Por favor, abram em 2 Coríntios 11:1-3. Vamos ler os três primeiros versículos.
Quem dera me suportásseis um pouco na minha loucura! Sim, de fato, suportai-me.
Porque zelo por vós com zelo de Deus: pois vos desposei com um só esposo, para vos apresentar como virgem pura a Cristo.
Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, a vossa mente seja corrompida e se aparte da simplicidade e da pureza para com Cristo.
Continuaremos em 2 Coríntios 11:16.
Outra vez digo: ninguém me considere louco; mas, se assim me considerais, recebei-me como louco, para que eu também me glorie um pouco.
O que digo, não o digo segundo o Senhor, mas como em loucura, nesta confiança de gloriar-me.
Visto que muitos se gloriam segundo a carne, também eu me gloriarei.
Porque, sendo vós sábios, de boa vontade suportais os loucos.
Pois suportais quem vos escraviza, quem vos devora, quem vos aprisiona, quem se exalta, quem vos esbofeteia.
Para vergonha minha o digo, como se nós tivéssemos sido fracos. Mas, naquilo em que alguém tem ousadia — falo em loucura —, também eu tenho ousadia.
São hebreus? Também eu. São israelitas? Também eu. São descendência de Abraão? Também eu.
São ministros de Cristo? Falo como quem está fora de si; eu ainda mais: em trabalhos, muito mais; em prisões, muito mais; em açoites, sem medida; em perigos de morte, muitas vezes.
Dos judeus, cinco vezes recebi quarenta açoites menos um.
Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio; uma noite e um dia passei nas profundezas do mar;
em viagens, muitas vezes; em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos da parte dos meus compatriotas, em perigos da parte dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos;
em trabalho e fadiga, em vigílias, muitas vezes; em fome e sede, em jejuns, muitas vezes; em frio e nudez.
Além das coisas exteriores, há o que diariamente pesa sobre mim: a preocupação com todas as igrejas.
Quem enfraquece, que eu também não enfraqueça? Quem é levado a tropeçar, que eu não me inflame?
Se é necessário gloriar-me, gloriar-me-ei nas coisas que dizem respeito à minha fraqueza.
O Deus e Pai do Senhor Jesus, Aquele Que é bendito para sempre, sabe que não minto.
Vamos ler 2 Coríntios 12:11-15.
Tornei-me louco: vós me obrigastes; pois eu devia ter sido recomendado por vós: porque em nada fui inferior aos mais excelentes apóstolos, embora nada seja.
Verdadeiramente, os sinais de um apóstolo foram realizados entre vós com toda a perseverança, por sinais, prodígios e obras poderosas.
Pois em que fostes inferiores às demais igrejas, a não ser no fato de que eu mesmo não vos fui pesado? Perdoai-me esta injustiça.
Eis que esta é a terceira vez que estou pronto a ir ter convosco; e não vos serei pesado: pois não busco o que é vosso, mas a vós: porque não devem os filhos ajuntar para os pais, mas os pais para os filhos.
Eu, de muito boa vontade, gastarei e me deixarei gastar pelas vossas almas. Se vos amo mais abundantemente, sou menos amado?
Abram agora em 1 Coríntios 4:9. Começaremos nesse versículo.
Porque penso que Deus nos colocou, a nós, os apóstolos, em último lugar, como homens condenados à morte: pois nos tornamos espetáculo ao mundo, tanto aos anjos como aos homens.
Nós somos loucos por amor de Cristo, mas vós sois sábios em Cristo; nós somos fracos, mas vós sois fortes; vós tendes honra, mas nós, desonra.
Até esta presente hora, padecemos fome e sede, estamos nus, somos esbofeteados e não temos morada certa;
e labutamos, trabalhando com as próprias mãos: quando injuriados, abençoamos; quando perseguidos, suportamos;
quando difamados, suplicamos: temos sido feitos como a imundície do mundo, o refugo de todas as coisas, até agora.
Não escrevo estas coisas para vos envergonhar, mas para vos admoestar como meus filhos amados.
Pois, ainda que tenhais dez mil instrutores em Cristo, não tendes muitos pais; porque eu vos gerei em Cristo Jesus por meio do evangelho.
Rogo-vos, portanto, que sejais meus imitadores.
Vamos orar.
Nosso Pai celestial, lemos a Tua Palavra e agora pedimos que o Teu Espírito Santo sopre sobre ela e a torne viva e operante na vida de cada um de nós. Pedimos a Ti, ó Senhor, que removas qualquer impedimento, qualquer véu que possa estar sobre o nosso coração.
Pedimos que nos dês um coração que saiba ouvir, para que ouçamos a Tua voz; para que permitamos que operes em nós e nos transformes segundo a Tua própria imagem, a fim de que sejas glorificado. Entregamos este tempo em Tuas mãos. Nós Te louvamos e Te agradecemos, sabendo que estás conosco. Em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Só para lembrá-los, irmãos e irmãs, ultimamente temos considerado juntos esta segunda epístola aos Coríntios. Esta segunda carta aos Coríntios é como uma autobiografia do apóstolo Paulo.
Aqui vemos um homem em Cristo. Ele é um homem — não um anjo, não um espírito, mas um ser humano. É um homem, um homem adulto; não um bebê, não uma criança, mas alguém que amadureceu em Cristo Jesus.
Ele é um homem em Cristo, e Cristo está nele. Cristo Se tornou para ele sabedoria, justiça, santificação e redenção.
E vemos que, nesse homem, especialmente quando está sob uma pressão tremenda, Cristo é manifestado por meio dele.
Queridos irmãos e irmãs, mencionamos da última vez que, na verdade, não sabemos que tipo de pessoa somos até sermos colocados sob pressão. Nos dias comuns, todos podem parecer muito espirituais. Mas é somente quando estamos sob pressão que aquilo que realmente somos é revelado.
Vemos que o apóstolo Paulo estava sob uma pressão tão tremenda porque alguns dos coríntios nem sequer o aceitavam como apóstolo. Eles o rejeitavam. Rejeitavam seu ministério apostólico.
Mas, enquanto ele estava sob essa pressão tremenda, vemos, nos últimos quatro capítulos de 2 Coríntios, que tudo é Cristo. É a mansidão e a benignidade de Cristo. É a verdade de Cristo. É o poder de Cristo.
Vocês verão que tudo o que sai de Paulo como reação é a reação de Cristo. E, queridos irmãos e irmãs, essa é a maneira de avaliar se somos realmente espirituais ou se ainda somos carnais.
No último dia do Senhor, mencionamos que esse homem em Cristo tem certas características. Há certas coisas que identificam esse homem em Cristo. A primeira que mencionamos foi que ele é um homem com autoridade espiritual.
Um homem espiritual, um homem em Cristo, é um homem com autoridade — não simplesmente autoridade como o mundo a conhece, mas autoridade espiritual. Porque ele é um homem debaixo de autoridade, recebe autoridade.
Ele chega a essa autoridade por meio da obediência. Vocês verão que ele reluta muito em exercer autoridade. A autoridade é exercida com extrema moderação, e é exercida em amor.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, não tenham medo da autoridade, porque a autoridade existe para edificar, não para destruir. Se realmente queremos ver a igreja edificada, se realmente queremos ver o povo de Deus sendo edificado juntamente como uma casa espiritual, precisamos de autoridade — autoridade espiritual —, porque a autoridade espiritual nos edificará juntos sob Cristo.
Nesta manhã, gostaríamos de continuar com a segunda característica de um homem espiritual, um homem em Cristo. Esse homem é o louco de Deus. Um homem espiritual é louco por amor de Cristo.
Em certo sentido, Deus nos libertou da loucura deste mundo. Antes éramos muito insensatos, mas graças a Deus, Ele nos libertou deste mundo. Hoje, pela graça de Deus, somos chamados filhos da sabedoria.
Por quê? Porque recebemos a sabedoria que vem do alto. Na epístola de Tiago, somos informados de que a sabedoria que vem do alto é primeiramente pura, depois pacífica, amável, disposta a ceder e cheia de bons frutos.
Devemos ter essa sabedoria que vem do alto. E somos exortados, na carta aos Efésios, a andar, como filhos da sabedoria, de maneira sábia e cuidadosa, não como insensatos. Precisamos remir o nosso tempo, porque somos filhos da luz; somos filhos da sabedoria.
Agora, quem são realmente os insensatos? Se vocês lerem as Escrituras, encontrarão em Salmos 14:1:
Diz o insensato no seu coração: Não há Deus.
Em outras palavras, alguém verdadeiramente insensato é aquele que não crê em Deus. Se uma pessoa não crê em Deus, a Bíblia diz que ela é insensata.
É por isso que vemos como as pessoas do mundo são insensatas. Elas pensam que são sábias. Pensam que são espertas. Pensam que são tão poderosas que não precisam de Deus e não creem em Deus. Mas a Palavra diz muito claramente:
Diz o insensato no seu coração: Não há Deus.
Agora, quem é insensato? Vocês se lembram de que, certa vez, um homem veio ao Senhor e disse: “Senhor, divide a minha herança para mim”. O Senhor contou uma parábola e disse que havia um homem rico cuja terra dera uma colheita muito boa.
Ele disse consigo mesmo: “Onde vou guardar toda a minha produção? Meus celeiros são pequenos demais”. Então decidiu que derrubaria os velhos celeiros, construiria outros maiores e guardaria todo o cereal nesses celeiros.
Depois diria à sua alma: “Alma, tens muito. Agora não precisas te preocupar. Podes comer, beber e desfrutar a vida”.
E vocês se lembram do que o Senhor disse. Em Lucas 12:20, o Senhor disse:
Insensato, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?
Queridos irmãos e irmãs, como isso é verdade. Se alguém confia nas riquezas terrenas, é insensato. Por quê? Porque pode tê-las hoje, mas talvez não as tenha amanhã; ou talvez não esteja aqui amanhã para desfrutar tudo o que acumulou. Quem confia nas riquezas terrenas é insensato.
Irmãos e irmãs, ao lerem as Escrituras, vocês verão que até aqueles que pertencem ao Senhor podem, às vezes, ser tão insensatos quanto as pessoas do mundo.
Vocês se lembram de que, em Mateus 7:26, depois de mostrar os princípios do reino dos céus, nosso Senhor Jesus concluiu Sua mensagem dizendo que todo aquele que ouve Suas palavras e não as pratica é semelhante a um homem insensato que constrói sua casa sobre a areia.
Quando o vento sopra, quando a chuva vem e quando as enchentes chegam, aquela casa será completamente destruída. Irmãos e irmãs, nós que pertencemos ao Senhor, se ouvimos a Palavra de Deus e não a praticamos, o Senhor diz que somos insensatos, porque estamos construindo nossa casa sobre a areia. Tudo será destruído.
Além disso, vocês se lembram da parábola das dez virgens em Mateus 25:1-13. Como o Senhor demorava, as dez virgens adormeceram. Mas, à meia-noite, de repente houve um clamor:
Eis o noivo!
Todas se levantaram e começaram a preparar suas lâmpadas. Mas as cinco virgens insensatas não tinham azeite de reserva em suas vasilhas. Sua luz estava se apagando.
Quando foram comprar mais azeite, o Senhor chegou, e a porta foi fechada. Quando voltaram e bateram à porta, o Senhor disse:
Não vos conheço.
Essas cinco virgens insensatas não são incrédulas. Elas são virgens. Têm a lâmpada; têm azeite na lâmpada. O que não têm é o azeite de reserva na vasilha.
Suponho que todas tivessem vasilhas, mas, de alguma forma, pensavam que eram espertas. Colocaram outras coisas em suas vasilhas em vez de azeite — talvez ouro, prata e coisas preciosas. Pensavam que essas coisas eram mais preciosas, por isso as colocaram na vasilha em vez de levar azeite de reserva.
É por isso que, quando o Senhor vem, elas descobrem que são realmente insensatas, porque não têm aquele azeite de reserva, que é a plenitude do Espírito.
Vocês também se lembram de que, no dia em que nosso Senhor Jesus ressuscitou, dois discípulos estavam indo de Jerusalém para Emaús. Conversavam sobre as coisas que haviam acontecido em Jerusalém e estavam muito tristes. Um deles era Cléopas.
De repente, um homem apareceu e caminhou com eles, dizendo: “Por que vocês estão tão tristes?”. Eles disseram: “Tu não sabes o que aconteceu em Jerusalém? Aquele em Quem estava a nossa esperança foi crucificado. E o mais estranho é que algumas mulheres vieram e disseram que Ele havia ressuscitado”.
Vocês se lembram do que o Senhor disse a esses dois homens, em Lucas 24:25-26:
Ó insensatos e tardos de coração para crer em tudo o que os profetas falaram!
Não convinha que o Cristo padecesse estas coisas e entrasse na Sua glória?
Então, irmãos e irmãs, quem são os insensatos? Aqueles que são tardios em ouvir, aqueles que não creem, aqueles que demoram a crer na Palavra do Senhor.
Não apenas isso: se vocês lerem Gálatas 3:1-3, encontrarão Paulo dizendo:
Ó gálatas insensatos!
Cristo já havia sido apresentado diante deles como crucificado. Como era possível que tivessem começado no Espírito e agora estivessem tentando ser aperfeiçoados na carne? Voltaram para a carne, para a lei e para as obras, em vez de perceberem que tudo é pela graça, pelo Espírito Santo. Isso é insensatez.
Agora, irmãos e irmãs, se nos avaliarmos por essas coisas, provavelmente não somos tão sábios quanto deveríamos ser. Provavelmente precisamos reconhecer que, às vezes — talvez mais vezes do que sabemos —, somos realmente insensatos, embora devêssemos ser sábios. Que o Senhor nos livre dessa insensatez.
Mas não é sobre isso que estamos procurando compartilhar nesta manhã. O que estamos procurando compartilhar é que, em outro sentido, embora todos sejamos chamados filhos da sabedoria, embora devamos andar sabiamente, embora devamos ser virgens prudentes e não virgens insensatas, e embora devamos ter entendimento, ainda assim, em outro sentido, um homem espiritual é louco por amor de Cristo.
Muitas vezes somos espertos demais e, por sermos espertos demais, deixamos de ser espirituais.
Acho que alguns de vocês provavelmente já ouviram a história de uma menina da escola dominical. Certa vez, o professor estava ensinando na escola dominical e falava sobre Lázaro e o homem rico. Depois de terminar a história, perguntou à turma: “Agora, quem vocês querem ser? Querem ser Lázaro ou querem ser o homem rico?”.
As crianças hesitaram bastante. Por quê? Porque eram espertas. Pensavam que, se quisessem ser o homem rico, perderiam o paraíso; e, se quisessem ser Lázaro, perderiam o mundo. Então, até as crianças sentiram que aquela era uma pergunta difícil de responder.
Finalmente, uma menininha levantou a mão e disse: “Quero ser o homem rico enquanto estiver viva, e quero ser Lázaro quando morrer”.
Vocês sabem, o mundo é muito esperto — muito esperto. Mas, queridos irmãos e irmãs, muitas vezes somos espertos aos nossos próprios olhos e, se somos espertos aos nossos próprios olhos, vocês verão que perdemos muita coisa.
Portanto, em certo sentido, um homem espiritual é louco por amor de Cristo. Ele não é realmente louco, mas tem tanta sabedoria que age como um louco. Essa é uma marca de um homem espiritual.
Creio que o nosso problema hoje é que há cristãos espertos demais neste mundo. Somos tão espertos. Calculamos tudo. Pesamos tudo na balança; fazemos contas. Queremos o melhor dos dois mundos.
Por sermos tão espertos, nunca conseguimos ser espirituais. Estamos sempre vivendo na esfera da carne. Em um sentido muito real, se você quer ser espiritual, precisa aprender a ser louco — louco por amor de Cristo, louco aos olhos do mundo e louco até aos olhos dos crentes carnais.
O mundo vai considerá-lo louco, e até os crentes carnais vão considerá-lo louco. Mas Deus sabe.
Olhem para o nosso Senhor Jesus. Aos olhos do mundo e aos olhos dos crentes carnais, penso que O considerariam o maior louco do mundo.
Por que Ele deixaria o céu, onde era adorado por milhões de anjos, e esvaziaria a Si mesmo? Por que viria a este mundo e Se tornaria homem, sabendo que a vida humana é dolorosa?
Por que Se humilharia, sendo obediente ao Pai até a morte, e morte de cruz? Por que Se entregaria dessa maneira? Por quem? Para quê?
Ele nos conhece tão bem. Conhece as profundezas do nosso coração, sabe como somos ingratos, como somos fracos, como somos frágeis, como somos inconstantes. Ainda assim, está disposto a Se entregar tão completamente a nós. Não é Ele um grande louco?
Até Sua família, em certa ocasião, pensou que Ele estivesse fora de Si. Por quê? Porque estava ministrando às pessoas. Tinha compaixão delas, vendo-as como ovelhas sem pastor. Estava ministrando a elas e Se esqueceu de comer.
Sua família pensou que Ele estivesse fora de Si. Até Seus irmãos zombaram Dele e disseram: “Se queres ser famoso, por que Te escondes? Vai a Jerusalém na época da festa. Mostra-Te ao povo. É assim que poderás ficar famoso”.
Queridos irmãos e irmãs, aos olhos do mundo e aos olhos dos carnais, certamente nosso Senhor Jesus seria considerado o maior louco do mundo. Mas Ele estava disposto a ser louco.
A mensagem da cruz é loucura aos olhos dos homens, mas Deus está disposto a usar esse caminho louco para salvar. Há uma loucura que é chamada de loucura de Deus, e eu me pergunto se a cruz não é a loucura de Deus. Contudo, a loucura de Deus é mais sábia do que a sabedoria dos homens.
Olhem para o apóstolo Paulo. Alguns dos crentes de Corinto o consideravam louco. E ele disse: “Mesmo que eu não seja louco, recebam-me como louco. Vou agir como louco. Vou falar como louco. Recebam-me como louco. Estou disposto a ser louco por amor de Deus”.
Irmãos e irmãs, somos tão sábios aos nossos próprios olhos que nunca somos loucos por amor de Deus? É verdade que as pessoas vão se aproveitar de você se agir como louco. Mas, às vezes, por amor de Deus, por amor de Cristo, somos chamados a ser loucos.
É somente quando isso nos caracteriza que a nossa espiritualidade realmente está em questão.
Agora, na vida de Paulo, especialmente nos últimos capítulos de 2 Coríntios, vocês encontram Paulo como louco de Deus. Em que sentido?
Primeiro, ele está cheio do zelo de Deus. Ele é louco porque está cheio de um zelo segundo Deus.
Ele disse aos crentes de Corinto: “Eu os desposei como uma virgem pura com um só homem, Que é Cristo. Mas temo que o inimigo tenha seduzido o coração de vocês e os tenha afastado da simplicidade para com Cristo”.
Em outras palavras, enquanto Paulo trabalhava entre os crentes de Corinto, ele não apenas os havia levado a Cristo por meio do evangelho, mas, depois de levá-los a Cristo, também os havia desposado com Cristo.
Uma coisa é simplesmente ser salvo. Graças a Deus, Ele nos salva. Mas outra coisa é ser desposado com Cristo. Não somos apenas salvos; na verdade, estamos prometidos em casamento a Cristo. Somos como virgens prometidas em casamento a Cristo.
Agora, pensem em uma virgem que está noiva de um homem. Suponham que ela esteja noiva de um homem que vive em outro país ou em outra cidade. Como essa virgem passará seus dias?
Certamente, se for uma virgem pura, seu coração estará inteiramente ocupado com o homem de quem é noiva. Durante os dias de seu noivado, toda a sua preocupação será: “Como devo me preparar para o meu casamento?”.
Em sua vida cotidiana, em sua maneira de viver, nas coisas que fará ou deixará de fazer, até na roupa que usará e nas coisas que verá, ela pensará em seu amado: “Meu amado ficará satisfeito com isso que faço? Meu amado ficará feliz com a roupa que uso?”.
Vocês verão que tudo o que ela faz é considerado em relação ao seu amado. Ela não fará nada que o ofenda. Manterá distância de qualquer outra distração ou interesse. Todo o seu coração estará voltado para aquele de quem é noiva. Esse é o coração de uma virgem pura.
Paulo disse: “Eu os desposei como uma virgem pura com Cristo”. Vocês que são salvos pela graça, vocês que são do Senhor, pertencem a Cristo. Estão prometidos em casamento a Cristo e, um dia, seu Noivo voltará e os tomará como Sua noiva.
Agora, como vocês vão viver entre o tempo do noivado e o tempo do casamento? Simplesmente sairão para se divertir por conta própria e se esquecerão Daquele a Quem estão prometidos? Estão ocupados com muitas coisas que sabem que desagradam ao seu Amado? Ou todo o seu coração está voltado para Ele, recusando qualquer coisa que os afaste Dele?
Olhem para os crentes de Corinto. Eles haviam sido desposados com Cristo. Deveriam ter essa simplicidade para com Cristo; em outras palavras, um coração inteiramente voltado para Ele. Deveria haver simplicidade, um coração sem divisão, para com Cristo.
Mas algumas pessoas chegaram com outro evangelho. Algumas chegaram com outro espírito. Algumas chegaram com outro Cristo. Alguns judaizantes entraram no meio deles e disseram: “Vocês precisam ser circuncidados. Precisam guardar a lei. O evangelho que Paulo prega não é ortodoxo. Ele precisa vir de Jerusalém. Precisa vir da Judeia”.
O coração deles foi seduzido e afastado de Cristo para a lei de Moisés — afastado de Cristo para eles mesmos, para a sua carne, para as suas próprias obras —, em vez de permanecer na graça do nosso Senhor Jesus Cristo. Seu coração foi seduzido, assim como Eva foi enganada no jardim.
Antes de Eva ser enganada, a vida de Adão e Eva era muito simples. Eles tinham simplicidade para com Deus. Em tudo o que faziam, perguntavam a Deus: “O que queres que eu faça? Isso Te agradará?”. Eram inocentes e dependentes de Deus. Seu coração estava inteiramente voltado para Deus. Não pensavam em si mesmos: “O que devo fazer?”. Pensavam: “O que Deus quer que façamos?”.
Mas a serpente veio e enganou o coração de Eva. “Se você comer daquele fruto proibido, seus olhos serão abertos. Você será sábia como Deus.” Em outras palavras, ela queria fazer de si mesma alguma coisa. Em vez de depender completamente de Deus, queria tornar-se alguém — ter algo de que se gloriar. Ela foi afastada da simplicidade para com Deus.
Queridos irmãos e irmãs, não fomos desposados com Cristo? Não estamos todos prometidos em casamento a Cristo? Isso não é algo sentimental. Às vezes, as pessoas podem se tornar muito sentimentais e tentar encenar um casamento com Cristo. Não se trata de algo exterior; é uma realidade interior.
Fomos prometidos em casamento a Cristo. Como virgens, deveria haver simplicidade para com Cristo; deveria haver um coração inteiramente voltado para Cristo. Mas, muitas vezes, nós também estamos sendo enganados. Somos seduzidos pelo mundo; somos seduzidos por muitas coisas, de modo que nosso coração fica dividido.
Nosso coração já não é puro para com Cristo. Começamos a amar o mundo, embora ainda amemos a Deus. Queridos irmãos e irmãs, se amamos o mundo, o amor do Pai não está em nós.
Paulo estava cheio do zelo de Deus. Tinha tanto zelo que contendia com os crentes de Corinto: “Vocês não deveriam estar assim. Devem voltar à simplicidade que há em Cristo”.
Por estar cheio do zelo de Deus e contender com os crentes de Corinto, eles não gostavam dele. Paulo poderia ter sido popular entre os crentes de Corinto. Poderia ter sido mais tolerante. Poderia ter sido mais liberal.
As pessoas poderiam ter dito: “Olhem para Paulo. Ele realmente tem a mente aberta. Não se importa se amamos um pouquinho o mundo. Não é ele uma pessoa razoável?”. Paulo teria sido um pregador bem-vindo na cidade de Corinto. Poderia ter sido considerado um homem sábio por eles.
Mas Paulo era louco. Estava tão cheio do zelo de Deus que não conseguia se conter. Precisava contender com os crentes de Corinto. Precisava lhes dizer que o caminho deles estava errado. Por causa disso, não era bem-vindo.
Queridos irmãos e irmãs, um homem espiritual é marcado pelo zelo de Deus.
Olhem para o nosso Senhor Jesus. No início de Seu ministério público, Ele foi ao templo. Viu, na área do templo, toda aquela negociação acontecendo — compra e venda, troca de dinheiro.
Isso acontecia havia anos. As pessoas haviam aceitado aquilo como rotina, como algo que precisava ser feito. Era por conveniência, porque os judeus vinham de todas as partes do mundo para adorar a Deus. Precisavam trazer sacrifícios e pagar o tributo do templo.
Mas o templo só aceitava o siclo do templo, então precisavam trocar seu dinheiro por siclos do templo. Os sacrifícios a serem oferecidos precisavam ser examinados pelos sacerdotes. Portanto, por conveniência, os sacrifícios já estavam examinados pelos sacerdotes e prontos para serem oferecidos. Tudo o que as pessoas precisavam fazer era comprá-los — é claro, por um preço mais alto.
Todos aceitavam aquilo como normal. Era por conveniência. Mas, quando nosso Senhor Jesus entrou no templo, não conseguiu Se conter. Estava cheio de um fogo que ardia dentro Dele.
Ele usou um açoite. Expulsou o gado, derrubou as mesas dos cambistas e disse:
Fizestes da casa de Meu Pai uma casa de comércio.
Por quê? A Bíblia diz em João 2:17:
O zelo da Tua casa Me consumirá.
O zelo pela casa de Deus havia literalmente devorado e consumido o Senhor Jesus. Ele não conseguia suportar aquilo. Isso aconteceu não apenas no início de Seu ministério; aconteceu novamente no fim de Seu ministério. Mais uma vez, Ele purificou o templo e disse:
Fazeis de uma casa de oração um covil de salteadores.
Irmãos e irmãs, por que Ele era louco? Cristo agiu como louco e, porque fez isso, decidiram matá-Lo. “Livrem-se Dele. Ele passou dos limites.” Ele estava tirando o lucro deles.
Queridos irmãos e irmãs, estamos cheios do zelo de Deus? Nós nos tornamos tão acomodados que vivemos com o coração dividido? Já não preservamos aquela simplicidade para com Cristo? Nosso coração está sendo dividido?
Estamos tão acomodados que, quando vemos coisas acontecendo entre o povo de Deus, as aceitamos como normais e dizemos: “Bem, essas coisas existem há séculos e devem ser aceitas assim mesmo”? Já não há fogo ardendo em nossos ossos?
Irmãos e irmãs, onde estamos? O que é espiritualidade? Nós nos tornamos tão espertos, tão sábios, que podemos deixar as coisas passarem. Nada nos incomoda, porque estamos no mesmo barco.
Paulo estava cheio do zelo de Deus, e esse zelo o tornou louco aos olhos dos crentes de Corinto. Mas Paulo preferia ser louco a ser sábio aos olhos do mundo.
O que é o zelo de Deus? Deus sente ciúme? Se vocês lerem a Bíblia, verão que Deus é muito zeloso. Nosso Deus é um Deus ciumento.
É claro que a palavra ciúme tem uma conotação ruim hoje. Costumamos dizer que não devemos ter ciúme. Quando você vê alguém dirigindo um Cadillac e sente inveja porque tem um carro velho, isso é errado.
Mas o ciúme, em si mesmo, é neutro. Devemos ter zelo por aquilo que merece nosso zelo, mas não devemos ter ciúme daquilo de que não deveríamos ter ciúme.
Deus é um Deus muito zeloso. Não porque tenha uma mente estreita — Deus não tem uma mente estreita —, mas Ele é muito zeloso. Agora, por quem Ele tem esse zelo? Deus tem esse zelo por você? Deus tem esse zelo por mim?
Não, você não é tão importante assim. Eu não sou tão importante assim. Quanto a nós mesmos, não somos dignos de que Deus tenha esse zelo por nós. Pelo que Deus realmente tem zelo?
Ele tem zelo por Seu Filho. Tem muito zelo por Seu Filho. Quer que Seu Filho tenha o primeiro lugar em tudo. Se houver algo que tire esse primeiro lugar, vocês verão que Deus Se enche de zelo, e Ele vai fazer alguma coisa.
Pensem na cena do monte da transfiguração. Cristo foi transfigurado, e Seu rosto resplandecia; até Suas roupas estavam brancas. Moisés e Elias apareceram e conversaram sobre Sua partida.
De repente, Pedro despertou e viu tudo aquilo. Gostou tanto que falou sem pensar, sem saber o que estava dizendo: “Senhor, é bom estarmos aqui. Por que não fazer três tendas: uma para Ti, uma para Moisés e uma para Elias? Queremos os três aqui. Se tivermos os três, não queremos mais descer do monte”.
Antes que ele terminasse, veio uma nuvem — uma nuvem luminosa, a glória Shekinah de Deus. A glória de Deus interveio e afastou Moisés e Elias. Então ouviram uma voz, como lemos em Marcos 9:7:
Este é o Meu Filho amado: a Ele ouvi.
Eles abriram os olhos e não viram ninguém, a não ser Jesus. O que é isso? O zelo de Deus. Deus tem um zelo extremo por Seu Filho. Não permitirá que ninguém nem coisa alguma tome o lugar que Ele deu a Seu Filho. Seu Filho precisa ter o primeiro lugar em todas as coisas.
Queridos irmãos e irmãs, o inimigo está tentando tomar esse lugar. Foi isso que fez dele Satanás, o adversário. Mas Deus é zeloso. Deus não permitirá que nada nem ninguém tome o lugar de Seu Filho. Ele tem zelo por Seu Filho.
Por ter zelo por Seu Filho, Ele tem zelo por Sião. No Antigo Testamento, vocês encontram a expressão “a causa de Sião”. O que é a causa de Sião? Repetidas vezes, nos profetas, vocês encontram a causa de Sião, e o Senhor diz:
O Meu zelo fará isso.
Deus tem uma causa a defender em favor de Sião, porque Sião é o lugar onde o Filho reinará. Portanto, qualquer coisa que toque em Sião, qualquer coisa que tire de Sião a glória de Seu Filho, faz Deus dizer: “Meu zelo está ali para realizar isso. Eu guardarei Sião. Farei de Sião o mais alto dos montes”.
Há uma causa a defender ali. Queridos irmãos e irmãs, o mesmo é verdade: há uma causa da igreja. Por que há uma causa da igreja? Não porque nós mesmos sejamos dignos; é por causa de Cristo.
É por amor de Cristo que Deus tem zelo e ciúme por Sua igreja. Ele deu Sua igreja a Cristo como um corpo. Deu Sua igreja ao Noivo como uma noiva. Por causa disso, Ele é muito zeloso.
Mais uma vez, digo que não é porque você seja importante ou porque eu seja importante. Não. É porque, por amor de Seu Filho, somos importantes para Ele em nossa relação com Seu Filho. É por isso que existe esse zelo de Deus.
Ah, irmãos e irmãs, não sei se vocês já experimentaram, em sua vida, manifestações do zelo de Deus. Vocês verão que Deus é tão zeloso que começa a contender com vocês. Ele não os deixa seguir por conta própria.
Às vezes você pergunta: “Ó Deus, por quê? Por que não me deixas? Outras pessoas podem fazer isso. Por que eu não posso?”. Sim, outras pessoas talvez possam fazer, mas você não. Por quê? Ele é zeloso. É muito rigoroso com você. Não vai deixá-lo seguir por conta própria. Não permitirá que você se desvie.
Pode haver muitos cristãos que conseguem ser carnais e amar o mundo, mas, quando você apenas encosta no mundo, descobre que Ele é zeloso. Você diz: “Senhor, só me deixa. Deixa-me fazer isso, e depois não farei mais”. Você já teve uma experiência assim?
Lembrem-se: um homem espiritual é um homem cheio do zelo de Deus. Ah, que sejamos cheios do zelo de Deus, para que intercedamos com zelo tanto por nós mesmos como por nossos irmãos e irmãs.
Em segundo lugar, Paulo é um homem espiritual porque está cheio dos sofrimentos de Cristo.
Quem quer sofrer? Se alguém diz: “Gosto de sofrer”, é louco, porque o sofrimento não é uma coisa agradável. Quem quer sofrer? Faremos de tudo para evitar o sofrimento. Especialmente o homem moderno — o homem moderno não consegue suportar dor nem sofrimento.
Mas, queridos irmãos e irmãs, um homem espiritual é louco de Deus. Por quê? Porque entra voluntariamente nos sofrimentos.
Não se trata apenas de sofrer por causa da justiça. Às vezes precisamos sofrer por causa da justiça, e o mundo diz que somos loucos. “Por que não ceder um pouquinho? Faça de novo, em vez de sair perdendo.”
Às vezes precisamos sofrer por causa da justiça. Às vezes precisamos sofrer por amor de Cristo, por levar o nome de cristão. Por você ser cristão, as pessoas vão se aproveitar de você, e você terá de sofrer por isso.
Precisamos sofrer pelo nome de Cristo, por amor de Cristo. Ele foi desprezado; foi rejeitado no mundo. Portanto, ao caminhar com Ele, você será desprezado e rejeitado. Você sofre por amor de Cristo.
Mas aqui, nesta área específica do sofrimento, trata-se do sofrimento mais elevado no que diz respeito aos seres humanos. É o sofrimento de Cristo em favor do Corpo.
Vocês se lembram de que Paulo disse em Colossenses 1:24:
Agora me regozijo nos meus sofrimentos por vós e completo, da minha parte, na minha carne, o que falta das aflições de Cristo, por amor do Seu corpo, que é a igreja.
Há um sofrimento chamado de sofrimentos de Cristo em favor de Seu Corpo. Somos chamados a ter comunhão nos sofrimentos de Cristo.
É claro que há uma área dos sofrimentos de Cristo da qual não podemos participar. Quando Cristo morreu na cruz, quando derramou Seu sangue para expiar os pecados do mundo, essa é a parte de Seu sofrimento da qual ninguém pode participar.
Ele pisou o lagar sozinho. É o único Que pode levar os pecados do mundo e sofrer, até a morte, separado do Pai enquanto carrega os pecados deste mundo. Nesse sofrimento, ninguém participa com Ele. Ninguém pode participar com Ele.
Por quê? Porque é expiatório. Queridos irmãos e irmãs, sejamos muito cuidadosos. Não importa quanto soframos, não temos participação, não temos parte na morte expiatória de Cristo. Ali, Ele morreu e sofreu pelos pecados do mundo, sozinho diante de Deus, porque somente Ele podia expiar os pecados do mundo.
Agradecemos a Deus porque recebemos, daquele sofrimento e daquela morte, a purificação dos nossos pecados. Mas não temos participação, não temos parte naquele sofrimento.
Contudo, há outra parte de Seu sofrimento na qual Ele nos chama a ter comunhão com Ele. Também temos comunhão em Seus sofrimentos. Em que sentido?
Quando Ele morreu na cruz, não houve apenas o sangue, mas também a água que saiu de Seu lado. O sangue é para a redenção; a água é vida, para edificar e dar origem à igreja.
Foi por meio da morte de nosso Senhor Jesus que Ele deu Sua vida, para que, com essa vida, a igreja pudesse nascer. Cristo amou a igreja e Se entregou por ela. Ele amou a igreja. Entregou-Se à igreja para que ela pudesse nascer.
A igreja nasce por meio dos sofrimentos de Cristo, por meio da entrega de Sua própria vida. Queridos irmãos e irmãs, depois que a igreja nasce, Deus nos chama a ter comunhão com Seus sofrimentos em favor do Corpo.
Em outras palavras, Ele nos chamou a sofrer em favor do Corpo, para que o Corpo seja edificado, para que o Corpo amadureça. No amadurecimento e na edificação do Corpo, somos chamados a compartilhar os sofrimentos de Cristo.
Para que o Corpo seja edificado, vocês encontram Paulo, em 2 Coríntios, sofrendo intensamente.
Ouçam:
Em trabalhos, muito mais; em açoites, sem medida; em prisões, muito mais; em perigos de morte, muitas vezes.
Dos judeus, cinco vezes recebi quarenta açoites menos um.
Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio; uma noite e um dia passei nas profundezas do mar;
em viagens, muitas vezes; em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos da parte dos meus compatriotas, em perigos da parte dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos;
em trabalho e fadiga, em vigílias, muitas vezes; em fome e sede, em jejuns, muitas vezes; em frio e nudez.
Além das coisas exteriores, há o que diariamente pesa sobre mim: a preocupação com todas as igrejas.
Quem enfraquece, que eu também não enfraqueça? Quem é levado a tropeçar, que eu não me inflame?
Era necessário que Paulo passasse por todos esses sofrimentos? As pessoas diriam: “Você é louco. Por quê? Você entra voluntariamente nisso, de olhos abertos. Não precisa sofrer. Esses não são sofrimentos inevitáveis, dos quais você não pode escapar. Não precisa passar por todos esses sofrimentos”.
Mas Paulo estava disposto a sofrer tanto. Por quê? Em favor do Corpo — para completar o que faltava das tribulações de Cristo em favor do Corpo, que é a igreja.
Queridos irmãos e irmãs, somos chamados a ter comunhão nesse sofrimento.
Receio que estejamos tão ocupados com os nossos próprios sofrimentos que não tenhamos forças para sofrer em favor do Corpo — para completar o que falta das aflições de Cristo em favor de Seu Corpo, que é a igreja.
Como procuramos ser sábios e evitar todo tipo de sofrimento, todo tipo de situação desagradável. Queremos viver uma vida sem contratempos. Não estamos dispostos a perder uma refeição. Não estamos dispostos a nos entregar. Não estamos dispostos a nos sacrificar. Não estamos dispostos a carregar o peso que Cristo carrega por Seu povo.
Não nos importamos, porque não queremos sofrer. Meus queridos irmãos e irmãs, sem sofrimento, a igreja nunca amadurecerá.
Deus está chamando Seu povo a compartilhar com Cristo esse sofrimento em favor de Seu Corpo, que é a igreja. Estamos prontos?
As pessoas vão considerá-lo louco. Você pode gastar seu tempo com outras coisas. Por que dedicar seu tempo a servir ao Senhor? Você é louco. Mas, espiritualmente, isso é sabedoria.
Em terceiro lugar: Paulo é louco de Deus. Por quê? Porque está cheio do amor de Deus.
Ao lerem os últimos quatro capítulos de 2 Coríntios, vocês encontram Paulo tão cheio do amor de Deus que ele não consegue deixar de amar. Esses crentes de Corinto eram muito difíceis de amar, e alguns manifestavam uma atitude muito desagradável para com Paulo.
Ainda assim, Paulo disse: “Não consigo evitar. Continuo disposto a gastar e a me deixar gastar por vocês. Se, ao fazer isso, eu for menos amado, ainda assim o farei”.
Como ele podia fazer isso? “Porque sou como um pai para vocês.” Vocês sabem, os pais são loucos, não são? Os pais são loucos.
Vejam a maneira como vocês servem aos seus filhos. Eles valorizam isso? Vocês sabem o que acontecerá quando crescerem? Vocês são loucos. Mas farão tudo. Vão se sacrificar. Vão gastar e se deixar gastar por eles.
Vocês preferem ficar sem alguma coisa para que eles a tenham. Preferem ficar sem comer para que eles comam. Preferem usar roupas velhas para que eles tenham o que vestir. Farão tudo por eles. Por quê? Porque não conseguem evitar.
Ah, irmãos e irmãs, se isso é verdade com os pais terrenos, quanto mais deve ser verdade na esfera espiritual.
Estamos tão cheios do amor de Deus que, por mais que as pessoas nos entendam mal ou nos rejeitem, não conseguimos deixar de continuar amando, dispostos a gastar e a nos deixar gastar por elas?
O que Paulo recebeu dos crentes de Corinto? Não recebeu nada deles. Até trabalhava com as próprias mãos para sustentar a si mesmo e aos seus cooperadores. Não queria ser um peso nem um encargo para os crentes de Corinto.
Ainda assim, eles o menosprezavam, o desprezavam e o rejeitavam. Mesmo assim, Paulo disse: “Continuo disposto a gastar e a me deixar gastar por vocês. Continuo a amá-los, mesmo que eu seja menos amado. Não consigo evitar. Sou louco”.
Irmãos e irmãs, quem está disposto a ser um louco assim? Não nos envergonhamos de ser espertos demais?
Ah, irmãos e irmãs, entre o povo de Deus hoje há pessoas espertas demais — espertas em nossa própria vida. Se você pensa em si mesmo, se está interessado em si mesmo, se cuida bem de si mesmo, o mundo inteiro dirá que você é sábio. Os cristãos carnais dirão que você é esperto.
Mas o que Deus dirá? Quantos, entre o povo de Deus hoje, estão dispostos a ser loucos por amor de Cristo?
Na verdade, eles não são loucos, porque têm uma sabedoria maior. Por isso, agem como loucos.
Que o Senhor nos ajude. Vamos orar?
Nosso Pai celestial, livra-nos da sabedoria e da esperteza dos homens. Ah, pedimos que possamos conhecer a loucura de Deus; que prefiramos ser divinamente loucos a ser humanamente sábios, porque a Tua loucura é mais sábia do que a sabedoria dos homens. Pedimos em nome de Jesus. Amém.