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    Spiritual Man: A Man of Vision © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Spiritual Man: A Man of Vision
    Spiritual Man: A Man of Vision
    Kaung, Stephen

    O homem espiritual como homem de visão

    Podemos abrir em 2 Coríntios 12:1-10? Vamos ler essa passagem.

    Não me convém, sem dúvida, gloriar-me. Mas passarei às visões e revelações do Senhor.
    Conheço um homem em Cristo que, há catorze anos — se no corpo, não sei; se fora do corpo, não sei; Deus o sabe —, foi arrebatado até o terceiro céu.
    E conheço esse homem — se no corpo ou fora do corpo, não sei; Deus o sabe —,
    que foi arrebatado ao Paraíso e ouviu palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem pronunciar.
    De tal homem me gloriarei; mas de mim mesmo não me gloriarei, senão nas minhas fraquezas.
    Pois, se eu quiser gloriar-me, não serei insensato, porque direi a verdade; mas abstenho-me, para que ninguém pense de mim mais do que vê em mim ou ouve de mim.
    E, por causa da extraordinária grandeza das revelações, para que eu não me exaltasse demasiadamente, foi-me dado um espinho na carne, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de que eu não me exaltasse demasiadamente.
    Acerca disso, três vezes roguei ao Senhor que o afastasse de mim.
    E Ele me disse: A Minha graça te basta; porque o Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De muito boa vontade, portanto, antes me gloriarei nas minhas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo.
    Por isso, sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo; porque, quando sou fraco, então é que sou forte.

    Voltemo-nos para o Senhor.

    Nosso Pai, estamos na Tua presença. Pedimos que removas qualquer véu que esteja sobre os nossos olhos, para que possamos contemplar-Te com o rosto descoberto. Que vejamos a glória do Senhor e sejamos transformados de glória em glória, segundo a Sua imagem, pelo Senhor, o Espírito.

    Senhor, esperamos verdadeiramente que realizes essa obra em nosso meio nesta manhã. Pedimos que sopres sobre a Tua Palavra e a tornes viva, nova e operante na vida de cada um de nós, para que sejas glorificado.

    Dá-nos o espírito de sabedoria e de revelação para que possamos conhecer-Te. Pedimos em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.

    As características de um homem espiritual

    Temos compartilhado juntos esta segunda carta aos Coríntios, e nela vemos um homem. Ele é um homem em Cristo — um homem espiritual.

    A autoridade espiritual

    Esse homem espiritual é caracterizado por certas coisas. Mencionamos, em primeiro lugar, que um homem espiritual é um homem com autoridade. Não é uma autoridade que ele procura reivindicar ou assumir; é uma autoridade que é formada em sua vida.

    Em outras palavras, a autoridade espiritual nada mais é do que a medida de Cristo naquela pessoa. Essa autoridade é necessária para a edificação do corpo de Cristo. Como Paulo disse, Deus lhe havia dado autoridade não para destruir, mas para edificar.

    A loucura de Deus

    Também vimos que esse homem espiritual tem outra característica: ele é um louco por amor a Deus. Aos olhos do mundo e aos olhos dos crentes carnais, esse homem é um louco.

    O mundo o considera insensato. Por quê? Porque ele não está interessado nos próprios interesses; está preocupado com os interesses de Deus e do Seu povo.

    Aqui encontramos o apóstolo Paulo dizendo que tem zelo pelos crentes de Corinto com o zelo de Deus. Por ter tanto zelo por eles, por amor a Deus, ele os confrontou. Por essa razão, foi rejeitado, criticado e sofreu oposição.

    Mas o zelo de Deus enchia o seu coração. Ele não podia evitar isso. Queria ver esses crentes de Corinto como virgens puras, prometidas em casamento a Cristo, mantendo a simplicidade de coração para com Cristo, em vez de serem desviados para a complexidade que pertence ao mundo.

    Ele é um louco por amor a Deus porque está disposto — em certo sentido, apresentou-se voluntariamente. Não foi algo que lhe impuseram, mas ele estava disposto a sofrer por amor ao corpo de Cristo.

    Ele deve participar dos sofrimentos de Cristo, completar o que resta das aflições de Cristo por Seu corpo, que é a igreja.

    Esse homem é um louco porque é constrangido pelo amor de Cristo. Está disposto a gastar e a ser inteiramente gasto por aqueles a quem ama. Contudo, quanto mais os ama, menos é amado; e, ainda assim, continua amando.

    Ora, ele é um louco. Portanto, queridos irmãos e irmãs, lembrem-se de que um homem espiritual é caracterizado, primeiro, pela autoridade espiritual; segundo, pela loucura de Deus.

    Mas a loucura de Deus é mais sábia do que a sabedoria dos homens. Irmãos e irmãs, quantas vezes tentamos ser sábios, tentamos ser espertos. Contudo, precisamos nos lembrar de que existe algo chamado a loucura de Deus. A menos que estejamos dispostos a assumir essa loucura, nunca seremos espirituais no verdadeiro sentido.

    O homem espiritual como homem de visão

    Nesta manhã, gostaríamos de considerar a terceira característica de um homem espiritual: ele é um homem de visão.

    No último capítulo de 2 Coríntios, Paulo chega a essa questão das visões e revelações. Contudo, quando procura falar sobre visões e revelações, mostra-se extremamente relutante.

    Em certo sentido, a ingratidão dos coríntios o obriga a falar das visões e revelações que recebeu. Se não tivesse sido forçado pelos crentes de Corinto, provavelmente nunca teria mencionado o que Deus lhe mostrara em visões e revelações.

    Por quê? Porque ele diz que, catorze anos antes, conheceu um homem em Cristo. Esse homem, catorze anos antes, foi arrebatado ao terceiro céu. Se no corpo ou fora do corpo, ele não sabia; Deus sabia.

    Esse homem foi levado ao Paraíso e ouviu coisas que os homens jamais deveriam pronunciar — revelações tremendas. Mas, se no corpo ou fora do corpo, ele diz que não sabe. Somente Deus sabe.

    Sabem, queridos irmãos e irmãs, se vocês realmente recebem uma visão ou uma revelação do alto, não sabem se estão no corpo ou fora do corpo.

    Às vezes, pode parecer algo físico — vocês realmente veem alguma coisa. Contudo, é algo tão espiritual que não sabem se estão no corpo ou fora do corpo; isto é, se estão no espírito. Não têm como dizer.

    É por isso que esse homem diz que não sabe. Ele sabe apenas que recebeu visões e revelações, mas não pode ter certeza de que as viu no corpo ou fora do corpo.

    Quando vocês recebem uma visão ou uma revelação, é sempre assim. Se têm tanta certeza de que a veem no corpo, eu me pergunto se isso é uma visão ou uma revelação. Por quê? Porque, muito provavelmente, vocês não estão no espírito.

    A humildade ao receber revelação

    Esse homem diz: “Há catorze anos”. Sabem, se recebemos um pouco de luz, uma pequena visão ou uma pequena revelação — se enxergamos um pouquinho —, provavelmente, no instante seguinte, o mundo inteiro já saberá disso.

    Provavelmente, estará na primeira página do jornal ou será transmitido pelo rádio ou pela televisão. Queremos que todos saibam que recebemos visão e revelação.

    Ora, não digo isso por mal. Às vezes, talvez vocês pensem que Deus lhes deu tanto, e que isso é tão tremendo, que gostariam de compartilhar com todos — e isso é bom.

    Por outro lado, às vezes descobrimos que, na verdade, é porque a visão ou revelação nos envaideceu tanto que queremos que todos saibam que a vimos. Isso não é tão bom.

    Mas aqui está um homem que recebeu visões e revelações tão tremendas e nunca contou a ninguém, até catorze anos depois. Mesmo então, estava sendo forçado.

    Foi porque os crentes de Corinto não aceitavam Paulo nem sua autoridade apostólica que ele foi obrigado a lhes contar que revelação e visão Deus lhe havia dado catorze anos antes.

    A experiência de Paulo no terceiro céu

    Os estudiosos da Bíblia não conseguiram identificar a ocasião exata. Eles apresentam diferentes explicações.

    Alguns dizem que isso não pode se referir à visão que Paulo recebeu no caminho de Damasco. No caminho de Damasco, Paulo recebeu uma visão tremenda, mas isso deve ter acontecido em algum momento posterior.

    Algumas pessoas pensam que Paulo se refere ao período em que esteve na Arábia, no deserto. Vocês se lembram de que, depois de receber a visão no caminho de Damasco e de passar um breve período em Damasco com os crentes, ele foi para a Arábia.

    Ali, passou cerca de três anos a sós com Deus. Algumas pessoas pensam que as experiências que ele mencionou, ocorridas catorze anos antes, se referem àquele período. Enquanto estava a sós com Deus, foi arrebatado ao terceiro céu e levado ao Paraíso. Não sabemos.

    Outros pensam que foi na época em que o apóstolo Paulo e Barnabé estavam pregando nas regiões da Galácia. Enquanto pregavam ali, vocês se lembram de que, quando estavam em Listra, um homem coxo foi curado.

    A cidade inteira ficou agitada. Um sacerdote de Zeus veio com grinaldas e um touro. Eles pensaram que deuses haviam aparecido em forma humana, por isso queriam oferecer sacrifícios a Paulo e Barnabé.

    Paulo e Barnabé rasgaram suas vestes, correram para o meio da multidão e tentaram impedi-los, dizendo:

    Foi para isso que viemos: para que sejais libertos de todas essas vaidades.

    Mal conseguiram impedi-los de fazer aquilo.

    Mas como a emoção humana é instável! No instante seguinte, vemos que se voltaram contra Paulo. Apedrejaram-no, arrastaram-no para fora da cidade e o deixaram ali.

    Somente os crentes ficaram em círculo ao redor daquele corpo morto. Então Paulo se levantou.

    Algumas pessoas pensam que Paulo realmente morreu — que foi apedrejado até a morte —, mas que Deus o ressuscitou milagrosamente. Enquanto estava morto, talvez tenha sido arrebatado ao terceiro céu e, depois, levado ao Paraíso.

    Pode ter sido naquela ocasião; não sabemos. Outras pessoas apresentam outras explicações. Mas isso não é importante. O importante é que, catorze anos antes, Paulo teve esta experiência: foi arrebatado ao terceiro céu.

    O significado do terceiro céu

    Ora, o que é o terceiro céu? Às vezes, ouvimos pessoas falarem de sete céus, como se o céu tivesse sete camadas. Mas, na verdade, segundo a Bíblia, existem três céus.

    Geralmente, dizemos que o primeiro céu é onde está o ar — as nuvens. O segundo céu é onde estão as estrelas. O terceiro céu é onde está estabelecido o trono de Deus.

    O trono de Deus está estabelecido no terceiro céu. Portanto, Paulo diz que esse homem foi arrebatado ao terceiro céu. Ora, essa é uma experiência tremenda.

    A distinção entre o céu e o Paraíso

    Ele não foi apenas arrebatado ao terceiro céu; também foi levado ao Paraíso. Muitas vezes, confundimos esses dois lugares. Pensamos que o céu é o Paraíso e que o Paraíso é o céu. Mas, a rigor, isso não é verdade.

    O terceiro céu é onde Deus está, onde está o Seu trono. Mas o Paraíso é o lugar para onde os mortos bem-aventurados vão descansar e aguardar o tempo da ressurreição.

    Vocês se lembram do ladrão na cruz. No último momento, ele confiou no Senhor. Esperava apenas que, num futuro distante, o Senhor Se lembrasse dele.

    Mas o Senhor disse:

    Hoje estarás Comigo no Paraíso.

    O que isso significa? Significa que, porque ele creu no Senhor Jesus, mesmo no último momento, depois de morrer e de seu espírito deixar o corpo, seu espírito e sua alma iriam para o Paraíso, o lugar dos mortos bem-aventurados, para aguardar o tempo da ressurreição.

    Hoje estarás Comigo no Paraíso.

    Ninguém pode entrar no céu sem um corpo de ressurreição. É luminoso demais; vocês não conseguiriam suportar. É puro demais. Vocês precisam estar revestidos de um corpo de ressurreição para entrar no céu.

    Quando uma pessoa morre, os que pertencem ao Senhor vão para o Paraíso. Os que não pertencem a Ele vão para o Hades.

    Vocês se lembram do relato que nosso Senhor contou sobre o rico e Lázaro. Aquilo não é uma parábola, porque, sempre que a Bíblia apresenta uma parábola, diz que é uma parábola. Mas, naquela ocasião, o Senhor estava revelando algo que se passava nos bastidores.

    Era algo que nenhum homem vivo jamais havia visto, mas que o Senhor conhece. Por isso, Ele abriu um pouco o véu e nos falou sobre a vida depois da morte — o mundo depois que uma pessoa morre.

    Ali, Ele nos mostra que existem dois lugares. Um deles se chama Hades, e o rico estava ali, sofrendo. Lázaro estava descansando no seio de Abraão. Esse é o Paraíso.

    Ninguém pode passar de um lado para o outro. Há um grande abismo separando esses dois lugares.

    Algumas pessoas pensam — e esse é o conceito tradicional do cristianismo — que, depois de ressuscitar dentre os mortos e subir ao céu, o Senhor levou o Paraíso para o céu. Pensam que Ele levou para o céu todos os que estavam no Paraíso.

    Portanto, o conceito tradicional é que o Paraíso, que ficava debaixo da terra, agora está no céu, porque Cristo levou o Paraíso para o céu.

    Mas, queridos irmãos e irmãs, o Paraíso está no céu ou ainda está debaixo da terra?

    Não há nenhuma passagem das Escrituras que nos diga explicitamente que, na ascensão do nosso Senhor Jesus, Ele levou o Paraíso para o céu. Pelo contrário, vemos que o Paraíso ainda está debaixo da terra.

    Por quê? Porque, um dia, quando o Senhor reunir o Seu povo, os que morreram em Cristo Jesus ressuscitarão dentre os mortos. Quando ressuscitarem, serão arrebatados aos ares.

    Se já estão no céu, deveriam descer aos ares. Mas as Escrituras dizem que são arrebatados aos ares.

    É por isso que me lembro de um irmão dizer que a maneira como Paulo se expressa é significativa. Paulo diz:

    Conheço um homem — se no corpo ou fora do corpo, não sei; Deus o sabe — que foi arrebatado ao terceiro céu.

    Depois, ele diz novamente:

    Conheço um homem — se no corpo ou fora do corpo, não sei; Deus o sabe — que foi levado ao Paraíso.

    Não arrebatado para cima, mas levado para outro lugar.

    Em outras palavras, em todas essas visões e revelações, Paulo não esteve apenas no terceiro céu; esteve também no Paraíso. Se esse foi o caso, talvez Paulo realmente tenha sido apedrejado até a morte, e por isso tenha sido levado ao Paraíso. Pode ser; não sabemos.

    Mas, de qualquer maneira, vemos que existe a experiência do terceiro céu e existe a experiência do Paraíso.

    O que Paulo viu e ouviu

    Paulo foi proibido de nos contar o que ouviu no Paraíso, porque ouviu coisas que não podiam ser pronunciadas. Por isso, não contou, e nós não sabemos. Não faz sentido ficar supondo. Não sejam curiosos demais a respeito disso.

    Mas ele não foi proibido de nos contar o que viu no terceiro céu. Embora não tenha mencionado isso em 2 Coríntios 12, encontramos em outros lugares dos seus escritos que ele, de fato, nos contou o que viu no terceiro céu.

    Queridos irmãos e irmãs, o que vocês podem esperar ver no terceiro céu?

    Sempre que os céus se abrem e uma visão é concedida, o que vocês veem? Na Bíblia, invariavelmente, quando os céus se abrem — isto é, quando o terceiro céu se abre —, vocês veem Deus.

    O trono de Deus está ali. Naturalmente, é o Cordeiro Quem Se assenta no trono. Naturalmente, é o Homem em glória. É isso que vocês veem no terceiro céu.

    Vocês podem ver os quatro seres viventes. Podem ver os vinte e quatro anciãos. Podem ver miríades de anjos. Mas essas coisas são secundárias.

    O que vocês realmente veem no terceiro céu é um só: veem Deus, Seu trono e Cristo. Ele está no trono. Vocês veem o Homem em glória.

    O que Paulo viu no caminho de Damasco? Os céus se abriram para Paulo, e ele viu, como disse, “o Justo”. Quem é o Justo? O Homem em glória.

    Ele havia considerado Jesus de Nazaré como Alguém a ser perseguido e desprezado. Para sua surpresa, viu Aquele Homem em glória, em poder, em honra. Foi isso que Paulo viu.

    O que Estêvão viu quando foi apedrejado até a morte? Viu o céu aberto e o Filho do Homem em pé, recebendo-o.

    Queridos irmãos e irmãs, o que é a visão do terceiro céu? A visão do terceiro céu nada mais é do que uma revelação de Deus, uma revelação de Cristo, uma revelação do Homem em glória.

    Há um Homem em glória, e esse Homem é o nosso Senhor Jesus. Por estar em glória, Ele garante que, um dia, conduzirá muitos filhos à glória.

    Esse Homem em glória é um Homem coletivo. Ele é o novo homem de que Paulo fala. É Cristo como a Cabeça e a igreja como Seu corpo. Essa é a visão no terceiro céu.

    Quanto ao Paraíso, não sabemos o que Paulo viu ali. Provavelmente, encontrou alguns de seus conhecidos. Viu Estêvão ali, sem dúvida.

    Mas, de qualquer maneira, não sabemos o que ele ouviu. Sabemos, porém, o que o Paraíso significa: ali estão aqueles que foram redimidos pelo Senhor. Os redimidos estão descansando, aguardando o dia de sua glorificação.

    Estão aguardando o dia em que serão revestidos de um corpo de ressurreição e se unirão Àquele que está em glória. Serão herdeiros e coerdeiros com Cristo.

    A vida sob um céu aberto

    Irmãos e irmãs, temos essas visões? Paulo diz:

    Passarei às visões e revelações.

    Observem que essas palavras estão no plural: não visão, no singular, e revelação, no singular, mas visões e revelações.

    Em outras palavras, Paulo é um homem de visão. Ao ler sobre sua vida, vemos que recebia visões e revelações de tempos em tempos — talvez o tempo todo. Era um homem que vivia sob um céu aberto.

    Queridos irmãos e irmãs, como é importante vivermos sob um céu aberto! Vocês sabem que essa é a nossa herança?

    Se Cristo não tivesse aberto para nós o novo e vivo caminho, o céu estaria para sempre fechado para nós. Estaríamos vivendo sob um céu de bronze e de ferro. Não haveria chuva nem orvalho. Viveríamos com fome e sede, naturalmente, falando em termos espirituais.

    Mas, graças a Deus, nosso Senhor Jesus abriu para nós um novo e vivo caminho até o Santo dos Santos. O véu foi rasgado.

    Portanto, é nossa herança; é nossa porção que nós, como crentes, vivamos sob um céu aberto. Se o céu está fechado sobre nós, há algo errado.

    Se não conseguimos ver Cristo, há algo errado. Se não conseguimos receber revelação, há algo errado. Se vivemos de tradições, há algo errado.

    Devemos viver sob um céu aberto, e visões e revelações devem ser a nossa porção. Não se trata de algo espetacular ou estranho; deve ser o nosso alimento diário.

    A vida de Paulo governada pela revelação

    Na vida de Paulo, vemos que ele recebeu revelação após revelação, começando no caminho de Damasco. Antes disso, não tinha visão nem revelação alguma. Tudo o que tinha era tradição — o melhor da tradição.

    Mas, a partir do caminho de Damasco, começou a receber revelações. Recebeu uma visão no caminho de Damasco. Viu o Homem em glória.

    Aquele Homem em glória o confrontou e disse:

    Saulo, Saulo, por que Me persegues?
    Duro é para ti recalcitrar contra o aguilhão.

    Paulo precisou se render e dizer:

    Senhor, que queres que eu faça?

    Foi-lhe dito que fosse a Damasco e esperasse. Mas esse não foi o fim da sua visão. Enquanto jejuava e orava durante aqueles três dias, viu, numa visão, um homem vindo até ele — Ananias.

    Esse homem impôs as mãos sobre ele e abriu seus olhos. A revelação continuou. Em outras palavras, ele não apenas viu a Cabeça, Cristo, o Homem em glória no céu, mas também viu uma parte do corpo.

    Ananias representava aquele corpo de Cristo em Damasco, e Saulo foi unido àquele corpo. Mas esse não foi o fim.

    Quando estava em Jerusalém, depois de voltar do deserto, foi ao templo. Enquanto orava, foi-lhe dito:

    Sai de Jerusalém. Vai embora. As pessoas daqui não aceitarão o teu testemunho.

    Paulo disse:

    Senhor, eles me conheciam. Conheciam o meu passado. Por causa de uma mudança tão tremenda, certamente o meu testemunho terá peso entre eles.

    Mas Deus disse:

    Não, vai embora. Não fiques aqui. Vai às nações.

    De fato, ele precisou ir. Foi enviado a Tarso. É por isso que algumas pessoas dizem que “há catorze anos” se refere àquele período em que ele esteve em Tarso.

    Mas, de qualquer maneira, ao longo de toda a sua vida, vemos que ele continuou recebendo visões e revelações.

    Algo aconteceu na igreja em Antioquia. Algumas pessoas vieram da parte de Tiago, de Jerusalém, e começaram a ensinar que era necessário ser circuncidado e guardar a lei de Moisés para ser salvo e aperfeiçoado.

    Houve uma discussão. Vocês se lembram de que a igreja em Antioquia enviou Barnabé e Paulo de volta a Jerusalém para se encontrarem com os apóstolos e os presbíteros, a fim de decidir essa questão.

    Contudo, em Gálatas 2, Paulo nos diz que foi a Jerusalém por revelação. Não foi simplesmente porque a igreja em Antioquia o enviou para lá. Na verdade, ele recebeu uma revelação de Deus de que deveria ir. Por isso, foi.

    Vemos que toda a sua vida era governada pela revelação.

    Vocês também se lembram de que, durante sua segunda viagem missionária, ele pensava em ir para a Ásia, mas Deus não permitiu. Pensava em ir para a Bitínia, mas o Espírito de Cristo não permitiu.

    Então, seguiu adiante até chegar a Trôade, aquela cidade portuária, e não havia para onde ir. Num sonho, numa visão, um macedônio apareceu a ele e disse:

    Passa para cá e ajuda-nos.

    Na manhã seguinte, todos decidiram que deveriam ir para a Macedônia. Foi a primeira vez que o evangelho passou da Ásia para ser pregado na Europa.

    Quando ele estava em Corinto, a oposição era grande. Deve ter sentido um pouco de medo. Vocês se lembram de que o Senhor esteve ao seu lado à noite e disse:

    Não temas. Tenho muito povo aqui. Permanece.

    Paulo permaneceu ali por um ano e seis meses.

    Quando foi preso em Jerusalém, o Senhor novamente o consolou, colocando-Se ao seu lado e dizendo:

    Não temas. Darás testemunho de Mim em Roma.

    Quando toda esperança havia sido abandonada, um anjo do Senhor esteve ao seu lado e disse:

    Não temas. Comparecerás perante César.

    Assim, vemos que, ao longo de toda a sua vida, Paulo foi um homem de visão e de revelações. Foram-lhe dadas visões e revelações para guiá-lo, fortalecê-lo e ajudá-lo durante toda a sua vida. Ele vivia sob um céu aberto.

    Queridos irmãos e irmãs, isso é verdade a nosso respeito?

    Não basta simplesmente testemunhar que, catorze anos atrás, vocês receberam uma visão ou uma revelação. Mas e hoje?

    É importante que toda a nossa vida seja vivida sob um céu aberto. Deve haver uma abertura do céu para nós, um desvelar da mente e do coração de Deus para nós, de maneira contínua e crescente.

    Na verdade, isso não tem fim. É infinito. Mas estamos vivendo sob um céu aberto? Temos visões e revelações?

    A necessidade da visão

    Em Provérbios 29:18, o conhecido versículo diz:

    Onde não há visão, o povo se entrega à falta de freios.

    Algumas versões dizem:

    Onde não há visão, o povo perece.

    Onde não há visão, o povo se desintegra.

    Como é importante termos visão! Por quê? Porque a visão nos dá direção. A visão nos fortalece. A visão nos sustenta em meio às provações e aos testes. A visão nos une.

    Sem visão, somos como coisas dispersas, mas a visão nos une em um só. Sem visão, nos entregamos à falta de freios. Em outras palavras, cada um faz o que quer. Não há restrição, não há disciplina.

    A visão nos constrange, nos contém e nos edifica. Precisamos de visão.

    A natureza da visão espiritual

    Irmãos e irmãs, o que é essa visão? Não estamos falando simplesmente de algo que vocês veem com os olhos físicos. Às vezes, Deus realmente desce ao nosso nível e permite que vejamos algo fisicamente, mas isso não é o importante.

    O importante é que uma visão ou uma revelação é um desvelar do coração e da mente de Deus.

    Em Deus há um mistério, um segredo. Em Deus estão o Seu propósito e a Sua vontade. Mas Deus está disposto a nos dar a conhecer Sua mente, Sua vontade e Seu segredo. Como? Revelando-os por meio do Espírito Santo.

    Ele revela Sua mente ao nosso espírito por meio do Espírito Santo. Ali, em nosso espírito, recebemos uma visão. Vemos algo. Vemos a realidade espiritual — não a aparência.

    Até mesmo as visões que os profetas tiveram no Antigo Testamento eram aparências e impressões. Não eram a realidade em si. A realidade é o que está por trás delas.

    Mas a visão é aquilo que Deus desvenda. Em nosso espírito, vemos a realidade — a realidade eterna — de Deus. Isso é visão.

    A menos que vejamos isso, a menos que vejamos o propósito eterno de Deus — o que Deus realmente deseja, o que Ele está fazendo hoje e ao longo dos séculos, o que Ele quer —, nós nos desintegraremos.

    Vamos nos despedaçar. Não conseguiremos permanecer firmes nas perseguições e nas provações. Não haverá força. Seremos espalhados por todos os cantos da terra. É a visão que nos dá força e direção.

    Lembrem-se de quando Paulo compareceu perante Agripa. Ele disse:

    Ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial.

    Se vocês querem avaliar a vida de Paulo, se querem avaliar o que ele fez, esta é a resposta:

    Não fui desobediente à visão celestial.

    Aqui, ele reúne todas as visões e revelações que recebeu ao longo da vida na visão celestial.

    A visão celestial e o propósito de Deus

    Sabem, irmãos e irmãs, quando falamos de visão, encontramos pessoas que dizem: “Bem, eu tenho uma visão”.

    Provavelmente, todos nós temos algumas visões e revelações. Na verdade, se vocês nunca receberam nenhuma revelação ou visão, não pertencem ao Senhor.

    Como vocês vieram a Cristo? Como se tornaram crentes? Foi porque Cristo disse:

    Meu Pai, que está nos céus, O revelou a ti.

    Aprouve a Deus revelar Seu Filho em mim.

    Se não houver revelação, se não houver visão, nunca seremos salvos. Podemos considerar Jesus o maior homem do mundo, mas nunca O veremos como o Cristo, o Filho do Deus vivo.

    Não haverá fé viva Nele. Portanto, em certo sentido, todos os crentes, em algum momento, tiveram uma visão e receberam uma revelação. Isso é verdade. Mas esse é o começo; não é o fim.

    Isso nos mostra que toda a nossa vida cristã deve ser uma vida de visão, uma vida vivida sob um céu aberto. Há muito mais que precisamos receber.

    As visões parciais e a visão integral

    Às vezes, ouvimos pessoas dizerem: “Eu realmente tenho uma visão”. Ora, que visão elas têm?

    Algumas pessoas têm uma visão da evangelização mundial. Veem o mundo evangelizado, o mundo inteiro vindo a Cristo. Têm essa visão. Graças a Deus por essa visão.

    Algumas têm a visão de que todos sejam curados. Deus é Aquele que cura, um poderoso Curador, e ninguém deveria permanecer enfermo. Todos deveriam ser curados. Graças a Deus por essa visão.

    Ou algumas pessoas entendem que todo cristão deveria ser próspero e rico — o evangelho da prosperidade. Algumas dizem que têm essa visão: “Você não precisa dirigir um Chevrolet; pode dirigir um Cadillac ou um Lincoln Continental”.

    Outras pessoas podem ter uma visão de abrir um orfanato, uma visão de abrir um hospital, uma visão de ser missionário em outro país, ou uma visão disto e uma visão daquilo.

    Ora, graças a Deus por todas essas visões. Elas são verdadeiras. Às vezes, são apenas ideias, mas, às vezes, são visões que vêm de Deus.

    Mas, queridos irmãos e irmãs, vocês sabem que, por termos visões disto e visões daquilo, em vez de encontrarmos o povo de Deus unido, descobrimos que suas visões o dividem?

    Cada um pensa que a sua visão é a visão. Cada um pensa que aquilo é o que Deus está fazendo. Em vez de reunir o povo de Deus, essas visões o dividem. Por quê?

    Só consigo pensar num quebra-cabeça. Sabem, vocês podem ter um quebra-cabeça de cem peças ou, talvez, de duzentas peças. Todas as peças têm formatos muito estranhos.

    Talvez vocês peguem uma peça, e eu pegue outra. Vocês pensam: “É isso. É isso”.

    Mas, irmãos e irmãs, isso não é o todo. É apenas uma parte.

    Essa peça, por si só, não tem sentido. Parece estranha. Vocês não conseguem descobrir o que ela é. Somente quando juntam todas as peças é que conseguem enxergar.

    Vocês não apenas veem a visão, mas também veem que papel a sua peça desempenha naquela imagem.

    O problema do povo de Deus hoje é que temos todas essas peças e fragmentos. Temos esta visão, aquela visão, esta revelação, aquela revelação. Se vêm de Deus, graças a Deus por todas essas visões e revelações. Não desprezem nenhuma delas. Todas são importantes e necessárias.

    Mas, se vocês não veem o todo, irmãos e irmãs, isso não tem sentido. Não serve ao propósito de Deus. Fica aquém da glória de Deus.

    A evangelização no propósito eterno de Deus

    Por exemplo, a evangelização mundial. Certamente, devemos pregar o evangelho a todas as nações. Certamente, Deus quer que todos sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade, porque não é desejo do Seu coração que alguém pereça.

    Certamente, devemos ir e pregar o evangelho e fazer discípulos de todas as nações, batizando-os e ensinando-lhes todas as coisas que Cristo nos ordenou. Certamente, devemos fazer isso.

    Mas suponham que todas as pessoas do mundo sejam evangelizadas e salvas. E depois? E depois?

    Por que Deus quer que elas sejam salvas? Por que Deus salva vocês? Ele quer salvá-los apenas para que possam ir para o céu e caminhar pela rua de ouro? Não ruas — rua, uma única rua. É só isso?

    Irmãos e irmãs, por que Deus quer que vocês sejam salvos? A evangelização mundial é parte da visão celestial.

    O Homem em glória — Deus tem os Seus olhos voltados para o Homem em glória. Deus quer o homem, mas esse Homem está em glória.

    Hoje, o homem está em vergonha e humilhação, em pecado, sob maldição e na morte. Mas, graças a Deus, há um Homem em glória hoje. Esse Homem em glória deve conduzir o homem à glória. É isso que Deus quer.

    Deus quer um novo homem. No novo homem, não há judeu nem gentio, nem americano nem chinês.

    Nesse novo homem, Cristo é tudo e está em todos. É isso que Deus quer. Essa é a imagem.

    Irmãos e irmãs, se Deus lhes deu uma parte a desempenhar — uma peça —, coloquem-na ali. Encaixem-na com as outras peças, e então verão o todo surgir: uma imagem gloriosa, o Homem em glória.

    A integração da visão no corpo de Cristo

    Lembrem-se, queridos irmãos e irmãs: todas essas visões e revelações vão preenchendo a visão.

    Como é uma bênção ser como Paulo: no início, enxergar primeiro a estrutura dessa visão. Depois, à medida que vocês prosseguem com o Senhor, essa estrutura vai sendo preenchida com visões e revelações. Isso evitará muitos problemas.

    Mas, infelizmente, muitos do povo de Deus só veem pedaços e fragmentos. Tomam esses pedaços e fragmentos como se fossem o todo, sem enxergar a visão geral de Deus.

    Oh, irmãos e irmãs, que o Senhor tenha misericórdia de nós.

    Não há nada mais necessário entre o povo de Deus hoje do que recebermos, pela graça de Deus, o espírito de sabedoria e de revelação para o verdadeiro e pleno conhecimento de Deus.

    Que conheçamos o Seu propósito eterno e saibamos o que a visão celestial realmente é.

    Queridos irmãos e irmãs, se vocês enxergarem isso, então, quando o Senhor começar a preencher a visão, saberão onde cada peça deve ficar. Cada peça será unida e ajustada às demais.

    É isso que significa sermos ajustados e unidos uns aos outros, e cada um cumprir a sua parte para a edificação do corpo de Cristo em amor.

    Portanto, um homem espiritual é um homem de visão.

    Oração final

    Vamos orar?

    Nosso Pai celestial, nós Te louvamos e Te agradecemos porque abriste para nós o caminho para o céu. Não há necessidade de vivermos sob um céu fechado.

    Nós Te louvamos e Te agradecemos porque esta é a nossa porção: um céu aberto para nós.

    Ó Senhor, dá-nos visão e revelação para que possamos conhecer-Te e conhecer o Teu Cristo. Que conheçamos a Tua vontade e aquilo em que Te agradas. Que vejamos aquele Homem em Cristo, aquele Homem em glória.

    Ó Senhor, livra-nos de tomar uma parte como se fosse o todo. Ensina-nos a encaixar essa parte no todo. Guia-nos e conduze-nos. Tem misericórdia de nós como povo.

    Abençoa o Teu povo em toda parte, em toda esta igreja. Dá a Tua visão celestial ao Teu povo. À medida que o tempo se aproxima, Senhor, queremos que tenhas aquilo que buscas.

    Queremos nos entregar a Ti para esse propósito. Pedimos em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.