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    The Law of the Body of Christ © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Law of the Body of Christ
    The Law of the Body of Christ
    Kaung, Stephen

    O amor como a lei do corpo de Cristo

    Por favor, abram em 1 Coríntios 12.

    Leitura bíblica: 1 Coríntios 12:31–14:1

    Mas desejai ardentemente os maiores dons. E ainda vos mostro um caminho sobremodo excelente.

    Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, sou como o bronze que soa ou como o címbalo que retine.
    E ainda que eu tenha o dom de profecia, e conheça todos os mistérios e toda a ciência; e ainda que tenha toda a fé, de maneira que possa remover montanhas, se não tiver amor, nada sou.
    E ainda que eu distribua todos os meus bens para alimentar os pobres, e ainda que entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveita.

    O amor é longânimo e benigno; o amor não inveja; o amor não se vangloria, não se ensoberbece;
    não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não leva em conta o mal;
    não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade;
    tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

    O amor nunca falha: mas, havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, será aniquilada.
    Porque em parte conhecemos, e em parte profetizamos;
    mas, quando vier o que é perfeito, o que é em parte será aniquilado.
    Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino: agora que me tornei homem, deixei as coisas de menino.
    Porque agora vemos por espelho, obscuramente; mas então veremos face a face: agora conheço em parte; mas então conhecerei plenamente, assim como também fui plenamente conhecido.
    Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; e o maior destes é o amor.

    Segui o amor; contudo, desejai ardentemente os dons espirituais, mas principalmente que profetizeis.

    Oração inicial

    Nosso Pai celestial, nós Te louvamos e Te agradecemos pelo Teu grande amor para conosco. Tu nos demonstraste esse amor ao participarmos da mesa do Senhor. Ó Pai, como Te louvamos por nos amares tanto, a ponto de nos dares o Teu Filho unigênito.

    Nós Te louvamos e Te agradecemos porque podemos nos reunir aqui, neste momento, para ler a Tua Palavra. Lembramos que Tu és a Palavra viva. Pedimos que o Teu Espírito Santo vivifique a Tua Palavra para nós, para que possamos ganhar a Ti, e Tu possas ganhar a nós.

    Entregamos este tempo em Tuas mãos. Dá-nos o espírito de sabedoria e de revelação no conhecimento de Ti mesmo. Amém.

    O contexto de 1 Coríntios 13

    Creio que todos nós sabemos que 1 Coríntios 13 é um grande capítulo sobre o amor. Lembro-me de que, quando eu era recém-convertido, em 1930, durante alguns meses, alguns de nós, jovens, fomos convidados a falar sobre esse assunto em uma reunião da igreja. Dividimos o capítulo em quatro partes, e cada um ficou com uma seção. Naquela época, pensávamos que sabíamos tudo sobre aquele capítulo.

    Fico pensando se algum de nós aqui tem esse mesmo sentimento. É um capítulo que nos é tão familiar. É um capítulo sobre o qual pensamos saber tudo.

    É um capítulo sobre o amor. Mas o amor tem dimensões tão vastas, tão ilimitadas, que simplesmente não podemos defini-lo, delimitá-lo ou encerrá-lo em um texto. Muitas vezes, nossa compreensão desse capítulo é parcial, não plena. A razão é que tiramos esse capítulo do seu contexto.

    Há um ditado de que gosto muito: “Um texto fora do contexto é um pretexto.” Se tiramos um texto do seu contexto, ele se torna um pretexto. Em outras palavras, podemos usá-lo para qualquer finalidade.

    Portanto, ao estudar a Palavra de Deus, é de enorme importância que não tiremos o texto do seu contexto. Foi por isso que li o último versículo do capítulo anterior e o primeiro versículo do capítulo seguinte.

    Vocês sabem, quando a Palavra de Deus nos foi dada, ela não tinha capítulos, nem versículos, nem sequer pontuação. Essa divisão em capítulos e versículos veio depois, por conveniência. Mas, às vezes, ela interrompe o pensamento do Espírito Santo.

    Ora, o capítulo anterior, o capítulo 12, é um capítulo sobre o corpo. Ele fala dos dons espirituais, da espiritualidade. Se queremos entrar no âmbito dos dons espirituais e da espiritualidade, a única coisa fundamental é o corpo de Cristo.

    O batismo no corpo de Cristo

    Como entramos no corpo de Cristo? Em 1 Coríntios 12:13, está escrito:

    Pois em um só Espírito fomos todos batizados em um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres; e a todos nós foi dado beber de um só Espírito.

    Entramos no corpo de Cristo por meio do batismo no Espírito Santo. Fomos batizados em um só Espírito em um só corpo.

    Quando cremos no Senhor Jesus, o Espírito Santo não apenas nos regenera. Isto é:

    O que é nascido do Espírito é espírito.

    O Espírito Santo faz algo em nós individualmente. Ele coloca vida em nós, dá-nos um espírito novo, e o próprio Espírito Santo habita em nosso espírito. É algo muito pessoal.

    Mas, ao mesmo tempo, o Espírito Santo faz algo em nós de maneira coletiva, porque em um só Espírito fomos batizados em um só corpo. No momento da nossa conversão, na verdade, duas coisas acontecem ao mesmo tempo.

    Quanto à nossa experiência individual, ou quanto ao aspecto pessoal, nascemos de novo e somos feitos espírito. Mas, quanto ao aspecto coletivo, o Senhor Jesus, a Cabeça, nos batizou em Seu corpo.

    Fomos batizados em um só corpo. O texto não diz que seremos batizados. Diz que fomos batizados em um só corpo.

    Quero enfatizar isso novamente, porque hoje há muita confusão a respeito do batismo no Espírito Santo. Creio que essa confusão vem, em grande parte, de uma compreensão equivocada dos termos. Não estou contestando a experiência.

    Quanto ao termo “batismo no Espírito Santo”, trata-se de algo que foi realizado de uma vez por todas no dia de Pentecostes e na casa de Cornélio. No dia de Pentecostes, os judeus foram batizados em um só Espírito no corpo. Na casa de Cornélio, os gentios foram batizados no Espírito Santo no mesmo corpo.

    Se vocês examinarem as Escrituras do Novo Testamento, verão que há apenas sete passagens em que são usadas as expressões “batismo no Espírito Santo” ou “batizar no Espírito Santo”. Quatro estão nos Evangelhos, onde João Batista profetizou que ele batizava as pessoas com água, mas que viria Alguém que as batizaria no Espírito Santo.

    Em Atos 1, antes da ascensão do nosso Senhor Jesus, Ele disse:

    Sereis batizados no Espírito Santo, não muito depois destes dias.

    Portanto, essas cinco passagens dizem respeito à profecia do batismo.

    Então, naturalmente, o cumprimento desse batismo é encontrado no que aconteceu no dia de Pentecostes e, novamente, na casa de Cornélio. Em Atos 11, quando Pedro relatou o que havia acontecido na casa de Cornélio, disse que o Senhor os batizou no Espírito Santo, assim como fizera conosco.

    Assim, sabemos que essas duas ocasiões são o cumprimento do batismo. Além dessas seis passagens, há apenas mais uma passagem nas Escrituras — em 1 Coríntios 12 — em que o significado do batismo no Espírito Santo é explicado:

    Em um só Espírito fostes batizados em um só corpo.

    Portanto, queridos irmãos e irmãs, nunca pensem que não estamos agora no corpo de Cristo. Estamos no corpo de Cristo porque fomos batizados no Espírito Santo. Esse é um fato que precisamos reconhecer.

    O batismo e o enchimento do Espírito Santo

    Embora Cristo, a Cabeça, já nos tenha batizado em um só corpo, e isso já tenha sido realizado, provavelmente muitos ainda não entraram nessa realidade, apropriando-se dela. É por isso que, no livro de Atos, outra palavra é usada: a palavra enchimento.

    O batismo é coletivo; o enchimento é individual e pessoal. Pessoalmente, precisamos do enchimento do Espírito Santo. O enchimento do Espírito Santo não é algo que nunca tivemos; é uma apropriação daquilo que o Senhor já nos deu.

    Vocês se lembram de Efésios 1:3: Deus

    nos abençoou com toda bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo.

    Quando experimentamos individualmente o enchimento do Espírito Santo, isso é simplesmente uma apropriação, pela fé, daquilo que Cristo já fez pela igreja.

    Não é algo inteiramente novo. É uma experiência nova para nós, mas não é uma coisa nova. Individualmente, por meio do enchimento do Espírito Santo, entramos na realidade do corpo.

    É nesse momento que os dons que o Espírito Santo dá aos membros do corpo de Cristo são ativados. Pensem um pouco. Quando vocês nascem, nascem com um corpo, e esse corpo tem muitos membros. Cada membro já possui um dom.

    Vocês nascem com olhos, e o dom dos olhos é enxergar. Nascem com ouvidos, e o dom dos ouvidos é ouvir. Não é que, depois de crescerem, comecem a receber o dom de enxergar ou o dom de ouvir. Não, os dons vêm com o corpo.

    Os dons podem não estar sendo usados. Talvez não sejam realmente conhecidos, nem estejam funcionando. Mas, por meio do enchimento do Espírito Santo, esses dons que foram dados aos membros do corpo de Cristo são ativados. Portanto, vocês se tornam membros que exercem sua função no corpo de Cristo.

    Bem, não é isso que vou compartilhar nesta manhã. Apenas expliquei um pouco porque, no domingo passado, surgiu uma pergunta. Há muito a dizer a respeito; isso ocuparia mais de uma reunião, então não posso fazê-lo agora. Mas quero explicar de maneira simples o que Cristo fez e o que precisamos experimentar individualmente.

    Os dons espirituais como manifestações do Espírito Santo

    Dessa maneira, temos o corpo, e no corpo temos as manifestações do Espírito Santo. O Espírito Santo está no corpo, e Ele quer Se expressar por meio desses dons.

    Ele dá dons a cada membro. Cada membro tem um dom espiritual. Não há nenhum membro que não tenha um dom espiritual. Tudo o que é necessário é que esse dom seja ativado.

    O Espírito Santo deu a cada membro, segundo a Sua vontade, dons que são manifestações do Espírito Santo. Em outras palavras, não são manifestações suas nem minhas. Não existem para manifestar você ou manifestar a mim. São manifestações do Espírito Santo.

    As manifestações do Espírito Santo têm uma única finalidade: a edificação do corpo de Cristo. Quanto a esses dons, não podemos dizer: “Este dom é maior do que aquele”. Por quê? Porque todos são manifestações do Espírito Santo.

    Como podemos dizer que uma manifestação é maior do que outra, quando todas são manifestações do Espírito Santo? Quanto aos dons em si, eles não têm graus de grandeza ou de pequenez.

    Espero que os irmãos e as irmãs se lembrem disso. Mas por que, no final do capítulo 12, Paulo diz:

    Desejai ardentemente os maiores dons.

    Desejar ardentemente os maiores dons não significa que alguns dons sejam maiores do que outros em si mesmos. Significa apenas que aqueles dons que contribuem mais para a edificação do corpo de Cristo são considerados maiores.

    Eles não são maiores em si mesmos, mas na contribuição que oferecem à edificação do corpo de Cristo. É por isso que está escrito:

    Desejai ardentemente os maiores dons.

    Em outras palavras, o que temos em vista é o corpo de Cristo. Portanto, precisamos ter uma mentalidade madura. A mentalidade de uma criança busca apenas dons que a edifiquem. Mas a mentalidade de uma pessoa adulta busca dons que edifiquem o corpo de Cristo.

    Então, naturalmente, no capítulo 14, encontramos esses dons em operação no corpo. Mas, antes de esses dons operarem no corpo, o capítulo 13 é colocado aqui.

    O caminho sobremodo excelente

    Aqui está o corpo, e no corpo estão os dons. No capítulo 14, os dons estão operando para a edificação do corpo. Mas, para que o propósito de edificar o corpo seja realizado, há um caminho excelente no qual precisamos andar.

    Se não andarmos nesse caminho excelente, os dons podem acabar destruindo o corpo, em vez de edificá-lo. É isso que encontramos na igreja em Corinto.

    A igreja em Corinto era muito rica em dons. Não lhes faltava dom algum. Contudo, com todo esse exercício de dons, o resultado era que o corpo estava sendo destruído.

    Portanto, aqui encontramos o caminho sobremodo excelente — o caminho sobremodo excelente para exercer esses dons. Este é um capítulo sobre o amor.

    O amor como a vida e a lei do corpo

    O que é o amor? O amor é a vida do corpo. O amor é a lei do corpo. O amor não é um dom.

    Não podemos dizer que alguém recebeu o dom do amor e, por isso, pode amar, enquanto Deus não nos deu o dom do amor e, por isso, não podemos amar. Não, não podemos dizer isso. Por quê? Porque o amor não é um dom.

    O amor é graça. Há uma diferença entre graça e dom. Um dom é algo que Deus dá de maneira diferente a cada um de nós. É uma habilidade ou uma capacidade com a qual podemos exercer nossa função como membros do corpo de Cristo.

    Mas a graça não é algo que Ele nos dá apenas como uma capacidade ou habilidade. Graça é Deus dando a Si mesmo a nós como nossa vida. O amor é graça; não é um dom. Deus é amor. Ele deu a Si mesmo a nós.

    Ao dar a Si mesmo a nós em graça, essa graça fica disponível a todos; ela é universal. Portanto, ninguém pode dizer: “Não recebi amor”, porque a graça de Deus nos é dada imparcialmente e gratuitamente.

    O amor é a própria vida de Cristo. Os dons são para o exercício de uma função. Vivemos pelo amor, não pelos dons; mas exercemos nossa função com os dons.

    Como é importante, quando vemos o corpo de Cristo, reconhecer que a própria vida do corpo e a própria lei no corpo são o amor.

    Sem amor, não importa quantos dons tenhamos, o corpo não pode viver e não será edificado. Pelo contrário, será destruído. É por isso que esse capítulo é tão importante.

    É um capítulo sobre o amor, e a própria vida do corpo se expressa no amor como um modo de viver. Precisamos viver como membros do corpo. Se não vivermos e não andarmos no caminho do amor, nunca seremos capazes de viver a vida do corpo.

    Como é importante reconhecermos isso.

    O valor do amor

    Este capítulo pode ser dividido, de modo geral, em três partes. A primeira parte é 1 Coríntios 13:1-3. Ali encontramos o valor do amor.

    O apóstolo compara o amor com os dons:

    Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, sou como o bronze que soa ou como o címbalo que retine.

    Línguas dos homens e até dos anjos. Ora, para os crentes de Corinto, as línguas eram o maior dom. Por quê? Porque era algo sobrenatural. Realmente fazia a pessoa sentir que era alguém importante. É por isso que os crentes de Corinto desejavam as línguas mais do que qualquer outra coisa.

    Mas Paulo diz: “Se eu falar as línguas dos homens e até dos anjos, mas não tiver amor, estou apenas fazendo barulho. Só isso. Não há absolutamente nada nisso”.

    Agora, irmãos e irmãs, lembrem-se disto: um dom é um canal por meio do qual a vida pode ser transmitida. O dom em si não é a substância. É simplesmente uma capacidade, uma habilidade.

    Por meio desse dom, algo de substancial pode ser transmitido, e a vida da pessoa pode ser suprida. Qualquer que seja o dom que vocês tenham — línguas, profecia, cura, fé ou operação de milagres —, não é o dom que trabalha nas pessoas. É a substância transmitida por meio do dom que edifica o corpo.

    É a transmissão de Cristo. Aprendemos a transmitir Cristo às outras pessoas. A transmissão de Cristo como graça é amor.

    Se não temos amor — em outras palavras, se não temos a medida de Cristo em nós —, então, mesmo que falemos as línguas dos homens e dos anjos, elas são apenas vozes grandiloquentes, palavras grandiloquentes, como um címbalo que retine: muito barulho; palavras doces, palavras elevadas, palavras eloquentes, palavras boas, palavras místicas — mas sem substância.

    Isso não edifica o corpo. Precisamos de amor. Quando esses dons são exercidos em amor, a substância — a vida de Cristo dentro de nós — pode ser ministrada aos outros.

    Sem isso, vocês podem ter uma grande medida de Cristo em si, mas não conseguem compartilhá-la com outras pessoas. Cristo está oculto dentro de vocês. Para que possam ajudar outras pessoas e ministrar a elas, precisam desses dons, porque eles são canais, habilidades e capacidades.

    Mas não cometam o erro de pensar que esses dons, por si mesmos, edificam o corpo de Cristo. Não edificam. É o amor, é Cristo transmitido por meio desses dons, que edifica o corpo de Cristo.

    É por isso que, se eu falar as línguas dos homens e dos anjos e não tiver amor, sou apenas um címbalo que retine, fazendo muito barulho. Mas é só isso; nada é transmitido.

    E ainda que eu tenha o dom de profecia, e conheça todos os mistérios e toda a ciência; e ainda que tenha toda a fé, de maneira que possa remover montanhas, se não tiver amor, nada sou.

    Se tenho profecia, isso significa que tenho percepção da própria mente de Deus. Sei o que Deus está pensando a respeito de determinada situação — o que Ele quer dizer e o que Ele deseja. Isso é profetizar.

    Não apenas profecia, mas também conhecimento: conhecer todos os mistérios e toda a ciência. Oh, irmãos e irmãs, como teríamos uma pessoa assim em alta estima! Se falar as línguas dos homens e dos anjos é algo importante, então certamente profecia, mistérios e conhecimento também seriam.

    Se nos baseamos nessa avaliação, devemos ser alguém importante. Mas Paulo diz: “Nada sou”. Se vocês não têm amor, não são absolutamente nada.

    Mais do que isso, mesmo que tenham uma fé capaz de remover montanhas, vocês não apenas podem falar, mas também podem agir. Têm uma fé capaz de remover montanhas. Como desejamos isso!

    Não consigo me esquecer de que as pessoas perguntavam a George Müller: “Senhor Müller, o senhor deve ter o dom da fé”. Por quê? Porque, sendo estrangeiro — ele era alemão —, foi para a Inglaterra e, apenas confiando em Deus, sustentou milhares de órfãos. Nunca contava às pessoas sobre suas necessidades; simplesmente se ajoelhava diante de Deus.

    Espero que vocês leiam a respeito dele. Durante sua vida, pôde acompanhar as respostas às suas orações, do começo ao fim, registrando meio milhão de respostas.

    Então as pessoas diziam: “Senhor Müller, o senhor deve ter o dom da fé”. E George Müller respondia: “Não, não tenho o dom da fé. Tenho a graça para confiar”.

    Irmãos e irmãs, podemos ter todas essas coisas, mas, se não temos amor, nada somos. Não há substância.

    Muitas vezes, podemos falar de maneira muito elevada, conduzir as pessoas a mistérios e dar a impressão de que realmente sabemos. Às vezes, podemos até ser capazes de fazer grandes coisas. Mas, irmãos e irmãs, não deixemos que essas coisas nos enganem. Se não temos amor, nada somos.

    Então Paulo entra no âmbito das boas obras:

    E ainda que eu distribua todos os meus bens para alimentar os pobres, e ainda que entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveita.

    Se eu der tudo o que tenho aos pobres, e mesmo que esteja disposto a deixar meu corpo ser queimado, a ser um mártir, certamente diríamos que uma pessoa assim deve ter amor. Não, não necessariamente.

    Algumas pessoas fazem essas coisas porque querem ganhar um nome. Vocês se lembram de Ananias e Safira, no livro de Atos. Eles venderam sua propriedade e fizeram uma oferta, mas não por amor. Deram para ganhar um nome. Queriam que as pessoas percebessem como eles eram espirituais.

    Não é nas línguas, nem no conhecimento, nem na profecia, nem na fé, nem em dar tudo o que temos, nem mesmo em permitir que sejamos queimados — mas no amor.

    Isso não significa que Deus não queira que tenhamos essas coisas, nem que Deus não queira que façamos essas coisas. Não significa que Deus despreze esses dons — de modo algum. Todos os dons são manifestações do Espírito Santo.

    Significa apenas que, se não temos amor, essas coisas não são nada. Mas, se há vida, e o amor está por trás das línguas, o amor está por trás da profecia, o amor está por trás do conhecimento, o amor está por trás dos mistérios, o amor está por trás da fé, o amor está por trás de dar tudo o que temos, e o amor está por trás de entregar até mesmo nossos corpos em sacrifício, então todas essas coisas são para a edificação do corpo.

    As qualidades do amor

    Nesses versículos, vemos o valor do amor. Nos versículos seguintes, em 1 Coríntios 13:4-7, temos as qualidades do amor.

    O amor não é algo nebuloso. O amor aqui não é apenas uma questão emocional. Naturalmente, o amor pode envolver emoção, mas esse amor é vida. É ágape. É mais do que uma questão emocional.

    Às vezes, consideramos o amor uma expressão emocional. Mas o amor aqui é vida. Por ser a vida de Deus, a natureza dessa vida é amor. Essa natureza precisa ser desenvolvida em caráter.

    Por um lado, irmãos e irmãs, todos nós temos esse amor. Ele nos foi dado. Todos nós temos a vida de Cristo, e a vida de Cristo em nós tem a natureza do amor. Todos nós a temos.

    Mas, por outro lado, não a temos como caráter. Temos essa natureza, mas não a temos como caráter. O caráter precisa ser desenvolvido.

    Essa natureza que está dentro de nós precisa ser desenvolvida em caráter. Sabemos que o desenvolvimento do caráter leva tempo. Para que o caráter se desenvolva, é necessário treinamento. Precisamos passar por certas experiências para que ele se desenvolva.

    As qualidades do amor são encontradas na vida do nosso Senhor Jesus, porque, Nele, o amor é mais do que natureza; Nele, o amor é caráter. Mas, quanto a nós, estamos no processo de desenvolvimento dessa natureza e precisamos ser disciplinados. Se não formos disciplinados, ela não se desenvolverá em caráter.

    Longanimidade e benignidade

    O amor é longânimo e benigno.

    Muitas vezes, quando lia esse texto, eu me perguntava por que ele havia sido escrito dessa maneira. Se eu fosse escrever um texto sobre o amor, certamente não começaria assim.

    Suponham que vocês fossem escrever um texto sobre o amor, para definir o que ele é e quais são as suas qualidades. O que escreveriam? Provavelmente pensariam: “O que é o amor? O amor é bom, dá a si mesmo”. Em outras palavras, nosso conceito de amor é que ele deve ser positivo, vigoroso, algo que se volta para fora.

    No entanto, vemos que a primeira qualidade do amor é a longanimidade, a disposição de suportar por muito tempo. Ó Senhor, será que este pode ser um grande capítulo sobre o amor, se começa de maneira tão negativa?

    Só compreendi quando o Senhor me mostrou que Ele não estava simplesmente nos dando um capítulo sobre o amor em si. É um capítulo sobre o amor no corpo.

    Quando o corpo entra em cena, o amor é a lei do corpo. Mas, quando o amor é expresso no corpo, a primeira maneira pela qual ele é provado é na longanimidade.

    Somos irmãos e irmãs. Deus nos colocou juntos como membros do corpo de Cristo. Não somos congregacionalistas. Uma congregação é um grupo de pessoas que se reúne. Quando elas se congregam, estão juntas; quando a reunião termina, ficam separadas.

    Mas o corpo não é assim. Quer o corpo esteja reunido, quer não esteja, os seus membros nunca estão separados. Deus nos colocou no corpo como membros uns dos outros.

    Não estamos apenas sentados uns ao lado dos outros como membros de uma congregação. Estamos literalmente interligados e edificados juntos no corpo.

    Como todos somos membros do corpo, estamos muito próximos uns dos outros. Deus nos colocou juntos de maneira tão íntima. Portanto, invariavelmente, vocês descobrirão que outros membros do corpo muitas vezes se comportam de uma maneira de que vocês não gostam.

    Eles podem fazer algo a vocês de que vocês não gostam. Somos todos diferentes. Deus nos colocou juntos de tal maneira que a única forma de permanecermos juntos é sermos longânimos.

    Se vocês não querem sofrer, saiam do corpo. Mas não podem sair. Esse é o problema.

    O amor é longânimo. Não pensem que, por fazerem algo de bom aos seus irmãos e irmãs, vocês os amam. Ah, não. A medida do seu amor é quanto vocês conseguem suportar o seu irmão.

    Pedro foi ao Senhor e perguntou:

    Senhor, quantas vezes perdoarei a meu irmão? Até sete vezes?

    Se conheço a natureza humana, eu diria que Pedro pensava que seu irmão devia ser uma pessoa difícil. Mas, na verdade, talvez fosse Pedro quem era difícil.

    Pedro tinha um temperamento impetuoso, era impulsivo e não era tranquilo. Ele reparava em coisas muito pequenas. Muitas vezes, os que são impetuosos e de temperamento explosivo se casam com alguém tranquilo, cauteloso e que repara em cada pequeno detalhe. Mas o atrito está ali, não é? Quantas vezes fazemos a mesma coisa?

    Para Pedro, suportar seu irmão sete vezes era um milagre. Ele pensava que tinha se saído muito bem. Então foi ao Senhor e disse: “Agora, Senhor, perdoei meu irmão sete vezes”. Estava pronto para receber um elogio do Senhor.

    Talvez esperasse que o Senhor dissesse: “Pedro, você se saiu bem. Agora pode perder a paciência”. Mas o Senhor disse:

    Não te digo que até sete vezes; mas até setenta vezes sete.

    Quando o Senhor diz setenta vezes sete, isso não significa 490 vezes. Se fossem 490 vezes, vocês ficariam contando. Em outras palavras, sejam longânimos. Não há limite.

    Olhem para o nosso Senhor Jesus, como Ele nos suporta. Queridos irmãos e irmãs, sejamos muito práticos no amor.

    João disse que não devemos amar apenas de palavra. Declaramos que realmente amamos uns aos outros. Vejam, então, quanto vocês conseguem suportar o seu irmão.

    Toda vez que o corpo é mencionado na Bíblia, invariavelmente encontramos uma exortação para suportarmos uns aos outros e sermos tolerantes uns com os outros. Por quê? Porque o corpo não pode existir sem isso.

    Isso é a própria vida do corpo:

    Suportando-vos uns aos outros.

    Ó Deus, que tipo diferente de amor é esse — a longanimidade.

    O amor é longânimo e benigno. Ser longânimo significa que, quando vocês são feridos por seus irmãos e irmãs, estão dispostos a aceitar isso — não de má vontade, mas de verdade. Contudo, não retribuem da mesma maneira.

    Não é que vocês sejam longânimos e tudo termine aí. Vocês são longânimos e, depois, fazem algo positivo pelo seu irmão. São bondosos com ele.

    Olhem para o nosso Senhor Jesus. Quando O crucificaram, como zombaram Dele e como O pregaram na cruz! No entanto, Ele disse:

    Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem.

    Isso é benignidade.

    Segundo a lei de Moisés, é olho por olho e dente por dente. Mas, segundo a vida de Cristo:

    Pai, perdoa-lhes.

    Podemos ser bondosos com nossos irmãos e irmãs? Sofremos tanto, e isso é amor.

    A ausência de inveja e orgulho

    O amor não é invejoso. Quando vemos nossos irmãos e irmãs abençoados pelo Senhor e usados pelo Senhor de uma maneira pela qual nós não fomos abençoados ou usados, sentimos inveja?

    Não pensamos: “Isso poderia ser meu”? Isso não prejudicará apenas a nós; prejudicará o corpo. O amor não é invejoso.

    Porque, quando um membro é honrado, todo o corpo se alegra. Nenhum membro do corpo tem inveja de outro membro.

    Talvez os ouvidos dissessem: “Bem, não sou o olho, por isso não posso enxergar. Tenho inveja dos olhos”. De modo algum. Os ouvidos se alegram porque os olhos podem enxergar. O amor não é invejoso.

    O amor não se vangloria. Não é jactancioso. Não se orgulha de si mesmo. Não é vaidoso nem busca sua própria glória.

    O amor não se ensoberbece. Não se porta inconvenientemente. Em outras palavras, o amor nunca é rude. Às vezes, dizemos: “Estou falando a verdade em amor”, mas somos absolutamente rudes.

    Alguns pensam que ser franco significa ser rude, mas isso não é franqueza. Não quero dizer que devamos ser artificiais ou hipócritas — de modo algum. Mas o amor leva os outros em consideração.

    O amor pode ser firme, mas nunca é rude. Nunca. Ele nunca faz nada inconveniente.

    A ausência de interesses próprios e irritação

    O amor não busca os seus próprios interesses. O amor não é interesseiro. Não vive para si mesmo.

    O amor não se irrita. A palavra “facilmente” não está no original. Às vezes, as pessoas dizem: “Não me irrito facilmente. Eu me irrito, mas não me irrito facilmente”. Mas a palavra “facilmente” não está no original. O amor não se irrita.

    Mesmo que vocês sejam provocados, não se irritam. Por que nos irritamos tão facilmente? É porque estamos centrados demais em nós mesmos. Isso também não é realmente amor.

    O amor não leva em conta o mal. Irmãos e irmãs, vocês não ficam contabilizando o que as pessoas lhes fizeram. Não, não se mantém um registro.

    O amor não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Isso não significa que, por não levarem em conta o mal, vocês sejam cegos ou condescendentes. De modo algum. Vocês se regozijam com a verdade, mas não se regozijam com a injustiça.

    Suportar, crer, esperar e perseverar

    A palavra traduzida como “sofre”, na expressão “tudo sofre”, significa “cobre”. Vocês não tentam, por assim dizer, romper o telhado e anunciar o que está coberto por ele.

    É como aconteceu com os três filhos de Noé. Cam foi amaldiçoado porque viu seu pai nu e divulgou isso. Tornou pública a vergonha do seu pai. Mas os outros dois filhos pegaram uma capa e caminharam de costas, para não verem a nudez do pai, e o cobriram.

    Queridos irmãos e irmãs, muitas vezes, quando algo acontece, contamos a outra pessoa. Não devemos apenas crer no Senhor; devemos também acreditar em nossos irmãos. A razão pela qual podemos acreditar em nossos irmãos é Cristo.

    O amor espera. Às vezes, vocês podem sentir que certos irmãos e irmãs não têm esperança, e talvez digam: “Você não tem jeito”. Mas o amor tudo espera e tudo suporta por seu irmão e sua irmã.

    Essas são as qualidades do amor. Essas são as coisas que precisam ser provadas no corpo. Se não forem praticadas no corpo, o corpo não poderá viver.

    Não importa quantos dons haja, o corpo não pode ser edificado sem amor. Mas, graças a Deus, Deus é amor. A única pergunta é: esse amor se desenvolveu?

    Como ele se desenvolve? Pelo Espírito Santo. O Espírito Santo está trabalhando em nós. Ele cuida para que a vida de Cristo — o amor — amadureça em nós.

    Se tão somente cooperarmos com o Espírito Santo, a natureza de Deus será desenvolvida em caráter. Digo novamente que o desenvolvimento do caráter leva tempo. Ele será provado. Precisa passar pelo fogo e pela água para amadurecer dentro de nós.

    A permanência do amor

    Por fim, em 1 Coríntios 13:8-13, encontramos a permanência do amor.

    O amor nunca falha: mas, havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, será aniquilada.

    Um dia, não precisaremos falar em línguas, porque tudo estará claro. Um dia, não precisaremos profetizar, porque tudo terá se cumprido. Um dia, não precisaremos do conhecimento nesse sentido parcial que temos hoje, porque O conheceremos assim como somos conhecidos por Ele.

    Todas essas coisas passarão. São temporárias, mas o amor nunca falha.

    Quer sejam línguas, profecia ou conhecimento, todos são parciais. Conhecemos apenas em parte. Mas o amor é a perfeição de tudo isso.

    Quanto mais vivemos aqui em amor, mais crescemos.

    É verdade que precisamos esperar até que venha o que é perfeito. Então deixaremos todas essas coisas parciais — nosso falar, sentir e pensar infantis — e seremos adultos. Mas, até lá, precisamos seguir o amor.

    O amor é o caminho no qual precisamos andar. Ao andarmos nesse caminho e crescermos em amor, todos esses dons — os dons do Espírito Santo — serão usados adequadamente para a edificação do corpo.

    Oração final

    Pai, nós Te louvamos e Te agradecemos porque nos colocaste no corpo. É a Tua vontade que cada um de nós seja um membro que exerce sua função, não apenas vivendo ali passivamente, mas desempenhando sua função segundo o dom que deste a cada um de nós para a edificação do corpo.

    Mas, ainda mais, nós Te louvamos e Te agradecemos porque nos lembras de que, para usarmos esses dons adequadamente, precisamos seguir o amor. Oh, pedimos que a graça de Deus opere de tal maneira em nós que todos esses dons sejam usados para a edificação adequada do corpo de Cristo. Amém.