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    The Spiritual Man: Authority © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Spiritual Man: Authority
    The Spiritual Man: Authority
    Kaung, Stephen

    O Homem Espiritual e a Autoridade Espiritual

    Leitura Bíblica: 2 Coríntios 10:1-8

    Ora, eu mesmo, Paulo, vos rogo pela mansidão e benignidade de Cristo, eu que, na vossa presença, sou humilde entre vós, mas, estando ausente, tenho ousadia para convosco; sim, vos suplico que, estando presente, não tenha de usar de ousadia com a confiança com que penso agir corajosamente contra alguns que nos consideram como se andássemos segundo a carne. Porque, embora andemos na carne, não militamos segundo a carne; pois as armas da nossa milícia não são carnais, mas poderosas diante de Deus para a destruição de fortalezas; derrubando imaginações e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo; e estando prontos para punir toda desobediência, quando a vossa obediência estiver completa. Olhais para as coisas segundo a aparência. Se alguém confia em si mesmo que é de Cristo, considere novamente consigo mesmo que, assim como ele é de Cristo, também nós o somos. Porque, ainda que eu me glorie um tanto mais a respeito da nossa autoridade, a qual o Senhor nos deu para a vossa edificação, e não para a vossa destruição, não serei envergonhado.

    Vamos nos voltar ao Senhor em oração.

    Nosso Pai, nós Te louvamos e Te agradecemos porque podemos nos reunir em Tua presença para ouvir Tua Palavra. Pedimos apenas, ó Senhor, que abras nossos ouvidos e nosso coração à Tua voz. Oramos para que, à medida que Tua Palavra for transmitida, Tu fales ao nosso coração.

    Que Tu realizes a obra que tens realizado e estás realizando no meio do Teu povo, para que Teu nome seja honrado e glorificado. Entregamos este tempo em Tuas mãos e confiamos em Ti, em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.

    O Homem Espiritual em 2 Coríntios

    Há algum tempo, estávamos estudando esta segunda carta aos coríntios, e eu me pergunto se nos lembramos de alguma coisa. Sabemos que esta segunda carta aos coríntios é um livro muito singular. Por quê? Porque é considerada a autobiografia de Paulo.

    Aqui encontramos um homem em Cristo, e esse homem em Cristo é caracterizado pela espiritualidade. Em 1 Coríntios, vemos que a igreja em Corinto é caracterizada pela carnalidade; mas, em 2 Coríntios, encontramos esse homem marcado pela espiritualidade.

    Se considerarmos o livro inteiro de 2 Coríntios, podemos dividi-lo, em linhas gerais, da seguinte maneira:

    • Nos capítulos 1 e 2, a vida espiritual nos é explicada.
    • Do capítulo 3 ao capítulo 7, o ministério espiritual é definido.
    • Nos capítulos 8 e 9, temos a contribuição espiritual.
    • Nos últimos quatro capítulos, do capítulo 10 ao capítulo 13, encontramos o homem espiritual.

    No passado, tivemos um pouco de comunhão sobre o que é a vida espiritual e sobre o que é o ministério espiritual. Lembro-me de que, há muito tempo, também entramos nessa questão da contribuição espiritual. Portanto, não voltaremos a isso. Se Deus permitir, gostaríamos de continuar com os últimos quatro capítulos de 2 Coríntios.

    Os últimos quatro capítulos de 2 Coríntios tratam do homem espiritual. Agora, é claro, irmãos e irmãs, se vocês lerem uma biografia, verão que ela normalmente é composta de duas coisas: vida e serviço, ou ministério.

    Geralmente, quando vocês leem uma biografia, percebem que aquilo que se menciona no livro diz respeito à vida da pessoa e ao seu trabalho, ou ao seu ministério, porque uma biografia é composta principalmente dessas duas coisas. Já abordamos a vida e o ministério, mas há muito mais em Paulo que encontramos nos últimos quatro capítulos — algo mais a respeito desse homem em Cristo, desse homem espiritual.

    O Desejo de Deus por Homens Segundo o Seu Coração

    Em primeiro lugar, encontramos esta declaração:

    Conheço um homem em Cristo.

    Agora, irmãos e irmãs, lembremo-nos de que o que Deus deseja é o homem. Deus não está à procura de anjos, nem de espíritos. Deus quer homens.

    No princípio, Deus criou o homem segundo a Sua própria imagem. Deus fez o homem com a capacidade de recebê-Lo, para que Deus pudesse habitar no homem e unir-Se a ele, e para que o homem pudesse manifestar a glória de Deus.

    Mas Adão pecou. Mesmo depois de Adão ter pecado, vemos que Deus não desistiu do homem. Ele veio ao jardim do Éden e disse:

    Adão, onde estás?

    Isto é: “Homem, onde você está?” Deus tem procurado o homem e ainda o procura, porque esse é o propósito original de Deus.

    Deus quer homens, mas homens segundo o Seu próprio coração. Quando vocês leem o Antigo Testamento, descobrem que, aqui e ali, Deus encontrou alguns homens. Encontramos alguns vislumbres do homem que Deus procura: em Abel, em Enoque, em Abraão, em Isaque, em Jacó, em José, em Moisés, em Davi, em Daniel e em todas essas pessoas do Antigo Testamento.

    Encontramos vislumbres do homem que Deus realmente procura. Mas todos esses homens são apenas partes e fragmentos do homem que Deus realmente tem em Seu coração. Somente quando chegamos ao Novo Testamento encontramos o Homem segundo o próprio coração de Deus: o nosso Senhor Jesus Cristo.

    É por isso que, no Novo Testamento, quando nosso Senhor Jesus estava na terra, os céus se abriram repetidas vezes, e deles veio a declaração:

    Este é o Meu Filho amado, em Quem está o Meu prazer.

    “Eu Me agrado Dele. Estou verdadeiramente satisfeito.” Deus encontrou o Seu Homem em Cristo.

    Mas esse Homem é um Homem corporativo. Nosso Senhor Jesus não é apenas um Homem individual; nosso Senhor Jesus é um Homem corporativo. Ele não é apenas um homem. Ele é a Cabeça representativa de uma nova humanidade.

    É por isso que, por meio da morte e da ressurreição do nosso Senhor Jesus, Deus pode trazer para dentro de Cristo muitos homens conformados a Ele: o novo homem, no sentido corporativo, e homens em Cristo, no sentido individual. É isso que Deus realmente procura.

    Em primeiro lugar, irmãos e irmãs, lembremo-nos de que o que Deus realmente procura é o homem. Ele quer que sejamos homens segundo o próprio coração de Deus — não anjos, não espíritos. Ele não quer espíritos; Ele quer homens: humanos e, ainda assim, divinos.

    Somos seres humanos e, no entanto, temos a vida divina em nós. A vida divina em nós precisa nos transformar, para que a Sua vida divina possa ser expressa por meio desta vida humana. É isso que Deus realmente deseja.

    A Maturidade Espiritual como Propósito de Deus

    Agora, em segundo lugar: Deus quer homens. Isso significa que o desejo de Deus não é ter bebês; Seu desejo é ter pessoas adultas. É claro que precisamos começar como bebês, mas o propósito final de Deus é a maturidade.

    Na igreja em Corinto, vemos que havia muitos bebês. Há um lugar e um tempo para a infância. Paulo diz:

    Quando estive convosco, tratei-vos como crianças, como bebês em Cristo.

    E era assim que deveria ser.

    Mas, depois de tantos anos, Paulo diz:

    Ainda tive de vos tratar como bebês em Cristo.

    Por quê? Porque vocês não cresceram. Deus quer homens, não apenas bebês. Depois de nascermos de novo, depois de passarmos por um período de infância, devemos crescer até a maturidade — tornar-nos adultos.

    É isso que encontramos em Efésios 4:

    Que todos cheguemos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, ao estado de homem plenamente desenvolvido, à medida da estatura da plenitude de Cristo; para que não sejamos mais crianças, levadas de um lado para outro por todo vento de doutrina.

    Na malícia, sede crianças; mas, no entendimento, sede adultos.

    Precisamos nos manter firmes como homens — crescidos, maduros em Cristo.

    Quando vocês vão ao Antigo Testamento, descobrem que, quando Deus ordenou a Moisés que construísse o tabernáculo, ele foi construído com cortinas, mas essas cortinas eram sustentadas por tábuas. Em Êxodo 26, vemos que essas tábuas eram feitas de madeira de acácia — uma madeira forte.

    Elas tinham dez côvados de altura e um côvado e meio de largura. A Bíblia diz que ficavam em pé. Essas tábuas ficavam em pé e, assim, formavam a estrutura do tabernáculo. Há responsabilidade nisso, e é por essa razão que elas precisam ficar em pé.

    É claro que sabemos que dez fala de responsabilidade. Por que um e meio? Isso mostra que nenhuma tábua é completa em si mesma. Ela precisa estar unida a outra tábua, e é por isso que temos ali a casa. De qualquer maneira, vemos que o que Deus realmente deseja são homens crescidos, maduros em Cristo Jesus.

    Não podemos permanecer na infância o tempo todo. Agora, quanto aos bebês, todos gostamos deles porque são tão inocentes. Mas, se depois de vários anos eles ainda continuarem como bebês, então alguma coisa deve estar errada.

    Devemos conservar a simplicidade de uma criança, mas certamente não devemos ser infantis. Se continuarmos sendo infantis como bebês, isso realmente entristece o coração dos pais.

    Portanto, em segundo lugar, vemos que Deus quer homens crescidos. É por isso que precisamos crescer na graça. Precisamos crescer no conhecimento de Jesus Cristo. Precisamos crescer na fé. Precisamos crescer na experiência do nosso Senhor Jesus, e não simplesmente permanecer como éramos quando fomos salvos.

    Homens e Mulheres em Cristo

    Em terceiro lugar: Deus quer homens. Deus quer pessoas adultas. Deus quer homens em Cristo — não homens de qualquer tipo, mas homens e mulheres em Cristo, não em Adão, não em nós mesmos, mas em Cristo.

    Por Deus, fomos colocados em Cristo, e Cristo Se tornou nossa sabedoria, justiça, santidade e redenção. Um homem em Cristo é um homem cheio de Cristo. Cristo Se tornou sua vida. Cristo é seu Alfa e seu Ômega. Cristo foi formado nele.

    É por isso que, quando as pessoas entram em contato com esse homem, entram em contato com Cristo, porque ele é um homem em Cristo, e Cristo está sendo expresso por meio dele. Esse é o tipo de homem que Deus realmente procura.

    Queridos irmãos e irmãs, os crentes coríntios eram homens em Adão. Embora fossem salvos, em sua vida diária a condição deles era tal que ainda permaneciam em Adão. É por isso que aquilo que expressavam, tanto em sua vida individual como em sua vida em conjunto, era de natureza adâmica. Era natural; era carnal.

    Mas aqui está um homem chamado Paulo, e esse homem é um homem em Cristo. Em tudo o que é expresso por meio desse homem, vemos que não é Paulo; é Cristo. Esse é o homem que Deus realmente procura.

    A Prova da Pressão

    Vocês sabem, irmãos e irmãs, que não conhecemos realmente uma pessoa até que ela seja colocada sob pressão. Nos dias comuns, quando não há pressão, quando nada está acontecendo, todos podem ser muito espirituais — ou, pelo menos, parecer muito espirituais.

    Mas é quando somos colocados sob pressão que a realidade do que somos começa a aparecer. Se somos homens em Cristo, espirituais, ou se ainda somos carnais, isso se manifesta em nossa reação.

    É por isso que os últimos quatro capítulos de 2 Coríntios são tão preciosos. Por quê? Porque, nesses últimos quatro capítulos, encontramos um homem, Paulo, colocado sob tremenda pressão.

    Alguns comentaristas pensam que 2 Coríntios é a defesa que Paulo faz de sua autoridade apostólica. Em Corinto, havia algumas pessoas que duvidavam do apostolado de Paulo. Havia pessoas que se opunham a Paulo de tal maneira que tentavam rebaixá-lo e até negavam que ele fosse apóstolo. Assim, Paulo foi colocado sob tremenda pressão.

    Mas, quando essa pressão foi colocada sobre Paulo, irmãos e irmãs, observem como ele reagiu. Uma reação revela que tipo de pessoa você é.

    Os crentes coríntios pensavam que estavam lidando com um bebê. Desprezavam Paulo. Não davam nenhuma importância a ele. Diziam que, quando Paulo estava entre eles, sua presença pessoal era fraca; ele não era ninguém.

    Mas, se vocês lerem os últimos quatro capítulos de 2 Coríntios, descobrirão que eles se depararam com um homem. Paulo não é um bebê em Cristo; ele é um homem em Cristo. E que homem ele é!

    Embora tenha autoridade, ele diz:

    Rogo-vos pela mansidão e benignidade de Cristo.

    Por outro lado, porém, vemos que ele é ousado como um leão. Ele não é nada fraco.

    Se vocês lerem os últimos quatro capítulos, encontrarão expressões como a mansidão e a benignidade de Cristo, poderoso diante de Deus, a obediência de Cristo, a verdade de Cristo e o poder de Cristo. Vocês encontram Cristo. Na verdade, não encontram Paulo.

    Sua reação é Cristo. Sua reação à pressão é Cristo. Não é o próprio Paulo. Nesse aspecto, vocês percebem que homem espiritual ele é.

    Como medimos nossa estatura espiritual? Não nos dias tranquilos, mas quando estamos sob pressão — quando somos mal compreendidos, quando somos atacados, quando somos deixados de lado ou quando alguém faz alguma coisa contra nós. Como reagimos?

    Nossa reação fala de Cristo ou fala de nós mesmos? É assim que mostramos nossa espiritualidade ou revelamos e expomos nossa carnalidade.

    Nesses últimos quatro capítulos, vemos que, quando Paulo está sob tremenda pressão, ele reage como um homem em Cristo. Não vemos Paulo; vemos Cristo em todas as suas reações. Eu realmente espero no Senhor que isso seja verdadeiro em todos nós.

    A Autoridade Espiritual

    Esses últimos quatro capítulos nos mostram o que realmente é um homem espiritual. Nesta manhã, provavelmente abordaremos apenas um ponto e, talvez, se Deus permitir, mais adiante possamos abordar os outros. Em primeiro lugar, vemos que um homem espiritual é um homem com autoridade.

    Agora, queridos irmãos e irmãs, não nos sentimos muito à vontade com a palavra autoridade. Temos medo da autoridade. Pensamos que a autoridade é o oposto da liberdade.

    Queremos ser livres e, graças a Deus, somos livres. Somos livres em Cristo Jesus. Mas, em nossa maneira de pensar, sempre colocamos autoridade e liberdade em polos opostos.

    Pensamos que, se há liberdade, então tudo deve ser permitido a todos, sem autoridade nem ordem alguma. Cada um simplesmente faz o que acha melhor. É exatamente como encontramos na última frase do livro de Juízes:

    Cada um faz o que é bom aos seus próprios olhos, porque não há rei.

    Um rei representa autoridade.

    Quando não há autoridade, cada um faz o que considera melhor. Tudo é permitido a todos. Quando isso acontece, vemos que não há ordem, não há unidade, não há força e não há edificação.

    A nação inteira, naquela época, estava dispersa, fraca, oprimida e exposta aos ataques do inimigo. Por quê? Porque não havia rei. Não havia autoridade.

    Pensamos que, quando a autoridade entra, a liberdade sai. Queridos irmãos e irmãs, provavelmente isso é verdade quanto à autoridade deste mundo, mas certamente não é verdade quanto à autoridade espiritual.

    Por quê? Porque nada edifica mais o corpo de Cristo do que a autoridade. Paulo diz:

    Deus me dá autoridade não para derrubar, não para destruir, não para demolir, mas Deus me dá autoridade para edificar.

    Em outras palavras, a autoridade é dada com o propósito de edificar o corpo de Cristo. Onde não há autoridade, não há edificação. Como vocês podem edificar se não há autoridade? Como podem unir as pedras se não há autoridade?

    Se todos querem ser rei, como vocês podem cimentar todas essas pedras vivas e edificá-las em uma construção tridimensional? Se não há autoridade, tudo o que vocês terão será apenas um plano. Todos são iguais, e cada um faz o que acha certo. Não haverá beleza alguma.

    Portanto, nas Escrituras, vemos que a autoridade ocupa um lugar muito importante no corpo de Cristo. A autoridade não interfere na liberdade. Na verdade, a autoridade garante a liberdade.

    Aqui está um homem, um homem em Cristo. Ele é um homem com autoridade. Mas o que é autoridade?

    A Autoridade como Expressão da Vida Divina

    A autoridade espiritual é muito diferente da autoridade deste mundo. Vocês se lembram de que, quando nosso Senhor Jesus estava na terra, mesmo entre Seus poucos discípulos — apenas doze — eles estavam sempre tentando se colocar no lugar de autoridade.

    É claro que não ousavam tomar o lugar de Cristo, mas pelo menos queriam estar ao lado Dele. Ao longo dos três anos em que seguiram o Senhor, estavam sempre disputando e brigando uns com os outros, tentando conseguir o lugar ao lado de Cristo — à Sua direita e à Sua esquerda.

    Por quê? Porque pensavam que a autoridade era uma questão de posição. Se conseguissem chegar a determinada posição, então poderiam ter determinada autoridade. Pensavam que, por meio da autoridade, poderiam governar outras pessoas, exercer domínio sobre elas, dar ordens, mandar e estar acima dos outros.

    Essa é a ideia neste mundo e, no que diz respeito ao mundo, isso é verdade. Mas o Senhor Jesus disse:

    Não é assim entre vós.

    Entre vós, se alguém quer ser o primeiro, deve ser o último. Se alguém quer ser o cabeça, então deve ser aquele que serve. O Filho do Homem veio a este mundo não para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida em resgate por muitos.

    Em outras palavras, a autoridade espiritual é vida, não posição. Não há autoridade senão a de Deus. Em Romanos 13, vemos que toda autoridade vem de Deus. Não há autoridade que não venha de Deus.

    Dito de outra maneira, Deus é a autoridade do universo. Por que Ele é a autoridade do universo? Porque Ele criou o universo. Todo o universo pertence a Ele. Ele é o Dono de tudo. Portanto, Ele tem autoridade sobre todas as coisas.

    Nosso Senhor Jesus tem autoridade sobre todas as coisas. Ele tem o primeiro lugar em todas as coisas. Por quê? Porque toda a plenitude da Divindade habita Nele corporalmente. Ele é o Redentor; portanto, Ele é a Cabeça da nova criação. Ele tem autoridade sobre a nova criação porque é sua Cabeça e seu Redentor.

    Não há autoridade senão a de Deus. Não há autoridade senão a de Cristo.

    Se Deus delegar Sua autoridade a alguém, é porque Ele deu a Si mesmo àquela pessoa. A autoridade não é algo que você reivindica. A autoridade é Alguém de Quem você está cheio.

    Você não pode reivindicar autoridade. Mas, se estiver cheio de Cristo, há autoridade conferida a você. A medida de Cristo em sua vida é a medida da autoridade que Deus delegou a você.

    É por isso que todos os membros do corpo de Cristo têm alguma autoridade neles.

    A Submissão Mútua no Corpo de Cristo

    Em Efésios 5, há um trecho que frequentemente lemos nos casamentos: Efésios 5:22-33. Mas, infelizmente, não começamos pelo versículo 21:

    Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo.

    Depois vêm as esposas; depois, os maridos.

    Em outras palavras, precisamos nos submeter uns aos outros no temor de Cristo. Como corpo de Cristo, como membros do corpo de Cristo, cada membro tem algo de Cristo em si. Pelo menos somos salvos; temos Cristo em nós.

    Portanto, todos têm uma medida de Cristo, por menor que seja. Como cada membro tem uma medida de Cristo em si, precisamos nos submeter uns aos outros no temor de Cristo.

    Quando me submeto ao meu irmão, submeto-me a ele por causa de Cristo. No temor de Cristo — isto é, quando vejo Cristo nele, submeto-me ao Cristo que está nele. O Cristo que está nele é a autoridade para mim.

    O mesmo acontece com vocês. Nós nos submetemos uns aos outros no temor de Cristo. Nós nos submetemos uns aos outros, não nas coisas que pertencem a você ou a mim, mas nas coisas que pertencem a Cristo. É a Cristo em vocês, a Cristo em nós, que nos submetemos.

    Se é assim, a submissão não é tão difícil. Se ao menos pudermos ver Cristo em nossos irmãos e irmãs, então saberemos a quem devemos nos submeter.

    Às vezes, Cristo pode ser expresso por meio de um pequeno irmão ou de uma pequena irmã. Quando isso acontece, os membros maiores precisam se submeter. É claro que aqueles membros maiores, que têm uma medida maior de Cristo, provavelmente devem receber mais submissão das outras pessoas. Por quê? Porque Cristo é mais manifestado neles.

    Em primeiro lugar, lembremo-nos: um homem espiritual não é uma pessoa sem autoridade. Você não pode ser um homem espiritual se não houver autoridade. Mas essa autoridade não é algo de que você se apodera. Essa autoridade é algo que nasce e lhe é dado porque Cristo está incorporado à sua vida em maior medida.

    É Cristo. Lembremo-nos: não importa quanto Deus delegue Sua autoridade a você, você não é uma autoridade — nunca. Você é apenas um canal da autoridade de Deus. Isso não faz de você uma autoridade.

    Quando você se torna tão insensato a ponto de pensar que, por ter sido usado por Deus e ter recebido autoridade, agora é uma autoridade e pode fazer as coisas por si mesmo, queridos irmãos e irmãs, essa é a sua queda.

    Essa tem sido a queda de muitos entre o povo de Deus ao longo dos séculos. Deus os usou anteriormente. A autoridade de Deus foi manifestada em sua vida. Mas eles se deixaram enlouquecer pela ideia de que agora eram autoridades, e isso pôs fim a tudo.

    Nunca somos autoridades. Somos apenas canais da autoridade de Deus. Sem Deus, não há autoridade alguma.

    A autoridade de Deus em nós é medida pela vida — isto é, pela vida espiritual em nós. Quanto de Cristo está realmente incorporado à nossa vida? Essa medida de Cristo é a medida da autoridade espiritual que está em nós.

    O Reconhecimento da Autoridade na Igreja

    Lembro-me de que um querido irmão, Watchman Nee, nos disse: “Quando você vai à igreja, a primeira coisa que precisa aprender é reconhecer a autoridade”.

    Pensem nisso. Quando o povo de Deus se reúne como igreja, como um corpo corporativo, a primeira coisa que precisamos saber é reconhecer a autoridade. A quem devemos nos submeter?

    O problema do povo de Deus hoje é que o povo de Deus não reconhece a autoridade. Queremos democracia. Agora, a democracia é boa para as nações deste mundo, mas o reino de Deus é uma teocracia, não uma democracia.

    No reino de Deus, não podemos nos dar ao luxo de ficar sem autoridade. Precisamos aprender a reconhecer a autoridade.

    Provavelmente, a primeira coisa que você procura quando vem à igreja é liberdade. Você quer liberdade. Você percebe que, neste mundo, nas organizações, não tem liberdade. Seja em uma empresa, em uma casa ou em uma escola, há autoridade, e você percebe que, de alguma maneira, está limitado.

    Por isso, você vem à igreja e espera que nela possa ter liberdade — que possa fazer tudo o que quiser. Irmãos e irmãs, vocês vieram ao lugar errado.

    Se você vem à igreja, a primeira coisa que precisa aprender é reconhecer a autoridade. Você precisa reconhecer Cristo como a autoridade. Precisa colocar-se sob o governo de Cristo como Cabeça.

    Depois, em segundo lugar, você precisa submeter-se aos seus irmãos e irmãs à medida que vê Cristo na vida deles. Somente quando reconhecemos a autoridade é que podemos ser edificados juntos.

    A autoridade é necessária para a edificação. Lembro-me de que outro irmão disse que há duas coisas de que a igreja mais precisa: uma é vida, e a outra é autoridade. Mas, é claro, sabemos que vida é autoridade, e autoridade é vida.

    O Exercício Contido da Autoridade

    Mas olhem para Paulo. Aqui está um homem que tem uma medida tão grande de Cristo em si. Portanto, ele é um homem com autoridade — autoridade apostólica. No entanto, vemos como ele relutava em usar sua autoridade apostólica.

    Como apóstolo, ele poderia muito facilmente exercer sua autoridade apostólica sobre os crentes coríntios. Ele disse:

    Se não sou apóstolo para outros, ao menos sou apóstolo para vós.

    Por quê? Porque o próprio fato de eles estarem em Cristo era resultado do seu ministério.

    Paulo certamente era apóstolo para os crentes coríntios. Poderia dar-lhes ordens e determinar o que deveriam fazer. Mas ele disse: “Prefiro persuadir vocês”.

    Portanto, vemos que, no início desses últimos quatro capítulos, enquanto Paulo — como dizem algumas pessoas — defende sua autoridade apostólica, a primeira coisa que menciona é a mansidão e a benignidade de Cristo: não força, não severidade, mas a mansidão e a benignidade de Cristo.

    Vocês percebem como Paulo relutava em usar sua autoridade apostólica. Onde há autoridade, haverá contenção. Onde não há autoridade, as pessoas gostam de exercê-la.

    Há uma diferença muito grande entre autoridade espiritual e ser autoritário. Gostamos de ser autoritários, mas ser autoritário é muito diferente de ter autoridade.

    Se você realmente tem autoridade espiritual, não precisa ser autoritário. Você precisa ser autoritário porque não tem autoridade e tenta fazer parecer que tem.

    Paulo não precisava ser autoritário. Pelo contrário, vemos que ele exercia a autoridade com grande contenção e muita relutância. Ele disse:

    Não quero vir com a severidade da autoridade que Deus me deu.

    Na mansidão de Cristo, aqueles que têm autoridade espiritual a exercerão com contenção. Mas isso não deve ser considerado fraqueza, porque facilmente pode ser interpretado dessa maneira.

    Foi assim que os crentes coríntios interpretaram mal Paulo. Pensavam que Paulo era fraco. Por quê? Porque ele não era autoritário; não dava ordens nem fazia exigências. Ele suplicava com a mansidão e a benignidade de Cristo.

    A Obediência como Caminho para a Autoridade

    A autoridade espiritual vem pelo caminho da obediência. Você não chega à autoridade por meio de disputas e lutas. Você chega à autoridade pelo caminho da cruz.

    Vocês se lembram do que o Senhor Jesus disse aos dois filhos de Zebedeu:

    Podeis beber o cálice que estou para beber? Estais dispostos a ser batizados com o batismo com que Eu sou batizado?

    Deveis beber o cálice que Eu bebo. Deveis ser batizados com o batismo com que Eu sou batizado. Mas assentar-vos à Minha direita e à Minha esquerda não Me cabe conceder; cabe ao Meu Pai, Que está no céu, concedê-lo.

    Em outras palavras, o caminho para a autoridade é o caminho da cruz. O cálice significa a vontade do Pai — obediência à vontade do Pai. O batismo é a cruz. Portanto, o caminho para a autoridade é pelo cálice, pelo batismo, pela cruz, pela obediência.

    Em Filipenses 2, vemos que, embora nosso Senhor Jesus fosse igual a Deus — e isso não era algo de que precisasse Se apoderar, porque Ele era Deus e é Deus —, ainda assim Ele esvaziou a Si mesmo. Ele tomou a forma de homem e humilhou-Se ainda mais, tornando-Se obediente ao Pai até a morte, sim, a morte de cruz.

    Por causa disso, o Pai O exaltou sobremaneira e Lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre e toda língua confesse que Jesus é Senhor.

    Em outras palavras, como Cristo chegou ao lugar de autoridade suprema? Pelo caminho da obediência, pelo caminho do esvaziamento, pelo caminho da humildade e pelo caminho da cruz. Portanto, o caminho para a autoridade é o caminho da obediência.

    Queridos irmãos e irmãs, se aprendermos mais a obedecer uns aos outros, em vez de tentar exercer domínio uns sobre os outros, receberemos mais autoridade do alto.

    A Relação entre Autoridade e Amor

    Além disso, autoridade e amor caminham juntos. Em outras palavras, a autoridade deve ser exercida em amor.

    Olhem para Paulo. Ele é um homem cheio de autoridade e, no entanto, como é cheio de amor! Nesses últimos quatro capítulos, vocês podem ver seu amor pelos crentes coríntios.

    Ele disse:

    Quem é fraco, que eu também não seja fraco? Quem é levado a tropeçar, que eu não me inflame?

    Ele disse:

    Estou disposto a gastar e a me deixar gastar por vós, ainda que, quanto mais vos ame, menos seja amado. Mesmo assim, estou disposto a me entregar completamente por vós.

    Estou disposto a ver que vós sois fortes e eu sou fraco; que vós estais em honra, e eu em desonra. Estou disposto a isso.

    Em outras palavras, há tanto amor no coração de Paulo. Quando a autoridade é exercida em amor, ela é muito eficaz.

    Ou posso dizer de outra maneira? O amor é autoridade. Se houver amor, haverá autoridade.

    Autoridade não é fazer exigências. Não é exercer domínio sobre os outros. Autoridade é dar o exemplo. Autoridade é servir, ministrar e entregar-se pelos outros. Queridos irmãos e irmãs, onde há amor, encontramos a autoridade manifestada.

    Assim, aqui encontramos um homem em Cristo. Ele é um homem espiritual. É um homem com autoridade. Que tipo de autoridade? Vemos que, ao tocar essa autoridade, tocamos Cristo.

    Por causa disso, se alguém resistir a essa autoridade, Paulo diz que haverá severidade. É algo sério resistirmos à autoridade de Cristo.

    Autoridade, Liberdade e Edificação da Igreja

    Nesta manhã, penso que compartilharei apenas isto: precisamos recuperar, diante de Deus, essa questão da autoridade na igreja.

    Nunca, nunca pensem que a igreja é um lugar onde cada um pode fazer simplesmente o que quiser. Lembrem-se: a igreja é o lugar onde aprendemos a reconhecer a autoridade, onde aprendemos a nos submeter uns aos outros e onde aprendemos a exercer autoridade em amor.

    Na verdade, quando as coisas acontecem da maneira que Deus deseja — ou, dito de outra forma, quando o Espírito de Deus tem Sua mão sobre Seu povo —, vemos que a autoridade está oculta.

    É somente quando as coisas vão mal que a autoridade se torna manifesta. Onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. Quando o Espírito do Senhor está no controle, vocês têm liberdade; vocês desfrutam de liberdade, e a autoridade parece estar oculta.

    Por quê? Porque a autoridade está ali. A autoridade do Espírito Santo está ali. Mas, quando as pessoas não acompanham o mover do Espírito, quando há desordem, então a autoridade se manifesta. É assim que encontramos nas Escrituras.

    Agora, irmãos e irmãs, Deus quer homens — pessoas adultas, homens em Cristo. Ele quer ver espiritualidade ali; isto é, Ele mesmo está ali.

    Se Ele mesmo está ali, a autoridade está ali, e a submissão está ali. Então vemos que o povo de Deus realmente será edificado em conjunto, e cada um se ajustará ao outro segundo o lugar em que Deus o colocou.

    Vocês se lembram de que Paulo, ainda no capítulo 10, mencionou essa questão da esfera de medida. Deus tem uma esfera; Ele tem uma medida. Ele atribui a cada um uma determinada medida, e precisamos permanecer dentro da nossa medida e não ultrapassá-la.

    Paulo disse:

    Não estou indo além da minha medida.

    Se cada um permanecer dentro da sua medida, vocês verão como nos ajustamos uns aos outros. Isso é autoridade. Isso é autoridade.

    Que o Senhor nos ajude e nos abençoe, e nos conduza à verdadeira liberdade ao reconhecermos a autoridade. Vamos orar?

    Nosso Pai celestial, ao abordarmos esta questão, pedimos que possamos vê-la da maneira como Tu a vês; que não a entendamos no sentido que o mundo lhe dá, mas que possamos realmente ver que Tu és o Deus de autoridade.

    Tu és a Cabeça da Tua igreja, e colocaste Tua vida e Tua autoridade no corpo. Tu as usas para nos edificar juntos, para que possamos ser uma expressão corporativa de Ti mesmo.

    Por isso, Senhor, pedimos apenas que tenhas misericórdia de nós, para que possamos realmente reconhecer a autoridade e entrar de fato na liberdade que vem do Espírito; para que sejamos edificados juntos, em vez de destruir uns aos outros.

    Pedimos em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.