Nesta manhã, vamos ler o Antigo Testamento.
E foi Jabez mais ilustre do que seus irmãos;
e sua mãe chamou o seu nome Jabez, dizendo: Porquanto com dores o dei à luz.
E Jabez invocou o Deus de Israel, dizendo: Oh! Que me abençoes muitíssimo e alargues os meus limites; e que a Tua mão seja comigo e me guardes do mal, de modo que não me sobrevenha aflição!
E Deus lhe concedeu o que Lhe tinha pedido.
E disseram os filhos dos profetas a Eliseu: Eis que o lugar em que habitamos diante de ti nos é estreito demais.
Vamos, pois, até ao Jordão, e tomemos de lá, cada um de nós, uma viga, e façamos ali um lugar para habitarmos. E disse ele: Ide.
E disse um: Serve-te de ires com os teus servos. E disse ele: Eu irei.
E foi com eles; e, chegando eles ao Jordão, cortaram madeira.
E sucedeu que, derrubando um deles uma viga, o ferro do machado caiu na água; e clamou, e disse: Ai, meu senhor! Porque era emprestado.
E disse o homem de Deus: Onde caiu? E ele lhe mostrou o lugar. Então cortou um pau, e o lançou ali, e fez flutuar o ferro.
E disse: Levanta-o. Então ele estendeu a sua mão e o tomou.
Canta, ó estéril, tu que não deste à luz;
rompe em cântico e clama em alta voz, tu que não tiveste dores de parto:
porque mais são os filhos da desolada do que os filhos da casada, diz o Senhor.
Amplia o lugar da tua tenda, e estendam-se as cortinas das tuas habitações; não poupes:
alonga as tuas cordas e firma as tuas estacas.
Porque transbordarás à direita e à esquerda;
e a tua descendência possuirá as nações e fará que sejam habitadas as cidades desoladas.
Voltemo-nos ao Senhor em oração.
Nosso Pai celestial, como Te louvamos e Te agradecemos por Tua presença conosco em Cristo Jesus. Como Te louvamos e Te agradecemos por Tua Palavra, que nos deste para nossa exortação, encorajamento e consolo.
Pedimos-Te, ó Senhor, agora que lemos Tua Palavra, que sopres sobre ela e a tornes viva e operante hoje; que ela fale a cada um de nós, desperte nosso espírito e fortaleça nossas mãos e nossos pés, para que possamos seguir-Te. Em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.
Provavelmente vocês estão se perguntando por que li essas três passagens. Elas não parecem ter relação entre si. Mas, se vocês lerem com muita atenção, encontrarão um elemento comum nas três. Será que vocês já o encontraram?
E esse elemento comum é a ampliação.
Em 1 Crônicas 4:10, lemos sobre Jabez e sua oração:
Oh! Que me abençoes muitíssimo e alargues os meus limites.
Isso é pessoal.
Depois, quando chegamos a 2 Reis 6:1-7, encontramos o pedido dos filhos dos profetas a Eliseu. Eles disseram que o lugar onde habitavam era estreito demais, pequeno demais para eles. Precisavam de uma casa maior.
Se os filhos dos profetas representam a obra de Deus, então essa é uma oração pela ampliação da obra de Deus.
Por fim, Isaías 54:1-3 diz respeito a toda a nação de Israel: como Deus ampliará sua tenda, a restabelecerá e a fortalecerá. Se os filhos de Israel representam a igreja, então se trata da ampliação da igreja.
Portanto, essas três passagens falam de ampliação: a primeira, pessoal; a seguinte, da obra de Deus; e, finalmente, da igreja de Deus.
Em 1 Crônicas 4:9-10, encontramos o nome Jabez. Na verdade, em toda a Bíblia, esse homem é mencionado apenas nesse lugar, em somente dois versículos.
Jabez era um dos filhos de Judá, e, no entanto, o Espírito Santo destacou esse homem. De repente, como que do nada, vocês veem surgir estes dois versículos:
E foi Jabez mais ilustre do que seus irmãos;
e sua mãe chamou o seu nome Jabez, dizendo: Porquanto com dores o dei à luz.
E Jabez invocou o Deus de Israel.
Apenas dois versículos sobre esse homem, e, no entanto, esses dois versículos dizem muita coisa.
Jabez era mais ilustre do que seus irmãos. Agora, por quê? Uma das razões apresentadas é que, quando sua mãe o deu à luz, ela sofreu muita dor. Por isso, seu nome era Jabez. Jabez significa “aquele que causa dor”.
Isso não é estranho? Por causa da dor, ele era mais ilustre.
Fico pensando: se vocês têm alguns filhos, e talvez um deles lhes cause mais dor do que os outros, será que amam esse filho mais do que os outros porque ele lhes causa mais dor?
Agora, vocês podem ampliar esse pensamento. Tudo o que nos causa mais dor, tudo o que nos custa mais para obter, tudo aquilo pelo qual sofremos se torna muito precioso para nós.
Às vezes, quando as coisas vêm com muita facilidade, vocês não lhes dão tanto valor. Mas, se alguma coisa vem com muita dificuldade — se vocês precisam trabalhar por ela, pagar um preço por ela e talvez sofrer muito por ela —, então essa mesma coisa se torna preciosa e querida para vocês.
Esse é um mistério do sofrimento. Todos nós gostamos de evitar o sofrimento. Se pudermos obter alguma coisa sem pagar preço algum, se pudermos recebê-la facilmente, se nossa vida for fácil, então achamos que isso seria maravilhoso.
Mas, queridos irmãos e irmãs, há um mistério no sofrimento. Vocês não recebem tanta honra se não sofrem tanto.
Jabez era um filho da dor, do sofrimento, e provavelmente levou isso para sua própria vida. Porque sua mãe sofreu, talvez ele também tenha sofrido. Não sabemos; talvez tenha nascido com alguma enfermidade. Em meio a esses sofrimentos, ele chegou a uma posição de maior honra.
A razão pela qual ele foi mais honrado do que seus irmãos pode ser vista em sua oração. Agora, por que oramos?
Oramos porque reconhecemos que somos insuficientes. Reconhecemos que somos fracos. Reconhecemos que não somos capazes. E, por causa disso, oramos.
Se vocês acham que são fortes o suficiente, se acham que estão à altura da situação, vocês oram? Provavelmente pensam que não precisam orar, porque conseguem dar conta.
Mas aqui encontramos um homem que nasceu em meio ao sofrimento, que conhecia o sofrimento, a fraqueza e a dor. Por meio de todas essas experiências, ele sabia que não era suficiente em si mesmo. Reconhecia sua insuficiência e, por isso, sua vida podia ser resumida em oração.
Quando o Espírito Santo mencionou esse homem, Ele mencionou a oração desse homem. Em outras palavras, não se tratava apenas de Jabez ter feito uma oração; aquela oração representava toda a sua vida.
Toda a sua vida pode ser vista naquela oração. Ele era uma pessoa que dependia completamente de Deus. Não era independente, autossuficiente nem egocêntrico. Reconhecia sua própria limitação e, por isso, apoiava-se no Senhor para viver.
E o que ele orou? Ele disse:
Oh! Que me abençoes muitíssimo.
Agora, essa mentalidade do “abençoa-me” não é muito comum hoje? Em todo o mundo cristão, existe essa mentalidade: “Abençoa-me, Deus. Abençoa-me, Senhor”. Tudo se resume a “abençoa-me”.
E sabemos como isso pode ser errado. No entanto, aqui encontramos esse homem orando: “Senhor, que me abençoes muitíssimo”, e Deus respondeu à sua oração.
Em outras palavras, há uma diferença aqui. É uma diferença de motivação.
Se dizemos: “Abençoa-me, Senhor”, e a motivação é egoísta, então isso é algo desprezível. Mas, se oramos para que o Senhor nos abençoe porque sabemos que, sem Sua bênção, simplesmente não podemos viver, então, irmãos e irmãs, essa é a coisa certa a fazer.
Vocês reconhecem que não podem viver sem a bênção do Senhor?
Olhem para Jacó. Como ele era autossuficiente; como era esperto. Era capaz de enfrentar qualquer situação. Sabia tramar, arquitetar e planejar. Podia abençoar a si mesmo. Realmente não precisava da bênção de Deus — ou pelo menos era o que pensava.
Isso só mudou quando ele chegou a Peniel. Ele havia planejado, havia lutado e, ainda assim, não se sentia seguro. Foi somente naquele momento que o Anjo do Senhor veio e lutou com ele.
Mesmo assim, Jacó não cedeu até que amanheceu e o Anjo tocou sua coxa, deixando-o manco. Então, o que aconteceu?
Ele se agarrou ao Anjo e disse: “Abençoa-me. Agora Tu tens de me abençoar, porque, se não me abençoares, estou acabado”.
Queridos irmãos e irmãs, já chegamos a esse ponto? Ainda estamos vivendo como se pudéssemos abençoar a nós mesmos? Não precisamos de Deus; não precisamos de Sua bênção.
Ou já chegamos ao ponto de perceber que, sem a bênção do Senhor, estamos completamente acabados? Ah, que possamos depender Dele de tal maneira que reconheçamos o quanto precisamos de Sua bênção.
Agora, graças a Deus, pois Ele nos abençoou com toda bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo Jesus. Ele nos abençoou; mas, porque não enxergamos isso, não desejamos verdadeiramente Sua bênção e, assim, deixamos de desfrutá-la.
Precisamos que Deus nos abençoe porque não podemos abençoar a nós mesmos. Precisamos que Deus nos abençoe para que possamos bendizê-Lo.
A única razão legítima para pedir bênção é que possamos bendizer a Deus. Queremos que Deus seja glorificado, exaltado e engrandecido. Mas sabemos que, sem a bênção do Senhor, não podemos fazer isso. Apenas traremos vergonha e desonra a Deus.
É por causa de Deus que Lhe pedimos que nos abençoe ricamente. Se essa for nossa motivação, Ele responderá à nossa oração.
O que Jabez pediu que Deus abençoasse? Ele pediu:
Oh! Que me abençoes muitíssimo e alargues os meus limites.
Alarga os meus limites. Agora, irmãos e irmãs, cada um de nós tem limites.
Um território delimitado é uma porção. Quando Deus dividiu a terra entre os filhos de Israel, toda a terra foi delimitada por todos os lados. Cada tribo tinha seus próprios limites. Cada família tinha sua herança, e essa herança tinha seus limites.
Em outras palavras, os limites falam de uma porção — algo que foi dado a vocês. Mas, porque essa porção tem limites, ela tem uma limitação. Deus atribuiu a cada um de nós uma medida. Deus deu a cada um de nós uma porção, mas essa porção tem seus limites; isto é, tem sua limitação.
Por um lado, não é certo ficarmos descontentes com aquilo que Deus nos deu. Devemos estar satisfeitos com tudo o que Deus nos destinou, seja uma porção pequena ou uma porção maior.
A piedade com contentamento é grande ganho.
Devemos estar satisfeitos com tudo o que Deus nos deu. Nosso problema é que sempre achamos que a grama do outro lado — no território dos outros — é mais verde.
Devemos cuidar daquilo que Deus nos deu como nossa porção. Devemos cultivá-la, fazer bom uso dela e honrar a Deus com o que Ele nos deu. Não devemos ficar sempre cobiçando o território dos outros e nos esquecer do que Deus nos deu.
Isso está correto. Mas, por outro lado, embora Deus nos tenha dado limites e queira que sejamos fiéis em tudo o que está dentro da nossa esfera, se tivermos fé e formos fiéis, Ele poderá ampliar nossos limites.
Não no sentido de tentarmos roubar o território dos outros ou invadir seus limites, mas no sentido de que, se formos fiéis àquilo que Deus nos deu, Deus poderá ampliar nossos limites.
Era isso que Jabez estava pedindo:
Oh! Que me abençoes muitíssimo e alargues os meus limites.
Não porque estivesse insatisfeito com o que Deus lhe havia dado, mas porque queria ver seus limites ampliados para que Deus fosse glorificado.
Em 2 Coríntios 10:13-15, Paulo diz:
Nós, porém, não nos gloriaremos além da nossa medida, mas segundo a medida da esfera que Deus nos repartiu como medida, para chegarmos também até vós.
Porque não nos estendemos além do devido, como se não chegássemos até vós: pois chegamos até vós no evangelho de Cristo;
não nos gloriando além da nossa medida, isto é, nos trabalhos alheios.
Aqui encontramos o mesmo pensamento. Paulo disse: “Não iremos além da medida”. Nosso Deus é um Deus de medida.
Agora, irmãos e irmãs, espero que vocês enxerguem isto: nosso Deus é o Deus de medida. Em outras palavras, Ele atribui a cada um de nós uma medida e quer que sejamos fiéis em tudo o que nos confiou.
Posso fazer uma pergunta? Vocês são fiéis à medida que Deus lhes atribuiu?
Se vocês são fiéis, então continuem lendo, em 2 Coríntios 10:15-16:
Mas tendo esperança de que, crescendo a vossa fé, seremos engrandecidos entre vós, segundo a nossa esfera, com maior abundância;
para anunciar o evangelho nas regiões além de vós, e não nos gloriarmos em esfera alheia, em coisas já preparadas.
Por causa da fidelidade de Paulo dentro da medida que Deus lhe havia dado, Deus ampliaria sua medida para que ele pudesse alcançar além dos coríntios, chegando até os romanos e, talvez, à Espanha.
Assim, nas Escrituras, cada um de nós recebe uma medida, um território delimitado. Mas essa medida e esses limites podem ser ampliados pela bênção do Senhor.
Por um lado, precisamos estar satisfeitos com o que Deus nos deu. Mas, por outro lado, nunca devemos ficar tão acomodados a ponto de não desejarmos que nossos limites sejam ampliados.
Leiam a parábola dos talentos. Vocês verão que nosso Senhor dá a cada servo talentos de acordo com sua capacidade. Essa é a medida.
Em Mateus 25:14-30, um servo recebeu cinco talentos, outro recebeu dois talentos e outro recebeu um talento. Cada um recebeu de acordo com sua capacidade. Ali estavam seus limites.
O servo que recebeu cinco talentos trabalhou diligentemente com aqueles cinco talentos e ganhou outros cinco. Seus limites foram ampliados e duplicados. O servo que recebeu dois talentos trabalhou fielmente com os dois, e seu território também se tornou duas vezes maior.
Mas o servo que recebeu um talento não foi fiel naquilo que Deus lhe havia dado. Ele enterrou o talento e, como resultado, perdeu tudo.
Encontramos a mesma coisa na parábola das minas, em Lucas 19:11-27. O senhor deu a dez servos uma mina para cada um. Um deles, trabalhando com aquela mina, ganhou outras dez.
Um talento fala dos dons que Deus dá a cada um de nós. Se as minas falam da graça, então a graça nos é dada igualmente.
Quando Deus dá dons, eles são desiguais em certo sentido, porque Ele dá de acordo com a capacidade, e nem todos temos a mesma capacidade.
Também me lembro de D. L. Moody. Ele era um homem sem muita instrução, mas Deus o usou poderosamente. Ele trazia muitos grandes servos de Deus e grandes estudiosos para pregar em suas conferências.
Muitas vezes, ao apresentar esses grandes homens de Deus, sabendo que não tinha muita instrução e que, às vezes, pronunciava as palavras de forma errada, ele dizia: “Sou apenas um homem de dois talentos, pois estes são homens de cinco talentos”.
Agora, se Moody tinha apenas dois talentos, não sei o que eu tenho.
Mas, de qualquer modo, os talentos falam de dons — dons espirituais. Eles são variados. Deus dá dons a cada um de acordo com sua capacidade e com o lugar onde Ele o coloca no corpo de Cristo.
Portanto, não invejem ninguém. Se Deus lhes dá dons maiores, agradeçam a Deus e sejam fiéis neles. Se Deus lhes dá dons menores, sejam fiéis nos dons menores. Mas a graça é distribuída igualmente.
Não há razão para vocês receberem mais graça do que eu. A graça é distribuída igualmente. Mas, seja dom ou graça, vocês podem ser tão fiéis naquilo que Deus lhes deu que seu dom seja duplicado e sua graça se multiplique por dez.
Pensem nisso. Mas, se vocês não forem fiéis, se enterrarem o dom e a graça de Deus que lhes foram dados, então os perderão — não a salvação, mas a recompensa.
Por que nossos limites podem ser ampliados com a bênção de Deus? Porque nosso Deus é infinito. Nosso Deus não tem limites.
Se vocês lerem Efésios 3:18-19, encontrarão na oração de Paulo:
Para que possais compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade;
e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento.
Sempre que vocês se aproximam de Deus, precisam usar essas expressões superlativas. Por quê? Porque Ele é ilimitado.
Qual é a largura, o comprimento, a profundidade e a altura? A largura de Deus não pode ser medida. O comprimento de Deus não pode ser medido. A altura de Deus não pode ser medida. A profundidade de Deus não pode ser medida. O amor de Cristo excede todo entendimento. É indizível e insondável.
Quando vocês se aproximam de Deus, descobrem que Ele é infinito. Ele é ilimitado. Ele não tem fronteiras. Porque nosso Deus é assim, quando nos aproximamos Dele, Ele pode ampliar nossos limites.
Sempre há algo mais que Ele pode lhes dar. Por que vocês não o têm? Porque Ele precisa concedê-lo de acordo com a medida de vocês. Vocês não são capazes de contê-lo.
É por isso que, ao final, Paulo diz, em Efésios 3:20-21:
Ora, Àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, segundo o poder que opera em nós;
a Ele seja a glória na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém.
Ele é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos. Vocês podem pedir; podem até pensar. Às vezes pensamos, mas não ousamos pedir.
Mas Ele pode lhes dar infinitamente mais do que tudo quanto vocês possam pedir ou pensar. Por quê? Por causa do poder que opera em vocês, para que Ele seja glorificado.
Queridos irmãos e irmãs, nada agrada mais a Deus do que pedirmos a Ele que amplie nossos limites.
Receio que muitos crentes estejam tão acomodados que simplesmente se recostam e esperam — não esperam pelo arrebatamento, mas pela morte.
Graças a Deus pelo que Ele já nos deu. É glorioso e maravilhoso. Precisamos ser sempre gratos.
Mas, queridos irmãos e irmãs, pensem em nosso Deus. Embora Ele lhes tenha dado limites porque conhece sua capacidade, como Ele anseia por lhes dar mais de Si mesmo à medida que sua capacidade se amplia.
Mesmo perto do fim de sua vida, se vocês lerem Filipenses 3:8-14, encontrarão Paulo dizendo: “Ainda estou prosseguindo. Ah, que eu possa conhecê-Lo”.
Vocês podem dizer: “Paulo, seus limites já são muito amplos. Você sabe muito. Já recebeu muito. Ainda não está satisfeito?”
Paulo diria: “Ah, não, estou satisfeito, mas não estou acomodado. Estou feliz com o que Deus me deu, mas, quando olho para Ele, percebo que nada tenho. Estou prosseguindo. Prossigo para alcançar aquilo para o que Ele me alcançou”.
Ele tem algo maior para mim, e quero que Ele fique satisfeito. Irmãos e irmãs, essa é a atitude que precisamos ter.
Mas lembrem-se: vocês não ampliam seus limites tentando roubar seus vizinhos. Seus limites serão ampliados pela bênção do Senhor.
Se o Senhor os abençoar, então seus limites serão ampliados. Portanto, antes de tudo, encorajo os queridos irmãos e irmãs: sejam fiéis naquilo que Deus já lhes deu. Se vocês forem fiéis e tiverem fé, então, pela bênção do Senhor, seus limites poderão ser ampliados.
É claro que Jabez orou por outras coisas, mas não tenho tempo para entrar nesses assuntos. Vocês mesmos terão de buscar o Senhor a respeito disso.
Depois, em 2 Reis 6:1-7, encontramos os filhos dos profetas vindo a Eliseu.
Os dias de Eliseu não eram dias fáceis. Se vocês lerem 2 Reis, vão se lembrar de que ele ministrou sob reis perversos. Havia fome na terra, dificuldades, guerra — todas essas coisas. Era um tempo difícil.
Durante aquele tempo difícil, Deus levantou o profeta Eliseu para ser um testemunho de Deus. E havia os filhos dos profetas.
Agora, quem eram os filhos dos profetas? Não eram filhos naturais dos profetas. Os filhos dos profetas eram jovens que tinham o desejo de servir a Deus.
Como desejavam servir a Deus, recebiam treinamento sob a orientação dos profetas Elias e Eliseu. Provavelmente Elias deu continuidade ao que havia começado lá atrás, nos dias de Samuel: as escolas dos profetas.
Eram jovens que desejavam servir ao Senhor e recebiam treinamento sob a orientação do profeta Eliseu.
Lembrem-se: aqueles eram dias difíceis. No entanto, eles perceberam que sua casa era estreita demais, pequena demais para eles. Evidentemente, mais jovens tinham o desejo de servir a Deus e queriam ser treinados.
Como mais jovens se apresentavam, a casa se tornou pequena demais para eles morarem. Isso é um bom sinal.
Normalmente, em tempos difíceis, vocês poderiam imaginar que menos jovens desejariam servir ao Senhor. Muitas vezes, as pessoas querem servir ao Senhor quando tudo é fácil e próspero.
Mas graças a Deus por esses jovens. Embora fosse difícil, e às vezes passassem fome, eles perseveraram. Não desistiram.
Em vez de dizerem a Eliseu: “Este lugar é pequeno demais; vamos nos dispersar”, eles disseram: “Queremos ficar juntos. Queremos aprender mais. Mas este lugar é simplesmente pequeno demais. Você nos permitirá ir ao Jordão, para que cada um corte uma viga e construamos ali uma casa maior, onde possamos morar?”
Essa é uma boa atitude.
Quando cinco mil pessoas estavam com nosso Senhor Jesus e não tinham o que comer, os discípulos vieram e disseram: “Está ficando escuro. Por que não as despedes e deixas que vão aos povoados comprar comida?” A mentalidade deles era dispersar as pessoas.
Mas o Senhor disse:
Dai-lhes vós de comer.
Aqui encontramos esses filhos dos profetas: em vez de pensarem em recuar, pensavam em avançar. Em vez de pensarem em se dispersar, pensavam em se reunir.
“Vamos construir uma casa maior, para que possamos não apenas nos abrigar, mas também receber mais jovens que queiram servir-Te e possam vir aprender conosco.” Essa é uma boa mentalidade.
Aonde eles sugeriram ir para obter material para a construção? Disseram:
Vamos, pois, até ao Jordão.
Naturalmente, havia uma razão para isso. Perto do rio, sempre se encontram árvores. Não se encontra material de construção no deserto. Pode haver pedras, mas não se pode construir uma casa apenas com pedras. Portanto, o lugar natural para ir era o Jordão, porque ali poderiam encontrar árvores.
Mas, espiritualmente, há um significado. Nas Escrituras, o Jordão sempre fala de morte e ressurreição — da identificação com Cristo em Sua morte e ressurreição.
Esse é o Jordão, e esse é o lugar onde vocês podem obter material para a construção da casa. Agora, lembrem-se desse princípio.
Onde vocês podem encontrar material para a ampliação, para a ampliação da obra de Deus? Vocês só podem encontrar material para a ampliação da obra de Deus no Jordão.
Em outras palavras, precisamos descer ao Jordão para experimentar a morte e a ressurreição com Cristo. À medida que vocês experimentam a morte e a ressurreição de Cristo Jesus e se identificam com elas, então cortam árvores e levam vigas para a construção da casa.
Todos os filhos dos profetas desceriam juntos ao Jordão, e cada um levaria uma viga.
Isso é belo. Para a ampliação da obra de Deus, todos precisam estar envolvidos. Não basta que apenas alguns desçam e cortem as árvores; isso não será suficiente. Todos precisam descer, cortar uma árvore e levar uma viga. Então a casa será construída.
Felizmente, eles pediram que Eliseu fosse com eles, porque aconteceu um acidente. Enquanto cortavam as árvores, de repente a cabeça de um machado se soltou do cabo, caiu no Jordão e afundou no leito do rio.
Acontece que o machado era emprestado. Se ele é seu e você o perde, perdeu; mas aquele era emprestado. Por isso, aquele filho dos profetas clamou:
Ai, meu senhor! Porque era emprestado.
Ele não apenas deixara de obter uma viga, mas também perdera o ferro do machado. Que prejuízo.
Eliseu disse:
Onde caiu?
O filho dos profetas indicou o lugar. Eliseu cortou um pedaço de madeira, lançou-o na água e fez o ferro do machado flutuar. Isso contraria a natureza, mas é sobrenatural.
Eliseu disse:
Levanta-o.
Assim, o ferro do machado foi recolocado no cabo, a árvore foi cortada e a viga foi obtida.
Isso é um milagre. Mas qual é o significado espiritual por trás dele?
Irmãos e irmãs, o que posso enxergar é isto: a ampliação só pode acontecer por meio do princípio da morte e ressurreição — ou, dito de outra maneira, por meio do princípio da cruz.
O Jordão fala da cruz — da identificação. O machado também fala da cruz. O pedaço de madeira também fala da cruz. Tudo ali fala da cruz.
Mas como explicar o acidente? Aqui encontramos o ferro do machado preso ao cabo, e ele é usado para cortar madeira. Mas, quando o ferro se soltou do cabo e caiu na água, afundou.
Por que isso aconteceu? Porque era emprestado.
Nenhum outro filho dos profetas perdeu seu machado. Eles conheciam seus próprios machados. Sabiam como manejá-los; sabiam como estavam firmes. Mas esse jovem havia pegado um machado emprestado. Nunca o havia manejado antes. Não era dele. Ele não o conhecia.
Irmãos e irmãs, vocês sabem que nunca podem tomar uma cruz emprestada? A cruz é algo que vocês mesmos precisam experimentar. Se for emprestada, não funcionará.
Muitas pessoas ouviram a mensagem da cruz. Temos ouvido essas mensagens sobre como precisamos nos identificar com Cristo em Sua morte e ressurreição.
Mas tudo o que sabemos talvez seja apenas um conhecimento intelectual da cruz. Nós mesmos talvez nunca tenhamos experimentado verdadeiramente a operação da cruz em nossa vida. Na verdade, nós nos esquivamos e fugimos sempre que a cruz aparece em nosso caminho, mas falamos da cruz o tempo todo.
Irmãos e irmãs, esse machado emprestado não derrubará a árvore. Vocês verão o ferro do machado cair na água e afundar.
Em outras palavras, se conhecemos a cruz apenas intelectualmente, sem experimentá-la pessoalmente, o resultado é que morremos; afundamos. Isso traz mais morte, mas nenhuma ressurreição — nenhuma ressurreição.
Ah, quantas vezes ouvimos a mensagem da cruz e vemos que aquele que a prega está com uma expressão sombria. Quanto mais prega, mais morto se torna.
Talvez seja um machado emprestado. Ele traz mais morte do que vida. Quanto mais ele prega sobre a cruz, mais mortos todos ficam. É apenas algo emprestado.
Não falem sobre a cruz a menos que vocês mesmos a conheçam e saibam que ela é sua. Não a tomem emprestada.
Vocês se lembram de que nosso Senhor Jesus disse:
Nega-te a ti mesmo, toma a tua cruz e segue-Me.
O Senhor não disse simplesmente: “Nega o eu, toma a cruz e segue-Me”.
Vocês podem negar o eu de outra pessoa, mas não o próprio eu. Podem tomar a cruz de outra pessoa, mas não a própria cruz. Não, isso não funcionará.
Neguem a si mesmos. O que vocês precisam negar é a si mesmos, não a seus irmãos e irmãs. Não peçam que todos os outros neguem a si mesmos enquanto vocês nunca fazem isso.
Deus não quer que vocês tomem a cruz de outra pessoa. Vocês têm sua própria cruz para carregar, porque somente sua própria cruz crucificará seu eu. A cruz dos outros não crucificará seu eu.
Isso é um machado emprestado. Um machado emprestado nunca funciona. Ele não tem aquele fio que corta.
Mas aqui encontramos Eliseu cortando um pedaço de madeira, lançando-o no rio e fazendo o ferro do machado flutuar. Por quê? Porque ele conhecia a cruz em sua própria vida.
Quando o ferro foi recolocado no cabo, a árvore pôde ser cortada. Portanto, queridos irmãos e irmãs, qual é o segredo da ampliação? O segredo da ampliação é a cruz.
Por fim, encontramos Isaías 54. Isaías 54 vem logo depois de Isaías 53. Na verdade, no manuscrito original não há divisão de capítulos; portanto, ao ler, vocês precisam lê-los juntos.
Isaías 53 é um capítulo maravilhoso. É a profecia mais abrangente a respeito da obra de nosso Senhor Jesus na cruz: como nosso Senhor Jesus foi crucificado, como Ele levou nossos pecados e nossas iniquidades e como foi ferido por nossa causa.
Logo depois daquele capítulo — da obra consumada de Cristo na cruz —, encontramos Isaías 54:1:
Canta, ó estéril, tu que não deste à luz;
rompe em cântico e clama em alta voz, tu que não tiveste dores de parto.
Agora, irmãos e irmãs, isso não é maravilhoso? Imediatamente depois do grande capítulo sobre a obra consumada de Cristo, encontramos o chamado, a exortação:
Canta, ó estéril.
Não somos estéreis?
Rompe em cântico e clama em alta voz, tu que não tiveste dores de parto.
Historicamente, isso se refere aos filhos de Israel, à nação de Israel. Um dia, a nação de Israel será reunida novamente, seus limites serão ampliados e ela será estabelecida diante do Senhor. Tudo isso por causa da promessa de Deus e da aliança de Deus.
Mas gostaríamos de usar essa passagem como um tipo da igreja. Irmãos e irmãs, qual é a base da ampliação?
A base da ampliação é a obra consumada de Cristo.
Por causa do que Cristo fez na cruz do Calvário, não há razão para sermos estéreis. Não deveria haver razão para não gerarmos filhos.
Naturalmente, em nós mesmos, não temos força. Naturalmente, em nós mesmos, não podemos gerar filhos. Não podemos produzir fruto — fruto espiritual.
Mas, por causa da obra consumada de Cristo na cruz do Calvário, alegremo-nos. Por quê? Porque Ele nos dará filhos.
Porque mais são os filhos da desolada do que os filhos da casada, diz o Senhor.
Naturalmente, não podemos fazer isso. Mas, graças a Deus, por meio da obra consumada de Cristo, recebemos a promessa de mais filhos do que aqueles que nascem naturalmente.
E os filhos que nascem sobrenaturalmente são muito melhores do que os filhos que nascem naturalmente.
Aqui há uma promessa, e essa promessa está baseada na obra consumada de Cristo. Podemos dizer isso de outra maneira: o propósito da obra de Cristo é a ampliação.
Por que nosso Senhor Jesus morreu na cruz? Qual deveria ser o resultado de Sua obra consumada? O resultado deveria ser a ampliação. Mais filhos deveriam nascer. O resultado deveria ser a ampliação.
Por isso, Isaías 54:2 diz:
Amplia o lugar da tua tenda,
e estendam-se as cortinas das tuas habitações; não poupes:
alonga as tuas cordas e firma as tuas estacas.
A quem essas palavras são dirigidas? Essas palavras são dirigidas à igreja — àqueles que conhecem a obra consumada de Cristo, àqueles que conhecem o propósito de Deus.
Se conhecemos o propósito de Deus, então devemos responder com fé e dizer: “Ó Senhor, se é Tua vontade que mais filhos sejam dados, que haja crescimento na casa de Deus, então precisamos ampliar o lugar das nossas tendas”.
Da parte de Deus, há a obra redentora de Cristo. Há a promessa e o propósito ligados à obra consumada de Cristo.
Por outro lado, há o povo de Deus. Como respondemos ao que Deus fez e ao que Ele vai fazer?
Respondemos dizendo: “Ó Senhor, isso é suficiente. Este lugar já está bom. Não vemos razão alguma para ampliar o lugar das nossas tendas. Estamos muito felizes e satisfeitos. Vamos apenas ficar aqui, Senhor. Isso é tudo o que queremos fazer. Tu já abençoaste o suficiente. Não mais, não mais. Não podemos conter mais. Estamos muito felizes”?
Se não ampliarmos o lugar das nossas tendas, então Deus não nos dará mais filhos. Se Ele começar a trazer crescimento e nós não ampliarmos, então o crescimento cessará.
Esse é um princípio espiritual profundo.
Vocês se lembram da viúva que veio a Eliseu. Eliseu disse: “Pede emprestadas muitas vasilhas”. Agora, lembrem-se: vocês podem tomar vasilhas emprestadas, mas não azeite. Peçam emprestadas muitas vasilhas — vasilhas vazias. Quanto mais, melhor.
Depois, fechem a porta e derramem o azeite daquela pequena botija. Quando todas as vasilhas ficaram cheias, o azeite parou. Esse é um princípio.
Aqui vemos a obra de Cristo. Ele está satisfazendo o desejo de Seu próprio coração e trazendo crescimento. Este é o momento em que precisamos ampliar o lugar das nossas tendas.
Essa será a resposta da fé. Se não respondermos, será o fim.
Como respondemos?
Amplia o lugar da tua tenda, e estendam-se as cortinas das tuas habitações; não poupes.
Ah, o Espírito Santo diz:
Não poupes.
Queridos irmãos e irmãs, Deus não poupou Seu Filho unigênito. Não nos dará com Ele todas as coisas?
Abraão não poupou seu amado filho Isaque e, por causa disso, Deus o abençoou com um juramento.
O apóstolo Paulo disse aos coríntios:
Eu, de muito boa vontade, gastarei e me deixarei gastar pelas vossas almas.
Aos filipenses, ele disse:
Estou disposto a ser derramado como oferta de libação sobre o vosso sacrifício.
Não poupem. Deus nos conhece. Ah, como queremos reter, reter. Por um lado, queremos a bênção de Deus; por outro, retemos a nós mesmos. Que contradição.
Deus tem muito com que nos abençoar, mas precisamos não poupar.
Maria não poupou aquela libra de nardo. Maria não poupou o vaso de alabastro. Ela quebrou o vaso e derramou todo o perfume. Esvaziou o vaso.
Não poupem. O Senhor diz: “Não poupem. Não reservem nada. Não retenham nada”.
Porque, se fizerem isso, estarão impedindo a bênção do Senhor.
Alonga as tuas cordas e firma as tuas estacas.
O que são as cordas? As cordas são as cordas da comunhão. Alonguem as cordas da comunhão.
Não tenham comunhão apenas entre uns poucos. Sim, temos boa comunhão, mas e os outros irmãos e irmãs? Alonguem as cordas.
Firmem as estacas. O que são as estacas? As estacas são o ensino dos apóstolos, o ensino de Cristo. Sejamos enraizados e fundamentados na Palavra e na verdade de Deus.
Quando estamos enraizados e fundamentados na verdade de Deus e ampliamos e alongamos nossas cordas de comunhão, vemos que a casa se estende.
E a bênção do Senhor virá sobre nós.
Nesses três casos, encontramos uma oração por ampliação. Precisamos orar por ampliação — por causa Dele, não por nossa própria causa.
Segundo ponto: a preparação para a ampliação. Precisamos descer ao Jordão e cortar uma viga. Precisamos conhecer mais da nossa identificação com Cristo em Sua morte e ressurreição — conhecer mais da cruz.
Por fim, a provisão para a ampliação. Precisamos não apenas gerar filhos, mas também alongar as cordas e firmar as estacas.
Quando a ampliação vier, o Senhor será glorificado.
Vamos orar?
Nosso Pai celestial, Tu és o Deus sem limites, o Deus infinito.
Tuas riquezas são insondáveis. Teu amor é indizível. Tua resposta à oração vai infinitamente além de tudo quanto possamos pedir ou pensar. Tua largura, Teu comprimento, Tua profundidade e Tua altura são desconhecidos.
Ah, como Te louvamos e Te agradecemos porque temos a Ti como nosso Deus.
Tu nos abençoaste com toda bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo Jesus. Ah, amplia nossos limites, para que possamos conter mais de Ti.
Não porque sejamos ambiciosos em favor de nós mesmos, mas porque somos ambiciosos em favor de Ti. Queremos que sejas mais glorificado. Queremos que mais louvores subam a Ti. Queremos que Teu coração fique satisfeito. Queremos que Teu testemunho seja exaltado. Queremos que Teu Filho volte e que Tua noiva esteja pronta.
Ó Senhor, dá-nos essa atitude positiva e ativa. Queremos ser ampliados por Tua causa.
Em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.