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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    The Divine Annointing #1 © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Divine Annointing #1
    The Divine Annointing #1
    Austin-Sparks, T.

    A Unção Divina e a Autoridade Espiritual

    Dando continuidade à meditação de mais cedo, leremos nesta noite o Evangelho segundo Lucas, em Lucas 3:21-22 e no capítulo 4.

    E aconteceu que, sendo todo o povo batizado, e sendo Jesus também batizado e estando Ele a orar, o céu se abriu; e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corpórea, como uma pomba; e veio uma voz do céu: Tu és o Meu Filho amado; em Ti Me comprazo.

    — Lucas 3:21-22

    E Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi conduzido pelo Espírito no deserto, durante quarenta dias, sendo tentado pelo diabo. E naqueles dias não comeu coisa alguma; e, quando se completaram, teve fome.

    E disse-Lhe o diabo: Se Tu és o Filho de Deus, manda que esta pedra se torne pão.

    E Jesus lhe respondeu: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem.

    E, levando-O a um lugar alto, mostrou-Lhe todos os reinos do mundo num momento de tempo.

    E disse-Lhe o diabo: Dar-Te-ei toda esta autoridade e a glória destes reinos; porque me foi entregue, e a dou a quem eu quiser. Se Tu, pois, me adorares, tudo será Teu.

    E Jesus respondeu e lhe disse: Está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e somente a Ele servirás.

    E levou-O a Jerusalém, e colocou-O sobre o pináculo do templo, e disse-Lhe: Se Tu és o Filho de Deus, lança-Te daqui abaixo; porque está escrito:

    Aos Seus anjos dará ordens a Teu respeito, para Te guardarem; e eles Te sustentarão nas mãos, para que não tropeces com o Teu pé em alguma pedra.

    E Jesus, respondendo, disse-lhe: Dito está: Não tentarás o Senhor teu Deus.

    E, tendo o diabo terminado toda a tentação, afastou-se Dele por algum tempo.

    E Jesus voltou no poder do Espírito para a Galileia; e a Sua fama se espalhou por toda a região circunvizinha.

    — Lucas 4:1-14

    O Espírito do Senhor está sobre Mim, porque Ele Me ungiu.

    — Lucas 4:18

    O Significado da Unção Divina

    Assim, continuamos a considerar esta questão da unção divina, confiando na ajuda do Senhor.

    Jesus passou seis semanas no deserto, jejuando. Não nos é dito o que Ele fazia durante aquelas mais de mil horas. Bem, sem dúvida, grande parte desse tempo foi passada em oração. Deve ter havido muita reflexão, meditação e preparação para tudo o que aquela unção envolvia.

    Podemos dedicar um pouco de tempo a tentar compreender por dentro aquele período tão profundamente significativo. Talvez seja surpreendente fazer deduções, mas creio que não estaremos longe da verdade nas conclusões a que chegarmos.

    A Consciência de Cristo acerca de Seu Destino

    Começamos reconhecendo que havia em Cristo uma consciência subjacente de estar aqui neste mundo como um Homem com um destino, como Alguém a Quem estavam ligadas questões de enorme importância no propósito e nos desígnios de Deus.

    Ele tinha em Si uma percepção singular de Sua relação com Deus como Seu Pai. Ao que parece, isso O acompanhava pelo menos desde a infância. E havia Nele um espírito, um propósito de missão — como já disse, um destino extraordinário.

    Forças incomuns e extraordinárias haviam atuado em Seu espírito ao longo de Sua vida: um impulso, uma compreensão, uma percepção profunda de que coisas grandiosas estavam ligadas à Sua presença neste mundo. Essa era a consciência subjacente àquele período específico no deserto.

    Então chegou o dia em que Ele soube em Seu espírito, pelo mesmo impulso e pela mesma força interior, que precisava dar um passo decisivo. Esse movimento do Espírito O levou ao Jordão.

    O Cumprimento das Escrituras

    Sem dúvida, Ele era guiado pelo Espírito em Seus movimentos, pois esses movimentos correspondiam tão exatamente a muitas Escrituras do Antigo Testamento que precisavam ser cumpridas. Seus movimentos traziam em si muitas profecias.

    Sabemos como Mateus foi capaz de discernir isso. Quantas vezes Mateus diz:

    Para que se cumprisse a Escritura.

    É como se ele estivesse assinalando as Escrituras que se cumpriam nesses diversos movimentos, atividades e pronunciamentos do Senhor Jesus.

    Estamos em terreno seguro quando dizemos que o Espírito, Que havia dado aquelas Escrituras, O guiava para elas — ou para seu cumprimento — e que todos os Seus movimentos estavam de acordo com o plano, de acordo com o programa, de acordo com a Palavra.

    No deserto, fica muito claro que é a Palavra que governa. Ele Se move de acordo com a Palavra, em cumprimento da Escritura. Consciente de que havia chegado o dia de dar aquele grande e decisivo passo, Ele foi ao Jordão, afastou a objeção de João e insistiu em ser batizado.

    O Batismo e o Caminho da Cruz

    O contexto principal de tudo isso é a cruz. Não há dúvida a respeito. O batismo implicava o grande contexto da cruz.

    Sem dúvida, foi nesse contexto mais amplo — aquela consciência subjacente, o cumprimento da Palavra de Deus, a obediência a ela em cada passo e movimento, e essa rendição ao que o batismo implicava e envolvia, isto é, a cruz em todo o seu significado —, com esse sentido pleno, abrangente e profundo, que o Espírito Santo veio sobre Ele.

    Isso foi seguido por uma prova. E então, o que poderíamos ter esperado imediatamente? Seja o que for que tivéssemos esperado, o que vem em seguida não corresponde em nada à nossa expectativa: é o deserto.

    Tudo isso constitui o pano de fundo: uma poderosa consciência de destino e missão; obediência absoluta e minuciosa à Palavra; e uma rendição completa e incontestável ao caminho de Deus. O céu responde a isso. O Espírito irrompe e vem sobre Ele em meio a toda essa consciência.

    Não é isso que você espera. Você chegou até esse ponto; tem todo esse fundamento. Você não espera que a próxima coisa seja o deserto. Mas, quer espere, quer não, muitas vezes é isso que vem.

    A Filiação como Foco do Ataque Satânico

    Agora Ele está no deserto, e aqui observamos o ponto central do ataque de Satanás. Satanás concentrou seu ataque na questão da filiação. Não há como confundir isso.

    Variando seus métodos e seus meios de ataque, vindo por caminhos diferentes, a única coisa presente em todas as vezes é:

    Se Tu és o Filho.

    Se Tu és o Filho.

    Esse é o ponto central de todo tipo de ataque satânico. Não se enganem a respeito disso. É isso que ele procura atingir. É isso que importa.

    Mas já dissemos que Satanás não está atacando apenas o fato da filiação. Ele está atacando o significado daquilo que a filiação implica, representa e envolve.

    A filiação envolve e implica uma herança pessoal e familiar, e a condição de herdeiro. Essa consciência no Senhor Jesus não era apenas um sentimento ou uma percepção. Era um conhecimento poderoso, uma compreensão poderosa.

    Temos uma expressão como esta:

    Jesus, sabendo que havia chegado a Sua hora e que o Pai havia entregado todas as coisas em Suas mãos.

    Voltem à tentação:

    Todas estas coisas Te darei.

    A totalidade — todas as coisas.

    Toda essa extraordinária revelação e compreensão nos conta a história completa dos desígnios de Deus desde a eternidade: reunir todas as coisas em Cristo.

    Por Ele, por meio Dele e para Ele foram criadas todas as coisas.

    A filiação — sim, aquilo que ela implica para Ele pessoalmente:

    Herdeiro de todas as coisas.

    A Quem constituiu herdeiro de todas as coisas.

    Mas não apenas para Ele: também para essa família de que falávamos nesta tarde, essa família que Deus, por meio de Cristo como Pai, estava reconstituindo.

    Essa família divina, a respeito da qual a Palavra diz claramente que somos:

    Herdeiros de Deus e coerdeiros com Jesus Cristo.

    Essa herança, essa condição de herdeiro, está expressa na palavra “Filho”. Esse é o ponto central.

    Não se trata apenas da posição, do ofício ou do título. Trata-se daquilo a que tudo isso conduzirá, se não for de alguma forma subvertido. Por isso foi colocado no centro do ataque. Isso trazia consigo nada menos que o domínio do mundo e a autoridade universal.

    Observem que Satanás usou essa palavra:

    Toda esta autoridade.

    A palavra do Senhor ressurreto é:

    Toda a autoridade Me foi dada no céu e na terra.

    É isso que está envolvido aqui: o domínio sobre este mundo e a autoridade universal, conferidos à filiação.

    Isso, portanto, significava um desafio imediato e direto ao príncipe deste mundo. A filiação significava isso e sempre significa isso. Por essa razão, o Filho precisava ser desviado de alguma maneira. Precisava, de algum modo, ser enredado.

    A Cruz como Único Caminho para a Herança

    Bem, deixemos isso por um momento e voltemos ao Jordão.

    O Jordão significava que aquele destino — o Seu destino e o destino de Seus coerdeiros — e todo esse propósito estabelecido por Deus só poderiam ser alcançados pelo caminho da cruz. Era isso que o Jordão significava.

    E Ele sabia disso, aceitou e Se comprometeu com esse caminho. Mas não foi um compromisso pequeno. Ele conhecia muito bem o significado e as implicações daquele caminho. Em seu significado espiritual e moral, aquele seria o caminho mais devastador para Sua humanidade.

    Significaria que Sua alma ficaria profundamente triste, até a morte. Significaria que Ele estaria em grande angústia, e Seu suor seria como grandes gotas de sangue caindo sobre a terra.

    Isso O levaria a ser abandonado por Deus por um momento terrível, aniquilador, eterno — um momento semelhante a uma eternidade pavorosa, em trevas espirituais e absolutas. Isso estava envolvido.

    Ele era humano, era o Homem, e podia recuar — recuar diante de tudo aquilo — e clamar em Sua humanidade: “Não há uma saída? Não há outro caminho? Ah, se isso não precisasse acontecer!”

    Passe de Mim este cálice.

    Isso não era voltar atrás em Seu compromisso, mas a terrível batalha daquele compromisso e de tudo o que ele envolvia, agora se abatendo sobre Ele com toda a força. O batismo significava isso. O grande objetivo só seria alcançado por esse caminho — o caminho da cruz.

    Era essa a luta que Ele travava no deserto? Era? Era essa a grande batalha que O levou à exaustão física e mental durante aquelas muitas e muitas horas intermináveis, de dia e de noite? Era isso? Ele estava enfrentando tudo aquilo?

    Se nossa suposição estiver correta, então podemos compreender o ataque diabólico e cruel do inimigo: “Há outro caminho. Tu não precisas seguir por esse caminho. Podes ter tudo sem a cruz”.

    Estamos certos? Sinto que isso revela toda a questão. Sim, essa era a batalha. Esse era o significado do deserto.

    A Tentação de Evitar a Cruz

    Satanás estava dizendo, de outras maneiras e com outras palavras: “Não precisa ser assim. Há outros caminhos para alcançares Teu objetivo e realizares Teu destino. Usa Teu poder divino para salvar a Ti mesmo”.

    Esse foi o golpe da serpente, não foi, quando Ele estava de fato na cruz?

    Salva a Ti mesmo.

    Do começo ao fim, esse grande conflito girava em torno disto: a saída, o caminho para atravessar tudo aquilo — salvar a Si mesmo. Tu não precisas seguir por esse caminho.

    “Faz alguma coisa para impressionar os homens por meio de algum artifício. Lança-Te daqui abaixo; aparece de repente no meio da multidão, como vindo do céu. Causa uma impressão extraordinária. Tu os conquistarás. Não terás de argumentar que vieste do céu.”

    Ou, não conseguindo isso: “Cede-me algum direito de domínio sobre o mundo. Reconhece-me como o príncipe deste mundo e coloca-Te ao meu lado na posição de governo. Tu ficarás com tudo”.

    E tudo isso na hora da exaustão e da fraqueza física. Basta conhecermos um pouco de um período tremendamente desgastante por causa de alguma questão espiritual, de alguma grande emergência nas coisas de Deus, e estarmos quase desfalecendo de cansaço, para sabermos como o diabo pode ser cruel e diabólico. Foi assim que aconteceu.

    “Bem, Tu podes ter tudo sem a cruz.” Esse é o ponto. “Tu não precisas seguir por esse caminho.”

    Mas que valor Ele atribuiu à cruz, se é isso que está em questão! Assim, penso que o significado de tudo é este: Ele venceu. Venceu aquela batalha fundamental.

    Embora chegasse o tempo em que a realidade desesperadora e terrível da cruz voltaria a se abater sobre Ele, o fundamento de Sua vitória foi estabelecido no deserto. No dia da mais terrível provação, Ele poderia dizer:

    Vem o príncipe deste mundo, e ele nada tem em Mim.

    Isso foi resolvido no deserto. Ele atravessou tudo aquilo ali. Aceitou a cruz em seu princípio e significado. Venceu a batalha fundamental e saiu do deserto fortalecido pelo Espírito e pelos anjos.

    A Autoridade Decorrente de um Compromisso Indiviso

    Agora, a que conclusão chegamos? Não é de admirar que houvesse tanta autoridade em Seus passos, em Seu espírito e em Seu ministério.

    Vejam, queridos amigos, toda a questão é a autoridade: o caminho da autoridade, o caminho do poder divino, o caminho da unção — que é apenas outra maneira de dizer a mesma coisa. A unção opera em poder e autoridade.

    A partir daquele momento, Ele é um Homem investido de autoridade. Vai diretamente a Nazaré:

    O Espírito do Senhor está sobre Mim.

    Ele não é um homem fraco, um Homem derrotado e cheio de dúvidas. Daquele momento em diante, Ele tem tudo em Suas mãos.

    É extraordinário que tudo estivesse em Suas mãos até mesmo no tribunal. A autoridade não estava com os principais sacerdotes. A autoridade não estava com Pilatos. Eles eram como peões em Suas mãos. A autoridade estava com Ele.

    Ele podia dizer a respeito de Sua vida:

    Ninguém a tira de Mim. Tenho autoridade para a dar, e tenho autoridade para tornar a tomá-la: este mandamento recebi de Meu Pai.

    Sim, desde o princípio, esse tipo de autoridade nasce de resolver as grandes questões em seus fundamentos, sem deixar espaço para uma mente ou um coração divididos.

    Um homem ou uma mulher que permanece em dúvida não tem autoridade. Nunca. Sempre puxado entre dois caminhos, dividido no coração — não há poder nessa vida, não há autoridade nessa vida, não há impacto vindo dessa vida.

    É preciso que fique evidente: aqui está alguém que sabe para onde vai e sabe onde se posiciona. Sim, é isso que Ele procura. Vocês precisam resolver algumas coisas. Nós precisamos resolver algumas coisas, tanto quanto possível, de uma vez por todas, em princípio.

    Se houver poder, haverá autoridade. E, quando uso essa palavra, “autoridade”, quero que vocês reconheçam que, em Sua vida aqui nesta terra, não se tratava de autoridade oficial. Era uma autoridade moral e espiritual.

    É assim conosco. Podemos não ter nenhum cargo, nenhum lugar, nenhuma posição, nenhum reconhecimento entre os homens, nenhuma autoridade oficial. Mas há algo maior que a autoridade oficial: a autoridade espiritual.

    Esse homem, essa mulher, jovem ou idoso — eles sabem onde se posicionam. Sabem qual caminho estão seguindo. Sabem o que pretendem. Resolveram certas questões fundamentais que os libertaram de uma mente dividida e de um coração dividido.

    Isso traz uma enorme força moral e autoridade moral — não a agressividade e a imposição de uma mente naturalmente forte, mas a inteireza de um coração firmado em Deus.

    Creio que é isso que está por trás destas palavras:

    Ele voltou do deserto no poder do Espírito.

    O poder do Espírito.

    A Unção Compartilhada com o Corpo de Cristo

    Tudo isso fala a nós porque, queridos amigos, já dissemos que muitíssimo do que era verdadeiro a respeito do Senhor Jesus é verdadeiro a nosso respeito.

    Há apenas algumas poucas coisas, no caso Dele, das quais não participamos. Não participamos de Sua divindade. Não participamos da expiação que Ele realizou — graças a Deus. Há muito poucas coisas nas quais Ele é único.

    Na maioria das coisas que eram verdadeiras a respeito Dele, nós temos participação. Neste momento, estamos ocupados com esta única questão: fomos ungidos Nele.

    A unção que era Dele pertencia a Ele como Cabeça do Corpo, e nós herdamos essa unção.

    Fomos batizados em um só Espírito, em um só Corpo.

    Passamos a participar da unção.

    Mas vocês veem como a unção opera. Veem qual é o objetivo da unção. A unção tem como objetivo nada menos que isto: sermos coerdeiros com Cristo de todas as coisas de Deus e termos domínio com Ele, reinando para todo o sempre.

    É extraordinário aquilo para o que fomos chamados. Embora seja verdade que o aspecto expiatório de Sua cruz pertence a Ele, e somente a Ele, e não a nós, existe algo como:

    Completar o que resta dos sofrimentos de Cristo por amor de Seu Corpo, que é a igreja.

    Essa é apenas outra maneira de dizer que há aspectos da cruz nos quais temos comunhão com Ele. Esse grande destino é alcançado por esse caminho, e não há como escapar dele, a não ser pelo caminho de concessões proposto por Satanás:

    Desce. Desce. Salva a ti mesmo.

    Restam-nos apenas essas duas alternativas. O que Satanás estava tentando fazer naquele deserto?

    Os Três Objetivos da Oposição Satânica

    Em primeiro lugar, ele procurava persistentemente colocar em dúvida o espírito de filiação. Reconheçam, porém, que essa é uma das coisas em que estamos envolvidos com Cristo.

    Não sei se vocês têm alguma preocupação interior com essa questão. Posso lhes fazer esta confissão? Com a consciência de que o conflito, a tensão, a pressão e o sofrimento estão se intensificando, tenho me perguntado como será o meu fim.

    Tenho me visto orando para que minha fé persevere até o fim e para que, no final, eu não fique sob uma nuvem de dúvida acerca de minha filiação. Essa é uma questão real. Muito real e presente.

    Não quero assustá-los nem tornar as coisas difíceis, mas, queridos amigos, isso faz parte do que o povo do Senhor tantas vezes precisou enfrentar bem no fim: a nuvem escura da exaustão física e mental, quando o sofrimento vai tomando conta da mente e a luz de Deus parece se apagar. Levanta-se a grande questão da filiação. É uma questão terrível.

    Bem, se isso parece terrível demais e, especialmente para os jovens, faz tudo parecer muito difícil, deixem-me lembrá-los disto: vocês têm o Espírito Santo. Esse é o ponto.

    O Espírito de Filiação que Habita em Nós

    Isso me traz de volta à razão pela qual estamos falando de tudo isso: a enorme importância, o valor indizível, de ter o Espírito Santo dentro de nós.

    João disse aos cristãos, em um tempo de terrível perseguição e sofrimento, quando todas as questões de fé vinham à tona:

    A unção que recebestes permanece em vós.

    Permanece em vós.

    Ah, é algo extraordinário ter a unção em meio a todo o conflito. Não há como exagerar a importância de o Espírito Santo habitar em nós.

    Portanto, em vez de ficarem assustados com o que eu disse, lembrem-se: o próprio Espírito de filiação está em vocês. Descansem Nele. Apoiem-se Nele. Contem com Ele. Creiam Nele.

    Não se trata de ser uma pessoa muito inteligente, ou muito talentosa e capaz. Isso é para aqueles que nada são, para aqueles que ninguém considera importantes.

    Digo isso com um enorme respaldo na Palavra de Deus: a unção nunca, nunca atuará onde a importância própria estiver no trono. O próprio funcionamento da unção exige especificamente que nós mesmos deixemos de ocupar o lugar de destaque.

    Foi no ponto de exaustão e fraqueza que Cristo saiu triunfante, porque o Espírito e o céu O assistiram em Sua fraqueza.

    O Espírito Santo como Energia Divina

    Voltem ao Antigo Testamento. Quando os espias foram à terra e voltaram com o relatório da maioria, disseram:

    Éramos aos olhos deles como gafanhotos, e assim éramos aos nossos próprios olhos.

    Muito bem, isso não é tão terrível assim. Na verdade, não é nada ruim. Se Josué é realmente uma figura das energias do Espírito Santo, então Ele fez os gafanhotos expulsarem sete nações mais poderosas do que eles.

    Vocês gostam disso? Gafanhotos! Há um famoso clube de futebol na América que conquista vitórias maravilhosas, e eles deram a si mesmos o nome de Gafanhotos. Muito bem, seja um gafanhoto, desde que esteja conquistando a vitória.

    Mas, vejam, é o Espírito Santo, não nós mesmos. O Espírito Santo em nós e por meio de nós é a poderosa energia.

    Maior é Aquele Que está em vós do que aquele que está no mundo.

    Isso é extraordinário.

    Portanto, a primeira coisa que Satanás tentava fazer era colocar em dúvida o espírito de filiação. Ah, estejam vigilantes quanto a isso.

    A segunda coisa que ele tentava fazer era sabotar a questão suprema da filiação — isto é, a autoridade espiritual. Essa é a questão suprema da filiação: a autoridade espiritual.

    E, por fim, ele tentava anular o potencial inerente à filiação: a condição de herdeiro, a herança, a posse do reino. Era isso que ele tentava fazer. Ele está sempre tentando fazer isso.

    O Espírito como Fundamento da Vitória

    Mas volto a dizer: se Jesus não tivesse sido ungido no Jordão, teria enfrentado grandes dificuldades no deserto. Mas nós temos uma unção.

    Vós tendes uma unção.

    Se vocês realmente, realmente entraram no significado — no verdadeiro significado — de ser um filho de Deus, vocês têm o Espírito.

    Conheço as diversas teorias e interpretações sobre toda essa questão, a doutrina do Espírito, e sobre se todos os que nasceram de novo realmente têm o Espírito. Não pretendo discutir isso nesta noite.

    Simplesmente digo isto: nenhum novo nascimento pode acontecer sem o Espírito Santo. Se o novo nascimento é algo interior, o Espírito o realiza por dentro; e, com o novo nascimento, estabelece-se a consciência de um novo governo interior. Isso não é outra coisa senão a presença do Espírito Santo.

    Alguns de nós, anos depois de sermos salvos, entramos em uma nova experiência do Espírito, uma experiência mais plena do Espírito. Mas sabíamos, naqueles primeiros dias, quando fazíamos muitas coisas que hoje nos horrorizam só de pensar que as fizemos, que havia algo operando dentro de nós que nunca tínhamos antes de pertencermos ao Senhor.

    Havia aquele tribunal interior, aquele julgamento das questões, aquela inquietação a respeito de determinado tipo de coisa. Aprendemos muito, antes mesmo de chegarmos a uma compreensão maior, pelo simples fato da presença do Espírito.

    Agora, se quiserem, vocês podem sair daqui e se envolver em todas essas controvérsias sobre a doutrina do Espírito. Mas descansemos nisto: se somos filhos de Deus, o Espírito de Deus está em nós.

    O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.

    É aí que começamos a vida cristã. Aprendemos muito à medida que avançamos.

    A Cruz e a Medida da Unção

    Ah, queridos amigos, digo-lhes isto: o ponto em torno do qual gira grande parte da dificuldade, da confusão e da incompreensão é justamente este — trata-se da medida de liberdade e de espaço que o Espírito tem em nós para agir.

    Acima de tudo, se algum de nós passou em algum momento por uma crise e chegou a um conhecimento mais pleno da unção, essa foi realmente uma crise muito grande. Não foi por causa da doutrina do Espírito Santo. Foi porque se permitiu que a cruz realizasse uma obra mais profunda e radical em nós, abrindo caminho para o Espírito.

    A cruz sempre faz isso. Portanto, a medida da atuação do Espírito em nossa vida, a medida do funcionamento da unção e, consequentemente, a medida de nossa vitória sobre o inimigo e de nossa chegada àquele objetivo para o qual nascemos pelo Espírito será a medida em que, como nosso Mestre, tivermos encarado o significado da cruz e o aceitado.

    Precisamos nos render a ela, refletir sobre suas implicações, se necessário, no que diz respeito a este mundo, aos nossos próprios interesses e a todas as outras questões, sem manter uma mente dividida a respeito dessas coisas.

    Que o Senhor nos ajude.