não considerou a igualdade com Deus algo a que devesse Se apegar, porque isso é o que Ele é. Na eternidade, Ele é um com Deus. Ele é o Filho eterno de Deus, o Filho do Deus vivo. Isso nunca muda.

    Ele começou a ser o Cristo de Deus quando Deus concebeu o pensamento da criação. Ele é o Filho de Deus desde a eternidade, sem princípio, mas tornou-Se o Cristo de Deus quando Deus concebeu o pensamento da criação.

    Por causa da criação, era necessário que Cristo viesse e realizasse a obra da redenção, a fim de cumprir o propósito de Deus. Mesmo antes de o mundo ser criado, Ele era o Cristo. Ele era o Cordeiro morto desde a fundação do mundo.

    Quando veio a este mundo, veio como o Cristo, como o Ungido de Deus, para realizar o propósito eterno de Deus. Veio com uma missão tremenda.

    Cristo e a Cruz

    Mas como Ele realizaria a obra de Cristo? Como demonstraria ser, de fato, o Cristo?

    Ele disse que precisava ir a Jerusalém. Sofreria muitas coisas da parte dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas. Seria morto e ressuscitaria ao terceiro dia.

    Vocês se lembram de nosso Senhor Jesus quando tinha trinta anos, antes de começar Seu ministério público. Ele foi até João Batista para ser batizado por ele.

    João Batista não queria fazê-lo. De alguma forma, João percebia que ali estava um Homem que não precisava Se arrepender. Contudo, o Senhor disse: “Faça isso, para cumprir a justiça. Este é o caminho que Deus ordenou. Que assim seja feito”.

    Vocês se lembram de que nosso Senhor Jesus desceu às águas e foi batizado. O que isso significa?

    Significa que, embora não tivesse nada de que Se arrepender, por ter sido designado para ser o Cristo, Ele precisava tomar o nosso lugar. Precisava passar pelo batismo, passar pela morte e pela ressurreição.

    Em outras palavras, Ele ofereceu a Si mesmo ao Pai para ser o sacrifício. Ofereceu a Si mesmo ao Pai para realizar a obra de Cristo — morrer pela humanidade. Aceitou o batismo como um sinal de que estava disposto a entregar Sua vida por nossa causa.

    Durante toda a Sua vida, a sombra da cruz esteve sobre Ele. Não houve um único dia ou uma única noite em que a sombra da cruz não estivesse sobre Ele. Ele percorreu o caminho da cruz. Durante toda a Sua vida, tomou a Sua cruz.

    Até que, finalmente, foi crucificado. Por quê? Porque Ele não pode ser o Cristo sem a cruz.

    Ele é o Cristo, mas, para ser o Cristo — para cumprir a obra de Cristo —, precisava passar pela cruz. Não havia outro caminho. Foi pela cruz que Ele demonstrou ao mundo que é o Cristo.

    É por isso que, hoje, a cruz se tornou um símbolo, pois ela é a própria prova de que Ele é o Cristo. Se Ele não tivesse ido à cruz, embora tivesse sido enviado ao mundo para ser o Cristo, teria fracassado em Sua missão.

    A Transfiguração e a Necessidade da Cruz

    Um dia, nosso Senhor Jesus levou três discípulos ao monte da transfiguração, e ali foi transfigurado. Em outras palavras, a glória da Divindade começou a resplandecer através de Seu corpo físico e o transformou.

    Seu rosto brilhava como o sol, e até Suas roupas — coisas materiais — ficaram brancas. A glória do Senhor começou a resplandecer através de Seu corpo. Houve um momento em Sua vida na terra em que a glória interior se manifestou.

    Foi tão maravilhoso! Ali, Moisés e Elias apareceram e conversavam com Ele sobre Sua partida — Seu êxodo.

    Ele veio a este mundo por meio da virgem Maria. Essa foi Sua entrada. Agora, eles conversavam sobre Sua saída — Sua partida deste mundo. Como o Senhor Jesus sairia do mundo?

    Quanto ao próprio Senhor, Ele havia vivido na terra por mais de trinta anos e havia vivido uma vida perfeita. Tinha todo o direito de voltar ao Pai. Era um Homem perfeito, que havia vivido uma vida perfeita, uma vida agradável ao Pai.

    Ele poderia ter saído do mundo no monte da transfiguração. Estava pronto. Aos olhos de Deus, Ele era um Homem perfeito e tinha todo o direito de voltar ao Pai.

    Mas, se tivesse feito isso, continuaria sendo o Filho de Deus, porém não teríamos o Cristo na terra. Por quê? Sua missão teria fracassado.

    Ele não veio apenas para demonstrar ao mundo que existia um Homem tão perfeito. Veio para demonstrar que um Homem, um Homem perfeito, Alguém que não conheceu pecado, morreria por aqueles que são pecadores — sendo feito pecado por nós, para que nos tornássemos justiça de Deus. Isso é o Cristo.

    Graças a Deus, nosso Senhor Jesus não partiu do monte da transfiguração. Ele partiu do madeiro do Calvário para demonstrar que é o Cristo.

    Queridos irmãos e irmãs, um Cristo sem a cruz não é Cristo. Nosso Cristo é um Cristo com a cruz. Por isso, Paulo disse:

    Determinei nada saber entre vós, senão Jesus Cristo, e Este crucificado.

    Essa é a mensagem.

    A Oposição de Satanás à Cruz

    Satanás odiava a cruz. Satanás não queria ver nosso Senhor Jesus crucificado. Vocês podem achar isso estranho.

    Talvez pensem que era Satanás quem queria que Cristo fosse crucificado. Em certo sentido, sim; em outro sentido, não. Por quê?

    Quando o Senhor começou a revelar aos Seus discípulos que precisava ir a Jerusalém e ser morto — em outras palavras, que precisava ir à cruz —, imediatamente Pedro, aquele que acabara de fazer uma confissão tão grandiosa, segurou Cristo, sacudiu-O e O repreendeu.

    Pensem nisso. São palavras fortes. Pedro repreendeu seu Mestre, como se Pedro soubesse mais.

    Pedro disse: “Senhor, não faças isso. Não faças isso. Cuida de Ti mesmo. Tu não precisas de uma cruz. Podes ter o trono”.

    Pedro disse isso com boa intenção. Amava tanto seu Mestre que não queria vê-Lo sofrer de forma alguma. Estava cheio de simpatia, compaixão e amor pelo Senhor. Pensava estar fazendo a coisa certa, sem saber que estava sendo usado por Satanás.

    A carne sempre é usada pelo inimigo. Onde quer que haja carne, há um instrumento nas mãos do inimigo. É assim tão sério, seja essa carne má ou boa. Certamente, aqui Pedro manifestou a boa carne.

    Mas nosso Senhor tinha discernimento. Imediatamente, enxergou o que estava por trás de tudo aquilo. O Senhor Se voltou e disse:

    Para trás de Mim, Satanás, porque não cogitas das coisas de Deus, mas das coisas dos homens.

    “Você quer tirar de Mim a cruz, mas não sabe que, se Eu não for à cruz, vocês não terão o Cristo? Não haverá salvação.”

    Oh, irmãos e irmãs, Satanás sabia que, se Cristo fosse à cruz, sua cabeça seria esmagada. É verdade: em seu desespero, Satanás perdeu o juízo. Queria que Cristo fosse crucificado.

    Mas, depois que Cristo estava pendurado na cruz, novamente vemos Satanás usando os principais sacerdotes e os escribas. Eles foram até o pé da cruz e disseram: “Se Tu és o Cristo, desce. Desce da cruz, e creremos em Ti”.

    Isso também vinha de Satanás. Cristo já estava crucificado, e Satanás dizia: “Desce. Desce. Se desceres, todos creremos em Ti”.

    Se cressem Nele, o que aconteceria? Não haveria salvação. Graças a Deus, nosso Senhor Jesus não desceu. Não desceu porque era o Cristo. Se tivesse descido, já não seria o Cristo.

    Aqui, irmãos e irmãs, vocês percebem o ponto? Qual é o conteúdo da revelação? Ele é o Cristo. Mas como essa revelação pode se concretizar? Somente por meio da cruz.

    A cruz é o meio; Cristo é o fim.

    A Cruz como o Caminho da Igreja

    Agora, esse princípio não se aplica apenas a Cristo. Esse princípio também se aplica à igreja.

    Depois que nosso Senhor Jesus esclareceu a situação a respeito de Si mesmo, em Mateus 16:24, Ele Se voltou para os discípulos. Depois de esclarecer a primeira revelação — que não pode haver Cristo sem a cruz, que a cruz e Cristo são inseparáveis e que a cruz é o meio para chegar a Cristo —, Ele Se voltou para os discípulos.

    Já não estava falando de Si mesmo, mas deles. Estava entrando na segunda revelação: a revelação da igreja.

    A revelação da igreja é uma grande revelação. Mas como a igreja é edificada? Ele disse:

    Edificarei a Minha igreja.

    Mas como Ele edificará a igreja? Sobre qual princípio, segundo qual caminho, por qual meio?

    Então, disse aos Seus discípulos:

    Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.
    Porque qualquer que quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas qualquer que perder a sua vida por amor de Mim achá-la-á.

    Irmãos e irmãs, recebemos a revelação da igreja. O Senhor disse:

    Edificarei a Minha igreja sobre esta rocha, e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.

    Mas por que, nesses dois mil anos, parece que tão pouco da obra de edificação foi realizado? Por que grande parte do que foi construído foi vencida pelas portas do Hades, demonstrando que essas construções não são obra do Senhor?

    Por quê? Porque a igreja não compreende o princípio da cruz.

    Sem a cruz, não pode haver igreja. A revelação da igreja é gloriosa, mas, sem a cruz, nunca se tornará realidade.

    Por isso, o Senhor disse:

    Se alguém quiser vir após Mim.

    Desejamos segui-Lo? Desejamos ser edificados juntos como uma santa habitação de Deus?

    Se vocês não têm esse desejo, então nada pode ser dito. Mas, se realmente desejam segui-Lo, para onde Ele vai? Ele segue o caminho da cruz.

    Para ser o Cristo de Deus, Ele percorreu o caminho da cruz. Portanto, se desejamos segui-Lo, precisamos percorrer o mesmo caminho — o caminho da cruz. Então, seremos edificados juntos como uma santa habitação de Deus.

    Ter a revelação da igreja, mas rejeitar a cruz, nos deixará apenas como visionários.

    Somente quando recebermos a revelação da cruz e estivermos dispostos a negar a nós mesmos, tomar nossa cruz e seguir o Senhor é que a igreja se tornará uma realidade em nossa vida.

    O Eu como Obstáculo à Edificação da Igreja

    O Senhor disse:

    Negue-se a si mesmo.

    Por quê? Porque o maior obstáculo à edificação da igreja é o eu.

    Não pensem que é o ambiente ao nosso redor que nos impede de sermos edificados. Vocês podem dizer: “Há perseguição. As pessoas não têm permissão para se reunir. Portanto, não podemos ser edificados juntos”.

    Mas, por estranho que pareça, nos países onde a perseguição prevalece, vemos a igreja sendo edificada mais do que nunca. O povo de Deus está realmente sendo edificado em conjunto.

    Não é o nosso ambiente nem as nossas circunstâncias. O obstáculo à edificação da igreja não está nas coisas exteriores. O obstáculo à edificação da igreja é você; sou eu; é o eu. Esse é o obstáculo.

    Paulo disse em Romanos que somos como uma massa de barro nas mãos do oleiro. O Oleiro pode nos transformar no tipo de vaso que desejar, e o barro não tem nada a dizer.

    Por quê? Porque o Oleiro tem esse direito. O barro não apenas não tem nada a dizer, como também não sabe dizer coisa alguma. Nunca dirá nada. Está passivamente nas mãos do oleiro, permitindo que ele o molde e lhe dê forma segundo sua vontade.

    Mas, irmãos e irmãs, nós somos pedras vivas. Esse é o problema.

    O Senhor não pode nos tomar e nos moldar sem nenhuma cooperação de nossa parte. O Senhor não pode fazer essa obra com pessoas passivas, porque somos seres vivos. Somos pedras vivas.

    Quando Ele tenta nos edificar juntos, irmãos e irmãs, há em cada um de nós um eu que resiste ao Senhor a cada passo.

    É assim. Esse é o maior obstáculo à edificação da igreja. O eu quer que tudo seja edificado ao seu redor. Nunca quer ser edificado juntamente com os outros.

    Portanto, não se pode edificar o eu. Só se pode edificar Cristo em nós. O material de construção é Cristo em nós.

    Mas, porque existe o eu, ele resiste à obra. Assim, vocês percebem como é difícil para o Senhor edificar Sua igreja.

    A Negação do Eu

    O Senhor disse:

    Negue-se a si mesmo.

    O que significa negar a si mesmo? Negar a si mesmo significa simplesmente dizer não a si mesmo.

    Oh, irmãos e irmãs, quem não ama a si mesmo? Como nos amamos tanto, não negamos nada a nós mesmos.

    Gratificamos o eu. Atendemos aos seus desejos. Damos tudo ao eu para satisfazê-lo. Sempre dizemos sim ao eu.

    Mas o Senhor disse: “Diga não ao eu. Aprenda a dizer não ao eu”.

    Queridos irmãos e irmãs, vocês alguma vez dizem não a si mesmos — às suas próprias opiniões, às suas próprias ideias, ao seu orgulho, à sua justiça própria?

    Vocês alguma vez dizem não a si mesmos? Alguma vez negam a si mesmos? Alguma vez dizem a si mesmos: “Eu não conheço você. Quem é você para que eu tenha de ouvi-lo?”.

    Vocês alguma vez dizem isso a si mesmos? Ou estão sempre tentando satisfazer a si mesmos, dizer sim a si mesmos? Se alguém lhes diz não, vocês ficam magoados? Ficam frustrados? Sentem pena de si mesmos ou ficam com raiva?

    Irmãos e irmãs, a primeira lição que precisamos aprender é negar a nós mesmos.

    Negar o eu é uma questão de vontade. Não é uma questão de ação; é uma questão de vontade.

    Em outras palavras, se vocês realmente desejam seguir o Senhor, se realmente desejam ser edificados na igreja, a revelação é tão gloriosa! Vocês a veem. Querem ser edificados nela.

    Se realmente desejam isso — se não desejam, continuem amando a si mesmos —, mas, se realmente desejam, então a primeira coisa é que, em sua vontade, vocês precisam decidir negar a si mesmos. “Vou negar a mim mesmo.”

    É o Espírito de Deus que opera em vocês o querer. Ele quer que vocês queiram, mas vocês mesmos precisam querer. Ele não os forçará a fazer isso. Ele respeita sua personalidade. Sempre a respeita.

    Ele quer sua cooperação. Quer que vocês queiram. Irmãos e irmãs, o Senhor disse:

    Negue-se a si mesmo.

    Vocês precisam ter a vontade de negar a si mesmos.

    Não pensem primeiro na força ou no poder para fazer isso. Talvez pensem: “O querer está em mim, mas o realizar não está”. Tudo bem. Comecem pelo querer, e verão que Ele realizará.

    Mas, antes de tudo, vocês precisam querer negar a si mesmos.

    A Negação do Eu em Contraste com a Renúncia a Coisas

    Irmãos e irmãs, o que vocês entendem por negar o eu? Negar o eu significa mais do que simplesmente abrir mão de alguma coisa.

    Se vocês são bons católicos — às vezes uso essa ilustração —, se são católicos praticantes, então talvez se abstenham de carne às sextas-feiras. Pensam que estão negando carne a si mesmos.

    Ou, durante a Quaresma, talvez jejuem algumas vezes. Talvez abram mão de algum alimento. Talvez abram mão de coisas de que gostam e deem algo ao Senhor. Talvez renunciem a parte do seu tempo e dediquem algum tempo ao Senhor, ou deem algum espaço ao Senhor.

    Creio que, se pertencemos ao Senhor, ao longo da nossa vida haverá ocasiões em que renunciaremos a isto e àquilo por amor ao Senhor. Graças a Deus por todas essas coisas. Mas lembrem-se disto: quando vocês renunciam a essas coisas, se o eu não for negado, o que acontecerá?

    Quanto mais renunciarem a coisas, mais forte o eu se tornará. Vocês acreditam nisso?

    Olhem para Paulo. A quantas coisas ele havia renunciado! Mas seu eu se tornou mais forte — uma justiça própria tão forte que ninguém conseguia vencê-lo. Ele até queria matar o povo de Deus e pensava estar prestando um serviço a Deus.

    É por isso que, na igreja, as pessoas chamadas espirituais — aquelas que abriram mão de muitas coisas pelo Senhor — muitas vezes são as mais difíceis de serem edificadas em conjunto.

    O eu precisa ser negado. Como?

    O Ato de Tomar a Cruz

    O Senhor disse:

    Negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.

    Em outras palavras, negar o eu é uma questão de vontade; tomar a cruz é uma questão de ação.

    Se vocês têm a vontade de negar a si mesmos, então o Espírito Santo providenciará cruzes para vocês hoje.

    Irmãos e irmãs, vocês não precisam fabricar cruzes. Não precisam criar cruzes para outras pessoas, para que o eu delas morra.

    O que vocês podem criar para si mesmos e para outras pessoas são problemas, não cruzes. Tudo o que é fabricado pelo homem é um problema, não uma cruz.

    Somente aquilo que é providenciado pelo Espírito Santo pode ser uma cruz, se vocês a tomarem.

    É algo que vocês podem escolher. Podem tomá-la; podem contorná-la.

    Acho que essas vias de contorno são uma solução maravilhosa para o transporte moderno. Podemos pegar um desvio. Mas, nas coisas espirituais, um desvio não é bom.

    Vocês podem contornar a cruz, mas esse desvio não os levará de volta. Ele os levará para longe.

    Precisamos tomar a cruz. Qual é o significado da cruz? O significado da cruz é muito simples: a cruz é o lugar onde o eu é crucificado. Isso é a cruz.

    Sofrimento, sim — mas nem todo sofrimento é uma cruz.

    Irmãos e irmãs, se vocês têm a vontade de negar a si mesmos, não se preocupem. Não fiquem ansiosos. Terão cruzes suficientes para tomar.

    O Senhor organizará suas circunstâncias — com seus irmãos e irmãs, com sua própria família, com certos acontecimentos, em determinado ambiente, ou seja lá o que for.

    Quando essas coisas acontecerem, vocês perceberão: “O Senhor quer que o eu morra, que seja crucificado nessa cruz”.

    Não falar em defesa de si mesmos, não insistir em seus direitos, mas estar dispostos a abrir mão de si mesmos.

    Somente quando o eu estiver sendo tratado é que vocês verão a vida de Cristo em vocês começar a ser edificada juntamente com a vida de Cristo nos outros irmãos e irmãs. É assim que a igreja é edificada.

    Nosso problema é que queremos ser edificados juntos, mas queremos que o eu seja incluído nessa edificação.

    Mas o Senhor não edificará dessa maneira. Os homens podem construir assim, mas Deus não. Ele edificará somente com a vida pura de Cristo em nós.

    Portanto, o eu precisa ir à cruz. O Senhor disse:

    Qualquer que quiser salvar a sua vida perdê-la-á.

    A vida, ali, é a vida da alma. Isso é o eu; é a vida da alma.

    Se vocês amam a vida da alma, amam o eu e não querem abrir mão dele. Querem que o eu desfrute, seja satisfeito, gratificado e pleno. Podem ter isso hoje, mas o perderão.

    Se estiverem dispostos a perder a vida da alma por amor a Cristo, então a ganharão para a eternidade.

    Os Aspectos Pessoal e Coletivo da Cruz

    Irmãos e irmãs, a cruz não é apenas o lugar onde o eu é crucificado para que a vida de Cristo cresça em vocês. A cruz também é o meio pelo qual vocês e seus irmãos e irmãs podem ser edificados juntos.

    Há um aspecto pessoal da cruz e há um aspecto coletivo da cruz.

    Pessoalmente, a cruz crucificará a vida do eu, para que a vida de Cristo tenha a primazia dentro de vocês. Coletivamente, a cruz removerá o obstáculo à edificação da igreja, para que vocês sejam edificados juntamente com seus irmãos e irmãs.

    Digo novamente: sem a cruz, não pode haver igreja. Uma igreja que não tem cruz não é igreja.

    É por isso que muitas vezes dizemos: se pregamos a cruz, obtemos a igreja; mas, se pregamos a igreja, obtemos a cruz.

    Que o Senhor nos ajude a enxergar. Precisamos de revelações, mas também precisamos aceitar a cruz. Caso contrário, não temos vocação nem testemunho.

    Oração

    Vamos orar.

    Nosso Pai celestial, nós Te louvamos e Te agradecemos porque é do Teu agrado revelar-nos Teu Filho, e é a alegria do Filho revelar-nos a igreja.

    Nosso Pai, nós Te louvamos e Te agradecemos por essas grandes, gloriosas e eternas revelações. Elas realmente nos elevam. Mas, nosso Pai, reconhecemos que o caminho para que elas se concretizem é a cruz.

    Vemos nosso Senhor Jesus colocado diante de nós como nosso modelo, pois Ele realmente percorreu o caminho da cruz para demonstrar que é o Cristo de Deus.

    Nosso Pai, pedimos-Te que não percamos de vista a cruz; que, por Tua graça, estejamos dispostos a negar a nós mesmos, tomar nossa cruz e seguir-Te; que sejamos edificados por Ti como uma santa habitação de Deus, para que Tu habites nela.

    Pedimos em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.