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    The Divine Annointing #3 © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Divine Annointing #3
    The Divine Annointing #3
    Austin-Sparks, T.

    A Unção do Espírito e o Evangelho da Graça

    É possível que haja aqui, nesta noite, algumas pessoas que não estiveram conosco nas reuniões anteriores desta conferência. Portanto, para benefício delas, posso dizer que, neste período, fomos conduzidos a voltar nossa atenção para o grande tema do Espírito Santo — o Espírito da unção divina para o crente em Jesus Cristo.

    Examinamos esse assunto de várias perspectivas e o desenvolvemos em diversas direções. Assim, nesta noite, nesta reunião de encerramento, voltamos àquela grande passagem fundamental que foi lida aqui no Evangelho de Lucas, capítulo 4.

    Jesus, ao visitar Nazaré, entrou na sinagoga. O assistente, evidentemente sabendo que Ele era daquela cidade e que ali havia sido criado, entregou-Lhe o rolo no qual estavam inscritas as profecias de Isaías.

    Ele o tomou e desenrolou, avançando até o ponto dessas profecias que conhecemos como Isaías 61. Então começou a ler:

    O Espírito do Senhor está sobre Mim,
    porque Ele Me ungiu para anunciar boas-novas aos pobres.

    Portanto, nesta noite, vamos nos ocupar da unção em sua relação com as boas-novas — aquilo que chamamos de evangelho.

    O Evangelho da Graça segundo Lucas

    Agora, como vocês verão, Lucas situa esse episódio bem no início do ministério de Cristo. Ao que parece, o Senhor havia visitado Cafarnaum, talvez tivesse percorrido toda a Galileia, mas chegou muito cedo a Nazaré.

    Em seu relato, Lucas quer deixar claro que o Senhor Jesus, em Seu grande ministério de pregação e ensino, fez soar a nota da graça logo no início — no primeiro sermão que pregou. Toda a partitura que se seguiria, a grande harmonia do evangelho, seria afinada por essa nota fundamental: a graça.

    O propósito particular de Lucas era registrar o evangelho da graça. É especialmente nesse aspecto que ele difere dos outros escritores dos Evangelhos. Mateus nos apresenta o evangelho do reino — não um evangelho diferente, mas um evangelho com esse aspecto particular: o reino de Deus, o reino dos céus.

    Os outros têm seus próprios propósitos ao escrever, mas Lucas sabia muito bem o que pretendia. E assim, de maneira peculiar, seu Evangelho está afinado por essa grande nota inicial: a graça.

    É Lucas quem escreve, com exclusividade, sobre o filho pródigo — uma grande, uma grandiosa história de graça —, sobre a ovelha perdida e a moeda perdida, e coloca sobre todo o seu Evangelho esta declaração:

    Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido.

    É o evangelho da graça. E assim ele apresenta o Senhor Jesus aqui, no início, e nos dá estas palavras:

    O Espírito do Senhor está sobre Mim,
    porque Ele Me ungiu para anunciar boas-novas.

    A graça está aqui. Essa palavra não é mencionada expressamente, mas está presente no idioma original, traduzida em inglês por outra expressão: “proclamar o ano aceitável do Senhor” — que, como muitos de vocês sabem, no texto original é o ano da graça, o ano da graça divina, da graça do Senhor.

    É isso que se destaca aqui de maneira especial. Este é um sermão sobre a graça de Deus, que Lucas apresenta como fundamento de todo o ministério e de toda a obra do Senhor Jesus, e que é declarado como o propósito da unção — aquilo para o qual Jesus foi ungido.

    A unção do Espírito, portanto, tem este propósito: a graça. Graça para esta dispensação, que é o ano — o ano que começou quando Jesus veio e terminará quando Ele voltar.

    É um longo dia, que está se revelando muito mais longo do que qualquer pessoa esperava: não um dia de horas, mas um dia de séculos. Ainda assim, delimitado por um começo e um fim. Entre esses dois limites, o caráter desta dispensação, na qual vocês e eu vivemos hoje, é a grande boa notícia da graça de Deus.

    A Graça Proclamada por meio da Unção

    Bem, para começar, Jesus disse que foi ungido para anunciar boas-novas. A graça é proclamada.

    E a graça é proclamada dentro de um contexto grandioso. Há um duplo pano de fundo para essa declaração do Senhor Jesus sob a direção do Espírito que unge.

    O Retorno do Exílio Babilônico

    Em primeiro lugar, há o pano de fundo de Isaías 61. Agora, se vocês voltarem ao capítulo de onde essa profecia foi tirada, encontrarão ali sua ligação — sua ligação literal e concreta, isto é, com essa mesma profecia.

    É o profeta Isaías quem, em primeiro lugar, está falando de si mesmo. Num primeiro momento, ele não está pensando no Messias que viria. Ele diz de si mesmo:

    O Espírito do Senhor está sobre mim,
    porque Ele, o Senhor, me ungiu para anunciar boas-novas.

    Isaías era o pregador do evangelho naquele tempo.

    Mas vocês percebem o contexto? O contexto ali era o fim do cativeiro do povo do Senhor na Babilônia. Durante setenta longos e penosos anos, eles haviam estado no exílio por causa de seu pecado.

    Depois de longos apelos, súplicas, advertências e rogos, continuaram seguindo o próprio caminho. O profeta disse:

    Todos nós, como ovelhas, andávamos desgarrados;
    cada um se desviava pelo seu próprio caminho.

    Por causa de sua persistência nesse caminho próprio — não no caminho do Senhor —, finalmente o juízo anunciado havia caído sobre eles. Tinham sido levados ao exílio e à escravidão, para ali permanecerem pelo tempo determinado: setenta anos.

    Por mais que alguns tivessem se acomodado e procurado tirar o melhor proveito da situação, ou até mesmo desfrutar de tudo o que a Babilônia tinha a oferecer, havia aqueles que nunca fizeram isso. Havia um grupo considerável daqueles exilados que ansiava por voltar para casa.

    “Este não é o nosso lar. Estamos num país estrangeiro. Este não é o lugar ao qual pertencemos. Sim, vocês podem dizer que estamos idealizando o nosso lar. Ele não é tudo aquilo que, no exílio, imaginamos que seja. Mesmo assim, é o nosso lar. Estamos longe de casa. Esta não é a nossa vida.”

    Temos um pequeno vislumbre de como eles se sentiam em palavras como estas:

    Nos salgueiros penduramos as nossas harpas.
    Como cantaremos o cântico do Senhor em terra estranha?

    Nenhum cântico numa terra estranha. Um povo em escravidão; um povo em fraqueza; um povo privado e despojado de tudo aquilo que, pela vontade de Deus, realmente lhe pertencia; ferido no espírito, aprisionado no corpo, cegado pela frustração e pela decepção, com um anseio que não cessava em seu coração: “Ah, poder voltar para casa!”

    Mas então veio o amanhecer de um dia. O dia raiou, e soou como um toque de trombeta. O profeta está clamando:

    O Espírito do Senhor está sobre mim;
    o Senhor me ungiu para anunciar boas-novas.
    Ele me enviou para proclamar libertação aos cativos,
    e restauração da vista aos cegos,
    para pôr em liberdade os oprimidos,
    para proclamar o ano da graça do Senhor.

    Vocês conseguem imaginar o que aqueles cativos sentiram quando, naquela manhã, ouviram o anúncio: “Chegou o dia da libertação de vocês — o dia em que podem voltar para casa. Vocês podem ter tudo aquilo pelo que seu coração ansiou durante tantos anos. Podem ir. Estão livres.”

    Esse é o primeiro pano de fundo que Jesus retoma, dizendo: “Sim, mas as Minhas boas-novas são ainda melhores do que isso.” Este mundo é assim. Vocês, homens e mulheres, são assim. São exilados do seu lar celestial, estão longe do seu lar celestial — longe da casa do Pai.

    Vocês estão em escravidão, em cativeiro. O deus deste século cegou seus olhos. Estão numa condição lastimável, ainda mais lastimável do que a daqueles exilados na Babilônia. Mas ouçam: Eu venho com boas-novas. Venho lhes dizer que este é o ano da libertação do Senhor — o ano da graça.

    Esse é o evangelho que Ele foi ungido para pregar. Esse é o primeiro dos dois panos de fundo desse maravilhoso primeiro sermão do Senhor Jesus.

    Antes de deixar esse ponto, quero lembrar-lhes que Ele disse:

    Hoje se cumpriu isto aos vossos ouvidos.

    Embora, sem dúvida, literalmente Ele Se referisse àquele sábado específico na sinagoga de Nazaré, espiritualmente isso inaugurou o dia dessa realidade para a humanidade. Chegou o dia da libertação.

    O Ano do Jubileu

    Mas há um segundo pano de fundo, familiar a muitos de vocês. É o pano de fundo daquela grande festa em Israel conhecida como o Ano do Jubileu.

    Uma vez a cada cinquenta anos, na vida de Israel, realizava-se uma grande festa, que durava um ano inteiro. Ao longo dos cinquenta anos, muitas tragédias haviam acontecido; muitas sombras escuras haviam surgido para arruinar e entristecer a vida do povo.

    Aqui está uma família pobre, incapaz de cumprir suas obrigações e pagar sua dívida. Assim, nos termos da lei, aquela propriedade — sua herança — podia ser hipotecada. Seus campos podiam ser tomados e usados para produzir as colheitas que pagariam suas dívidas, e a família não recebia nada daquilo.

    Um filho da família podia ser levado e colocado em trabalho forçado, sem receber salário, para pagar a dívida. Coisas assim — muitas outras coisas assim — podiam acontecer. Ao longo daqueles cinquenta anos, as pessoas passavam por esse tipo de experiência.

    E então chegava o quinquagésimo ano: o Ano do Jubileu. O que acontecia? Com os primeiros raios da aurora daquele primeiro dia do Ano do Jubileu, soavam as trombetas do Jubileu.

    Aqueles que mantinham os filhos em escravidão tinham de ir até eles e dizer: “Você pode voltar para casa. Pode voltar para casa. Não posso mais retê-lo. É o Ano do Jubileu, o ano da libertação. Já não tenho poder algum para mantê-lo aqui. Vá para casa.”

    Usem a imaginação. Uma família em casa, naquela aurora festiva, preparando o lar e examinando o horizonte à espera do retorno daquele filho que havia sido mantido como garantia de sua dívida. Muitos lares, muitas famílias desfeitas, foram restaurados naquele dia.

    E um advogado tem de escrever sobre a escritura da hipoteca: “Cancelada”, e enviá-la àquelas pessoas pobres cuja herança havia sido tomada. Coisas assim estavam acontecendo por toda a terra. Era o Ano do Jubileu. Todos os escravos deviam ser libertados. Todas as propriedades deviam ser devolvidas. Tudo devia ficar livre.

    E ouçam — observem aquela cena. As chaves giram nas celas dos prisioneiros, os portões dos pátios das prisões se abrem, e os carcereiros dizem: “Agora todos vocês podem ir. É o Ano do Jubileu.”

    Esse é o pano de fundo que o Senhor Jesus retoma, dizendo: “Vocês acham que isso foi uma boa notícia para a terra, para aqueles lares, para aquelas pessoas? Boas-novas? Eles ouviram aquelas trombetas do Jubileu. Vocês acham que se alegraram? Certamente se alegraram. Mas Eu tenho um evangelho ainda melhor do que esse.”

    O evangelho — as boas-novas que Eu vim pregar e proclamar — é melhor do que o retorno do exílio babilônico, e melhor até mesmo do que o Ano do Jubileu: o evangelho, a graça de Deus, da salvação eterna.

    Sim:

    Ele Me ungiu para anunciar boas-novas aos pobres.

    Os pobres. Era terrível ser pobre em Israel. Um credor podia vir e levar seu filho, tomar sua casa, tomar sua terra. Era terrível ser pobre.

    Para anunciar boas-novas aos pobres;
    Ele Me enviou para proclamar libertação aos cativos,
    restauração da vista aos cegos,
    para pôr em liberdade os oprimidos,
    para proclamar o ano da graça do Senhor.

    Assim, isso é proclamado com um pano de fundo extraordinário.

    Mas — e não creio estar acrescentando ao texto algo que não está nele — o que o Senhor Jesus realmente quis dizer, e o que isso tem demonstrado significar neste dia tão prolongado, é que aquilo que veio com Ele, pela unção, é melhor do que o que Israel recebeu ao voltar à sua terra e deixar a Babilônia, e melhor até mesmo do que aquilo que recebia em seu Ano do Jubileu, uma vez a cada cinquenta anos.

    O ano pode representar uma vida inteira, mas não é a eternidade. O que Ele veio dar foi a salvação eterna. Bem, não vou me deter nos detalhes. Naturalmente, os prisioneiros, os cegos, os oprimidos e a pobreza — tudo isso tem uma correspondência espiritual.

    A Graça Recebida pelos Necessitados

    Mas o sermão não terminou. De repente, de maneira inesperada, no decorrer de Seu discurso, Ele nos leva de volta aos dias dos dois grandes profetas, Elias e Eliseu.

    E Ele diz, conforme está escrito:

    Em verdade vos digo:
    muitas viúvas havia em Israel nos dias de Elias,
    quando o céu se fechou por três anos e seis meses,
    quando houve grande fome em toda a terra;
    e a nenhuma delas foi enviado Elias,
    senão a Sarepta, na terra de Sidom,
    a uma mulher viúva.

    Fico pensando no que Elias acharia disso. Não sei se ele sabe disso agora. Ele apareceu com Moisés no monte da Transfiguração; talvez saiba mais do que pensamos. Mas tenho certeza de que, se ele sabe agora — ou quando vier a saber —, ficará um tanto surpreso por o Senhor Jesus ter retomado aquele episódio e o utilizado dessa maneira.

    O que Elias diria? “Bem, sim, foi um dia terrível depois da minha declaração: ‘Não haverá chuva sobre a terra pelo espaço de três anos e seis meses’. Um tempo terrível. Havia muitas, muitas viúvas pobres. Mas o Senhor nunca me permitiu ir a nenhuma delas.”

    “Mas um dia, um dia, o Senhor me disse que fosse para fora da terra de Israel — para a terra de Sidom, até uma mulher pobre que era viúva. Eu tive de ir.” Bem, sabemos o que aconteceu ali.

    Elias diria: “Eu nunca percebi o que estava fazendo naquela ocasião. O que eu estava fazendo? Qual era o significado daquilo na mente de Deus?” Ora, o Senhor Jesus revelou o significado oculto disso.

    É na terra de Israel que estão aqueles que pensam ter direito a tudo. Naturalmente, eles são o povo. Têm os oráculos. Têm as ordenanças. Têm os mandamentos. Têm tudo aquilo que Deus deu no Sinai. Têm tudo. São o povo que tem direito a tudo.

    Satisfeitos consigo mesmos, cheios de sua própria importância, sob juízo por causa de seu orgulho e de sua arrogância, eles, portanto, não estão em condições de receber a graça. Vocês nunca conhecerão a graça de Deus se tiverem esse tipo de espírito ou de mentalidade.

    Vocês precisam ser como uma viúva pobre — uma viúva pobre considerada alguém de fora —, e então conhecerão a graça.

    E essa é uma descoberta para Elias: sob a direção do Espírito de Deus, ele estava representando, na prática, o evangelho da graça. Nesse sentido, ele é para aqueles que reconhecem sua necessidade, verdadeiramente conscientes de que, se hão de receber alguma coisa, terá de ser pela graça de Deus — por Sua misericórdia, imensa e gratuita.

    Somente pessoas que não têm qualquer senso de mérito em si mesmas, nem de direito a coisa alguma, podem falar assim: “Sua misericórdia, imensa e gratuita”. E foi uma viúva pobre, na terra de Sidom, quem veio a conhecer o evangelho da graça de Deus.

    Mas o Senhor Jesus não termina aí:

    Muitos leprosos havia em Israel no tempo do profeta Eliseu;
    e nenhum deles foi purificado,
    senão Naamã, o sírio.

    Eliseu tinha a unção. Pela unção, poderia ter purificado todos os leprosos de Israel, mas não lhe foi permitido ir a nenhum deles. Era Israel — era Israel quando Israel não estava em condições de conhecer a graça de Deus.

    Mas havia um homem que era estrangeiro, alguém inteiramente de fora, que não pertencia a Israel: Naamã, o leproso. E somente a ele Eliseu foi enviado. Só ele, alguém de fora, foi purificado de sua lepra por Eliseu.

    Vejam, o Senhor Jesus está dando uma ênfase extraordinária a isto: o evangelho é o evangelho da graça.

    Por um lado, vocês não têm lugar neste ano aceitável do Senhor, neste ano da graça, com tudo o que ele significa — não têm lugar nele se ainda esperam encontrar aquilo que procuram em qualquer outra direção que não seja a graça de Deus. Vocês simplesmente ficam de fora.

    Por outro lado, se vocês são como a viúva de Sarepta ou como Naamã, o sírio — conduzidos e governados por essa consciência de pobreza e de pecado —, são os candidatos ao evangelho, às boas-novas, à graça de Deus.

    E penso que Eliseu ficaria um tanto surpreso se soubesse que aquilo que fez por Naamã, o sírio, seria retomado pelo Senhor Jesus séculos depois e usado como uma ilustração vívida da graça de Deus — que ele estava representando, na prática, o evangelho da graça.

    A Rejeição e o Triunfo da Graça

    Ela é proclamada. É ilustrada e apresentada dessa maneira vívida e poderosa pelo Senhor Jesus. Mas assim é o coração humano.

    Queridos amigos, como isso se confirma ali, naquela sinagoga! Pela unção, Ele está proclamando as boas-novas — o evangelho da graça, o Ano do Jubileu, o ano da libertação do Senhor.

    Eles não estão dispostos a se incluir entre os pobres, os cegos, os prisioneiros e os necessitados. Ainda se apoiam em sua dignidade religiosa como o povo, e, como resultado, rejeitam Aquele que trouxe as boas-novas da graça e querem destruí-Lo.

    Assim é o coração humano. Assim é o coração humano. É isso que os homens fariam.

    Eles podem ir à igreja todos os domingos e, em sua religião, dizer: “Deus, tem misericórdia de nós. Deus, tem misericórdia de mim, pecador”. Então vocês os encontram logo depois e dizem: “Olá, seu miserável pecador”, e vejam o que lhes acontece. “Ah, não, isso eu não aceito.”

    É isso que acontece ali. Ele estava tentando fazê-los enxergar, por um lado, que precisavam da graça de Deus — precisavam da graça de Deus — e, por outro, que a graça de Deus havia chegado a eles naquele mesmo dia, em Sua Pessoa.

    Mas sua cegueira é tão grande e seu aprisionamento tão forte, estão tão longe de Deus no exílio, que tomarão o próprio Mensageiro da graça e O destruirão, se puderem. A graça rejeitada.

    Não me surpreende que Natanael tenha dito: “Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?” Não, essa é Nazaré. Mas mesmo ali — maravilha das maravilhas — Aquele que conhecia Sua própria cidade, Aquele que conhecia a situação ali, Aquele que conhecia aquelas pessoas, Aquele que conhecia seu orgulho, seu preconceito e sua intolerância — Ele sabia de tudo isso.

    Ele havia vivido ali durante anos. Ele sabia, Ele sabia. E esse próprio sermão mostra que Ele sabia. Ainda assim, fez daquele lugar o lugar para pregar a graça de Deus. Maravilhoso.

    Vocês diriam: “Esse é o lugar que deve ser deixado de lado. Nunca vá até lá pregar boas-novas. Eles não as aceitarão. Não as aceitarão. Na verdade, você descobrirá que farão mais do que rejeitá-las: rejeitarão você.”

    Mesmo assim, o Filho de Deus sabia, quando veio a este mundo, que recepção teria.

    Veio para o que era Seu,
    e os Seus não O receberam.

    Ele sabia que veio a um lugar onde não seria ouvido.

    Mas Ele leva Sua misericórdia, imensa e gratuita. Porém esse não é o fim da história. Lamento que ela esteja dividida dessa maneira. O fim da história — ah, sim, eles O levaram ao cume do monte sobre o qual sua cidade estava edificada, para lançá-Lo de lá de cabeça para baixo.

    Ele foi a Cafarnaum, uma cidade da Galileia. Estava ensinando no sábado. Havia na sinagoga um homem que tinha o espírito de um demônio imundo. Vocês conhecem o restante.

    Como isso realmente termina? Assim:

    E a Sua fama se divulgava
    por todos os lugares da região circunvizinha.

    A graça foi proclamada. A graça foi ilustrada. A graça foi rejeitada. Esse não é o fim. Aqui, por fim, a graça triunfa.

    Ali em Cafarnaum, uma pobre criatura atormentada e dominada pelo demônio é libertada. As pessoas se maravilham. A fama, a notícia, percorreu toda a região. Que tipo de notícia vocês acham que era?

    Vocês examinam isso e veem aquilo que os maravilhou: a graça — graça que vinha de Seus lábios, graça que vinha de Sua mão, graça que vinha de Sua presença. Graça.

    O Espírito do Senhor está sobre Mim,
    porque o Senhor Me ungiu
    para anunciar boas-novas aos pobres.

    Era isso que significava: aqueles que precisam dela — não, aqueles que sabem que precisam dela; cuja única esperança é a graça de Deus. O ano da graça. O ano da libertação. O Ano do Jubileu.

    A Responsabilidade da Igreja Ungida

    Queridos amigos, esse é o efeito da unção — a tarefa da unção. O Espírito Santo assumiu a responsabilidade por isso: o evangelho da graça de Deus.

    Vocês e eu estamos sob a mais séria obrigação. Nós mesmos devemos ser filhos da graça de Deus, e devemos ser aqueles cuja característica suprema, ao longo de toda a vida, é a graça — graça, maravilhosa graça.