Porque quero que saibais quão grande combate tenho por vós e pelos que estão em Laodiceia.
—Colossenses 2:1
Porque lhe dou testemunho de que tem grande zelo por vós e pelos que estão em Laodiceia.
—Colossenses 4:13
Saudai os irmãos que estão em Laodiceia.
—Colossenses 4:15
E, quando esta epístola tiver sido lida entre vós, fazei que também o seja na igreja dos laodicenses.
—Colossenses 4:16
Não que já a tenha alcançado ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também alcançado por Cristo Jesus.
Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que atrás ficam e avançando para as que estão diante de mim,
Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.
Pelo que todos quantos já somos perfeitos sintamos isto mesmo.
—Filipenses 3:12-15
Vamos ter essas passagens em mente enquanto cantamos mais um hino.
Nestas mensagens finais do terceiro capítulo de Apocalipse, chegamos à fase conclusiva do primeiro movimento da Palavra escrita em direção à consumação do propósito divino nesta era.
Ao longo deste tempo, temos procurado manter o grande objetivo de Deus para Sua Igreja acima de tudo, sempre claramente à vista. Pois o que temos aqui, na primeira parte deste grande livro e também nos capítulos posteriores, é o propósito de Deus em nossa salvação.
Tudo o que lemos nesta noite nos diz que Paulo se empenhava ao máximo para alcançar aquilo para o que havia sido alcançado por Cristo Jesus. Então, sem definir exatamente qual era esse objetivo ou propósito, ele lhe deu um nome: o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.
Era para isso que ele entendia ter sido alcançado por Cristo Jesus: não apenas para ser salvo, mas para ser conduzido a um grande e glorioso destino em Cristo Jesus e por meio Dele. Ele o chama de prêmio da soberana vocação.
O final desta parte do livro de Apocalipse nos leva, ali na igreja, ao alvo. A intenção do livro é preparar a Igreja para o fim, para o grande tempo de crise que está em vista.
No final desta primeira parte do livro, que trata da Igreja, somos informados sobre o que Paulo queria dizer com o prêmio da soberana vocação. É isto:
Ao que vencer, lhe concederei que se assente Comigo no Meu trono; assim como Eu venci e Me assentei com Meu Pai no Seu trono.
—Apocalipse 3:21
Esse é o grande objetivo e alvo para o qual as pessoas são salvas e alcançadas por Cristo Jesus: o prêmio de compartilhar com Ele o governo deste universo a partir do trono.
Esse é o significado do cristianismo. É isso que está no coração do Senhor ao oferecer o evangelho, ao apelar aos homens. É isso, queridos amigos, que está em vista em nossa vida cristã — nada menos que isso.
É um grande chamado, uma soberana vocação, um prêmio maravilhoso: compartilhar com Cristo o trono e o governo.
Bem, é claro que é bastante significativo, não é, que essa seja a nota final desta fase, desta seção do livro? Podemos dizer, porque é inteiramente verdadeiro, que esse objetivo esteve presente e regeu tudo o que veio antes.
A maravilhosa apresentação da Pessoa do Senhor Jesus em Apocalipse 1 tinha como finalidade estabelecer o padrão, ao mostrar Sua vitória e a glória de Sua Pessoa ressurreta.
Então, ao longo dessas sete mensagens às sete igrejas — que, pelo próprio número, representam toda a Igreja em todas as eras —, em tudo o que se diz por meio delas, esse objetivo governa. Esse fim paira sobre tudo. É nessa direção que tudo caminha.
O julgamento e a condenação, a exigência de afastar tudo o que frustraria esse objetivo; o encorajamento e a exaltação das coisas que contribuirão para esse objetivo — o fim governa tudo. O prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus: mantenham isso em vista.
Isso explica tudo. Explica todo o tratamento do Senhor com Seu povo.
Se, em todas as ocasiões em que o Senhor está tratando conosco, pudéssemos parar, perguntar e pensar: “Qual é o significado disto? Por que isto?”, e permitíssemos que essa grande verdade governante ocupasse nossa mente — Ele está nos preparando para o trono; está fazendo agora algo que se relaciona com esse glorioso fim —, isso seria uma ajuda tremenda.
Ele está abrindo o caminho. Está nos preparando. Está eliminando em nós coisas que impediriam nosso progresso em direção a esse fim. Está procurando incutir e desenvolver em nós aquilo que nos fará avançar mais depressa em direção a esse fim. Se ao menos pudéssemos nos convencer de que é exatamente isso que tudo significa, seria uma ajuda tremenda.
Agora, observem que o Senhor diz isso com bastante clareza ao Seu povo nessas cartas. Mais cedo, hoje, estávamos pensando naquela igreja sofredora, naquela igreja sofredora:
Sê fiel até à morte.
—Apocalipse 2:10
O Senhor simplesmente lhes disse, em linguagem clara, que toda a sua tribulação tinha um propósito espiritual e divino; claramente, tratava-se de prepará-los, de qualificá-los para seu grande destino eterno.
É assim que as coisas são.
Penso, queridos amigos, que talvez nossa obsessão com a importância desta vida muitas vezes limite grandemente nossa compreensão da vocação celestial.
De um ponto de vista, damos importância demais a esta vida; de outro, talvez não lhe demos importância suficiente. De um ponto de vista, damos importância demais a ela: se não vemos tudo realizado aqui e agora, nesta vida, todas as nossas esperanças e expectativas concretizadas, então ficamos decepcionados.
O Senhor nunca vê as coisas dessa maneira. Nunca nada foi aperfeiçoado durante a vida de qualquer crente, exceto na vida do Senhor Jesus. É assim mesmo.
Por outro lado, talvez não reconheçamos suficientemente a tremenda importância do que o Senhor está procurando fazer conosco nesta vida. Seja como for, há algo que paira agora sobre nossa vida, sobre esta vida aqui: essa tremenda vocação celestial para a qual fomos alcançados por Cristo Jesus.
Mas, para que isso se realize, ou para que alcancemos aquilo de que Paulo fala, várias coisas são necessárias. Nesta mensagem à igreja em Laodiceia, o Senhor deixa perfeitamente claro o que é essencial para o resultado final.
Ele faz isso, em primeiro lugar, apresentando-Se em três termos. Observem como Ele Se apresenta aqui:
Isto diz o Amém, a Testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus.
—Apocalipse 3:14
Talvez não esteja muito claro para vocês o que isso realmente significa. Bem, suponho que todos entendam bem o primeiro termo. Se não entendem, então vocês são terríveis hipócritas, pois ouvi muitos “améns” nesta noite. Aquela oração suscitou muitos “améns” nesta noite, e estamos acostumados a usar essa palavra.
É apenas uma palavra? É apenas algo que acrescentamos ao final ou em determinado momento? É um hábito ou costume? O que queremos dizer?
Não, entendemos que o significado dessa palavra, “amém”, é: “Em verdade, verdadeiramente, positivamente, sim”. É isso mesmo que queremos dizer.
Isto diz o Amém.
—Apocalipse 3:14
O Amém: Aquele em Quem e a respeito de Quem não há incerteza nem indefinição.
Meus queridos amigos, se vocês e eu damos algum valor à nossa salvação, devemos isso Àquele que foi tão completo na obra que realizou para nos salvar. Onde estaríamos se Ele tivesse sido indiferente à nossa salvação? Se, para Ele, fosse uma questão de tanto faz sermos salvos ou não, se Ele não tivesse sido nem frio nem quente a esse respeito, onde estaríamos?
Tudo nessa obra de redenção O apresenta como Alguém que, sem qualquer reserva, sem hesitação nem coração dividido, entregou-Se por nossos pecados, para nos redimir para Deus e de toda iniquidade.
Ele não parou no meio do caminho, graças a Deus. Não permitiu que nada O desviasse nem que pressões secundárias O influenciassem — de modo algum. Ele é o Servo do Senhor, cingido para servir.
Como cantamos, vindo das mansões da glória, tendo deixado de lado Suas vestes e Seu conforto, cingindo-Se como Servo, Ele veio para realizar uma obra. E como Se dedicou a essa obra! Ele a concluiu. “Isto diz Aquele que é assim.”
A Testemunha fiel e verdadeira.
—Apocalipse 3:14
Vocês percebem: essas são palavras fortes, enfáticas. Ele foi absoluto.
Paulo exortou Timóteo a lembrar-se de Jesus Cristo, que diante de Pôncio Pilatos deu fielmente Seu testemunho. Sim, Ele foi uma Testemunha fiel e verdadeira. A questão, o pensamento subjacente, é que tudo aqui é enfático. É positivo. É definido. É real. É total. É sem reservas.
O princípio da criação de Deus.
—Apocalipse 3:14
Como isso se encaixa aqui? Bem, em primeiro lugar, precisamos compreender essa palavra, “princípio”. Não é a palavra que significa o primeiro da criação — o primeiro Ser criado e, depois Dele, muitos outros. Não é essa palavra, de modo algum.
É a palavra grega archē, que significa a origem de tudo, a fonte de tudo: Aquele em Quem e de Quem tudo procede, e que é, Ele próprio, o padrão e modelo de tudo.
É isso que queremos dizer quando falamos de um arquiteto: alguém que produz o modelo, de quem procede aquilo que será a origem de tudo. Essa é a palavra aqui:
O princípio da criação de Deus.
—Apocalipse 3:14
Vejam-No entrando em ação. A Escritura diz que Nele, por meio Dele e para Ele todas as coisas foram criadas. Todas as coisas foram feitas por Ele, diz a Escritura.
Ele foi displicente na criação? Foi descuidado? Quando a obra foi concluída, ao anoitecer do sexto dia, havia muito a desejar, muita coisa que precisava ser melhorada? Não. O veredito é:
Era muito bom.
—Gênesis 1:31
Muito bom — uma obra divina. Ele realizou Sua obra de modo completo e bem-feito. Dedicou-Se a ela.
Ora, mesmo agora, numa criação devastada, numa criação arruinada, podemos identificar as marcas de Seus dedos criadores. A maravilha de Sua inteligência está ali, a maravilha de Seu poder está ali — tudo está ali.
O que quero dizer, queridos amigos, é que essa é mais uma expressão — a terceira — que aponta para uma única coisa: vocês estão lidando com Alguém que faz tudo de maneira completa. Completo na criação, completo na redenção e completo em Sua própria Pessoa e em Seu próprio testemunho.
É assim que Ele Se apresenta a Laodiceia, como se dissesse: “Isto, isto, e somente isto os levará ao fim. Esse espírito, essa disposição, essa dedicação, essa inteireza, essa atitude de Amém são essenciais se vocês querem chegar ao fim. Vocês precisam levar isso a sério”.
Vocês precisam levar isso a sério para alcançar esse alvo e obter esse prêmio.
Isso está perfeitamente claro como a base sobre a qual Ele fala a Laodiceia. Então Ele passa a mostrar que a atitude laodicense de ficar no meio-termo jamais os levará até lá. Jamais os levará até lá.
Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera fosses frio ou quente!
—Apocalipse 3:15
Há uma diferença imensa entre assentar-se com Ele em Seu trono e ser vomitado de Sua boca. Essas são as alternativas, que dependem desta questão: compromisso absoluto e total, e perseverança em direção ao grande objetivo de Deus.
Então Ele analisa essa condição e, ao fazê-lo, indica outras coisas — mais coisas — essenciais para alcançar o alvo. Observem:
Porque dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta.
—Apocalipse 3:17
Laodiceia era uma cidade muito rica. Era o grande centro bancário da Ásia Menor, para o qual provavelmente fluía toda a riqueza da província. O Senhor tomou esse fato como ponto de partida.
As pessoas em Laodiceia se orgulhavam de sua riqueza — o mundo se orgulhava —, mas, na igreja de Laodiceia, havia complacência, satisfação, a sensação de serem plenamente suficientes, de já terem chegado lá e de não haver muito mais a fazer: ricos, enriquecidos e sem necessidade de coisa alguma.
Isso nunca os levará ao prêmio. Isso nunca os levará ao prêmio.
Uma coisa é central: se vocês querem chegar àquilo para o que Eu os alcancei e escolhi, uma coisa é central e precisa permanecer — a consciência da própria insuficiência, da própria necessidade, de que ainda há muito mais em Cristo do que vocês jamais descobriram ou possuíram.
É essa profunda consciência da necessidade espiritual que é essencial. Diante de qualquer sentimento de realização ou satisfação, lembrem-se: vocês ainda têm muito mais a percorrer. Vocês podem se contentar com o pouco que têm; talvez queiram um pouco mais.
Aqui está o espírito do grande apóstolo, e nós o percebemos em sua preocupação com Laodiceia:
Quero que saibais […] quão grande combate tenho […] pelos que estão em Laodiceia.
—Colossenses 2:1
“Quero que saibais, quero que saibais.”
Queridos amigos, qualquer acomodação a algo menor que o pensamento pleno de Deus, que toda a plenitude de Deus em Cristo como nosso chamado, nos roubará o prêmio. Nos roubará o prêmio.
Serão justamente aqueles que têm profunda, profunda consciência de que ainda não alcançaram, de que ainda não estão completos, mas de que ainda têm tudo a ganhar em Cristo, por mais que já possuam. Esse é o espírito, a mentalidade, a disposição que aqui se exige de Laodiceia.
Então:
E não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu;
Aconselho-te que de Mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças.
—Apocalipse 3:17-18
Isso não é comprar a salvação. A salvação é sem dinheiro e sem preço. Se há algo a ser obtido, não é a salvação por nosso esforço, por nosso trabalho, nem mesmo por nossa seriedade — não é isso. A salvação é pela graça.
Mas, tendo sido salvos, somos salvos para algo que nos tirará de nós mesmos e nos exigirá ao máximo no que diz respeito à fé. É no fogo, no fogo, que a fé é refinada; e ela será a moeda com a qual a coroa será conquistada.
Não vou me deter em todos os detalhes aqui. Quero apenas que vocês captem o espírito disso, sem uma exposição exaustiva.
Não sabes que és […] cego.
—Apocalipse 3:17
Aconselho-te que de Mim compres […] colírio, a fim de ungires os teus olhos, para que vejas.
—Apocalipse 3:18
Aqui, novamente, um fato local é utilizado. Ligada a um dos templos de Laodiceia, havia uma famosa escola de medicina. Dessa escola, saía colírio para todo o mundo grego e romano. Ela era famosa por esse unguento para problemas nos olhos. Todos em Laodiceia sabiam o que isso significava.
No entanto, bem ali, naquele lugar onde o mundo obtinha cura para seus olhos naturais, a igreja era cega. Havia cegueira espiritual ali.
Não sabes que és […] cego.
—Apocalipse 3:17
Digamos desde já, sem muitas palavras: algo absolutamente essencial para alcançar esse objetivo de Deus é ter visão — ter visão espiritual.
Pergunto a vocês, meus queridos amigos, a cada um pessoalmente: examinem agora seu próprio coração. Vocês têm visão espiritual? Estão se deixando levar de um dia para o outro? Estão prosseguindo sem um poderoso incentivo que venha de um propósito divino e eterno?
Vocês estão nas sombras ou no escuro quanto ao significado de tudo isso, quanto ao fim que se pretende alcançar? Ou existe diante de vocês, diante de seu espírito iluminado, uma visão clara daquilo que Deus determinou como resultado de todas as coisas e para o que os chamou, em comunhão com Seu Filho? Isso está claro para vocês?
Vocês sabem muito bem que ninguém chega a lugar algum sem uma visão. Um artesão nunca chegará a lugar algum sem uma visão. Ninguém fará progresso se não enxergar claramente o que busca, o que pretende alcançar.
Em qualquer área da vida, para chegar a algum lugar, é preciso saber onde ele fica e o que se busca ali. Aqui, uma coisa essencial é que vocês vejam.
Toda a força dessas cartas e da apresentação do Senhor Jesus em Apocalipse está nisto: haverá uma revelação de Jesus Cristo que nos conquistará, nos atrairá adiante e fará de nós um povo com propósito — um povo que sabe para onde vai e o que busca.
Vocês são assim? Têm a visão — a visão do propósito eterno de Deus em Cristo para a Igreja, para o qual foram chamados por Sua graça? Têm a visão? Isso está penetrando continuamente em sua vida?
Vocês estão cansados de ouvir essa expressão, “o propósito eterno”? Ela perdeu sua música, seu encanto, seu poder de cativar? Ah, isso é Laodiceia, entendem? Visão perdida, visão perdida. A visão é essencial para o prêmio.
Aconselho-te que de Mim compres […] colírio, a fim de ungires os teus olhos, para que vejas.
—Apocalipse 3:18
O que se quer dizer quando se fala assim, figurada e simbolicamente: “Compra de Mim colírio”? Mais uma vez, não preciso levá-los de volta àquelas palavras tão conhecidas da carta de Paulo aos Efésios:
Que Ele vos dê o espírito de sabedoria e de revelação no conhecimento Dele;
Tendo iluminados os olhos do vosso coração, para que saibais qual seja a esperança da Sua vocação.
—Efésios 1:17-18
Aí está: colírio. Quero dizer: coloquem-se diante de Deus com todo o seu ser, para que o Espírito Santo abra os olhos do seu coração e lhes permita ver o que Deus pretende para vocês como parte de Sua Igreja.
Não sabes que és […] nu.
—Apocalipse 3:17
Aconselho-te que de Mim compres […] vestes brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez.
—Apocalipse 3:18
Mais uma vez, Laodiceia era um centro de produção. Obtinha-se uma bela lã negra nos campos ao redor, e com ela se faziam vestes maravilhosas, famosas no mundo inteiro — uma lã reluzente, produzida em Laodiceia. Eles sabiam o que Ele queria dizer.
Ali, num lugar onde todos conheciam esses belos tecidos, as pessoas se orgulhavam de usar aquelas vestes laodicenses. Em meio a tudo isso, quando o Senhor olhava para eles, Ele os via nus. Mas eles não sabiam. Não sabiam.
Não sabes que és […] nu.
—Apocalipse 3:17
Ele os via como eram por natureza. Sabem, queridos amigos, quando nossos olhos se abrem a respeito de nós mesmos, a única coisa que queremos é nos cobrir de alguma maneira.
Assim, quando os olhos de Adão se abriram, a única coisa que ele queria era se cobrir. Ele foi e se escondeu.
Conhecemos a nós mesmos, e é claro que vocês sabem do que estou falando. Quando começamos a nos conhecer à luz de Deus, a única necessidade que sentimos é a de uma cobertura, de um esconderijo, de sair de vista depois de sermos examinados por aqueles olhos. Se ao menos pudéssemos nos esconder de nós mesmos!
Não é uma visão agradável quando começamos a enxergar a nós mesmos. Era assim que eles estavam. Era assim que Deus os via. Mas não tinham consciência de sua nudez. Orgulhavam-se das vestes de sua própria cidade, de sua própria fabricação.
Mais uma vez, o Senhor diz com bastante clareza: se vocês querem chegar ao fim, precisam ter uma opinião muito, muito baixa de si mesmos e reconhecer sua absoluta necessidade de uma veste que não podem fazer para si, mas que consiste nas vestes brancas da própria justiça de Cristo. Esse é seu único caminho até o fim.
Por isso Paulo diz:
Para que possa ganhar a Cristo,
E seja achado Nele, não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé.
—Filipenses 3:8-9
Essas são as vestes brancas. Deus, dá-nos consciência de nossa necessidade delas, por meio de uma percepção profunda e avassaladora de nossa própria injustiça. Essas são as pessoas que estão a caminho do trono.
Qualquer sentimento, em qualquer grau, de justiça própria, de sermos alguma coisa, nos tirará da corrida pelo prêmio. Isso pode ser consolador para a maioria de nós, mas, afinal, esse é o evangelho, não é?
Tudo se resume a isto. De um lado dessa grande argumentação, o Senhor está dizendo: “Vocês precisam ser um povo caracterizado por uma consciência tão forte de necessidade que somente o Senhor Jesus possa supri-la”. Vocês precisam ser um povo assim se querem chegar lá, ao lugar para o qual foram chamados.
Como isso é diferente de toda a atitude do mundo! Ora, a atitude do mundo é sempre de autoconfiança, de certa capacidade, de certa autossuficiência e importância própria para receber os prêmios. Não é próprio do espírito do mundo sentir-se absolutamente incapaz, indigno e sem valor. Esse não é o espírito do mundo. Esse é o espírito de Cristo, e é esse espírito que se exige.
Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê, pois, zeloso e arrepende-te.
—Apocalipse 3:19
Essas pessoas são pessoas disciplinadas. Bem, alguns de nós sabemos um pouco a respeito disso — o que é ser disciplinado. Mas:
Eu repreendo e castigo a todos quantos amo.
—Apocalipse 3:19
Então vem o apelo: “Sê zeloso. Sê zeloso”.
Essa palavra significa simplesmente: “Esteja em chamas. Seja ardente”. Não sejam como aquele curso de água que passa ao lado de Laodiceia, que não é quente nem frio. Todos sabiam muito bem o que Ele queria dizer. Havia um rio bem perto da cidade: água morna, nem uma coisa nem outra. Não sejam assim. Sejam zelosos. Sejam quentes e arrependam-se.
Eis que estou à porta e bato.
—Apocalipse 3:20
Poderíamos aprender muito a respeito disso, mas essa passagem tem sido muito popular. Ela significa simplesmente isto: onde existem condições como essas — nenhuma consciência da necessidade Dele, nenhuma consciência de uma condição de ruína, de desamparo —, bem, o Senhor está do lado de fora. Ele não está ali dentro, de modo algum. Está do lado de fora. Mas Ele diz:
Eis que estou à porta e bato.
—Apocalipse 3:20
Essas batidas podem significar muitas coisas. De muitas maneiras, o Senhor está procurando entrar, batendo à porta de diversas formas.
Então, isto:
Se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele, Comigo.
—Apocalipse 3:20
Ao examinar essa palavra, “cear”, encontro três palavras. Uma se aplica ao desjejum grego, que podia ser um pedaço de pão e uma bebida, e isso bastava. Outra se referia a uma refeição um pouco maior, feita durante o dia. Mas há outra palavra usada para a refeição completa do dia, e é essa que aparece aqui.
“Entrarei, e haverá uma refeição completa.” Vocês percebem: tudo o que observam nesta parte da Palavra é algo positivo, algo pleno que o Senhor busca — não algo parcial. Não apenas o pequeno pedaço de comida com que se começa o dia, logo de manhã, mas a refeição completa. Ele busca a plenitude.
“Entrarei, e haverá plenitude.” Está tudo ali.
Bem, Ele nos chama a ter essa mentalidade, esse espírito, essa disposição. Pois, mais uma vez, Ele diz que são justamente as pessoas que têm uma só coisa:
Uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que atrás ficam.
—Filipenses 3:13
Deixando as coisas que ficaram para trás e tendo apenas uma coisa — “uma coisa faço”.
Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.
—Filipenses 3:14
Ah, queridos amigos, não se satisfaçam com menos do que Deus tinha em mente para vocês quando os salvou. Não se acomodem a algo que não seja a plenitude de Seu pensamento para vocês. Não permitam que nenhuma concessão, de espécie alguma, nem qualquer descuido lhes roube o prêmio.
Sejam homens de Amém, mulheres de Amém. Que nossas igrejas sejam assim — sejam assim. Que todos possam dizer: “Essas pessoas sabem para onde vão, o que buscam. Não há dúvida a respeito delas. Elas levam isso a sério”.
Não são apenas pessoas que se deixam levar ou que simplesmente realizam reuniões: são pessoas marcadas e caracterizadas pela consciência de um grande significado, de um grande propósito. Que o Senhor nos faça assim.