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    Spirituality: Yes in Christ © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Spirituality: Yes in Christ
    Spirituality: Yes in Christ
    Kaung, Stephen

    A vida espiritual como a realidade de Cristo

    Mensagem proferida em Richmond, Virgínia, pelo irmão Stephen Kaung.

    Se vocês estiveram aqui ontem à noite, sabem que o nosso tempo juntos é, antes de tudo, um momento de compartilhar e ter comunhão sobre aquilo que o Senhor talvez tenha a nos dizer por meio da segunda carta aos Coríntios.

    Mencionei ontem à noite que isto não será uma exposição dessa carta, pois não me considero competente para fazê-la. O que desejo compartilhar com vocês, irmãos e irmãs, são certas coisas nessa carta que tocaram o meu coração. Espero no Senhor que elas também toquem o coração de cada um de nós.

    O caráter pessoal de 2 Coríntios

    Mencionamos ontem à noite que não há outra carta escrita pelo apóstolo Paulo na qual ele se revele como na segunda carta aos Coríntios. Nessa carta, vocês não encontram uma abordagem predominantemente doutrinária, nem o veem tratando dos detalhes da vida prática.

    É claro que há ensinamentos profundos nessa carta — sem dúvida alguma — e muitas questões bastante práticas a serem resolvidas. Isso é verdade. Mas essas coisas são abordadas apenas brevemente.

    Em outras palavras, a motivação e o propósito dessa carta não eram informar os crentes de Corinto sobre determinadas verdades, nem propriamente resolver os problemas da vida deles. O propósito da carta era derramar o coração diante deles: compartilhar a si mesmo, compartilhar aquele homem em Cristo, para que eles também se tornassem homens e mulheres em Cristo.

    Creio que Paulo nos mostrou nessa carta, de maneira muito singular, o que realmente é a vida espiritual. Falamos sobre a vida espiritual. Queremos viver uma vida espiritual. Queremos ser espirituais. Mas o que realmente é a vida espiritual?

    A vida espiritual como vida que procede da morte

    Na primeira parte da carta, há algumas expressões que nos ajudam a compreender o que realmente é a vida espiritual. A primeira expressão que mencionamos ontem à noite foi a sentença de morte.

    Quando falamos sobre a vida espiritual, precisamos compreender o que ela realmente é. A vida espiritual é vida que procede da morte. Nossa vida natural começa com o nascimento e termina no túmulo. Essa é a nossa vida natural.

    Mas a vida espiritual começa do outro lado do túmulo. Em outras palavras, a vida espiritual começa na morte, porque é ressurreição. É vida que procede da morte.

    Sabemos que Cristo morreu na cruz.

    Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só;
    mas, se morrer, dá muito fruto.

    Esse é o resultado da morte do nosso Senhor Jesus. Porque Ele morreu na cruz, por meio de Sua morte a vida é liberada e concedida.

    Hoje, ao crermos no Senhor Jesus, recebemos a vida eterna. Recebemos a Sua vida. Temos vida em nós. Graças a Deus por isso. A vida que recebemos é uma vida que procede da morte, uma vida liberada por meio da morte e uma vida que venceu a morte.

    Vocês se lembram de que o próprio Senhor nos diz que Ele é Aquele que esteve morto e agora está vivo, e vive para todo o sempre. Esse é o nosso Senhor Jesus, e essa é a vida que recebemos.

    Já temos vida. Recebemos em nós essa nova vida, essa vida eterna. Mas como essa vida pode ser liberada em nós, tornar-se livre, aumentar, desenvolver-se, crescer e manifestar-se? Vocês encontram o mesmo princípio: é por meio da morte, por meio da sentença de morte.

    A menos que um dia o Senhor abra os nossos olhos para vermos que não apenas há uma sentença de morte sobre nós, mas que também precisamos aceitar essa sentença de morte dentro de nós, é inútil falar de vida espiritual. Nossa vida espiritual pode ser apenas uma vida pseudoespiritual: vida na carne, e não vida no Espírito.

    Não vamos voltar e repassar tudo isso, mas menciono esse assunto porque, quando falamos sobre a vida espiritual, provavelmente a primeira coisa à qual o Espírito de Deus nos conduzirá será a sentença de morte.

    Não é verdade que estamos buscando a vida espiritual? E não é verdade que, quanto mais vocês buscam a vida espiritual, por estranho que pareça, não é vida que experimentam, mas morte?

    Esperamos vida, mas Deus nos dá morte. Esperamos ser muito cheios de vida e muito poderosos; no entanto, quanto mais vocês buscam a vida, mais se veem cercados, pressionados e encurralados, até chegarem a uma situação de morte. Vocês se perguntam por que Deus respondeu à sua oração dessa maneira.

    É somente da morte que a vida procede, e essa vida é a vida verdadeira.

    O “sim” em Cristo

    Depois de mencionar isso, nesta manhã vamos prosseguir e ver até onde podemos chegar. No primeiro capítulo de 2 Coríntios, vocês encontram outra expressão muito marcante. Vamos ler uma passagem de 2 Coríntios 1:15-22.

    E, com esta confiança, quis primeiro ir ter convosco, para que tivésseis uma segunda graça;
    e, por vosso intermédio, passar à Macedônia, e da Macedônia voltar a ter convosco, e ser por vós encaminhado à Judeia.
    Ora, querendo eu isto, usei porventura de leviandade? Ou o que proponho, proponho-o segundo a carne, para que haja em mim o sim, sim, e o não, não?
    Antes, como Deus é fiel, a nossa palavra para convosco não é sim e não.
    Porque o Filho de Deus, Jesus Cristo, Que entre vós foi pregado por nós, isto é, por mim, Silvano e Timóteo, não foi sim e não; mas Nele há o sim.
    Porque, quantas sejam as promessas de Deus, Nele está o sim: por isso também por Ele é o amém, para glória de Deus por nosso intermédio.
    Ora, Aquele que nos confirma convosco em Cristo e nos ungiu é Deus;
    O Qual também nos selou e nos deu o penhor do Espírito em nossos corações.

    Primeiro, a sentença de morte. Segundo, o sim em Cristo.

    A mudança de planos de Paulo e o amor imutável de Cristo

    A ocasião dessas palavras é um tanto estranha. Paulo estava em Éfeso e, enquanto trabalhava ali, seu coração abrangia todos aqueles crentes que havia visitado antes, e até mesmo aqueles que nunca havia visto. Esse era o coração de Paulo.

    Ele trabalhava em Éfeso, mas seu coração abrangia os interesses do Senhor e o povo do Senhor em toda parte. É claro que a igreja em Corinto estava incluída.

    Perto do fim de sua longa permanência em Éfeso, Paulo pensava em visitar Corinto novamente. Queria ir à Macedônia, depois descer da Macedônia à Acaia, onde ficava Corinto, e então retornar à Macedônia. Pensava em visitar Corinto duas vezes.

    Ele estava preparado para visitá-los. Mas, antes de poder fazer isso, ouviu relatos sobre a situação ali. Então mudou de ideia. Em vez de visitá-los imediatamente, adiou sua visita. Escreveu a primeira carta aos Coríntios e enviou Tito para ler aquela carta a eles.

    Depois de enviar a carta, Paulo permaneceu em Éfeso por algum tempo. Então seguiu para Trôade, como mencionamos ontem à noite. Esperava encontrar Tito ali, mas não o encontrou. Por isso, seguiu para a Macedônia.

    Algumas pessoas em Corinto — aquelas que se opunham a Paulo — aproveitaram essa oportunidade para atacá-lo. Disseram que Paulo não andava no Espírito.

    “Não foi ele quem planejou nos visitar primeiro? Por que mudou de ideia? Se realmente andava no Espírito, se realmente fez seus planos no Espírito, não deveria ser tão inconstante. Será que se enganou ao conhecer a vontade de Deus? Se ele se enganou ao conhecer a vontade de Deus, então estava na carne. Não estava no Espírito, porque Deus não pode cometer erros.”

    Eles consideravam a inconstância de Paulo uma prova de que ele não estava no Espírito. Se não estava no Espírito, ele não era nada. Aproveitaram essa oportunidade para atacá-lo, dizendo que Paulo era uma pessoa de “sim, sim” e “não, não”.

    Segundo todas as aparências exteriores, isso era verdade. Ele havia mudado de ideia. Havia planejado visitá-los duas vezes, mas foi apenas uma vez. Não seguiu seu plano original. Isso era um fato.

    Como Paulo poderia refutar essa acusação? Se as pessoas olhassem apenas para as aparências, ele parecia instável. No entanto, o mesmo amor que o impelia a visitar Corinto era o amor que o impedia de visitá-los.

    A aparência exterior mostrava mudança e inconstância, mas a realidade era um amor que nunca mudava.

    Paulo aproveitou essa oportunidade para dizer: “Vocês veem que mudei de ideia. É verdade que mudei de ideia. Mas quero lhes dizer que a palavra de Deus que lhes pregamos — Cristo, a Quem lhes pregamos — não é ‘não, não’ e ‘sim, sim’. Ele é sim, sempre sim”.

    Sim em Cristo. Todas as promessas de Deus são sim em Cristo, e todas são amém por meio Dele.

    O que ele quer dizer? Quer dizer uma única coisa: a vida espiritual é sim em Cristo.

    A realidade por trás das aparências mutáveis

    A vida espiritual não é julgada apenas pela aparência exterior. As aparências exteriores podem mudar e, em certo sentido, devem mudar.

    Vocês se lembram de que, no Antigo Testamento, lemos que Deus Se arrepende. Jovens cristãos muitas vezes me perguntavam: “Por que Deus Se arrepende?” Nós precisamos nos arrepender porque fizemos algo errado, tomamos uma decisão errada ou nos enganamos. Se alguém diz: “Não vou me arrepender”, isso é algo muito ruim. Se vocês estão errados, devem se arrepender.

    Mas Deus nunca faz nada errado. Deus nunca comete erro algum. Por que, então, lemos repetidas vezes no Antigo Testamento que Deus Se arrependeu do que fez?

    Tentei responder a eles. Não sei se a resposta os satisfez, mas disse o seguinte: os caminhos de Deus podem mudar, mas a vontade de Deus permanece a mesma.

    Sim, Deus muda Sua maneira de lidar com as pessoas, mas isso não significa que Deus muda Sua vontade. Sua vontade para com Israel permanece a mesma, mas Seu método muda. Deus é flexível; no entanto, permanece o mesmo.

    Não é assim também conosco hoje? Suponham que vocês tenham um filho em casa. Como lidam com ele? O coração de vocês para com o filho é uma coisa, mas a maneira de tratá-lo varia.

    Às vezes, vocês procuram ser muito rigorosos com esse filho, porque acham que isso vai ajudar. Mas, em outro momento, percebem que, quanto mais rigorosos são, pior ele fica. Precisam ser mais brandos. Tentam outra maneira de lidar com ele, mas o amor permanece o mesmo.

    Se julgar pela aparência, o filho de vocês poderá dizer: “Minha mãe muda. Antes ela me amava, mas agora me odeia”. Ou: “Antes ela me odiava, mas agora me ama”. Mas as mães sabem que não é assim. Vocês nunca mudam. Mudam a maneira de agir, mas o coração permanece.

    Em outras palavras, as aparências mudam, mas a realidade permanece. Assim é Deus. Assim é o nosso Senhor. Ele é o mesmo ontem, hoje e para sempre. Nunca muda. Nele há somente sim — sim. Assim é Ele.

    Ele não é sim e não. Ele é sim.

    Paulo mudou seu plano. Segundo todas as aparências, ele mudou. Mas Paulo havia mudado? Não, não havia mudado. Ele estava em Cristo, e seu amor pelos coríntios permanecia o mesmo.

    Por trás de sua ida e de sua não ida havia o mesmo amor. Ele era sim em Cristo.

    Deus como o Deus do Amém

    O que é a vida espiritual? A vida espiritual é a vida real em Cristo.

    Deus é o Deus do Amém. Vocês encontram isso em Isaías 65:16. Ali está escrito que aquele que se abençoar na terra deverá abençoar-se no Deus da verdade. A palavra traduzida como “verdade” é realidade; é amém.

    Quem se abençoar deverá abençoar-se no Deus do Amém. Quem jurar deverá jurar pelo Deus do Amém.

    Então, ao chegarem ao Novo Testamento, vocês encontram em Apocalipse 3:14 que, quando o Senhor Se dirige à igreja em Laodiceia, Ele Se chama:

    O Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus.

    Cristo Se chama o Amém. Qual é o significado de amém? Usamos amém no fim de nossas orações. Em hebraico, amém significa: “Isto é verdadeiro. Isto é fiel. Isto é certo. Assim seja. Assim será feito”.

    Amém é verdade, realidade e certeza. Sim, amém.

    Há um amém em Cristo, e há um amém em Deus que precisamos conhecer. Deus é o Deus do Amém. Cristo é o Amém.

    Se quiserem usar palavras atuais, basta dizer: “Sim”.

    Eu escuto as pessoas quando oram. Descobri que, enquanto ouvem e participam da oração de coração, algumas dizem “Amém”, e outras dizem “Sim”. Na verdade, é a mesma coisa. Uma está falando hebraico, e a outra está falando inglês.

    Sim. Sim.

    Cristo como o Amém no Evangelho de João

    Vocês já notaram, ao ler o Evangelho segundo João, que o nosso Senhor tem uma forma predileta de Se expressar? Todos nós temos nossas maneiras de nos expressar. O Senhor tem Sua própria maneira de Se expressar.

    Muitas vezes, quando começa a falar, Ele diz:

    Na verdade, na verdade vos digo.

    O que é “na verdade, na verdade”? É “Amém, amém, vos digo”. É “Sim, sim, vos digo”.

    Vocês sabem quantas vezes essa expressão é usada no Evangelho segundo João? Vinte e quatro vezes. Se tiverem tempo, contem. Em vinte e quatro ocasiões diferentes, o Senhor diz:

    Na verdade, na verdade vos digo.

    “Sim, sim, vos digo.” “Amém, amém, vos digo.”

    Por quê? Porque Ele é o grande Amém. Tudo Nele é sim. É real. É verdadeiro.

    É claro que a expressão na verdade também é usada muitas vezes nos outros Evangelhos — não de forma repetida, mas muitas vezes. A realidade está em Cristo.

    O que é a vida espiritual? A vida espiritual é Cristo. Ele é o Amém. Ele é a realidade.

    Em outras palavras, qualquer coisa que não seja Cristo, qualquer coisa que não proceda de Cristo, não é nada. Não é vida espiritual verdadeira. Tudo o que é Cristo e procede de Cristo é real. Isso é realidade. Isso é vida espiritual.

    Essa é uma afirmação muito grandiosa. É preciso compreender realmente o que significa: sim em Cristo. Tudo o que está em Cristo é sim. Cristo é o Sim. Cristo é a verdade. Cristo é a realidade.

    Tudo o que não é Cristo não é verdadeiro, não é real e não é de Deus.

    As promessas de Deus em Cristo

    Todas as promessas de Deus são sim em Cristo. Não sabemos quantas promessas de Deus existem na Bíblia, mas todas as promessas de Deus são sim em Cristo — somente em Cristo. Se não estão em Cristo, não são sim. Não são reais.

    A salvação como realidade em Cristo

    Vamos usar a questão da salvação como ilustração. Como somos salvos? Todos nós temos essa experiência, então sabemos alguma coisa a respeito.

    Muitos de nós vêm de famílias cristãs. Desde a infância, ouvimos falar de Cristo e da história de Cristo. Muitos de nós, provavelmente desde a infância, concordamos mentalmente com o caminho da salvação apresentado na palavra de Deus. Nós cremos.

    Permitam-me tornar isso bem pessoal, referindo-me a mim mesmo — não porque minha experiência seja típica, mas simplesmente para ilustrar o ponto. Fui criado em uma família cristã.

    Meu pai vinha de uma família pagã. Foi o primeiro de nossa família a crer no Senhor, e foi muito perseguido por causa disso. Mas, quando vim a este mundo, graças a Deus, eu estava em uma família cristã.

    Desde a infância fui criado, em certo sentido, e educado, em certo sentido, para ser cristão. Tínhamos culto doméstico todas as noites. Líamos a Palavra e orávamos. É claro que nós não orávamos; meu pai é que orava.

    Eu frequentava a escola dominical e estudava em escolas missionárias. Assim, recebi essa formação. Posso lhes dizer uma coisa, e agradeço a Deus por isso: muitos jovens têm dúvidas sobre Deus, Cristo e a salvação. Eu nunca tive essas dúvidas.

    Era um tanto estranho. Fui criado naquele ambiente e simplesmente absorvia tudo. Cria em tudo. Não havia problema algum para mim. Eu sabia a respeito da salvação, cria na salvação, e isso não era problema.

    Nunca questionei a Bíblia. Nunca questionei Deus. Nunca questionei nada. Simplesmente engolia tudo.

    Se alguém tivesse vindo a mim e perguntado: “Você crê em Jesus Cristo?”, eu teria respondido: “É claro”. “Você crê na Bíblia?” “Com certeza.” “Você crê que Ele morreu na cruz pela salvação do mundo?” “É claro que creio.”

    Mas eu não sabia o que significava ser salvo. Nem sequer sabia que queria ser salvo. Quando estava no ensino médio, antes de ser salvo, eu me considerava muito melhor do que muitas outras pessoas.

    Era como um famoso cristão chinês que, mais tarde, foi verdadeiramente salvo. Quando estava à beira da morte, ele disse: “Cristo morreu na cruz pelos perversos. Aquelas pessoas pecadoras e perversas precisam de Cristo, mas eu não. Sou bom demais”.

    Essa era a minha atitude.

    A promessa de Deus? Sim, Deus prometeu salvar o mundo. Mas isso não era realidade para mim. Era um ensinamento, uma doutrina, uma história. Eu não questionava essas coisas, mas elas não eram reais. Não eram vida.

    Eu ainda vivia em pecados e transgressões e nem sequer sabia disso. Isso não me incomodava.

    Até que um dia o Senhor abriu meus olhos. Abriu meus olhos para vê-Lo. Então tudo mudou.

    Já não era história para mim. Já não era apenas um relato. Ele era real. Sua salvação era real. Sua cruz era real. Ele me libertou e me perdoou. Ele me transformou. Graças a Deus por isso.

    Por quê? Porque todas as promessas de Deus são sim em Cristo.

    Não é na doutrina, no ensinamento ou na história. Sim, é preciso ter a história, e é preciso ter o ensinamento. Mas isso é mais profundo do que a história e mais profundo do que o ensinamento. Por trás da história, há um sim. Por trás do ensinamento, há realidade. Mas vocês não tocam a realidade até tocarem Cristo.

    Vocês podem conhecer a história do Senhor Jesus, mas, se não tocarem Cristo, não há salvação. Podem compreender o ensinamento da salvação, mas, se não tocarem Cristo, não há salvação. Isso não é real. Não há vida. A vida está somente em Cristo.

    Cristo como o caminho, a verdade e a vida

    O que é a vida espiritual? A vida espiritual não é saber alguma coisa sobre Cristo. A vida espiritual não é conhecer ensinamentos e histórias, embora essas coisas sejam importantes. A vida espiritual é Cristo em nós. É Cristo. Somente em Cristo vocês encontram realidade.

    O Senhor disse:

    Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida.

    Cristo como o caminho, e não como uma fórmula

    O que é o caminho? Certo dia, um irmão estava pregando sobre Romanos 6–8. É claro que essa é uma passagem muito atraente das Escrituras. Ele estava falando às pessoas sobre o caminho da vitória: como podemos viver uma vida vitoriosa.

    Se vocês amam o Senhor e querem prosseguir com Ele, isso é algo que não podem deixar de conhecer. Precisam saber disso. Lembro-me de uma querida irmã que conheci. Ela morava na Índia, mas todos os anos ia à Inglaterra para participar da Conferência de Keswick, porque aquela conferência ensinava como viver uma vida vitoriosa.

    Isso é importante — muito importante. Depois que o irmão terminou de pregar sobre Romanos 6–8, outro irmão foi até ele e disse: “Querido irmão, dou graças a Deus. Agora encontrei o caminho da vitória. No passado, eu sempre era derrotado, mas você me mostrou o caminho da vitória. Agora conheço o segredo”.

    “Agora tenho a fórmula. Sei como ser vitorioso.”

    Romanos 6 é uma fórmula? “Ah, sim. Um mais um mais um é igual a três: saber que nosso velho homem foi crucificado, mais considerar-nos mortos, mais entregar nossos membros à justiça. Se vocês passarem do um para o dois e para o três e somarem tudo, isso é vida vitoriosa. Essa é a fórmula.”

    Vocês já tentaram fazer isso? Eu tentei. Primeiro, sabia que meu velho homem havia sido crucificado. Segundo, considerava-me morto. Terceiro, entregava meus membros. Funcionou?

    Funcionou um pouco. Mas não durou. Por isso, era preciso voltar todos os anos.

    Essa é a experiência de libertação? Sim, encontramos um caminho. Vocês não podem dizer que não é um caminho, porque está na Bíblia. Encontramos um método; encontramos uma fórmula; e tentamos usar a fórmula.

    Deveria dar certo. Mas o estranho é que às vezes dá certo — nem sempre dá errado —, porém muitas vezes não dá certo. Por quê?

    Porque vocês estão adotando um caminho de vitória, em vez de verem que Cristo é o caminho. Ele disse:

    Eu sou o caminho.

    Muitas vezes adotamos um caminho, um método ou uma fórmula, mas não sabemos que Cristo é o caminho. Não é o método. Não é a fórmula. Mas, se vocês encontrarem Cristo, então terão o caminho. Ele é o caminho.

    Cristo como a verdade

    Com a verdade é a mesma coisa. Ouvimos muito sobre a verdade. Há muitas verdades na Bíblia. Vocês ouvem falar desta verdade e daquela verdade. Mas, se apenas se apropriarem da verdade com a mente, poderão ter a verdade aqui, mas ela não será verdadeira aqui — na vida de vocês.

    Na mente de vocês, está tudo certo, mas na vida isso não é verdadeiro. Não funciona. Não opera. Às vezes, vocês se perguntam se isso é realmente verdade.

    É verdade. Mas lembrem-se de que Cristo disse:

    Eu sou a verdade.

    Cristo como a vida

    O que é a vida? Ele disse:

    Eu sou a vida.

    Muitas vezes, não sabemos a diferença entre a vida verdadeira e a vida falsa. Pensamos que atividade é vida. É claro que a vida é ativa. Mas, com muita frequência, quando encontramos muita atividade, dizemos: “Bem, há muita vida nisso”.

    Às vezes, pensamos que bom comportamento é vida. Ou um irmão aponta para outro e diz: “Aquele irmão tem vida”. Por quê? “Porque ele é muito manso.”

    É claro que uma das manifestações do fruto do Espírito é a mansidão. Isso é verdade. Mas há uma diferença entre essa mansidão ser natural ou espiritual.

    O que é a vida? Cristo. Ele é a vida.

    Cristo como a ressurreição e a vida

    Ele disse:

    Eu sou a ressurreição e a vida.

    Todos nós já lemos João 11. É um grande capítulo. Lázaro estava morto, e Cristo foi ao lugar onde Lázaro já estava no túmulo havia quatro dias.

    Vocês ouvem Marta dizer:

    Senhor, se Tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido.

    Ela sabia que Ele era capaz.

    O Senhor disse:

    Eu sou a ressurreição e a vida.

    Por ser a ressurreição e a vida, Ele ressuscitou Lázaro.

    Nossa atenção muitas vezes se volta para a ressurreição de Lázaro. Ali estava um homem morto, e agora ele havia sido ressuscitado dentre os mortos. Que poder! Pensamos na ressurreição como um ato, como uma grande manifestação de poder. Aqui está Lázaro ressuscitado dentre os mortos. Glória a Deus! Não é maravilhoso?

    Mas vocês sabem que esse não é o espírito do capítulo? O espírito daquele capítulo não nos leva a contemplar um ato milagroso de ressurreição. O espírito do capítulo é nos mostrar que Cristo é a ressurreição.

    Ele é a ressurreição; por isso, ressuscita os mortos. Se nossa atenção se voltar apenas para alguém que foi ressuscitado dentre os mortos, e nos esquecermos Daquele que é a própria ressurreição, perderemos o ponto central. Perderemos o ponto central.

    Como as pessoas hoje se voltam para os atos milagrosos! Mas lembrem-se: todas as promessas de Deus são sim em Cristo.

    Se essas coisas se tornarem fins em si mesmas, em vez de levá-los a ver que Cristo é a ressurreição, mais cedo ou mais tarde vocês experimentarão separação e distração. Estarão ocupados com coisas, em vez de estarem ocupados com Cristo.

    É claro que sabemos que Deus é zeloso.

    Cristo como justiça e santificação

    Todas as promessas de Deus são sim em Cristo. Se algo não está em Cristo, lembrem-se de uma coisa: não é real.

    Se Cristo não é a nossa justiça, então essa justiça não é real. Se Cristo não é a nossa santificação, então essa santificação não é real.

    Fui salvo entre pessoas do movimento de santidade. Fui criado como metodista, mas fui salvo entre as pessoas do movimento de santidade. Participei de uma de suas conferências, e foi ali que fui salvo.

    Entre eles, pregava-se a erradicação do pecado e a segunda bênção. Insistiam muito nisso: “Você precisa receber a segunda bênção. Seu pecado precisa ser erradicado, arrancado pela raiz, e então você estará santificado. Você será santo”.

    Não estou criticando nem me opondo a ninguém. Estou simplesmente contando minha experiência. Naquela conferência estava a fundadora daquele grupo, uma senhora, uma senhora de personalidade muito forte.

    Alguma coisa a irritou, e ela perdeu a calma durante a conferência. Eu me perguntei: “Isso é santidade? O pecado foi erradicado — então o que é isso?” Disseram: “Isso é apenas uma fraqueza”.

    O que é santificação? Cristo é a nossa santificação. Não é algo chamado erradicação do pecado, como se o pecado fosse removido e então vocês estivessem santificados. Não é algo chamado santificação que lhes é dado à parte de Cristo.

    Vocês podem dizer: “Recebi a santificação, e agora estou santificado para sempre. Não posso mais pecar”. Mas, se não estiverem em união com Cristo, não há santificação.

    Vocês podem ter uma experiência de santidade, mas isso não garante que viverão uma vida santa. Em Cristo, Cristo é a nossa santificação.

    Cristo em contraste com a aparência exterior

    Isso é vida espiritual. Paulo está tentando nos dizer: “Não julguem minha aparência”. Se vocês julgarem pelas aparências, nunca poderão julgar corretamente.

    O que parece certo pode se revelar errado. O que parece errado pode se revelar certo. Vocês nunca podem ter certeza. Se julgarem pelas aparências, nunca poderão discernir entre o certo e o errado, porque as coisas podem parecer muito semelhantes. Vocês ficarão confusos.

    Mas a vida espiritual é sim em Cristo. Não é aparência exterior; é realidade. É Cristo.

    Por trás da experiência de vocês, Cristo está presente? Por trás do entendimento de vocês, Cristo está presente? Cristo é a experiência de vocês? Cristo é o entendimento de vocês? Se Ele é, isso está certo. Isso é espiritual. Se Ele não é, não é espiritual.

    Todas as promessas de Deus são sim em Cristo. Nunca tentem tomar uma promessa de Deus e entrar nela sem Cristo, porque sairão apenas com um conceito. Isso não é real.

    Todas as promessas de Deus são amém por meio Dele. Ele é o único que torna as promessas de Deus reais para nós.

    Não se ocupem com muitas coisas. Ocupem-se com Ele. Isso é vida espiritual.

    O “não” da vida natural e o “sim” de Cristo

    É muito estranho. Gosto muito de observar as crianças. Amo as crianças.

    Quando vocês tentam ensinar as crianças a falar, além de “mamãe” e “papai”, as primeiras palavras que expressam a vontade delas são, é claro, “sim” e “não”. Quando uma criança diz sim ou não, está expressando sua vontade.

    Mas é muito estranho: vocês percebem que quase todas as crianças aprendem primeiro a palavra “não”. É muito difícil para elas aprenderem a dizer sim. Já tentei isso com crianças.

    Seja o que for que vocês digam, a resposta é: “Não, não, não”. Eu digo: “Sim”. Ela diz: “Não”. Eu digo: “Não”. Ela diz: “Não”. Sempre não. Por quê?

    Aprendi uma lição com isso. Não sei se essa aplicação é válida ou não, mas aprendi que nossa vida natural é caracterizada pelo não.

    O que é a vida natural? A vida natural é a vida caída. Desde o dia em que Adão se rebelou contra Deus, ele disse não a Deus. Esse não está no sangue de Adão. O não marca a vida natural.

    Nossa vida é negativa. Nossa vida é rebelde. Não há sim em nós. Não há uma disposição afirmativa para com Deus; há apenas não. Sabemos dizer não, mas não sabemos dizer sim.

    Mas olhem para o nosso Senhor Jesus. Quando o nosso Senhor Jesus veio a este mundo, vocês veem que Sua vida era sim.

    Não importa onde O coloquem, não importa o que Ele enfrente, não importa quais problemas O cerquem, não importa quais pessoas encontre: vocês sempre encontram Nele um sim ao Pai, um sim a Deus.

    Sua vida era assim porque Ele é o Amém — o Amém para Deus e o Amém para nós.

    Queridos irmãos e irmãs, nós que cremos no Senhor Jesus, nós que O recebemos, temos essa vida em nós hoje. No que diz respeito à nossa vida natural, vocês descobrirão que ela sempre diz não a Deus.

    Não tentem mudar sua vida natural e pedir que ela diga sim a Deus. Nunca. Quando vocês tentam fazer sua vida natural dizer sim a Deus, ela se torna sim e não. Nunca resulta em um sim verdadeiro.

    É por isso que a sentença de morte precisa estar sobre essa vida natural. Mas, graças a Deus, recebemos em Cristo uma vida que diz sim.

    Há em nós uma vida que responde a Deus, por mais difícil que seja a situação. Muitas vezes, quando tentamos resolver algo pelo raciocínio, dizemos não. Mas, de algum modo, bem no fundo de nós, há um sim a Deus.

    Qual vida vocês seguem? Se seguirem o sim que está no fundo do coração, encontrarão vida e paz. Se seguirem seu raciocínio e o não dele, haverá morte — espiritualmente falando, haverá morte.

    Isso é vida espiritual. O que é a vida espiritual? A vida espiritual não é julgada pela aparência. Nunca julguem a vida espiritual pela aparência.

    A vida espiritual é julgada por uma única coisa: é Cristo? Há vida? É Cristo?

    Cristo como a medida da vida espiritual

    Vocês podem passar por uma experiência. Perguntem a si mesmos: “É Cristo?” Se essa experiência é Cristo, é uma experiência verdadeira. Se essa experiência não é Cristo, mas apenas alguma outra coisa, lembrem-se: ela pode se tornar um conceito. O essencial é Cristo.

    O perdão como expressão de Cristo

    Vocês estão perdoando as pessoas? Ah, sim, a Bíblia diz que, se vocês não perdoarem, Deus não os perdoará.

    Perdoa-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos têm ofendido.

    Vocês já leram esse versículo. Vocês o conhecem.

    Agora alguém os ofendeu. O que vão fazer? Vocês dizem: “É claro, devo perdoar”. Vocês perdoam? Ah, sim, perdoam.

    Havia um irmão que foi ofendido por alguém. É claro que ele conhecia a palavra de Deus e sabia que deveria perdoar. Então começou a escrever uma carta: “Eu perdoo você”.

    Mas, enquanto escrevia aquela carta, estava cheio de raiva. Dizia: “Esse homem foi terrível. Não deveria ter feito uma coisa dessas comigo”. Escreveu aquela primeira frase, mas depois não conseguiu continuar. Então deixou a carta de lado.

    Depois de um dia, disse: “Bem, como cristão, devo perdoar”. Então pegou a caneta e continuou a escrever: “Eu perdoo você”. Mas ainda estava cheio de raiva.

    Por fim, enviou a carta. Mas, depois de enviá-la, continuava com raiva. Isso é vida? É vida espiritual?

    Parece ser vida espiritual. “Ah, como ele é espiritual!” Mas não, isso não é Cristo.

    Em Cristo, vocês realmente perdoam as pessoas. Perdoam de coração. Não apenas perdoam; esquecem. Vocês não conseguem fazer isso por si mesmos. Isso é Cristo.

    Conheço um irmão que perdoou outro irmão e, durante duas noites, não conseguiu dormir porque o havia perdoado. Estou contando um fato. Isso não é uma história; é um fato.

    Por que é assim? Porque todo o nosso conceito de vida espiritual é uma questão de aparência. Todo o nosso conceito é uma questão de conduta. Todo o nosso conceito é uma questão de como parecemos aos olhos das pessoas.

    Lembrem-se: a vida espiritual é Cristo. A medida em que Cristo assume o controle em vocês é a medida da vida espiritual.

    Se Cristo é o perdão de vocês, esse perdão é vida. Se Cristo é a mansidão de vocês, essa mansidão é vida.

    Vocês se lembram de que os atos de justiça dos santos são simbolizados por vestes brancas, resplandecentes e brilhantes. Há vestes que são brancas, mas não resplandecentes — são pálidas.

    Quando estamos muito pálidos, não há muita vida. Mas a justiça dos santos é de um branco resplandecente, não pálido, porque há luz nela. Cristo é a nossa justiça. Há vida por trás dela.

    Não meçam a vida espiritual pela aparência exterior. Meçam a vida espiritual por Cristo.

    Quanto de Cristo há? Qual é a medida de Cristo? Não apenas conhecimento sobre Cristo, mas a medida de Cristo em vocês é a medida da vida espiritual.

    A obra do Espírito Santo

    Há algo muito importante a lembrar. Temos vida em nós. Cristo é a nossa vida. Mas, muitas vezes, essa vida não está incorporada, organizada ou trabalhada em cada área do nosso ser.

    Temos a vida de Cristo em nós, mas essa vida não está formada. Não está organizada. Não foi trabalhada em cada área do nosso ser. Por isso, estamos tentando viver uma suposta vida espiritual, mas, na verdade, somos nós mesmos. Não é Cristo.

    Essa incorporação de Cristo é a obra do Espírito Santo. Ninguém pode fazê-la. O Espírito Santo é o Espírito da realidade, o Espírito da verdade.

    A letra mata, mas o Espírito vivifica.

    Quantas vezes vivemos na letra! Estamos corretos, somos ortodoxos, bíblicos e exatos — mas isso nos mata. Não há vida.

    É o Espírito que dá vida. O Espírito nos conduz à vida, porque é o Espírito Santo que torna Cristo real para nós. É o Espírito Santo que incorpora Cristo em nós. Essa é a obra do Espírito Santo.

    A maior obra do Espírito Santo é esta: o Espírito Santo que habita em nós torna Cristo real para nós.

    Como sabemos que Cristo é o caminho? O Espírito Santo torna isso nossa experiência. Como sabemos que Cristo é a verdade? O Espírito Santo O torna real. Como sabemos que Cristo é a vida? O Espírito Santo faz com que Ele seja vida para nós.

    Todas as nossas experiências de Cristo vêm do Espírito Santo. Essa é a obra do Espírito Santo: Ele incorpora Cristo em nós.

    Revelação e disciplina

    Como Ele incorpora Cristo? De duas maneiras. Toda a obra do Espírito Santo de incorporar Cristo em nós pode ser vista sob dois aspectos.

    Primeiro, há a revelação do Espírito Santo. Foi por isso que Paulo orou pela igreja em Éfeso, para que Deus lhes desse espírito de sabedoria e de revelação.

    Lembrem-se, queridos irmãos e irmãs: tudo o que é espiritual começa com revelação. Se não há revelação, não há começo de vida espiritual.

    Como nos tornamos cristãos? Quando Pedro disse:

    Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.

    O Senhor disse:

    Não foi carne e sangue que to revelou, mas Meu Pai, Que está nos céus.

    Revelação. Como conhecemos Cristo hoje? Como conhecemos Cristo como nossa vida, nosso caminho, nossa verdade, o pão da vida e a luz dos homens?

    Como conhecemos Cristo de maneira real, de modo que Ele verdadeiramente Se torne vida para nós e seja incorporado em nós? É Cristo crescendo em nós e sendo formado em nós. Como isso acontece? O Espírito Santo abre os nossos olhos e nos revela Cristo.

    Essa é a obra do Espírito Santo — uma de Suas maiores obras.

    Podemos ler a Bíblia, e graças a Deus pela Bíblia. Ela é inspirada por Deus. Mas apenas lê-la sem revelação não dá vida.

    Vocês leem a Bíblia. O que é o Sermão do Monte? Leem que, se alguém lhes bater na face direita, devem oferecer-lhe também a outra. Essa é a Palavra. Vocês creem nela?

    Mas sabem que a letra pode matá-los? Ela pode fazer com que vivam em constante temor de que alguém lhes bata na face direita. E então, o que acontece?

    Se vocês não oferecerem a outra face, sentirão que não estão agindo como cristãos. Mas não é fácil ser cristão. Se não revidarem, isso já parece bom o suficiente. Mas oferecer a outra face — isso é difícil.

    Vocês podem tentar. Alguém lhes bate na face direita, e vocês se lembram da Palavra. Talvez levem alguns minutos para oferecer a face esquerda. Por fim, vocês a oferecem. Conseguiram.

    Isso é vida? De modo algum. Depois, naquela noite, vocês não conseguem dormir. Isso não está certo.

    A vida é espontânea, sobrenaturalmente natural. É Cristo Quem reage, não vocês. Se depender de nós reagirmos, é difícil. Mas, se é Cristo Quem reage, Ele sempre reage dessa maneira. Esse é o Seu modo de ser.

    A letra mata, mas o Espírito vivifica.

    Queridos irmãos e irmãs, vocês podem ler a Palavra de Deus muitas vezes, e um dia o Espírito abre os seus olhos. Quando vocês veem, aquilo se torna de vocês. É de vocês.

    Tomem a simples ilustração de como somos salvos. Vocês podem ouvir o evangelho centenas de vezes. Algumas pessoas nunca ouviram o evangelho, e não podemos culpá-las, porque não ouviram o verdadeiro evangelho.

    Mas suponham que vocês tenham ouvido o evangelho, a verdade do evangelho, cem vezes, e nada aconteça. Então, um dia, enquanto ouvem, o Espírito Santo começa a abrir os seus olhos. Isso é revelação.

    Ou Ele lhes revela a cruz, ou revela a vocês quem vocês mesmos são. Quando isso acontece, Cristo vem.

    Lembrem-se: a incorporação de Cristo é realizada pela revelação do Espírito Santo. Não pensem em revelação apenas em um sentido grandioso ou espetacular.

    A palavra revelação é uma grande palavra. Quando a usamos, pensamos em algo tremendo e espetacular, como Paulo no caminho de Damasco, quando uma luz brilhou do céu. Aquilo foi revelação.

    Lembro-me de um amigo do ensino médio que tentei ganhar para Cristo. Ele me disse: “Se Cristo Se revelar a mim como Se revelou a Paulo, crerei Nele. Quero ver aquela luz”.

    Mas a revelação não precisa vir em uma medida tão grandiosa. A revelação deveria ser nossa porção diária. Ela significa simplesmente uma abertura dos olhos.

    Deus, por Seu Espírito Santo, revela Cristo. À medida que Ele revela Cristo, Cristo Se torna real. Talvez eu não consiga explicá-Lo, mas eu O vi.

    Muitas pessoas conseguem explicar muito bem, mas talvez nunca tenham visto. No entanto, algumas pessoas que realmente viram não conseguem explicar.

    Muitas vezes penso em Paulo no caminho de Damasco. Quando a luz brilhou sobre ele, qual foi o efeito? Ele ficou cego. Não conseguia ver exteriormente. Interiormente, havia visto, mas exteriormente ficou cego. Muitas vezes, essa é a nossa experiência.

    O Espírito Santo incorpora Cristo em nós primeiro pela revelação e, segundo, pela disciplina.

    A disciplina do Espírito Santo

    As duas maiores obras do Espírito Santo são, de um lado, a revelação e, do outro, a disciplina. Somente a revelação não basta.

    Vocês podem ter uma visão, mas isso pode torná-los meros visionários, a menos que a visão seja sustentada pela disciplina. Não basta apenas ter uma visão.

    Não pensem que, por terem visto algo em seu espírito, isso já seja plenamente real em vocês. Ainda não. É real, mas talvez ainda não tenha se tornado sua experiência.

    O Espírito Santo organizará as circunstâncias e ordenará acontecimentos que parecem contradizer a revelação. Mas, na verdade, essas coisas os fazem entrar na revelação. Essa é a disciplina do Espírito Santo.

    Um dia o Senhor abre os seus olhos para verem Seu amor — amor sem egoísmo, amor que não escolhe a quem amar, amor pelos que não são amáveis. O Senhor abre os seus olhos para verem isso, e vocês oram: “Ó Senhor, confesso que não tenho amor”.

    Antes de verem isso, vocês pensavam que estavam cheios de amor. Mas agora dizem: “Não consigo amar quem não é amável. Escolho aqueles a quem amo. Se Tu queres que eu ame, precisas amar por meio de mim. Não consigo fazer isso”. Isso é revelação.

    Mas vocês conseguem amar agora? Não é tão simples. Estranhamente, de manhã vocês recebem a revelação; à tarde, a pessoa menos amável vem até vocês.

    A pessoa que vocês mais temem pode vir incomodá-los novamente. O que é isso? É a disciplina do Espírito Santo.

    Não é por acaso. É a disciplina do Espírito Santo, porque o Espírito Santo usa as circunstâncias para incorporar Cristo em nós.

    Queridos irmãos e irmãs, somente depois que o Espírito Santo realiza essa obra é que o resultado final é vida espiritual. Isso é vida espiritual.

    O custo da vida espiritual

    Em primeiro lugar, a vida espiritual começa com a sentença de morte. Em segundo lugar, a vida espiritual é sim em Cristo. É Cristo. Isso é espiritual.

    Não é apenas algo que lhes é dado. Sim, é dado a vocês, mas é mais do que isso. Vocês precisam ver que a dádiva e o Doador são um.

    Não é que Ele lhes dê a vida como algo separado, e então ela seja de vocês para que saiam e vivam. Não. Ele dá a Si mesmo a vocês como vida.

    O caminho para entrar nisso, como acabamos de dizer, é pelo Espírito Santo, porque o Espírito Santo é o Espírito da vida. Somente o Espírito pode tornar todas as promessas de Deus sim e amém para nós.

    Estamos dispostos a aceitar a revelação e a disciplina do Espírito Santo? Isso se torna uma questão muito real.

    Lembrem-se de uma coisa: a vida espiritual nunca é barata. Se vocês quiserem chegar a algum lugar espiritualmente por um caminho barato, isso não é real.

    A vida espiritual exige que percamos a vida do nosso eu, para que Cristo possa ocupar esse lugar. Essa é a vontade de Deus.

    Conclusão

    Creio que, provavelmente, nesta manhã nossa comunhão ficará apenas nisto: a vida espiritual é Cristo — sim em Cristo.

    Oração

    Ó Pai, procuramos compartilhar Teu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, como a única realidade.

    Confessamos que muitas vezes somos atraídos e ficamos ocupados com aquilo que nos aparece exteriormente. Ó Senhor, livra-nos daquilo que é exterior e abre os nossos olhos para vermos que a verdadeira questão é aquilo que não se vê.

    Cristo é a realidade. Pedimos que Tu nos despojes de tudo o que não é Cristo. Senhor, não queremos viver na irrealidade e tentar enganar a nós mesmos.

    Senhor, estamos prontos para ser iluminados, para ser reduzidos, para chegar ao fim de nós mesmos, para ver que não há nada de bom em nós e para ser despojados de tudo o que não é real.

    Desejamos apenas que Cristo seja nossa realidade em todas as coisas. Ó, como Te louvamos e agradecemos, porque Teu Espírito Santo nos foi dado para realizar essa obra!

    Pai, Tu sabes que não podemos entrar nisso por nós mesmos. Mas Te louvamos e agradecemos porque Teu Espírito está conosco, e Ele está realizando a obra.

    Ó Senhor, dá-nos abertura, prontidão e disposição para sermos expostos e recebermos revelação e luz de Ti.

    Torna-nos dispostos a ser disciplinados, treinados, quebrantados e despedaçados, para que Cristo seja nossa experiência e Cristo seja nossa expressão.