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    Revelation of Jesus Christ: #3 of 10 © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Revelation of Jesus Christ: #3 of 10
    Revelation of Jesus Christ: #3 of 10
    Austin-Sparks, T.

    O caráter de Cristo como fundamento de Seu governo

    Leitura bíblica: Apocalipse 1:12-16

    E voltei-me para ver a voz que falava comigo. E, voltando-me, vi sete candeeiros de ouro;
    e, no meio dos candeeiros, Um semelhante a um filho de homem, vestido de uma veste que chegava até os pés e cingido à altura do peito com um cinto de ouro.
    E Sua cabeça e Seus cabelos eram brancos como lã branca, como a neve; e Seus olhos eram como chama de fogo;
    e Seus pés, semelhantes ao bronze polido, como se tivesse sido refinado numa fornalha; e Sua voz, como a voz de muitas águas.
    E Ele tinha em Sua mão direita sete estrelas; e de Sua boca saía uma espada afiada de dois gumes; e Seu rosto era como o sol quando resplandece em sua força.

    A questão central do Apocalipse

    Apocalipse: Jesus Cristo.

    Já indicamos que todo este livro, que traz essas palavras como título, converge para uma única questão de imensa e suprema importância: o governo deste universo, do céu e da terra, conforme determinado por Deus, centrado em Seu Filho, Jesus Cristo.

    Este livro é a revelação dos processos e do avanço rumo à culminação da história deste mundo, até o estabelecimento definitivo desse governo.

    Nesse contexto, nesta tarde nos ocupamos com a vitória do Filho de Deus, conforme apresentada neste primeiro capítulo.

    Nesta noite, tomamos esta breve seção, estes versículos, que apresentam o caráter que está por trás dessa vitória.

    É uma vitória imensa. Vimos Sua declaração a respeito de Si mesmo: Aquele que vive, que esteve morto, mas que agora está vivo pelos séculos dos séculos. Isso declara a grandeza de Sua vitória.

    Vimos que não foi pequeno o poder exercido e empregado pelo grande Império Romano para destruir o reino de Jesus Cristo. Na visão desse império no livro de Daniel, ele é corretamente simbolizado pelo ferro, símbolo de grande força e de poder para quebrar tudo.

    A grande força daquele que foi o mais poderoso dos impérios foi dirigida e concentrada na exterminação do testemunho de Jesus — o testemunho de que Ele é Senhor.

    O fato de Jesus ter sobrevivido ao esgotamento daquele imenso poder, triunfado sobre a morte e estar vivo pelos séculos dos séculos não é um pequeno testemunho da grandeza de Sua vitória.

    Aliada ao Império Romano estava a nação judaica.

    Levaria muito tempo descrever as condições da nação judaica nos tempos do Novo Testamento. Eu mesmo fiquei profundamente impressionado, ao reler durante a última semana o relato do grande historiador judeu Josefo sobre a maldade dos judeus naquela época.

    Como historiador judeu, ele diz que nunca houve nada tão inteiramente perverso quanto a condição do povo judeu nos tempos do Novo Testamento. É uma coisa terrível de se dizer, e ele mostra como isso se dava.

    Isso é apenas uma exposição do que o Senhor Jesus quis dizer quando falou:

    Esta geração perversa.

    Esta geração perversa — a manifesta maldade daquelas pessoas — não apenas ao crucificarem o Senhor Jesus, mas em sua condição por trás de toda a sua religião; sua condição moral, usando essa palavra em seu sentido mais amplo.

    Sabemos que eles levaram sua malícia ao extremo para destruir o Senhor Jesus e tudo o que Ele representa.

    Se Saulo de Tarso era realmente o representante e agente deles, ele mesmo nos conta, em muitas palavras, como, em sua determinação de que não restasse vestígio algum de Jesus de Nazaré, perseguiu este Caminho até a morte. Lançou na prisão tanto homens quanto mulheres.

    Todo aquele ódio humano, cruel e veemente — aquela malícia — estava concentrado em Jesus Cristo como Senhor. Tudo isso; e o que mais? Por trás disso, ao redor disso e acima disso, o próprio Satanás mobilizava todos os seus recursos: “Apaguem esta luz. Acabem com este testemunho. Risquem este Nome. Eliminem este Caminho”.

    E Ele diz:

    Eu sou Aquele que vive. Estive morto, mas estou vivo pelos séculos dos séculos.

    Que vitória! Que vitória!

    Quase podemos dizer: “Resta alguma coisa sobre a qual Ele possa triunfar, se já fez isso?”. Se nossa fé cristã é verdadeira, se aquilo que declaramos sobre a ressurreição e a exaltação de Jesus Cristo é de fato verdadeiro, estão implícitas coisas muito, muito maiores e mais vastas do que temos compreendido.

    Essa é a mensagem aqui. E, como dissemos antes, essa é a bênção deste livro: se Ele pode fazer tudo isso, o que não poderá fazer? Essa é a esperança para o fim.

    Poder e caráter no governo de Cristo

    Mas, depois de termos dito tudo isso sobre Sua vitória, e de tudo o mais que poderíamos acrescentar, permanece este fato: a vitória, o trono, o governo de Cristo e a Igreja estão fundamentados em Seu caráter essencial.

    Não se trata apenas de algo objetivo e oficial. Isto é, não se trata apenas de algo realizado pelo exercício de uma força superior, como mera força. É algo realizado em virtude de Seu glorioso caráter. É nisso que se apoia.

    Aqui está a combinação de duas coisas que, prestem atenção, sempre caminham juntas em Deus: poder e caráter; natureza e força.

    Em Deus, caráter é poder, e poder é caráter.

    Parece que Ele escreveu isso em letras grandes no universo, na natureza. Quase parece que Ele estabeleceu isso como uma lei: essas duas coisas caminham juntas. Vejam, tudo o que Deus faz combina essas duas coisas.

    Vocês vão à região dos Alpes. Por um lado, ficam impressionados com a força imponente e extraordinária das montanhas — a tremenda força vulcânica que fendeu a rocha — e com a poderosa resistência que elas representam ao se erguerem acima de vocês. É algo impressionante.

    E, no entanto, ao subir suas encostas imponentes, nas fendas e ao longo dessas encostas, vocês encontram o belo edelvais, aquela bela flor.

    Uma combinação de força e beleza. A natureza fez isso — equilibrou essas duas coisas.

    Venham ao campo inglês: vocês veem o carvalho imponente e altaneiro e, abrigada junto às suas raízes, a bela violeta. É simplesmente a natureza — sem arranjo algum, inteiramente espontânea. Força e beleza; poder e caráter em equilíbrio e combinação.

    Poderíamos continuar assim, buscando na criação outras ilustrações. Mas vocês voltam ao Antigo Testamento e encontram, na tipologia e no simbolismo, em tudo o que vem do céu, esse maravilhoso equilíbrio entre força e caráter.

    Isso está presente em tudo isso, e particularmente nesta passagem diante de nós. Temos Deus dizendo: “Se há de haver poder, domínio, vitória, supremacia, força, é preciso haver bondade. E, se há bondade, essa é a maior força”.

    É a natureza de Cristo que está apresentada aqui, e ela é o fundamento de Seu reino, de Seu trono.

    Então vocês se voltam para esta descrição, este retrato Dele. Observem os traços de poder: Seus olhos como chama de fogo; Sua voz como o som de muitas águas; Sua boca, da qual sai uma espada afiada de dois gumes; Seu rosto como o sol quando resplandece em sua força. Ah, esse é o simbolismo do poder.

    Mas voltem outra vez: o caráter. Sua veste até os pés; o cinto ao redor de Seu peito; a brancura de Seus cabelos; e a pureza representada pelo bronze refinado de Seus pés. Tudo isso fala do outro aspecto. Fala de Sua natureza, de Seu caráter.

    É com isso que vamos nos ocupar durante o tempo de que dispomos nesta noite.

    O Filho do Homem como padrão divino para a humanidade

    Permitam-me lembrar-lhes que estamos aqui na presença Daquele que é chamado de Filho do Homem. Devemos reconhecer devidamente a importância disso.

    Neste livro, Ele não é chamado de Filho de Deus. Ele o é; mas, para os propósitos deste livro, Seu título é Filho do Homem.

    Conhecemos esse título no Antigo Testamento, nos profetas — em Ezequiel e em Daniel. E também o conhecemos nos Evangelhos. Somente nos Evangelhos, esse título é usado a respeito Dele oitenta e cinco vezes — nada menos.

    No Antigo Testamento, quando aplicado aos profetas, é “filho do homem”. No Novo Testamento, quando aplicado a Ele, é “o Filho do Homem”. Mas eles eram parciais; Ele é absoluto.

    Sabemos que o próprio título, Filho do Homem, está relacionado ao pensamento pleno de Deus para Seu povo. Nos profetas, como já destacamos hoje, sua tarefa era recuperar o pensamento pleno de Deus para Seu povo. Eles eram representantes desse pensamento: filho do homem.

    Esse pensamento de Deus, ou esses pensamentos de Deus, tinham de ser incorporados à própria experiência, vida e história deles. Eles se tornaram a personificação desses pensamentos. Por isso, foram feitos um sinal para o povo de Deus.

    Essa é a essência desse título, filho do homem: um sinal do pensamento de Deus para Seu povo.

    Quando vocês chegam ao Senhor Jesus, descobrem que, de maneira plena, completa e definitiva, Ele é o Filho do Homem neste sentido: Ele personifica plenamente a concepção original de Deus para o homem.

    Tudo o que Deus tinha em Sua mente ao conceber a ideia da humanidade, a concepção do ser humano como uma criação especial e singular, é realizado e expresso Naquele cujo título aqui é Filho do Homem: Aquele em Quem se realiza todo o pensamento de Deus a respeito do homem.

    Estamos aqui em Sua presença.

    Vi Um semelhante ao Filho do Homem.

    Então vem o retrato. Olhamos, de maneira breve e insuficiente, para os traços desse Filho do Homem.

    A veste de pureza imaculada

    Voltei-me para ver e, voltando-me, vi Um semelhante ao Filho do Homem, vestido de uma veste que chegava até os pés.

    Naturalmente, há divergências de opinião quanto ao que era aquela veste. O Dr. Campbell Morgan disse que era a veste de governo. Outros expositores igualmente capazes afirmaram que era a veste sacerdotal.

    Não estou nem um pouco preocupado em tomar partido nessa questão. Não nos preocupa qual delas era. O que queremos compreender é o significado de haver uma veste — não exatamente que tipo de veste era, mas por que uma veste, afinal, até os Seus pés.

    Qualquer que fosse a veste, de um governante ou de um sacerdote, ela fala de caráter. Pois as vestes sempre falaram de caráter, desde o princípio. Eram o símbolo da pessoa, e continuam sendo até hoje.

    As vestes, o modo de vestir, revelam a pessoa. Não vou me deter muito nisso; é terreno perigoso. Mas, ainda assim, é verdade.

    Desde as primeiras vestes que o homem teve, feitas pelo próprio Deus, as vestes sempre foram símbolo da pessoa, indicando que tipo de pessoa ela é — ou, às vezes, o que a pessoa pensa de si mesma. Isso é caráter.

    Nos dias do Senhor Jesus, eles gostavam de usar vestes compridas e alargar seus filactérios. Fingiam ser algo que não eram, mas esse era o caráter deles. Seu caráter era de fingimento, e isso se revelava na maneira como se vestiam.

    Entendem o ponto? Aqui, qualquer que fosse a função oficial da veste, ela sem dúvida simbolizava a Pessoa.

    Não tenho dúvida de que, à luz das coisas que se seguem neste livro, era uma veste branca. Era o linho branco. Isso seria verdadeiro tanto para um sacerdote quanto para um governante.

    Sabemos, por este mesmo livro, que o linho branco são os atos de justiça dos santos. Sabemos, pela tipologia do Antigo Testamento, que as vestes de linho branco sempre falam do caráter de justiça na presença de Deus, cobrindo a injustiça do homem, para que nenhuma carne apareça diante Dele.

    Aqui, logo no primeiro elemento que descreve esta Pessoa, o Filho do Homem, vocês O encontram envolto e revestido de um caráter de pureza imaculada. É isso que Lhe confere Sua posição régia. É Sua santidade, Sua pureza.

    Basta dizer isso e deixar assim. Mas essa veste está cingida com um cinto de ouro ao redor de Seu peito.

    O cinto de ouro e a devoção a Deus

    Que significado poderoso! Bem, um cinto é sempre símbolo de força.

    Na Bíblia, o ouro é sempre símbolo daquilo que é precioso entre os minerais ou metais — precioso. E o peito é sempre símbolo de devoção.

    Se vocês juntarem essas três coisas, quanta riqueza elas contêm! Aqui, este Ser é caracterizado por uma devoção apaixonada àquilo que é precioso para Deus.

    O cinto — a força Daquele que está diante de nós — significa que Ele está cingido dessa paixão pelo que é precioso para Deus. Isso percorre todo este livro e aparece plenamente na outra extremidade, na cidade.

    É algo subjacente, fundamental. Como digo repetidamente, é a chave do trono. O trono está estabelecido em Seu caráter, por Seu caráter. Toda vitória está aí, no que diz respeito a Deus.

    Isso será algo profundamente perscrutador ao longo deste livro. Será algo decisivo em toda a Igreja. Nós o encontraremos novamente quando chegarmos à Igreja, se for da vontade de Deus.

    É algo decisivo para a ascensão e a queda da Igreja, para a ascensão e a queda de cada cristão e para a ascensão e a queda das nações: seu caráter. Quanto do caráter e da natureza de Cristo está presente? Isso será o fator decisivo.

    Essa é a força da devoção àquilo que é precioso para Deus. Lembrem-se disso. Esse é o segredo da vitória espiritual em qualquer vida.

    A cabeça e os cabelos brancos: pureza eterna da mente

    Sua cabeça e Seus cabelos eram brancos como lã branca, como a neve.

    O que isso significa?

    Aqui temos outra combinação. Certamente vocês encontram essa figura no livro de Daniel, e é a figura do Ancião de Dias que descreve Aquele que está diante de nós. Temos a ideia de idade ou, se preferirem, de eternidade.

    Nem sempre é assim, mas o cabelo branco é sinal de idade; geralmente é. O simbolismo é muito comum. Fala daquilo que permanece além do tempo, daquilo que transcende o tempo — não do tempo, mas da eternidade.

    Fala de pureza. Visto que se trata de Sua cabeça e de Seus cabelos, a interpretação estrita e exata do simbolismo é que temos o poder permanente, duradouro, que ultrapassa o tempo, da verdade e da pureza.

    Aqui estão Seus juízos, Seus pensamentos, Sua mente. Não há nada impuro em Sua mente, nada imundo. Como a palavra é exata: branco, lã branca — essas duas expressões enfatizam duplamente o grau máximo dessa pureza e limpeza.

    Amigos, embora talvez não nos sintamos muito atraídos pelo simbolismo, a verdade por trás de tudo isso é tremendamente importante. Mais uma vez, Seu reino, que é um reino eterno, é assim porque Seus juízos são retos e porque está fundamentado na verdade absoluta.

    É um reino livre de toda mistura e duplicidade — daquilo que é contrário a Deus.

    Paulo, escrevendo aos filipenses, disse:

    Tudo o que é puro, nisso pensai.

    Essa é a mente de Cristo.

    Haja em vós este mesmo sentimento.

    Tudo o que é puro, nisso pensai; tudo o que é amável.

    Mas aqui está: é assim que Ele é. A mente — isto é, a mente de Cristo, não a nossa mente — é algo muito forte no que diz respeito a Deus.

    Se ao menos pudermos obter o ponto de vista do Senhor; se ao menos pudermos ver como o Senhor vê; se ao menos pudermos conhecer a mente do Senhor a respeito de uma pessoa ou de uma situação, estaremos numa posição tremendamente forte.

    Vejam isso pelo outro lado: tanto de nossa fraqueza, de nosso fracasso e de nosso colapso se deve à nossa maneira errada de pensar. Não é assim? Temos uma atitude mental errada, em vez de uma mente inteiramente voltada para a glória de Deus. Somos afetados pela maneira como as coisas nos atingem.

    Mas Ele nunca foi assim. Nunca foi assim. Esse caráter de juízo reto e verdade absoluta é a força de Seu governo, de Seu reino.

    Que essas coisas saiam da Bíblia e desse simbolismo elevado e cheguem até nós como lições espirituais e instrução espiritual. Vocês querem prosseguir, atravessar as dificuldades, perseverar e permanecer? Querem força espiritual?

    Vocês querem força espiritual? Isso não é algo que Ele possa lhes dar de fora. Ah, como pedimos poder; como pedimos força! É algo que Ele só pode realizar em nós.

    Ele nos tornará fortes tornando-nos bons.

    Isso explica muito da maneira como Ele trata conosco. Muitas vezes, quando pedimos força, Ele nos faz passar por uma experiência que vai mudar algo em nós — nosso caráter, nossa atitude, nossa mentalidade. Esse é o Seu caminho.

    Os olhos de chama: discernimento espiritual

    Seus olhos eram como chama de fogo.

    Tudo o que precisamos dizer aqui é que esses olhos simbolizam Seu discernimento.

    Seu discernimento — Seu verdadeiro discernimento, Sua percepção e compreensão das coisas; enxergar o interior das coisas, ver através delas e chegar a conclusões corretas — devia-se ao fato de Sua mente ser aquilo que dissemos que ela é.

    Agora, queridos amigos, o discernimento é algo extraordinário na vida cristã. Ah, quantos erros cometemos por falta de verdadeiro discernimento espiritual!

    Se ao menos tivéssemos esse discernimento espiritual — se fôssemos capazes de perceber, reconhecer, discernir e compreender o significado das coisas —, de quantas coisas seríamos poupados!

    Há muita força nisso. Quero dizer: pessoas que estão sempre causando confusão e problemas porque lhes falta verdadeiro discernimento estão numa condição de fraqueza.

    Ser capaz de ver o significado das coisas, de enxergar além das aparências e daquilo que está do lado de fora — porque Seu Espírito é o que é e Sua mente é o que é, Ele é capaz de discernir corretamente todas as coisas.

    Ah, vamos tratar disso quando chegarmos às igrejas: ver as coisas como elas realmente são. Nenhum engano pode passar por esses olhos.

    Ele possui a poderosa força do discernimento claro. Seus olhos são como chama. Ali não há nada além da verdade — nenhuma falsidade, nenhuma mentalidade carnal, para usar a expressão de Paulo. Por isso, Ele pode ver.

    Os puros de coração verão a Deus.

    Vejam, aquilo que vemos depende do estado de nosso coração. Seus olhos são como chama de fogo por causa da pureza de Seu coração.

    Os pés de bronze polido: justiça em Seus caminhos

    Seus pés eram semelhantes ao bronze polido, como se tivessem sido refinados numa fornalha.

    Como a descrição é minuciosa!

    Os pés simplesmente representam os caminhos de uma pessoa, seus passos e sua busca: aquilo que procura, aquilo a que visa, a direção para a qual se move, o objetivo de seu movimento. Esse é o simbolismo dos pés em toda a Bíblia — os passos de uma pessoa.

    Aqui temos bronze, bronze polido, refinado numa fornalha. Na Bíblia, como vocês sabem, o bronze é sempre símbolo de força; e o fogo é sempre símbolo de purificação. Então o bronze passa a representar a justiça: uma força de justiça que saiu do fogo.

    A justiça, diz o Antigo Testamento, é o cinto de Seus lombos e o fundamento de Seu trono.

    Aqui, novamente, as buscas, os objetivos, os interesses, os movimentos, os caminhos e os passos do Senhor Jesus são sempre caminhos purificados, passos limpos. Não há interesse próprio nisso — nada além do agrado de Deus.

    Venho para fazer a Tua vontade, ó Meu Deus.

    Todos os Seus caminhos são provados no fogo, purificados de toda motivação indigna.

    A voz de muitas águas: harmonia na expressão divina

    Observem:

    Sua voz era como o som de muitas águas.

    Isso é muito belo.

    O som de muitas águas. O que é o som de muitas águas? Não de muita água — de muitas águas.

    Elas vêm de todas as direções: daqui, dali, de outro lugar. Rios e riachos vêm todos, convergindo, misturando-se e harmonizando-se.

    Este tem sua nota, aquele tem sua nota, o outro tem outra nota; e, no entanto, ao convergirem e se unirem, formam uma bela harmonia, como um coro de muitas notas.

    O som de muitas águas: diversidade na unidade, unidade na diversidade.

    Agora vocês dizem: “Tudo isso é uma bela imagem e soa muito bonito. O que você quer dizer?”.

    Voltem aos seus Evangelhos, sentem-se e escutem o Senhor Jesus. Sigam-No com os ouvidos atentos. Escutem Sua voz.

    Vocês ouvirão, às vezes, a nota da mais profunda compaixão e ternura — Sua bondade. Quando uma situação pede essa nota, ela vem: mansidão, bondade, compaixão e compreensão.

    Deixai-a; para o dia de Meu sepultamento guardou isto.

    Há muitos outros exemplos dessa voz compassiva, compreensiva e bondosa. Não podemos tomar tempo para todos eles.

    Mas vocês encontrarão, às vezes, aquela repreensão incisiva, como um estrondo de trovão:

    E todos, acusados pela consciência, desde o mais velho até o mais jovem, saíram.

    Foram atingidos como por um relâmpago que saísse de Sua boca.

    Há compaixão. Há juízo. Há condenação. Ah, há todas as notas em Sua voz. É a combinação de todas elas. Sua voz é como o som de muitas águas.

    Vocês e eu já ouvimos isso. Às vezes, ouvimos Sua voz de compaixão e consolo; às vezes, Sua voz de repreensão; às vezes, de exortação e encorajamento. Ela varia, mas Sua voz é como o som de muitas águas.

    Vocês se depararão com isso quando chegarem às sete igrejas. Descobrirão que há sete notas em Sua oitava, de modo que a Igreja é uma maravilhosa harmonia.

    A espada de dois gumes: distinção divina

    E de Sua boca saía uma espada afiada de dois gumes.

    A Carta aos Hebreus, em Hebreus 4:12, interpreta isso para nós.

    Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais afiada do que qualquer espada de dois gumes;
    e penetra até a divisão de alma e espírito, de juntas e medulas;
    e é apta para discernir os pensamentos e as intenções do coração.

    Uma espada distingue, divide e coloca as coisas no lugar a que pertencem. Isto pertence ali, e aquilo pertence lá, e é preciso colocar essas coisas em seu devido lugar.

    Não confundam as coisas nem deem a algo um nome que não lhe pertence. Separar uma coisa da outra — uma espada afiada de dois gumes.

    Esse é Seu caráter: Ele não pode admitir confusão, mistura e contradição — duas coisas que não concordam entre si.

    Esse é o caráter do Senhor Jesus. E, prestem atenção, há muita força espiritual nisso.

    Uma coisa que Deus sempre odiou é a mistura — mistura, contradição no mesmo lugar, falar com duas vozes ao mesmo tempo. Deus odeia isso.

    Há uma coisa verdadeira a respeito de Deus: Ele tem uma só mente. Ele é perfeitamente claro quanto ao que quer dizer e ao que deseja. A espada divide e coloca as coisas onde elas pertencem. Há muita força em fazer isso.

    O rosto de luz

    E Seu rosto era como o sol quando resplandece em sua força.

    Naturalmente, o rosto é a soma de todos os traços, não é? É a expressão da pessoa. É possível, é claro, esconder-se por trás de um rosto inexpressivo; mas, em geral, o rosto revela a pessoa que está por trás dele — é a expressão da vida interior.

    Portanto, o rosto aqui é a soma de todos os Seus traços. Vocês reúnem tudo: o que têm a dizer? Não há treva alguma. Não há sombras aqui. É como o sol quando resplandece em sua força.

    Nele havia luz. Nele havia luz. Nele não há treva alguma. Nele não há variação, nem sombra produzida por mudança, por alteração, por ter duas mentes. Ele é todo luz.

    Nenhuma treva, nenhuma sombra.

    A Igreja como instrumento do governo de Cristo

    Agora, queridos amigos, dissemos tudo isso, mas precisamos resumir.

    Nós nos propusemos a mostrar que o fim de tudo não é apenas Cristo no lugar de absoluta soberania, senhorio, realeza e domínio, mas Sua Igreja com Ele — Sua Igreja com Ele.

    Se a cidade significa alguma coisa, significa a Igreja com Cristo no governo.

    Se havemos de chegar ali, não tornemos isso algo demasiado objetivo e distante, pertencente a algum tempo futuro, remoto ou próximo. Vejamos que Ele está trabalhando nisso em nós agora.

    Paulo nos transmitiu a revelação que lhe foi confiada e nos disse que fomos predestinados a ser conformados à imagem de Seu Filho.

    O Espírito Santo tinha isso em vista quando atraiu vocês e a mim ao Senhor Jesus pela primeira vez.

    Se Ele tem tido algum significado em nossa vida, é nisso que tem trabalhado: conformar-nos à imagem do Filho de Deus, formando em nós o caráter de Cristo — com um propósito em vista, com um propósito em vista.

    Ah, como eu gostaria de me lembrar disso sempre! Como gostaria que vocês se lembrassem disso sempre!

    Quando Ele procura fazer algo por dentro — na vida, na natureza, no caráter — para transformá-lo; quando trata com algo que não é Cristo, martelando, golpeando, despedaçando, fazendo-nos passar por um tempo terrível por causa do que somos em nós mesmos, não é apenas para destruir.

    Ele procura abrir espaço e caminho para o Senhor Jesus em nosso caráter. Disso surgirá algo mais semelhante ao Senhor: paciência, amor, consideração, generosidade e tudo o que é semelhante a Cristo — para introduzir isso em nós.

    Mas isso não é um fim em si mesmo, porque é esse tipo de pessoa e esse tipo de Igreja que serão Seu instrumento de governo nos séculos vindouros.

    Cristo amou a igreja e a Si mesmo Se entregou por ela;
    para que a santificasse, tendo-a purificado pela lavagem de água com a palavra;
    para que apresentasse a Si mesmo a igreja gloriosa,
    sem mancha, nem ruga, nem coisa semelhante;
    mas para que fosse santa e sem defeito.

    Esse é o veículo e instrumento de governo no fim. É uma questão de caráter, e esse caráter vem do Senhor Jesus.

    Tudo começa com a Igreja.

    Ao dizer isso, acabamos de chegar ao fim da contemplação Dele pessoalmente. Que o Senhor nos conduza adiante nisso. Veremos como tudo isso é aplicado às sete igrejas e como tudo ali é examinado, provado e tratado com base nesse retrato pessoal do Senhor Jesus.

    Isso lança alguma luz sobre o que Ele está fazendo — tudo o que permite em nossa vida e tudo em que está trabalhando?

    Por que, sabem, se sofrermos, reinaremos? É por meio do sofrimento, da tribulação, que chegaremos ao trono. Por muitas tribulações entraremos no reino — chegaremos a reinar juntamente com Ele.

    É necessário que vejamos o Senhor Jesus — a revelação de Jesus Cristo. Devemos vê-Lo.

    Eu lhes sugiro, eu insisto com vocês, queridos amigos, que sua oração constante e fervorosa seja: “Mostra-me Cristo. Deixa-me ver o Senhor Jesus”.

    Não de maneira objetiva, como alguma visão, mas, pelo Espírito Santo, deixa-me ver o que Cristo é. Isso pode me tornar cada vez mais desconfortável comigo mesmo, mas lembra-me sempre de que a obra do Espírito Santo é revelá-Lo e, depois, tornar-me semelhante a Ele.

    Seremos semelhantes a Ele ao vê-Lo como Ele é. Essa deve ser nossa oração: que a visão de Cristo se revele ao nosso coração. Vejam Sua glória e Sua beleza. Vejam o que Deus deseja e em que está trabalhando no que diz respeito a nós.

    E tudo isso, mais uma vez, com o trono em vista.

    Pois, quer se trate de um trono literal, seja qual for o significado de reinar, creio que estamos aprendendo agora mesmo que governo e supremacia são coisas espirituais. São coisas espirituais.

    Essa pedra que destruiu o Império Romano foi cortada sem auxílio de mãos. Isso simplesmente significa que o reino de Cristo é um reino espiritual, não feito pelo homem. É algo muito mais poderoso do que todos os reinos e domínios que o homem estabeleceu, fossem os de Nabucodonosor ou os dos Césares.

    Um reino espiritual é algo muito mais poderoso do que todos os sistemas temporais.

    Essa é a verdade que vocês e eu precisamos aprender: a importância e o poder transcendentes da vida espiritual e do caráter espiritual.