Obrigado.
Bom dia, irmãos e irmãs em Cristo. Há alguma luz que eu possa usar aqui?
Obrigado. Assim está bom. Obrigado.
Bem, o Senhor certamente está agindo, não está? Que Senhor maravilhoso, maravilhoso.
Ao nos dedicarmos ao estudo da Palavra de Deus, há um princípio de estudo bíblico absolutamente indispensável: a dependência integral do Espírito Santo.
Enquanto partíamos o pão juntos e falávamos sobre alimento, fome e sede, eu estava pensando naquele maravilhoso versículo de Isaías 55:1:
Ó vós, todos os que tendes sede, vinde às águas;
e vós, os que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei;
sim, vinde, comprai vinho e leite, sem dinheiro e sem preço.
E, no reino de Deus, a sede é o dinheiro com que se compra do céu. Essa é a moeda do Seu reino. Se viermos com sede, Ele prometeu Se encontrar conosco. Se viermos com fome, Ele nos alimentará.
Gostaria de sugerir uma oração — um versículo que acrescentaremos à nossa aplicação desse princípio indispensável. Para este estudo em particular, gostaria que essa oração estivesse no coração de vocês. Ela está em Salmos 106:4, na parte final:
Lembra-Te de mim, ó Senhor, segundo o favor que tens para com o Teu povo;
ó, visita-me com a Tua salvação.
Ó, visita-me — e não deixem de fora esse “ó”, porque esse é o clamor: “Ó, visita-me com a Tua salvação”.
Vamos inclinar a cabeça juntos, entregar nosso tempo ao Senhor e pedir que Ele nos visite.
Pai, nós Te agradecemos mais uma vez porque podemos confiar que Tu abrirás nossos olhos para compreendermos a Tua preciosa Palavra. Ao pensarmos em como Tu trataste o Teu servo Jonas — como vais atrás daqueles que desejas —, nós Te louvamos porque já vimos isso, até mesmo hoje: a Tua busca fiel, trazendo para Ti o Teu filho.
E nos alegramos nisso, Senhor. Agora, queremos Te pedir, de modo especial, que nos visites com a Tua salvação. Jesus é digno disso, e em Seu nome reivindicamos essa bênção. Amém.
Vou começar nossa breve revisão lendo no Novo Testamento estes versículos conhecidos de Lucas 11:29-30,32:
E, ajuntando-se as multidões, começou Ele a dizer: Esta geração é uma geração má; busca um sinal, e nenhum sinal lhe será dado, senão o sinal de Jonas.
Pois, assim como Jonas se tornou um sinal para os ninivitas, assim também o Filho do Homem o será para esta geração.
Os homens de Nínive se levantarão no juízo com esta geração e a condenarão; porque se arrependeram com a pregação de Jonas; e eis que está aqui Quem é maior do que Jonas.
Jesus viu o resultado final de Jonas. Em outras palavras, Ele viu que Deus havia transformado Jonas em um sinal. Eles viram o sinal, ouviram a Palavra e se arrependeram com a pregação de Jonas.
Jesus viu o resultado final, mas o livro de Jonas não apresenta esse resultado logo de início. O livro de Jonas apresenta o processo. Jesus viu o fim: Jonas havia se tornado um sinal. Mas o livro de Jonas apresenta o processo pelo qual Deus transforma Jonas em um sinal.
No início da história de Jonas, ele estava muito, muito longe de ser um sinal. Tinha um coração sem disposição missionária. Tinha um coração antimissionário. Por razões profundas em sua alma, fugiu da presença do Senhor.
Em sua independência, virou as costas. A história de Jonas é a história de como Deus, em Sua misericórdia, foi atrás de Seu filho independente e o conduziu, por etapas, até o ponto em que ele se tornou um sinal — um canal missionário da própria vida de Deus —, para que, como um homem ressurreto, pudesse levar a vida de Deus aos confins da terra.
Que livro glorioso, esse livro de Jonas. Que Deus nos dê olhos para enxergá-lo.
O grande milagre no livro de Jonas, como já sugeri, não é o peixe. Esse é um grande milagre, mas não é o milagre.
Não é nem mesmo a conversão daquela cidade perversa de Nínive. O grande milagre do livro é a misericórdia de Deus para com Seu servo Jonas: transformá-lo e dar-lhe um coração semelhante ao coração de Deus.
Ontem à noite, conversamos um pouco sobre aquela primeira mudança no coração de Jonas. O livro começa com um profeta independente fugindo da presença do Senhor. Ele não quer ser o canal missionário de Deus. Quer que Nínive seja julgada. Quer que Deus seja severo com eles.
Mas Deus, em Sua misericórdia, busca Seu filho e vai atrás dele por todos os meios. Lança uma tempestade em sua vida, traz as pessoas certas para sua vida, permite que ele machuque outras pessoas, permite que aqueles que têm menos luz o envergonhem e até o usa, em sua condição de afastamento espiritual, para trazer bênção.
Tudo isso coopera para levá-lo ao ponto em que diz, em Jonas 1:12:
Levantai-me e lançai-me ao mar;
e o mar se aquietará para vós;
porque eu sei que, por minha causa, vos sobreveio esta grande tempestade.
Deus finalmente o levou ao ponto em que, pela primeira vez, estava disposto a dar sua vida pelos pagãos. Do ponto de vista dele, e com a luz que tinha, aquilo era uma rendição total, uma dedicação completa, um sacrifício absoluto.
“Eu morrerei por vocês.” Foi isso que ele disse. “Lancem-me ao mar por causa de vocês. A tempestade vai parar se eu morrer.”
É claro que nós temos o restante do relato e sabemos que ainda é Jonas quem está fazendo isso. Foi um ato corajoso. Foi nobre. Foi ousado. Foi heroico. Foi um grande sacrifício. Mas foi um primeiro passo.
No que diz respeito às missões, aquilo era, por assim dizer, sem valor — mas muito necessário no que dizia respeito a Jonas. Jonas diz: “Toma a minha vida”. Jonas, eles não precisam da sua vida. Precisam da vida dEle.
Na formação de um sinal, é importante que entreguemos nossa vida, que a lancemos ao mar, que digamos: “Está bem, não é para mim. Não é algo meu. É para Ele. Toma a minha vida”. Isso é importante como primeiro passo.
Agora, deixem-me ler o desenvolvimento completo disso no Novo Testamento e mostrar onde Jonas estava. Lembrem-se das palavras do Espírito Santo por meio do apóstolo Paulo em 1 Coríntios 13:1-3:
Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, tornei-me como o bronze que soa ou como o címbalo que retine.
E ainda que tenha o dom de profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência; e ainda que tenha toda a fé, de maneira tal que transporte os montes, se não tiver amor, nada sou.
E ainda que distribua todos os meus bens para sustento dos pobres, e ainda que entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará.
Era aí que Jonas estava naquele momento. Você lê isso, e é algo tão impressionante. Um profeta de Deus — ainda que tivesse a língua dos anjos, mas não tivesse amor. E ele ainda não tinha amor.
O amor é o fruto do Espírito. É a vida de Deus, o fruto dessa vida, e ele ainda não tinha isso. Vejam que é possível entregar todos os seus bens para alimentar os pobres e entregar seu corpo para ser queimado.
Você diz: “O que mais Deus poderia querer? Entreguei tudo. Entreguei meu corpo para ser queimado”. Deus diz: “Isso não aproveita nada”. Que versículo impressionante — não aproveita nada se lhe falta a vida de Deus.
Era aí que Jonas estava naquele ponto. Ele havia se lançado — ou se entregado para ser lançado — ao mar. Do seu ponto de vista, um passo muito ousado e heroico. Mas, na verdade, considerando o quadro mais amplo, isso não aproveita nada, porque ele ainda precisa da vida de Deus.
Ao encerrar ontem à noite, lembrei vocês de que os marinheiros só podiam ver com estes olhos. Só podiam ver a superfície das coisas. Do ponto de vista deles, viram seu herói morrer por eles. Ele foi lançado ao mar por causa deles. Viram a tempestade parar. Viram a calmaria sobrenatural de Deus vir sobre o mar. Viram Jonas afundar pela terceira vez e, do ponto de vista deles, ele estava morto.
Do ponto de vista de Jonas, ele estava morto. Mas vocês sabem que esse não é o fim da história, porque, sob a superfície, Deus diz: “Agora continuarei a Minha obra mais profunda”.
Há outra obra que o homem não pode ver com estes olhos. Enquanto os marinheiros viam apenas a superfície — um mar de vidro —, debaixo daquele mar de vidro Deus começou Sua obra estranha e incomum, enquanto continuava a transformar esse homem em um sinal.
Isso nos leva a Jonas 2: a obra mais profunda de Deus. Que Deus nos ajude ao examinarmos este capítulo maravilhoso.
Se a revelação de nosso Senhor Jesus em Jonas 1 é a do Deus que vai atrás de Seu filho — e certamente vocês precisam enxergar isso no capítulo 1, Deus buscando Seu filho —, então, no capítulo 2, temos a revelação de Deus como Aquele que liberta.
Que Deus libertador temos em Jonas 2: o Deus da salvação. É por isso que eu queria que começássemos com a oração de Salmos 106:4: “Ó, visita-me com a Tua salvação”.
Jonas ainda não é um sinal, mas Deus está trabalhando. Deus não terminou. Ele vai transformá-lo em um sinal. Vai ensiná-lo, trabalhar nele e mudá-lo. Então, que comece a obra mais profunda.
Quero fazer uma observação que, creio, será útil antes de examinarmos Jonas 2 e compreendermos o coração de Deus neste maravilhoso capítulo. O princípio é este: cada vez que Deus liberta, Ele torna a manifestar Sua salvação.
Cada vez que Deus liberta, Ele torna a manifestar Sua salvação.
Quando chegamos a Joshua, Bill Burckhardt se levantou e compartilhou uma preocupação que estava em seu coração. Ele sentia que, embora houvesse crentes aqui, talvez alguns deles ainda precisassem ser libertos. Você pode ter vindo a Joshua carregando alguma bagagem que precisa deixar de lado.
Você percebe isso? Se Deus liberta um crente, Ele torna a manifestar Sua salvação. Agora, não estou dizendo que você precisa ser salvo novamente. Mas estou dizendo que, se Deus o libertar, Ele restaurará a alegria da sua salvação. A sensação é de ter sido salvo de novo.
Esse é o princípio que nos permite viver no primeiro amor, porque, cada vez que Deus liberta, Ele torna a manifestar Sua salvação. Ele é um Deus que liberta.
Eu fui salvo — bem, quem sabe quando —, mas acho que foi em 1958 que tomei consciência disso, pelo menos. Isso foi há quarenta e três anos. Você percebe que, se Deus me libertar hoje de alguma coisa, posso ter a mesma alegria que tive há quarenta e três anos, quando confiei em Cristo pela primeira vez?
Deus vai levar Jonas ao ponto em que ele experimentará a mesma alegria que um pagão experimentará ao ouvir o evangelho pela primeira vez. Deus vai libertá-lo, e, cada vez que Ele liberta, torna a manifestar Sua salvação.
A misericórdia de Deus — Sua misericórdia libertadora — é sempre imerecida. Lemos o relato e dizemos: “Deus libertou Jonas da tempestade”. Isso é verdade.
Deus está prestes a libertar Jonas do peixe. Isso também é verdade, mas é apenas um lado da verdade. Aqui está o outro lado: Deus não apenas libertou Jonas da tempestade; Ele libertou Jonas por meio da tempestade.
A tempestade foi sua salvação. Ele não apenas libertou Jonas do peixe; Ele libertou Jonas por meio do peixe.
Quando olhamos com estes olhos, do ponto de vista humano, dizemos: “Deus estava indo atrás de Jonas. Lançou uma tempestade sobre ele. Isso é disciplina”. Talvez seja. Mas aquela disciplina também era salvação. Aquilo foi sua salvação.
Deus usou a tempestade para resgatar Jonas. É muito melhor ser resgatado por uma tempestade do que perecer na calmaria. Deus envia as tempestades como Sua salvação.
Sem a tempestade, Jonas jamais poderia ter se tornado um sinal. Tudo aquilo fazia parte da grande salvação de Deus. Que misericórdia em sua vida.
Assim também foi com o peixe. Você diz: “Bem, isso é disciplina. Deus o engoliu com um grande monstro marinho — disciplina”. Ah, eu lhes digo: Deus não enviou o peixe para matá-lo. Deus enviou o peixe para salvá-lo.
Deus enviou o peixe para livrá-lo, para libertá-lo. Aquilo foi sua salvação. Jonas estava muito melhor no ventre do peixe, nas raízes dos montes, do que dormindo na cabine durante seu cruzeiro pelo Mediterrâneo.
A tempestade foi sua salvação. Agora, vamos voltar à nossa oração para este capítulo, Salmos 106:4. Você percebe o que está pedindo quando diz: “Ó, visita-me com a Tua salvação”?
“Ó, visita-me com a tempestade.” Você consegue orar assim? Essa é a sua salvação.
“Ó, visita-me com o peixe.” Essa é a sua salvação.
Não fique amargurado quando o Senhor o corrigir, quando o Senhor o disciplinar. Essa é a sua salvação. É a misericórdia de Deus vindo libertá-lo. Cada vez que Deus liberta, Ele torna a manifestar Sua salvação e restaura novamente a alegria da salvação.
Não é de admirar que Davi pudesse dizer em Salmos 119:67,71,137,75:
Antes de ser afligido, eu andava errado;
mas agora guardo a Tua palavra.
Foi-me bom ter sido afligido;
para que aprendesse os Teus estatutos.
Justo és Tu, ó Senhor,
e retos são os Teus juízos.
Em Tua fidelidade me afligiste.
Deixem-me relacionar tudo isso com Salmos 23. O irmão Jeff tem compartilhado algumas coisas de Salmos 23, e Deus está usando isso na vida dele. Consegui suas fitas, e que bênção foi para o meu coração ouvir algumas dessas coisas.
Salmos 23:6:
Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida;
e habitarei na casa do Senhor para sempre.
Você percebe que, em cada momento da sua vida, Salmos 23:6 é verdade? Em cada momento da minha vida, Salmos 23:6 é verdade. A bondade e a misericórdia o seguirão todos os dias da sua vida.
Você diz: “Bem, isso é verdade quando estou andando em comunhão ininterrupta com Jesus”. Sim, mas também é verdade quando, em sua independência, você está fugindo da presença do Senhor. Ah, bendito seja Deus por isso.
Se você é cristão, nunca escapa disso. Sempre haverá duas pegadas atrás de você, aonde quer que vá, em todo tempo e em todo lugar. Uma se chama bondade, e a outra se chama misericórdia.
Elas o seguirão todos os dias da sua vida. Podem assumir a forma de uma tempestade. Podem assumir a forma de um peixe. Mas são a bondade e a misericórdia do Senhor.
Não vamos entrar nisso agora, mas leiam Salmos 107 e relacionem todas as suas partes com o último versículo de Salmos 107:43. Creio que Deus lhes dará luz sobre isso.
Muito bem, Jonas 2:1-10:
E orou Jonas ao Senhor, seu Deus, do ventre do peixe.
E disse: Na minha angústia clamei ao Senhor, e Ele me respondeu;
do ventre do Sheol gritei, e Tu ouviste a minha voz.
Porque Tu me lançaste no profundo, no coração dos mares;
e a corrente me cercou:
todas as Tuas ondas e as Tuas vagas passaram sobre mim.
E eu disse: Lançado estou de diante dos Teus olhos;
todavia tornarei a olhar para o Teu santo templo.
As águas me cercaram até à alma;
o abismo me rodeou;
as algas se enrolaram na minha cabeça.
Desci até às raízes dos montes;
a terra, com os seus ferrolhos, fechou-se sobre mim para sempre:
mas Tu fizeste subir a minha vida da cova, ó Senhor, meu Deus.
Quando desfalecia em mim a minha alma, lembrei-me do Senhor;
e entrou a Ti a minha oração, no Teu santo templo.
Os que se apegam a vaidades mentirosas abandonam a sua própria misericórdia.
Mas eu Te oferecerei sacrifício com a voz do agradecimento;
o que votei pagarei.
A salvação é do Senhor.
E o Senhor falou ao peixe, e ele vomitou Jonas na terra seca.
Observem Jonas 2:1, por favor:
E orou Jonas ao Senhor, seu Deus, do ventre do peixe.
Há muitos comentaristas que acreditam que Jonas não foi engolido imediatamente pelo peixe. Em outras palavras, entende-se que as descrições neste salmo — as correntes, as vagas, as ondas que se quebram, as águas que o cercam — descrevem Jonas afundando, quase se afogando, e então, pouco antes de ele se afogar, Deus enviando o peixe para resgatá-lo.
Eles dizem que Jonas está descrevendo sua experiência de afundar no mar. Acho importante lembrar que, assim que o corpo de Jonas tocou a água — não leiam Jonas 1:15 de maneira superficial:
E levantaram Jonas e o lançaram ao mar;
e cessou o mar da sua fúria.
Os homens temeram grandemente. Foi uma calmaria instantânea e sobrenatural que Deus trouxe sobre aquele mar. Não era uma tempestade comum, e não era uma calmaria comum.
Que revelação da soberania de Deus nesse maravilhoso milagre. Certamente, vocês veem o poder de Deus quando Ele lança o vento e aumenta sua intensidade. Mas agora veem o poder do Senhor ao pôr um fim abrupto à tempestade.
Vocês não esperariam que a Bíblia dissesse: “E então o vento foi diminuindo, e aos poucos deixou de soprar, e a tempestade foi rebaixada de furacão para depressão tropical”? É isso que vocês esperariam ler.
Mas o que lemos, em vez disso, é que Jonas foi lançado ao mar e o mar cessou sua fúria. Normalmente, depois que o vento diminui, leva tempo para a água se acalmar. A água não é estável. As ondas chegam a quatro metros e meio, seis metros, sete metros e meio; leva tempo até que a água agitada finalmente se aquiete.
Aqui, não. Não deixem passar a maravilha disso. Assim que Jonas toca a água, há uma calmaria sobrenatural.
Chamo a atenção para isso porque, quando Jonas ora neste capítulo, descreve correntes, ondas que se quebram, vagas e ondas. Não havia nenhuma. Não havia nenhuma.
Você diz: “Bem, isso é apenas poesia”. Não. Não creio que ele esteja descrevendo seu afundamento em uma tempestade tremenda, com todas aquelas ondas se quebrando sobre sua cabeça. Acho que ele estava em uma água tão parada quanto a de um lago.
O que ele está descrevendo é ser engolido por um grande peixe. Esse peixe se aproxima. As correntes, as ondas que se quebram, as ondas, as vagas e as algas ao redor da cabeça vêm desse peixe se movendo a uma velocidade tremenda, abrindo a boca, engolindo, e de tudo aquilo entrando junto.
É isso que ele está descrevendo. Toda essa oração aconteceu dentro do peixe, não enquanto ele estava se afogando, mas enquanto estava dentro do peixe. Vocês podem tomar Jonas 2:1 como a chave para o capítulo inteiro: a oração que ele fez do ventre do peixe.
Conforme entendo essa experiência no ventre do peixe, Deus estava realizando pelo menos duas coisas. Muitas outras, é claro. Sempre sabemos que Deus está fazendo mais do que cabe em nossos pequenos esboços. Mas pelo menos estas duas coisas Ele estava realizando.
Primeiro — e Jonas nada sabia a respeito disso —, Deus estava preparando uma figura de nosso Senhor Jesus Cristo em Sua morte, sepultamento e ressurreição.
No futuro, Deus tomaria, literalmente, as expressões poéticas da experiência de Jonas, as multiplicaria pelo infinito e as aplicaria ao que Jesus experimentou na cruz. Em outra ocasião, direi a vocês por que essa é uma figura perfeita da cruz.
Mas, em segundo lugar, vamos voltar a Jonas. Jonas não sabia que seria um tipo, que prefiguraria o Senhor Jesus. Não sabia disso.
O que Deus estava fazendo nos dias de Jonas, na vida de Jonas — essa obra mais profunda sob a superfície, enquanto o transformava em um sinal? O que Deus estava procurando realizar em sua vida?
Creio que a resposta é que Deus precisava levar Jonas ao ponto em que compreendesse que a misericórdia é imerecida.
A misericórdia é imerecida.
Lembrem-se: naquele momento, embora ele tivesse sido tão nobre, valente e corajoso — tendo entregado sua vida pelos pagãos —, ainda tinha um coração sem disposição missionária, um coração antimissionário.
Se vocês tivessem colocado a mão na água, puxado Jonas para cima e dito: “Jonas, você acha que Nínive deveria ser poupada?”, ele teria dito: “Não”. Ainda tinha o mesmo coração.
Nínive merece ser julgada. Eles são perversos. São violentos. Não merecem a misericórdia de Deus. Por que Deus deveria poupá-los?
Às vezes vocês deveriam estar lá em casa quando aparece na televisão alguma pessoa perversa fazendo alguma coisa perversa. Um dia, Lillian disse: “Eu gostaria de ser Deus por um dia”.
Sabem de uma coisa? Lillian sendo Deus por um dia — não haveria misericórdia. Ah, as coisas que ela diz que deveriam acontecer com essas pessoas terríveis!
O que Deus fez no ventre do peixe — e vocês não compreenderão essa passagem se não enxergarem isso — foi colocar Jonas no lugar dos pagãos.
Ele ia colocar Jonas numa situação em que aprenderia que não merecia misericórdia mais do que os ninivitas aos quais fora enviado. Essa é a grande coisa que Deus estava realizando no peixe.
Missões são muito mais do que uma entrega nobre de nossa vida em favor dos outros. São também uma compreensão espiritual de que somos tão indignos de favor e tão merecedores de juízo quanto qualquer pessoa a quem somos enviados para servir.
No peixe, Jonas passou a enxergar que não merecia a misericórdia de Deus, que merecia ser julgado. Todas aquelas coisas que desejava para os ninivitas, ele próprio merecia.
Ele chegou ao ponto em que, se algum dia fosse liberto, seria pela misericórdia imerecida de Deus, pela graça imerecida do Senhor. Deus ensinou Jonas sobre a graça dentro desse peixe.
Ao fim daquela provação, Jonas viu que não havia a menor diferença entre ele e os ninivitas. Eles mereciam morrer, e ele também. Eles mereciam não ser libertos, e Jonas também.
Irmãos e irmãs em Cristo, é uma maravilhosa revelação do Senhor — e um milagre — quando o povo de Deus enxerga que o mundo inteiro, aos olhos de Deus, está no mesmo nível.
Não apenas na igreja, onde abraçamos o sacerdócio dos crentes, onde não há categorias e somos todos um — isso é verdade. Mas isso também é verdade no mundo inteiro.
Parte de ser um sinal é um missionário poder olhar nos olhos de um canibal e saber que não é algum herói enviado para resgatar aquele canibal, mas alguém que recebeu graça — a mesma graça, a mesma misericórdia de que aquele canibal precisa.
Enquanto não enxergarmos plenamente que não merecemos e que somos libertos por uma misericórdia imerecida, não estaremos plenamente preparados para compartilhar o evangelho com aqueles que precisam de misericórdia.
Pensem naquele maravilhoso ministério do Christian Shelter. Ah, que coisa. Deus reuniu um grupo de crentes e servos preciosos — pessoas que se sacrificam e apresentam a graça de Deus.
De um lado, vocês têm todos esses servos do Senhor que vêm e se oferecem como voluntários para servir. Do outro, têm esse fluxo de pessoas que precisam de misericórdia: pessoas sem moradia, desempregadas, escravizadas de tantas maneiras, marginalizados, bêbados, dependentes de drogas, pervertidos.
Não há a menor diferença entre os trabalhadores e os acolhidos. Os acolhidos precisam de misericórdia, e os trabalhadores recebem misericórdia.
Isso é missões. Quando aqueles que receberam misericórdia são capazes de oferecer misericórdia, colocar-se no mesmo nível e dizer: “Somos iguais. Você precisa do Senhor; eu precisava do Senhor. Ele me alcançou. Pode alcançar você”.
Jonas se considerava superior. Jonas era um judeu orgulhoso. “Eles não merecem ser libertos.”
Deus disse: “Jonas, venha Comigo. Tenho uma coisa para lhe mostrar”. Lá embaixo, naquele lugar profundo e secreto, Deus começou a colocar Jonas no lugar dos pagãos, para que ele pudesse compreender.
Ele já havia estado no mesmo barco que eles, mas não percebeu que estava no mesmo barco. Então, agora Deus iria colocá-lo no lugar deles.
Para mostrar como Deus levou Jonas ao ponto em que se encontrava como um pagão necessitado de misericórdia, gostaria de destacar seis expressões dessa maravilhosa oração.
Pensem além do que estou dizendo. Pensem espiritualmente, e verão por que Jonas se tornou um maravilhoso tipo de nosso Senhor Jesus. Se é verdade que Deus está colocando Jonas no lugar dos pagãos e mostrando a ele o que eles merecem, o que vocês acham que aconteceu na cruz, quando nosso Senhor Jesus foi colocado no lugar dos pagãos e recebeu literalmente o que eles merecem?
Isso se torna uma maravilhosa figura da cruz. Vou tomar seis expressões — há outras, mas destaquei estas seis — para dar a vocês uma ideia de como Deus está ensinando essa grande verdade a Jonas.
A primeira está em Jonas 2:2:
Na minha angústia clamei ao Senhor, e Ele me respondeu;
do ventre do Sheol gritei, e Tu ouviste a minha voz.
A versão King James diz: “Do ventre do inferno”. Jonas clama do ventre do inferno.
Sheol, como vocês sabem, na Bíblia é o lugar dos mortos. Às vezes, é usado para descrever apenas o corpo; nesse caso, é a sepultura. Às vezes, é usado para descrever o lugar dos espíritos dos mortos. Mas é sempre o lugar dos mortos.
Jonas se imaginava como um homem deitado na sepultura, esperando que alguém jogasse terra sobre seu caixão. Era ali que ele estava. “No ventre do inferno.” Descreva sua experiência: “Estou no ventre do inferno. Estou no Sheol. Estou nas profundezas do Sheol”.
Ele sentia como se estivesse em uma prisão da qual não havia saída, vivo como aquele endemoninhado de Marcos 5 — no lugar dos mortos, vivendo no cemitério.
Quando Deus prepara um canal missionário, permite que ele enxergue que está no ventre do inferno.
A segunda expressão está em Jonas 2:4:
E eu disse: Lançado estou de diante dos Teus olhos;
todavia tornarei a olhar para o Teu santo templo.
Isso é o que os ímpios merecem, e essa é a ameaça: que um dia serão expulsos de diante dos Teus olhos, da presença do Senhor.
Não é impressionante? O livro de Jonas começa com Jonas fugindo da presença do Senhor. Ele achava que a presença de Deus era um grande peso para ele. Agora, de repente, percebe o que significa ser expulso de diante dos olhos de Deus, e agora esse é o peso.
Ele está descrevendo o que significa ser abandonado por Deus. É isso que os pagãos merecem, e Deus está colocando Jonas no lugar deles.
Abandonado por Deus — esse é o veredito do pecado. Deus está completamente fora de vista.
Não sei se vocês já conheceram alguém ou lidaram com alguém que imaginava, erroneamente, que Deus o havia rejeitado. Duas vezes em minha vida — e, a menos que Ele conceda uma graça especial, espero que isso nunca mais aconteça — lidei com pessoas que achavam ter cometido o pecado imperdoável e que Deus não queria mais nada com elas.
O primeiro homem acabou em um hospital psiquiátrico, e a segunda pessoa, uma mulher, cometeu suicídio. Foi terrível conversar com alguém que sinceramente acreditava ter sido rejeitado.
Agora, vejam: isso é poesia para Jonas, mas não é poesia para Jesus na cruz: “Expulso de diante dos Teus olhos”. Deus está retratando a cruz aqui.
Ele colocou Jonas no lugar dos pagãos, e Jonas começa a sentir sua própria condição. Está no ventre do inferno, assim como o ninivita, e foi lançado para longe dos olhos de Deus, assim como os ninivitas.
Jonas 2:5 apresenta a terceira expressão:
As águas me cercaram até à alma;
o abismo me rodeou;
as algas se enrolaram na minha cabeça.
A versão King James diz: “As águas me cercaram até à alma”. Até a minha própria alma.
Isso não é como Ezequiel, que entrou na água e ela estava nos tornozelos, depois nas panturrilhas, depois nos joelhos, depois nas coxas, depois até a cabeça, e então eram águas em que se podia nadar. Isso não é Jonas no oceano; é o oceano em Jonas.
Não é no estômago nem nos pulmões dele. Ele diz: “Isso está fluindo até a minha alma”. É uma inundação espiritual. Ele está sendo inundado até o íntimo da alma.
Isso é poesia para Jonas. Não é poesia para Jesus. É uma figura maravilhosa, mas Jonas está começando a sentir o que é ser um pagão perdido.
Eles merecem estar no inferno, e ele clama: “Senhor, estou no ventre do inferno, no ventre do Sheol”. Eles merecem ser expulsos, e ele diz: “Ó Senhor, fui expulso da Tua presença”. Eles merecem ser afogados espiritualmente, e ele diz: “Senhor, sinto a água entrando, tocando a minha alma, o meu espírito”.
Por que experiência tremenda Deus o fez passar.
Então, a quarta expressão, também em Jonas 2:5:
As algas se enrolaram na minha cabeça.
Não é uma imagem vívida? Dizem que a palavra hebraica para alga aqui era muito conhecida e que até os nadadores mais fortes evitavam aquela planta, porque era uma alga que se enroscava, como uma corda. Pesava uma tonelada.
As algas estavam enroladas na cabeça dele. Já conheci algumas pessoas que pareciam estar com algas enroladas na cabeça, pelo menos no que diz respeito à escravidão da mente.
Mas isso é uma figura de completa impotência, desesperança, enredamento e do peso de tudo aquilo. É dessa condição que ele está clamando. Quanto mais você luta, pior fica.
Deus estava colocando Jonas na posição de alguém que precisava desesperadamente de misericórdia. Depois de tudo isso, Jonas pôde dizer: “Ah, estou no ventre do inferno. Deus está longe de mim. As águas estão entrando na minha alma. Há algas ao redor da minha cabeça. Estou afundando. Preciso de misericórdia”.
“Ah, é mesmo, Jonas? Pensei que você estivesse em algum lugar aqui em cima. Pensei que fosse tão espiritual.”
A quinta descrição está em Jonas 2:6:
Desci até às raízes dos montes;
a terra, com os seus ferrolhos, fechou-se sobre mim para sempre.
Para sempre. “Nunca vou sair daqui.” É isso que os pagãos merecem: “Que vão para o inferno para sempre”.
De repente, Jonas está no mesmo lugar em que os pagãos estão. Algumas pessoas acham que, nesse ponto, em Jonas 2:6, Jonas realmente morreu, e então Deus o ressuscitou dos mortos.
Não sei se foi assim. Não acho que isso seja necessário para retratar a morte e a ressurreição de Cristo. Isaque, por exemplo, retratou a morte e a ressurreição de Cristo, e não morreu literalmente.
Então, não acho que seja necessário. Mas ninguém duvidaria por um instante, depois de ler isso, de que, na mente de Jonas, ele estava praticamente morto. Se morreu ou não, não sabemos ao certo, mas havia chegado ao ponto mais baixo possível.
Vocês falam em chegar ao fundo — às raízes dos montes. Deus levou esse homem até lá embaixo, para baixo, para baixo, até onde se pode chegar.
Em nossa cultura e em nossa língua, temos expressões que são as de Jonas: “Estou afundado”. “Estou com a água acima da cabeça”. “Cheguei ao fundo do poço”. “Estou afundando pela terceira vez”.
Ele tem essa imagem de que os ferrolhos se fecharam sobre ele para sempre. Jonas se sente como um pecador perdido no inferno, e Deus faz isso de propósito.
Jonas 2:7 apresenta a sexta expressão:
Quando desfalecia em mim a minha alma, lembrei-me do Senhor.
Isso é muito interessante. Os estudiosos nos dizem — eu não sei hebraico; estudo aqueles que sabem e o traduzem para o inglês para mim — que essa é uma expressão muito interessante.
Ela descreve o momento de exaustão física que sobrevém a uma pessoa quando uma névoa passa sobre seus olhos. Literalmente, seria: “Meu espírito se dobrou sobre si mesmo”.
É isso que ele está dizendo: tudo entrou em colapso. É quase: “Eu estava desfalecendo, e todo o meu ser desabou sobre si mesmo”.
Essas são apenas algumas das agonias. Acrescentem a isso o que Carroll Moore colocou em seu poema sobre Jonas 2, ao descrevê-lo. Acho que Pinóquio estragou nossa percepção. Ficamos com aquela imagem da baleia, e há uma pequena lamparina e uma luz.
Esse homem ficou na escuridão por setenta e duas horas — num lugar fedorento, apertado, horrível, na mais completa escuridão. Quem sabe por quais agonias ele passou?
Mas sei de uma coisa: no fim, Deus havia mudado sua visão sobre quem precisa de misericórdia. Ele era alguém que precisava de misericórdia.
Como sugeri, é por isso que isso se torna uma figura de nosso Senhor Jesus.
Jonas não foi realmente ao ventre do inferno. Mas o seu Salvador foi.
Jonas não foi realmente expulso de diante dos olhos de Deus. Mas o seu Salvador foi.
Jonas de fato sentiu as inundações, mas elas não tocaram sua alma. Mas tocaram a alma de nosso Senhor Jesus.
Jonas ficou lá embaixo por três dias e sentiu como se os ferrolhos o cercassem para sempre. Em um momento de tempo, nosso Senhor Jesus sofreu tudo o que cada pecador sofreria por toda a eternidade.
Sendo infinito, Ele pôde condensar a eternidade em três horas, e foi isso que fez. Esse é o seu Salvador. Esse é o meu Salvador.
Jonas apenas sentiu como se tudo tivesse entrado em colapso. Jesus carregou sobre Si o peso do mundo, e Ele de fato desabou.
Como lemos em Mateus 12:40:
Assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre do peixe,
assim estará o Filho do Homem no coração da terra.
Tudo isso é uma figura maravilhosa, maravilhosa.
Nesse ponto, estando no lugar dos pagãos, Jonas começa a abraçar a graça de Deus.
Lembrem-se: Jonas escreveu isso depois dos acontecimentos. Ao olhar para trás e recordar, viu a si mesmo como Deus o havia ensinado a se enxergar: ele não merecia a misericórdia de Deus.
Ele era tão indigno de misericórdia que nem sequer a pediu nessa oração. Não disse: “Tem misericórdia de mim”, nessa oração.
Na verdade, não há um único pedido nessa oração inteira. Li um comentarista que disse: “Se não há pedido, não é oração”. E quanto a Ana? O texto diz que Ana orou, e não há um pedido em sua oração.
Isso é uma oração, mas ele não pede nada, porque Deus realizou a obra mais profunda. Ele não merece misericórdia. Nem sequer merece pedi-la.
Deus o havia levado a um lugar de absoluta impotência e absoluta desesperança, onde nada além da graça poderia libertá-lo.
Se algum homem precisou clamar: “Ó, visita-me com a Tua salvação”, aqui está Jonas nas profundezas do mar, nas raízes dos montes, no ventre de um peixe por setenta e duas horas — na escuridão, no mau cheiro, com algas ao redor, sendo esmagado e dobrado por dentro.
Ele precisa da salvação de Deus. Ninguém precisa mais dela do que ele.
Observem: aquele que era tão independente no início do livro, que fugiu da presença do Senhor, agora, no ventre desse peixe, retorna à presença do Senhor.
Jonas 2:4: ele muda seu foco.
Todavia tornarei a olhar para o Teu santo templo.
Quando se afastou do Senhor, desviou seus olhos do Senhor e do santo templo. Agora, nesse lugar profundo e escuro, onde não se pode enxergar nada, ele está falando destes olhos: “Tornarei a olhar para o Teu santo templo”.
Ele está voltando à presença do Senhor. Estava tão convencido de que Deus ouviria. Jonas 2:7:
E entrou a Ti a minha oração, no Teu santo templo.
Isso é fé. Vocês falam de alguém que confia em Deus no escuro — aqui está uma figura de alguém que confia em Deus no escuro.
Você diz: “Bem, Jonas, sua oração tem um longo caminho a percorrer. Precisa atravessar o peixe e, quando sair do peixe, precisa atravessar a água e, quando sair da água, precisa subir até o céu, onde Deus está”.
Você já sentiu algo como: “Minha oração não passa do teto”? Tudo bem. Deus está no cômodo. Ela não precisa chegar ao teto.
Deus desceu até ali e esteve com ele no peixe, e Jonas sabe disso. Mesmo com tudo aquilo ao seu redor, sobre ele e passando por ele, e com isso em sua mente — “Não mereço nada. Não mereço ser liberto” —, ele se volta novamente para o Senhor.
“Lembrei-me do Senhor. Voltei-me novamente para o Seu templo, e minha oração chegará a Ele.”
Então, ele reconhece Deus como Senhor de tudo. Quem lançou Jonas ao mar?
Você diz: “Jonas 1:15. Os marinheiros lançaram Jonas ao mar”. Não segundo essa oração. Segundo essa oração, em Jonas 2:3:
Porque Tu me lançaste no profundo, no coração dos mares.
Ele sabia Quem o havia lançado ao mar. Quem eram os marinheiros? Era Deus.
Ele não disse: “As ondas vieram sobre mim. As vagas passaram sobre mim”. Ele diz em Jonas 2:3: “As Tuas vagas passaram sobre mim. As Tuas ondas vieram sobre mim”. Ele sabe que é o Senhor. Não há dúvida de que é o Senhor.
Maravilha das maravilhas, essa é uma oração de agradecimento.
Em Jonas 2:9, lemos:
Mas eu Te oferecerei sacrifício com a voz do agradecimento;
o que votei pagarei.
A salvação é do Senhor.
Pelo que ele está agradecendo a Deus? Olhem onde está. Olhem o que está experimentando.
O salmo termina com aclamações à graça. Graça.
Ele cita Salmos 3 — na verdade, depende de qual comentarista você consulta. Aprendeu o valor de memorizar as Escrituras, porque citou pelo menos doze salmos nessa oração. Alguns dizem que foram até vinte salmos.
O último salmo que ele cita é Salmos 3:8, de quando Davi fugia de Absalão e fugia de seu pecado passado.
A mensagem é misericórdia — a mensagem de que ele não pode fazer nada para ajudar a si mesmo. Não pode mover um dedo para ajudar a si mesmo. Não precisa de um conselheiro. Não precisa de alguém que venha conversar com ele e encorajá-lo. Não precisa de um versículo bíblico.
Ele apenas diz: “A salvação é do Senhor”.
Isso é maravilhoso. Deus não espera nem mais um instante. Assim que ele diz: “A salvação é do Senhor”, Deus dá uma ordem ao peixe, e o peixe o vomita na terra seca.
Recentemente — vocês se lembram, porque muitos oraram, e agradeço por isso —, passamos por aquela situação em que Lillian teve uma intoxicação alimentar. Foi um período terrível. Da minha perspectiva, eu nunca a tinha visto tão doente.
Eu não planejei isso; Deus planejou. A Páscoa estava chegando. Eu estava estudando Jonas. Lillian ficou doente. Essas três coisas aconteceram ao mesmo tempo. Eu não planejei isso.
Não quero entrar em detalhes desagradáveis aqui, especialmente porque isso está sendo gravado para as crianças. Eu nunca tinha visto alguém vomitar como vi Lillian vomitar. Foi terrível.
Não havia nada que ela pudesse fazer, e não havia nada que eu pudesse fazer. Às duas da manhã, nós dois estávamos ajoelhados junto à banheira. Eu tentava ajudá-la, e não havia mais nada para sair, mas aquilo continuava e continuava.
Você não consegue controlar o vômito quando não tem controle sobre ele. Precisa deixar acontecer.
Eu estava lendo isto: o peixe vomitou Jonas. Não conseguia mantê-lo dentro de si.
Ao mesmo tempo, era Páscoa, e eu estava pensando na ressurreição. De repente, veio à minha mente o versículo de Atos 2:24:
Ao Qual Deus ressuscitou, soltando as dores da morte;
pois não era possível que Ele fosse retido por ela.
A morte não pôde retê-Lo. Não pôde retê-Lo. O peixe vomitou Jonas porque foi involuntário. Já não podia retê-lo.
É isso que acontece quando ele diz: “A salvação é do Senhor”. Ele é vomitado e se levanta como um novo homem em uma nova criação.
Um sinal. Ele está identificado com Cristo, mas ainda não sabe disso. Não compreende a teologia disso.
Ele está identificado com Cristo em Sua morte e em Sua ressurreição. Não sabe nada a respeito disso. Só sabe que nunca esperava respirar novamente o ar de Deus.
Agora está em terra: uma nova criação, um novo homem em um novo mundo. Está vivo por uma vida que não é sua — a vida de Deus.
De Sua maneira maravilhosa, Deus está formando um sinal — formando um sinal. Esse é apenas o segundo passo, mas que passo glorioso.
Jonas chegou ao ponto em que disse: “Darei minha vida pelos pagãos”. Agora, pela primeira vez, compreende: tudo é pela graça. “Não mereço coisa alguma. Não mereço nada.”
Se eu estiver no céu por um milhão de anos, fora de Cristo ainda não merecerei coisa alguma. Todos os irmãos e irmãs nesta sala, com toda a sua experiência em Cristo, ainda não merecem coisa alguma.
Ninguém merece. Nada merecemos; dependemos inteiramente da misericórdia que Ele nos concede pela graça. Tudo vem dEle. Estamos no mesmo nível que eles.
Quando Deus forma um canal missionário, quando Deus cria um sinal, Ele nos leva ao ponto em que compreendemos que tudo o que temos é porque Deus deu. É a bondade do Senhor. É a misericórdia do Senhor. Não merecemos nada.
Deus nos leva à morte e depois nos faz subir novamente. Agora é um mundo inteiramente novo, uma perspectiva inteiramente nova, e estamos vivos.
Agora vamos observar como Deus começa o capítulo 3. Se o Senhor quiser, retomaremos isso hoje à noite. Vamos orar.
Pai, obrigado. Muito obrigado porque a morte não pôde reter o Senhor Jesus. Obrigado por esta prefiguração da cruz.
Obrigado por Tua paciência ao nos transformar em sinais, individualmente e coletivamente. Senhor, dá-nos olhos para enxergar que a salvação vem do Senhor, que tudo o que temos é imerecido e que tudo é pela Tua graça.
Prepara nosso coração para a próxima etapa do que significa ser um sinal. Pedimos em nome de Jesus.