Por favor, abram em Provérbios.
Provérbios 29:18.
Onde não há visão, o povo se entrega à falta de freios.
Apocalipse 1:1-3.
Revelação de Jesus Cristo, que Deus Lhe deu para mostrar aos Seus servos as coisas que brevemente devem acontecer: e Ele a enviou e a anunciou por intermédio do Seu anjo ao Seu servo João; o qual deu testemunho da palavra de Deus e do testemunho de Jesus Cristo, de todas as coisas que viu. Bem-aventurado aquele que lê, e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas: porque o tempo está próximo.
Apocalipse 1:9-20.
Eu, João, vosso irmão e companheiro na tribulação, no reino e na perseverança que estão em Jesus, encontrava-me na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus. Achei-me no Espírito no dia do Senhor e ouvi atrás de mim uma grande voz, como de trombeta, dizendo: O que vês, escreve-o num livro e envia-o às sete igrejas: a Éfeso, a Esmirna, a Pérgamo, a Tiatira, a Sardes, a Filadélfia e a Laodiceia. E voltei-me para ver a voz que falava comigo. E, ao voltar-me, vi sete candeeiros de ouro; e, no meio dos candeeiros, Um semelhante a um filho de homem, vestido com uma veste que chegava aos pés e cingido à altura do peito com um cinto de ouro. E a Sua cabeça e os Seus cabelos eram brancos como lã branca, como a neve; e os Seus olhos eram como chama de fogo; e os Seus pés, semelhantes a bronze polido, como se tivesse sido refinado numa fornalha; e a Sua voz, como a voz de muitas águas. E Ele tinha na Sua mão direita sete estrelas: e da Sua boca saía uma espada afiada de dois gumes: e o Seu rosto era como o sol quando resplandece na sua força. E, quando O vi, caí aos Seus pés como morto. E Ele pôs sobre mim a Sua mão direita, dizendo: Não temas; Eu sou o primeiro e o último, e Aquele que vive; estive morto, e eis que estou vivo pelos séculos dos séculos, e tenho as chaves da morte e do Hades. Escreve, pois, as coisas que viste, e as que são, e as que hão de acontecer depois destas; o mistério das sete estrelas que viste na Minha mão direita e dos sete candeeiros de ouro. As sete estrelas são os anjos das sete igrejas: e os sete candeeiros são sete igrejas.
Vamos nos voltar para o Senhor.
Nosso Pai celestial, como Te louvamos e agradecemos, porque é do Teu agrado revelar Teu Filho em nós. Por isso, vimos a Ti, abrindo nossos corações a Ti, e esperamos que Teu Espírito Santo revele mais uma vez Teu Filho em nós, para que Ele nos encha e seja tudo em todos para nós. A Ti sejam o louvor e a glória, em Teu precioso nome. Amém.
Onde não há visão, o povo se entrega à falta de freios.
Em algumas versões, lemos:
Onde não há visão, o povo perece.
Ou podemos dizer: quando não há visão, o povo se desintegra.
É absolutamente vital que tenhamos visão: que vejamos Aquele que é o propósito eterno de Deus; que vejamos Cristo. Não apenas no propósito de Deus, mas que vejamos Cristo em relação a nós, Seu povo, Sua igreja; que vejamos Cristo em relação ao mundo; que vejamos Cristo em relação aos judeus; que vejamos Cristo em relação a toda a criação; que vejamos Cristo em relação ao inimigo de Deus, Satanás, e a todos os poderes das trevas.
Como é importante que O vejamos! Se não O vemos, abandonamos toda restrição. Seremos um povo indisciplinado. Seguiremos nossos próprios caminhos. Se não O vemos, perecemos. E a palavra perecer é muito forte. Creiamos nisso: se não O vemos, perecemos.
Ele é a nossa própria vida. É ao vê-Lo que temos esperança, temos fé, temos amor, temos perseverança, temos obediência, temos propósito — temos tudo. Portanto, irmãos e irmãs, é de importância vital que tenhamos visão.
A visão não é algo que tentamos visualizar como produto de uma mente perturbada. Isso seria apenas uma miragem; tornaria as coisas piores. Uma visão é algo que Deus nos revela. Quando Deus revela, nós vemos. Da parte de Deus, é uma revelação concedida; da nossa parte, é uma visão contemplada.
O último livro da Bíblia se chama Apocalipse, ou Revelação. Agora, é claro, sabemos que toda a Bíblia é a revelação de Jesus Cristo. Toda a Bíblia é a revelação de Deus, que nos revela Seu Filho, Jesus Cristo.
Mas o último livro da Bíblia é chamado, de modo especial, de Revelação. Em outras palavras, ele é, de maneira muito especial, a revelação de Jesus Cristo — ou, podemos dizer, por ser o último livro, a consumação da revelação de Jesus Cristo.
O primeiro versículo diz:
Revelação de Jesus Cristo, que Deus Lhe deu para mostrar aos Seus servos.
Agora, quem são os Seus servos? Isto é, Seus escravos — escravos por amor. Somos nós, nós que somos o Seu povo redimido. Portanto, é uma revelação de Jesus Cristo que Deus Lhe deu para mostrar a nós. É isso que o último livro da Bíblia é.
Agora, nesse último livro da Bíblia, o Apocalipse, vocês verão uma série de visões do nosso Senhor Jesus. E, por meio da série de visões que João teve, chegamos a ver a revelação de Jesus Cristo.
É claro que, pela graça de Deus, conhecemos o nosso Senhor Jesus. Nós O conhecemos como o Crucificado. Nós O conhecemos como Aquele que morreu na cruz. Nós O conhecemos como Aquele cujo sangue foi derramado para a remissão dos nossos pecados, cujo corpo foi partido para que pudéssemos ser unidos a Deus. Nós O conhecemos como nosso Salvador. Sabemos o que Ele fez por nós enquanto estava na terra. Nós O conhecemos.
Mas, queridos irmãos e irmãs, nosso Senhor Jesus ressuscitou dentre os mortos. Ele subiu ao céu. Agora Ele é Rei no céu. Quanto O conhecemos como o Senhor ressurreto no céu? E é isso que o livro de Apocalipse procura nos mostrar.
João era alguém que conhecia o Senhor muito intimamente. De todos os discípulos do nosso Senhor Jesus, provavelmente não havia nenhum que tivesse um relacionamento mais íntimo com o Senhor Jesus do que o apóstolo João. Ele se reclinava sobre o peito do nosso Senhor Jesus. Ele conhecia o Senhor.
Ele conhecia o Senhor que um dia andou sobre a terra. Ele seguiu o Senhor. Foi o primeiro dos discípulos a chegar ao Senhor. Foi o único dos discípulos que permaneceu aos pés da cruz. Ele conhecia o Senhor que andou sobre a terra.
Mas, na ilha de Patmos, quando lhe foi concedida uma visão do Senhor ressurreto, ele caiu como morto. Em outras palavras, não pôde suportar aquela visão. Era demais para ele. Era algo que nunca havia conhecido plenamente antes. Aquilo teve um efeito tão grande sobre sua vida que ele caiu como morto, até ser levantado pelo Senhor ressurreto.
Esse foi o efeito da visão de Patmos que João teve. Agora, queridos irmãos e irmãs, conhecemos o Senhor Jesus que andou sobre a terra. Conhecemos Sua morte e até Sua ressurreição. Sabemos o que Ele fez por nós, tudo o que realizou na terra. Mas creio que precisamos receber uma revelação e vê-Lo sob um aspecto diferente.
Precisamos vê-Lo como o Senhor ressurreto em glória, porque é isso que Ele é hoje. É claro que nosso Senhor Jesus é o mesmo ontem, hoje e para sempre. Seu nome é o mesmo. Ele nunca muda. No que diz respeito à Sua pessoa, Ele é sempre o mesmo.
Ele é o mesmo hoje que era ontem, o mesmo hoje no céu que era ontem na terra. No que diz respeito à Sua pessoa, Ele nunca muda. Mas, no que diz respeito à Sua posição, à função que exerce, há mudança. Quando estava na terra, Ele era o Crucificado. Agora, no céu, Ele é o Senhor da glória.
Hoje Ele é o Senhor em glória, e Seu relacionamento conosco é um novo relacionamento. E é esse relacionamento que precisamos ver. E creio que, se virmos esse novo relacionamento, cairemos como mortos. Precisamos ser levantados para uma nova posição espiritual.
No livro de Apocalipse, encontramos uma série de visões do nosso Senhor Jesus. A primeira visão está registrada em Apocalipse 1. Nós a chamamos de visão de Patmos, porque João foi exilado na ilha de Patmos por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus.
No dia do Senhor, ele estava no Espírito. Ouviu uma voz atrás de si, dizendo:
Escreve o que viste e envia-o às sete igrejas da Ásia.
Ele se voltou para ver a voz, e viu. Agora, o que ele viu?
Ele viu Um semelhante a um Filho de Homem no meio dos sete candeeiros de ouro. Os sete candeeiros de ouro representam as sete igrejas da Ásia, porque isso nos é explicado no último versículo do primeiro capítulo de Apocalipse.
É claro que havia mais de sete igrejas na Ásia naquela época. Ásia, ali, não é o continente asiático; é a província romana da Ásia — a Ásia Menor. Havia mais de sete igrejas na Ásia naquela época. Pelo menos sabemos, pelo livro de Colossenses, que havia a igreja em Colossos e a igreja em Hierápolis; ambas estavam na Ásia.
Mas aqui vemos que o Espírito Santo escolheu sete igrejas da Ásia. Por quê? Porque elas representam não apenas a igreja de Deus no tempo do apóstolo João, mas também a igreja de Deus ao longo de toda a dispensação da graça: sete igrejas, sete candeeiros de ouro.
Essas sete igrejas estão na terra, mas o Senhor Jesus, Aquele que está no meio dos sete candeeiros de ouro, é o Senhor no céu. Aqui encontramos o Senhor no céu com a igreja na terra. Em outras palavras, a primeira visão nos mostra o relacionamento entre o Senhor ressurreto e Sua igreja na terra.
E qual é esse relacionamento? É um relacionamento duplo. O Senhor ressurreto é apresentado aqui, por um lado, como a Cabeça gloriosa — a Cabeça do corpo, que é a igreja — e, por outro lado, como o grande Sumo Sacerdote que ministra no santuário celestial.
Por um lado, vemos que a igreja é o Seu corpo:
A plenitude Daquele que tudo enche em todos.
Por outro lado, vemos que a igreja é o santuário, o verdadeiro santuário, no qual Cristo, como Sumo Sacerdote, ministra.
Hoje, o Senhor Jesus é para nós a Cabeça gloriosa. Hoje, o Senhor Jesus é para nós o Sumo Sacerdote. E precisamos conhecê-Lo nesses dois aspectos. Essa é a visão de Patmos.
Não sei até onde conseguiremos ir, mas vamos tentar. Em primeiro lugar, vemos que os sete candeeiros de ouro servem como pano de fundo. Então, em primeiro plano, está Um semelhante ao Filho do Homem.
E creio que isso é algo de que sempre precisamos nos lembrar: a igreja serve apenas como pano de fundo. Em primeiro plano, deve estar Cristo. Não podemos inverter essa ordem. É verdade que a igreja é muito importante no coração de Deus e, ainda assim, ela é o pano de fundo. É Cristo quem está em primeiro plano. Precisamos vê-Lo e, ao vê-Lo, podemos ver a igreja.
João viu Um semelhante ao Filho do Homem. Ele não diz que Ele é o Filho do Homem; diz que Ele é Um semelhante ao Filho do Homem. Por quê?
Vocês sabem, Filho do Homem é um nome que nosso Senhor Jesus usou para Si mesmo enquanto estava na terra. Ele disse:
O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida em resgate por muitos.
Pois, quando nosso Senhor Jesus estava na terra, Ele era o Filho do Homem.
Como somos de carne e sangue, Ele também participou da carne e do sangue.
O Verbo Se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade.
Ele era o Filho do Homem. Era um de nós. Ele Se identificou conosco para poder nos salvar. É por isso que Ele é chamado de Filho do Homem.
Mas aqui vemos que o apóstolo João disse ter visto Um semelhante ao Filho do Homem. Sim, Ele é o Filho do Homem, e, ainda assim, João O viu como Um semelhante ao Filho do Homem. Por quê?
Encontramos essa mesma expressão no Antigo Testamento, em Daniel 7. Daniel, nas visões da noite, viu Um semelhante a um Filho de Homem vindo ao Ancião de Dias e recebendo do Ancião de Dias reino, poder e domínio. Seu domínio não tem fim, e Seu reino é eterno.
É claro que sabemos que o Ancião de Dias é Deus, e que Um semelhante a um Filho de Homem é o nosso Senhor Jesus. Mas, quando Daniel recebeu aquela visão, Cristo ainda não havia vindo ao mundo. Por isso, ele viu Um semelhante a um Filho de Homem.
Mas aqui vemos que João O viu novamente como semelhante ao Filho do Homem. O Senhor já havia vindo a este mundo. Ele era o Filho do Homem. Por que, então, João O viu como semelhante ao Filho do Homem? Porque Ele já havia subido ao céu. Em outras palavras, Ele é mais do que o Filho do Homem.
Ele é o Filho de Deus, assim como é o Filho do Homem. Sua glória é uma glória dupla: a glória que Ele tinha com o Pai antes mesmo da fundação do mundo e a glória como Filho do Homem. Ele é mais do que o Filho do Homem; por isso, é semelhante ao Filho do Homem.
E vocês sabem, queridos irmãos e irmãs, precisamos vê-Lo assim hoje. Algumas pessoas veem o Senhor Jesus apenas como o Filho do Homem — Alguém muito acessível, Alguém muito próximo, Alguém que é um de nós, Alguém com quem podemos ter muita familiaridade. Isso está certo? Ele é o Filho do Homem.
Mas, às vezes, podemos nos tornar tão familiarizados com Ele. Como se costuma dizer, a familiaridade gera desprezo. Às vezes, podemos ter tanta familiaridade com Ele que não temos a reverência que deveríamos ter por Ele.
Então encontramos outras pessoas que O conhecem apenas como o Filho de Deus, Aquele que está nas alturas, separado de nós, transcendente. Elas apenas permanecem em temor e tremor diante Dele. Nem sequer ousam se aproximar Dele, porque Ele é o Filho de Deus.
E, para nós, queridos irmãos e irmãs, devem existir os dois aspectos. Por um lado, devemos vê-Lo como o Filho do Homem, que é um de nós. Podemos estar muito perto Dele, ter muita intimidade com Ele, ter amizade com Ele. Contudo, por outro lado, não podemos deixar de permanecer sempre em temor e reverência, porque Ele é o Filho de Deus.
Esse é um equilíbrio que precisamos ter hoje. Hoje, entre o povo de Deus, encontramos esses dois extremos. Alguns sempre permanecem em temor diante Dele e não ousam se aproximar Dele. Prestam-Lhe toda a reverência que Lhe é devida. Mas há o outro extremo: tornam-se tão familiarizados com Ele que não há reverência e, por causa disso, podem se tornar descuidados.
Hoje, o relacionamento do nosso Senhor Jesus com a igreja é como Filho do Homem e Filho de Deus. Esse é o nosso relacionamento com Ele.
Então vemos que João contemplou Alguém vestido com uma veste que chegava aos pés. Vocês sabem, as vestes nas Escrituras sempre representam nossa conduta, nosso comportamento, nossa maneira de viver. É como uma roupa colocada sobre nós.
Agora, é claro, não temos justiça própria. O profeta Isaías diz:
Todas as nossas justiças são como trapos de imundícia.
Elas não podem cobrir nossa nudez. Por isso, não podemos permanecer diante de Deus. Mas aqui vemos o Senhor Jesus, que agora é a Cabeça gloriosa no céu, vestido com uma veste que chega aos pés. Isso quer dizer que Ele é cheio de justiça.
Nosso Senhor Jesus é o Justo. É por ser o Justo que Ele pode ser nosso substituto.
O Justo morreu pelos injustos.
Aquele que não conheceu pecado foi feito pecado por nós, para que nos tornássemos justiça de Deus.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, como podemos permanecer diante de Deus? Nossa posição diante de Deus se deve ao fato de estarmos revestidos de Cristo, nossa justiça.
John Bunyan, o autor de O Peregrino, quando era jovem, de tempos em tempos era convencido dos seus pecados e tentava mudar a si mesmo. Mas nunca conseguia.
Certa vez, ele caminhava por um campo e, enquanto caminhava, continuava pensando nessa questão: como um homem poderia ser justificado diante de Deus? E, de repente, ouviu como que uma voz lhe dizendo: “Minha justiça está no céu”.
Ele estava procurando sua própria justiça e percebeu que não conseguia encontrá-la. Então, de repente, recebeu uma revelação: “Minha justiça está no céu”. Isso teve um efeito tremendo sobre ele.
Como Watchman Nee disse certa vez: “Nós podemos mudar, mas nossa justiça nunca muda”. Nós mudamos? Certamente. Da manhã até a noite, não sabemos quantas mudanças acontecem.
E, porque mudamos, isso afeta nossa posição diante de Deus? Suponham que, pela manhã, depois de uma boa noite de descanso, vocês se levantem e se sintam bem. Vocês se achegam ao Senhor e sentem que têm todo o direito de se aproximar Dele, e passam um bom tempo com o Senhor.
Então vocês saem para trabalhar e começam a encontrar algumas pessoas difíceis e alguns problemas difíceis. Ao cair da tarde, estão bastante abatidos. Quando voltam para casa e, antes de dormir, tentam orar novamente, isso afeta sua posição diante de Deus? Como não estão tão dispostos quanto pela manhã, sua aproximação de Deus parece ser afetada.
Ou suponham que, durante o dia, vocês percam a paciência. Vocês ousam orar? Acham que precisam passar pelo menos cinco minutos se culpando antes de ousar orar? Sua mudança afeta sua posição diante de Deus?
Como vocês permanecem diante de Deus? Vocês permanecem diante de Deus com base na sua própria justiça? Porque são justos, podem permanecer diante de Deus; porque não são tão justos assim, estão nus e não podem permanecer diante Dele. Afinal, com base em quê vocês permanecem diante de Deus?
Irmãos e irmãs, vocês estão revestidos de Cristo. Ele é a sua justiça, e Ele é a única razão pela qual vocês podem permanecer diante de Deus. Se estão bem ou mal, isso não afeta nossa posição. Se estão bem, isso não acrescenta nada à sua posição diante de Deus. Se estão mal, isso não tira nada da sua posição diante de Deus, porque vocês estão revestidos de Cristo, sua justiça.
Essa é a única posição que temos diante de Deus: revestidos de Cristo, nossa justiça. Nós podemos mudar, mas nossa justiça nunca muda. Quer se sintam bem, quer se sintam mal, se virem Cristo, sua justiça, poderão permanecer diante de Deus e se aproximar Dele.
Bem, isso quer dizer que podemos pecar? De maneira nenhuma.
Em 1 João 2:1-2, lemos:
Estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Mas, se alguém pecar, temos um Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo; e Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.
Qual é o significado disso? Por um lado, o texto diz que não devemos pecar. É assim que devemos viver. Mas, por outro lado, se pecarmos, o que devemos fazer? Será que, porque pecamos, nosso relacionamento com Deus é interrompido — talvez não para sempre, mas pelo menos por um dia ou por uma hora?
Não. Ele diz que temos um Advogado junto ao Pai. A palavra advogado é a mesma palavra traduzida como Consolador no Evangelho de João: Paráclito. Temos nosso Paráclito junto ao Pai. Agora, quem é Ele? Jesus, o Justo.
Em outras palavras, se pecarmos, confessemos nossos pecados.
Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.
Se pecamos, confessamos, e encontramos Cristo, nossa justiça, sempre ali. Por isso, vemos que nossa comunhão com o Pai não precisa ser interrompida.
Irmãos e irmãs, precisamos ver isso. Precisamos ver que estamos revestidos de Cristo, nossa justiça. Essa é nossa única posição. Mesmo que venhamos a falhar, Ele não mudou. Por isso, confessamos, e Jesus, o Justo, está ali junto ao Pai. Assim, com base Nele, nossa comunhão com Deus não precisa ser interrompida de maneira nenhuma.
Mas nossa Cabeça é cheia de justiça. E, porque nossa Cabeça é cheia de justiça, Ele espera que Seu corpo seja cheio de justiça. Porque o corpo é:
A plenitude Daquele que tudo enche em todos.
Em outras palavras, aquilo que a Cabeça é, o corpo também deve ser.
É verdade que, por um lado, estamos revestidos de Cristo como nossa justiça; mas há algo mais. Assim como Cristo é justo, Ele espera que nós também pratiquemos a justiça.
Aquele que pratica a justiça é filho de Deus; aquele que pratica o pecado é filho do diabo.
Portanto, vemos aqui que não se trata apenas de uma questão de posição diante de Deus. É também uma questão de estado, ou condição, diante de Deus. Nossa posição nunca muda, porque ela é Cristo, nossa justiça. Mas e o nosso estado? E a nossa condição? Somos cheios de justiça assim como nossa Cabeça é cheia de justiça?
Como Cabeça, Ele exige que Seu corpo seja cheio de justiça — justiça prática.
Vocês sabem, precisamos estar vestidos com duas vestes, não apenas uma. O Salmo 45 é um cântico sobre o Rei e a Rainha. O Rei, é claro, é o Senhor, e a Rainha é a igreja. Ali, no Salmo 45, vemos que a Rainha está pronta para o Rei.
E como ela está pronta? Ela está vestida com uma veste trabalhada em ouro e, por cima dessa veste, há uma roupa bordada. A veste trabalhada em ouro é Cristo, nossa justiça.
Mas, depois de estarmos revestidos de Cristo, nossa justiça, o Espírito Santo bordará em nós a beleza do Senhor. Quando o Espírito Santo borda em nossas vidas o caráter de Cristo, entrelaçando-o nas nossas próprias fibras, isso se torna a roupa bordada.
É isso que Apocalipse 19:7-8 chama de atos de justiça dos santos:
A Sua noiva já se preparou; e foi-lhe dado vestir-se de linho fino, resplandecente e puro, pois o linho fino são os atos de justiça dos santos.
Simplesmente justiça prática.
Portanto, irmãos e irmãs, vemos aqui que nós, que estamos revestidos de Cristo, nossa justiça, também precisamos permitir que o Espírito Santo costure, teça, borde e entrelace Cristo em nossa própria vida, para que o caráter de Cristo se torne nosso caráter.
Para que, em nossas palavras, em nossos feitos, em nossas ações, em nosso olhar, em nossos relacionamentos, em nossa conduta, em nosso comportamento, seja Cristo. E, quando isso acontece, é chamado de justiça dos santos.
Cristo, como a Cabeça gloriosa, é cheio de justiça. Tudo o que Ele faz é certo aos olhos de Deus. Tudo o que Ele diz é certo aos olhos de Deus. Em todos os Seus relacionamentos com as pessoas, Ele é justo aos olhos de Deus. Em Seu relacionamento com Sua família, Ele é justo aos olhos de Deus. Em Seu relacionamento com Seus discípulos, Ele é justo aos olhos de Deus. Em Seu relacionamento com Seus inimigos, Ele é justo aos olhos de Deus.
Vemos que cada palavra, cada feito, cada ação, cada reação, cada olhar, cada modo de agir do nosso Senhor Jesus é certo aos olhos de Deus. É assim que deve ser. Irmãos e irmãs, a Cabeça não exige nada menos do que isso em Sua igreja.
Vocês sabem como é fácil pensarmos que, porque estamos revestidos de Cristo, nossa justiça, e Ele é nossa posição diante de Deus, podemos ser muito negligentes, muito descuidados em nosso andar. Pensamos que, afinal de contas, Cristo é nossa justiça.
Mas há o outro lado:
Aquele que pratica a justiça é de Deus, porque Deus é justo.
Nosso Senhor Jesus, como a Cabeça gloriosa, exige justiça em nós — nada menos do que aquilo que está Nele. Somos realmente justos? Vivemos uma vida justa?
Se estamos sob a luz de Deus, quão justos somos em nossos relacionamentos, no trabalho das nossas mãos, em nossa maneira de viver, em nossas palavras, em nossas ações e reações? É Cristo ou somos nós?
A Cabeça gloriosa é cheia de justiça, e o corpo é:
A plenitude Daquele que tudo enche em todos.
Não é de admirar que, quando João viu isso, tenha caído como morto. Diante de Cristo, o Justo, ele viu sua própria injustiça.
Ah, queridos irmãos e irmãs, precisamos ver que a Cabeça gloriosa exige de nós uma justiça semelhante à Sua. Quem pode suportar isso?
Graças a Deus, Ele não é apenas nossa Cabeça gloriosa, que exige no corpo uma justiça exatamente como a Sua, mas, graças a Deus, Ele também é o grande Sumo Sacerdote que ministra no santuário celestial.
Agora, o que é um sumo sacerdote? Qual é o seu trabalho? Um sumo sacerdote é alguém que ministra. Em Hebreus, lemos que nosso Senhor Jesus:
Vive sempre para interceder por nós.
É capaz de salvar completamente os que por Ele se achegam a Deus.
Em outras palavras, o que Ele exige de nós como Cabeça, Ele nos supre como Sumo Sacerdote. Ele sabe que não temos justiça própria. Ele sabe que, mesmo que tentemos ser justos, que tentemos praticar a justiça, não conseguimos. Mas, ah, irmãos e irmãs, Ele é nosso Sumo Sacerdote. Ele está aqui, esperando para nos suprir com essa justiça.
Ah, como precisamos nos achegar a Ele: “Senhor, eu não consigo, mas Tu podes. Eu me lanço sobre Ti. Tu me sustentas até o fim”. Então vocês perceberão que podem agir ou reagir como Ele agiria e reagiria, porque não são vocês; é:
Cristo em vós, a esperança da glória.
Agora, esse é o relacionamento do nosso Senhor Jesus com Sua igreja hoje. Ele quer que sejamos o que Ele é, e está à nossa disposição para tornar isso real, se apenas nos achegarmos a Ele.
E vocês sabem, essa é apenas a primeira descrição do nosso Senhor Jesus: cheio de justiça. Não podemos examinar cada uma delas, mas vou apenas mencioná-las.
Vemos que Ele tem um cinto de ouro à altura do peito. Isso mostra que Ele é cheio de amor e compaixão divinos. E, porque Ele é cheio de amor e compaixão, exige que Sua igreja seja cheia de amor divino.
A menos que reconheçamos que não conseguimos amar, não seremos capazes de amar como Ele ama. Tudo o que chamamos de amor se mostrará insuficiente. Quantas vezes, por causa do Seu amor por nós, Ele precisa permitir que sejamos colocados em uma situação na qual nosso amor é provado além de toda medida, até descobrirmos que simplesmente não temos amor.
É nesse ponto que O conhecemos como nosso Sumo Sacerdote. Ele amará em nós e por meio de nós.
Sua cabeça e Seus cabelos eram brancos como lã — em outras palavras, cheios de sabedoria divina. E Ele exige que Sua igreja seja cheia de sabedoria.
Mas temos sabedoria? Achamos que sim. Nossa sabedoria vem de baixo e, quando temos essa sabedoria terrena, ela traz contendas e rivalidade. Mas, se é sabedoria do alto, ela é:
Pura, pacífica, amável e disposta a ceder.
Ela não é dura, áspera ou rígida.
Ele não é apenas cheio de sabedoria, mas Seus olhos são como chama de fogo, cheios de discernimento espiritual. Temos discernimento? Ele espera que tenhamos discernimento.
Agora, vocês sabem que, se amadurecerem um pouco, tiverem mais experiência no mundo e observarem um pouco mais, naturalmente terão certa medida de discernimento. Mas esse tipo de discernimento apenas os torna críticos. É o discernimento espiritual que nos capacita a ministrar — não para destruir, mas para edificar.
Ele é cheio de discernimento divino. Seus pés são semelhantes a bronze polido, como se tivessem sido refinados numa fornalha — cheios de juízo, juízo divino. E Ele espera que Sua igreja seja cheia de juízo. Ele não quer que sejamos pessoas sem critério, que pensam que está tudo bem.
Aquilo que Ele discerniu, Ele pisa sob os pés. Se não é Dele, precisa haver juízo — a plenitude do juízo divino. E Ele suprirá isso.
Sua voz é como a voz de muitas águas, cheia de majestade e autoridade — autoridade espiritual. Em Sua mão direita estão sete estrelas: plenitude de força, sustentação e responsabilidade. Da Sua boca sai uma espada, cheia de poder, que divide e penetra.
Seu rosto resplandece como o sol em sua força. Vocês sabem, o rosto revela a saúde. Sempre dizemos que faces rosadas indicam que a pessoa está muito saudável e que, se está doente, seu rosto fica pálido.
Seu rosto resplandece como o sol em sua força. Em outras palavras, há Nele tamanha beleza e vitalidade divinas que elas se expressam exteriormente. E vocês sabem que é isso que Ele espera de Sua igreja: que seja cheia da beleza divina, da beleza de Cristo. A beleza de Cristo deve ser vista.
Ah, irmãos e irmãs, em cada aspecto, quando vocês examinarem esses atributos em Sua vida, cairão como mortos. Dirão: “Senhor, eu não tenho isto. Não tenho aquilo. Acho que tenho, mas não é isso. É uma imitação, e não funciona”.
Vocês precisam cair como mortos e reconhecer: “Senhor, Tu és a Cabeça; nós somos o corpo; e, ainda assim, que diferença existe!”. Contudo, graças a Deus, Sua mão está sobre nós. Ele nos levantará da morte para a ressurreição.
Ele diz:
Não temas; Eu sou o primeiro e o último, e Aquele que vive. Estive morto, e eis que vivo pelos séculos dos séculos, e tenho em Minha mão as chaves da morte e do Hades.
Em outras palavras, Ele, como Sumo Sacerdote, nos suprirá todas essas coisas.
Essa visão que João teve se torna o testemunho. Essa visão é a luz sobre o candeeiro. Precisamos ver; então temos a luz. Por um lado, é um privilégio tremendo. Por outro lado, é uma grande responsabilidade.
E sinto que hoje precisamos ver Cristo como a Cabeça gloriosa. Isso nos trará uma percepção da nossa insuficiência. Quem é capaz?
Contudo, por outro lado, precisamos vê-Lo como o Sumo Sacerdote:
Que vive sempre para interceder por nós.
Ele é capaz de nos salvar completamente. E creio que é isso que Deus quer que vejamos em Cristo.
E, se pudermos ver isso, teremos um testemunho a dar neste mundo. Vamos nos voltar para o Senhor em oração.
Ó Pai celestial, nós Te louvamos e agradecemos, porque Tu és Aquele que revela a Si mesmo. É do Teu agrado revelar Teu Filho em nós. Tu desejas que vejamos a visão de Patmos, assim como a mostraste a João, Teu servo.
Oramos para que, pelo Teu Espírito Santo, possamos ver-Te, o Ressurreto, como a Cabeça gloriosa da igreja: cheio de justiça, cheio de amor, cheio de discernimento, cheio de juízo, cheio de autoridade, de poder, de força, cheio de beleza.
Ah, que possamos ver-Te:
Cabeça sobre todas as coisas para a igreja, que é o Teu corpo, a plenitude Daquele que tudo enche em todos.
E oramos para que possamos ver-Te como o Sumo Sacerdote, porque esse é o Teu ministério hoje. Tu ministras a nós no céu.
Ah, como é eficaz, como é real, como é vivo, como está disponível o Teu ministério hoje! Que possamos nos valer do Teu ministério e, assim, ser conduzidos ao lugar em que possamos dar o Teu testemunho. A Ti seja toda a glória. Em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.