Cheguem um pouco mais para a frente, para facilitar.
Vamos ler a partir de 2 Coríntios 2:12.
Ora, quando cheguei a Trôade para anunciar as boas-novas de Cristo, e uma porta me foi aberta no Senhor,
não tive descanso em meu espírito, por não encontrar Tito, meu irmão; mas, despedindo-me deles, parti para a Macedônia.
Mas graças a Deus, que sempre nos conduz em triunfo em Cristo, e por nosso intermédio manifesta em todo lugar o aroma do Seu conhecimento.
Porque somos para Deus o bom aroma de Cristo, entre os que são salvos e entre os que perecem:
para uns, aroma de morte para morte; mas, para outros, aroma de vida para vida. E quem é suficiente para estas coisas?
Porque nós não somos como os muitos que mercadejam a palavra de Deus; antes, com sinceridade, como da parte de Deus, diante de Deus, falamos em Cristo.
Voltemo-nos para o Senhor.
Nosso Pai, nós Te louvamos e Te agradecemos. Pelo sangue do nosso Senhor Jesus e pelo Seu corpo partido, temos ousadia e acesso para entrar na Tua própria presença. Oh, como Te louvamos e Te agradecemos por esse privilégio: podermos contemplar-Te, ouvir a Tua voz e ser tocados por Ti.
Por isso, Senhor, nós nos abrimos a Ti neste momento e pedimos que a Tua palavra se torne viva e operante. Dá-nos entendimento; dá-nos revelação e sabedoria, para que possamos verdadeiramente conhecer-Te e conhecer a Tua vida. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Ultimamente, temos considerado juntos essa questão da vida espiritual. Mencionamos, desde o início, que 2 Coríntios é quase uma autobiografia de Paulo. Em outras palavras, se queremos conhecer Paulo — um homem em Cristo —, precisamos estudar essa segunda carta aos coríntios.
Nessa carta, ele nos revela a importância da vida espiritual. Em outras palavras, o que é a vida espiritual que é de fato vida espiritual, e não uma imitação ou um substituto?
Mencionamos anteriormente duas coisas. Uma delas é a sentença de morte. Se não houver em nós a sentença de morte, nunca experimentaremos a verdadeira vida espiritual, que é a vida de ressurreição.
Dito de maneira simples, sem conhecer a morte, não podemos conhecer a vida. A morte precisa operar em nós; a morte precisa tratar conosco antes que a vida do nosso Senhor Jesus seja manifestada. Portanto, em primeiro lugar, lembramos que a vida espiritual contém o elemento da sentença de morte em nós mesmos.
O segundo elemento é: “Sim, em Cristo Jesus”. Todas as promessas de Deus são sim Nele, e amém por nosso intermédio. Não sou eu — a sentença de morte —, mas Cristo: sim, em Cristo.
Agora, nesta manhã, gostaríamos de chegar ao terceiro elemento da verdadeira vida espiritual, que é a fragrância de Cristo.
A ocasião em que isso aparece é muito surpreendente, porque Paulo disse que foi a Trôade para anunciar o evangelho. Uma porta lhe havia sido aberta no Senhor, mas ele não teve descanso em seu espírito, porque não encontrou Tito, seu irmão.
Vocês se lembram de que Paulo estava em Éfeso. Ele escreveu uma carta à igreja em Corinto, depois de ouvir a respeito da condição deles. Após escrever aquela carta — a primeira carta aos coríntios —, ficou tão preocupado com eles que enviou Tito a Corinto.
Não sabemos ao certo se Tito foi ou não o portador da primeira carta aos coríntios. Mas uma coisa sabemos: Tito foi a Corinto para tentar ajudá-los, restaurá-los e preparar o caminho para a visita de Paulo.
Então Paulo saiu de Éfeso e foi a Trôade para anunciar o evangelho. O Senhor lhe abriu uma porta, mas ele não teve descanso em seu espírito. Por quê? Porque não encontrou Tito ali.
Evidentemente, ele e Tito haviam combinado algo de antemão. Tito iria a Corinto para preparar o caminho e ajudar os crentes coríntios. Depois iria a Trôade. Quando Paulo chegasse a Trôade, eles se encontrariam ali, e Tito lhe contaria o que realmente havia acontecido.
Mas, quando Paulo chegou a Trôade, Tito não estava lá. Por algum motivo, ele se atrasou. Portanto, Paulo não tinha como saber o efeito da sua primeira carta sobre os crentes coríntios: se aceitariam a carta e se arrependeriam, ou se endureceriam ainda mais o coração contra ele.
Sem saber exatamente o que havia acontecido, ele não tinha descanso em seu espírito. Não sabia o que fazer. Na verdade, estava numa espécie de expectativa angustiante e, por causa disso, não conseguia realizar a obra em Trôade. A porta estava escancarada, mas ele não tinha disposição, não tinha ânimo. Não conseguia realizar a obra.
Por isso, saiu de Trôade e navegou diretamente para a Macedônia, em vez de ir primeiro a Corinto, depois de Corinto para a Macedônia, voltar a Corinto e, de Corinto, retornar à Judeia, como havia dito aos crentes coríntios. A razão de ter ido diretamente para a Macedônia, sem passar por Corinto, era que queria esperar até saber o que havia acontecido.
Agora, irmãos e irmãs, em certo sentido, isso parece uma derrota. Ele foi a Trôade por causa do evangelho, e a porta estava escancarada. Pensaríamos que ele deveria permanecer ali. Se a porta estivesse fechada, é claro, ele não poderia fazer nada. Mas, se a porta estava aberta para o evangelho, certamente Paulo deveria permanecer ali e pregar o evangelho. Mas não foi isso que ele fez.
Havia inquietação em seu espírito, e por isso ele partiu. Foi para a Macedônia. Parece que Paulo foi derrotado. Talvez pensemos que ele deveria ser mais forte do que isso. Não deveria ficar tão ansioso. Deveria vencer os próprios sentimentos e continuar cumprindo sua responsabilidade.
Mas ele partiu. Foi para a Macedônia. No entanto, ouçam o versículo seguinte:
Mas graças a Deus, que sempre nos conduz em triunfo em Cristo, e por nosso intermédio manifesta em todo lugar o aroma do Seu conhecimento.
Em 2 Coríntios 2:13, ele disse: “Não tive descanso em meu espírito, por isso parti”. Agora, em 2 Coríntios 2:14, ele disse:
Graças a Deus, que sempre nos conduz em triunfo em Cristo.
Esses dois versículos parecem não combinar. O versículo anterior parece nos dizer que Paulo foi derrotado, mas o seguinte nos diz que Deus sempre nos conduz em triunfo em Cristo Jesus. Ele está triunfante. Como pode estar derrotado num momento e triunfante no outro? Ou como pode estar derrotado e triunfante ao mesmo tempo?
Agora, queridos irmãos e irmãs, isso é vida espiritual. A vida espiritual é um paradoxo. Vocês podem ver dois opostos, como se estivessem em conflito e se contradissessem; no entanto, a vida espiritual é justamente uma combinação desses dois.
Paulo disse:
Não tive descanso em meu espírito.
Isso mostra a humanidade nele.
Deus sempre nos conduz em triunfo em Cristo Jesus.
Isso mostra a divindade em Paulo.
O que é vida espiritual? A vida espiritual não é a eliminação da humanidade. Não é eliminar o lado humano em nós e nos transformar em espíritos. Muitas pessoas pensam que, para ser espiritual, você literalmente se torna um espírito. Você deixa de ser um ser humano.
Você não terá sentimento algum. Nunca se sentirá cansado ou fatigado. Nunca ficará decepcionado ou desanimado. Nunca será tentado. Nunca falhará. Você é infalível. É sempre forte. Nunca é fraco. Nunca fica ansioso ou preocupado. Você não é humano; é um espírito.
Mas, queridos irmãos e irmãs, isso não é vida espiritual. A vida espiritual não elimina o lado humano em nós. Enquanto vivermos, enquanto estivermos neste corpo, teremos sentimentos. Ficaremos cansados, decepcionados e seremos tentados. Podemos cair. O lado humano está sempre presente.
A espiritualidade não é uma divindade plena e independente. Em outras palavras, a vida espiritual é a vida de Cristo em nós. Há vida divina em nós, mas o recipiente da vida divina é a vida humana.
Temos um tesouro em vasos de barro. O vaso é frágil. O vaso pode rachar. O vaso pode ser quebrado. Mas, graças a Deus, por meio das rachaduras e do quebrantamento do vaso, a luz do tesouro é manifestada. Isso é vida espiritual.
A vida espiritual não é nem a eliminação total da humanidade nem a manifestação plena e independente da divindade. É a divindade manifestada na humanidade. Isso é vida espiritual.
Paulo é humano, e não está tentando esconder sua humanidade. Muitas vezes, tentamos esconder nosso lado humano. Quando há uma fraqueza, tentamos escondê-la, encobri-la. Achamos que, se a fraqueza for conhecida, ela trará desonra a Deus e vergonha para nós. Por isso, todos tentam esconder sua fraqueza. Todos tentam esconder seu lado humano.
Sempre tentamos manter uma aparência, como se fôssemos sempre fortes, sempre felizes, sempre alegres, sempre triunfantes. Não queremos confessar que há inquietação em nosso espírito. Não queremos confessar que há fraqueza em nós. Não queremos confessar que podemos falhar.
Mas, queridos irmãos e irmãs, não tentem ser sobre-humanos. Deus quer que sejamos humanos.
Foi justamente por essa razão que Cristo veio a este mundo. Em primeiro lugar, se Ele não quisesse que fôssemos humanos, não nos teria criado como seres humanos. Em segundo lugar, se Ele não quisesse que fôssemos humanos, não teria enviado Seu Filho a este mundo para ser um ser humano como nós. Se Ele não quisesse que fôssemos humanos, não teria morrido na cruz em nosso lugar.
A redenção não elimina a humanidade. A redenção resgata a humanidade. Nós caímos. Por termos caído, somos sub-humanos; às vezes, somos desumanos. Portanto, Cristo veio nos redimir, para que sejamos seres humanos como Deus deseja que sejamos.
Por isso, irmãos e irmãs, valorizem a humanidade que há em nós. Valorizem o lado humano da nossa vida. Não cometam o erro de pensar que já não somos humanos e que, sempre que algo com traços humanos aparece em nós, devemos nos envergonhar e tentar escondê-lo. De maneira nenhuma.
Paulo confessou francamente que não tinha descanso em seu espírito. Não conseguia continuar a obra em Trôade, por isso navegou para a Macedônia.
Agora, o que significa a sentença de morte? Não dizemos que precisamos conhecer a sentença de morte em nós? Precisamos ter em nós a resposta da morte. O que isso significa?
Lembrem-se: a sentença de morte, ou a cruz, não destrói a humanidade. Não destrói nosso lado humano. Precisamos ter a sentença de morte em nós porque nossa humanidade caiu.
Precisamos ser libertos da tirania da vida do nosso eu. Precisamos ser libertos da nossa energia natural, da nossa sabedoria humana e da nossa própria glória. Isto é, precisamos ser libertos dessa vida do eu que há em nós. Mas isso não destrói nossa alma; não destrói nossa individualidade.
O que está caído precisa ser liberto, mas o que foi criado precisa apenas ser purificado. Deus nos criou como seres humanos, e quer que sejamos seres humanos hoje e para sempre, até mesmo na eternidade. Ele quer que sejamos seres humanos. Quer nos libertar para que sejamos humanos; quer nos purificar para que sejamos humanos da maneira que Ele deseja.
Acho que precisamos ser lembrados disso repetidas vezes, porque muitas vezes não pensamos assim.
Mas, graças a Deus, de um lado vocês encontram a humanidade — o lado humano. Ao mesmo tempo, do outro lado, encontram a divindade — a vida divina em nós.
Deus coloca Sua vida em nós, mas isso não nos diviniza. Graças a Deus, temos Sua vida em nós, mas não estamos sendo divinizados. Somos seres humanos, e Sua vida em nós se manifesta neste vaso humano.
Vocês se lembram de que Paulo diz:
Quando estou fraco, então sou forte.
Portanto:
Glorio-me nas minhas fraquezas, para que o poder de Deus seja manifestado.
O poder de Deus se aperfeiçoa na minha fraqueza.
Aqui vocês encontram a fraqueza do homem, e ali veem o poder de Deus. A fraqueza do homem não impede o poder de Deus. Pelo contrário, o poder de Deus se aperfeiçoa na fraqueza do homem.
Se somos fortes, se nossa vida humana está completa e intacta, o poder de Deus não tem como se manifestar. É justamente porque há fraqueza em nós que o poder de Deus tem a oportunidade perfeita para se manifestar.
Em Gálatas 2:20, Paulo disse:
Fui crucificado com Cristo;
e já não sou eu quem vive,
mas Cristo vive em mim;
e a vida que agora vivo na carne,
vivo na fé, na fé que é no Filho de Deus,
Que me amou e Se entregou por mim.
Fui crucificado com Cristo;
já não sou eu, mas Cristo vive em mim.
Em outras palavras, uma parte do “eu” é eliminada, mas outra parte do “eu” permanece.
O “eu” que é eliminado é a vida do eu, a vida caída. Mas o “eu” em mim que permanece é a humanidade que Deus criou e que agora está sendo purificada. Portanto, é Cristo Quem vive em mim. Quando estou fraco, então sou forte.
Aqui vocês encontram Paulo dizendo: “Não tive descanso em meu espírito”, e isso era evidente. Ele não tentou esconder. Todos os irmãos em Trôade perceberam, e provavelmente alguns disseram: “Ah, Paulo, olhe para você. Você não tem vergonha de si mesmo?”
Lembro-me de que, muitos anos atrás — em 1937 —, eu estava em Cantão, servindo ao Senhor. Fiquei doente, e uma irmã idosa me acolheu em sua casa para descansar. Essa irmã havia sido salva recentemente.
Enquanto estava na casa deles, eu me sentia muito inquieto. Achava que o clima ali não me fazia bem. Hong Kong era tão úmida e quente; aquilo não me fazia bem de modo algum, e eu estava indisposto. Pensava o tempo todo: “Preciso ir embora. Preciso ir para algum lugar”. Eu tinha uma montanha em mente. Queria muito ir para aquela montanha e descansar ali.
Então orei e orei, perguntando ao Senhor: “Senhor, o que Tu queres que eu faça? Preciso descansar. Para onde devo ir?” Mas, o tempo todo, eu pensava naquela montanha e estava muito inquieto.
Um dia, aquela irmã veio até mim e disse: “Irmão, por que você está tão inquieto?” Ela percebeu. Oh, fiquei tão envergonhado de mim mesmo. Eu era quem deveria ajudá-la espiritualmente, e agora minha inquietação estava aparecendo, porque eu não conseguia escondê-la.
Agora, irmãos e irmãs, se os irmãos e as irmãs percebiam inquietação em mim, isso era pouca coisa, porque eu não era grande coisa mesmo. Mas, no caso de Paulo, o grande apóstolo Paulo, ele não tinha descanso em seu espírito, e os irmãos e as irmãs perceberam isso. Oh, talvez tenham se afastado de Paulo.
Mas, graças a Deus, assim eles não o veriam como alguém maior do que realmente era. Era isso que Paulo queria: que ninguém o considerasse superior ao que ele realmente era.
Sabem, irmãos e irmãs, sempre queremos que as pessoas nos vejam como maiores do que realmente somos. Queremos parecer mais espirituais do que realmente somos. E, quando somos descobertos, nossa, queremos nos esconder.
Mas Paulo, não. Paulo era aberto. Era transparente. Não só deixou que as pessoas soubessem que não tinha descanso em seu espírito, como também contou isso aos crentes coríntios. Ele disse: “Não tenho descanso em meu espírito. É isso que sou. Sou um vaso fraco”.
Mas graças a Deus, que sempre nos conduz em triunfo em Cristo Jesus.
Mesmo quando Paulo estava fraco, ele era forte. Como isso é possível?
Até os crentes em Trôade, embora vissem sua inquietação, ao mesmo tempo viam Cristo nele. Você pergunta: “Será que isso é possível?” É possível.
Apesar da sua inquietação, a fragrância de Cristo se espalhava a partir de Paulo. Mesmo em seu fracasso, havia vitória. Ele caiu, mas Cristo venceu.
Sabem, há um lema da Convenção de Keswick. Não sei se vocês conhecem a Convenção de Keswick. Acho que ela se reúne desde a virada do século. Todos os anos, na segunda semana de julho, em Keswick, na Inglaterra, acontece a Convenção de Keswick, e santos de todas as partes do mundo vão até lá para ouvir mensagens sobre vitória.
Há um lema na Convenção de Keswick: “Quando cair, grite vitória”.
Quando cair, grite vitória. Agora, como você pode fazer isso? Parece que não é verdade. Quando cair, chore antes de gritar vitória. Como pode ser?
Agora, irmãos e irmãs, há um segredo nisso. Quando cair, grite vitória. Por quê? Porque você cai, mas Cristo nunca cai, e o poder Dele se manifesta na sua fraqueza.
Quando você cai e chora, pensa em si mesmo. Tem pena de si mesmo. Mergulha em si mesmo e cai ainda mais fundo. Mas, quando cai, grita vitória. Você diz: “Senhor, não consigo fazer melhor. É isso que sou, mas Tu és o melhor. Ergo os olhos para Ti e Te louvo”.
Irmãos e irmãs, é nesse momento que vocês encontram a vitória de Cristo manifestada. Esse é o segredo.
Nosso problema com a vida espiritual é que queremos ser fortes. Queremos ser espirituais. “É isso que sou. Olhem para mim. Como sou forte, como sou espiritual.” É isso que queremos, mas isso não é vida espiritual.
Isso é uma espiritualidade da alma. Você está tentando ser espiritual. Isso não é verdadeiro.
A verdadeira vida espiritual é isto: de um lado, há a fraqueza e a fragilidade do vaso — a humanidade. Mas, ao mesmo tempo, há a força e a glória da divindade, a vida divina manifestada. Isso é vida espiritual.
É uma combinação do humano com o divino. É uma união de fraqueza e força. É o encontro de lágrimas e gritos. Isso é vida espiritual: Deus sempre nos conduz em triunfo em Cristo Jesus.
Paulo parecia estar derrotado em Trôade, mas, ainda assim, Deus conduziu tudo soberanamente. Deus conduziu tudo soberanamente.
Quando ele chegou à Macedônia, Tito chegou e trouxe boas notícias, um bom relato, e o espírito de Paulo se reanimou. Portanto, queridos irmãos e irmãs, sejam simplesmente sinceros e autênticos. Não há problema em ser humano.
Mas não se esqueçam: quando vocês estão fracos, então são fortes. Sem descanso no espírito, mas sempre em triunfo em Cristo Jesus.
E por nosso intermédio manifesta em todo lugar o aroma do Seu conhecimento.
Sabem, o odor, o aroma ou a fragrância é a coisa mais intangível que existe.
Uma cor vocês podem ver. Uma música podem ouvir. Mas um aroma — vocês não podem ver um aroma, nem ouvir um aroma. Só podem senti-lo pelo olfato.
Quando há um odor, quando há um aroma, ele simplesmente se espalha espontaneamente. Vocês não precisam fazer esforço para que ele exale. Se há perfume aqui, vocês não precisam fazer esforço para que o perfume exale. Se o perfume está aqui, ele simplesmente se difunde de maneira espontânea, sem que ninguém perceba. Não há controle.
Vocês não veem nada, não ouvem nada, e, no entanto, ele está ali. Produz seu efeito porque se espalha tão silenciosamente, e, ainda assim, de maneira tão espontânea e sem que ninguém perceba.
Agora, nós somos a fragrância de Cristo. É assim que deve ser. Em outras palavras, não se trata de nos esforçarmos muito para exalar um bom aroma. Nós nos esforçamos muito para ser espirituais. Nós nos esforçamos muito. Não: nenhum esforço, nenhum esforço.
Se a fragrância está presente, ela se espalhará. Suponham que vocês trabalhem numa fábrica de perfumes. Passam o dia inteiro trabalhando ali. Não colocam perfume algum em si mesmos, mas, se trabalham numa fábrica de perfumes, depois de um dia de trabalho, quando voltarem para casa, todos sentirão o perfume.
Ele está ali. E é isso que a vida espiritual é: a fragrância de Cristo.
Não é algo produzido pelo esforço. Vocês nem precisam aplicá-lo. Mas, por causa da sua vida com Cristo, essa fragrância está presente na sua vida e se espalhará.
Apesar da sua fraqueza e do seu fracasso — e, às vezes, por causa da sua fraqueza —, ela se intensifica. Não é estranho?
Vocês se lembram de Maria, que veio ungir o Senhor Jesus com uma libra de nardo. Aquela libra de nardo estava guardada num frasco de alabastro, e ele tinha uma tampa.
O frasco de alabastro é um recipiente bonito. Mas, enquanto estiver tampado e não for quebrado, a libra de nardo continua ali, porém não há fragrância. Um frasco de alabastro é agradável de se olhar. Talvez seja agradável de tocar. Pode ser fino e delicado. Mas não há fragrância — nenhuma fragrância.
É somente quando se retira a tampa e se quebra o frasco que o óleo é derramado sobre a cabeça e os pés do nosso Senhor Jesus. A Bíblia diz que a fragrância se espalhou por toda a casa. Todos sentiram seu aroma.
Muitas vezes, nós nos consideramos um frasco de alabastro. Na verdade, somos vasos de barro.
Como tentamos proteger esse frasco de alabastro! Não deixamos ninguém nos tocar. Ele deve ser colocado sobre a lareira, para que as pessoas o admirem.
Mas, enquanto permanece intacto, enquanto finge ser perfeito, o óleo, o unguento, a fragrância, o resplendor de Cristo ficam aprisionados.
Deixem que ele seja quebrado. Quebrem-no sobre o Senhor. Somente quando estivermos dispostos a ser quebrantados a fragrância de Cristo se espalhará por toda a casa.
Irmãos e irmãs, não fiquem abatidos porque falham. Não sintam tanta vergonha porque os irmãos e as irmãs percebem que vocês ainda são humanos. Deem graças a Deus por isso.
Vocês nunca sabem: quando são quebrantados, a fragrância de Cristo é manifestada. Antes, eram vocês; mas agora já não são vocês. É Cristo. Isso é vida espiritual.
É claro que essa fragrância, esse aroma de Cristo, vem do nosso conhecimento Dele. À medida que O conhecemos — que O conhecemos pela experiência, que realmente O conhecemos, não apenas na mente, mas na vida e na experiência —, a fragrância é manifestada.
Quando você não tem descanso em seu espírito, parece que fracassou, mas, ainda assim, Ele o conduz em triunfo em Cristo. Isso é uma experiência. Quando você está fraco, então é forte. Isso é uma experiência. Esse é o conhecimento de Cristo, e o conhecimento de Cristo se torna essa fragrância.
Irmãos e irmãs, isso é algo que está na sua vida. Vocês não precisam abrir a boca. Agora, não quero dizer que não devam abrir a boca. Quero mesmo encorajar os irmãos e as irmãs a abrir a boca. Sinto que a boca de muitos irmãos e irmãs está selada, mas não foi selada por Deus; foi selada pelo inimigo. Precisa ser aberta.
Devemos louvar ao Senhor. Devemos engrandecer Seu nome. Devemos testemunhar da Sua bondade. Devemos oferecer o sacrifício de louvor, pois o louvor dos nossos lábios é um sacrifício a Deus. Devemos, sim, devemos.
Mas estou falando de outra coisa: não pensem que o conhecimento que vocês têm do Senhor precisa se manifestar pela boca. Se for assim, é muito triste. Se o seu conhecimento de Cristo precisa se manifestar pela boca, é muito triste. Isso mostra que é apenas um conhecimento mental.
Se vocês têm um conhecimento verdadeiro de Cristo, mesmo quando não dizem nada, ele se espalha. Mesmo quando falham, ele se espalha. É isso que a fragrância é. Vocês não têm controle sobre ela.
É como o rosto de Moisés, que resplandecia: ele não sabia disso.
Oh, irmãos e irmãs, quanto nós O conhecemos? Quanto nós O conhecemos em nossa experiência? Muitas vezes, vocês não O experimentam até descobrirem sua fraqueza, porque não precisam Dele se são fortes.
Mas, graças a Deus, por meio da nossa experiência de vida com Ele, a fragrância de Cristo está conosco. Nós nos tornamos a fragrância de Cristo.
Aqui Paulo usa uma ilustração:
Porque somos para Deus o bom aroma de Cristo, entre os que são salvos e entre os que perecem:
para uns, aroma de morte para morte;
mas, para outros, aroma de vida para vida.
Paulo usa uma ilustração dos tempos romanos. Eles tinham o que chamavam de procissão triunfal. Quando um general saía, conquistava um país, subjugava os inimigos, matava pelo menos cinco mil inimigos, alcançava uma vitória completa e estava presente no campo quando a vitória era conquistada, o Império Romano concedia àquele general conquistador sua maior honra: uma procissão triunfal.
Quando ele voltava, havia uma procissão na cidade de Roma. Toda a cidade participava. Os senadores e as autoridades do Estado marchavam à frente. Depois deles vinham os sacerdotes e os sacrifícios.
Em seguida, vinham pessoas espalhando incenso, queimando incenso. Dizem que, naquela ocasião, todas as ruas — todos os lugares ao longo das ruas — tinham incenso queimando.
Depois vinham os cativos. Todos os cativos marchavam diante do general. Estavam acorrentados, como demonstração da sua vitória. Então vinha o general, vestido esplendidamente, e atrás dele vinha seu exército vitorioso.
Quando a procissão terminava, aqueles cativos eram mortos ou vendidos como escravos. Mas os soldados que haviam participado da batalha eram recompensados.
É por isso que Paulo disse que somos o aroma, a fragrância de Cristo. É o mesmo odor, a mesma fragrância, o mesmo aroma por toda a cidade. Mas, para os cativos, era um aroma de morte. Por quê? Porque, quando sentiam aquele aroma, ele significava morte. Eles iriam morrer.
Mas, para o exército vitorioso, era de vida para vida. Eles viveriam e seriam recompensados. É por isso que Paulo disse:
Quem é suficiente para estas coisas?
Tremendo, tremendo.
Agora, queridos irmãos e irmãs, o que é vida espiritual? A vida espiritual é:
Já não sou eu, mas Cristo vive em mim;
e a vida que agora vivo na carne,
vivo pela fé do Filho de Deus,
Que me amou e Se entregou por mim.
O que é vida espiritual? A vida espiritual é a sentença de morte, o sim em Cristo e a fragrância de Cristo. Vocês veem a combinação desses três elementos.
De um lado, há a sentença de morte, que trata com a vida do eu em nós. Do outro lado, há o “Sim, em Cristo”. É a vida de Cristo, que é sim, sempre sim.
No entanto, vocês descobrem que é a vida divina na vida humana: a fragrância de Cristo, que é a combinação da vida de Cristo com o vaso de barro. É a vida de Cristo se difundindo através do vaso de barro.
Enquanto vivemos neste mundo, somos a luz do mundo. Somos o sal do mundo. Somos a fragrância de Cristo. Queridos irmãos e irmãs, à medida que seguimos na jornada da nossa vida e entramos em contato com diferentes pessoas, para algumas isso significará morte; para outras, significará vida.
Ninguém pode entrar em contato com a vida espiritual sem ser levado à morte ou ser ressuscitado em vida. É isso que a vida cristã é. É isso que a vida espiritual é.
Paulo disse:
Quem é suficiente para estas coisas?
Não é tremendo? Mas é isso que somos. É isso que a vida espiritual é.
Na verdade, é isso que Cristo é. Ninguém pode tocar Nele sem que haja morte ou vida. Como isso é verdadeiro em Cristo, e a vida espiritual é Cristo, também deve ser verdadeiro em nós. Portanto, que o Senhor nos ajude. Vamos orar?
Oh, Pai celestial, nós Te louvamos e Te agradecemos porque Tu não eliminaste a humanidade em nós, mas, em vez disso, Tu a purificas, Tu habitas nela e Tu Te manifestas por meio dela.
Ó Senhor, nós Te pedimos que sejamos abertos, sinceros e autênticos diante de Ti; que sejamos sempre humildes diante de Ti, sabendo que somos fracos. Seria uma surpresa se fôssemos fortes.
Senhor, nós nos gloriamos em nossa fraqueza, para que Cristo, o poder de Deus, seja manifestado. Senhor, sabemos que isso é um testemunho tremendo, e desejamos conhecer-Te mais, para que a fragrância de Cristo aumente e Tu sejas glorificado na igreja.
Em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.