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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    The Building of Zion © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Building of Zion
    The Building of Zion
    Lambert, Lance

    A Edificação de Sião

    Nesta noite, temos duas leituras: Salmos 48 e Isaías 61.

    Leitura Bíblica: Salmos 48:1-14

    Grande é o Senhor e mui digno de louvor,
    Na cidade do nosso Deus, no Seu santo monte.
    Formoso em elevação, alegria de toda a terra,
    É o monte Sião, para os lados do norte,
    A cidade do grande Rei.
    Deus Se fez conhecer nos palácios dela como refúgio.
    Pois eis que os reis se ajuntaram;
    Juntos passaram.
    Eles a viram e se maravilharam;
    Ficaram perturbados e fugiram às pressas.
    Ali se apoderou deles o tremor,
    A dor, como de mulher em trabalho de parto.
    Com o vento oriental,
    Tu quebras as naus de Társis.
    Como ouvimos, assim vimos
    Na cidade do Senhor dos Exércitos, na cidade do nosso Deus:
    Deus a estabelecerá para sempre. Selá.
    Meditamos na Tua benignidade, ó Deus,
    No meio do Teu templo.
    Segundo é o Teu nome, ó Deus,
    Assim é o Teu louvor até os confins da terra:
    A Tua destra está cheia de justiça.
    Alegre-se o monte Sião;
    Regozijem-se as filhas de Judá,
    Por causa dos Teus juízos.
    Percorrei Sião e rodeai-a;
    Contai as suas torres;
    Observai bem os seus baluartes;
    Considerai os seus palácios:
    Para que o conteis à geração seguinte.
    Porque este Deus é o nosso Deus para todo o sempre:
    Ele será o nosso guia até a morte.

    Leitura Bíblica: Isaías 61:1–62:1

    O Espírito do Senhor Deus está sobre mim;
    Porque o Senhor me ungiu para pregar boas-novas aos mansos;
    Enviou-me a curar os quebrantados de coração,
    A proclamar liberdade aos cativos
    E a abertura da prisão aos que estão presos;
    A proclamar o ano do favor do Senhor
    E o dia da vingança do nosso Deus;
    A consolar todos os que choram;
    A conceder aos que choram em Sião,
    A dar-lhes uma grinalda em lugar de cinzas,
    Óleo de alegria em lugar de pranto,
    Vestes de louvor em lugar de espírito angustiado;
    Para que sejam chamados árvores de justiça,
    Plantação do Senhor, para que Ele seja glorificado.
    E edificarão as antigas ruínas,
    Levantarão as desolações de outrora
    E restaurarão as cidades arruinadas,
    As desolações de muitas gerações.
    Estrangeiros se apresentarão e apascentarão os vossos rebanhos,
    E os de outras terras serão os vossos lavradores e os vossos vinhateiros.
    Mas vós sereis chamados sacerdotes do Senhor;
    Chamar-vos-ão ministros do nosso Deus:
    Comereis as riquezas das nações
    E na glória delas vos gloriareis.
    Em lugar da vossa vergonha, tereis porção dobrada;
    E, em lugar da desonra, exultarão na sua porção:
    Por isso, na sua terra possuirão o dobro;
    Alegria eterna lhes será dada.
    Porque Eu, o Senhor, amo a justiça,
    Odeio o roubo acompanhado de iniquidade;
    E lhes darei fielmente a sua recompensa
    E farei com eles uma aliança eterna.
    A sua descendência será conhecida entre as nações,
    E os seus descendentes, entre os povos:
    Todos os que os virem os reconhecerão
    Como a descendência que o Senhor abençoou.
    Regozijar-me-ei muito no Senhor;
    A minha alma se alegrará no meu Deus;
    Porque Ele me vestiu com as vestes da salvação,
    Cobriu-me com o manto da justiça,
    Como um noivo que se adorna com uma grinalda
    E como uma noiva que se enfeita com as suas joias.
    Porque, como a terra faz brotar os seus renovos,
    E como o jardim faz germinar o que nele se semeia,
    Assim o Senhor Deus fará brotar a justiça e o louvor
    Diante de todas as nações.
    Por amor de Sião, não Me calarei,
    E, por amor de Jerusalém, não descansarei,
    Até que a sua justiça saia como o resplendor,
    E a sua salvação, como uma lâmpada que arde.

    Oração Inicial

    Vamos nos inclinar juntos em oração?

    Ó Pai, queremos simplesmente agradecer-Te porque estamos aqui, reunidos em nome do nosso Senhor Jesus, reunidos na Tua presença com confiança e alegria, porque Tu nos salvaste com tão grande salvação.

    E, ó Pai, ao nos aproximarmos da Tua Palavra, queremos, com toda a simplicidade, reconhecer e confessar diante de Ti que, se Tu não estiveres conosco, tanto no falar quanto no ouvir, este tempo será inútil.

    Mas, Senhor, nós Te agradecemos porque Tu providenciaste uma unção tanto para quem fala quanto para quem ouve. E, Senhor, pela fé nos colocamos sob essa unção. Pela fé, Senhor, nos apropriamos daquilo que é nosso em nosso Senhor Jesus. Torna isso uma realidade para nós na pessoa do Espírito Santo.

    E concede, Senhor, que, no falar e no ouvir, conheçamos de tal maneira a Tua capacitação divina que nos encontremos Contigo e recebamos de Ti, e que nos seja concedido o espírito de sabedoria e de revelação no conhecimento do Senhor Jesus.

    Ó Pai, para aqueles a quem a verdade de que falamos nesta noite chega como algo já conhecido, traz essa verdade com novo poder e nova vida. E, para aqueles que talvez nunca tenham considerado esse assunto, traz essa verdade, Senhor, pedimos, por revelação. Mas, Senhor, faz a Tua vontade neste tempo, nós Te pedimos, pois o entregamos a Ti com ações de graças, em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.

    A Batalha por Sião

    Tenho considerado esse assunto de Sião na Palavra de Deus. Em particular, já examinamos, na manhã de segunda-feira, a batalha por Sião. Tomamos Salmos 2 e falamos sobre a batalha por Sião.

    Entendemos que os poderes das trevas procuram anular a vontade declarada de Deus a respeito do Messias e do Seu propósito para todo o universo, e estabelecer algo independente Dele, movido por outra fonte e por outro poder.

    Agora, na medida em que fomos salvos pela graça de Deus, redimidos pelo sangue do Senhor Jesus e chamados pelo Seu nome, fomos introduzidos nesse tremendo conflito. É um conflito que, na verdade, antecede o tempo. Começou em algum ponto antes do tempo, com a queda daquele que conhecemos como Lúcifer, Satanás.

    Não vamos voltar a esse assunto, porque dedicamos uma sessão inteira a ele, falando sobre a batalha por Sião. Mas estamos testemunhando toda essa batalha chegar ao seu clímax em nossa geração. Porque, se estamos no fim desta era, podemos muito bem esperar que, agora, nestes dias, veremos esse conflito se intensificar até o seu clímax.

    Graças a Deus, já examinamos o fato de que o Senhor também declarou a Sua intenção:

    Contudo, Eu estabeleci o Meu Rei
    Sobre Sião, o Meu santo monte.

    Portanto, não temos motivo algum para temer.

    A Edificação de Sião

    Agora, o que quero considerar nesta noite é a edificação de Sião — a edificação de Sião.

    Todo esse assunto de Sião não é uma ideia antiquada, ultrapassada, do Antigo Testamento, que, de alguma forma, tenha pouco ou nada a ver conosco, os crentes. Algumas pessoas pensam na palavra Sião como uma espécie de ideia vitoriana, ou até medieval, com muito pouca relação com o século XX.

    Há quem acredite que Sião não tem nada a ver com o Novo Testamento, que é, na verdade, um termo do Antigo Testamento e não aparece no Novo Testamento. Mas Sião é um nome tremendamente importante, cheio de significado divino.

    Por exemplo, lemos sobre o monte Sião; a fortaleza de Sião; Sião, a cidade do grande Rei; os habitantes de Sião; a filha de Sião; as filhas de Sião; e os filhos de Sião.

    Somos informados de que o Senhor ama as portas de Sião; de que Ele fundou Sião; de que Ele a chama de “Meu santo monte de Sião”, “o monte da Minha santidade”; de que Ele escolheu Sião; de que Ele habita em Sião; de que Ele é grande em Sião; de que Ele luta por Sião; de que Ele tem zelo por Sião; de que Ele rugirá de Sião; e de que, desde Sião, a perfeição da formosura, Ele resplandeceu.

    Somos informados de que o Redentor virá a Sião, de que Ele salvará Sião, de que Ele edificará Sião, de que Ele consolará Sião e de que Ele reinará em Sião. E de que os resgatados do Senhor voltarão e virão a Sião com cânticos, e alegria eterna estará sobre a sua cabeça; alcançarão gozo e alegria, e deles fugirão a tristeza e o gemido.

    Isso é apenas uma amostra de como a palavra Sião é usada nas Escrituras. Se ela é uma ideia antiquada, ultrapassada, vitoriana, que pertence a um passado remoto e antigo, fico admirado. Se o Senhor habita em Sião, é grande em Sião, luta por Sião, tem zelo por Sião, salva Sião e edifica Sião, e se o Redentor vai vir a Sião, então esse deve ser um assunto muito importante.

    A meu ver, é algo de tremenda importância. Por isso, é ainda mais necessário e vital que todo crente verdadeiramente nascido de novo pergunte ao Senhor o que Sião significa. O que significa?

    Sião em Seu Contexto Histórico e Geográfico

    É interessante que não saibamos realmente o que significa a palavra hebraica Sião. Houve várias explicações, mas não sabemos. As melhores e mais recentes considerações sobre o significado da raiz dessa palavra hebraica indicam que ela provavelmente vem de uma palavra que significa um lugar sem água.

    Algumas pessoas talvez fiquem muito incomodadas com isso, especialmente quando pensam naquele maravilhoso Salmos 87. Mas talvez esteja certo. Vejam, ele diz:

    O Seu fundamento está nos montes santos.
    O Senhor ama as portas de Sião
    Mais do que todas as habitações de Jacó.
    Coisas gloriosas se dizem de ti,
    Ó cidade de Deus. Selá.

    Então, no último versículo, diz:

    Tanto os que cantam como os que dançam dirão:
    Todas as minhas fontes estão em ti.

    Isso seria muito interessante se Sião realmente significasse terra ressequida:

    Todas as minhas fontes de águas frescas estão em ti.

    O Senhor escolheu Sião deliberadamente, porque era um monte menor, cercado de montes mais altos. Todas as nações escolhiam lugares altos para o seu culto, mas o Senhor escolheu um monte mais baixo do que todos os montes ao redor, para que não tivessem um lugar alto como as outras nações.

    Não há capital no mundo que tenha sido escolhida sem um abastecimento suficiente de água. A maioria das grandes capitais do mundo foi escolhida porque se encontra às margens de grandes rios navegáveis, porque possui grandes portos, naturais ou artificiais, porque se situa em importantes cruzamentos de caminhos ou rotas comerciais, ou porque possui outras grandes vantagens comerciais naturais.

    Jerusalém não tem nenhuma dessas coisas. Jerusalém não tem rio. Tem um pequeno ribeiro, chamado Cedrom, que hoje corre cerca de nove metros abaixo da superfície e que vocês nem conseguem ver. Nunca teve porto, artificial ou natural. Nunca teve rio navegável. Nunca esteve em grandes rotas comerciais ou estradas internacionais.

    As grandes estradas internacionais da Antiguidade passavam a leste — a Estrada do Rei, de sul a norte — e a oeste, a Via Maris, o Caminho do Mar, mencionado por Isaías em Isaías 9:1, ao falar da vinda do Messias.

    Mas Jerusalém não foi construída sobre as próprias rotas comerciais ou os cruzamentos de caminhos. Deus escolheu essa cidade sem sequer um abastecimento suficiente de água, porque a única fonte natural de água de toda Jerusalém é uma pequena nascente chamada Giom, que todos vocês conhecem, tenho certeza, pela Palavra de Deus.

    Essa pequena nascente, Giom, ficava, na verdade, fora dos muros da cidade, até que o rei Ezequias, provavelmente por revelação, decidiu trazê-la para dentro dos muros. Ele fez com que seus engenheiros escavassem um túnel de aproximadamente 542 metros de comprimento na rocha maciça. Foi uma proeza da engenharia da Antiguidade.

    Eles vieram, uns pelo sul e outros pelo norte, e realmente se encontraram, martelo com martelo. Há alguns anos, descobriram a placa — hoje no Museu de Istambul — que registra como isso aconteceu no reinado do rei Ezequias, dando o nome do engenheiro que realizou a obra e descrevendo como os homens avançaram, golpe após golpe, de ambos os lados, até conseguirem ouvir uns aos outros e se encontrarem no centro. Assim, ele trouxe a água para dentro da cidade.

    Bem, isto não é uma aula de geografia, então precisamos deixar esse assunto. Mas o interessante é isto: quando Deus escolheu Sião, escolheu uma capital sem abastecimento suficiente de água.

    É como se o Senhor estivesse dizendo: “Toda esta cidade é escolha Minha e não tem vantagens naturais. Ela depende de Mim. Eu serei a sua glória. Eu serei a sua vida. Eu serei o seu caráter. Eu serei a sua salvação. Eu serei tudo, do começo ao fim”.

    Nenhuma outra capital pode se gloriar de tal eleição e escolha divina.

    Quatro Usos de Sião nas Escrituras

    O que é, então, esse assunto de Sião? Para vocês que estiveram conosco no ano passado, eu cheguei a tocar nisso. Perdoem-me se retomo o assunto. Há quatro maneiras pelas quais Sião é usada na Bíblia.

    Sião como um Monte Geográfico

    Em primeiro lugar, é um monte de fato. Já fiz referência a isso. Se vocês querem uma passagem bíblica a respeito, vão encontrá-la em Salmos 78:68:

    Mas escolheu a tribo de Judá,
    O monte Sião, que Ele amou.

    Trata-se de uma colina ou de um monte geográfico real, um dos montes sobre os quais a cidade de Jerusalém foi construída: o monte Moriá, o monte Ofel e o monte Sião.

    Hoje, acreditamos que, no princípio, o monte Sião era sinônimo do monte Ofel e do monte Moriá, e só mais tarde passou a ser o nome dado à colina sudoeste sobre a qual está construída a cidade antiga de Jerusalém. Bem, basta sobre isso. Essa é uma das maneiras pelas quais a palavra Sião é usada nas Escrituras.

    Sião como Jerusalém, a Cidade de Deus

    Depois, é claro, com muito mais frequência ela é usada para a cidade de Deus, para Jerusalém. É um nome sinônimo de Jerusalém. Vocês encontram isso, por exemplo, em 2 Samuel 5:7:

    Contudo, Davi tomou a fortaleza de Sião;
    Esta é a cidade de Davi.

    Ou, novamente, no salmo que lemos juntos, Salmos 48:2:

    Formoso em elevação, alegria de toda a terra,
    É o monte Sião, para os lados do norte,
    A cidade do grande Rei.

    Portanto, temos esse nome, Sião, usado como outro nome para Jerusalém, para a cidade de Deus. A nação inteira também era descrita como Sião; o nome da capital era usado para descrever toda a nação. Encontramos expressões como “filha de Sião” e “habitantes de Sião”, abrangendo toda a nação.

    Sião e a Restauração de Israel

    Há, então, uma terceira maneira — e essa é uma maneira controversa — pela qual a Bíblia usa a palavra Sião, e na qual creio firmemente. Ela descreve o movimento nacional e político pela libertação judaica, que resultou na recriação do Estado judeu em 14 de maio de 1948.

    Temos uma referência a isso, por exemplo, em Salmos 137:1-6:

    Junto aos rios da Babilônia,
    Ali nos assentamos e choramos,
    Quando nos lembramos de Sião.
    Nos salgueiros que havia no meio dela,
    Penduramos as nossas harpas.
    Pois ali os que nos levaram cativos nos pediam cânticos,
    E os que nos afligiam nos pediam alegria, dizendo:
    Cantai-nos um dos cânticos de Sião.
    Como cantaremos o cântico do Senhor
    Em terra estrangeira?
    Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém,
    Esqueça-se a minha mão direita da sua destreza.
    Apegue-se a minha língua ao céu da boca,
    Se não me lembrar de ti;
    Se não preferir Jerusalém
    À minha maior alegria.

    O que esse salmo está fazendo nas Escrituras, se tudo o que ele contém é a tristeza do povo de Deus num tempo de exílio e dispersão nacional? Se vocês me disserem que ele tem algo para nós, os crentes, para aqueles que estão em dores de parto pela igreja de Deus e pela sua restauração e conclusão, então entendo que o salmo tem um significado mais amplo.

    Mas ele também tem um significado muito real para o povo judeu. Nos 1.900 anos do seu exílio, esse salmo foi lido repetidas vezes nas grandes festas e nas orações de cada dia.

    Temos o mesmo uso em Isaías 66:8:

    Quem ouviu tal coisa?
    Quem viu coisas semelhantes?
    Nascerá uma terra num só dia?
    Será uma nação dada à luz de uma só vez?
    Pois Sião, assim que entrou em trabalho de parto,
    Deu à luz os seus filhos.

    Eu gostaria de saber como espiritualizamos esse versículo. Tudo bem dizer que estamos em dores de parto e que a Jerusalém que é de cima está em dores de parto pelo nascimento dos seus filhos, que são nascidos de Deus. Mas o que significa quando diz:

    Nascerá uma terra num só dia?

    Como espiritualizamos isso?

    Se isso tem um significado literal, então, em 14 de maio de 1948, uma terra nasceu num único dia, e uma nação foi dada à luz de uma só vez. Depois de séculos de angústia, tristeza, sofrimento e perseguição, o povo judeu viu uma terra nascer num único dia e uma nação ser dada à luz de uma só vez.

    Sei que há quem talvez não concorde comigo nesse assunto, mas creio muito firmemente que existe uma terceira maneira pela qual esse nome, Sião, é usado nas Escrituras. Tem a ver com o povo judeu, com a recriação do Estado de Israel e com a redenção final de Israel.

    Sião como a Cidade Eterna e Espiritual

    Há, então, a quarta e mais importante maneira pela qual a palavra Sião é usada. Encontramos isso, por exemplo, em Salmos 50:1-2:

    O Poderoso, Deus, o Senhor, falou
    E chamou a terra desde o nascente do sol
    Até o seu poente.
    Desde Sião, a perfeição da formosura,
    Deus resplandeceu.

    Penso que qualquer pessoa honesta dificilmente poderia chamar a Jerusalém terrena de perfeição da formosura. Conheço muitas pessoas que vão como turistas a Israel e saem de Jerusalém profundamente decepcionadas. Veem os mercados e bazares, a exploração, as moscas, os cheiros, o calor, a secura, a aridez e tudo mais; depois perguntam:

    Desde Sião, a perfeição da formosura,
    Deus resplandeceu?

    Não creio que, em qualquer momento de toda a história de Jerusalém, ela tenha sido a perfeição da formosura. De que, então, o Senhor está falando? Está falando daquilo que a Sião física e terrena representa: aquela Sião eterna, aquela Sião espiritual, aquilo que está em Seu coração desde o princípio.

    Quando chegamos ao Novo Testamento, lemos em Hebreus 12:22:

    Mas chegastes ao monte Sião
    E à cidade do Deus vivo,
    À Jerusalém celestial.

    Aqueles que são nascidos de Deus, aqueles que foram salvos pela obra consumada do Messias, chegaram ao monte Sião. Chegaram à cidade do Deus vivo, a essa Jerusalém celestial.

    É nesse último significado que quero me deter nesta noite, falando sobre a edificação de Sião.

    Sião como a Habitação de Deus

    Voltem em sua Bíblia a Isaías 60:14:

    Os filhos dos que te afligiram
    Virão inclinando-se diante de ti;
    E todos os que te desprezaram
    Se prostrarão às plantas dos teus pés;
    E te chamarão a cidade do Senhor,
    A Sião do Santo de Israel.

    Que expressão maravilhosa:

    A cidade do Senhor,
    A Sião do Santo de Israel.

    Nessas próprias palavras há ternura, intimidade e um maravilhoso senso de eleição divina. Oh, que mistério há nisso!

    E te chamarão a cidade do Senhor,
    A Sião do Santo de Israel.

    O que é Sião? Ouçam o que o Senhor diz em Salmos 132:13-14:

    Porque o Senhor escolheu Sião;
    Desejou-a para Sua habitação.
    Este é o Meu lugar de descanso para sempre:
    Aqui habitarei, pois a desejei.

    Isso não é maravilhoso? Ouçam novamente:

    Porque o Senhor escolheu Sião;
    Desejou-a para Sua habitação.
    Este é o Meu lugar de descanso para sempre.

    Vocês ouviram? Sião é o lugar de descanso do Senhor para sempre.

    Deus veio descansar. Deus encontrou um lar, um lugar de descanso para sempre — não um lugar de hospedagem, não um lugar numa peregrinação, não uma etapa de um propósito em andamento, mas algo que é para sempre: o centro de toda a questão.

    É como se o Senhor estivesse dizendo: “Tenho um tremendo propósito para o universo e, além dele, para universos além de universos. Mas quero que vocês saibam que, no centro de tudo, há algo permanente, algo eterno, algo de onde não sairei. Este é o Meu lugar de descanso para sempre”.

    Não é de admirar que tenha havido uma batalha por isso. Não se trata apenas de uma etapa do propósito de Deus em andamento. Trata-se de algo que Lhe proporciona a base para todas as Suas operações na eternidade.

    A Magnitude da Salvação

    Tornamos a nossa salvação tão pequena, como se, de alguma forma, ser salvo fosse apenas uma questão de ser perdoado, ser abençoado, ter alguns dons, um pouco de comunhão, ler a Bíblia e fazer orações. Mas isso não é tudo.

    A ideia é que um dia morreremos e, embora todos cantemos sobre estar com o Senhor, assim que parece que esse dia pode chegar um pouco antes do que imaginávamos, fazemos tudo o que podemos para adiá-lo.

    Então, quando morrermos, iremos para o céu, nos sentaremos numa nuvem úmida, vestidos com uma camisola glorificada, e tocaremos harpa por toda a eternidade. É isso que as pessoas têm pensado: que, de alguma forma, nós, cristãos, estamos vivendo na Idade Média, como se esse evangelho que apresentamos fosse apenas um absurdo, um conto de fadas.

    Mas esse não é o evangelho. O evangelho é isto: Deus tem um tremendo propósito para este universo — um propósito colossal, significativo, extraordinário para este universo e, além dele, para os universos ainda inexplorados.

    Mas Ele quer uma base. Todo o Seu propósito foi detido, em certo sentido, pela queda do homem. Mas, na verdade, não, porque, em vez de Deus fazer tudo em pedaços e dizer: “Vamos começar de novo, com outro universo e outra humanidade”, Ele deu o Seu próprio Filho, para que redimisse essa raça caída e a trouxesse de volta ao propósito do Seu coração — de volta ao Seu plano original para ela.

    Então, quando Ele os tiver treinado, disciplinado e educado, dirá: “Agora, sim, estamos prontos. Temos o Rei em Seu lugar e temos Sião em seu lugar. Agora estamos prontos para prosseguir com o verdadeiro propósito”.

    Vocês não sabem, queridos amigos, que nem sequer sabemos realmente qual é o propósito do Senhor? Dizemos coisas como: “O propósito do Senhor é reunir todas as coisas em Jesus”. Bem, isso é suficiente para mim. Estou perfeitamente satisfeito com isso.

    Mas alguns têm uma mente mais curiosa. Querem saber o que vamos vestir, o que vamos comer, o que vamos fazer, como vamos flutuar pelo espaço e se isso será entediante depois dos primeiros dois mil anos. Bem, não posso lhes dizer. Mas sei disto: a genialidade criativa de Deus nunca foi paralisada e nunca se esgotou.

    Há algo que Ele tem em mente. Em Sua gloriosa misericórdia e sabedoria, não o revelou a nós, para que não surgissem mais algumas seitas e denominações. Tudo o que Ele nos revelou é aquilo que é absolutamente essencial e fundamental para entrarmos nesse propósito.

    O Lar e o Lugar de Descanso de Deus

    Ouçam novamente:

    Porque o Senhor escolheu Sião;
    Desejou-a para Sua habitação.

    Essa palavra, habitação, soa estranha para vocês? O que é uma habitação? Uma habitação é um lugar onde se habita. É um lugar que é um lar. Pensem assim: o Senhor escolheu Sião; Ele a desejou para ser o Seu lar.

    Este é o Meu lugar de descanso para sempre:
    Aqui habitarei.

    Sinto muita pena de pessoas que têm casas que não são lares. Muitas famílias têm casas, mas não têm lares. Transformar uma casa num lar exige amor, sacrifício, paciência, lealdade e união.

    Sinto muita pena de pessoas que têm um lar que não é um lugar de descanso. Conheço muitas pessoas cujos maiores problemas estão dentro de casa. Não é um lugar de descanso para elas — tanto antagonismo, tanta tensão, tanto desgaste.

    Mas a ideia de Deus para um lar é que ele seja um lugar de descanso. É o lugar onde você pode ser você mesmo. Pode tirar os cílios postiços, tirar os óculos, tirar a dentadura, tirar os chinelos — e há algumas outras coisas, mas não vou entrar em todas elas. Você pode relaxar. É um lugar de descanso.

    Agradeço a Deus por cada casa em que entro que é um verdadeiro lar, e por cada lar que, para mim, é um lugar de descanso. Mas tenho de dizer que, por mais agradáveis que sejam os lugares aonde vou, gosto mesmo de finalmente voltar para a minha própria casa, onde tenho um lugar de descanso. Você pode entrar e ser absolutamente você mesmo.

    Sempre sou grato por não haver telefone onde fico. Você pode descansar por completo.

    Sei que isso soa como linguagem de escola dominical, mas a maravilha de tudo é esta: se Deus tivesse expressado esse tremendo propósito Seu na linguagem tecnológica e científica do século XX, quem, neste mundo, poderia tê-lo entendido? Eu, com certeza, nunca teria entendido.

    Seria uma minúscula minoria de pessoas, instruídas de determinada maneira, que poderia ter entendido o propósito do Senhor. Mas Ele o colocou em linguagem de escola dominical, de modo que, ao longo de milhares de anos da história humana, homens e mulheres de diferentes origens e de diferentes épocas pudessem entendê-lo pelo Espírito de Deus.

    Ele usou linguagem de escola dominical. Disse: “Agora, ouçam, quero um lar. Quero um lar, assim como vocês precisam de um lar”. É claro que, em certo sentido, não podemos falar de Deus como alguém que precisa de um lar. Deus não pode ser Deus se tem alguma necessidade. Deus é totalmente suficiente.

    Mas, do nosso ponto de vista, há um sentido em que Deus tem uma necessidade, e Ele reduz tudo à simplicidade por causa do Seu amor. É como se dissesse: “Não posso descansar sozinho. Quero trazer vocês para dentro. Quero vocês aqui Comigo. Não quero simplesmente estar no céu com todos aqueles anjos. Amo todos eles, mas quero vocês”.

    “Eu criei vocês de uma maneira diferente daquela pela qual os anjos foram criados. Vocês não foram apenas criados; Eu soprei em vocês, e vocês se tornaram espírito, alma e corpo.”

    Os anjos não têm alma; são espíritos. Os animais têm corpo e alma de certo tipo, mas não têm espírito. Mas nós somos únicos. Algumas pessoas dizem que somos o macaco humano. Bem, se querem acreditar nisso, que acreditem.

    Há algo essencial que distingue o homem de todo o restante da criação. É isto: fomos feitos à imagem de Deus e conforme a Sua semelhança. Apesar da nossa queda, Ele nos amou tanto que deu o Seu Filho unigênito para nos trazer de volta a Si mesmo e nos reconciliar Consigo.

    Quando começamos a enxergar isso, que magnífica salvação temos! Deus não apenas perdoou os nossos pecados, nos purificou e nos justificou para a eternidade. Ele nos trouxe a uma união Consigo mesmo e nos chamou com uma vocação tão elevada.

    Qual é essa vocação? Aqui está: é fazer parte dessa Sião.

    Cristo e Seu Povo em União

    Esse lugar de descanso do Senhor — “Aqui habitarei para sempre” — não significa: “Aqui visitarei de vez em quando. Aqui abençoarei para sempre. Aqui usarei para sempre”. Ele diz:

    Aqui habitarei para sempre.

    A palavra hebraica significa: “Aqui Me estabelecerei”. É aqui que vou criar raízes. É aqui que vou estar em casa. Sairei daqui para tudo o que fizer e voltarei para cá. Este é o Meu lar.

    Como é tremendo esse mistério de Cristo e dos Seus: que você e eu tenhamos sido introduzidos em Sua Sião. Vocês o encontram por toda parte. Esse é o centro da questão. É isso que estava no coração de Deus desde antes dos tempos eternos.

    Quando Ele criou o universo, quando criou o homem à Sua imagem e conforme a Sua semelhança, era por isso que Ele ansiava. Queria, por assim dizer, uma noiva para o Seu Filho. Temos isso de várias maneiras nas Escrituras: marido e mulher, noivo e noiva. Esses dois são vistos como um — uma só carne, um só espírito.

    Ou, às vezes, é cabeça e corpo. Vocês nunca viram um corpo vivo sem cabeça, viram? Às vezes, pela maneira como algumas pessoas agem, vocês pensariam que elas não têm cabeça; mas, normalmente, se alguém entrasse sem a cabeça, eu ficaria espantado.

    Não se vive com a cabeça separada do corpo. Toda a ideia de cabeça e corpo é que constituem um só organismo. Vocês nunca viram uma cabeça viva sem corpo, e nunca viram um corpo vivo sem cabeça, porque as duas coisas pertencem uma à outra. São um todo vivo.

    Da mesma maneira maravilhosa, em João 15:1, nosso Senhor disse:

    Eu sou a videira verdadeira, e Meu Pai é o lavrador.

    E então, em João 15:5:

    Eu sou a videira, vós sois os ramos:
    Quem permanece em Mim, e Eu nele,
    Esse dá muito fruto:
    Porque, separados de Mim, nada podeis fazer.

    Os discípulos entenderam alguma coisa quando o Senhor Jesus disse:

    Eu sou a videira verdadeira, e Meu Pai é o lavrador.

    Isso deve ter sido um dos maiores choques que já receberam.

    Quando nosso Senhor disse:

    Eu sou o pão da vida.

    Isso foi difícil para eles entenderem. Quando disse:

    Eu sou o caminho, a verdade e a vida;
    Ninguém vem ao Pai senão por Mim.

    Foi difícil, mas eles aceitaram. Quando disse:

    Eu sou a ressurreição e a vida.

    Foi difícil, mas eles aceitaram. Quando disse:

    Eu sou o bom pastor.

    Eles entenderam e aceitaram. Quando disse:

    Eu sou a porta das ovelhas.

    Eles aceitaram.

    Mas deve ter sido a coisa mais difícil de todas para eles entenderem quando Ele disse:

    Eu sou a videira verdadeira.

    Por quê? Porque a videira verdadeira era um símbolo do povo da aliança de Deus. Era um símbolo da nação. Como Ele poderia dizer: “Eu sou a nação”?

    É impossível alguém dizer: “Eu sou a nação”. Se eu dissesse a vocês: “Eu sou o povo americano”, vocês morreriam de rir. Mesmo que eu dissesse: “Eu sou o povo britânico”, vocês morreriam de rir. Diriam: “Ele está louco. Como pode ser o povo britânico?”.

    Josefo nos conta algo muito interessante. No templo de Herodes, no tempo do Senhor Jesus, uma das grandes maravilhas do mundo era esta: quando um judeu entrava no pátio de Israel com o seu sacrifício, se olhasse para cima, via diante do santuário, diante da porta do santuário propriamente dito, uma grande videira de ouro puro, toda trabalhada em filigrana, com cachos de uvas, gavinhas e folhas.

    Todo judeu entendia o que aquilo era. Aquilo era Israel. Agora, Jesus disse:

    Eu sou a videira verdadeira, e Meu Pai é o lavrador.

    Vocês conseguem imaginar o que devem ter dito? “O que Ele quer dizer?”

    Então Ele disse:

    Eu sou a videira, vós sois os ramos.

    Não creio que os crentes de hoje tenham menos dificuldade do que aqueles primeiros discípulos — possivelmente tenham mais.

    A maioria de nós O entende como se Ele tivesse dito: “Eu sou o tronco; vocês são os ramos”. É assim que a maioria das pessoas entende: “Ah, o tronco está aqui, e nós estamos ali, e, de alguma forma, estamos ligados”.

    Mas qualquer pessoa que já tenha ido a Israel sabe que a videira ali é quase toda composta de ramos. O tronco é muito pequeno. O Senhor não disse: “Eu sou o tronco; vocês são os ramos”. Ele disse:

    Eu sou a videira, vós sois os ramos.

    A videira é os ramos, as gavinhas, as folhas, as flores, os frutos, o caule e as raízes. É o conjunto todo. Era como se o Senhor estivesse dizendo: “Eu sou vocês, e vocês estão em Mim. Eu sou Israel. Eu sou o povo. Eu sou a igreja. Eu sou Sião, e vocês estão em Mim. Vocês fazem parte de Mim”.

    Deus trouxe vocês para dentro Dele, assim como Ele disse:

    Eu sou a luz do mundo.

    E depois:

    Vós sois a luz do mundo.

    Vocês começam a enxergar?

    Toda essa questão é uma questão de unidade. É simplesmente isto: quando Deus salva você, Ele o reconcilia. Ele o faz um Consigo mesmo no Senhor Jesus. E, quando nós dois nos tornamos um, somos unidos intimamente. Bendito seja o Senhor.

    O Novo Testamento usa toda sorte de maneiras para descrever o Seu povo: crescendo para ser um templo santo no Senhor; um só corpo em Cristo Jesus; Ele sendo uma pedra viva, e nós também, como pedras vivas, sendo edificados com Ele numa casa espiritual. Sião — nós a encontramos por toda parte.

    Sião como uma Cidade Edificada em União

    Abram em Salmos 87:1-6:

    O Seu fundamento está nos montes santos.
    O Senhor ama as portas de Sião
    Mais do que todas as habitações de Jacó.
    Coisas gloriosas se dizem de ti,
    Ó cidade de Deus. Selá.
    Farei menção de Raabe e da Babilônia entre os que Me conhecem:
    Eis a Filístia, e Tiro, com a Etiópia:
    Este nasceu ali.
    Sim, de Sião se dirá:
    Este e aquele nasceram nela;
    E o próprio Altíssimo a estabelecerá.
    O Senhor contará, ao registrar os povos:
    Este nasceu ali. Selá.

    O que Ele quer dizer? Quer dizer isto: você nasceu nos Estados Unidos, mas o Senhor diz que você nasceu em Sião, se nasceu de novo.

    É claro que o Senhor leva em conta o seu nascimento nos Estados Unidos e espera que você cumpra o seu dever para com o seu país e o seu presidente. A Bíblia nos diz que devemos obedecer às autoridades constituídas e honrar o rei — ou, no caso de vocês, o presidente.

    Mas, ainda assim, o fato é este: no registro do Cordeiro, estão apenas os nascidos em Sião. Cada pessoa que nasceu de novo está registrada como nascida em Sião.

    É por isso que Gálatas 4:26 diz:

    Mas a Jerusalém que é de cima é livre,
    A qual é nossa mãe.

    Você é nascido de Deus? Então nasceu em Sião, e o seu nome está registrado como alguém nascido em Sião.

    Oh, se ao menos pudéssemos enxergar essa questão! Mas preciso trazê-la a algo mais prático. Uma coisa é enxergar o propósito eterno de Deus e o objetivo do Senhor, e ver que ser chamada “a cidade do Senhor, a Sião do Santo de Israel” é maravilhoso e tem algo a ver com a eternidade e com as eras vindouras.

    Mas, queridos amigos, há muito a ser feito aqui embaixo. Deus deu à maioria de nós o período de uma breve vida de setenta anos. Nesses setenta anos, Ele tem de nos trazer a Si, nos salvar, nos curar da rebeldia, nos libertar de toda coisa má, nos trazer à união com o Seu Filho, nos levar à descoberta do Seu Filho, nos levar a explorar os recursos que são nossos no Filho, nos levar à compreensão do que é a igreja, nos ajudar a ser edificados juntos Nele e nos ensinar as lições que precisamos aprender se vamos fazer parte dessa Sião por toda a eternidade.

    Somente Deus poderia comprimir tanto valor num espaço de tempo tão pequeno quanto a cabeça de um alfinete.

    E pensar que alguns de nós ficam discutindo a maneira como o Senhor nos conduz. Às vezes, atrasamos o Senhor por vinte ou trinta anos por causa de alguma questão.

    Não choraremos nas eras vindouras? Será essa uma das razões pelas quais Deus enxugará as lágrimas dos nossos olhos? “Ó Senhor, como pude ser tão tolo? Eu tinha aquele minúsculo espaço de tempo, e, naquele tempo, Tu estavas tentando fazer isto, isto e isto, e eu discutia, discutia e discutia Contigo. Eu me rebelava, escolhia o meu caminho e insistia na minha vontade.”

    Graças a Deus, nunca perdemos a nossa salvação. Mas podemos perder o nosso lugar no propósito. Quanto a mim, penso que seria um dos maiores arrependimentos e tristezas de toda a vida: que, nesse minúsculo espaço de tempo que é a minha vida, eu tenha mantido o Senhor do lado de fora.

    A Disciplina Amorosa de Deus

    Meu querido, o Senhor não quer tornar você infeliz. Temos a ideia de que Deus quer transformar todos nós numa porção de monges e freiras — infelizes, vestidos de preto, sem nunca sorrir, sem alegria. De alguma forma, imaginamos que Ele quer fazer conosco tudo o que é desagradável.

    Temos esta ideia a respeito do Senhor: que Ele é tão severo, tão pouco bondoso, que, de alguma forma, ama o sofrimento e que, se puder nos fazer passar por maus bocados, fará isso — mesmo quando não for necessário — porque gosta disso.

    O Senhor não é assim. Que pai aqui, que pai ou mãe, gostaria de ver o seu filho chorando? Que verdadeiro pai ou mãe gosta de ver o filho sofrer quando precisa discipliná-lo, quando precisa tirar alguma coisa dele, quando precisa mandá-lo para a escola?

    Lembro-me da primeira vez em que me levaram à escola. Eu chorava aos berros. Lembro-me de minha mãe hesitando por um momento, indo e voltando. Eu chorava bem alto. Sabia muito bem que aquela era a única maneira de comovê-la. Chorava ainda mais alto.

    Então aquela diretora enorme — bem, para mim ela era enorme; eu era um menininho de cinco anos — disse: “Senhora Lambert, deixe-o”.

    Era tudo de que minha mãe precisava. Ela me deu as costas e não olhou mais para trás. Saiu direto. Aquela terrível diretora disse: “Agora venha. Siga-me”. Fiquei zangado. Meus olhos pararam de chorar.

    Mas que mãe ou pai quer causar sofrimento desnecessário? Às vezes, precisamos fazer isso porque sabemos que é o melhor; é para o bem maior. No fim, eles vão agradecer.

    Assim é com o Pai. Ele nos ama tanto que, nesse minúsculo espaço de tempo que é a nossa vida, fará tudo o que for necessário para trazer valor eterno à nossa vida. Ele nunca traz algo à nossa vida a menos que isso acrescente um valor eterno tremendo, que supere em muito o sofrimento.

    Ele nunca corre riscos conosco e nunca nos dá uma provação desnecessária. Mas, meu querido amigo, nós causamos sofrimento desnecessário a nós mesmos. Discutimos com Ele, nos rebelamos, tentamos escolher o nosso próprio caminho, fazemos isto e aquilo. Quanto sofrimento trazemos sobre a nossa própria cabeça!

    Graças a Deus, mesmo assim Ele faz tudo resultar em bem, uma vez que nos arrependemos e voltamos para Ele.

    Os Materiais de Sião

    O que quero dizer é isto: podemos falar de Sião e continuar falando sem parar, mas onde essa Sião se torna realidade? Aqui embaixo, nesta terra — na esfera celestial, sim, mas na terra; no tempo, num lugar, na sua breve vida e na minha breve vida.

    Do que se trata tudo isso? Chegaremos a esse assunto em outra noite, mas tudo tem a ver com produzir materiais. Há apenas três materiais dos quais Sião é feita, e lemos sobre eles nos dois últimos capítulos de Apocalipse: ouro, pedras preciosas e pérola.

    Toda a obra do Espírito Santo é incorporar à nossa vida esses maravilhosos materiais, esses elementos constitutivos de Sião. Todos eles são Cristo — a vida e a natureza de Cristo. São nossos por meio da Sua obra consumada.

    A obra do Espírito Santo é incorporar esses materiais em nós, livrar-nos da madeira, do feno e da palha a que tanto nos apegamos e que tanto amamos, e substituí-los por ouro, pedras preciosas e pérola.

    Os Relacionamentos na Edificação de Sião

    Mas não se trata apenas de uma caminhada pessoal com Deus. Essa Sião é unida. É edificada, como diz Salmos 122:3, como uma cidade compacta, bem unida.

    É edificada em conjunto, unida numa unidade: pedras vivas edificadas com pedras vivas, bem ajustadas umas às outras.

    Devo acreditar que posso fazer parte dessa Sião quando vivi toda a minha vida em conflito com meus irmãos e irmãs aqui embaixo? Se vivo num estado permanente de divisão, sempre entrando em choque com meus irmãos e irmãs, sempre causando problemas, nunca aprendendo, nunca me sujeitando a ninguém?

    Não, amigo. Está escrito:

    Enchei-vos do Espírito;
    Falando uns aos outros em salmos, hinos e cânticos espirituais,
    Cantando e salmodiando de coração ao Senhor;
    Dando sempre graças por todas as coisas, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo,
    A Deus, o Pai;
    Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo.

    Em outras palavras, há algo aqui que diz respeito ao relacionamento de uns com os outros. Isso não significa que eu tenha um medo servil de você, e você tenha um medo servil de mim, com todos nós vivendo numa espécie de estado de inibição. Não.

    Significa que, de alguma maneira maravilhosa, você e eu precisamos descobrir o nosso relacionamento um com o outro. Precisamos aprender a andar juntos. Precisamos aprender a viver juntos. Precisamos aprender a trabalhar juntos. Precisamos aprender a complementar uns aos outros. Precisamos, de alguma forma, aprender a ser edificados juntos como a Sião de Deus aqui embaixo.

    A menos que você e eu encontremos esse fundamento do Senhor Jesus Cristo aqui na terra e, por Sua graça, permaneçamos juntos sobre esse fundamento, que esperança há de qualquer edificação de Sião?

    O Messias como o Edificador de Sião

    O tempo acabou. Agora, para encerrar, quero que vocês considerem quem é o edificador de Sião, porque nenhum de nós perseverará até o fim a menos que saiba quem é o Edificador.

    Graças a Deus, o Edificador é o Messias. Ouçam aquelas palavras maravilhosas que lemos em Isaías 61:1:

    O Espírito do Senhor Deus está sobre Mim;
    Porque o Senhor Me ungiu
    Para pregar boas-novas aos mansos.

    Creio que todos vocês sabem que essa é uma profecia messiânica. São as palavras do próprio Senhor Jesus. Ele disse que essas palavras se cumpriram quando falou na sinagoga de Nazaré:

    Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos.

    Mas ouçam isto:

    E edificarão as antigas ruínas,
    Levantarão as desolações de outrora
    E restaurarão as cidades arruinadas,
    As desolações de muitas gerações.

    Uma vez que o Senhor salva um povo, uma vez que faz algo na vida desse povo para Sua glória, então essas pessoas se tornam, com Ele, os edificadores de Sião. A consequência da Sua obra é edificação, restauração e conclusão.

    Alegro-me porque o Senhor Jesus disse a Pedro:

    Sobre esta pedra edificarei a Minha igreja;
    E as portas do Hades não prevalecerão contra ela.

    Há aqueles que parecem pensar que nosso Senhor disse — ou entendem que essa declaração do nosso Senhor significa —: “Sobre esta pedra edificarei a Minha igreja até meados do século XX. Então, quando vier a noite, desistirei”.

    Não encontro isso na Palavra de maneira alguma. O que encontro é isto: em meio a todas essas visões terríveis e impressionantes de dragões, serpentes, falsos cristos, anticristos, falsos profetas e grandes prisões de alcance mundial, ouço esta palavra:

    A noiva se preparou.

    Poderíamos pensar que deveria dizer: “Deus preparou a noiva”. Mas diz que a noiva se preparou:

    Regozijemo-nos e alegremo-nos sobremaneira,
    E demos-Lhe a glória:
    Porque são chegadas as bodas do Cordeiro,
    E a Sua esposa se preparou.

    Nessa mesma linha, o profeta Zacarias, falando sobre a conclusão do programa de edificação de Deus, disse:

    Não por força, nem por poder, mas pelo Meu Espírito,
    Diz o Senhor dos Exércitos.
    Quem és tu, ó grande monte?
    Diante de Zorobabel, tornar-te-ás uma planície;
    E ele trará a pedra de remate com aclamações de:
    Graça, graça a ela!

    A meu ver, isso parece significar que, na última etapa desta era, haverá tanta apostasia e tanto afastamento da fé, mas a graça de Deus será providenciada de tal maneira que qualquer pessoa que quiser poderá se apropriar dela e participar da conclusão do propósito de Deus.

    Graças a Deus, Deus disse a você e a mim — o Edificador, o Messias, nosso Senhor Jesus, disse:

    Sobre esta pedra edificarei a Minha igreja;
    E as portas do Hades não prevalecerão contra ela.

    Estou com Ele. Prefiro ficar do lado Dele a ficar do lado de qualquer outra pessoa.

    Se Ele disse que as portas do Hades não prevalecerão contra ela, então as portas do Hades não prevalecerão contra ela. Ele o disse. Temos a Sua autoridade para isso.

    Se o apóstolo João, naquela ilha solitária de Patmos, viu a noiva que se preparou, então, graças a Deus, temos motivo para nos alegrar. A noiva vai se preparar pela graça de Deus. Ele deu uma revelação ao Seu servo para o nosso consolo e encorajamento.

    O Amor pelas Pedras de Sião

    A outra coisa que quero deixar com vocês está em Salmos 102:13-16:

    Tu Te levantarás e terás misericórdia de Sião:
    Pois é tempo de Te compadeceres dela;
    Sim, o tempo determinado chegou.
    Porque os Teus servos se agradam das suas pedras
    E se compadecem do seu pó.
    Assim, as nações temerão o nome do Senhor,
    E todos os reis da terra, a Tua glória.
    Porque o Senhor edificou Sião;
    Apareceu na Sua glória.

    Você está entre aqueles que se agradam das suas pedras e se compadecem do seu pó?

    Você olha para todas as muitas divisões, heresias, misturas, falsificações e tantas outras coisas entre o povo de Deus e, de alguma forma, assume uma postura de superioridade e diz: “Não quero ter nada a ver com isso. Sou um vencedor. Sou um dos membros da elite. Sou um espírito superior”?

    Ou você olha para aquele pó e para aquelas pedras em ruínas com lágrimas, porque ama Sião? Talvez não ame aquilo que causou a ruína, mas ama aquelas pedras. Ama até mesmo o pó.

    Houve um antigo sábio judeu, Judá Halevi, considerado por alguns o maior de todos os poetas judeus do século XII. Ele foi a Jerusalém porque, de alguma maneira peculiar, via na cidade de Jerusalém, em toda a sua ruína, algum sinal de uma glória que ainda viria.

    Ao se aproximar de Jerusalém, ajoelhou-se no pó, do lado de fora da sua porta ocidental. Enquanto orava, um cavaleiro árabe passou por cima dele e o matou. Segundo conta a história, enquanto agonizava, amparado por dois amigos, ele recitou o poema que ele mesmo havia escrito:

    Oh, quem me dará asas de águia
    Para que eu possa vagar ao longe?
    E rasgarei meu coração em dois,
    Minhas ruínas estão dispersas.
    Até que eu misture ao teu pó
    As águas das minhas lágrimas.
    Não beijarei as tuas próprias pedras
    E amarei ternamente as tuas ruínas?
    Não terá a tua terra, sobre os meus lábios,
    Sabor mais doce do que o mel para mim?

    Esse era um poeta judeu morrendo com fé numa cidade terrena. Você tem essa fé na cidade eterna? O seu pó é algo precioso para você? Sião é algo tão precioso para você que traz lágrimas ao seu coração?

    Ou você olha para os seus irmãos e irmãs envolvidos em todo tipo de coisa com uma espécie de superioridade e um espírito de condenação? “O que estão fazendo ali? Nunca deveriam estar ali. Que tolos. São pobres, sem poder.”

    Não, amigos, eles são seus irmãos e irmãs. São as pedras vivas pelas quais Jesus deu o Seu sangue para redimi-las. Você os ama? Não existe outra Sião.

    O Tempo Determinado para Sião

    O tempo determinado chegou — sim, o tempo designado. É por isso que creio que o Espírito Santo foi derramado na última década: não apenas para reunir pessoas.

    Louvado seja Deus por qualquer experiência do Espírito Santo que nos leve à descoberta dessa Pessoa da Divindade. Mas o objetivo é que sejamos conduzidos, na etapa final desta era, ao lugar onde possamos vencer e ver a realização do propósito de Deus — a edificação de Sião, a conclusão de Sião.

    Que Deus grave isso a fogo em seu coração. Que esse amor por Sião, por ela ser a cidade do grande Rei, entre em seu coração, de modo que você nunca mais seja o mesmo.

    Você será um sionista espiritual, com uma chama nos olhos e uma chama no coração. Nunca mais descansará. Como Abraão, você viu a cidade que tem fundamentos, cujo Edificador e Arquiteto é Deus.

    Oração Final

    Vamos, então, orar.

    Ó Senhor, com toda a simplicidade, nós Te pedimos: escreve em nosso coração tudo o que veio de Ti nesta noite. Faz esse assunto de Sião penetrar em nós, Senhor — não como algo próprio de uma seita, não como algo sectário. Faz com que entre em nosso coração como verdade, verdade viva e libertadora.

    E pedimos, ó Senhor, que, a partir desta noite, tenhamos os caminhos para Sião em nosso coração de maneira mais clara do que nunca. Senhor, faz isso, nós Te pedimos, pelo Teu Espírito. Pedimos em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.