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    Lambert, Lance

    A oração coletiva: consulta ao Senhor, unidade e vontade de Deus

    Deixem-me ver novamente quantos de vocês não estavam conosco na primeira ocasião. Ah, sim, obrigado.

    Bem, então, para aqueles que estavam, espero que hoje avancemos para alguns assuntos novos; mas também retomaremos um pouco do que já vimos. Não direi exatamente o que disse antes, mas, de qualquer modo, vale a pena repetir. Toda essa questão da oração coletiva é provavelmente a questão mais vital na vida da igreja.

    Então, vamos inclinar a cabeça juntos em oração e pedir ao Senhor que realmente nos ajude?

    Ó Pai, nós oramos juntos para que Tu, Senhor, realmente Te encontres conosco nesta oficina sobre oração. Pai, não precisamos dizer a Ti como isso é importante.

    E, Senhor, sabemos que o Teu desejo é que aprendamos a orar. Por isso, Pai, pedimos a Ti que, por Tua graça, nos concedas revelação e sabedoria pelo Teu Espírito; que, Senhor, de alguma maneira, sejamos libertos de maus hábitos, de coisas que, de um modo ou de outro, incorporamos e que destroem a eficácia da oração.

    E, ao mesmo tempo, Senhor, que sejamos ensinados a orar. Pai, somente Tu podes fazer isso; pois, de outra forma, neste pouco tempo que temos nesta tarde, nada poderíamos fazer. Contudo, Tu podes usá-lo, Senhor: escreve de maneira indelével em nosso coração lições que serão colocadas em prática nos dias que virão.

    Pedimos isso em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.

    Agora, vocês conseguem me ouvir aí no fundo? Se conseguem, procurem ocupar estes lugares aqui, por favor, porque não queremos ter de forçar a voz o tempo todo. Obrigado.

    A importância da oração coletiva

    Estamos tratando não da oração particular ou pessoal, mas da oração coletiva. A razão é que, de modo geral, embora tenhamos problemas reais com a oração pessoal — pensamentos que se dispersam, encontrar tempo, ter disciplina e todas as muitas outras coisas envolvidas —, a maioria dos crentes sabe como orar pessoalmente.

    É quando chegamos à oração coletiva que encontramos a tragédia. Nessa questão da oração coletiva, são muito poucos os grupos de crentes que sabem orar juntos.

    Tenho dito muitas vezes — e creio de todo o coração que isso é verdade — que é na reunião de oração que se pode medir a temperatura da igreja em um instante. Você consegue perceber exatamente em que ponto um grupo está pelo seu tempo de oração.

    Você consegue perceber se são apenas indivíduos sem ligação uns com os outros; se são capazes de discernir a mente do Senhor; se são sensíveis ao Espírito; se sabem fluir juntos; se é simplesmente uma questão de discursar diante uns dos outros ou se realmente estão sob o governo do Cabeça, pelo Espírito.

    É nessa questão da oração coletiva que se alcança a verdadeira vida da igreja. Não há, na verdade, nada de surpreendente nisso, porque vocês sempre encontrarão progresso espiritual onde um grupo de crentes sabe orar — e sabe orar junto, sabe apegar-se ao Senhor em oração, sabe executar a vontade de Deus no lugar secreto da oração. Nesse grupo haverá o cumprimento do propósito de Deus.

    Isso é, na prática, aquilo que estávamos dizendo nesta manhã. É claro que o que eu dizia nesta manhã abrange muito mais do que apenas a oração, mas a oração é uma parte muito vital de o Senhor enviar de Sião o cetro da Sua força e de nosso Senhor dominar no meio dos Seus inimigos.

    É no lugar de oração que descobrimos a mente do Senhor, e é no lugar de oração que executamos a vontade de Deus antes que ela tenha uma manifestação propriamente física ou, se preferirem, exterior.

    As formas de oração

    Há uma ou duas coisas que eu gostaria de dizer logo de início. Se vocês abrirem em 1 Timóteo 2:1, o apóstolo Paulo diz, pelo Espírito:

    Exorto, pois, antes de tudo, que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que estão em posição de autoridade; para que levemos uma vida tranquila e sossegada, em toda piedade e dignidade.

    Não vou ler mais, mas, se quiserem, vocês podem continuar até 1 Timóteo 2:8:

    Quero, pois, que os homens orem em todo lugar, levantando mãos santas, sem ira e sem contendas.

    O que quero mostrar é que temos aqui quatro tipos de oração: súplica, oração, intercessão e ação de graças.

    A súplica como consulta ao Senhor

    A súplica é, na verdade, um apelo insistente ao Senhor. É uma palavra grega usada para uma petição fervorosa, e traz em si a ideia de suplicar a um rei — de apelar a um rei. A ideia contida nela é que estamos consultando a Ele. Estamos apelando a Ele para saber o que fazer e se Ele não fará algo a respeito.

    Isso é muito importante, porque é um elo que está faltando na oração. As pessoas oram sem consultar o Senhor. Vocês entendem o que estou tentando dizer?

    Por exemplo, temos o caso de alguém que está doente. Em vez de perguntar ao Senhor: “Qual é a Tua vontade a respeito desta pessoa?”, damos como certo que ela não será curada e, portanto, pedimos graça para ela; ou damos como certo, com base em determinadas passagens das Escrituras, que ela será curada e dizemos: “Senhor, Tu tens de curá-la segundo a Tua Palavra”.

    Não consultamos o Senhor.

    Às vezes, temos uma situação diante da igreja. Não sabemos o que fazer a respeito, mas simplesmente começamos a orar e ficamos tentando de tudo, sem rumo. Isso se torna uma questão de dar opiniões. Diferentes pessoas, em vez de falar verticalmente ao Senhor, transmitem horizontalmente o que pensam sobre determinada situação.

    Estamos informando uns aos outros o que achamos que é a solução para aquela situação. Estamos pregando uns para os outros, tentando influenciar uns aos outros. Mais uma vez, não consultamos o Senhor.

    Normalmente, há tantas opiniões quanto pessoas — muitos pontos de vista diferentes, com todo tipo de variação. Mas, se conseguíssemos colocar na cabeça que a primeira e principal coisa na oração coletiva é consultar o Senhor, então parece que todos seriam capazes de deixar de lado a própria opinião e o próprio ponto de vista e realmente se abrir ao Senhor, para que Ele revele qual é a Sua mente.

    A oração como relacionamento de mão dupla

    Creio que provavelmente já contei isso a vocês: às vezes, as pessoas perguntam: “Você é carismático?”. Eu sempre digo: “O que você quer dizer? Quer dizer um pneumatista?”.

    Em 1 Coríntios 12:1, na expressão “Ora, quanto aos dons espirituais”, a palavra é pneumatikos. Eu diria que, na verdade, um carismático deveria ser chamado de pneumatista. Isso chega mais perto da questão.

    Mas um carismático é alguém que está vivo para Deus.

    Porque o salário do pecado é a morte; mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.

    A característica do verdadeiro carismático é que ele ou ela não apenas espera falar com Deus, mas espera ouvir Deus.

    Em outras palavras, quando vocês têm um grupo que não fica apenas dizendo ao Senhor o que fazer, ou sempre pedindo ao Senhor que faça alguma coisa, mas que realmente espera que Ele lhes responda, então a oração se torna uma via de mão dupla.

    Esperamos descobrir a mente do Senhor na reunião de oração. Esperamos ouvir o que o Senhor quer que façamos. Esperamos ser orientados quanto à maneira pela qual devemos orar. A reunião de oração deixa de ser uma via de mão única e se transforma em algo de mão dupla.

    Isso se torna muito empolgante, porque Deus está nos dirigindo. Às vezes, em nosso coração, simplesmente temos uma percepção: é isto que Ele quer. Alguém começa a orar nessa direção, e todos nós temos a confirmação disso. Ouvem-se améns por toda parte, e, dali em diante, estamos bem no alvo.

    Não queremos orações longas; queremos orações curtas. O que o Espírito Santo quer usar é a sua boca por alguns minutos — às vezes, menos do que isso. Mas é pela boca de duas ou três testemunhas que uma coisa é estabelecida.

    Por que essa questão da súplica é tão importante? Porque, repetidas vezes, acontecem tragédias entre o povo de Deus por não consultarmos o Senhor. Em vez disso, simplesmente fazemos o que pensamos ser a resposta bíblica ou tentamos impor a nossa concepção da verdade.

    Uma ilustração da consulta ao Senhor em oração

    Talvez eu já tenha usado esta ilustração com alguns de vocês. Algum tempo atrás, recebemos um telefonema, e perguntaram aos presbíteros: “Vocês acham que poderiam atender esta pobre irmã que está hospedada comigo?”. Quem telefonou era uma irmã do nosso grupo. A senhora disse: “Ela não mora aqui. Veio da Escócia e está passando por uma necessidade muito grande”.

    Dissemos: “Bem, está certo. Você gostaria de trazê-la aqui?”. Essa irmã mais velha a trouxe.

    Bem, para encurtar a história, essa irmã começou a nos contar como vinha servindo ao Senhor. Era uma querida irmã jovem, com cerca de vinte e quatro ou vinte e cinco anos. Ela disse: “Sabem, eu sirvo ao Senhor nos bairros mais pobres de Glasgow”.

    Os bairros mais pobres de Glasgow estão entre os piores lugares que se podem encontrar na terra. Ela disse: “Para me aproximar das pessoas, passei a morar, nos últimos três anos, nesses próprios bairros, em um apartamento terrível, bem no meio de tudo aquilo”.

    Ela havia conseguido levar outras pessoas ao Senhor e assim por diante. Mas disse: “Nos últimos dois anos, perdi tudo. Perdi a minha alegria, a alegria da minha salvação. Não consigo ler a Bíblia. Eu a leio, mas não recebo nada dela. Quando oro, sinto um peso tão grande. Não sinto que isso tenha significado algum. Vou às reuniões e me sinto morta do começo ao fim”.

    Ela disse: “Vocês acham que, de alguma maneira, estou possuída?”.

    Bem, nós, os irmãos, fizemos várias perguntas a ela. Ela disse: “Não consigo identificar nada em que eu saiba ter desobedecido ao Senhor ou me afastado Dele”. Então dissemos: “Bem, nesse caso, vamos orar”.

    Ela estava bastante certa de que se tratava de um espírito. Ajoelhamo-nos para orar e, quando começamos a orar, começamos a consultar o Senhor.

    Íamos perguntar: “Senhor, qual é a raiz? Há uma raiz por trás das circunstâncias da nossa irmã, sem dúvida. Qual é essa raiz? Quando soubermos qual é a raiz, saberemos o que fazer”.

    Já estávamos orando havia algum tempo quando, de repente, me veio algo a respeito dos óculos dela — do fato de ela estar usando óculos. As lentes eram coloridas; não eram óculos de sol, creio eu, mas tinham uma espécie de tonalidade azulada.

    Então, de repente, interrompi a oração e disse: “Irmã, você se importa se eu perguntar por que usa esses óculos? Acho que eles deixariam qualquer pessoa deprimida”.

    Vejam, ela havia dito que sofria de uma depressão terrível havia dois anos.

    Ela disse: “Bem, na verdade, fui ao óptico, e ele me disse que eles me ajudariam muito”. Então eu disse: “Bem, será que você não deveria tirá-los? Se, na verdade, não estão ajudando, talvez estejam deixando você deprimida”.

    “Bem, se o Senhor quiser, eu tiro.”

    Então eu disse: “Bem, continue perguntando ao Senhor.” E continuamos orando.

    Depois de algum tempo, chegamos ao momento de orar com ela. Estávamos prestes a orar para que a influência do inimigo sobre a vida dessa irmã fosse quebrada em nome do Senhor. Mas outro irmão disse: “Espere um pouco. Antes de fazermos isso, sinto que há alguma coisa na sua casa. Talvez tenha a ver com água”.

    Ela olhou para ele, assim como eu, como se ele estivesse louco. “Não.”

    Então oramos pela irmã. Cortamos a ação do inimigo em nome do Senhor. Declaramos que ela era uma filha de Deus redimida; que era membro do corpo de Cristo; que vinha servindo ao Senhor; que havia entrado naquelas circunstâncias pela vontade de Deus. Portanto, nós a apresentamos ao Senhor.

    Ela se sentiu tremendamente encorajada. Foi embora. No dia seguinte, recebemos um telefonema dizendo que ela estava muito mais feliz e se sentindo muito melhor.

    Mas ela se lembrou do que o irmão havia dito.

    Quando voltou a Glasgow, em poucos dias a depressão retornou. Então, no meio da noite, ela se lembrou do que o irmão havia dito.

    Ela era técnica de laboratório, então levou uma pequena amostra da água para análise. Para horror deles, descobriram que a água tinha um teor muito alto de chumbo. Os canos eram muito antigos.

    Ela estava ali havia dois anos e meio e estava sendo envenenada aos poucos. O resultado era uma depressão constante havia um ano ou mais.

    Naturalmente, ela havia pensado que aquilo era espiritual. Isso afetava tudo: sua leitura, sua vida, seu testemunho — tudo.

    Agora, vocês percebem a necessidade de consultar o Senhor? Suponham que tivéssemos simplesmente dito: “É um espírito. Saia, saia, em nome do Senhor!”. Ela teria se sentido muito melhor e dito: “Ah, obrigado, Senhor, fui liberta”. Teria voltado a Glasgow e, em poucos dias, aquilo teria retornado.

    Então ela talvez tivesse voltado e dito: “Ah, irmão, aquilo voltou. Você pode expulsá-lo?”. Ou talvez tivesse procurado outra pessoa que ministrasse libertação e dito: “Por favor, faça alguma coisa por mim. Aquilo voltou”. Fico pensando se ela poderia até ter chegado ao suicídio, achando que, de alguma maneira, ninguém chegava à raiz do problema, quando, na verdade, era o inimigo usando uma coisa física.

    Somente a consulta ao Senhor pode nos levar à raiz. É por isso que é tão insensato dizer que toda doença é igual ou que todo caso de perturbação mental é igual. Somente o Espírito de Deus sabe exatamente o que está na raiz. Ele é capaz de nos dar essa palavra de conhecimento, essa palavra de sabedoria, essa compreensão de uma situação.

    Nessa questão de consultar o Senhor, devemos sempre ter o cuidado de não nos basearmos apenas na palavra de uma pessoa, mas na palavra de uma pessoa confirmada por outras. Vocês entendem?

    Uso isso apenas como ilustração. Não penso que devamos fazer isso somente em casos de doença ou depressão espiritual. Isso abrange tudo.

    Quando temos um problema, às vezes um peso em nossas reuniões, devemos consultar o Senhor: “Por que temos essa apatia, esse peso, nesta reunião? Por que, com todo o nosso desejo de servir ao Senhor, não estamos vendo ninguém ser salvo?”.

    Às vezes, precisamos perguntar ao Senhor. Às vezes, isso não tem a ver conosco, nem com a maneira como estamos fazendo as coisas, nem mesmo com as pessoas que vêm às reuniões. Trata-se do fato de que o inimigo tomou posição e disse: “Isto não avançará mais”.

    Quando consultamos o Senhor e o Senhor diz: “O inimigo está bloqueando vocês; o inimigo está cercando vocês”, sabemos o que fazer, não sabemos? Espero que sim.

    O inimigo pode bloquear o Senhor Jesus? Ele não pode ser bloqueado. Não se pode sitiar o Senhor Jesus. Ele está à direita do Pai, e qualquer coisa que Ele queira fazer em Richmond pode ser feita e será feita.

    Terminamos louvando ao Senhor: “Isso será feito”. Assim como aqueles homens, quando olharam do alto das muralhas no dia seguinte, viram que o inimigo havia ido embora, porque o Senhor sempre prepara uma emboscada.

    Essa é a importância de consultar o Senhor.

    Petição, intercessão e ação de graças

    Depois temos a palavra oração, que é a palavra habitual para oração nas Escrituras: petição. Isso é muito importante. Nosso Senhor diz:

    Não tendes, porque não pedis.

    Temos de pedir, e não creio que isso precise de muita explicação.

    Depois temos a palavra intercessão, que é a dimensão mais profunda da oração. A intercessão é muito mais do que palavras. A intercessão exige o seu corpo. A intercessão exige o seu espírito, a sua alma e o seu corpo. Exige todo o seu ser.

    Não se trata apenas de ir a uma reunião e pronunciar algumas palavras, dizendo: “Ó Senhor, por favor, salva fulano”, e pensar: “Agora, isso é intercessão”. A intercessão é um trabalho de parto no seu espírito. É concebida pelo Espírito Santo dentro de você. É um encargo interior, uma angústia interior, uma agonia interior — inexprimível.

    Quando você de fato ora, a parte audível é apenas um pequeno fragmento do verdadeiro nascimento, de algo que está encerrado lá dentro. Isso é intercessão e, infelizmente, é uma das coisas mais raras entre o povo de Deus hoje.

    Ah, isso é algo de que todos nós precisamos, e precisamos desesperadamente: conhecer a verdadeira intercessão. Mas, para isso, precisamos ter certa maturidade espiritual. Não tenhamos medo dessa questão. Todos podemos começar a trilhar esse caminho dizendo: “Senhor, queremos ser intercessores. Conduze-nos pelo caminho que nos dará a capacidade espiritual pela qual Tu poderás fazer de nós intercessores”.

    Depois temos a expressão ação de graças, que é o ato de dar graças. Ela abrange todo esse campo, não apenas agradecer ao Senhor pelo que Ele nos deu, pelo que Ele fez e pelas respostas à oração.

    Algumas pessoas pensam em ação de graças apenas como agradecer pelas respostas à oração, mas essa é a menor parte de todas.

    A ação de graças inclui agradecer ao Senhor pelo que Ele é. Inclui adoração. Inclui louvor. É um elemento vital na oração coletiva: adorar ao Senhor não apenas pelo que Ele fez e pelas respostas que deu às orações, mas pelo que Ele é — esquecer-nos de nós mesmos e louvar ao Senhor.

    O louvor para além dos sentimentos pessoais

    Algumas pessoas dizem: “Não consigo louvar ao Senhor porque estou me sentindo mal. De alguma maneira, sinto que hoje estou esgotado ou amargurado”. Então o diabo vem e diz: “Não vá louvar ao Senhor. Você é um hipócrita. Já há hipócritas suficientes na igreja sem você”.

    Então dizemos: “Ah, sim, sim, preciso ser autêntico. Preciso ser autêntico”.

    O que eu estava dizendo mesmo? Sim, isso mesmo. O diabo vem e diz: “Não, você precisa ser autêntico. Precisa ser autêntico. Não adianta você louvar ao Senhor hoje. Você acordou com o pé esquerdo. Comeu alguma coisa tarde ontem à noite, e aquilo não lhe caiu bem. Está se sentindo muito mal, então não louve ao Senhor”.

    É impressionante. Você pode ter um grupo inteiro — quarenta, cinquenta, às vezes cem pessoas — e, sem que uma saiba da outra, todas estão com a mesma queixa.

    Então, quando vamos louvar ao Senhor, todas as bocas estão fechadas, porque o diabo passou por todos dizendo: “Não vá louvar ao Senhor. Já há hipócritas suficientes aqui sem você. Você não quer ser falso, quer? Só louve mais quando estiver se sentindo bem”.

    Isso é uma tragédia, porque, quer eu me sinta bem ou mal, o Senhor continua reinando. Quer eu me sinta bem ou mal, o reino de Deus continua existindo. Quer eu me sinta bem ou mal, a Sua verdade permanece para sempre. Há mil e uma coisas que continuam iguais, apesar de eu ter acordado com o pé esquerdo. O céu não abdicou.

    Mas somos tão centrados em nós mesmos que, de alguma maneira, sentimos que, se não estivermos nos sentindo bem, não podemos louvar ao Senhor. Vamos começar a encontrar uma série de coisas pelas quais podemos louvar ao Senhor e que não têm nada a ver conosco.

    Posso abrir a boca, mesmo me sentindo péssimo, e dizer: “Ó Senhor, obrigado, Tu estás no trono. Obrigado, Senhor, Tu estás reinando. Obrigado, Senhor, a Tua verdade permanece para sempre”.

    Há mil e uma coisas pelas quais podemos louvar ao Senhor. Quando você começa a aprender o segredo da verdadeira adoração, o diabo deixa de fazer você se sentir tão mal.

    É uma coisa muito simples em relação ao inimigo: o seu louvor tem mais valor para o Senhor quando você se sente mal do que quando se sente bem, e ele sabe disso. Portanto, ele não vai ajudar o Senhor nessa questão.

    O propósito da oração coletiva

    Gostaria de dizer algumas outras coisas sobre essa questão do propósito da oração. Qual é o propósito da oração coletiva?

    O propósito da oração coletiva é que, juntos, como povo de Deus, nos apeguemos ao Senhor.

    Juntos, como povo de Deus, devemos entrar na presença de Deus e cuidar para que a vontade de Deus seja feita na terra como é feita no céu.

    Nosso Senhor nos ensinou a orar estas palavras:

    Venha o Teu reino. Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu.

    Isso não significa no milênio ou na eternidade futura. Significa agora: “Venha o Teu reino onde estamos. Que o trono de Deus venha a esta situação. Que o trono de Deus reine nesta localidade. Que o trono de Deus toque as dificuldades e os problemas que estamos enfrentando. Que a Tua vontade seja feita aqui, agora, assim na terra como no céu”.

    Parece-me que isso é muito, muito importante. Abrange todas as questões: grandes ou pequenas, coletivas, pessoais, universais, locais. Estamos em terreno muito seguro quando oramos: “Venha o Teu reino”, e quando oramos para que a vontade de Deus seja feita assim na terra como no céu.

    É claro que estou falando de maneira geral. Descobrir em detalhes qual é a vontade de Deus faz parte do trabalho de uma igreja local. Trata-se de conhecer a vontade de Deus e então realizá-la — não ficar apenas rodeando o assunto, mas agir e cuidar para que ela seja feita.

    A oração coletiva é o exercício prático da autoridade de Cristo como Cabeça. Em outras palavras, é a autoridade do Cristo ressurreto, que ascendeu e foi glorificado, sendo exercida pelo corpo. Isso é maravilhoso, não é?

    A participação sob o governo do Espírito

    O propósito da oração coletiva deve determinar o seu alcance. Um tempo de oração coletiva não é simplesmente um tempo em que todos têm de participar.

    Há uma ideia que temos: “Bem, temos um tempo de oração coletiva. Todos devem participar”.

    A questão da oração coletiva é que todos podem participar, mas nem todos têm de participar. É uma questão do governo do Espírito Santo.

    Não chego simplesmente dizendo: “Agora estou aqui e vou participar”. Entro nesse tempo e digo: “Senhor, aqui estou. Estou disponível. Estou aberto”.

    Cada um de nós deveria estar assim quando chega a um tempo de oração coletiva: “Senhor, aqui estou. Estou pronto para ser conduzido por Ti. Quero ser usado por Ti”.

    Às vezes, o Senhor pode levar uma pessoa a orar três ou quatro vezes — sem se alongar muito — e pode não usar você naquela ocasião. Mas, no que nos diz respeito, a boca daquela pessoa é a minha boca. Vocês entendem? Quando ela está orando, está orando por mim. Não sou parte do corpo? Ela não está falando pelo corpo?

    É por isso que precisamos usar nós e nosso na oração. Nosso Senhor nos ensinou a orar:

    Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o Teu nome. Venha o Teu reino. Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também temos perdoado aos nossos devedores. E não nos conduzas à tentação, mas livra-nos do mal.

    É impressionante como toda essa ideia de oração coletiva parece desaparecer. Vocês ouvem todos dizendo: “Senhor, eu Te agradeço tanto pelo que Tu és. Ó Senhor, quero pedir a Ti que faças isto, isto e isto”. Eu me sinto excluído. Eu me sinto sozinho.

    Bem, é por isso que estou aqui. Vocês não se sentem assim? Quero dizer, se vocês têm algum sentimento!

    É claro que pode haver algo que eu sinta pessoalmente e que os outros talvez não compartilhem. Então usamos “eu”.

    Às vezes, ouço pessoas dizerem: “Ó Senhor, estamos todos tão mortos. Todos perdemos a comunhão Contigo”. Então você se sente muito desconfortável. Espero que não seja justiça própria da nossa parte quando ouvimos isso, mas dizemos: “O fato é que eu não me sinto assim”.

    Se ele dissesse: “Senhor, eu me sinto tão morto. Encontra-Te comigo, Senhor, neste tempo de oração, por favor”, isso seria um clamor do coração, e todos nós poderíamos orar: “Amém”.

    Mas, quando somos chamados a orar por determinadas questões que são encargos reais, ao orar você está nos conduzindo em oração. Não pense que está sendo arrogante ou presunçoso.

    Você pode dizer: “Senhor, agora nós Te pedimos pela Indonésia. Chegamos a Ti com toda esta necessidade nesta parte do mundo. Senhor, faz alguma coisa ali. Oramos pelo Teu povo na Indonésia”.

    Você está orando por nós. Quando diz “nós”, isso está perfeitamente certo. Você está nos conduzindo em oração.

    Se vocês examinarem todos os exemplos de oração coletiva na Bíblia, encontrarão sempre “nós” e “nosso”. Isso é muito importante.

    Todos podem participar, mas o objetivo que governa todo esse tempo é resolver as questões e realizá-las em união com o Cabeça. Não é simplesmente um espaço sem direção no qual todos têm de participar, devem participar e se sentirão melhor depois de participar.

    Nosso Senhor tem um propósito para esse tempo de oração coletiva, e precisamos estar em união com Ele pelo Espírito e fluir com Ele. É como o maestro: no momento em que ele aponta a batuta em nossa direção, participamos; e, quando ele passa adiante, fechamos a boca.

    Vejam, algumas pessoas, depois de abrir a boca, por causa do nervosismo não conseguem fechá-la. Finalmente conseguiram chegar àquele ponto e abrir a boca, então estão orando pela Indonésia. Depois dizem: “Agora que comecei, posso muito bem orar por tudo. Vou percorrer esta lista inteira de compras”.

    Vocês conhecem esse tipo de coisa: a oração que começa em vida e termina em morte. Quando a pessoa finalmente termina, a maioria de nós está dizendo: “Ó Senhor, ajuda-o a fechar a boca”.

    Isso não é realmente oração.

    Para enfatizar novamente esta questão: o ponto absolutamente vital, a necessidade estratégica na oração coletiva, é que todos nós reconheçamos e experimentemos a autoridade de Cristo como Cabeça, pelo Espírito.

    O mais jovem entre nós pode aprender a fazer isso. A oração coletiva é o melhor lugar para aprender a reconhecer a autoridade de Cristo como Cabeça, pelo Espírito. Isso será de grande ajuda mais adiante, porque, nas outras reuniões, você começa a distinguir o que é bom e o que não é bom, a rejeitar o que não é do Senhor e a aceitar o que é do Senhor.

    O encargo de oração tem de vir do trono de Deus pelo Espírito. Portanto, é o Espírito Santo Quem deve ser, na prática, o Líder e Aquele que nos capacita nesse tempo.

    A natureza da oração coletiva

    E quanto à natureza da oração coletiva? Tratamos disso na primeira sessão. Se vocês abrirem em Mateus 18:19-20:

    Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por Meu Pai, que está nos céus. Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, ali estou Eu no meio deles.

    A natureza da oração coletiva é estarmos juntos no Senhor. É simples assim. A oração particular é orar sozinho; a oração coletiva é orar juntos.

    A chave da oração coletiva é que, enquanto na oração particular tratamos de uma questão após outra conforme o Senhor nos conduz, na oração coletiva tratamos de uma questão após outra — mas coletivamente.

    Em vez de vinte pessoas, cada uma tratando de cinco assuntos.

    Essa é a tragédia da reunião de oração. Normalmente, há uma pessoa aqui orando por quatro coisas; uma pessoa ali orando por cinco; outra orando por sete; uma pessoa aqui, graças a Deus, orando por uma; uma pessoa lá orando por oito. Não sabemos onde estamos.

    Não teria sido melhor todos nós termos ido para os nossos quartos, nos ajoelhado e orado? É claro que sim. É simplesmente uma perda de tempo, porque estamos todos sentados juntos ouvindo pessoas orarem como se não houvesse mais ninguém presente.

    Isso não é oração coletiva.

    A oração coletiva consiste em sermos colocados em sinfonia, ou harmonizados, pelo Espírito de Deus. Vocês ouviram isso?

    A concordância mediante a presença de Cristo

    Há uma ideia a respeito dessa questão de concordar. Sem dúvida, vocês já a ouviram muitas vezes. As pessoas dizem: “Há alguém aqui que concorda comigo nessa questão?”. Alguém levanta a mão. “Ah, ótimo. Agora podemos conseguir o que planejamos.”

    Não estou dizendo que isso seja falso todas as vezes, mas, com muita frequência, a ideia é esta: se três ou quatro pessoas combinarem de concordar sobre determinada questão, poderão torcer o braço de Deus e conseguir que Ele faça aquilo que, basicamente, não quer fazer.

    Por exemplo, posso conseguir um Rolls-Royce de Deus esta noite dizendo: “Há alguém aqui que concorde comigo — que aceite concordar comigo — que eu devo ter um Rolls-Royce?”. Duas ou três pessoas levantam a mão, e eu digo: “Bem, vou deixar vocês usarem o carro”.

    Então vocês dizem: “Certo, obrigado. Agora vamos combinar de concordar. E então vamos a Deus”.

    A questão é que Deus não quer me dar um Rolls-Royce, mas agora podemos torcer o braço Dele. “Não, nós estamos de acordo. Nós quatro, nós cinco, concordamos que Lawrence deve ter um Rolls-Royce. Tu não podes nos negar isso, porque a Tua Palavra diz:”

    Se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa…

    Qualquer coisa.

    Não, a questão é que eu não vou conseguir o meu Rolls-Royce, e todos nós ficaremos muito decepcionados com a Palavra de Deus. Mas isso acontece porque não entendemos a Palavra de Deus.

    As pessoas tomam estas palavras:

    Se pedirdes qualquer coisa em Meu nome, Eu vo-la darei.

    Mas Ele disse:

    Permanecei em Mim, e pedireis o que quiserdes, e vos será feito.

    Permanecer Nele é a chave. Se estou Nele, percebo em meu espírito se posso pedir isso ou não.

    Há coisas que não posso pedir. Há coisas que posso pedir. À medida que permaneço no Senhor, sei o que posso pedir e o que não posso pedir.

    Nessa questão de concordar, a chave é o segundo versículo — Mateus 18:20. Vocês perceberam?

    Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, ali estou Eu no meio deles.

    A segunda frase qualifica a primeira. A concordância vem do Cristo ressurreto no meio de nós, e isso é conhecido pelo Espírito de Deus.

    É porque o Senhor está em nosso meio. Nós nos reunimos em Seu nome. Somos o Seu corpo. Estamos em união com Ele, fluindo juntos. Porque Ele está em nosso meio pelo Seu Espírito, Ele é capaz de nos fazer concordar.

    Ele é capaz de nos colocar em sinfonia. Essa é a palavra grega da qual vem a nossa palavra sinfonia. Ele pode nos colocar em sinfonia; Ele pode nos harmonizar; Ele pode fazer com que estejamos juntos.

    O que acontece quando oramos? Alguém começa a orar por uma questão, e sentimos: “Sim, é isso mesmo”. Outra pessoa retoma o assunto: “Amém”. Outra pessoa o retoma: “Amém”. Então outra pessoa ora por uma questão diferente, e imediatamente, no seu coração, você sabe que aquilo está certo.

    É como se houvesse determinados pontos de vida. Vocês já tiveram essa experiência? Ah, bem, fico feliz por estar falando com pessoas que têm alguma experiência. Caso contrário, as pessoas apenas olham para você e pensam: “Bem, do que ele está falando?”.

    Você conseguiria descrever uma cor para alguém que nunca a viu? Mas, quando você já teve essa experiência, é tão maravilhoso, porque isso é uma evidência de que estamos na verdade.

    É a evidência mais graciosa da realidade das coisas espirituais: alguém pode estar orando por algo muito necessário, muito legítimo, muito real, e, ainda assim, você não tem essa unção. Então, de repente, alguém ora, e você sente como se fosse explodir. É como se um fogo começasse a arder dentro de você. Você sente um mover no coração.

    À medida que você anda com o Senhor, deve conhecer isso nos tempos de oração. É o Espírito Santo testificando com o seu espírito que aquela outra questão está bem no alvo. Então você precisa abrir a boca.

    Você pode dizer: “Mas o irmão fulano já orou por isso. Certamente isso é tudo o que se exige”. Ah, não. A Palavra diz:

    Pela boca de duas ou três testemunhas, toda palavra será estabelecida.

    Não se trata de arrancar do Senhor aquilo que Ele não quer fazer. Trata-se de realizar aquilo que o Senhor quer fazer.

    Vocês entendem isso a respeito da oração coletiva? Não estamos encurralando o Senhor e torcendo o braço Dele, fazendo com que Ele salve pessoas que não quer salvar, edifique a igreja quando não quer edificá-la ou abençoe os Seus quando não quer abençoá-los.

    Esta é a ideia que temos: se conseguirmos concordar, poderemos encurralar o Senhor e obrigá-Lo a fazer o que não quer fazer. Basicamente, o Senhor é muito preguiçoso. Ele não quer edificar a Sua igreja. Ele não quer abençoar Richmond, na Virgínia. Ele não quer fazer isto e aquilo nos Estados Unidos. Ele demora a agir, e nós temos de dar energia a Ele.

    De alguma maneira, temos de importuná-Lo de tal modo que Ele seja obrigado a fazer aquilo. Sei que nosso Senhor contou a história da viúva insistente, mas o ponto daquela história não era que o Pai é como aquele juiz perverso. Vocês realmente conseguem acreditar que o Pai era assim?

    Ele contou a história porque os homens devem sempre perseverar em oração e não desanimar. Algumas pessoas pensam que, depois que você ora por uma questão, pronto: está feito.

    A perseverança sem a absolutização dos métodos

    Na primeira vez que Israel atravessou o rio Jordão, bastou colocar os pés na água, e as águas se acumularam junto à cidade de Adã. Eles atravessaram imediatamente. Mas teriam cometido um grande erro se tivessem feito o que tantos de nós fazemos hoje: depois que temos um método que funciona, nós o usamos até esgotá-lo.

    Então chegam a Jericó: um estalo, e as muralhas caem. Depois chegam à próxima cidade, e as muralhas não caem. O povo não está cooperando muito bem!

    Mas, naquela ocasião, foi o Senhor Quem disse: “Coloquem a planta dos pés”; desta vez, porém, uma vez por dia durante seis dias e, no sétimo dia, sete vezes.

    É por isso que é tão perigoso transformar qualquer método na solução definitiva para tudo.

    O princípio é a planta dos pés: vocês precisam tomar posse. Às vezes, fazem isso instantaneamente, e está feito; outras vezes, leva sete dias; e alguns de vocês sabem que leva sete anos. Para conquistar Jerusalém, foram necessários quatrocentos anos.

    Portanto, meus queridos amigos, temos de perseverar. Mas a coisa maravilhosa é esta: você e eu podemos aprender que a oração coletiva não é conseguir que o Senhor faça o que não quer fazer; a oração coletiva é realizar aquilo que o Senhor quer fazer.

    Em outras palavras, quando sabemos que o Senhor quer fazer isto, isto e isto em Richmond, na Virgínia, estamos em terreno seguro. Agora podemos chegar ao Senhor e dizer: “Deus, sê conosco nesta questão. Queremos ver isso realizado”.

    Daniel e a oração para o cumprimento da vontade de Deus

    Alguns de vocês me dirão imediatamente: “Não sei; realmente não consigo acompanhar você nessa questão”. Deixem-me dar um exemplo: Daniel 9.

    No primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, entendi pelos livros o número de anos de que falara o Senhor ao profeta Jeremias, para que se cumprissem as desolações de Jerusalém: setenta anos. E voltei o meu rosto ao Senhor Deus, para O buscar com oração e súplicas, com jejum, pano de saco e cinzas. E orei ao Senhor, meu Deus, e fiz confissão.

    Afinal, o que Daniel está fazendo? Ele descobriu que Deus havia dito, algum tempo antes, por meio do profeta Jeremias, que haveria setenta anos de cativeiro.

    Deve ter sido o Espírito do Senhor Quem revelou a Daniel que aqueles setenta anos estavam prestes a se cumprir, porque até os estudiosos da Bíblia têm tido grandes dificuldades com isso. Na verdade, eles ficaram apenas cinquenta anos no cativeiro, e alguns estudiosos modernistas da Bíblia dizem: “Bem, é claro que vocês não devem considerar a Palavra de Deus inerrante. Quando Deus diz setenta anos, provavelmente quer dizer… bem, às vezes Ele não quer dizer setenta”.

    Mas, quando Deus disse setenta anos, Ele quis dizer setenta anos, porque o cativeiro começou com o cativeiro do rei Joaquim. Somente o Espírito de Deus poderia ter revelado isso a Daniel, porque, de outra forma, ele teria errado por vinte anos.

    Quando Daniel começou a orar, já tinha noventa anos. Ergam a cabeça, vocês de cabelos brancos: noventa anos! Ele começou o seu tremendo ministério de oração e os trouxe de volta a Jerusalém.

    Mas vocês precisam fazer imediatamente esta pergunta: por que Daniel estava orando por algo que Deus havia dito que aconteceria de qualquer maneira? Nós não oramos por aquilo que sabemos. Se sabemos que o Senhor Jesus voltará, não oramos para que Ele volte. Sabemos que Ele voltará.

    Se sabemos que Deus enviará avivamento a Richmond, não oramos por avivamento em Richmond. Dizemos: “Louvado seja o Senhor”.

    Em outras palavras, quando descobrimos qual é a vontade de Deus, paramos de orar e começamos a louvar. Dizemos: “Isso é fé”.

    Daniel, porém, descobriu um segredo: depois que descobriu qual era a vontade de Deus, soube que era necessário orar para que ela se concretizasse.

    Se vocês examinarem com muita atenção o livro de Daniel, verão que ele está dividido exatamente ao meio: os primeiros seis capítulos são história; os últimos seis capítulos são visões.

    O interessante é que, se vocês compararem Daniel 6 com Daniel 9, descobrirão que se trata do mesmo ano e do mesmo reinado do rei Dario. O que descobrimos em Daniel 6? Esse é o capítulo em que Daniel foi lançado na cova dos leões.

    Os poderes das trevas ficaram tão amedrontados com o ministério de Daniel que levaram homens a ir ao rei e dizer: “Ó rei, tu és tão maravilhoso. Nunca houve, em toda a história, um império como o teu. Tu conheces a lei dos medos e persas, que não se altera. Redigimos aqui uma lei que julgamos muito boa”.

    “Tu sabes toda aquela conversa vazia que as pessoas estão sempre dirigindo aos ídolos por toda parte. Declaramos neste decreto que ninguém deve orar a deus algum, a não ser a ti, majestade.”

    O velho rei disse: “Isso me parece muito bom”.

    O inferno sabia que tinha Daniel nas mãos, porque Daniel era o favorito do rei. O rei não fazia ideia do que havia assinado. Mas aqueles homens maus foram se esconder em algum lugar abaixo daquela janela, para ouvir Daniel.

    As folhas da janela se abriram e, de repente, Daniel começou a orar voltado para Jerusalém, exatamente na hora de costume. Aqueles homens correram de volta ao rei e disseram: “Ó rei, vive para sempre. O teu servo Daniel, a quem tanto honras, está orando ao Deus vivo”.

    O rei sabia que o destino de Daniel estava selado. Então a agitação, se posso falar assim, passou da terra para o céu. Deve ter havido uma batalha tão grande no céu — anjos baixando as asas e dizendo: “O que Tu vais fazer? O que vai acontecer?”.

    E o Senhor disse: “Devo fazer cair fogo sobre os leões?”. Então o Senhor disse: “De maneira nenhuma. Há apenas uma pessoa em toda a terra que entende o Meu propósito e está em oração para que ele se cumpra. Que todos os outros venham para casa por meio dos leões, mas não Daniel. Deem-lhe fé”.

    “Que a fé seja criada no coração dele, para que possa entrar naquela cova dos leões e a boca deles seja fechada.” Daniel entrou na cova dos leões, e vocês conhecem a história. Os leões eram como grandes gatos.

    Alguém disse que ele provavelmente usou um deles como travesseiro e teve a mais maravilhosa noite de sono. Mas o rei não teve, como vocês sabem pela história.

    D. L. Moody disse certa vez que Daniel provavelmente tirou o relógio, viu que era hora de orar e continuou com suas orações na cova dos leões.

    O fato é que ele saiu da cova dos leões, e todos os inimigos de Deus foram lançados nela. A boca dos leões não estava fechada quando eles entraram.

    Então Daniel se tornou ainda mais poderoso em todo aquele império — um dos maiores impérios que já existiram na história do mundo, estendendo-se da Europa à Ásia, da Grécia e da Iugoslávia até a Índia.

    Não era impressionante pensar que um judeu estava à frente de tudo aquilo? Impressionante. Um dos filhos de Deus.

    Mas esse homem não era apenas um estadista. Era um intercessor.

    O que quero dizer é isto: ele orou para que aquele retorno a Jerusalém se concretizasse. Viveu para vê-lo; viveu ainda três anos depois disso. Não temos registro de que ele próprio tenha voltado. Provavelmente sentiu que sua tarefa era permanecer à frente do governo, garantindo que eles fossem protegidos. Mas o fato permanece: ele os viu de volta.

    Isso me ensina algo tremendo sobre a oração. A verdadeira oração é fazer com que a vontade de Deus se cumpra. Não é tentar fazer Deus adotar a nossa maneira de pensar, tentar fazer Deus realizar aquilo que queremos que Ele faça. É descobrir qual é a vontade de Deus e então orar para que ela se concretize.

    A oração coletiva como guerra espiritual

    Agora, meus queridos amigos, vocês percebem imediatamente como isso é importante. Precisam entender que estarão envolvidos em uma guerra.

    Ao entrar na maioria das reuniões de oração, você pensaria estar em um respeitável campeonato de tênis: uma espécie de rede entre nós e o diabo, a bola indo para lá e voltando, e alguém anunciando as jogadas. É assim que normalmente oramos — de maneira muito respeitável.

    Mas o apóstolo Paulo, em Efésios 6, usa uma palavra muito pouco refinada. Ele usa a palavra luta.

    Isso não é um esporte elegante. É só suor, braços torcidos para trás das costas, pernas quase arrancadas de tanto serem torcidas e cento e quatorze quilos sendo arremessados de um lado para o outro, de modo que a estrutura inteira se move.

    Vocês já viram isso? Talvez sejam respeitáveis demais para ter visto uma coisa dessas. Mas, se já foram a uma luta, terão visto o que acontece quando um homem é arremessado contra as cordas e bate no poste, e a estrutura inteira se move.

    Vocês não chamam isso de esporte elegante, chamam? Não é um campeonato de tênis, badminton ou croqué. No entanto, ao ver algumas pessoas enfrentando os poderes das trevas, vocês pensariam que se trata de uma partida de croqué.

    Não quero dizer que devamos falar com o inimigo ou começar a insultá-lo. Todo esse tipo de coisa deve ser evitado como a peste. O que estou dizendo é isto: em uma luta, há momentos em que o outro está por cima de você, sentado sobre você — com todos os seus cento e quatorze quilos —, com o seu braço torcido para trás das costas e a sua perna puxada para outro lado. Você não consegue se mexer.

    Afinal, o que há de errado conosco quando entramos em uma reunião de oração e dizemos: “Ah, é tão pesado. Acho tão difícil estar na reunião de oração. Prefiro muito mais o estudo bíblico”?

    É claro que você prefere o estudo bíblico, porque está recebendo tudo na colher.

    Na reunião de oração, devemos esperar que haja peso, porque, às vezes, o inimigo está sentado sobre nós. Mas, graças a Deus, vocês devem ter visto que há momentos em que o homem que está por baixo se levanta e vence a luta.

    O apóstolo Paulo diz:

    Porque a nossa luta não é contra carne e sangue, mas contra os principados, contra as potestades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as hostes espirituais da maldade nas regiões celestiais.

    Em outras palavras, estamos envolvidos em um conflito, e não é de admirar. Não creio que o diabo se preocupe muito quando as pessoas oram: “Senhor, abençoa a minha macieira no jardim”, ou: “Ó Senhor, Tu poderias ajudar a Joanna na escola?”.

    Não estou dizendo que seja errado fazer esse tipo de oração. Essas são orações de família e são perfeitamente apropriadas em seu próprio contexto. Mas, acreditem em mim, vocês não vão —