Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e Deus de toda consolação;
Que nos consola em toda a nossa tribulação, para que possamos consolar os que estiverem em qualquer tribulação, mediante a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus.
Porque, assim como os sofrimentos de Cristo abundam em nós, assim também a nossa consolação abunda por meio de Cristo.
Mas, se somos atribulados, é para a vossa consolação e salvação; ou, se somos consolados, é para a vossa consolação, a qual opera na perseverança em suportar os mesmos sofrimentos que nós também padecemos:
E a nossa esperança acerca de vós é firme; sabendo que, assim como sois participantes dos sofrimentos, também o sois da consolação.
Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a tribulação que nos sobreveio na Ásia, pois fomos sobremaneira oprimidos, além das nossas forças, a ponto de desesperarmos até da própria vida:
Sim, nós mesmos tivemos em nós a sentença de morte, para que não confiássemos em nós mesmos, mas em Deus, Que ressuscita os mortos:
O Qual nos livrou de tão grande morte e nos livrará: nEle temos posto a nossa esperança de que ainda continuará a livrar-nos;
Ajudando-nos também vós, juntamente, com as vossas súplicas; para que, pelo benefício que nos foi concedido por intermédio de muitos, sejam dadas graças por muitas pessoas a nosso respeito.
Porque esta é a nossa glória, o testemunho da nossa consciência: que, em santidade e sinceridade de Deus, não em sabedoria carnal, mas na graça de Deus, nos conduzimos no mundo, e mais abundantemente para convosco.
Nosso Pai, nós Te agradecemos por este privilégio de nos reunirmos em Tua presença, sob o sangue de Teu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo.
Oh, nós Te louvamos e agradecemos porque temos o privilégio de ler a Tua Palavra. Pedimos-Te, ó Senhor, que nos fales novamente por meio da Tua Palavra, para que ela se torne vida e espírito para nós.
Pedimos-Te que retires qualquer véu que possa estar sobre o nosso coração e nos concedas o espírito de sabedoria e de revelação, para que possamos chegar ao verdadeiro conhecimento de Deus. Entregamos este tempo a Ti e confiamos na ação do Teu Espírito, em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.
A segunda carta aos Coríntios é uma carta muito singular. Na verdade, toda carta nas Escrituras é singular, mas esta segunda carta aos Coríntios é singular porque não trata de doutrinas propriamente ditas. Não trata de problemas propriamente ditos. Não trata da prática, da prática da vida diária.
Ela é, na verdade, uma expressão da comunhão do apóstolo Paulo com a igreja que ele tanto amava. É o derramamento de seu coração, sem reservas. Não há outra carta escrita por Paulo em que possamos enxergar o homem Paulo tão claramente quanto nesta segunda carta aos Coríntios.
Não no sentido de Paulo em ação, mas no sentido de Paulo, o homem em Cristo. Se queremos conhecer o apóstolo Paulo, penso que 2 Coríntios é uma carta que realmente devemos estudar. Podemos quase dizer que 2 Coríntios é a autobiografia de Paulo.
Vemos o homem em Cristo — não Saulo, o grande fariseu, mas Paulo, o homem em Cristo.
Agora, se quiséssemos usar uma palavra para resumir 1 Coríntios, que palavra usaríamos? Penso que é evidente. A palavra que resume a situação da igreja em Corinto naquela época, quando Paulo escreveu a primeira carta, é carnalidade.
Como eles eram carnais! A carnalidade é a raiz de todos os seus problemas. E, naturalmente, a solução para a carnalidade é a cruz. É por isso que Paulo disse em 1 Coríntios que nada sabia entre eles, senão Jesus Cristo, e Este crucificado. A cruz é a única solução para a carnalidade.
Mas, em 2 Coríntios, se quisermos usar uma palavra para resumir a carta, penso que está claro que essa palavra será espiritualidade. Primeira Coríntios é carnalidade; essa é a condição da igreja em Corinto. Segunda Coríntios é espiritualidade; esse é o caráter do apóstolo Paulo.
Se vocês querem entender o que realmente é espiritualidade — não no sentido de uma falsa espiritualidade, mas de uma espiritualidade verdadeira —, precisam se aprofundar na segunda carta aos Coríntios. Toda a carta fala de espiritualidade: do homem em Cristo que é caracterizado pela espiritualidade.
Ela nos diz o que é a vida espiritual, o que é o ministério espiritual, o que é a contribuição sacrificial espiritual e o que é um homem espiritual.
Agora, nesta manhã, gostaríamos de começar com esta pergunta: o que é a vida espiritual? Talvez vocês se surpreendam ao perceber que o primeiro elemento, ou fator, da vida espiritual é a sentença de morte.
Em 2 Coríntios 1:9, Paulo diz:
Sim, nós mesmos tivemos em nós a sentença de morte, para que não confiássemos em nós mesmos, mas em Deus, Que ressuscita os mortos.
Paulo está procurando compartilhar conosco o que é a vida espiritual. Na verdade, ele não está procurando nos dizer o que é a morte; está procurando nos dizer o que é a vida. Mas, para entrar na vida, há uma coisa que precisa estar presente. É um pré-requisito para a verdadeira vida espiritual, e esse pré-requisito é a sentença de morte.
Sem a sentença de morte, sem saber o que é a morte, sem experimentar a morte, sem ter a sentença de morte pronunciada sobre vocês e responder que é morte, vocês nunca poderão saber o que realmente é a vida.
Porque a verdadeira vida espiritual é vida de ressurreição. É vida que surge da morte.
A palavra sentença — a sentença de morte — é um termo judicial. Significa que uma decisão judicial é tomada, e a decisão é a morte: o fim de tudo.
Em algumas versões, vocês podem encontrar a palavra sentença traduzida como resposta: a resposta de morte. Em outras palavras, quando essa decisão judicial é tomada e a sentença de morte é proclamada sobre vocês, então vocês dão uma resposta.
Quando vocês se veem diante dessa questão de morte e vida, a resposta é: “É morte. É isso. Não há esperança. Está acabado”. Queridos irmãos e irmãs, a sentença de morte é a porta para a vida espiritual.
Não sabemos ao certo a que Paulo se refere quando diz que, estando na Ásia, passou por tamanha aflição e tribulação. A tribulação foi tão severa que ele perdeu até a esperança de continuar vivo.
Agora, pensem bem: Paulo não era um homem fraco, que clamaria por causa de uma pequena dor ou de um pequeno sofrimento. Ele era um homem com uma constituição quase de ferro. No entanto, disse aos santos em Corinto que, quando estavam na Ásia, ficaram sob uma pressão tão grande que ela ultrapassava sua capacidade de suportá-la.
Ele chegou à conclusão de que estava morto. Não havia esperança. Abandonou até mesmo a esperança de continuar vivo.
Agora, não sabemos ao certo o que aconteceu. Alguns dizem que ele talvez estivesse se referindo ao tumulto em Éfeso, porque vocês se lembram de que, no capítulo 19 de Atos, houve um grande tumulto em Éfeso. Queriam matar Paulo.
Contudo, dificilmente podemos dizer que Paulo se referia àquilo, porque, se vocês lerem o capítulo 19 de Atos, verão que, embora o tumulto fosse grande, Paulo não estava realmente em tamanho perigo. Seus amigos o aconselharam a não entrar no teatro, de modo que ele não estava realmente em tamanho perigo.
Alguns dizem que Paulo se referia a alguma enfermidade grave, séria, que sofreu naquele período. Não temos registro disso, portanto não sabemos se foi assim. Pode ser que ele tenha sido afligido por uma doença tão grave que perdeu a esperança de continuar vivo. Ele estava literalmente morrendo.
Ele literalmente experimentou a morte. A sentença de morte foi pronunciada sobre ele, e ele respondeu: “Oh, é isso”. Provavelmente foi uma enfermidade; não sabemos.
Vocês verão que ele usou a palavra nós. Não sabemos se foi algo que aconteceu não apenas com Paulo — pois, quando escreveu 2 Coríntios, escreveu juntamente com Timóteo —, ou se Paulo e Timóteo, e talvez outros, passaram pela mesma grande tribulação e perderam a esperança de continuar vivos.
Não sabemos se ele se referia a uma experiência coletiva ou apenas a si mesmo, porque muitas vezes usava a palavra nós quando, na verdade, se referia a si mesmo. Mas de uma coisa sabemos: ele estava em uma situação na qual a sentença de morte foi pronunciada sobre ele, e ele a aceitou e respondeu com a palavra: “Morte”.
Mas, queridos irmãos e irmãs, quando a sentença de morte foi pronunciada e aceita, humanamente falando, aquilo seria o fim de tudo. Se a vida de Cristo não estivesse nele, seria o fim.
Mas, porque a vida de Cristo estava em Paulo, a sentença de morte foi o fim dele mesmo, mas o início da ação de Deus nele.
Foi por meio da sentença de morte que ele aprendeu uma lição preciosa: não confiar em si mesmo, mas confiar no Deus Que ressuscita os mortos.
A sentença de morte não é inteiramente negativa, porque, por um lado, ela o ensina a não confiar em si mesmo. E é quase inacreditável o quanto confiamos em nós mesmos.
Mas, por outro lado, ela o ensina a confiar em Deus, Que ressuscita os mortos.
O resultado foi que ele tinha um testemunho para dar. Era o testemunho de sua consciência: que, em simplicidade e sinceridade diante de Deus, não em sabedoria carnal, mas na graça de Deus, eles haviam se conduzido no mundo, e mais abundantemente para com os coríntios.
Em outras palavras, dessa experiência surge um testemunho. O testemunho é que, de agora em diante, ele vive não pela sabedoria humana, mas na graça de Deus. De agora em diante, vive na simplicidade e sinceridade de Deus — isto é, naquilo que Deus deseja e naquilo que Deus produzirá.
Em outras palavras, de agora em diante, ele vive por Deus, pela vida de Deus, por Cristo, e não mais por si mesmo.
Agora, irmãos e irmãs, é claro que Paulo se referia a uma situação muito específica, a uma condição particular. Mas o princípio é geral.
Em outras palavras, a sentença de morte não se aplica apenas à condição particular em que Paulo se encontrava naquele período. Na verdade, vocês verão que o princípio da sentença de morte se aplica a todas as áreas da nossa vida espiritual.
A menos que conheçamos a sentença de morte, não sabemos o que realmente é a vida espiritual.
Há três coisas em nossa vida natural que se opõem à graça de Deus e com as quais Deus precisa lidar para nos conduzir à verdadeira vida espiritual:
Vocês encontram essas três coisas em todas as pessoas.
Temos dentro de nós uma força que é natural, e essa força é tremenda. Às vezes, vocês pensam que são muito fracos, que não têm muita força; contudo, quando chegam às questões práticas, descobrem como são fortes.
Vocês descobrem o quanto dependem da própria força. Descobrem como se esforçam e lutam. Não desistem. Têm confiança em si mesmos. Pensam: “Sim, eu consigo”. Uma força tremenda.
Mesmo quando dizemos que somos fracos, estamos lutando. Ainda não desistimos. Ainda não chegamos ao fim da nossa força. Continuamos lutando com Deus, e somos como Jacó. O anjo de Deus encontra grande dificuldade para nos vencer, porque somos tão fortes.
É isso que somos: força humana. E, porque há tamanha força em nossa vida natural, não conhecemos o poder de Deus.
Há sabedoria carnal em nós. Como nos achamos espertos! Podemos planejar e tramar; podemos arquitetar e manobrar. Tentamos e insistimos, e, se não conseguimos com um plano, já temos o próximo preparado. Somos realmente espertos.
Então, mesmo quando vocês dizem: “Sou tolo”, bem, ao dizerem isso, ainda estão sendo espertos. A sabedoria carnal chega a ser quase inconcebível. Porque ela está presente, não conhecemos a sabedoria de Deus.
Depois há a glória própria. Oh, como buscamos distinção! Como buscamos posição! Como buscamos prestígio! Como buscamos glória para nós mesmos!
Mesmo quando dizemos: “Oh, que toda a glória seja dada a Deus”, secretamente pensamos: “Bem, nós fizemos isso. Não merecemos um pouquinho?”
Assim, vocês encontram dentro de nós estas três coisas: “Nós conseguimos. Nós faremos. Mostraremos a Deus que este é o melhor plano. E, por causa disso, devemos receber alguma glória”.
Agora, queridos irmãos e irmãs, enquanto estamos sob a escravidão dessas três coisas, estamos vivendo a vida espiritual? Sabemos o que realmente é a vida espiritual?
Se vivemos na força da nossa carne, na nossa força natural, estamos vivendo a vida espiritual? Se vivemos na sabedoria carnal, estamos na vida espiritual? Se buscamos glória própria, isso é vida espiritual?
Como isso é estranho! Quando viemos ao Senhor pela primeira vez, sabíamos que não podíamos fazer nada. Já havíamos tentado. Sabíamos que não havia nada de que pudéssemos nos gloriar. Por isso, viemos ao Senhor e O aceitamos como nosso Salvador e nosso Senhor.
Mas, depois de sermos salvos, pensamos que agora mudamos. Agora temos força e podemos usar nossa força. Agora temos sabedoria e podemos usar nossa esperteza. Agora podemos buscar alguma coisa. Não é estranho?
Esquecemos o que aprendemos quando viemos a Cristo pela primeira vez. Começamos a depender de nós mesmos outra vez. Embora tenhamos a vida de Cristo em nós, embora tenhamos vida espiritual em nós, em vez de usar essa vida, continuamos usando nossa velha vida.
Como sabemos disso? Há força humana, há sabedoria carnal e há vanglória própria. Isso mostra que não estamos vivendo a vida espiritual. Ainda estamos vivendo em nós mesmos, na velha vida, na carne.
Por causa disso, e por causa do amor de Deus por nós, Ele precisa trazer algumas tribulações sobre nós.
As tribulações podem assumir muitas formas e vir de muitas direções. Podem ser físicas; podem até ser mentais; podem ser espirituais. A tribulação pode vir de pessoas, de certas coisas ou de certos acontecimentos.
A tribulação pode ser algo interior — um conflito interior — ou pode ser algo exterior — circunstâncias externas. Mas, enquanto seguimos o Senhor e servimos ao Senhor, ainda dependendo da nossa força humana e da nossa sabedoria carnal, e secretamente buscando glória própria, o Senhor precisa trazer algumas tribulações sobre nós, sejam elas quais forem.
Quando essas tribulações começam a vir sobre nós, começamos a sentir que uma sentença de morte está sendo proclamada sobre a nossa vida.
Queridos irmãos e irmãs, às vezes vocês se sentem cercados. São pressionados além de toda medida. Parece não haver saída alguma. Abandonam a esperança de continuar vivos; abandonam toda esperança. Sentem que agora chegou o fim, como se uma sentença de morte fosse anunciada sobre vocês, e a resposta é: “É isso. É morte”.
Agora, quando vocês chegam a esse ponto, deixam de lutar e de se esforçar.
Quando aceitam a sentença de morte, descobrem que é o fim de vocês, mas não é o fim de Deus.
É verdade que, por causa da sentença de morte, vocês já não podem confiar em si mesmos. Não podem confiar em sua força nem em sua sabedoria. Já não podem se gloriar.
Contudo, ao mesmo tempo, ela produz dentro de vocês uma confiança no Deus Que ressuscita os mortos.
Quando a sentença de morte está sobre vocês, dizem: “Deus, isto é morte”. Então olham para o alto e descobrem que Ele é a ressurreição.
É somente a partir de uma experiência assim que vocês provam e tocam a vida espiritual, que é a vida de Deus — a vida de ressurreição. Somente depois de terem tocado essa vida podem testemunhar que já não vivem na sabedoria humana, mas na graça de Deus.
De agora em diante, vocês vivem na simplicidade e sinceridade de Deus. É a vida dEle. Vocês vivem por Ele. Agora, irmãos e irmãs, isso é vida espiritual.
Vamos ver isso com clareza.
Tomem Jó como exemplo. Jó era um homem íntegro e perfeito. Temia a Deus e se desviava de todo mal. Era tão perfeito que Deus o usou para desafiar Satanás.
Satanás percorria toda a terra. Era um viajante incansável. Satanás ia de um lado para o outro por toda a terra. Nunca parava. Era muito observador, reparando em tudo e procurando encontrar algum buraco, alguma brecha, por onde pudesse entrar.
Depois que ele terminou sua viagem, Deus disse: “Consideraste o Meu servo Jó?” Sem dúvida, ele havia considerado. Sabia como Jó era perfeito. Satanás acusou Jó diante de Deus, e Deus permitiu que Satanás atacasse Jó. Da parte de Satanás, era maldade, mas, da parte de Deus, Ele transformou o mal em bem.
Quando Jó foi afligido, realmente teve sobre si uma sentença de morte. Considerem alguns versículos de Jó.
Quem dera que se cumprisse o meu pedido,
E que Deus me concedesse aquilo por que anseio!
Que fosse do agrado de Deus esmagar-me;
Que soltasse a Sua mão e me cortasse a vida!
Então ainda teria consolação;
Sim, exultaria na dor que não poupa:
Porque não neguei as palavras do Santo.— Jó 6:8-10
Jó pediu a Deus que o esmagasse e o deixasse morrer antes que viesse a negar o Santo.
Em Jó 17:11, 13-16, ele disse:
Os meus dias passaram, os meus propósitos foram desfeitos,
Até os pensamentos do meu coração.
Se espero o Sheol como minha casa;
Se estendi nas trevas o meu leito;
Se disse à corrupção: Tu és meu pai;
Ao verme: Tu és minha mãe e minha irmã;
Onde está, então, a minha esperança?
E, quanto à minha esperança, quem a verá?
Ela descerá às grades do Sheol,
Quando juntos descansarmos no pó.— Jó 17:11, 13-16
A sentença de morte estava sobre ele, e ele a aceitou. Respondeu a ela: “Isto é morte”.
Mas, queridos irmãos e irmãs, em meio à sua aflição, sob a sentença de morte, a glória de Deus lhe apareceu. Não é estranho? Muitas vezes pensamos que veremos a glória de Deus quando o céu estiver azul e o sol estiver brilhando, mas não é assim.
Muitas vezes, a glória de Deus aparece quando vocês estão aflitos. A glória de Deus aparece quando a sentença de morte está sobre vocês. A glória de Deus aparece quando o céu está mais escuro.
A glória de Deus apareceu a Jó sob a sentença de morte. Jó disse:
Eu Te conhecia só de ouvir falar;
Mas agora os meus olhos Te veem:
Por isso, abomino a mim mesmo,
E me arrependo no pó e na cinza.— Jó 42:5-6
Quando Jó viu Deus? Quando estava sob a sentença de morte. Por causa disso, qual foi o resultado? Recebeu uma porção dobrada de bênçãos.
A sentença de morte foi o fim de Jó, o velho homem; mas foi o início de Jó, o homem em Cristo.
Tomem Abraão como exemplo. Pela fé, Abraão obedeceu a Deus. Saiu sem saber para onde ia. Sabia que Deus o estava conduzindo, mas não sabia para onde.
Mesmo depois de estar na terra da promessa, Deus disse: “Eu te darei esta terra”. Contudo, ele peregrinava naquela terra e não tinha descendência. Tentou com força e sabedoria humanas, e teve um Ismael. Deus disse: “Não é esse”.
Quando ele chegou aos noventa e nove anos — vocês precisam ler o capítulo 17 de Gênesis juntamente com o capítulo 4 de Romanos —, a Bíblia diz que seu corpo já estava morto, e o ventre de sua esposa Sara estava morto.
Não havia absolutamente nenhuma esperança. Ele havia abandonado toda esperança de algum dia ter um filho por meio de Sara. Contudo, quando tinha noventa e nove anos, Deus disse: “Sara dará à luz um filho”.
Ele creu em Deus, esperando contra a esperança. Pela fé, sua esperança foi fortalecida. Creu que Deus podia fazer aquilo. Mas em que espécie de Deus ele creu? Creu no Deus da ressurreição, e recebeu Isaque.
Queridos irmãos e irmãs, antes de a sentença de morte ser pronunciada sobre ele, antes de aceitar a sentença de morte, ele podia ter Ismael, mas não podia ter Isaque.
Deus precisou esperar até que Abraão estivesse morto e Sara estivesse morta no que dizia respeito ao seu ventre. Então o Deus da ressurreição começou a agir.
É claro que Jacó foi um caso típico. Como Jacó era esperto em si mesmo! Oh, ele era um planejador, um conspirador, alguém que torcia as coisas, um enganador, um manipulador.
Contudo, Deus tratou com ele, e tratou com ele, e tratou com ele. Depois de vinte anos, Jacó ainda era forte — ferido, mas não morto.
Então chegou ao vau de Jaboque, e o anjo do Senhor lutou com ele a noite inteira e não conseguia vencê-lo, não conseguia prevalecer contra ele. Oh, Jacó era tão forte!
Sua força era tão grande. Sua sabedoria humana, carnal, era forte demais. Seu eu era tão forte que Deus precisou tocar em sua coxa e deixá-lo manco.
Irmãos e irmãs, quando a sentença de morte estava sobre ele, Jacó literalmente se agarrou ao anjo e disse: “Abençoa-me. Agora Tu precisas me abençoar. Antes eu podia abençoar a mim mesmo sem a Tua ajuda, mas agora estou desamparado. Tu precisas me abençoar. Se não me abençoares, não posso mais viver”.
Deus mudou seu nome de Jacó para Israel.
Jacó passou a conhecer o Deus da ressurreição. Daquele momento em diante, viveu pela força de Deus, pela sabedoria de Deus e pela glória de Deus.
Sim, é verdade que, às vezes, o velho Jacó ainda tentava reviver. Mas, sempre que o velho Jacó tentava reviver, ele sentia a dor na coxa. Já não podia correr tão depressa. Aquilo o fazia lembrar.
Finalmente, ele pôde se apoiar no seu bordão e adorar a Deus.
Irmãos e irmãs, pensem em Pedro. Como ele era confiante! Mesmo durante a última ceia, quando o Senhor disse: “O pastor será ferido, e todas as ovelhas serão dispersas”, Pedro disse: “Não, não, não. Esses discípulos podem ser fracos, mas eu não. Estou disposto a morrer contigo”.
E ele negou o Senhor três vezes.
Quanto a Marcos, muitas vezes dizemos que o Evangelho de Marcos é o Evangelho segundo Pedro. Ali em Marcos, vocês veem que Pedro saiu chorando. Quando saiu chorando, pensou: “Este é o meu fim. É isso. Foi o fim. Como pude negar o Senhor três vezes? Não há mais esperança. Pedro está acabado”.
Mas, queridos irmãos e irmãs, quando o Senhor ressuscitou dos mortos, Ele apareceu a Pedro.
Ele não apenas apareceu a Pedro, mas apareceu a Pedro e aos outros discípulos. Não apenas restaurou Pedro diante de Si mesmo; restaurou Pedro aos olhos de seus companheiros. Como Deus foi bondoso!
A sentença de morte — mas, depois da sentença de morte, há ressurreição. E como a ressurreição é bela!
No dia de Pentecostes, Pedro se levantou com os onze. Que autoridade ele tinha ao pregar o evangelho e ao abrir a porta para o reino de Deus!
Paulo não teve apenas aquela experiência no primeiro capítulo de 2 Coríntios; podemos ver que ele teve muitas experiências semelhantes. Por exemplo, no capítulo 12 de 2 Coríntios, mencionou que havia um espinho em sua carne, e esse espinho era uma sentença de morte.
Contudo, ali ele aprendeu que a graça de Deus lhe bastava. Assim, gloriou-se em sua fraqueza, para que o poder de Deus fosse manifestado.
Ou, se vocês quiserem considerar a experiência espiritual propriamente dita, examinem o capítulo 7 de Romanos. Ali vocês veem como Paulo era forte. “Eu consigo”, dizia ele. A lei diz: “Não cobiçarás”, e Paulo dizia: “Não vou cobiçar”.
Mas, quanto mais tentava não cobiçar, mais cobiçoso se tornava. Descobriu que sua força de vontade, por mais forte que fosse, não podia lutar contra a lei do pecado e da morte.
Finalmente, a sentença de morte veio sobre ele. Ele disse:
Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum.
Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?
Dou graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor.— Romanos 7:18, 24-25
Agora, irmãos e irmãs, não foi fácil para Paulo dizer isso, confessar que não havia bem algum nele. Não foi fácil confessar que era um homem miserável. Mas, quando a sentença de morte foi aceita, imediatamente ele disse: “Dou graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor”. Ressurreição.
Queridos irmãos e irmãs, se queremos conhecer a vida que é verdadeiramente vida, se realmente queremos experimentar a vida espiritual, lembrem-se: antes da sentença de morte, antes da morte, não há vida.
Antes disso, a vida é a velha vida, a vida natural, a vida da carne. E essa vida não é vida de modo algum.
Somente aquilo que pode passar pela morte e sair do outro lado — que é ressurreição — é vida.
Irmãos e irmãs, como medimos a vida espiritual? Medimos a vida espiritual pela quantidade de conhecimento que temos, pela quantidade de atividades que realizamos, pela quantidade de realizações que alcançamos ou pela posição ou pelo prestígio a que chegamos?
Oh, não. Não se mede a vida por essas coisas. Mede-se a vida pela morte, pela sentença de morte.
Quanto conhecemos da sentença de morte? É somente depois da sentença de morte que passamos a conhecer o Deus da ressurreição. O Senhor disse: “Eu sou a ressurreição e a vida”. Sua vida é vida de ressurreição.
Não experimentamos a Sua vida até sabermos o que é a sentença de morte.
Vocês se lembram de que nosso Senhor Jesus disse em João 12:24-26:
Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo não cair na terra e morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto.
Quem ama a sua vida a perde; e quem odeia a sua vida neste mundo a guardará para a vida eterna.
Se alguém Me serve, siga-Me; e, onde Eu estou, ali estará também o Meu servo: se alguém Me servir, o Pai o honrará.— João 12:24-26
Irmãos e irmãs, a vida verdadeira precisa surgir da morte. Quando vocês passam por isso, aquilo que não consegue sair fica sepultado ali. Isso é o que éramos. Mas aquilo que sai é Cristo. É vida. É vida espiritual.
Portanto, nesta manhã, meu encargo é apenas um: como medimos a vida espiritual? Como sabemos que isso é vida, e não apenas nossa força humana, não apenas nossa sabedoria carnal, não apenas nós mesmos?
Nós a medimos pela sentença de morte. Quanto mais conhecemos a sentença de morte, mais conhecemos o Deus da ressurreição.
É claro que essa não é simplesmente uma experiência pela qual passamos uma vez por todas. É uma experiência que tem um começo, mas não tem fim nesta vida.
Em outras palavras, precisamos ser conduzidos ao lugar em que estamos sob a sentença de morte para saber o que é a vida de ressurreição. Então, daquele momento em diante, precisamos aprender cada vez mais sobre a sentença de morte e sobre a vida de ressurreição.
Talvez, em uma área, o Senhor pronuncie Sua sentença de morte sobre vocês, e ali aprendam a conhecer Sua vida naquela área. Mas talvez, em outra área, ainda estejam dependendo de sua carne e confiando nela, e Deus precise pronunciar a morte sobre isso.
No que diz respeito a Deus, a sentença de morte já foi pronunciada. Romanos 6:6 diz:
Sabendo isto: que o nosso velho homem foi crucificado com Ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de que não mais fôssemos escravos do pecado.
A sentença de morte já foi pronunciada sobre o velho homem. Mas, no que diz respeito à nossa experiência, provavelmente precisamos entrar nisso passo a passo, dia após dia.
Graças a Deus, a sentença de morte, para o mundo, é o fim; mas, para nós, que pertencemos ao Senhor, é o glorioso começo. Que o Senhor nos ajude. Vamos orar?
Nosso Pai celestial, nós Te louvamos e agradecemos porque plantaste Tua vida em nós, e essa vida é uma vida que vence a morte.
Nós Te louvamos e agradecemos porque, a menos que conheçamos a sentença de morte, não dependeremos da Tua vida. Continuaremos vivendo nossa velha vida.
Portanto, Senhor, acolhemos a sentença de morte. Pedimos-Te que, em vez de sucumbirmos sob ela, possamos nos levantar em vida de ressurreição e passar a Te conhecer como o Deus da ressurreição. Louvamos Teu precioso nome. Amém.