Bem, boa noite mais uma vez. Não é maravilhoso ver o que o Senhor faz nessas vidas? Como isso alegra o meu espírito! Nessa idade, vocês sabem, o Senhor salva uma vida, além de salvar uma alma. Que coisa preciosa!
Ao nos aproximarmos do estudo da Palavra de Deus, há um princípio de estudo bíblico que é indispensável: a dependência total do Espírito Santo de Deus. Espero que vocês nunca se cansem disso. Talvez se cansem da maneira como eu o expresso, mas espero que Deus sempre traga esse princípio ao coração e à mente de vocês, quer se aproximem da Bíblia sozinhos, em algum lugar reservado, quer se aproximem dela em comunidade, como estamos fazendo nesta noite.
A Bíblia é semelhante ao nosso Senhor Jesus no sentido de que é humana e divina. Há dois aspectos. Não podemos negligenciar o aspecto humano. Vocês precisam estudar. Precisam compreender a linguagem, o contexto, as relações e assim por diante. Mas também há um aspecto espiritual, e Deus determinou que Ele é o único Mestre desse aspecto. Se quisermos conhecer o coração de Deus, Deus precisa nos ensinar.
Não há livros; não há comentários que possam fazer isso. É o Senhor — é o Espírito de Deus — Quem nos mostra Seu Filho nesse precioso Livro. Portanto, nunca deixem de aplicar esse princípio. Aproximem-se do Senhor como uma criancinha e simplesmente digam: “Senhor, ensina-me. Abre meus olhos. Revela-Te. Faz a Bíblia ganhar vida”.
Vocês não estudam a Bíblia simplesmente para conhecer a Bíblia. Não estudam Mateus para conhecer Mateus, nem Romanos para conhecer Romanos. Deus nos deu Sua Palavra para que pudéssemos conhecê-Lo, para que pudéssemos conhecer o Senhor. Ele deseja que nos aproximemos da Bíblia com um coração que queira conhecê-Lo, e Ele honra isso todas as vezes.
Como sou grato por esse princípio! Sem ele, eu seria um homem morto. O Senhor é o único que pode abrir as Escrituras. Então, vamos orar e confiar Nele juntos.
Pai, muito obrigado por Tua preciosa Palavra. Obrigado porque colocaste em nosso coração um Mestre da Bíblia para habitar em nós, sondar as profundezas de Deus e nos mostrar as coisas de Cristo: para nos instruir acerca de quem somos Nele, mostrar-nos todas as coisas maravilhosas que foram realizadas por nós, mostrar-nos o que estás fazendo em nossa vida e o que podemos esperar à medida que nos conformas a Cristo.
Obrigado por Tua Palavra. Agora, pedimos mais uma vez que nos dês uma Palavra viva. Mostra-nos o Salvador por meio da Palavra escrita. Obrigado por cada capítulo da Bíblia. Sabemos que a Bíblia estaria incompleta sem cada um desses capítulos, e sabemos que nossa vida estaria incompleta sem Jonas 3. Sabemos que essa verdade está em outras passagens, mas pedimos que nos ensines nesta noite. Mostra-nos Cristo nessa preciosa porção das Escrituras.
Obrigado desde já, e agora esperamos em Ti. Pedimos Tua graça, Tua força e a atenção que não vem do homem, mas vem de Ti. Opera em nós, e desde já Te agradecemos porque virás ao nosso encontro. Pedimos novamente que nos visites com Tua salvação. Pedimos isso no nome precioso e todo-poderoso de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.
Bem, não preciso dedicar muito tempo à recapitulação. É tão diferente quando venho aqui, porque temos uma série concentrada de encontros. Quando nos reunimos em casa, há uma semana entre um encontro e outro, e grande parte do meu ensino consiste em recapitular e atualizar as pessoas. Mas estamos examinando este maravilhoso livro de Jonas — o profeta de Deus a quem Deus, em Sua misericórdia, transformou e tornou um sinal.
É isso que estamos examinando neste fim de semana. Vocês se lembram de que, quando a história começa, Jonas é independente, quer fazer as coisas à sua maneira e resiste ao Senhor. Ele foge da presença do Senhor. A missão que havia recebido contrariava seu modo de pensar. Ele tinha um coração sem disposição missionária, um coração contrário à missão. Deus queria usá-lo como um canal missionário, mas ele não estava pronto. Todo o livro de Jonas nos mostra como Deus o preparou.
É claro que o livro apresenta os grandes princípios pelos quais Deus sempre transforma Seu filho em um sinal. Sugeri que há quatro mudanças, maravilhosamente ilustradas nos quatro capítulos de Jonas, que Deus opera em nosso coração ao nos transformar em um sinal. Já examinamos algumas delas.
Em Jonas 1, vimos Deus perseguir — ir atrás de — Seu filho independente por todos os meios. Ele lançou uma tempestade sobre a vida de Jonas e trouxe certas pessoas para sua vida, pessoas que tinham menos luz do que ele. Em Sua misericórdia, Deus usou Jonas mesmo naquela condição, até finalmente levá-lo ao ponto em que estava disposto a sacrificar sua vida em favor dos outros.
Jonas 1:12:
Levantai-me e lançai-me ao mar,
e o mar se aquietará para convosco;
porque eu sei que, por minha causa, vos sobreveio esta grande tempestade.
Assim, finalmente ele estava disposto a ser lançado ao mar. Ainda assim, havia muito de Jonas em Jonas, mesmo àquela altura de sua vida. Do ponto de vista dos marinheiros fenícios, aquilo era algo nobre de se ver. Era um ato de bravura, de coragem. Eles estavam gratos porque ele se dispunha a sacrificar sua vida por eles.
Mas, como procuramos mostrar, por mais maravilhoso que isso seja, e por mais importante que seja como primeiro passo — estar disposto a abrir mão do próprio conforto e da própria vida em favor dos outros —, os outros não precisam da sua vida. Precisam da vida Dele. Portanto, a obra precisa continuar.
Entregar tudo é um passo importante. Mas, depois de entregarmos tudo, Deus começa a realizar Sua obra mais profunda. O que Ele não realizou por meio da tempestade, começa então a realizar, de maneira mais profunda, por meio do peixe.
Vocês se lembram de que examinamos isso. Durante três dias e três noites, Deus usou aquela experiência para colocar Jonas no lugar dos pagãos. Sua atitude era: “Não quero levar a mensagem a eles. Eles não a merecem. Merecem o juízo”. Deus o levou ao ponto em que aprendeu que ele também merecia o juízo de Deus e não merecia a misericórdia de Deus.
Deus o colocou no mesmo nível de todos. Todos nós precisamos da misericórdia do Senhor. Não há diferença. Não há diferença. Alguém pode manifestar sua necessidade de maneira mais acentuada e estar envolvido e enredado em coisas das quais outros foram libertos, mas todos nós precisamos da misericórdia do Senhor.
Finalmente, dentro daquele peixe, Jonas compreendeu o quanto precisava da misericórdia de Deus e clamou, em Jonas 2:9:
Do Senhor vem a salvação.
Essa foi a lição que aprendeu dentro do peixe. Nós o vimos, ali dentro, voltar novamente seu coração para o templo e para o Senhor. Ele havia fugido da presença de Deus, mas agora havia experimentado o que era estar no lugar dos pagãos. Então, quando ele disse aquilo, lemos em Jonas 2:10:
Falou, pois, o Senhor ao peixe,
e este vomitou a Jonas na terra seca.
Deus surpreendeu Jonas com a ressurreição. Ele não esperava por isso. Pensou que tudo havia acabado quando foi lançado pelo ar e caiu na água. “Este é o fim. Esta foi a minha consagração. Esta é a minha vida. Eu entrego minha vida.” Mas Deus tinha uma grande surpresa para ele.
Agora ele está novamente sobre a boa terra de Deus, com uma vida que não é sua — uma vida sobrenatural, uma vida milagrosa. Um novo homem e uma nova criação. Ali está ele, alguém que recebeu a misericórdia imerecida de Deus. Está de pé como um homem ressuscitado dentre os mortos.
Nesta noite, gostaria de conduzi-los ao próximo passo: Jonas 3. Depois que Deus nos leva ao ponto da entrega, e depois que nos leva ao ponto em que conseguimos acolher a pura graça de Deus — “Do Senhor vem a salvação” —, Ele transforma Jonas em um sinal. É isso que gostaria que examinássemos nesta noite: a vida de ressurreição.
Gostaria de ler novamente as palavras de nosso Senhor Jesus registradas em Lucas 11, apenas dois versículos — Lucas 11:29-30:
E, ajuntando-se a multidão, começou a dizer:
Maligna é esta geração;
ela pede um sinal;
e não lhe será dado outro sinal,
senão o sinal do profeta Jonas;Porquanto, assim como Jonas foi sinal para os ninivitas,
assim o Filho do Homem o será também para esta geração.
Jesus não apenas disse que Jonas foi um sinal para os ninivitas, e que isso foi o que os persuadiu ao arrependimento, mas também disse que o sinal de Jonas seria o único sinal que Ele daria a uma geração perversa que busca sinais.
Não apenas para Nínive: nosso Senhor Jesus disse que nunca haveria outro sinal — apenas um sinal, o sinal de Jonas. É por isso que, neste fim de semana, é tão importante para mim que todos nós nos apropriemos desta verdade: Deus quer fazer de você um sinal. Deus quer fazer de você um sinal. Isso é missão.
Vamos ver isso ilustrado neste livro maravilhoso. Milhares de cristãos estão nesse processo. Deus está operando isso neles, e ainda estão passando pelo processo da tempestade, pelo processo do peixe e assim por diante. Mas o Senhor é fiel.
Antes de examinarmos Jonas 3, há algumas coisas que quero tirar do caminho. Jonas 3 levanta duas questões que, para algumas pessoas, têm causado dificuldades teológicas. Em toda a minha vida, conheci apenas uma pessoa que considerava um desses problemas um verdadeiro impedimento. Isso não significa que não haja outras, mas conheci apenas uma.
Há algumas questões teológicas aqui, mas elas não são verdadeiros obstáculos para a maioria dos cristãos. Talvez despertem curiosidade, mas não são realmente um impedimento. Por essa razão, não quero ocupar o precioso tempo desta acolhedora reunião examinando esses problemas específicos. Deixem-me apenas mencioná-los.
O primeiro diz respeito a Jonas 3:10, onde a versão King James diz que Deus Se arrependeu, ou voltou atrás, quanto à calamidade. Alguns diriam: “Isso parece uma contradição na Bíblia. Deus Se arrependeu. Deus mudou. Deus voltou atrás”. No entanto, 1 Samuel 15:29 diz que Ele não é homem para que Se arrependa, e Malaquias 3:6 diz:
Porque Eu, o Senhor, não mudo.
Então, eles acham que há um conflito. Eu não acho. Se isso for um verdadeiro obstáculo para você, procure um dos presbíteros, e ele vai ajudá-lo a esclarecer a questão.
Aliás, se você quiser estudar a doutrina do arrependimento, não deixe Jonas de lado. Em forma de semente, você tem todo o ensino sobre arrependimento no livro de Jonas, porque Nínive se arrependeu, Jonas se arrependeu e Deus Se arrependeu. Quando você enxergar todos os princípios envolvidos ali, terá o ensino completo sobre arrependimento em forma de semente. Mas não quero tratar disso agora.
A outra questão surge por causa de Mateus 12:40:
Pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia,
assim estará o Filho do Homem três dias e três noites no seio da terra.
Algumas pessoas acham que isso é um problema porque Jesus morreu na sexta-feira e ressuscitou no domingo de manhã. Como se chega a três dias e três noites a partir disso? Algumas pessoas dizem que isso é um obstáculo para elas. Todas essas questões têm respostas simples, mas não quero dedicar tempo a elas agora. Se isso for um verdadeiro obstáculo para você, procure um dos presbíteros. Eles vão ajudá-lo a esclarecer isso.
Mas é interessante que, quando nos reunimos num fim de semana como este, vocês não querem — espero que não queiram — tratar das minúcias de uma teologia fria. Eu certamente não gostaria de lhes oferecer isso, e tenho certeza de que vocês não querem. Então, graças a Deus, vocês, presbíteros, estão a salvo!
Tenho outra observação que está um pouco mais próxima do coração de Deus. Ainda não é propriamente o estudo de Jonas 3, mas ela é sugerida no início do capítulo. Trata-se desta gloriosa verdade em Jonas 3:1:
E veio a palavra do Senhor segunda vez a Jonas, dizendo:
Eu amo esse versículo. Ele deveria estar numa placa na parede, porque expressa a verdade da restauração. Não é algo precioso? Vocês conhecem a história de Jonas, e não conheço uma verdade mais preciosa para o cristão: Jonas recebeu a palavra do Senhor pela segunda vez.
Depois do que ele havia feito, depois de ter se afastado da presença do Senhor — isso, sim, é a misericórdia imerecida do Senhor! Deus não descarta Seu filho. Ele o conduzirá pela morte e pela ressurreição e, depois de realizar Sua obra, a palavra do Senhor virá a ele pela segunda vez.
Uma das razões pelas quais quero chamar a atenção para isso é que, quando eu era um novo convertido, nos ensinavam exatamente o contrário. Colocavam sobre nós um enorme peso de culpa e nos diziam que, se alguma vez nos desviássemos, estaríamos acabados. Deus nos colocaria numa prateleira e nunca mais nos usaria.
Como isso foi terrível no início da minha vida cristã, porque eu não sabia nada e estava errando o tempo todo! Eu vivia com a sensação de que Deus iria me colocar na prateleira. É uma grande alegria estar aqui diante de vocês e declarar, sem hesitar, sem nenhuma ressalva: Deus não tem prateleira.
Isso é glorioso. Costumavam citar para nós este pequeno poema: “O pássaro de asa quebrada nunca mais voa tão alto”. É uma boa poesia, mas uma teologia horrível.
Digo a vocês: é glorioso saber que a palavra do Senhor veio pela segunda vez. Segunda implica terceira, e terceira implica quarta. Não é como no caso do último Adão: não se diz “segundo Adão”. Não se disse “segundo Adão”, porque segundo implicaria terceiro, e não há um terceiro Adão. Ele é o último Adão.
Mas o texto não diz que a palavra veio pela última vez. Ela veio pela segunda vez, implicando uma terceira, uma quarta e assim por diante. Digo isto a vocês: Deus nunca encerra Sua obra em você. Deus nunca encerra Sua obra em mim. Deus nunca termina de trabalhar em Seu povo.
Repetidas vezes, a palavra do Senhor virá a eles. Se Ele tiver de lançá-lo numa sepultura e levantá-lo novamente, Ele o fará. Então, a palavra do Senhor virá novamente a você.
Elias conhecia essa verdade. Davi conhecia essa verdade. Pedro conhecia essa verdade. João Marcos conhecia essa verdade. Percorram a Bíblia e observem aqueles a quem a palavra do Senhor veio novamente.
A realidade é que, quando Ele levanta você, Ele o levanta para ser mais útil, não menos útil. Mas isso é um assunto à parte.
Vocês conhecem Howard Hendricks, do Seminário Teológico de Dallas? Certa vez, eu o ouvi pregar sobre Elias. Ele tem uma maneira bem-humorada de apresentar a verdade. Estava retratando aquele profeta desanimado, que foi falar com o Senhor no campo e disse: “Eu desisto”.
Deus disse: “O que você falou?”
Ele disse: “Eu renuncio — resign”.
Deus disse: “Soletre”.
Ele disse: “R-E-S-I-G-N. Eu renuncio”.
E veio a resposta: “Para Mim, isso soa como re-sign: assinar de novo”.
Bem, é uma grande verdade que a palavra do Senhor veio novamente a ele. Deus, em Sua graça, o chamou de novo. Mesmo com sua rebeldia e sua fuga, Deus não o rejeitou. É simplesmente uma verdade maravilhosa.
Nossos irmãos me fizeram pensar aqui no Salmo 23, e gosto muito de relacionar algumas dessas coisas a Salmos 23:1, 3:
O Senhor é o meu pastor; nada me faltará.
Refrigera a minha alma.
Com uma restauração perfeita, Ele restaura a minha alma.
Isso foi a introdução. Vamos examinar, por favor, Jonas 3:
E veio a palavra do Senhor segunda vez a Jonas, dizendo:
Levanta-te, e vai à grande cidade de Nínive,
e prega contra ela a pregação que Eu te digo.E levantou-se Jonas e foi a Nínive,
segundo a palavra do Senhor;
era, pois, Nínive uma grande cidade, de três dias de caminho.E começou Jonas a entrar pela cidade caminho de um dia,
e pregava, e dizia:
Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida.E os homens de Nínive creram em Deus;
e proclamaram um jejum,
e vestiram-se de pano de saco,
desde o maior até ao menor.Porque esta palavra chegou ao rei de Nínive,
e ele se levantou do seu trono,
e tirou de si as suas vestes,
e cobriu-se de pano de saco,
e assentou-se sobre a cinza.E fez uma proclamação e a divulgou em Nínive,
por decreto do rei e dos seus grandes, dizendo:
Nem homens, nem animais, nem bois, nem ovelhas provem coisa alguma,
nem se lhes dê alimento, nem bebam água;Mas os homens e os animais estarão cobertos de pano de saco,
e clamarão fortemente a Deus;
e converter-se-á cada um do seu mau caminho
e da violência que há nas suas mãos.Quem sabe se Se voltará Deus, e Se arrependerá,
e Se apartará do furor da Sua ira,
de sorte que não pereçamos?E Deus viu as obras deles,
como se converteram do seu mau caminho;
e Deus Se arrependeu do mal
que tinha dito lhes faria
e não o fez.
Eu lhes disse na lição introdutória que, na minha opinião, um dos maiores milagres morais de todos os tempos está registrado neste capítulo: essa grande conversão de meio milhão de pessoas, ou mais, ao Senhor. Um estrangeiro chega em um dia e pronuncia, segundo o registro, uma única frase. E que frase! E eles se arrependem.
Jonas 3:2 a chama de grande cidade — uma cidade perversa. Eu lhes disse anteriormente que entendo a referência aos 120 mil como uma referência a crianças pequenas. Se vocês multiplicarem esse número por quatro ou cinco, chegarão a mais de meio milhão de pessoas. Meio milhão de pessoas se voltando para o Senhor.
Sei que esta parte não está na Bíblia, mas li algumas descrições de como era Nínive naquela época. Não sei se vocês conhecem o Dr. Charles Feinberg, do Seminário Talbot, mas ele tem alguns comentários maravilhosos. Ele apresenta informações sobre o contexto e diz que, naquela época, era uma cidade extraordinária.
Era uma das maiores e mais desenvolvidas cidades do mundo inteiro naquele tempo. Há também o Dr. Pusey, que tem um comentário maravilhoso sobre este livro — na verdade, sobre todos os Profetas Menores. Ele diz que, do ponto de vista terreno, nunca houve uma cidade como aquela. Era inexpugnável.
Eles não tinham apenas uma muralha ao redor da cidade, como Jericó — bem, na verdade, Jericó tinha duas muralhas. Nínive tinha cinco muralhas ao redor da cidade, com grandes espaços e fossos entre elas. Segundo ele, cada muralha tinha cerca de trinta metros de altura. No topo de cada uma havia espaço suficiente para três carros de guerra passarem lado a lado.
Era uma cidade incomum. Era fortificada. Era uma cidade tremenda — notável. Algumas das descobertas feitas ali, relacionadas às ciências e a outras áreas, são espantosas.
Vocês sabem onde Nínive fica geograficamente? No Iraque. No Iraque. Era ali que ficava — a capital da Assíria. Assim como há hoje, havia naquela época muitos palácios espalhados por aquela cidade assíria, mesmo naqueles dias.
Segundo os registros, a cidade tinha quinze portões, e ao redor da muralha externa havia mil e quinhentas torres. Cada torre tinha cerca de sessenta metros de altura. Dentro daquelas muralhas, naquela cidade magnífica, vivia um povo perverso, muito perverso — um povo violento.
Não vou chocá-los com algumas das descrições que li sobre seus pecados. Talvez vocês já as conheçam. Era um povo terrível, realmente terrível. Essa é a cidade que se voltou para o Senhor em um dia — meio milhão de pessoas.
Vejam, por favor, Jonas 3:5:
E os homens de Nínive creram em Deus;
e proclamaram um jejum,
e vestiram-se de pano de saco,
desde o maior até ao menor.
Vejam novamente Jonas 3:5-8. Não vou gastar tempo lendo outra vez, mas observem esse arrependimento: desde o indigente e o mendigo na rua até aquele que estava no trono. Como Rick compartilhou conosco outro dia, o rei desceu do trono, tirou suas vestes e se sentou nas cinzas.
Eles até vestiram os animais com pano de saco. Vocês conseguem imaginar ovelhas, vacas e cabras vestidas de pano de saco? Os animais não podiam comer. Uma coisa é um homem jejuar, mas como fazer esses animais pararem de comer? Foi uma conversão extraordinária, espontânea.
Li um comentarista que disse que o arrependimento deles não era verdadeiro. Não era verdadeiro! Ele disse que tudo era apenas formal, porque era um arrependimento pagão. Não havia templo, nem altar, nem cordeiro, nem sangue, nem sacerdote. Era um arrependimento pagão e, portanto, não era verdadeiro.
Bem, de uma coisa eu sei: não se pode enganar a Deus. A Bíblia diz que Deus declarou que era verdadeiro. Talvez vocês consigam enganar Jonas. Certamente podem me passar para trás. Mas não podem enganar a Deus. Não podem enganar o Senhor.
Jonas 3:10 diz:
E Deus viu as obras deles,
como se converteram do seu mau caminho;
e Deus Se arrependeu do mal
que tinha dito lhes faria
e não o fez.
Não se pode enganar Jesus, que é Deus. Em Mateus 12:41, Ele disse que eles se arrependeram com a pregação de Jonas. Foi um arrependimento verdadeiro. Meio milhão de pessoas realmente se voltaram para o Senhor. Que milagre moral!
Bem, a pergunta exige uma resposta: o que aconteceu? Como foi possível que aquelas pessoas perversas — meio milhão delas — mudassem de direção?
Alguém diz que foi a pregação de Jonas, seu sermão poderoso. Jonas 3:2 diz:
Levanta-te, e vai à grande cidade de Nínive,
e prega contra ela a pregação que Eu te digo.
Parece que Deus restringiu bastante Jonas quanto ao que ele dizia e tinha permissão para dizer. Isso me lembrou muito a palavra de Deus a Moisés quando ele precisou construir o tabernáculo. Vocês verão por quê à medida que avançarmos neste capítulo: “Não acrescente nada. Não retire nada, porque pretendo usar isso como uma figura mais adiante”.
Jonas estava sob ordens rigorosas. Segundo Jonas 3:3, ele se levantou e foi a Nínive conforme a palavra do Senhor. Obedeceu ao Senhor e se submeteu às restrições de Deus.
Você pergunta: “Bem, qual foi a mensagem que ele levou?” O registro que temos está em Jonas 3:4:
Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida.
Eu costumava pensar que isso significava: “Vocês têm quarenta dias para se arrepender e, se não se arrependerem dentro de quarenta dias, no quadragésimo primeiro dia serão incinerados”. Era isso que eu pensava que significava. Mas a língua hebraica não permite essa interpretação. Não é isso que significa.
Depois de quarenta dias, ela estará destruída. O que o texto diz literalmente é isto: “Até o quadragésimo dia, tudo terá acabado”. Até o quadragésimo dia, ela já estará destruída e reduzida a cinzas. Em outras palavras, eles não tinham ideia de quando o fogo cairia. Tudo o que sabiam com certeza era que, até o quadragésimo dia, a cidade inteira teria sido completamente destruída.
O fogo cairia no segundo dia? Cairia no décimo quinto, no vigésimo quinto ou no trigésimo nono dia? Eles não sabiam. Dessa maneira, Deus pôde preservar a verdade de 2 Coríntios 6:2:
Eis aqui agora o dia da salvação.
Eles não sabiam quando o juízo viria, e Ele deliberadamente deixou isso incerto.
Jonas 3:4 diz que Jonas percorreu o caminho de um dia, mas Jonas 3:3 diz que eram necessários três dias para atravessar a cidade. O que ele fez — desistiu? Por que não caminhou os três dias e percorreu a cidade inteira?
Creio que parte da razão tem a ver com o fato de que ele estava sob ordens: “Diga exatamente o que Eu disser. Não acrescente nada. Não retire nada”. Qual era sua mensagem?
Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida.
Ele não poderia pregar no dia seguinte. Sabem por quê? Teria de mudar a mensagem. Teria de dizer: “Ainda trinta e nove dias, e vocês serão destruídos”. Não tinha permissão para fazer isso. Depois seriam trinta e oito dias, trinta e sete dias. Então, ele foi por um dia, esperou uma palavra de Deus, e não houve palavra. Havia terminado. Transmitiu a mensagem exatamente como Deus a havia dado.
Observem que a mensagem pregada por Jonas era cem por cento juízo. Não havia uma palavra de misericórdia naquela mensagem — naquela frase. Nem uma frase de graça. Nem uma sílaba de esperança no que Jonas disse.
Jonas não tinha permissão para dizer: “Mas, se vocês se arrependerem…” Ele não disse isso. Não disse: “Se vocês se voltarem para o Senhor, se, do rei ao mendigo, vestirem pano de saco e se arrependerem, se abandonarem seu mau caminho…” Ele não apresentou nenhum “se”. Não havia condição alguma nessa mensagem.
Ele não disse que Deus teria misericórdia. Não disse que Deus perdoaria. Apenas disse: “Dentro de quarenta dias, Nínive será destruída”. Só isso. Nem uma palavra sobre perdão, nem uma palavra sobre salvação, nem uma palavra sobre arrependimento, nem uma palavra sobre conversão.
Não sejam duros demais com Jonas. Vocês podem dizer: “Que homem! Ele continua contrário à missão, sem disposição missionária. Só quer que eles sejam julgados e só quer pregar juízo”. Talvez isso faça parte da questão, porque Deus lida conosco onde estamos. Mas a outra parte é esta: ele estava sob restrições vindas do céu, que diziam: “Pregue apenas o que Eu lhe disser”.
Vou mostrar a vocês por que é tão importante que ele não pudesse incluir graça naquele sermão. Vamos explicar isso daqui a alguns minutos.
Segundo o registro, os ninivitas realmente se arrependeram com a pregação de Jonas. Mas precisava haver algo mais que levasse meio milhão de pessoas a se voltar para o Senhor. Não acho que Jonas pudesse se levantar e dizer: “Que sermão eu preguei naquele dia! Vocês precisavam ter me ouvido pregar”.
Ele nem sequer tinha três pontos e um poema. Que tipo de sermão é esse? Não havia esperança em sua mensagem. O que fez milhares de pessoas encherem os corredores e virem à frente, para usar uma expressão que conhecemos? Não havia absolutamente nada em suas palavras que trouxesse consolo — apenas o terror do Senhor.
Isso era espiritualmente importante para a figura que Deus estava preparando. Assim como Ele planejou o tabernáculo — o terreno representando o celestial —, Jonas era uma figura. Ele não sabia que Deus estava escrevendo uma Bíblia, usando-o como lápis. Não tinha ideia de que Deus estava fazendo isso.
Quando desceu para dentro do peixe, ele não disse: “Ah, agora é hora de representar Cristo em Sua morte”. Não sabia que Deus estava fazendo aquilo. Agora Deus diz: “Quero que você diga apenas isto. Nada mais”. Isso é importante para a mensagem do livro, importante para a verdade do sinal e importante para a mensagem do evangelho.
Embora Jonas pregasse um juízo certo e merecido dentro de quarenta dias, quando você lê o relato, fica intrigado e diz: “Eles tinham esperança. De onde ela veio?”
Vejam Jonas 3:9. O rei diz em sua proclamação:
Quem sabe se Se voltará Deus, e Se arrependerá,
e Se apartará do furor da Sua ira,
de sorte que não pereçamos?
Nessas duas palavras, “Quem sabe?”, há esperança. De alguma maneira, eles disseram: “Talvez”. De onde tiraram isso? “Talvez Deus faça isso; talvez não faça. Quem sabe?”
Sei de uma coisa: eles não tiraram isso das palavras que saíram da boca de Jonas. De onde quer que tenham tirado esperança, não foi de sua mensagem.
Agora, vejo um indício de misericórdia na segunda incumbência. Mas como eles saberiam disso? Na primeira incumbência, em Jonas 1:2, Deus disse:
Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive
e clama contra ela.
Isso é juízo. Mas, na segunda vez, Ele não disse: “Clame contra ela”.
Observem que, na segunda incumbência, em Jonas 3:2, Ele disse: “Proclame a ela a mensagem que Eu lhe disser”. Na mudança de “clame contra ela” para “proclame o que Eu lhe disser”, talvez haja esperança. Mas não vejo como Nínive poderia ter conhecimento daquela incumbência.
Talvez tenham encontrado esperança nas palavras de Jonas 3:4: “Ainda quarenta dias”. Talvez tenham pensado algo assim: “Há misericórdia nisso. Deus não precisava nos dar tempo algum. Não precisava dizer quarenta dias”. Talvez tenha sido na menção dos quarenta dias que encontraram misericórdia.
Provérbios 29:1 diz que o homem que endurece a cerviz depois de repetidas repreensões será destruído de repente, sem que haja remédio. Você não precisa ser um estudioso da Bíblia para percorrê-la e perceber que, às vezes, o juízo veio sem aviso. Deus simplesmente interveio, sem dar aviso.
No livro de Atos, Herodes estava no meio de um discurso quando, de repente, Deus o feriu. Ananias e Safira não receberam aviso. Então, talvez, quando Jonas disse “quarenta dias”, eles tenham dito: “Temos tempo. Temos tempo”.
Talvez, na segunda incumbência, em Jonas 3:2 — “Levanta-te, vai a Nínive” —, o simples fato de Jonas ter aparecido lhes tenha dado motivos para esperar misericórdia. Talvez tenham dito: “Se Ele pretende nos incinerar, por que Se dá ao trabalho de nos enviar um profeta? Por que enviar um pregador se pretende apenas nos destruir?”
De que adianta saber que seremos destruídos se não existe a possibilidade de arrependimento? Então, talvez tenham percebido misericórdia em tudo isso. Mas eis o que sabemos com certeza.
Nosso Senhor Jesus nos diz claramente o que os levou a se arrepender. Já citei isso muitas vezes. Deixem-me citar novamente — Lucas 11:30:
Porquanto, assim como Jonas foi sinal para os ninivitas,
assim o Filho do Homem o será também para esta geração.
Não foi apenas o que ouviram; de alguma maneira, havia um sinal em Jonas. Foi ali que encontraram esperança. Um sinal aponta para alguma coisa. O que é um sinal? Jonas se tornou um sinal.
Talvez, em seus estudos, vocês tenham lido algo que me decepcionou muito, especialmente quando descobri quais estudiosos respeitados defendem essa posição. Eles dizem que Jonas foi um sinal porque, depois de três dias e três noites no ventre do peixe, os ácidos do estômago do peixe agiram sobre ele e o deixaram completamente branco.
Dizem que esse era o sinal: ele apareceu todo esbranquiçado pelos ácidos do estômago do peixe. Chegam a essa conclusão porque algumas pessoas teriam sido engolidas vivas, resgatadas, e ficado com essa aparência. Então dizem: “Foi exatamente isso que aconteceu”.
Fico decepcionado com alguns dos comentaristas que defendem isso. Não vou citar nomes, mas acho que vocês ficariam surpresos com alguns deles. Creio que isso contraria o que nosso Senhor Jesus estava dizendo em Mateus.
Em Mateus, Ele diz: “Uma geração perversa busca um sinal. Não vou lhes dar algo que os convença por aquilo que estes olhos veem”. Se Jonas tivesse aparecido completamente branco, isso teria sido um apelo à visão, em vez de um chamado e um convite à fé.
Então, não acho que seja esse o significado de Jonas ser um sinal. Além disso, creio que isso diminuiria o milagre. “Eis que Deus o ressuscitou parcialmente digerido.” Há simplesmente algo nessa ideia do milagre que não me convence.
Como Jonas foi um sinal? Você diz que Jonas foi um sinal por meio de seu testemunho. Não há dúvida quanto a isso. Acho que é bastante evidente, embora eu não possa dizer como. Se quiserem saber como, procurem os presbíteros depois, e eles lhes dirão.
Mas, de alguma forma, parece que os ninivitas conheciam a história de Jonas quando ele chegou ali. Não sei exatamente como souberam, mas, de algum modo, conheciam toda a história.
Alguém diz: “Bem, os marinheiros contaram a eles”. Os marinheiros eram fenícios, e não sei como chegaram a Nínive, mas talvez tenham contado a eles de alguma maneira. Não sei.
É possível que soubessem que um homem havia saído vivo daquele peixe. Alguém diz: “Não temos o registro completo aqui. Temos uma frase. Mas talvez Jonas também tenha dado seu testemunho enquanto falava”.
Não me inclino a essa interpretação, porque estou bastante certo de que Deus restringiu muito o que ele podia dizer. Não sabemos como eles souberam. Não sabemos quanto tempo passou entre a primeira e a segunda incumbência. Foi seis meses depois? Um ano depois? Ou alguns anos depois?
Há apenas uma ocasião em que a Bíblia menciona essa viagem — a distância de Jerusalém ao Iraque. É claro que, naquele caso, não se tratava da Assíria; a Babilônia estaria envolvida. Mas Esdras fez essa viagem, e levou seis meses apenas para percorrer o caminho. Naturalmente, ele estava com outras pessoas. Então, não sabemos exatamente quanto tempo passou.
Há também aquela interessante referência histórica em 2 Reis 15. É o mesmo período, quando a Assíria saía em suas campanhas para destruir nações. A Assíria atacou Israel. Parece que isso aconteceu entre os dois chamados.
Deus diz: “Levante-se, vá a Nínive”, e depois vêm o peixe e tudo o mais. Jonas volta para casa. Sabemos que voltou para casa porque a segunda incumbência vem e diz novamente: “Levante-se, vá a Nínive”. Ele não estava em Nínive. Estava em casa.
Entre as duas incumbências, parece que a Assíria realmente fez uma incursão em Israel. Se os assírios e seus soldados foram a Israel, talvez tenham recebido algumas notícias sobre o que estava acontecendo. Leiam o relato. É algo curioso: eles saíram de Israel muito depressa. Receberam um pagamento. Israel lhes pagou em prata e disse: “Não nos ataquem”, e isso funcionou — eles foram embora.
Talvez tenham ouvido a história ali. Não sei como souberam. Certamente, este é um livro de milagres. Deus poderia ter feito um milagre para lhes dar conhecimento disso. Poderia facilmente ter feito isso — dado a eles uma visão ou um sonho. Não sei como souberam, mas, de alguma maneira, souberam.
Mateus 12:40 diz:
Pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia,
assim estará o Filho do Homem três dias e três noites no seio da terra.
O ponto dos três dias e três noites não é simplesmente três dias e três noites. O ponto é: não quatro, não cinco, não mais de três. Não é apenas uma figura da morte; é uma figura da ressurreição.
Esse era seu testemunho. De alguma maneira, eles o conheciam. Ali estava um homem ressuscitado dentre os mortos. Ali estava, vivo diante deles, um homem que estivera praticamente morto. De alguma forma, eles sabiam que ele era uma demonstração concreta da misericórdia de Deus.
Eles conheciam a história. Sabiam que aquele homem diante deles, transmitindo aquela mensagem, não merecia estar vivo. Era somente pela misericórdia de Deus que ele estava ali.
Foi ali que encontraram esperança. Disseram: “Olha, talvez, se Deus teve misericórdia daquele sujeito, tenha misericórdia de mim — de nós”. Jonas se tornou um sinal.
A única esperança de Jonas era a salvação de Deus, e eles pensaram: “Essa é a nossa única esperança”. Agora, o sinal não está apenas no que Jonas disse ou no que Jonas fez. Você diz: “O sinal é o testemunho”. Sim, mas é mais profundo do que isso. É mais profundo do que isso.
Quando você olha para um dos maiores milagres morais da história da humanidade — meio milhão de pessoas —, se estuda como eu estudo, procurando compreender o coração de Deus e relacionar as Escrituras, percebe que Deus nos apresentou um dos maiores arrependimentos de todos os tempos.
Leio o relato e digo: “Onde está o evangelho? Onde está o sangue? Não suporto a ideia de que meio milhão de pessoas vieram a Cristo e eu não vejo o sangue. Onde está o Cordeiro de Deus? Onde está a expiação nesse grande arrependimento?”
Se você ler apenas com estes olhos, de maneira superficial, parece salvação pelas obras. Basta se arrepender, vestir pano de saco, sentar-se nas cinzas, jejuar, e então Deus o perdoará. Sei que essa não é a verdade da Bíblia.
Leio sobre esse que é o maior arrependimento da história do mundo e não consigo encontrar Jesus. Não consigo encontrar o sangue. Não consigo encontrar a expiação. Sei que a salvação não é pelas obras. Sei que não é pelo arrependimento e pelo abandono do pecado. Isso não é a salvação.
Deus está escrevendo uma história, e Deus está dando um sinal. Vou pedir que vocês deem um passo atrás comigo e olhem novamente para o mesmo relato. Mas, desta vez, pensem espiritualmente: o que Deus está fazendo?
Como vocês sabem, há duas partes no evangelho. Uma delas é lamentavelmente negligenciada hoje entre o povo de Deus. É o aspecto que Jonas pregou — o aspecto do juízo.
As pessoas não estão falando sobre o inferno hoje em dia. Não estão falando sobre a ira de Deus, sobre o caráter santo de Deus e sobre a necessidade incontornável de Deus julgar o pecado. As pessoas não estão mencionando isso.
Costumava-se dizer que, antes de levar uma pessoa à salvação, é preciso fazê-la reconhecer que está perdida. Era isso que aqueles antigos puritanos faziam. Eles a faziam reconhecer que estava perdida, completamente perdida. Foi daí que vieram os quakers: eles levavam as pessoas a perceber tão profundamente sua perdição que elas tremiam de medo. Depois, apresentavam o evangelho — a verdade sobre o Senhor Jesus Cristo.
Bem, os ninivitas tinham o evangelho completo em forma de semente. Tinham a ira de Deus ilustrada no sermão de Jonas — a ira sem atenuantes. “Vocês merecem o inferno. Ele está vindo. Deus vai julgar.” Era tudo o que sabiam: a ira de Deus.
No sermão de Jonas, tinham a primeira parte do evangelho. Na pessoa de Jonas, no sinal, tinham a segunda parte: a morte, o sepultamento e a ressurreição. Em forma de semente, a cruz está ali. Tudo está ali.
Jonas se tornou Cristo para eles. Na situação em que estavam, era tudo o que tinham. Olhavam para um lado e diziam: “Estamos mortos”. Olhavam para ele e diziam: “Aqui está nossa única esperança”. Jonas se tornou Jesus para eles — uma figura da morte, do sepultamento e da ressurreição de Cristo.
Eles olhavam para Jonas e viam Cristo, sua única esperança, e diziam: “Essa é a nossa salvação”. O que é o sinal de Jonas?
O sinal de Jonas é Cristo. Alguém diz: “É seu testemunho”. É mais profundo do que isso. Dizem: “É a vida de ressurreição”. Essa é a doutrina. O sinal de Jonas é Cristo — Jesus.
É a vida de Deus. É a vida do Senhor. Esse homem foi ressuscitado dentre os mortos por uma vida que não era sua. É mais do que seu testemunho. É mais do que alguma doutrina sobre a vida de ressurreição. É um homem em quem Deus habita. Esse é o testemunho.
Por que há tanto poder numa pessoa a quem Deus ressuscitou dentre os mortos? Numa pessoa em quem Deus realizou uma obra maravilhosa e em cuja vida Cristo está sendo manifestado?
Encontrem um bêbado convertido, alguém que vivia na perversão e se converteu, ou alguém cheio de justiça própria que foi humilhado e veio ao Senhor. Outra pessoa se levanta com seu belo título de seminário, todos os seus diplomas e recomendações de cristãos famosos. Mas esse anônimo, em quem Deus realizou uma obra — há algo ali.
Esses jovens que vão para o campo missionário e simplesmente vivem — alguém se aproxima e vê Cristo. Esse é o sinal. Quando veem Cristo, esse é o sinal de Jonas: Cristo vivo.
Jonas não fez nada para se tornar um sinal. Não comeu e orou. Não jejuou. Não estudou. Não leu manuais de instruções. Nunca encomendou uma fita minha.
Deus fez tudo. Deus o perseguiu até levá-lo ao ponto em que entregaria tudo. Deus o conduziu às profundezas, onde diria: “Tudo é pela graça”. Deus o levantou novamente para que estivesse de pé numa vida que não era sua.
Jonas não percorreu as ruas de Nínive realizando milagre após milagre como credencial de que havia sido enviado por Deus. Ele era o milagre. Esse era o sinal.
Deus o levantou, e Cristo estava sendo visto em sua vida. Quando veem Cristo, esse é o sinal de Jonas. Ele disse: “Não vou dar outro sinal. Esse é o único sinal”.
“Vou trabalhar em um homem. Vou trabalhar em uma mulher, em um jovem, e vou moldá-los e transformá-los até que Cristo seja visto. Quando Cristo é visto, as coisas começam a acontecer.” Foi aí que tudo começou a acontecer.
O sinal é Cristo. Quando Ele brilha em você, quando Ele brilha em mim, esse é o poder do Senhor. Eu lhes disse que há apenas um missionário em todo o universo, e esse missionário é o Senhor.
O Senhor queria ir a Nínive e finalmente pôde ir em Seu servo Jonas. Foi Cristo Quem foi a Nínive. Eles ouviram o evangelho completo. Ouviram que havia juízo e viram esperança naquela pessoa — uma pessoa transformada, irradiando Cristo.
Jonas era um profeta bem-sucedido no norte muito antes de ser um sinal. Ele havia pregado, e as coisas aconteceram. Mas, depois que foi ressuscitado dentre os mortos, depois que Cristo começou a viver nele — e vamos examinar um pouco disso amanhã —, todo o fruto não estava no que Jonas dizia ou fazia. Estava em quem ele era, naquilo em que Deus o havia transformado.
Irmãos e irmãs em Cristo, isso é missões: Cristo em vocês.
A vida de Deus conquista o mundo. Em última análise, não importa quão bonitos sejam seus elaborados diagramas, como você responde a questões doutrinárias, qual junta missionária o apoia ou quem o recomenda.
Na medida em que Cristo vive em você, você é um sinal. Na medida em que Cristo vive em mim, eu sou um sinal. Nínive viu Cristo.
Você não pode compensar a falta de vida acrescentando outras coisas ou fazendo outras coisas. Se Cristo não estiver ali, não há quantidade de habilidade, eloquência, experiência cristã, genialidade, organização, recursos ou voluntários que possa substituí-Lo.
Você pode ter todos os programas do mundo para alcançar todas as pessoas do mundo, e eu lhe digo: eles não darão fruto. Encontre alguém — qualquer pessoa — que aos nossos olhos seja humilde e insignificante; se alguém vir Cristo nela, haverá uma mudança. As pessoas olham para isso, e esse é o sinal de Jonas.
Amanhã será muito importante. Como um homem pode ressuscitar dentre os mortos e ainda ter a atitude que Jonas tinha? Precisamos tratar disso, e vamos examinar essa questão amanhã.
Mas, irmãos e irmãs em Cristo, acho que vocês já avançaram o suficiente para saber disso. Provavelmente não precisam ouvir, mas vou dizer assim mesmo, apenas para transmitir o que pesa em meu coração: Não saiam tentando se tornar um sinal.
Não saiam tentando se tornar um sinal. Como Jonas se tornou um sinal? Deus operou nele. Deixe Deus operar em você. Deixe Deus libertá-lo. Deixe Deus torná-lo livre. Deixe Deus ressuscitá-lo dentre os mortos. Deixe Deus conformá-lo a Cristo, e você estará se tornando um sinal.
Ocupe-se com Cristo. Não se preocupe com o campo missionário. Ocupe-se com Cristo, e Deus fará o sinal. Deixe Deus operar em você. Depois, simplesmente esteja presente.
Isso é missão. Essa é toda a história. Foi isso que Jonas fez. Foi isso que Lázaro fez. O texto diz que as pessoas se aglomeravam porque Deus o havia ressuscitado dentre os mortos. Apenas deixe o Senhor operar em você.
Cristo começará a conformá-lo a Si mesmo. À medida que Cristo for visto, você ficará admirado — e vamos examinar isso amanhã —, ficará admirado com quantas pessoas, tantas que você nem consegue imaginar, se voltarão para o Senhor simplesmente porque você é quem é, porque vive e porque elas conseguem ver Cristo em você.
Vocês poderiam dar testemunho. Eu poderia descer daqui, e vocês poderiam vir, fileira após fileira, e testemunhar: “Alguém viu Cristo em mim, e eu passei a crer”. Esses jovens, pela maneira como falavam, era algo impressionante. Era maravilhoso. Era extraordinário ouvir: “Eles viram Cristo. Eles viram Cristo”.
Ah, que Deus nos dê o sinal de Jonas! As pessoas ficam intrigadas e perguntam: “O que é o sinal de Jonas? O que é o sinal de Jonas?” É Jesus. É claro, vocês sabem que vamos terminar Nele. Foi por isso que nos reunimos aqui: para vê-Lo.
Esse é o sinal de Jonas. Que Deus nos transforme em Seu sinal.
Vamos orar juntos.
Pai, muito obrigado por esse maravilhoso testemunho que nos deste. Permitiste que Jonas fosse Cristo para os ninivitas, e eles se voltaram em multidões para o Senhor. Permite que sejamos Cristo para Ti onde estamos.
Ah, nós Te louvamos, Senhor, por esse maravilhoso evangelho. Tu nos ressuscitas dentre os mortos e nos dás uma vida que não é nossa, e essa vida é o que atrai.
Tu nos disseste que, se fosses levantado, atrairias todos a Ti — não apenas os gregos, mas o mundo inteiro. Sê levantado em nossa vida. Oramos em nome de Jesus. Amém.