Por favor, abram no Evangelho segundo Mateus, capítulo 24. Mateus 24.
Começaremos em Mateus 24:37.
E, como foram os dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do Homem.
Pois, assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca,
e não o perceberam, até que veio o dilúvio e os levou a todos; assim será também a vinda do Filho do Homem.
Então, estarão dois homens no campo; um será levado, e o outro será deixado:
duas mulheres estarão moendo no moinho; uma será levada, e a outra será deixada.
Vigiai, pois: porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor.
Mas sabei isto: se o dono da casa soubesse em que vigília viria o ladrão, vigiaria e não permitiria que a sua casa fosse arrombada.
Por isso, estai vós também preparados; porque, à hora em que não pensais, virá o Filho do Homem.
Quem é, pois, o servo fiel e prudente, a quem o seu senhor pôs sobre a sua casa, para dar-lhes o alimento a seu tempo?
Bem-aventurado aquele servo a quem o seu senhor, quando vier, encontrar fazendo assim.
Em verdade vos digo que o porá sobre todos os seus bens.
Mas, se aquele mau servo disser em seu coração: Meu senhor tarda;
e começar a espancar os seus conservos, e a comer e beber com os ébrios;
virá o senhor daquele servo num dia em que ele não o espera e numa hora que ele não sabe,
e o cortará em pedaços, e lhe dará a sua parte com os hipócritas: ali haverá pranto e ranger de dentes.
Só mais um versículo: Mateus 25:1.
Então, o reino dos céus será semelhante a dez virgens que tomaram as suas lâmpadas e saíram ao encontro do noivo.
Creio que todos sentimos em nosso coração que a vinda do nosso Senhor é iminente. Não sabemos quando. Não podemos saber o dia nem a hora. Mas sentimos em nosso espírito que Sua vinda está muito próxima.
Deus tem Seu calendário, mas o calendário Dele é muito diferente do nosso. Nós estabelecemos um horário, uma programação, e fixamos determinado ano, mês, dia ou hora. Mas o calendário de Deus é vivo e flexível. Seu calendário é estabelecido de acordo com as condições. Quando as condições são as certas, então chega o Seu tempo.
É por isso que vocês encontram na Bíblia esta expressão: “a plenitude do tempo”. Mesmo na primeira vinda do nosso Senhor Jesus, Ele veio na plenitude do tempo. Gálatas diz que, na plenitude do tempo, Ele veio, nascido de mulher, sob a lei, para nos libertar da maldição da lei.
Ora, a mesma coisa acontecerá em Sua segunda vinda. É na plenitude do tempo que Ele virá.
Embora não saibamos o dia nem a hora — e não só nós não sabemos; nem mesmo os anjos sabem —, fiquem tranquilos. O Pai sabe. E, ainda assim, Deus nos mostra as condições gerais relacionadas à Sua vinda. Ao observar essas condições gerais, temos a certeza de que Sua vinda está muito próxima.
Agora, nesta passagem que acabamos de ler, o Senhor disse:
Como foram os dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do Homem.
Em outras palavras, as condições da vinda do Filho do Homem são semelhantes às condições dos dias de Noé.
Se vocês voltarem a Gênesis 6, encontrarão certas coisas mencionadas a respeito das condições dos dias de Noé.
Primeiro, naqueles dias, as pessoas se multiplicavam muito rapidamente — em outras palavras, havia uma explosão populacional. E vemos que isso é muito real entre nós hoje.
Segundo, vemos que, naqueles dias, os filhos de Deus olharam para as filhas dos homens e se casaram com elas. É claro que sabemos que há diferentes interpretações — principalmente duas. Uma delas é que os filhos de Deus são os descendentes de Sete, enquanto as filhas dos homens são as descendentes de Caim.
Há outra interpretação que diz que os filhos de Deus se referem aos anjos, e as filhas dos homens se referem à humanidade. Eu, pessoalmente, creio na segunda interpretação. Aceitá-la ou não fica a critério de vocês. Mas, de qualquer modo, vemos que os anjos não devem se casar nem ser dados em casamento; contudo, encontramos nas Escrituras alguns anjos que não guardam o seu devido lugar.
Esses anjos começaram a se relacionar com as filhas dos homens, e o resultado foram os gigantes dos tempos antigos. De qualquer modo, vemos que, no espiritualismo dos nossos dias, essas coisas estão aumentando.
Terceiro, vemos que, nos dias de Noé, a humanidade era muito perversa. Até mesmo a imaginação dos pensamentos do coração dos homens era continuamente má. E como isso é verdadeiro hoje! Vemos que a mente humana está realmente corrompida — imaginações perversas e pensamentos do coração continuamente maus.
Especialmente com a ajuda de meios de comunicação como a televisão e outros, a mente se enche de imaginações perversas.
Quarto, nos dias de Noé, vemos que o mundo inteiro estava corrompido. Quando Deus olhou para o mundo, viu que estava corrompido. E como deve estar corrompido hoje aos olhos de Deus! Mesmo aos nossos olhos, vemos corrupção em toda parte. Ora, aos olhos de Deus, certamente Ele vê muito mais do que nós.
Quinto, havia violência sobre a face da terra. Como isso é verdadeiro em nossos dias: violência, guerras — todas essas coisas estão entre nós hoje.
É claro que há muitos outros fenômenos, mas nosso Senhor Jesus mencionou especialmente aquilo que caracterizava os dias de Noé. Ele disse que, nos dias de Noé, antes do dilúvio, as pessoas comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento.
Sabemos que comer e beber, casar e dar-se em casamento são coisas legítimas. Em outras palavras, Deus determinou que comêssemos, bebêssemos, nos casássemos e fôssemos dados em casamento, porque isso sustenta nossa vida e dá continuidade à humanidade. Se não houver comida, bebida, casamento e pessoas dadas em casamento, a humanidade chegará ao fim. Essas coisas são legítimas.
Mas por que nosso Senhor Jesus menciona essas coisas como características dos dias de Noé? Porque comer e beber, casar e dar-se em casamento são necessidades da vida — mas não são o propósito da vida.
Precisamos comer; precisamos beber; nós nos casamos e somos dados em casamento. Necessitamos dessas coisas. Mas, queridos irmãos e irmãs, elas não são o propósito da vida. Se fizermos delas os propósitos da nossa vida, haverá algo fundamental e drasticamente errado — muito errado.
O Senhor Jesus disse:
Nem só de pão viverá o homem.
Mas, se os homens vivem só de pão — se estão inteiramente ocupados com: “Que comerei? Que beberei? Com que me vestirei?” —, se o homem está completamente envolvido com as ansiedades desta vida, se sua mente está inteiramente voltada para as coisas materiais e físicas, negligenciando por completo sua necessidade espiritual e o significado da verdadeira vida, então vocês sabem que há algo fundamentalmente errado.
Como as pessoas, hoje, fazem do comer e beber a própria vida:
Comamos e bebamos, porque amanhã morreremos.
Ou fazem do casar-se e do casamento o propósito da vida. Vocês encontram pessoas que se casaram quatro, cinco, seis vezes ou mais.
Como foram os dias de Noé, assim será a vinda do Filho do Homem. Irmãos e irmãs, estamos vivendo numa época muito materialista — mais do que nunca. As pessoas fazem do comer e beber, casar e dar-se em casamento o propósito da vida. Elas perdem o verdadeiro significado e o verdadeiro propósito da vida.
E, enquanto faziam isso, de repente veio o dilúvio e os levou. A mesma coisa acontecerá em nossos dias.
Aqui, o Senhor Jesus disse:
Como foram os dias de Noé, assim será a vinda do Filho do Homem.
A palavra vinda, aqui, é parousia em grego. A palavra parousia significa presença. Portanto, a vinda do Senhor significa, na verdade, a presença do Senhor.
O Senhor disse que, quando vocês virem todas essas coisas, saberão que as condições estão maduras para a presença do Senhor. Hoje, o Senhor está ausente. Em certo sentido, Ele nunca está ausente; Ele está conosco no Espírito. Mas, em outro sentido, Ele está ausente. Agora Ele está no céu, e nós estamos na terra. Não estamos juntos.
Mas, um dia, teremos Sua presença conosco. Estaremos com Ele, e Ele estará conosco: a presença, a parousia, do Senhor.
Ora, a parousia, nas Escrituras, não é um único acontecimento. É uma série de acontecimentos que abrange determinado período de tempo. Ela tem um início e tem um fim.
Às vezes, quando falamos da vinda do Senhor, o que realmente queremos dizer é a manifestação da Sua vinda. Em outras palavras, quando o Senhor descer do céu, dos ares, e Seus pés tocarem o monte das Oliveiras — é nisso que geralmente pensamos quando falamos da vinda do Senhor.
Mas lembremos que isso é apenas o fim de Sua parousia. Ao final de Sua parousia, haverá Sua manifestação nesta terra. Mas a parousia tem um início. E quando acontecerá esse início?
Até o dia em que Noé entrou na arca.
Geralmente, pensamos na entrada de Noé na arca como um tipo dos crentes sendo preservados na terra durante a grande tribulação. Por quê? Porque Noé entrou na arca, e a arca flutuou sobre as águas. Ela atravessou o dilúvio. Por isso, às vezes, os intérpretes entendem a entrada de Noé na arca como um tipo dos crentes sendo preservados na terra durante a grande tribulação.
E Ló, que foi retirado da cidade de Sodoma quando caíram fogo e enxofre, é visto como um tipo dos cristãos, ou crentes, sendo preservados da grande tribulação. Na tipologia, às vezes é assim que se explica.
Mas, se vocês lerem o contexto, saberão que isso não é verdade. Por quê? Porque, quando o Senhor Jesus disse: “Como foram os dias de Noé, assim será a vinda, a parousia, do Filho do Homem”, Ele disse:
Até o dia em que Noé entrou na arca.
Então veio o dilúvio.
Em outras palavras, a entrada de Noé na arca não é um tipo dos crentes sendo preservados durante a grande tribulação. Pelo contrário, é o primeiro arrebatamento.
Acho interessante observar que Deus ordenou a Noé que construísse uma arca, e a palavra usada é arca — um baú, não um barco. E vocês se lembram de que Deus ordenou a Moisés que construísse uma arca. Embora sejam imensamente diferentes em tamanho, ainda assim é uma arca.
Por quê? Porque a arca simboliza nosso Senhor Jesus. Ele é a arca. Ele era a arca no tempo de Noé. Ele era a arca nos dias de Moisés. Ele é a arca.
Agora, onde está a arca hoje? Se vocês lerem Apocalipse 11:19:
E abriu-se o templo de Deus que está no céu; e no Seu templo foi vista a arca da Sua aliança; e houve relâmpagos, e vozes, e trovões, e um terremoto, e grande saraiva.
Aqui vocês veem que a arca está hoje no céu. Por quê? Porque Cristo está no céu hoje. Assim, a entrada de Noé na arca é um tipo daqueles que creem no Senhor sendo levados ao Senhor no céu. Isso é arrebatamento.
É claro que vocês não encontram a palavra arrebatamento nas Escrituras. Mas a palavra arrebatamento tem simplesmente o mesmo significado da palavra que encontramos nas Escrituras: receber. Quando nosso Senhor Jesus estava no monte das Oliveiras, em Atos 1, vemos que Ele foi elevado. Ele foi elevado do monte das Oliveiras, e a palavra levado tem o sentido de receber. Ele foi recebido no alto. Foi recebido de volta no céu.
Essa é a palavra. Portanto, temos, sim, a palavra receber. Em outras palavras, um dia seremos recebidos em Sua presença, e isso é arrebatamento.
“Então” indica o tempo. Naquele momento, dois estarão no campo; um será levado, e o outro será deixado. Duas mulheres estarão moendo num moinho; uma será levada, e a outra será deixada.
Queridos irmãos e irmãs, como saberemos que a parousia do Senhor começou? As pessoas fazem esta pergunta com frequência: que passagem das Escrituras, que profecia, ou quais profecias precisam se cumprir antes que o Senhor possa vir?
Algumas pessoas dizem que é preciso esperar até que o anticristo apareça, até que o homem do pecado apareça. Ora, se esse é o caso, vocês estão esperando o anticristo, e não Cristo.
Há alguma profecia, ou algumas profecias, que precisam se cumprir antes que a parousia do Senhor possa começar? Pelo que entendo, não há nenhuma. As condições gerais são as certas. A presença do nosso Senhor pode começar a qualquer momento.
Vocês não precisam esperar que mais alguma passagem das Escrituras se cumpra. É verdade que várias passagens ainda precisam se cumprir, mas depois que a parousia tiver começado — nos dias da parousia, ou mesmo depois da parousia. Quanto a alguma passagem que precise se cumprir antes do início da presença do Senhor, não consigo encontrar nenhuma.
Em outras palavras, Ele pode vir a qualquer momento. Queridos irmãos e irmãs, isso não é emocionante? E isso não é terrível?
Como saberemos que a parousia começou? Um dia, vocês verão dois homens no campo. Eles estão trabalhando. Um é levado, e o outro é deixado. Duas mulheres estão moendo num moinho. Uma é levada, e a outra é deixada. Em Lucas 17, encontramos dois numa cama. Um é levado, e o outro é deixado.
As pessoas trabalham no campo durante o dia. As mulheres moem no moinho pela manhã. As pessoas dormem na cama à noite. Assim, vemos aqui que pode ser de manhã, durante o dia ou à meia-noite — ou de manhã, durante o dia e à meia-noite. Por quê? Porque a terra é redonda.
Portanto, quando acontecer esse levar e deixar, acontecerá no mundo inteiro. Em alguns lugares, poderá ser à meia-noite; em outros, de manhã bem cedo; e, em outro lugar, ao meio-dia. Acontecerá em todo o planeta ao mesmo tempo. De repente, vocês verão algumas pessoas sendo levadas. Elas estarão sendo recebidas na presença do Senhor.
Agora, esses dois não se referem a um crente e a um incrédulo. Não. Esses dois se referem a crentes. Por quê? Porque sabemos que esta seção de Mateus 24 é, de fato, dirigida aos discípulos e se aplica aos crentes.
Por que dois? Porque dois é um número de testemunhas.
Onde dois ou três estiverem reunidos, ali estou Eu no meio deles.
Isso é a igreja.
Pela boca de duas ou três testemunhas, toda palavra será estabelecida.
Dois é um número de testemunhas.
Assim, vemos aqui que o Senhor usa dois, mas esses dois são exatamente iguais. Ambos estão trabalhando no campo; fazem o mesmo trabalho. Ambos estão moendo num moinho; fazem a mesma coisa. E ambos estão na cama; estão descansando.
Agora, não tenham medo de ir para a cama. Se o Senhor vier, mesmo que vocês estejam dormindo, está tudo bem. Se Ele for levá-los, Ele os levará.
De qualquer modo, vemos que esses dois são exatamente iguais. Quanto à aparência exterior, são iguais. Mas um é levado, e o outro é deixado. Por quê?
Porque o Senhor disse que, quando vier, virá como um ladrão. É curioso: parece que um ladrão sempre chega quando vocês não estão preparados — sempre num momento inesperado. Ele não chega tocando uma trombeta e dizendo: “Estou chegando”. Ele vem silenciosa e secretamente, de repente; e, antes que vocês percebam, já foi embora.
O Senhor disse que, quando vier, virá como um ladrão. Agora, quando um ladrão entra na sua casa, o que ele leva consigo? Certamente, ele leva o seu tesouro. Ele sabe exatamente onde está a sua caixa de tesouros, vai direto até ela e leva suas joias e todas as coisas muito preciosas.
Ele leva as coisas preciosas, mas deixa todo o lixo para você. Ora, se um ladrão viesse roubar o meu lixo, eu esperaria que ele viesse todas as noites. Mas um ladrão não faz isso. Ele vem, rouba o melhor que você tem e deixa aquilo que, para ele, não tem valor, aquilo que não vale muito.
Queridos irmãos e irmãs, na vinda do Senhor, Ele virá como um ladrão. Levará aquilo que Lhe é precioso. Mas, se para Ele algo não valer muito, Ele o deixará para trás.
Alguns crentes estão prontos para Ele; outros não. Exteriormente, vemos que são iguais. Parecem iguais. Não conseguimos ver a diferença. Na verdade, não devemos fazer distinção, porque não podemos. Os homens olham para a aparência, mas Deus olha para o coração. Nunca sabemos o que está acontecendo dentro de uma pessoa; portanto, não julguem ninguém.
Haverá uma grande surpresa naquele dia. Pessoas que temos em alta estima poderão ser deixadas, e pessoas que desprezamos poderão ser levadas. Nunca se sabe. Não julguem. Mas o Senhor sabe de verdade. Ele sabe quem O está esperando, quem está vigiando pela Sua vinda e quem está pronto e preparado para Ele.
O Senhor sabe, e levará os que estiverem prontos e deixará para trás os que não estiverem.
Qual é a lição que o Senhor quer que aprendamos? A lição é:
Vigiai, pois.
Estejam preparados. Essa é a lição.
Queridos irmãos e irmãs, quando falamos da vinda do Senhor, é essencial que estejamos vigilantes e preparados. Isso é mais importante do que tentar descobrir exatamente em que dia ou em que hora Ele virá.
Nossa mente é tão distorcida que, quando nos interessamos pela vinda do Senhor, nosso interesse se concentra mais no que vai acontecer — no que vai acontecer, uma coisa depois da outra. Tentamos descobrir o futuro, em vez de nos prepararmos para encontrar o Senhor.
Vocês podem ter todo o conhecimento sobre a segunda vinda de Cristo, o suficiente para dar palestras sobre o assunto, e, ainda assim, nunca se preparar nem vigiar por Seu retorno. De que adianta isso? A lição é que estejamos vigilantes e preparados. Irmãos e irmãs, estamos vigiando?
Como sabemos que estamos vigiando? Vocês realmente esperam que Ele volte a qualquer momento? Qual é a atitude do seu coração em relação à Sua vinda?
Então, o Senhor começa a usar uma parábola: a parábola de um servo. Lembrem-se de que a parábola do servo fiel e prudente e do mau servo diz respeito, na verdade, à mesma pessoa. O Senhor não está falando de duas pessoas. Nesta parábola, Ele está falando de uma pessoa, de um servo. Ele pode ser um servo fiel ou pode ser um servo perverso, mau. Há uma escolha a ser feita.
O que faz desse servo um servo fiel e prudente? O que faz dele um mau servo? É a atitude do seu coração em relação à vinda do Senhor.
O servo fiel espera que seu Senhor volte a qualquer momento. Ele está vigiando, esperando e pronto. A qualquer momento em que seu Senhor voltar, ele estará pronto para encontrá-Lo. Essa é a atitude correta.
Mas a atitude do mau servo é dizer em seu coração:
Meu Senhor tarda em vir.
Em outras palavras, sua atitude é: “Bem, Ele não virá. Ele não virá”. Por isso, ele não vigia. Não espera que o Senhor volte.
Irmãos e irmãs, a primeira coisa que precisamos aprender é esta: qual é a nossa atitude em relação à Sua vinda? Estamos realmente esperando que Ele venha a qualquer momento? Estamos aguardando Sua vinda a qualquer hora? Qual é a atitude do nosso coração?
Lembro-me de que o irmão Watchman Nee mencionou certa vez que, no fim de um ano, estava orando com a senhorita Margaret E. Barber. Todos vocês sabem que essa irmã ajudou muito nosso irmão quando ele era jovem.
No fim daquele ano, nosso irmão estava orando com ela e, enquanto orava, ela disse: “Ó Senhor, isso significa que Tu não virás este ano, e que terei de esperar por Ti mais um ano?”
Esse tipo de atitude do coração é a atitude de um servo fiel.
Talvez, inconscientemente, esperemos que o Senhor não venha tão cedo. Por quê? Porque ainda não estamos prontos para Ele. Por quê? Porque ainda temos muitos planos. Ainda temos muitas coisas que queremos fazer.
Embora possamos dizer: “Vem, Senhor Jesus”, mal ousamos dizer: “Ah, não venhas ainda”. Não é isso que acontece com muitos de nós?
Estamos tão tomados pelo próprio Senhor? Estamos tão livres dos embaraços deste mundo? Então somos como o trigo maduro: a raiz está tão solta e seca que um pequeno toque o arranca. Somos assim?
Estamos realmente prontos, preparados, esperando, aguardando e vigiando por Seu retorno? Essa atitude do coração determinará nosso trabalho e nosso modo de viver na terra.
Porque um servo prudente espera que o Senhor venha a qualquer momento, vemos que ele dá alimento aos da casa no tempo devido. Em outras palavras, enquanto o Senhor está ausente, Ele nos designa para diversos serviços em Sua casa.
O que é Sua casa? Todos sabemos que a casa de Deus é a família de Deus. Em outras palavras, nós, que pertencemos ao Senhor, somos a casa de Deus; fazemos parte da família de Deus.
Na família de Deus, não somos apenas filhos que desfrutam de tudo o que nosso Pai celestial e nosso Irmão mais velho prepararam para nós; a cada um também é dada uma parte do serviço a realizar.
A alguns pode ser dado um serviço maior; a outros, um serviço menor. Aqui, como a parábola trata de um único servo, ela fala como se ele tivesse a responsabilidade por toda a casa. Mas, na realidade, como há tantas pessoas na casa de Deus, cada um de nós recebe graça e um dom, para que possamos exercer nossa função na casa de Deus, para a nutrição e o crescimento do corpo de Cristo.
Vemos aqui que esse servo dá alimento aos da casa no tempo devido. Pela manhã, vocês preparam o café da manhã; ao meio-dia, preparam o almoço; à noite, preparam o jantar. Vocês preparam alimento fresco na hora certa.
Por ser fiel em fornecer esse alimento para a nutrição dos da casa, quando o Senhor voltar, Ele lhe dará autoridade sobre todos os Seus bens.
Queridos irmãos e irmãs, se em nosso coração realmente esperamos que o Senhor volte, precisamos ser fiéis à parte, ao ministério ou ao serviço que o Senhor designou a cada um de nós.
Não é correto apenas desfrutar do que há na casa de Deus. Sim, há muito para desfrutar, mas, ao mesmo tempo, espera-se que vocês façam a sua parte.
Como diz Efésios 4, cada membro deve trabalhar de acordo com a sua parte. Todos precisam contribuir com algo como alimento, como nutrição, para o crescimento, o aumento e a maturidade do corpo de Cristo. Estamos fazendo isso?
Se não estamos fazendo, será porque nosso coração não está alerta, vigiando pelo Senhor? Pensamos: “Bem, haverá o amanhã. Haverá o depois de amanhã. Haverá mais um ano. Haverá mais cinco anos”.
Se nosso coração está realmente voltado para o Senhor, aguardando Seu retorno, então, irmãos e irmãs, precisamos servir no tempo devido. Enquanto Deus nos der dias, esses serão os dias em que teremos de fazer a nossa parte. Porque, quando Ele voltar, o tempo terá acabado; a oportunidade terá acabado.
Mas será que estamos pensando em nosso coração que o Senhor não virá, que Ele está demorando? Se essa for a atitude do nosso coração, o que acontecerá conosco? A mesma pessoa poderá se tornar aquele mau servo.
Por causa da atitude do seu coração, vemos que ele começa a espancar seus conservos. Em vez de fornecer alimento à casa de Deus, começa a espancar seus companheiros de serviço. Começa a ferir, prejudicar, oprimir e defraudar seus irmãos na fé.
Em vez de edificar a casa de Deus, ele está destruindo a casa de Deus. Começa a comer e beber com os ébrios. Os ébrios são as pessoas deste mundo. Vemos que ele não é diferente das pessoas mundanas. Embora seja crente, age como o mundo. São crentes, mas se comportam como se fossem do mundo. Comem e bebem com o mundo; divertem-se com o mundo.
Mas, de repente, o Senhor vem, num dia em que ele não O espera e numa hora que ele não sabe. É claro que ele não sabe — não está vigiando.
Quando o Senhor vier, Ele o cortará em pedaços e lhe dará sua parte com os hipócritas. Ali haverá pranto e ranger de dentes. Queridos irmãos e irmãs, isso não é terrível?
Cortado em pedaços; sua parte lhe será dada com os hipócritas. Quem são os hipócritas? O mundo. Como ele está com o mundo, sua parte será com os hipócritas. Haverá ranger de dentes — arrependimento pelo que fez.
Em outras palavras, na vinda do Senhor, na parousia, haverá o tribunal de Cristo.
Muitas pessoas pensam que o julgamento é apenas para os incrédulos. Nós, que cremos no Senhor Jesus, não seremos mais julgados. Sim, é verdade que, se ouvimos Sua voz e cremos Nele, passamos da morte para a vida e não entramos em julgamento.
Não seremos julgados, porque nosso Senhor Jesus foi julgado por nós na cruz. Ele levou nossos pecados em Seu próprio corpo e foi julgado em nosso lugar. Portanto, se cremos Nele, o julgamento já passou por nós. Não seremos julgados no julgamento do grande trono branco.
Um dia, a velha terra e o velho céu serão queimados, e todos os que estão mortos serão ressuscitados dentre os mortos. Ali serão julgados diante do grande trono branco. Cada um será julgado segundo suas obras. Haverá livros; há um registro de cada pessoa. Vocês serão julgados de acordo com o que estiver escrito ali.
Algumas pessoas dizem: “Como Deus pode manter um registro assim de cada pessoa? Tudo o que você faz, tudo o que pensa, tudo o que diz — sua vida inteira está registrada”. Não no FBI, mas diante de Deus.
Certo dia, um irmão disse que não entendia como Deus podia manter um registro assim de todos, até perceber que esse registro, na verdade, está dentro de cada um. D. L. Moody contou que, quando era menino, foi nadar e estava se afogando. Enquanto afundava, de repente sua vida inteira apareceu diante dele como numa tela. Ali, na memória, Deus guardou Seu registro.
Irmãos e irmãs, como agradecemos ao Senhor! Esse registro está limpo, lavado pelo sangue. Foi apagado. Não há nada contra nós diante de Deus. Deus não apenas perdoou; Ele também esqueceu. Isso desapareceu para sempre.
Nós, que cremos no Senhor Jesus, não seremos julgados nos últimos dias no julgamento do grande trono branco. É um julgamento judicial — um julgamento de vida eterna ou morte eterna. Graças a Deus, não seremos julgados ali, porque Cristo já foi julgado por nós.
Mas isso significa que, por causa disso, não haverá nenhum outro julgamento? Certamente, a Bíblia fala do tribunal de Cristo.
Em 1 Coríntios, vemos Paulo mencionando o tribunal de Cristo. Não é um trono; é um assento. Um trono tem caráter judicial, mas um assento tem caráter familiar. Um trono serve para julgar entre vida eterna e morte eterna, mas um assento é um julgamento entre recompensa e perda.
Sabem, a palavra assento é bema em grego. Nas famílias orientais, nas grandes famílias, vemos que, de tempos em tempos, há uma reunião familiar. O chefe da família reúne toda a família num grande salão. De um lado do salão, há uma plataforma elevada, chamada bema.
Nessa plataforma elevada, o chefe da família se senta, e todos os membros da família se reúnem no salão. Somente os membros da família podem participar. Se você não é membro da família, não pode entrar.
Então, o chefe da família pronuncia seu julgamento. Se algum filho da família fez algo que trouxe glória à família, será elogiado e recompensado. Se alguém fez algo que trouxe desonra ao nome da família, será disciplinado.
Isso é o tribunal de Cristo. É verdade que não passaremos pelo julgamento do grande trono branco, mas todo crente, um dia, será julgado diante do tribunal de Cristo.
Paulo disse que todos compareceremos diante do tribunal de Cristo e seremos julgados de acordo com a obra que fazemos — se é ouro, prata e pedras preciosas, ou se é madeira, feno e palha; se é de Deus, ou se é do homem, de nós mesmos.
É verdade que, no tribunal de Cristo, se for madeira, feno e palha, será queimado. Mas a pessoa ainda será salva, porque o fundamento é Cristo, e Ele não pode ser queimado. Mas aquilo que cresce sobre o fundamento — madeira, feno e palha da carne — será tudo queimado. Vocês sofrerão perda.
Mas, se for ouro, prata e pedras preciosas, vocês serão recompensados. Assim como esse servo fiel: na vinda, na parousia, do Senhor, o servo fiel é recompensado. Sua recompensa é receber autoridade sobre todos os bens do Senhor.
É isso que encontramos nas Escrituras. Na vinda do Senhor, diante do tribunal de Cristo, alguns receberão recompensa — cinco cidades, dez cidades — para governar esta terra com Cristo durante mil anos. Mas alguns sofrerão perda.
A perda do mau servo é uma perda tremenda. Ele é cortado em pedaços, recebe sua parte com os hipócritas, com pranto e ranger de dentes. Não sabemos, e não ousamos entrar muito nessa área, porque as Escrituras silenciam a respeito. Mas isso nos mostra que ali haverá disciplina.
Se nos recusarmos a ser disciplinados hoje, seremos disciplinados nos dias vindouros. Por quê? Porque o propósito de Deus não mudou. Ele quer nos levar à maturidade como filhos de Deus. Graças a Deus por isso.
Talvez, agora que vocês estejam compreendendo um pouco mais, possamos retomar o que mencionamos: a parousia tem um início. Esse início acontece quando um é levado, e o outro é deixado.
Vocês se lembram de que, em Apocalipse 12, a mulher está para dar à luz um filho varão e, imediatamente depois que o filho varão nasce, ele é levado para o alto. Ele é recebido junto de Deus e de Seu trono. Esse é o início da parousia.
Queridos irmãos e irmãs, um dia, de repente, em todo este mundo, alguns cristãos desaparecerão subitamente — mas não todos os crentes.
Acho que cada vez mais cristãos estão começando a perceber isso. Antes, as pessoas pensavam que todos seriam levados juntos. Mas, se todos formos levados juntos, por que vigiar? Por que estar preparado? Vocês não precisariam vigiar, porque seriam levados de qualquer maneira. Isso não faz sentido.
Assim, cada vez mais, em nossos dias, as pessoas estão começando a perceber que somente aqueles que vigiam e oram, somente aqueles que guardam a palavra da Sua perseverança, somente aqueles que estão prontos — esses serão levados. Mas os demais, que não estão prontos, terão de ser preparados antes de serem levados.
Em Atos 1, o Senhor Jesus estava no monte das Oliveiras. Ele estava pronto para ser recebido no céu. Então vemos que nosso Senhor Jesus, de repente, começou a Se elevar do alto do monte e a subir. Ele foi elevado.
Todos os discípulos olhavam para Ele, vendo-O subir, subir e subir, até que uma nuvem O recebeu. Eles não podiam vê-Lo, mas a nuvem O recebeu, e Ele continuava subindo. Eles continuavam olhando para o alto.
Então apareceram dois homens vestidos de branco. Talvez vocês gostassem de saber quem eram esses dois homens. Eu não vou contar.
Os dois homens vestidos de branco apareceram e disseram:
Homens da Galileia, por que estais olhando para o céu?
Esse Jesus, que dentre vós foi recebido no céu, virá assim, da mesma maneira como O vistes ir para o céu.
Em outras palavras, o Senhor foi elevado em duas etapas. Seu afastamento ocorreu em duas etapas. A primeira foi do monte das Oliveiras até os ares — visível. A segunda foi dos ares, isto é, da nuvem, até o trono — invisível.
Agora sabemos que Ele chegou ao trono. Como sabemos? Há uma prova: no dia de Pentecostes, o Espírito Santo desceu. A vinda do Espírito Santo é a evidência de que o Senhor está agora sentado à direita do Pai. Deus O ungiu como Senhor.
Assim, sabemos que hoje Ele está no trono, porque a mesma unção desceu de Sua cabeça e veio sobre todo o corpo. De qualquer modo, vemos que Seu afastamento ocorreu em duas etapas: a primeira visível, e a segunda invisível.
Da mesma maneira será Seu retorno, Sua presença. Mas a ordem será inversa. A primeira etapa será invisível; a segunda será visível. A primeira etapa será do trono até os ares. Isso é invisível.
Quando acontecerá? Acontecerá depois que aquele que é levado chegar ao trono. Então haverá guerra nos ares, e Satanás será lançado dos ares para a terra. Assim, os ares estarão livres para que o Senhor volte com Seus vencedores.
Sabemos que, quando Satanás for lançado à terra, o que se pode esperar senão a grande tribulação?
Mas, depois da grande tribulação, o sol terá castigado o restante do trigo. O restante do campo não estava maduro como as primícias que já haviam sido recolhidas. Então, por meio do calor abrasador da grande tribulação, um dia todo o campo estará maduro.
Em Apocalipse 14, encontramos o Homem com uma coroa de ouro e uma foice de ouro, sentado sobre a nuvem. Uma voz diz:
Lança a Tua foice; porque a seara da terra está madura.
Então a foice é lançada, e a colheita é recolhida. Para onde? Para os ares.
Em 1 Tessalonicenses 4, os mortos em Cristo ressuscitarão, e os que permanecerem vivos serão transformados. Todos serão arrebatados aos ares para encontrar o Senhor nos ares — não no trono, mas nos ares. É ali que começará o tribunal de Cristo.
Enquanto o tribunal de Cristo estiver em andamento, vemos que, na terra, como diz Apocalipse, as sete taças — a ira de Deus — serão derramadas sobre a terra. Perto do fim, o Senhor virá sobre um cavalo branco com Seu exército, composto não apenas de chamados, mas de escolhidos. Eles virão com Ele, e Seus pés tocarão o monte das Oliveiras: a manifestação de Sua parousia. Esse é o fim da parousia.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, lembremos: é verdade que haverá uma colheita, que todos serão colhidos. Mas as primícias serão colhidas primeiro, e as primícias são sempre as melhores — sempre as melhores.
Por fim, gostaria de prosseguir um pouco mais, com Mateus 25:1:
Então, o reino dos céus será semelhante a dez virgens que tomaram as suas lâmpadas e saíram ao encontro do noivo.
Sabem, a parábola das dez virgens tem sido muito mal compreendida. Basicamente, as pessoas pensam que as cinco virgens prudentes são crentes, e as cinco virgens insensatas são incrédulas. Mas não pode ser assim.
Por quê? Primeiro, vemos que é naquele tempo que o reino dos céus se assemelha a dez virgens. É no tempo da parousia do Senhor. Isso não diz respeito ao mundo; diz respeito à Sua igreja.
Por que dez? Porque dez é um número de responsabilidade. O número da igreja é sete ou doze. Temos as sete igrejas da Ásia; temos os doze apóstolos; temos a cidade santa com doze fundamentos. Portanto, o número da igreja é sete ou doze.
Mas aqui, em Mateus 24, encontramos dois: um é levado, e o outro é deixado. Dois — não seis, dois. E, nesta parábola, encontramos dez. Quando juntamos os dez e os dois, temos o número doze, que é um número perfeito. Há uma razão para isso; eu a explicarei.
De qualquer modo, essas dez são virgens. A Bíblia nunca chama um incrédulo de virgem. Para Deus, um incrédulo é um adúltero ou uma adúltera. Somente os que foram purificados pelo sangue precioso são virgens. Vocês se lembram de que Paulo mencionou em 2 Coríntios 11:
Eu vos desposei com um só marido, para vos apresentar a Cristo como uma virgem pura.
Somente os crentes são virgens.
Segundo, vemos que todas têm lâmpadas. Todas emitem luz. Todas têm azeite em suas lâmpadas enquanto saem ao encontro do Noivo. Isso mostra que todas têm o Espírito Santo habitando nelas. O Espírito Santo que habita nelas é o azeite nas lâmpadas. Porque o Espírito Santo está ali, vocês podem emitir luz, brilhar nas trevas.
Terceiro, todas saem ao encontro do Noivo. Um incrédulo sairia ao encontro de Cristo? Ele não crê em Cristo. Somente os crentes sairão ao encontro do Noivo — ao encontro de Cristo.
Quarto, vemos que todas adormecem porque o Noivo demora. Não são apenas as cinco insensatas que adormecem; as cinco prudentes também adormecem. Todas adormecem.
O sono, nas Escrituras, pode ser explicado de várias maneiras. Uma é o sono literal, à noite. Outra é o sono espiritual. Outra é a morte física. Isso não pode significar dormir à noite, porque não faria sentido. Não pode significar sono espiritual, porque as prudentes também dormem. Portanto, a única explicação é que se trata da morte física.
Queridos irmãos e irmãs, ao longo dos séculos, os cristãos têm saído ao encontro do Noivo. Mesmo no primeiro século, os crentes esperavam que o Senhor voltasse durante sua vida. Eles saíram ao encontro do Noivo.
No segundo século, no terceiro e no quarto, encontramos pessoas que pertenciam ao Senhor esperando que Ele voltasse, porque Ele pode voltar a qualquer momento. Mas, como Ele demorou, elas morreram.
Assim, essas dez virgens representam os que morreram em Cristo ao longo dos séculos, e os dois representam os que ainda estarão vivos em Sua parousia.
Proporcionalmente, é quase como dez para dois, mas é claro que isso apenas mostra a diferença. As dez virgens representam, de fato, os santos que já partiram porque o Senhor demorou a voltar.
É claro que sabemos, como Pedro disse, que não é porque Ele esteja demorando. Ele deseja ardentemente vir. A razão pela qual ainda não veio é Sua longanimidade. Ele quer que todos tenham a oportunidade de se arrepender e ser salvos.
Mas os mesmos princípios ilustrados nas dez virgens precisam ser aplicados aos dois que estão vivos. Encontramos a mesma divisão: entre os dois, um é levado, e o outro é deixado; entre as dez virgens, cinco são insensatas, e cinco são prudentes. Em outras palavras, há uma divisão mesmo entre os crentes.
Agora, em certo sentido, em nossa comunhão, nunca devemos estar divididos. Irmãos e irmãs, lembrem-se disto: nossa comunhão deve abranger a todos. Não podemos dividir nossa comunhão. Precisamos ter comunhão com todos os crentes que pertencem a Deus.
Mas, quanto à condição real diante de Deus, encontramos cristãos divididos em dois grupos. Um grupo é como as insensatas; o outro é como as prudentes.
Qual é a diferença? Vemos que todas adormecem, mas, à meia-noite, todas ouvem uma voz:
Eis o Noivo! Saí ao Seu encontro.
Todas ouvem a voz, e todas se levantam. Isso é ressurreição.
Mas a diferença é que as virgens prudentes têm azeite de reserva em suas vasilhas, de modo que podem abastecer suas lâmpadas com esse azeite. As virgens insensatas, porém, não têm azeite de reserva.
Sem dúvida, elas têm vasilhas, mas provavelmente pensam que essas vasilhas devem carregar outras coisas, como ouro, prata e outras coisas, julgando que são mais importantes. Mas vocês não podem queimar essas coisas para produzir luz. Essa é a diferença.
Portanto, irmãos e irmãs, por que um é levado, e o outro é deixado? A razão é que, embora todos tenham o Espírito Santo, alguns se esvaziaram e deixaram que o Espírito Santo enchesse sua vida. Outros enchem sua vida com outras coisas, de modo que o Espírito Santo não encontra espaço nela.
Queridos irmãos e irmãs, como precisamos ser cheios do Espírito Santo! Ser cheio do Espírito Santo significa ser governado pelo Espírito Santo. Nossa vida é governada pelo Espírito Santo, ou é governada pelas coisas deste mundo, e não pelo Espírito Santo? Isso faz a diferença.
Isso mostra quem está pronto e quem não está. Mostra quem está vigiando e quem não está. Se vocês estiverem vigiando, sem dúvida o Espírito Santo lhes lembrará das coisas em vocês que precisam ser retiradas, para que Ele possa enchê-los.
Mas, se não estiverem vigiando, não ouvirão Sua voz. Pensarão que está tudo bem, e sua vida continuará como de costume. Não haverá esvaziamento, nem enchimento do Espírito Santo.
Ah, irmãos e irmãs, como esperamos por Sua presença? Tendo em vista Sua vinda, como devemos nos preparar? Não armazenando alimentos, não comprando armas, não fugindo de um lugar para outro, mas sendo cheios do Espírito Santo — tendo nossa vida governada pelo Espírito Santo.
É assim que vocês se preparam para Seu retorno. Direi novamente: façam de permanecer em Cristo o seu único objetivo. Se estiverem sempre com Ele, não será surpresa quando Ele os receber em Sua presença.
Mas as virgens insensatas não conseguem entrar na casa para participar das bodas do Cordeiro. As bodas do Cordeiro dão início ao reino milenar, e creio que essa festa de casamento dura mil anos.
Mas as virgens insensatas não podem participar — somente as prudentes. É claro que, depois que os mil anos terminarem, quando Deus queimar o velho céu e a velha terra, preparar um novo céu e uma nova terra, e a Nova Jerusalém descer do céu, então todos os crentes estarão ali. Isso é vida eterna.
Vocês não perdem a vida eterna. Mas podem perder a recompensa. A vida eterna é uma dádiva. Deus nunca Se arrepende. Ela lhes foi dada; Ele nunca a tomará de volta. Graças a Deus por isso.
A recompensa é diferente. Vocês precisam permitir que a graça de Deus opere em sua vida, pois Ele opera em vocês tanto o querer como o realizar.
Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor.
Que o Senhor nos ajude. Vamos orar?
Nosso Pai celestial, como Te louvamos e agradecemos porque a parousia do nosso Senhor é iminente. Ó nosso Pai, ensina-nos a permanecer Nele e a estar em Sua presença todos os dias, durante todos os nossos anos, para que não seja estranho quando formos recebidos em Sua presença, porque estamos sempre com Ele, e Ele está sempre conosco. Que assim seja. Em nome do nosso Senhor Jesus, amém.