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    Worship: Prayer & Worship
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    Kaung, Stephen

    Adoração e Oração na Vida da Igreja

    Abram em Atos 2.

    Atos 2:42:

    E perseveravam na doutrina e na comunhão dos apóstolos, no partir do pão e nas orações.

    Mateus 6. Vamos ler Mateus 6:9-13:

    Portanto, orai vós assim:
    Pai nosso, Que estás nos céus, santificado seja o Teu nome;
    venha o Teu reino;
    seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu.
    Dá-nos hoje o pão de que necessitamos;
    e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também perdoamos aos nossos devedores.
    E não nos conduzas à tentação, mas salva-nos do mal.

    Vamos orar?

    Nosso Pai, como nos alegramos em Tua presença, sabendo que Tu és nosso Pai celestial e que somos, de fato, Teus filhos. Oh, como Te louvamos e agradecemos. Tu, Que nos deste o Teu Filho unigênito, não nos darás também todas as coisas?

    Ao entrarmos em Tua presença, nosso coração se volta para Ti em amor e adoração. Desejamos, Senhor, entregar mais de nós mesmos a Ti, assim como Tu nos deste tudo. E pedimos que abençoes a Tua palavra enquanto meditamos juntos, em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.

    A Oração como Expressão Coletiva da Comunhão Apostólica

    Na igreja primitiva, vemos que os crentes perseveravam; permaneciam juntos na doutrina e na comunhão dos apóstolos.

    A expressão prática e coletiva de que eles realmente permaneciam na doutrina e na comunhão dos apóstolos estava no partir do pão e na oração. Portanto, espero, irmãos e irmãs, que sempre nos lembremos de que o partir do pão e a oração são as duas expressões práticas e coletivas de nossa perseverança na doutrina e na comunhão dos apóstolos.

    Na última vez em que estivemos juntos, abordamos essa questão da adoração e do partir do pão. Creio que isso está muito claro. Nesta manhã, gostaríamos de abordar a adoração e a oração.

    A Vida de Oração do Senhor Jesus

    Se vocês lerem os Evangelhos, se estudarem a vida de nosso Senhor Jesus, verão que, durante toda a Sua vida, embora Ele seja o Filho de Deus, enquanto esteve na terra, Sua vida foi saturada de orações.

    Seria um bom estudo percorrermos os Evangelhos — e não podemos fazer isso nesta manhã; vamos apenas tocar nesse assunto —, identificarmos cada passagem em que nosso Senhor Jesus orou e estudá-las. Vocês descobririam que Sua vida foi saturada, permeada de orações.

    Sua oração não era apenas uma indicação de quanto Ele dependia inteiramente do Pai. Embora pudesse fazer coisas que pessoas comuns não podem fazer, nosso Senhor Jesus disse que nada podia fazer por Si mesmo. A oração certamente indica quanto Ele dependia inteiramente do Pai.

    Mas vemos que Sua oração também era uma expressão de Sua constante comunhão com o Pai. Ele nunca fazia nada sem oração. A oração era Sua própria vida, o próprio fôlego de Sua vida.

    E vemos que, em Sua oração, havia sempre o espírito de adoração.

    A Oração no Batismo de Jesus

    A primeira menção na Bíblia de nosso Senhor Jesus orando ocorre quando Ele foi batizado. Em Lucas 3, lemos que, depois de ser batizado, enquanto Ele orava, o Espírito Santo desceu sobre Ele como uma pomba, os céus se abriram, e a voz disse:

    Este é o Meu Filho amado, em Quem está o Meu prazer.

    Essa é a primeira menção, no Evangelho, de nosso Senhor Jesus orando. É claro que Ele orava antes disso, mas essa foi a primeira menção nas Escrituras, e estava relacionada ao Seu batismo.

    O que o batismo significava para Ele? Quando foi a João Batista para ser batizado, João Batista tentou impedi-Lo. Por quê? Porque João disse que não havia necessidade de Ele ser batizado. O batismo de João era um batismo de arrependimento, e esse Homem, esse Jesus, não tinha nada de que Se arrepender.

    Mas nosso Senhor Jesus disse:

    Deixa que assim seja, por causa da justiça.

    Em outras palavras, quando nosso Senhor Jesus veio para ser batizado por João, não foi porque precisasse disso. Naquele momento, Ele Se ofereceu como sacrifício pelos nossos pecados.

    Ele estava disposto a tomar nosso lugar de arrependimento. Estava disposto a entrar na água, na morte, para nos salvar. Em Seu batismo, Ele Se oferecia voluntariamente. Ninguém O obrigou a fazer isso. Não havia razão pela qual devesse fazê-lo. Ele não tinha obrigação alguma.

    E, ainda assim, voluntariamente, de boa vontade, entregou-Se a Deus como sacrifício pelos nossos pecados. Quando saiu da água, a Bíblia diz que Ele estava orando.

    A Bíblia não nos diz o que Ele orou. Mas creio que, se considerarmos a situação, certamente, enquanto orava, Ele não estava pedindo algo a Deus.

    Muitas vezes, pensamos na oração apenas como um pedido, uma petição. Queremos algo, então oramos e pedimos que Deus nos dê aquilo. Certamente, quando nosso Senhor Jesus saiu da água e estava orando, não estava pedindo algo para Si mesmo.

    Naquele momento, depois de ter acabado de Se oferecer como sacrifício a Deus, Ele estava adorando a Deus. Seu próprio batismo era adoração: entregar-Se a Deus para que Deus O usasse como quisesse, para que o propósito de Deus se cumprisse. Ele orava para que Sua oferta fosse aceita e agradasse ao Pai.

    Ele era inteiramente abnegado. Sabemos que adoração é uma expressão de amor e reverência que se dirige a Deus sem buscar nada para si. Isso é adoração.

    Portanto, creio que, embora a Bíblia não registre Sua oração e apenas nos diga que Ele estava orando, podemos compreender que não se tratava propriamente de uma petição. Deve ter sido uma entrega de todo o Seu ser a Deus, em adoração e amor, oferecendo-Se como sacrifício.

    Por isso, vemos que o Espírito Santo veio sobre Ele e permaneceu Nele como uma pomba. Queridos irmãos e irmãs, todos sabemos o que uma pomba representa.

    Por que, no dia de Pentecostes, o Espírito Santo desceu sobre as pessoas como línguas de fogo, mas, nessa ocasião, veio sobre o Senhor como uma pomba? Porque a pomba é o sacrifício dos pobres.

    Uma pessoa pobre não pode oferecer um novilho. Não pode sequer oferecer uma ovelha ou um cordeiro. A uma pessoa pobre é permitido oferecer uma pomba ou um pombo. Aqui vemos nosso Senhor Jesus oferecendo-Se como sacrifício pelos pobres.

    O Espírito Santo veio sobre Ele e habitou Nele como uma pomba, porque foi pelo Espírito eterno que Ele Se ofereceu sem mácula a Deus. Os céus se abriram, e a voz disse:

    Este é o Meu Filho amado, em Quem está o Meu prazer.

    Em outras palavras, o Pai Se agradou do que Ele fez. O Pai foi verdadeiramente adorado por meio de Sua ação e de Sua oração.

    Portanto, irmãos e irmãs, lembremo-nos de que oração e adoração, adoração e oração, não podem ser separadas. Se não orarmos com um espírito de adoração, isso não será oração de modo algum.

    Os Cinco Elementos da Oração

    Alguém disse que a oração pode ser dividida em cinco elementos. A palavra oração é um termo muito abrangente. O que é oração? Alguém disse que a oração pode incluir estes cinco aspectos.

    Adoração

    Primeiro, oração é adoração. Adoração é a alma absorta na contemplação admirada de Deus, prestando-Lhe culto.

    Esse é o primeiro elemento da oração. É uma alma absorta em admiração. Quando nos aproximamos de Deus, quando a percepção de Sua presença é tão real, ficamos tomados de admiração e assombro por Ele ser um Deus assim, por poder fazer tais coisas.

    Quase não há palavras. Quer vocês expressem isso em palavras, quer, como muitas vezes acontece, fiquem sem palavras, ainda assim é oração. Oração é a alma absorta em prestar adoração a Deus.

    Ações de Graças

    Segundo, oração é ações de graças. Ações de graças são o coração transbordando de gratidão por Suas abundantes misericórdias.

    Por que damos graças? Porque simplesmente ficamos maravilhados com tudo o que Ele fez por nós. Ficamos maravilhados com Suas muitas misericórdias. É por isso que Lhe damos graças, e ações de graças são oração.

    Confissão

    Terceiro, oração é confissão. É a expressão, em palavras, de uma contrição genuína, pelo reconhecimento de que falhamos para com Deus e de que não alcançamos o padrão divino.

    Quando confessamos diante de Deus nossas deficiências, nossas falhas e nossos pecados, isso é oração. Confissão é oração.

    Petição

    Quarto, oração é petição. É apresentar a Deus nossas necessidades pessoais.

    Provavelmente, para a maioria das pessoas, oração é isto: temos uma necessidade pessoal, apresentamos nossas necessidades a Deus e pedimos ao nosso Pai celestial que as supra. Certamente, isso é oração. É petição.

    Intercessão

    Quinto, oração é intercessão. Não apenas oramos por nós mesmos e por nossas necessidades, mas fazemos pedidos por outras pessoas — pessoas que não são tão privilegiadas quanto nós, pessoas que talvez não tenham acesso tão imediato ao trono da graça.

    Por isso, assumimos a responsabilidade de interceder por outras pessoas.

    Uma vida devocional equilibrada, uma vida de oração, deve ser composta destes cinco elementos: não apenas petição por nós mesmos, não apenas intercessão pelos outros, não apenas confissão de nossas deficiências, mas também ações de graças por tudo o que Ele fez por nós e adoração por aquilo que Ele é.

    Esses cinco elementos compõem o que as Escrituras chamam de oração. É claro que o primeiro elemento é o mais fundamental: a adoração.

    Aqui, na primeira menção da oração de nosso Senhor Jesus, vocês podem ver Nele o espírito de adoração — como todo o Seu ser se entregava a Deus, considerando-O digno de receber tudo.

    Jejum e Oração no Deserto

    A próxima menção de nosso Senhor orando está em Mateus. Em Mateus 4:1, depois de ser batizado, Ele foi conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo inimigo. A Bíblia diz que Ele jejuou quarenta dias e quarenta noites.

    Embora a palavra oração não seja usada, sem dúvida, durante aqueles quarenta dias e quarenta noites, enquanto jejuava, Ele estava orando. Por quê? Porque o jejum não é algo que se faz pelo simples ato de jejuar. Vocês jejuam para orar.

    Não se pode separar jejum e oração. Vocês jejuam, negam a si mesmos e, como diz o Antigo Testamento, afligem a própria alma. Jejuar é afligir nossa alma. Jejuar é enfraquecer o poder da alma para que possamos nos concentrar na oração, no poder do Espírito.

    No mundo, fora do cristianismo, as pessoas praticam o jejum. Jejuar não é algo que apenas os cristãos fazem. Em outras religiões, encontramos o jejum. Mas o jejum praticado pelo mundo é muito diferente daquele praticado pelos cristãos.

    Por quê? Porque o jejum praticado pelo mundo visa liberar o poder da alma — não enfraquecê-lo, mas fortalecê-lo. Já o jejum cristão visa enfraquecer o poder da alma e liberar o poder do Espírito. Há uma enorme diferença entre o jejum no mundo e o jejum entre os cristãos.

    Por que jejuamos? Por que afligimos nossa alma? Por que abrimos mão das necessidades legítimas da vida? É com o propósito de orar.

    Não se trata, de modo algum, de esperar que, ao afligirmos nossa alma, essa aflição que impomos a nós mesmos toque o coração de Deus. Esse não é o significado do jejum.

    Jejuar significa que estamos tão empenhados diante de Deus, buscando Sua vontade e desejando fazê-la, que estamos dispostos a negar a nós mesmos e a nos colocar de lado, para não interferirmos de modo algum no agir de Deus. Isso é jejum.

    Aqui vemos nosso Senhor Jesus no deserto, jejuando quarenta dias e quarenta noites. Enquanto jejuava, Ele estava, por assim dizer, afligindo Sua alma. Estava abrindo mão de Si mesmo inteiramente. Por meio do jejum e da oração, não havia Nele nenhum traço do eu.

    É por isso que, depois de quarenta dias e quarenta noites de jejum, quando o inimigo veio tentá-Lo, ao lerem as respostas de nosso Senhor Jesus, vocês verão que, em cada uma delas, nada há do eu, mas tudo é de Deus:

    Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.
    Não tentarás o Senhor teu Deus.
    Somente a Deus adorarás.

    Em cada ocasião, vemos Deus, e nada do eu. Isso é oração.

    Oração é abrir mão de si mesmo e deixar que Deus e Sua vontade sejam tudo. Irmãos e irmãs, muitas vezes, quando oramos, queremos que Deus faça aquilo que desejamos. Em outras palavras, se todas as nossas orações fossem respondidas, isso simplesmente fortaleceria a vida do eu.

    Quando oramos, abrimos mão de nós mesmos completamente? Não queremos nada além Dele e de Sua vontade? Queremos que Ele seja exaltado e que nós sejamos humilhados? Se esse espírito está em nós, isso é oração.

    Vocês nunca podem separar adoração de oração. É com um espírito de adoração que entramos em oração, e o resultado da oração é adoração. Depois de orar e de ter sua oração respondida, você se encontra adorando a Deus.

    A Oração ao Amanhecer

    Outro exemplo: em Marcos 1, de manhã bem cedo, antes de o dia nascer, nosso Senhor Jesus saiu para um lugar deserto a fim de orar.

    Quando o dia amanhecesse, muitas pessoas viriam até Ele. Haveria muitas coisas para fazer. Ele estaria ocupado a cada hora, quase a cada minuto. Sabendo disso, levantou-Se antes de o dia nascer. Foi para lá bem cedo para orar.

    Novamente, não sabemos o que Ele estava orando; isso não está registrado na Bíblia. Mas, queridos irmãos e irmãs, sendo Ele o Filho de Davi, creio que podemos usar as palavras de Davi como uma indicação do que nosso Senhor Jesus deve ter orado de manhã cedo.

    Por exemplo, o Salmo 5 é frequentemente chamado de oração da manhã. Em Salmos 5:3-4:

    Ó Senhor, pela manhã ouvirás a minha voz;
    pela manhã me dirigirei a Ti e olharei para o alto.
    Porque Tu não és um Deus Que tenha prazer na iniquidade:
    o mal não habitará Contigo.

    No Salmo 57, também um salmo de Davi, em Salmos 57:8-10:

    Desperta, minha glória; despertai, alaúde e harpa:
    eu mesmo despertarei bem cedo.
    Dar-Te-ei graças, ó Senhor, entre os povos:
    cantar-Te-ei louvores entre as nações.
    Porque a Tua benignidade é grande até os céus,
    e a Tua verdade, até as nuvens.

    O Salmo 63, um salmo de Davi, em Salmos 63:1:

    Ó Deus, Tu és o meu Deus; de madrugada Te buscarei:
    a minha alma tem sede de Ti,
    a minha carne anseia por Ti,
    numa terra seca e cansada, onde não há água.

    Pela boca de Davi, podemos ver o que o Filho de Davi, Que também é o Senhor de Davi, oraria de manhã cedo. Certamente, de manhã cedo, Ele buscava a face de Seu Pai.

    De madrugada Te buscarei.

    Vemos quanto Ele ansiava por Deus; Sua alma desfalecia de saudade de Deus. Ele estava ali buscando a Deus. Estava ali declarando que Deus maravilhoso Ele é — Sua benignidade, Sua justiça, Sua terna misericórdia, e assim por diante.

    Em outras palavras, a oração de nosso Senhor Jesus ao amanhecer certamente era uma busca da face do Pai: contemplá-Lo, fixar os olhos Nele, em adoração, amor, ações de graças e louvor. Sem dúvida, essa era a parte principal de Sua oração matinal.

    Irmãos e irmãs, é realmente uma boa prática nos levantarmos de manhã cedo. À medida que o dia avança e todas as muitas coisas da vida começam a exigir sua atenção, vocês perceberão que é muito difícil separar tempo para ter comunhão com Deus, buscar Sua face, contemplá-Lo e adorá-Lo.

    É bom começarmos nosso dia com Ele. É bom que, antes de fazermos qualquer coisa, nos apresentemos diante Dele; antes de vermos qualquer coisa, vejamos a face de Deus. É uma boa prática nos levantarmos de manhã cedo. Como disse o salmista:

    Despertarei a alva.

    Não se trata apenas de levantar cedo, mas de levantar cedo para ter um tempo com Deus.

    Nosso Senhor Jesus, ao longo de toda a Sua vida, teve essa vida com Deus, demonstrada em Sua oração ao amanhecer. Como precisamos disso. Como precisamos nos aproximar de Deus no silêncio da manhã e, ali, contemplá-Lo, dar-Lhe graças e louvores, porque ações de graças são oração.

    A Oração Durante a Noite

    Outro exemplo está em Lucas 6. Vemos que nosso Senhor Jesus foi ao monte para orar e passou a noite em oração.

    Ele não apenas orava de manhã cedo, mas também passava a noite em oração. Mais uma vez, não sabemos o que Ele estava orando; isso não foi registrado. Mas podemos perceber o que deve ter orado, porque, na manhã seguinte, escolheu os doze para serem Seus discípulos.

    Sem dúvida, durante a noite, Ele estava orando e buscando a vontade do Pai quanto àqueles que deveria escolher como Seus discípulos — aqueles que deveria escolher para estar com Ele, ser preparados e ser enviados por Ele.

    Irmãos e irmãs, isso não é pouca coisa. Se conhecêssemos esses doze que Ele escolheu, ou se conhecêssemos a nós mesmos, provavelmente nos perguntaríamos se Ele algum dia nos escolheria.

    Sem dúvida, nosso Senhor Jesus conhecia esses doze homens. Conhecia muito bem cada um deles. No que diz respeito à Sua humanidade, sabia que escolher os doze seria uma grande provação para Ele. Humanamente falando, talvez tivesse sido muito mais feliz permanecendo sozinho.

    Escolher esses doze para estar com Ele dia e noite, prepará-los e enviá-los como Seus representantes — quanta paciência Ele teria de exercer. Não era pouca coisa.

    Humanamente falando, nosso Senhor Jesus jamais escolheria esses doze homens — jamais. Mas ali estava Ele novamente, orando durante a noite, abrindo mão de Si mesmo, entregando Sua vida, buscando a vontade do Pai.

    Somente então pôde descer do monte e escolher esses doze homens preciosos — especialmente Judas. Ele sabia que esse homem O trairia, mas o escolheu para estar com Ele e o observava dia e noite.

    Irmãos e irmãs, isso é oração. Ali estava Seu amigo. Ali estava Ele orando e, ao orar, abria mão de Sua vontade e acolhia a vontade do Pai, mesmo que isso significasse provação, tribulação e espinhos.

    Paulo tinha apenas um espinho, mas nosso Senhor tinha doze espinhos em Seu corpo. Eles eram espinhos para Ele, e, ainda assim, Ele os escolheu. Por quê? Porque essa era a vontade do Pai, e isso foi realizado por meio da oração.

    Oh, irmãos e irmãs, nós oramos assim? Quando oramos, estamos tentando forçar a mão de Deus para que Ele faça nossa vontade? Ou, quando oramos, permitimos que Ele nos leve à morte para que Sua vontade seja feita?

    Mesmo que Sua vontade represente uma dificuldade para nós, mesmo que seja um espinho para nós, estamos dispostos a aceitá-la? Isso é oração. É isso que vemos na oração de nosso Senhor Jesus.

    A Oração como Adoração

    É claro que vocês podem percorrer os Evangelhos e encontrar muitos outros exemplos. Todos esses exemplos nos mostram o que a oração realmente é.

    Oração é adoração. É adoração porque exalta a Deus, dá a Deus o lugar que Lhe pertence, leva-nos a abrir mão de nós mesmos, glorifica a Deus e busca que Sua vontade e Seu propósito sejam cumpridos. Portanto, oração é adoração, e deve ser feita em espírito de adoração.

    A Oração da Igreja

    Em Mateus 6 — e isso também está registrado em Lucas 11 —, nosso Senhor Jesus estava orando, e um dos discípulos veio até Ele e disse:

    Senhor, ensina-nos a orar.

    Nosso Senhor Jesus disse:

    Quando orardes, assim orareis.

    Muitas vezes, chamamos isso de Oração do Senhor. Mas, na verdade, é a oração da igreja. O Senhor está ensinando Sua igreja a orar. Portanto, a Oração do Senhor é, na verdade, a oração da igreja.

    A Natureza Coletiva da Oração

    Permitam-me aproveitar esta oportunidade para dizer algo sobre a oração coletiva. A chamada Oração do Senhor é uma oração coletiva. É a oração da igreja. Por isso, Ele disse:

    Pai nosso.

    Não disse “Meu Pai”.

    Quanto à natureza da oração, não há diferença entre oração privada e oração pública, entre oração pessoal e oração coletiva. Vocês não oram com um espírito quando estão sozinhos e com outro quando oram com seus irmãos e irmãs. Não. A natureza da oração é a mesma.

    Mas há uma diferença na maneira de orar — não na natureza, mas na maneira. Na oração coletiva, há uma dimensão adicional. Não é apenas entre você e o Senhor; seus irmãos e irmãs estão com você.

    Na oração coletiva, há uma dimensão adicional: um relacionamento horizontal, além do relacionamento vertical que existe na oração privada. Isso afeta a maneira como oramos e também os assuntos e o conteúdo de nossa oração.

    Primeiro, Ele disse:

    Pai nosso, Que estás nos céus.

    O que significa a palavra nosso? Ela mostra que vocês não estão sozinhos. Não é “eu”, “meu” ou “para mim”; é nosso.

    Quando vocês oram, não oram como uma pessoa isolada; oram representando um grupo de pessoas. Não podem dizer “nosso” se não forem um.

    A palavra nosso significa que compartilhamos o mesmo Pai. Somos um. Ele é nosso Pai. Quando oramos, oramos em unanimidade. Vocês não podem simplesmente vir e fazer sua própria oração, porque, quando vêm orar, fazem a oração da igreja.

    Quando vocês oram, representam todos os irmãos e irmãs. Não estão apenas oferecendo sua oração pessoal. Ou, dito de outra maneira, quando oram, incluem seus irmãos e irmãs em sua oração. Muitos, mas um; um, porém muitos. Essa é a natureza coletiva da oração.

    Quando nos reunimos para orar, irmãos e irmãs, lembrem-se: cada vez que vocês oram, não oram por conta própria. Oram representando os irmãos e irmãs que estão ali. Vocês são simplesmente porta-vozes da igreja.

    Sua voz expressa o encargo que está sobre a igreja. Isso é algo de que precisamos nos lembrar. Quando oramos juntos, oramos como um só, representando todo o grupo.

    Portanto, precisamos orar em unanimidade. Se orarmos como um só homem, e se nossas orações representarem toda a igreja, vocês verão que há um poder tremendo na oração coletiva que não se encontra numa oração pessoal, individual.

    A Oração Significativa em Contraste com a Repetição Vã

    Outra coisa: quando oramos juntos como um só homem, não há necessidade de repetições vãs.

    Isso não significa que não se possa repetir. Até nosso Senhor Jesus repetiu Sua oração. No jardim do Getsêmani, Ele orou três vezes, repetindo as mesmas palavras. Paulo, em 2 Coríntios, repetiu seu pedido três vezes.

    Portanto, isso não significa que não possamos repetir. Se a repetição for para dar ênfase, vocês podem fazê-la. Mas não deve ser uma repetição vã. Qual é a diferença?

    Suponham que, numa reunião de oração, o encargo seja orar por uma conferência. Você sente um encargo de orar pela ministração. Pede ao Senhor que dê a palavra àqueles que vão ministrar. Ao orar, você representa todo o grupo que está ali; não está orando por conta própria, mas com todos os seus irmãos e irmãs.

    Depois que você termina de orar pela ministração, talvez outro irmão ou irmã ainda tenha esse encargo. O encargo ainda não foi plenamente expresso diante de Deus. Outra pessoa assume o mesmo encargo e pede ao Senhor que abençoe a ministração, para que ela expresse verdadeiramente o coração e o pensamento de Deus para aquele momento. Isso não é repetição vã. Isso é ênfase.

    Mas, muitas vezes, a repetição vã é simplesmente cumprir uma formalidade, sem realmente sentir o que se diz. Isso é repetição vã.

    Por exemplo, quando nos reunimos para orar, precisamos nos preparar para a oração. Muitas vezes, dizemos: “Senhor, chegamos a Ti e nos valemos do sangue de nosso Senhor Jesus”, para que o caminho ao trono da graça esteja aberto.

    Depois que um irmão ora assim, outro diz a mesma coisa, e então um terceiro diz a mesma coisa — não para dar ênfase, mas por hábito. Não há necessidade disso.

    Por quê? Porque oramos como um só homem. Aquilo que nosso irmão já orou, nós oramos com ele; portanto, já foi orado. Vocês não precisam repetir, a menos que sintam isso profundamente. Nesse caso, é diferente.

    Brevidade e Participação na Oração Coletiva

    Na oração coletiva, oramos como um só homem. Para fazermos isso bem, é melhor que nossas orações sejam mais curtas.

    Na oração pessoal, você pode passar uma hora orando e apresentando todo tipo de assunto que está em seu coração. Mas, na oração coletiva, não aborde assuntos demais. Por quê? Porque é preciso dar uma oportunidade aos seus irmãos e irmãs.

    Por outro lado, não deixe todas as oportunidades para seus irmãos e irmãs. Faça uma oração breve e objetiva. Não aborde assuntos demais. Um assunto — talvez um aspecto de um assunto — é suficiente.

    Na oração coletiva, porque oramos juntos, é importante que todos oremos. Mais pessoas devem orar, a ponto de não sobrar tempo. Todos são sacerdotes. Todos devem aprender a orar. Todos devem aprender a ser uma expressão de todo o corpo.

    Não permitam que o inimigo feche nossa boca. Esse é nosso privilégio. Num momento de oração, exortamos todos os irmãos e irmãs a orar — não apenas alguns orando o tempo todo, enquanto os outros nunca abrem a boca.

    Que todos os irmãos e irmãs estejam abertos ao Senhor, aprendam a receber o encargo e sejam o vaso, o instrumento nas mãos de Deus, para expressá-lo em favor de todo o grupo. Esse é nosso privilégio.

    O Recebimento do Encargo da Igreja

    Outra coisa sobre a oração coletiva: a oração pessoal é mais fácil, porque você ora por aquilo que pesa em seu coração. Mas, na oração coletiva, é preciso aprender a receber encargos.

    Você pode chegar a um momento de oração e, quando certos assuntos são mencionados para que se ore por eles, não sentir encargo por essas coisas. Ou você não as conhecia antes, ou, mesmo depois de serem mencionadas, não acha que tenham algo a ver com você.

    Quantas vezes estamos tão sobrecarregados com nossos próprios encargos que não conseguimos assumir outros. Quando viermos a um momento de oração coletiva, venhamos tendo já compartilhado todos os nossos encargos pessoais. Deixemos para trás todos os encargos pessoais e venhamos com o coração aberto.

    Devemos estar prontos para receber qualquer encargo que o Senhor dê à Sua igreja naquele momento. Precisamos aprender a receber encargos.

    Talvez, inicialmente, você não sinta encargo por algo, mas, se estiver aberto e se o Espírito do Senhor der esse encargo à igreja, então, sendo membro do corpo de Cristo, certamente também o sentirá. Por isso, será capaz de expressá-lo em oração diante de Deus.

    Parece que sempre acontece assim: quando algo muito pessoal é o assunto da oração — um irmão ou uma irmã está doente ou passando por dificuldades —, conseguimos assumir esse encargo muito rapidamente. Mas, quando chegamos a questões maiores, elas parecem grandes demais para nós. Tornam-se vagas e gerais, e temos dificuldade de assumi-las.

    Isso é algo que precisamos aprender. Precisamos aprender a ter o coração ampliado, para que possamos acolher mais encargos — não apenas questões pequenas, mas também maiores —, a fim de sermos verdadeiramente uma casa de oração para todas as nações.

    Irmãos e irmãs, mencionei apenas algumas coisas para mostrar que, na oração coletiva, há muito que precisamos aprender. Realmente olhamos para o Senhor, para que possamos aprender essas coisas e ser verdadeiramente uma casa de oração para todas as nações.

    A oração é o ministério da igreja. É uma expressão coletiva de nossa perseverança na doutrina e na comunhão dos apóstolos.

    A Adoração no Modelo da Oração do Senhor

    Agora chegamos à chamada Oração do Senhor, que, na verdade, é a oração da igreja. Como o Senhor Jesus nos ensina a orar?

    Todos sabem que o Senhor não está apenas nos ensinando a repetir essas palavras. Vocês podem repeti-las, se seu espírito estiver envolvido, mas o que o Senhor nos dá é o princípio.

    O princípio começa com adoração:

    Pai nosso, Que estás nos céus,
    santificado seja o Teu nome.
    Venha o Teu reino.
    Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu.

    Isso é adoração.

    Pai nosso, Que estás nos céus.

    Quando vocês dizem isso, é como se voltássemos os olhos para nosso Pai, Que está nos céus. Olhamos para Ele com admiração e adoração.

    Santificado seja o Teu nome.

    Nós O exaltamos. Vemos Seu valor. Declaramos que Ele é digno. Isso é adoração.

    Venha o Teu reino.
    Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu.

    Em outras palavras, buscamos o cumprimento da vontade do Senhor e a vinda de Seu reino. Isso é adoração.

    A oração coletiva começa com adoração. Nesse espírito de adoração, somos conduzidos à petição, à intercessão e à confissão.

    O pão nosso de cada dia nos dá hoje.

    Isso diz respeito às necessidades físicas do povo de Deus.

    Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores.

    Isso diz respeito às necessidades da alma do povo de Deus. Em nossa alma, deve haver paz e descanso. Se temos um espírito que não perdoa — algo que nos recusamos a perdoar —, isso afeta nossa alma.

    Não nos conduzas à tentação, mas livra-nos do maligno.

    Isso diz respeito à nossa vida espiritual. Aqui vemos nossas necessidades físicas, psicológicas e espirituais sendo todas apresentadas a Deus em petição e intercessão — não apenas por nós mesmos, mas por toda a igreja e por todo o povo de Deus.

    Em alguns manuscritos, está escrito:

    Porque Teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém.

    A oração termina novamente com adoração. Irmãos e irmãs, lembremo-nos de que realmente não podemos separar oração de adoração. Uma pessoa que não está em espírito de adoração não pode orar. A oração que recebe resposta é feita em espírito de adoração.

    A Oração Coletiva na Igreja Primitiva

    Na igreja primitiva, vemos como isso é verdadeiro. Mesmo antes do dia de Pentecostes, em Atos 1, os cento e vinte se reuniram. Dedicavam-se à oração perseverante, em unanimidade. Foi assim que a igreja começou.

    Aqui vemos cento e vinte pessoas dedicando-se à oração. Não estavam esperando passivamente pelo poder do alto, mas se entregavam ativamente à oração.

    Enquanto oravam, eram guiados pelo Espírito Santo a suprir qualquer deficiência que pudesse haver entre eles. Por meio da oração, estavam prontos; estavam preparados para o derramamento do Espírito Santo.

    Se vocês continuarem lendo o livro de Atos, verão, por exemplo, em Atos 4, que, quando Pedro e João voltaram e relataram o que lhes havia acontecido — como tinham sido perseguidos pelo conselho —, todo o grupo, toda a igreja, orou a uma só voz.

    Muitas vezes me pergunto: como se pode orar a uma só voz? Como se pode orar em unanimidade? Como se pode realmente concordar em oração? Isso parece ser uma das coisas mais difíceis na oração coletiva.

    Na oração pessoal, você só precisa concordar consigo mesmo. Mas, na oração coletiva, precisa concordar com seus irmãos e irmãs, e seus irmãos e irmãs precisam concordar com você. A questão é: como podemos concordar?

    É claro que não se trata de concordância por negociação ou concessões. Certamente não. Mas como podemos chegar a uma só voz, uma só mente, um só pensamento, à concordância e à unanimidade?

    Observem isto: quando oraram juntos, levantaram a voz e disseram:

    Senhor, Tu és o Criador do céu e da terra.

    O que é isso? Isso é adoração.

    Então, fizeram referência à palavra profética e pediram:

    Dá-nos ousadia para que possamos testemunhar e dar testemunho do Teu nome.

    Quando essas pessoas se reuniram para orar, todas estavam inteiramente comprometidas com Deus e com Seu testemunho. Ninguém veio e disse: “Ó Senhor, a perseguição está chegando. Ajuda-nos a escapar dela. Não permitas que piore”. Não.

    Ninguém estava orando por si mesmo. Todos estavam preocupados com o testemunho de Deus. Eram pessoas inteiramente comprometidas com o testemunho de Deus, não importava o que lhes acontecesse. Não estavam pensando em si mesmas; pensavam apenas no que aconteceria ao testemunho de Deus.

    Por isso, pediram a Deus que lhes desse ousadia — não para recuar, mas para avançar. É por isso que podiam orar a uma só voz.

    Muitas vezes, quando não conseguimos orar a uma só voz, é porque não estamos inteiramente comprometidos. Queridos irmãos e irmãs, orar não é brincar. Se não estamos inteiramente comprometidos com Deus e com Seu testemunho, não adianta orar, e não conseguimos orar em unanimidade, porque cada um tem seu próprio pensamento.

    Mas, quando nos reunimos como um povo comprometido com Deus e com Seu testemunho, então, irmãos e irmãs, creio que é fácil orarmos em unanimidade. Por quê? Porque todos concordamos com Ele.

    Vocês não precisam pedir que as pessoas concordem com vocês, nem precisam concordar com as pessoas. Devemos concordar com Ele. Quando concordamos com Ele, podemos orar a uma só voz, movidos pelo Espírito de Deus.

    Queridos irmãos e irmãs, lembrem-se disto: eles podiam orar juntos porque tinham um espírito de adoração. Com esse espírito de adoração, podiam orar como um só homem.

    Que o Senhor nos ajude. Vamos orar?

    Nosso Pai celestial, pedimos que graves em nosso coração que não podemos orar sem um espírito de adoração. Oh, nós Te pedimos, Senhor, que sempre oremos em espírito de adoração, quer oremos individualmente, quer oremos juntos como Teu povo.

    Abençoa-nos. Conduze-nos a essa expressão da igreja em oração, em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.