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    The Life of Abandonment © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Life of Abandonment
    The Life of Abandonment
    Kaung, Stephen

    Entrega Absoluta a Deus

    Por favor, abram em Filipenses 2:7. Apenas a primeira oração:

    Mas esvaziou-Se a Si mesmo.

    Agora, a primeira oração de Filipenses 2:17:

    Mas, ainda que eu seja derramado como libação sobre o sacrifício e o serviço da vossa fé.

    Salmos 131:1-3:

    Cântico de romagem. De Davi.
    Senhor, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar;
    Não me ocupo de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim.
    Certamente, fiz calar e sossegar a minha alma;
    Como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo.
    Ó Israel, espera no Senhor, desde agora e para sempre.

    Vamos nos voltar ao Senhor em oração.

    Nosso Pai celestial, nós Te louvamos e Te agradecemos porque podemos continuar em Tua presença, contemplando a glória do Senhor e ouvindo o que Ele tem a nos dizer por meio da Tua Palavra. Ó Pai, nós nos abrimos a Ti e pedimos que o Teu Espírito Santo nos revele a Tua Palavra, revele a Ti mesmo, nos conduza a toda a verdade e nos atraia para Ti, para que possamos Te ver como devemos e para que Tu sejas glorificado em nossa vida. Pedimos em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.

    O Poder Libertador da Entrega a Deus

    Gostaria de compartilhar com vocês, queridos irmãos e irmãs, nesta manhã, algo que considero profundamente libertador e poderoso. É a entrega absoluta a Deus.

    Bem, talvez isso surpreenda vocês, mas não há nada no mundo mais libertador do que a entrega total ao Senhor. Não há vida mais poderosa do que uma vida de entrega total.

    É verdade: temos muita dificuldade em nos entregar. Temos dificuldade até mesmo em abrir mão das coisas que possuímos. E, se é tão difícil renunciar às coisas, abrir mão delas, quanto mais difícil deve ser abrir mão de nós mesmos.

    Como nos apegamos a nós mesmos! Temos medo de nos perder, porque pensamos que, se perdermos a nós mesmos, perderemos tudo. Para a carne, isso é verdade; mas, para o espírito, é exatamente o contrário.

    Se não soubermos nos entregar a Deus, não conseguiremos entrar na vida que Deus determinou que vivêssemos.

    O Exemplo de Cristo

    Creio que todos desejamos ser discípulos de Cristo. Queremos seguir o Senhor. Queremos estar onde o Senhor está. Queremos viver como Ele vive. Mas como é a vida do nosso Mestre?

    Se vocês observarem a vida do nosso Senhor Jesus, descobrirão que Sua vida é uma vida de entrega absoluta — uma vida totalmente entregue a Deus.

    Conhecemos bem aquela passagem de Filipenses 2:6-7. Ele, que era igual a Deus — e isso não era algo de que precisasse Se apoderar, porque Ele é o Filho eterno de Deus, igual a Deus desde a eternidade —, ainda assim esvaziou-Se a Si mesmo.

    Ele abriu mão dos Seus direitos. Abriu mão dos Seus direitos como Deus. Abriu mão de Si mesmo. Assumiu a forma de escravo, à semelhança dos homens. Humilhou-Se, sendo obediente a Deus, Seu Pai, até a morte — sim, a morte de cruz.

    A entrega do nosso Senhor Jesus a Deus foi total. Em toda a Sua vida, Ele jamais exigiu os Seus direitos.

    Ele disse: “Nada posso fazer por Mim mesmo, a não ser aquilo que o Pai está fazendo. Nada posso dizer por Mim mesmo, a não ser aquilo que ouvi de Meu Pai”. Ao longo de toda a Sua vida, vemos que Ele abriu mão de Sua liberdade, de Sua autonomia, de Seus direitos, de Suas razões. Entregou todo o Seu ser a Deus e permitiu que Deus O tivesse por inteiro.

    Essa é a vida do nosso Senhor Jesus. Mas que vida! Nela não encontramos preocupação, tensão, hesitação nem reservas. É uma vida livre.

    Ele está acima de todas as tentações, porque Se entregou completamente a Deus. É uma vida tão poderosa que Ele não apenas venceu o pecado, mas também derrotou o inimigo de todos os séculos.

    Que vida tão bela, tão gloriosa! E essa vida é caracterizada por uma coisa: a entrega de Si mesmo.

    A Entrega a Deus e o Fatalismo

    A entrega a Deus é muito diferente do fatalismo. Vocês sabem, o fatalismo é passivo. É como algumas pessoas que dizem: “Bem, se esta é a vontade de Alá, o que posso fazer?”. As pessoas simplesmente se resignam ao destino.

    Isso é muito passivo. Não é o ensino das Escrituras. A entrega de si mesmo, ou a entrega a Deus, é algo muito positivo. Por quê? É nos darmos a Deus de tal maneira que Ele possa cumprir Sua vontade em nós.

    Em outras palavras, se não nos entregarmos a Deus, Ele não poderá realizar Sua vontade, Seu propósito, em nossa vida. A única maneira de Deus realizar Sua vontade em nossa vida é nos darmos completamente a Ele.

    Não é apenas abrir mão das coisas, mas abrir mão de nós mesmos. Não é apenas renunciar; é nos darmos a Ele. Entrega a Deus.

    Exemplos de Entrega no Antigo Testamento

    Se vocês lerem sobre a vida dos santos, tanto nos registros do Antigo Testamento quanto nos do Novo Testamento, encontrarão uma característica comum em sua vida. Todos aqueles de quem Deus deu testemunho têm esta característica: todos se entregaram a Deus.

    Jó

    Por exemplo, Jó. Jó era um homem íntegro e reto, que temia a Deus e se desviava do mal.

    Um dia, os filhos de Deus — isto é, os anjos — se reuniram diante de Deus, e Satanás veio entre eles. Então Deus desafiou Satanás e disse: “O que você tem feito ultimamente?”. E sabem o que Satanás respondeu? Ele disse: “Tenho percorrido a terra, andando de um lado para o outro”.

    Ele é um viajante do mundo inteiro. Tem viajado de um lado para o outro, por toda a terra, mas não é um turista. Faz todas essas viagens com um propósito.

    Então Deus disse: “Muito bem. Você observou o Meu servo Jó, que é íntegro e reto, que teme a Deus e se abstém de todo mal? Você o observou?”.

    Bem, certamente. De todas as pessoas do mundo, não havia ninguém que Satanás observasse com mais cuidado do que Jó, porque Jó seria um alimento muito nutritivo para ele devorar. Um homem tão bom!

    Satanás o observava com muito cuidado, mas não conseguia encontrar uma brecha para atacar. Muitas vezes me pergunto se Deus pode me usar para desafiar o Seu adversário. Não sou digno. Deus não pode me usar para desafiar o Seu adversário. Deus pode usar você para desafiar esse adversário?

    Mas Deus pôde usar Jó para desafiar Satanás. Ah, como Satanás era astuto! Então Satanás disse a Deus: “Não, é claro que Jó tem todos os motivos para Te temer. Por quê? Porque Tu colocaste uma cerca ao redor dele”.

    Por onde Satanás ia, tentava se aproximar pelo leste, pelo oeste, pelo sul e pelo norte. Em todas as direções, encontrava a cerca ao redor de Jó. Não conseguia entrar.

    Então Satanás disse: “Tu colocaste uma cerca ao redor dele. Tu o proteges. Abençoas o trabalho de suas mãos. Fazes com que ele prospere. Quem não Te temeria? Ele não Te teme; só quer a Tua bênção, nada mais. Se Tu tirares todas essas coisas, ele Te amaldiçoará na Tua face”.

    Deus disse: “Muito bem, aceito o desafio. Você pode fazer com ele o que quiser, mas não toque em sua vida”.

    E imediatamente Satanás saiu e, em um só dia, destruiu tudo o que Jó possuía — não apenas todos os seus bens, pois ele era um homem rico, mas também todos os seus filhos se foram.

    Jó se levantou. Rasgou suas vestes, rapou a cabeça e adorou a Deus.

    Seu coração estava tomado por uma grande dor. Ele sofreu muito e, ainda assim, adorou a Deus. Disse:

    Nu saí do ventre de minha mãe,
    E nu tornarei para lá;
    O Senhor o deu, e o Senhor o tomou;
    Bendito seja o nome do Senhor.

    Um homem entregue a Deus.

    Novamente, os filhos de Deus se reuniram diante de Deus, e Satanás estava ali. Mais uma vez, Deus desafiou Satanás. Disse: “Agora você fez tudo isso. O que aconteceu?”.

    Ah, como Satanás era astuto! Ele disse:

    Pele por pele, e tudo quanto o homem tem dará pela sua vida.
    Mas estende agora a Tua mão, e toca-lhe nos ossos e na carne, e ele Te amaldiçoará na Tua face.

    Deus disse: “Muito bem. Você pode tocar em seu corpo, mas não pode tirar sua vida”. E imediatamente Satanás saiu e feriu Jó com úlceras por todo o corpo.

    Ele se sentou num monte de cinzas, coçando suas feridas. Até sua esposa veio e disse:

    Amaldiçoa a Deus e morre.

    Mas Jó respondeu:

    Quê? Receberemos de Deus o bem e não receberemos também o mal?

    Um homem que estava entregue a Deus.

    Mas a entrega não era fácil. Jó era forte diante de seus inimigos, mas, quando se viu cercado por seus amigos, sua entrega a Deus não foi total.

    Quando seus amigos vieram, tentando consolá-lo, acabaram discutindo com ele. Então vemos Jó começar a dizer: “É verdade: ainda que Ele me mate, confiarei Nele. Mas exijo ser ouvido. Quero uma explicação. Não entendo por que essas coisas deveriam acontecer comigo”.

    “Eu aceito isso. Estou disposto a morrer e não abandonarei minha fé. Mas exijo ser ouvido e receber uma explicação.” Ora, essa é a atitude de uma pessoa totalmente entregue a Deus?

    Se você está totalmente entregue a Deus, não pede uma explicação. Deus é a sua explicação.

    Mas, por meio das provações, quando chegamos ao fim do livro de Jó, no capítulo 42, vemos que Jó entrou no espírito de entrega absoluta a Deus.

    Ouçam o que ele disse:

    Bem sei que tudo podes, e nenhum dos Teus propósitos pode ser impedido.
    Quem é aquele que encobre o conselho sem conhecimento?
    Por isso, falei do que não entendia; coisas maravilhosas demais para mim, que eu não conhecia.

    Eu Te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos Te veem.
    Por isso, abomino a mim mesmo e me arrependo no pó e na cinza.

    E, quando Jó chegou a esse ponto, entrou no espírito de entrega total. Ele nem sequer pediu a Deus uma explicação. Estava satisfeito com Deus. Entrega total.

    E, sabem, nesse momento Deus deu a Jó uma porção dobrada de bênçãos.

    Abraão

    Vejam Abraão. Leiam sobre a vida de Abraão e descobrirão que toda a sua vida é um chamado à entrega a Deus.

    Sabem, o que é fé? O que é fé? Fé é entregar-se a Deus e confiar Nele para tudo. Isso é fé.

    Uma vida de fé é uma vida de entrega a Deus e, portanto, uma vida em que se recebe de Deus tudo de que se precisa.

    Quando Abraão estava em Ur dos caldeus, Deus o chamou para deixar sua terra, deixar seus parentes e ir ao lugar que Deus lhe mostraria.

    Abraão respondeu com fé. Pela fé, deixou sua terra natal e seus parentes, abrindo mão de sua terra e de sua parentela. Saiu de Ur dos caldeus.

    Permaneceu em Harã por vários anos, até que Deus levou seu pai, Terá. Novamente, Deus lhe apareceu e o chamou, e ele deixou Harã.

    Chegou à terra prometida, e havia fome. Foi ao Egito em busca de alimento, e novamente Deus o chamou para sair do Egito. Ele teve de abrir mão do Egito.

    Voltou com riquezas. Ele e seu sobrinho Ló tinham tantos rebanhos que não podiam pastar na mesma terra, e os pastores começaram a discutir. Abraão teve de pedir a Ló que se separasse dele e deixar que Ló escolhesse o que quisesse. Teve de abrir mão de Ló.

    E como foi sua jornada na terra prometida? Ele não tinha filho. Deus prometera lhe dar uma descendência como as estrelas do céu, mas ele não tinha filho.

    Finalmente, teve Ismael por meio de Agar. Ele amava Ismael, mas teve de abrir mão de Ismael. Deus disse: “Deixe Ismael partir”.

    Finalmente, Deus lhe deu um filho, Isaque, o filho da promessa. Todas as promessas de Deus estavam centradas nesse filho. No entanto, em Gênesis 22:1-2, Deus chamou Abraão, colocou-o à prova e disse: “Abraão, vá ao monte Moriá, que fica a três dias de viagem, e ofereça seu filho, seu único e amado filho Isaque, como holocausto”.

    Um holocausto é uma oferta total. Quando se oferece um holocausto, nada resta além de cinzas. E Deus disse: “Apresente seu filho Isaque como holocausto”.

    Aqui vemos Abraão: sem nenhuma hesitação, levantou-se de madrugada. Viajou durante três dias, teve tempo suficiente para pensar e refletir sobre aquilo, mas não voltou atrás.

    Foi ao monte Moriá. Construiu um altar, amarrou seu filho e tomou a faca. Mas Deus disse: “Já basta”. Entrega total a Deus.

    Jacó

    Em contraste, vemos Jacó. Quando Jacó nasceu, saiu logo depois de seu irmão, segurando o calcanhar dele. Queria sair primeiro.

    Era um suplantador, alguém que segurava o calcanhar. Ao longo da vida de Jacó, vemos que ele tentava manter tudo em suas próprias mãos. Tentava se apoderar de tudo.

    Enganou seu irmão para obter o direito de primogenitura. Enganou seu pai para obter a bênção da primogenitura. Foi mais astuto que seu sogro e conseguiu as riquezas dele. Tentou subornar seu irmão Esaú.

    Elaborou planos para que sua família escapasse. Ao longo de toda a vida de Jacó, vemos que ele procurava reter tudo para si. Se houve alguém no mundo que se apegou às coisas, que se apegou a si mesmo, esse alguém foi Jacó.

    Mas Deus estava tratando com ele. Deus estava trabalhando nele para que se entregasse, mas ele não queria.

    Até mesmo em Peniel, ah, como ele lutou com o Anjo do Senhor durante toda a noite e prevaleceu — até que o Anjo tocou em sua coxa, e ele ficou manco.

    Somente então vemos que ele se entregou a Deus. E que bênção ele se tornou! Na velhice, chegou a abençoar o faraó, o maior rei de todo o mundo naquela época.

    Deus estava trabalhando em sua vida para produzir essa entrega. É isso que Deus busca.

    Exemplos de Entrega no Novo Testamento

    Maria e José

    Eu poderia ilustrar isso com muitas pessoas das Escrituras. Vejamos algumas do Novo Testamento. Pensem em Maria, a mãe de Jesus.

    Em Lucas 1:31-35, quando o anjo apareceu e disse: “Conceberás e darás à luz um Filho, o Santo, a santa descendência de Deus”, sabem o que Maria respondeu?

    Ela disse:

    Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra.

    Se vocês entenderem a situação, saberão que não era tão fácil assim. Por quê? Porque ela era virgem. Estava prometida em casamento, noiva de José, mas ainda não era casada.

    Se concebesse e desse à luz um filho, o que o mundo diria? Ninguém conseguiria entender. Isso nunca havia acontecido antes. As pessoas certamente diriam que ela havia cometido adultério ou fornicação antes de se casar.

    Segundo a lei de Moisés, seu noivo, José, deveria ser o primeiro a lançar uma pedra contra ela. Ela perderia não apenas sua reputação, mas até mesmo sua vida. Tudo estaria perdido.

    Mas aqui encontramos uma irmã tão entregue ao Senhor. Ela disse: “Sou apenas uma serva do Senhor. Faz o que quiseres fazer. A decisão é Tua”. Ela não pensava em si mesma, apenas no Senhor.

    Muitas vezes pensamos em Maria, mas nos esquecemos de José. Na verdade, sabem, para José foi tão difícil quanto para Maria.

    José era um homem justo. Ele soube do que havia acontecido. Tentou encontrar uma maneira de contornar a lei. Não queria expor Maria. Não queria matar Maria. Tentou achar um modo de se divorciar dela em segredo, de deixá-la partir.

    Porque, humanamente falando, ele não a quereria mais, por mais que a amasse. Mas, quando o Senhor lhe apareceu em sonho e lhe disse que aquilo vinha do Senhor, o que ele fez? Recebeu Maria, amparou-a, protegeu-a até que a criança nascesse. Entrega total ao Senhor.

    João Batista

    Pensem em João Batista. João Batista estava na prisão. Enviou discípulos ao Senhor Jesus para Lhe perguntar:

    És Tu Aquele que havia de vir, ou esperamos outro?

    Não era que a fé de João tivesse falhado. Ele havia testemunhado:

    Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.

    Ele viu o Espírito Santo descer sobre Jesus, e Deus disse: “Este é Ele”.

    É claro que João não estava duvidando, mas mandou aquele recado. Por quê? Porque estava dizendo: “Bem, Tu tens feito todas essas coisas. Libertaste os prisioneiros. Abriste os olhos dos cegos. Ressuscitaste os mortos. Então, por que me deixas na prisão e não fazes alguma coisa por mim?”.

    E o Senhor disse:

    Bem-aventurado é aquele que não se escandalizar de Mim.

    “Não vou fazer isso. Vou simplesmente deixar você aí. Você se escandalizará? Se não se escandalizar, será feliz. Será bem-aventurado.”

    E João Batista não se escandalizou. Por isso, entregou sua própria cabeça.

    Pedro e Paulo

    Pensem em Pedro. Herodes matou Tiago e percebeu que o povo ficou satisfeito, então prendeu Pedro. Era a época da Festa dos Pães sem Fermento, por isso o colocou na prisão, pensando que, depois de terminados os sete dias da festa, tiraria Pedro dali e o decapitaria.

    Assim, Pedro ficou na prisão durante sete dias. Na última noite, sabendo que no dia seguinte seria levado para fora e decapitado — queridos irmãos e irmãs, se eu fosse Pedro, estivesse na prisão por sete dias e soubesse que na manhã seguinte seria levado para ser decapitado, vocês acham que eu conseguiria dormir?

    Se não estivesse murmurando, estaria com medo. Mas aqui vemos Pedro dormindo profundamente. Seu sono era tão profundo que, mesmo depois de o anjo tê-lo tirado da prisão, ainda pensava estar sonhando. Que sono profundo devia ser aquele!

    Como um homem poderia dormir tão profundamente, sabendo que no dia seguinte talvez fosse decapitado? Entrega total a Deus. Ele se deu completamente a Deus.

    Pensem em Paulo. Leiam 2 Timóteo. Aqui está Paulo, pouco antes de ser martirizado, e como estava triunfante! Ele disse, em 2 Timóteo 4:7-8:

    Combati o bom combate,
    Completei a carreira,
    Guardei a fé.
    Já agora a coroa da justiça me está guardada,
    A qual o Senhor, reto Juiz, me dará naquele Dia;
    E não somente a mim, mas também a todos quantos amam a Sua vinda.

    Como isso era possível? Entrega total a Deus.

    A Vida para a Qual Deus nos Chama

    Sabem, esse é o tipo de vida para o qual Deus nos chama. É o tipo de vida que Seu Filho, nosso Senhor Jesus, viveu. É o tipo de vida em que, ao longo dos séculos, todos aqueles de quem Deus deu testemunho entraram: essa vida de entrega de si mesmos. Eles se entregaram ao Senhor.

    Isso não é passivo; é muito ativo. Porque, por meio dessa entrega, Deus pode fazer o que deseja com essas vidas.

    Margaret E. Barber

    Sabem, o irmão Watchman Nee foi muito ajudado, no início de sua vida cristã, por uma querida irmã, Margaret E. Barber. Margaret E. Barber tinha uma personalidade muito forte. Não era uma pessoa fraca. Tinha opiniões firmes.

    Mas um dia, quando o irmão Nee estava orando com Margaret Barber, ela estava em um impasse com Deus. Deus lhe fazia uma exigência, mas ela tinha sua própria ideia.

    E o irmão Nee ouviu esta oração. Ela orou: “Senhor, não desistas ainda. Apenas espera por mim. Eu voltarei. Eu me entregarei a Ti”.

    Naquele momento, ela não estava disposta a se entregar, mas pediu ao Senhor que não desistisse dela. Que apenas esperasse por ela. Ela se entregaria. Daria a si mesma.

    A Incredulidade como Obstáculo à Entrega

    Não é natural para ninguém abrir mão de si mesmo. Não é fácil para nós abrir mão das coisas, e quanto mais difícil é abrir mão de nós mesmos! Pensamos que, se abrirmos mão de nós mesmos, será o fim.

    Mas lembrem-se: é abrir mão para se dar a Deus. Aí está o começo.

    A razão pela qual Deus não pode fazer conosco o que deseja, não pode trabalhar conosco como deseja, é que não estamos dispostos a nos entregar a Ele.

    Nós nos apegamos a nós mesmos. Apegamo-nos às coisas. Não queremos soltá-las. E, por isso, que tipo de vida vivemos? Ficamos preocupados o tempo todo. Somos ansiosos. Na ansiedade, nos esforçamos, lutamos. Não há descanso. Não há paz. Não há alegria — nenhuma alegria.

    Não é essa a vida que queremos viver? Então, por que não nos entregamos a Deus? Por quê?

    Creio que a razão pela qual não nos entregamos a Deus é a incredulidade.

    Vocês se lembram de Hebreus 3:12. Está escrito:

    Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo.

    Nosso Deus é um Deus vivo, mas nos afastamos Dele. Por quê? Porque não cremos. Cremos em nós mesmos. Pensamos que, se as coisas estiverem em nossas próprias mãos, poderemos administrá-las melhor.

    Pensamos que, se mantivermos nossa vida em nossas próprias mãos, teremos mais segurança. Se soltarmos tudo e deixarmos Deus agir, bem, o que Deus poderá fazer? Limitamos Deus com as nossas limitações. Se nós não conseguimos fazer, pensamos que Deus também não consegue.

    Não confiamos Nele. Não cremos Nele. É incredulidade. O maior pecado que cometemos é o pecado da incredulidade.

    E esse, creio eu, é o pecado mencionado em Hebreus 12:1. O texto diz:

    Desembaraçando-nos […] do pecado que tenazmente nos assedia.

    Que pecado é esse? É o pecado da incredulidade.

    Não cremos Nele. Por isso, não nos damos a Ele. Não abrimos mão de nós mesmos para nos entregar a Ele. Não soltamos tudo para deixar Deus agir. É incredulidade. Que o Senhor nos livre dessa incredulidade.

    Os Três Aspectos da Entrega

    Agora, irmãos e irmãs, como podemos nos entregar a Deus? Creio que há três coisas sobre as quais gostaria de compartilhar. Vou apresentar novamente três palavras que, em inglês, começam com a letra C.

    Considerar Cristo

    A primeira é considerar. Considerar o quê? Como diz Hebreus 3:1:

    Considerai o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, Jesus.

    A razão pela qual não conseguimos abrir mão de nós mesmos é que não O consideramos. Consideramos a nós mesmos. Consideramos nossas circunstâncias.

    E, quando vocês consideram a si mesmos, as circunstâncias, as pessoas e todas essas coisas, exceto Deus, percebem que vão ficando cada vez mais presos e se apegando cada vez mais.

    Mas, ah, irmãos e irmãs, se aprendermos a considerá-Lo, o Autor e Consumador da nossa fé, se pudermos apenas vê-Lo — se pudermos ver Aquele que é invisível —, então todas essas coisas visíveis não serão um obstáculo.

    Sabem, nosso problema é que vemos todas essas coisas visíveis, e elas cegam nossos olhos, impedindo-nos de ver Aquele que é invisível.

    Quando Jó viu o Senhor, quando a glória do Senhor lhe apareceu, Jó disse: “Agora eu Te vejo”. Assim que viu, entregou-se completamente a Deus. Sem mais perguntas, sem necessidade de explicação, porque Deus é a explicação.

    Abraão conseguiu abrir mão, abrir mão e abrir mão. E essa é uma vida de entrega. Ela se torna cada vez mais profunda; e, à medida que se torna mais profunda, torna-se também mais elevada. Isso aconteceu porque o Senhor da glória lhe apareceu.

    Moisés conseguiu desprezar as riquezas do Egito — e as riquezas do Egito naquela época podem ser comparadas às riquezas deste país. Ele desprezou as riquezas do Egito, a prosperidade do Egito, e se dispôs a suportar o opróbrio de Cristo com seus irmãos, que eram escravos.

    Não temeu a fúria do faraó porque viu Aquele que é invisível. Queridos irmãos e irmãs, precisamos de uma visão do Senhor. Considerem-No. Vejam-No.

    Sabem, nosso problema é que falamos muito sobre Ele. Ouvimos muito sobre Ele. Mas nós O vemos?

    Quando O consideramos e O vemos em nosso espírito — Ele, que é invisível —, queridos irmãos e irmãs, não há nada mais lógico, nada mais razoável, nada mais fácil do que se entregar ao Senhor.

    Não fazer isso seria insensatez. Porque não é algo de que vocês possam simplesmente se convencer com a mente. É algo para o qual precisam considerá-Lo e vê-Lo. Uma visão Dele — é tudo de que precisam.

    E todas essas coisas cairão por terra. Entreguem-se a Ele.

    Ser Constrangido pelo Amor de Cristo

    A segunda palavra é constranger. Não devemos apenas considerá-Lo; quando vocês O considerarem e O virem, serão constrangidos por Seu amor.

    2 Coríntios 5:14-15 diz:

    Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram.
    E Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou.

    Ah, queridos irmãos e irmãs, como precisamos ser constrangidos pelo amor de Cristo! Sabem, na vida cristã, o dever não é suficiente. A vida cristã não se vive no nível do dever. A vida cristã se vive na atmosfera do amor.

    Se não formos constrangidos pelo amor de Cristo, queridos irmãos e irmãs, não conseguiremos nos entregar. Talvez consigamos abrir mão de alguma coisa, mas nunca conseguiremos abrir mão de nós mesmos.

    A razão pela qual Cristo morreu na cruz foi o amor. Não foi o dever. O dever não exigiu isso Dele, mas foi o amor que O constrangeu a fazer o que fez.

    Precisamos ser constrangidos pelo amor de Cristo. Sempre que perdemos o primeiro amor, tudo se torna exterior, superficial, rotineiro. Perde todo o seu valor espiritual.

    Precisamos ser constantemente constrangidos pelo amor de Cristo.

    Aquietar a Alma

    E a terceira palavra é aquietar. Aquietar. Sabem, em Salmos 131:2, ele disse:

    Fiz calar e sossegar a minha alma;
    Como a criança desmamada nos braços de sua mãe.

    Eu amo o Salmo 131. É um belo salmo. Mas, sabem, é um salmo que não tem nada de natural. É sobrenatural.

    Por quê? Porque o salmista começa dizendo:

    Senhor, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar;
    Não me ocupo de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim.

    Isso não é natural.

    O que é natural? “Meu coração é soberbo. Meus olhos são altivos. Eu me ocupo de grandes coisas e de coisas maravilhosas demais para mim.” Isso é natural.

    Não importa quem somos, não importa o que somos, até mesmo no homem de condição mais humilde do mundo, no mais pobre do mundo, no mais ignorante do mundo, vemos que, por natureza, nosso coração é soberbo. Então, não me digam que vocês são humildes.

    Nosso coração é tão perverso que pode nos enganar. Só Deus sabe, e Deus sabe como nosso coração é soberbo e nossos olhos são altivos. Sempre gostamos de nos aprofundar em coisas maravilhosas demais para nós, em grandes questões. É isso que queremos fazer.

    Mas como é que o salmista declara:

    Não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar;
    Não me ocupo de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim.

    Como isso aconteceu?

    Salmos 131:2 traz o segredo:

    Certamente, fiz calar e sossegar a minha alma.

    Vejam, essa é a resposta.

    Como é que ele não é soberbo nem altivo? Como é que não busca grandes coisas, maravilhosas demais para ele? Ele se torna tão simples. Torna-se, sabem, como uma criança. Como isso acontece? Ele disse: “Porque fiz calar e sossegar a minha alma”.

    Como uma criança desmamada nos braços de sua mãe.

    A Criança Desmamada como Imagem da Maturidade Espiritual

    Uma criança com sua mãe, antes de ser desmamada, apresenta uma imagem muito diferente daquela que vocês podem imaginar aqui.

    Um bebê que ainda mama no peito da mãe — quando vocês o colocam junto dela, imediatamente percebem como ele fica agitado, como se debate, procura o peito e tenta mamar o máximo que pode. Em outras palavras, é uma imagem de inquietação.

    Mas, depois de algum tempo, chega a hora de a criança ser desmamada. Por quê? Porque está crescendo. O leite da mãe já não é suficiente para seu crescimento. Ela precisa de algo mais, de algo mais sólido. Mas a criança não entende.

    Por isso, o desmame é um processo muito difícil. O desmame provoca muitas lágrimas — não apenas as lágrimas da criança, mas também as da mãe.

    A mãe precisa usar algum recurso, algum artifício, sabem, para desmamar a criança. Talvez colocar algo amargo no peito, ou alguma coisa assim, para dificultar que a criança mame. Como a criança esperneia e chora, pensando que a mãe não a ama mais! E isso machuca muito a mãe.

    Mas, aos poucos, quando recebe algum alimento sólido, algum outro alimento, e começa a crescer, chega a um ponto em que passa a conter e aquietar sua alma. Em outras palavras, aceita a disciplina — o domínio próprio.

    Quando chega a esse ponto e já foi desmamada, o que acontece quando vocês a colocam junto da mãe?

    Vocês percebem que, em vez de procurar o peito da mãe, a criança simplesmente descansa em seus braços, talvez apenas erguendo os olhos para ela. Não faz exigências. Não quer coisa alguma.

    Mas ali encontramos um fluxo de amor mútuo, de afeição mútua, de entendimento mútuo, que vai e vem entre a mãe e a criança. É uma imagem de paz, alegria e harmonia: uma criança desmamada com sua mãe.

    Queridos irmãos e irmãs, é isso que Deus está procurando fazer conosco. Houve um tempo em que éramos bebês. Não há nada de errado em ser bebê; é daí que todos viemos. Não podemos pular essa fase.

    Houve apenas um homem que veio à existência já adulto, e esse foi Adão. Fora Adão, todos nós crescemos a partir da infância.

    Mas não podemos continuar sendo bebês. É a vontade do nosso Deus, nosso Pai, que cresçamos até a maturidade. É por isso que Ele precisa nos desmamar.

    Ele precisa nos desmamar do apego às coisas. Precisa nos desmamar desse forte apego a nós mesmos. Nossa alma precisa ser aquietada e contida.

    Vocês se lembram do que o Senhor disse em Mateus 11:28-29:

    Vinde a Mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei.
    Tomai sobre vós o Meu jugo e aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração;
    E achareis descanso para a vossa alma.

    Ah, nossa alma se recusa a descansar. Nossa alma está sempre lutando e se esforçando. Pensem em nossas emoções. Pensem em nossa mente, em nossa imaginação. Pensem em nossa vontade e em nossos desejos. Vocês perceberão que essas coisas são como ondas, como mares revoltos. Nunca estão em repouso.

    Mas, queridos irmãos e irmãs, o Senhor diz:

    Tomai sobre vós o Meu jugo e aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração;
    E achareis descanso para a vossa alma.

    Essa é a criança desmamada.

    Irmãos e irmãs, vocês já foram desmamados?

    Se ainda não foram desmamados espiritualmente, é verdade que recebem muito do Senhor, mas o Senhor ainda não recebeu nada de vocês. Ele não pode usá-los.

    Vocês conhecem Sua graça, mas não conhecem Seu propósito. Somente quando somos desmamados, quando realmente nos entregamos a Deus, podemos erguer os olhos para Ele, e haverá um fluxo de amor e de entendimento.

    Essa é a vida para a qual Deus nos chama.

    A Esperança no Senhor

    Salmos 131:3 diz:

    Ó Israel, espera no Senhor,
    Desde agora e para sempre.

    Não é interessante? Depois de o próprio Davi experimentar essa entrega total a Deus, ele disse: “Que Israel espere em Deus”. Em outras palavras, sua experiência pessoal é para todo o Israel.

    Se o Senhor nos conduzir, se conduzir você a uma vida de entrega a Deus, você perceberá que influenciará a família de Deus e a ajudará a entrar nessa bendita esperança.

    Sabem, a esperança vem da entrega a Deus. Talvez pensemos que, se abrirmos mão de nós mesmos, ficaremos sem esperança. Ah, irmãos, se nos entregarmos a Deus, então a esperança começa.

    Porque nossa esperança está Nele. Ele é a esperança da glória. Que Israel espere no Senhor, desde agora e para sempre.

    O que vocês estão esperando? Em quem estão colocando sua esperança? Estão esperando em si mesmos, em outras pessoas ou na mudança de suas circunstâncias? É aí que está sua esperança? Na areia movediça?

    Esperem em Deus. Mas como podemos realmente esperar em Deus se ainda esperamos em nós mesmos? Precisamos nos entregar a Deus, e então descobriremos que toda a nossa esperança está Nele.

    Quem confia Nele descobrirá que Ele é digno de confiança.

    Conclusão e Oração

    Portanto, que o Senhor nos ajude, queridos irmãos e irmãs. Há apenas uma vida que vale a pena viver. É uma vida como a do nosso Senhor: uma vida de entrega absoluta a Deus.

    Porque nosso Deus é digno. Vamos orar?

    Nosso Pai celestial, nós Te louvamos e Te agradecemos, pois Tu nos chamas a viver uma vida como a do Teu Filho, porque é o Teu Filho que vive em nós. É uma vida de entrega total a Ti.

    Ah, Tu és tão digno! Há alguma coisa que Tu não mereças? Pai, nós Te louvamos e Te agradecemos porque nos chamas a nos entregar a Ti, para que possas dar a Ti mesmo a nós e ser tudo.

    Ó Pai, que o Teu Espírito Santo fale conosco e nos conduza à Tua verdade, para que o Teu nome seja glorificado. Pedimos em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.