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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    Revelation of Jesus Christ: #2 of 10 © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Revelation of Jesus Christ: #2 of 10
    Revelation of Jesus Christ: #2 of 10
    Austin-Sparks, T.

    A Revelação de Jesus Cristo e Seu Senhorio Universal

    Um número bastante grande de vocês não esteve conosco nesta manhã. Então, qual foi o fundamento daquilo que o Senhor me deu para esta conferência? Farei o possível, sem cansar aqueles que estiveram presentes, para ajudar todos vocês a acompanhar a mensagem.

    Estamos tratando de A Revelação de Jesus Cristo. Podemos mudar a palavra e conservar o mesmo significado: o desvendamento de Jesus Cristo.

    A Questão Central da Revelação

    Creio que é impossível abrir este livro, que tem esse título, e começar a lê-lo sem perceber, logo no início da leitura, que uma questão de enorme importância está em pauta. Muito rapidamente, esta impressão começa a tomar conta de nós: estamos diante da resolução de uma grande questão. Estamos diante de uma decisão tremenda e de consequências profundas.

    Agora, uma pergunta que há muito aguarda resposta será respondida. Uma questão de longa data será resolvida. Chegou o momento em que aquilo que tem sido motivo de controvérsia e conflito por muito tempo será levado ao seu ponto decisivo e resolvido.

    Certamente, essa é a impressão que deveríamos ter ao começar a ler. Qualquer pessoa que abra este livro e comece pelo primeiro capítulo, considerando suas primeiras palavras, e simplesmente o leia como algo impresso, sem perceber que há algo tremendo envolvido e em vista, perdeu todo o significado e o valor do livro.

    É exatamente disso que o livro trata. Trata-se de resolver essa controvérsia que atravessou os séculos; de responder à pergunta; de concluir toda a questão; e de escrever, para todo o sempre, “Concluído” sobre uma de suas etapas.

    E esse assunto, essa questão, essa controvérsia, essa pergunta é simplesmente esta: Quem governará este universo pelos séculos dos séculos? Quem governará?

    Isso tem sido motivo de disputa por milhares de anos, desde a criação. Toda a história girou em torno desse assunto, dessa pergunta. Agora, diz este livro, vamos resolvê-la de uma vez por todas.

    Quando você realmente compreende isso, tem a chave do livro e de tudo o que nele está. Isso interpretará tudo o que há neste livro — muita coisa, como dissemos nesta manhã, é difícil de compreender em si mesma, quase desconcertante em seus detalhes e na maneira e na forma de sua apresentação.

    Mas, à medida que você avança e pergunta: “Ora, o que isso significa?”, bem, de alguma maneira isso se relaciona com esta questão final e decisiva: o governo deste universo como Deus o planejou quando o criou.

    A questão é esta:

    Agora é chegado o reino do nosso Deus, e a autoridade do Seu Cristo.

    O clímax da história.

    A Revelação de Jesus Cristo

    Bem, isso leva vocês diretamente ao ponto em que estávamos nesta manhã, quando tratamos de muitos detalhes. Partimos daí e, com isso em mente, examinaremos a parte do primeiro capítulo que lemos anteriormente, entrando justamente nessa questão que mencionamos.

    Observem: começa com a Revelação de Jesus Cristo. Isso é grandioso. Isso é excelente.

    Tudo o que vem depois — a guerra e o tumulto, reinos e nações, todos os muitos movimentos — remete a isto: a revelação de Jesus Cristo. Isso está acima de tudo e é a resposta a tudo: o desvendamento de Jesus Cristo, a maneira como Ele Se relaciona com tudo neste universo.

    É uma revelação de Jesus Cristo. É a mesma palavra que Paulo usou em sua oração na carta aos Efésios:

    Que Ele vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no conhecimento Dele.

    Um espírito de revelação — de desvendamento — no conhecimento de Jesus Cristo: é disso que se trata. Aqui se diz que esse desvendamento, ou revelação, foi algo que Deus deu a Seu Filho.

    Talvez seja necessária uma boa dose de imaginação para compreender o significado dessas afirmações. Mas aqui, na linguagem dos homens, diz-se que Deus permitiu que Seu Filho visse Seu lugar em relação a todos os movimentos e atividades que conduzem os séculos à sua consumação — onde Ele Se encontra quando os séculos chegam à sua culminação e consumação.

    Deus Pai dá a Seu Filho o lugar que Lhe cabe em tudo isso, mostrando-o a Ele. Então o texto prossegue:

    Para mostrar aos Seus servos.

    Isso é geral, não particular — não apenas aos apóstolos, não a algumas pessoas especiais, mas aos Seus servos.

    Você e eu estamos nessa categoria: os servos, ou escravos, de Jesus Cristo. Esse desvendamento é dado por Deus ao Filho, por meio de um anjo, a João, para nós.

    Pensem nisso. Todo verdadeiro servo de Deus deveria conhecer tudo o que diz respeito ao propósito de Deus em Cristo Jesus.

    João como Servo e Irmão

    E Ele a enviou e a comunicou por Seu anjo ao Seu servo João.

    Observem o título que João atribui a si mesmo. Ele não diz: “João, o apóstolo de Jesus Cristo”. Ele se chama de servo.

    Então, em Apocalipse 1:9, ele diz:

    Eu, João, vosso irmão.

    João sempre fala no âmbito e no nível da família. Ele se coloca em uma relação muito próxima com aqueles a quem escreve, como membro da família. Ele os aproxima — não com base em uma posição oficial, mas com base na vida.

    Estamos nisso junto com João. É isso que João está dizendo. Estamos nisso com ele, sobre a própria base da vida em família:

    Eu, João, vosso irmão.

    Estava na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus.

    E, estando ali:

    Sou vosso irmão e participante convosco na tribulação, no reino e na perseverança que há em Jesus.

    Tenham paciência enquanto avançamos por esses detalhes: na ilha de Patmos, por causa do testemunho de Jesus; participante com vocês na tribulação, no reino e na perseverança que há em Jesus.

    O Significado de Patmos

    Agora, surge imediatamente a pergunta, e isso nos leva muito perto do cerne de toda a questão: por que João estava em Patmos? Porque, diz ele:

    Por causa do testemunho de Jesus.

    Mas isso não esclarece muito. A pergunta é mais ampla.

    Por que João estava em Patmos e, estando em Patmos, na tribulação que há em Jesus?

    A resposta a essa pergunta está neste livro inteiro. Na verdade, é preciso o livro inteiro para responder a essa pergunta. Permitam-me dizer aqui, entre parênteses, que a resposta talvez explique a tremenda batalha que tem sido travada em torno deste livro.

    Talvez vocês saibam, talvez não, que houve uma batalha muito grande pela admissão deste livro no cânon das Escrituras — se ele deveria fazer parte da biblioteca divina, se deveria ser incluído na Bíblia. Uma batalha realmente grande foi travada a esse respeito, mas, por fim, a luta por sua inclusão foi vitoriosa.

    Entendo que isso tem algum significado. Mas, depois de sua inclusão, que batalha tem havido em torno do livro! Nesta manhã, destaquei as muitas e diversas escolas de interpretação, a controvérsia que tem sido travada em torno deste livro ao longo dos séculos e a confusão causada pela maneira como ele tem sido tratado.

    Todas as divisões que surgiram — e elas não têm fim. Há apenas um ano, mais ou menos, talvez dezoito meses, surgiu uma nova divisão nos Estados Unidos em torno deste mesmo livro: uma grande ruptura por causa de sua interpretação, com pessoas se atacando por causa de um ponto de interpretação bastante secundário.

    Mas aí está. O que isso significa? Digo que há uma explicação para tudo isso. Não é mero acaso. Creio que a resposta à nossa pergunta talvez explique essa controvérsia tão prolongada em torno deste livro.

    O Culto ao Imperador e o Testemunho de Jesus

    A resposta, então, à pergunta sobre por que João estava em Patmos encontra-se, em primeiro lugar, naquilo que vigorava no mundo daquela época sob a forma do culto ao imperador.

    Alguns de vocês sabem que os césares romanos afirmavam ser divinos e, por isso, exigiam a adoração dos homens. Alguém disse que eles se apresentavam como deuses e faziam a obra do diabo. Isso é significativo.

    Júlio César era adorado. Otávio era chamado de Augusto, “aquele que deve ser reverenciado”. Calígula exigiu que sua imagem fosse colocada no Santo dos Santos, no templo em Jerusalém. Ele foi morto antes de conseguir fazê-lo. Isso tem algum significado.

    E este imperador, sob cujo governo acreditamos que João tenha sido exilado em Patmos — Domiciano —, era de fato chamado de “Nosso Senhor e Deus”.

    Eles usurparam o lugar de Deus. Exigiram a adoração dos homens. Tomaram para si aquilo que pertencia a Deus.

    Portanto, a questão está claramente definida. Não há como se enganar. É César ou Cristo.

    Pois a proclamação apostólica, em toda parte, era inequívoca:

    Jesus Cristo é Senhor.

    Esse é o testemunho de Jesus pelo qual João foi enviado a Patmos. A questão está claramente definida — muito claramente definida.

    Algo muito significativo é que os judeus eram tratados com relativa brandura. Eles sofreram sob Roma, mas seu sofrimento não se comparava ao dos cristãos. Digo que isso é significativo.

    Eles haviam crucificado o Senhor da glória. Por isso, o diabo não estava tão preocupado com eles. Mas essas pessoas — essas pessoas que não admitiam concessão alguma nessa questão, o senhorio absoluto de Jesus Cristo como Deus, como Filho de Deus — não podiam conciliar César e Cristo, Cristo e César. Essa é a questão.

    A Tribulação e o Senhorio de Cristo

    E, queridos amigos, quando João diz:

    Na tribulação que há em Jesus.

    A implicação é que a tribulação, ou o sofrimento, é sempre proporcional ao lugar que você dá ao Senhor Jesus.

    Se você Lhe dá um segundo ou terceiro lugar, bem, terá uma vida relativamente fácil. Coloque-O onde Deus O colocou. Faça Dele o Senhor de tudo, acima de todas as coisas, e você enfrentará tribulação.

    Você enfrentará tribulação. Assim foi com João.

    Certamente, tudo isso está reunido neste próprio título:

    Jesus Cristo, a fiel testemunha, o primogênito dos mortos e o soberano dos reis da terra.

    Diga isso diante dos césares:

    O soberano dos reis da terra.

    Você enfrentará as consequências. Você enfrentará as consequências.

    Percebam o que todos os césares reivindicavam para si: sua prerrogativa divina.

    O soberano dos reis da terra.

    Jesus, Jesus Cristo.

    Cristo como Messias e Rei

    Você e eu, queridos amigos, nunca compreendemos plenamente a implicação desse título. Vocês sabem que Cristo é simplesmente o equivalente grego do hebraico Messias.

    Toda a concepção, tanto do Messias hebraico quanto do Cristo grego, dizia respeito à Sua realeza: o Ungido, o Sacerdote, o Rei. E essa unção significava nada menos que governo absoluto — supremacia.

    Pronuncie esse nome — Jesus, o Ungido; Jesus, o Messias —, e imediatamente isso constitui um desafio completo a todo aquele império dos césares.

    Não é de admirar que o apóstolo diga que ninguém pode chamar Jesus de Senhor senão pelo Espírito Santo. Eles sabiam disso. Vocês se perguntam o que isso significa, porque todos podem dizer “Jesus Cristo” sem pensar, com facilidade — dizer: “Jesus Cristo”.

    Entrem naquele contexto. Vivam naquela época. Seria algo extremamente aterrador dizer publicamente: “Jesus de Nazaré é o Ungido de Deus, destinado a ser o soberano dos reis da terra”. Você precisa do Espírito Santo para ter coragem suficiente para dizer isso.

    E, queridos amigos, isso não está tão distante no passado. Há muitos, muitos hoje que têm medo de falar assim a respeito Dele, porque, ao fazê-lo, arriscam a própria vida.

    Entre em países de fanatismo muçulmano e proclame Jesus como o Cristo, o Filho de Deus — você fará isso com a vida em suas mãos. Você precisa do Espírito Santo para ter essa ousadia.

    Cristo como a Fiel Testemunha

    Bem, vejam, aqui estamos bem no cerne desta questão: Jesus Cristo, a fiel e verdadeira testemunha.

    Essa palavra, “testemunha”, como vocês provavelmente sabem, é a mesma palavra que “mártir”. O mártir fiel. Pois bem, João está em boa companhia.

    Jesus Cristo, o mártir fiel, a fiel e verdadeira testemunha. Defender Seu reino custou-Lhe a vida.

    Custou-Lhe a vida nas mãos de todos os instrumentos inspirados pelo diabo que conheciam a questão — conheciam a questão. A questão relativa àquele Homem era nada menos que o domínio deste mundo, e o diabo sabia disso.

    Por isso, Ele diria:

    Vós sois de vosso pai, o diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio.

    Eles assassinaram o Príncipe da vida por causa desta única questão: Seu lugar nos desígnios eternos de Deus como Senhor, como Rei.

    Primogênito dentre os mortos.

    Teremos mais alguma coisa a dizer sobre isso daqui a pouco.

    O soberano dos reis da terra.

    Esses títulos apresentam as etapas de Seu avanço até o trono:

    • Mártir fiel: o caminho da cruz.
    • Primogênito dentre os mortos: o caminho da vindicação divina.
    • Soberano dos reis da terra: o desfecho glorioso da cruz e da ressurreição.

    O Domínio Obtido por Meio da Cruz

    O soberano dos reis da terra. Satanás O conhecia. Os agentes e emissários de Satanás revelaram que O conheciam quando os demônios disseram:

    Sei Quem Tu és, o Santo de Deus.

    Satanás O conhecia e conhecia Seu destino divino. Por isso, levou-O a um monte alto, mostrou-Lhe todos os reinos deste mundo e sua glória, e disse:

    Tudo isto Te darei, se me adorares.

    Agora, voltamos a esta questão: adoração. “Adore-me.” Vejam, quando se trata de a quem a adoração deve ser dada, aqui estão os césares novamente: “Adore-me”.

    Jesus recusou esse domínio oferecido pela mão de Satanás e o conquistou pela cruz. Aqui, este livro O apresenta de posse dele: o soberano dos reis da terra.

    Você tem alguma dúvida a respeito disso por causa do aparente poder dos governantes e dos sistemas mundiais de nosso tempo? Leia novamente o livro de Atos, e verá, naquele livro, o soberano dos reis da terra exercendo Seu poder — Herodes aprendeu algo sobre isso, e outros também.

    Sabemos agora que este maravilhoso livro, A Revelação de Jesus Cristo, já se cumpriu em grande medida. O próprio império que Lhe negou Seu lugar e Seu senhorio teve de ser destruído.

    Todo vestígio de sua realeza se reduziu a pó.

    A Visão de Daniel sobre o Reino

    Daniel tem um lugar muito importante aqui, não é mesmo? Vocês se lembram de sua visão, e o quarto reino era, sem dúvida, o Império Romano.

    Nos dias em que se chegou àquele reino — desde Babilônia em diante, nos dias em que o Império Romano passou a existir —, a visão continua. Creio que perdemos boa parte do verdadeiro sentido dessa visão.

    O Deus do céu traz à existência um reino. “Vi”, disse Daniel:

    Uma pedra cortada sem mãos.

    Ah, eu gostaria de me deter nisso por meia hora: uma pedra cortada sem mãos.

    Ela atingiu a estátua, e a estátua, com esse golpe, desfez-se em pó. Mas a própria pedra continuou rolando — deixem-na rolar —, ganhando impulso, aumentando de volume, até encher toda a terra.

    É aí que estamos. Esse império, que se levantou contra o Senhor e Seu Cristo, foi atingido por aquela pedra cortada sem mãos e se desfez em pó. Não há dúvida alguma; isso se cumpriu literalmente.

    Mas a pedra, a pedra desse outro reino, de nosso Senhor e de Seu Cristo, continuou ganhando impulso e aumentando de volume à medida que avançava, alcançando todas as nações.

    Bem, talvez isso não lhes diga muita coisa. É tão conhecido; vocês já sabem. Aqui estamos: o soberano dos reis da terra. Ele chegou a essa posição por meio do sofrimento da morte.

    A Vitória de Cristo sobre a Morte e o Hades

    Por enquanto, como eu disse, estou deixando de lado aquela seção que nos apresenta a revelação da pessoa de Jesus Cristo. Talvez voltemos a ela. Aqui, observemos que agora somos apresentados a duas coisas. Primeiro, Sua vitória; segundo, Seu caráter, que reservaremos para outra ocasião.

    Apenas alguns minutos sobre isto: Sua vitória.

    Eu sou o primeiro e o último;
    e Aquele que vive;
    e tornei-Me morto;
    e eis que estou vivo pelos séculos dos séculos;
    e tenho as chaves da morte e do Hades.

    Essa é a Sua vitória.

    Eu sou o primeiro e o último.

    Isso, por si só, é uma declaração de vitória. É importante reconhecer o significado particular do uso desse título em relação a este livro.

    Aqui estamos no fim e na consumação de tudo. Agora chegamos à culminação de todas as coisas, e Ele declara: “Eu era o princípio de todas as coisas”.

    Voltem à carta de Paulo aos Colossenses para compreender isso:

    Pois Nele foram criadas todas as coisas,
    nos céus e sobre a terra,
    as coisas visíveis e as invisíveis.
    Ele é antes de todas as coisas.

    Eu sou o primeiro.

    Assim como Eu estava no princípio, assim como Eu era o princípio:

    Eu sou o último.

    “Eu sou o fim.” O fim corresponde ao princípio. Não há outro. Não é outro senão Ele mesmo:

    Eu sou o primeiro e o último.

    Essa é uma declaração tremenda. “Estou simplesmente reunindo todas as coisas em Minhas mãos. No fim, todas as coisas estão Comigo. No fim, tudo terá de responder a Mim.”

    Em todas as coisas, Ele tem a preeminência.

    Aquele que Vive e Se Tornou Morto

    Eu sou Aquele que vive. Tornei-Me morto.

    Agora, quero dizer uma palavra sobre essa maneira de expressar isso daqui a pouco, mas vamos nos deter novamente.

    Eu sou Aquele que vive. Tornei-Me morto. Estou vivo pelos séculos dos séculos.

    Havia uma razão pela qual o Senhor Jesus disse isso.

    Vocês sabem que Nero, sob cujo governo o apóstolo Paulo sofreu e foi executado, era considerado talvez o mais perverso de todos os césares até então. Mas houve um que o superou. Foi aquele sob cujo governo João sofreu — esse César, Domiciano.

    Vocês sabem o que se dizia a respeito dele? Dizia-se que ele era Nero de volta dos mortos. Ele era chamado de Nero redivivus — Nero revivido, ressuscitado dos mortos, de volta para continuar sua obra nefasta.

    João está sofrendo sob aquele de quem se diz que morreu e ressuscitou. Jesus toma essa questão para Si:

    Eu sou Aquele que vive. Tornei-Me morto.

    “Estou vivo, não pelo período de uma vida humana, mas pelos séculos dos séculos.”

    Assim, podemos reunir todos esses dados em torno desta única grande questão: a supremacia absoluta do Senhor Jesus.

    A Morte Voluntária de Cristo

    Eu sou Aquele que vive. Tornei-Me morto.

    Observem que essa é, de fato, a tradução correta. Ele não disse: “Fui morto. Fui assassinado. Fui imolado. Tiraram-Me a vida”.

    Durante Sua vida, Ele já havia dito:

    Ninguém a tira de Mim, mas Eu a dou de Mim mesmo.
    Tenho autoridade para a dar, e tenho autoridade para tornar a tomá-la.
    Este mandamento recebi de Meu Pai.

    Ao pensarmos em todos aqueles movimentos em direção à cruz, podemos enxergar com muita clareza por trás dos homens, de seus planos e de suas decisões, e perceber que a situação está nas mãos Dele. Ele está determinando como deve acontecer e quando acontecerá.

    Eles estão dizendo: “Isso não”, e Ele está dizendo: “Sim, isso”. “Não durante a Páscoa”, e Ele diz: “Sim, durante a Páscoa”. Ele está determinando Sua própria morte — o momento e a maneira estão em Suas mãos.

    Não: “Eles tiraram a Minha vida”. “Eu a dei por Minha própria vontade. Tornei-Me morto.” Eu Me tornei morto.

    Por quê? Outra grande pergunta surge imediatamente. Por que Ele mesmo, deliberadamente, por Sua própria vontade, por Sua própria decisão, entrou na morte?

    Bem, a carta aos Hebreus lança muita luz sobre isso, não é verdade?

    Para que, por meio da morte, Ele reduzisse a nada aquele que tinha o poder da morte, isto é, o diabo;
    e libertasse todos aqueles que, pelo medo da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida.

    Ele provou a morte em favor de todos os homens. Foi por isso que Se tornou morto.

    O Amor e a Redenção de Cristo

    Mas aqui está, nesta bela declaração:

    Àquele que nos ama,
    e nos libertou dos nossos pecados pelo Seu sangue;
    e nos fez reino, sacerdotes para Seu Deus e Pai.

    Foi por isso que Ele Se tornou morto. Esse “nos” tem uma força imensa:

    Àquele que nos ama.

    Cristo amou a igreja e Se entregou por ela. Ele nos amou. Ele nos libertou. Para nos remir de toda iniquidade. Ele nos fez reino e sacerdotes para Seu Deus e Pai.

    Foi por isso que Ele Se tornou morto — por Sua própria escolha, por nós: por você, por mim, por Sua igreja. Que força imensa há nesse “nós”!

    Essa é a resposta: o amor de Cristo; Cristo nos libertando da morte.

    Estou vivo.

    Ele Se tornou morto; Ele está vivo para nos livrar da morte. A morte é a soma de todo o pecado humano. A morte é a soma de todo o poder de Satanás. A morte é a soma do reino de Satanás.

    Ele mergulhou nas profundezas onde reinam as trevas; por fim, trouxe de lá Seu troféu; frustrou a coroa do usurpador.

    Foi por isso que Ele Se tornou morto — para fazer isso. Essa é a resposta.

    As Chaves da Morte e do Hades

    E tenho as chaves da morte e do Hades.

    Uma chave representa autoridade; sabemos disso.

    Autoridade sobre a morte e o Hades. Jesus disse:

    Sobre esta pedra edificarei a Minha igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.

    Tenho as chaves do Hades.

    O que isso significa?

    Por toda a vida, sujeitos à escravidão pelo medo da morte.

    Escravidão pelo medo da morte — essa é a prisão do Hades.

    Ele saqueou o Hades. Quebrou suas portas e suas barras. Arrancou as chaves do usurpador e as traz em Seu próprio cinto. Sua igreja está livre dessa escravidão do medo.

    As portas do Hades não prevalecerão contra ela.

    A Cruz como Chave de Interpretação do Apocalipse

    Todas essas questões são tremendas. Mas, vejam, vocês precisam colocar a cruz sobre este livro inteiro. A cruz está acima de tudo neste livro, porque ele é o livro do senhorio de Jesus Cristo em toda parte.

    Portanto, é o livro do Cordeiro no trono. A cruz é a explicação de tudo.

    A Bênção do Livro

    Bem, espero que vocês tenham uma visão da revelação de Jesus Cristo nisso, uma revelação que abrange tudo o que vem a seguir e tudo aquilo com que você e eu temos de lidar, queridos amigos.

    Eu disse nesta manhã que este é o livro que, logo em sua introdução, nos diz que há uma bênção vinculada a ele.

    Que bênção vocês desejam, e eu desejo? Qual é a maior bênção que poderia alcançar nosso coração? Seria compreender o desfecho glorioso e triunfante desta batalha tão, tão prolongada em que estamos — saber como ela terminará e compreender que terminará em glória.

    Em glória. Terminará com nós junto de Cristo no trono.

    Compreender isso de verdade — não apenas ser informado. O simples fato de nos falarem sobre isso não tem peso suficiente para nós. Mas, ah, se isso pudesse chegar até nós por revelação, como chegou a João em Patmos, na tribulação, na perseverança!

    Sofrendo por causa dessa mesma questão: fizemos de Jesus o Senhor. Nós O colocamos em Seu lugar. Não temos outro senhor. Para nós, todas as coisas estão sujeitas a Ele.

    E isso traz conflito espiritual, haja perseguição ou não. Traz tribulação à vida. Afeta-nos em toda parte — em nossas famílias, em nossos lares, em nossos negócios e em toda parte.

    Essa questão está nos afetando. Se apenas abríssemos mão de alguma coisa, fizéssemos alguma concessão, cedêssemos um pouco e não fôssemos tão absolutos em nossa posição por Cristo, teríamos uma vida mais fácil. É possível. Você pode fazer isso — por enquanto. Mas estará jogando fora sua coroa.

    É isso. Mas compreender que, na tribulação e na perseverança, no sofrimento e no conflito, sob a pressão, o desfecho é certo: Jesus sairá vitorioso, e nós sairemos com Ele.

    Se isso realmente pudesse entrar em nosso coração, seria a maior bênção que poderia nos alcançar. Explicaria tanta coisa. Realmente explicaria tanta coisa.

    Todos os problemas e enigmas de nossa vida, todas aquelas coisas que decorrem de nosso relacionamento com Aquele a Quem Deus destinou como herdeiro do universo — isso provoca muita coisa.

    Digo que essa é a bênção deste livro. Sei disso — não apenas compreender todos os seus mistérios e símbolos, mas saber que Ele é Senhor, e que nada pode mudar isso.

    Senhor, concede-nos essa bênção em nosso coração.