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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    Austin-Sparks, T.

    O Deus Vivo

    Estamos dando continuidade às meditações sob o título geral deste ministério.

    Nesta noite, vamos considerar este ministério à luz de uma expressão que aparece muitas vezes ao longo da Bíblia. Veremos agora apenas algumas dessas ocorrências.

    Referências Bíblicas ao Deus Vivo

    Primeiramente, no Evangelho de Mateus, em Mateus 16:13-20. A expressão aparece nessa passagem, na resposta de Pedro à pergunta do Senhor sobre Quem eles, Seus discípulos, diriam que Ele era:

    Tu és o Cristo,
    o Filho do Deus vivo.

    Passemos a Romanos 9:25-26:

    Chamarei Meu povo ao que não era Meu povo;
    e amada à que não era amada.
    E acontecerá que, no lugar em que lhes foi dito: Vós não sois Meu povo,
    ali serão chamados filhos do Deus vivo.

    Depois, 2 Coríntios 3:5-8:

    Não que sejamos suficientes por nós mesmos, para considerar alguma coisa como proveniente de nós;
    mas a nossa suficiência vem de Deus;
    o Qual também nos fez suficientes como ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do Espírito:
    porque a letra mata, mas o Espírito vivifica.

    Mas, se o ministério da morte, escrito e gravado em pedras, veio com glória,
    de maneira que os filhos de Israel não podiam fixar os olhos no rosto de Moisés, por causa da glória do seu rosto, a qual estava desaparecendo:
    como não será, antes, com glória o ministério do Espírito?

    E, em 2 Coríntios 3:12-15:

    Tendo, pois, tal esperança, usamos de grande ousadia no falar,
    e não somos como Moisés, que punha um véu sobre o seu rosto,
    para que os filhos de Israel não fixassem os olhos no fim daquilo que estava desaparecendo:
    mas os seus entendimentos foram endurecidos: porque até o dia de hoje, na leitura da antiga aliança, permanece o mesmo véu, sem ser retirado, o qual é removido em Cristo.

    Mas até hoje, sempre que Moisés é lido, um véu está posto sobre o coração deles.

    Depois, 1 Tessalonicenses 1:9-10:

    Porque eles mesmos relatam, a nosso respeito, como foi a nossa entrada entre vós;
    e como vos convertestes dos ídolos a Deus, para servir ao Deus vivo e verdadeiro,
    e esperar dos céus a Seu Filho.

    Depois, 1 Timóteo 3:14-15:

    Escrevo-te estas coisas, esperando ir ter contigo em breve;
    mas, se eu tardar, para que saibas como se deve proceder na casa de Deus,
    que é a igreja do Deus vivo, a coluna e o fundamento da verdade.

    Hebreus 12:22:

    Mas chegastes ao monte Sião e à cidade do Deus vivo.

    E Apocalipse 7:2-3:

    E vi outro anjo subir do nascente do sol, tendo o selo do Deus vivo:
    e clamou com grande voz aos quatro anjos, aos quais fora dado danificar a terra e o mar,
    dizendo: Não danifiqueis a terra, nem o mar, nem as árvores,
    até que tenhamos selado na fronte os servos do nosso Deus.

    Assim, vocês terão reconhecido a expressão e o título: o Deus vivo.

    O Significado do Título

    Como eu disse, esse é um título do Senhor que aparece muitas vezes ao longo da Bíblia. De fato, ele se encontra em nada menos que dezessete livros da Bíblia, desde Deuteronômio até Apocalipse.

    É instrutivo observar as ocorrências dessa expressão e os contextos específicos em que aparece, porque é uma expressão usada, ou um título do Senhor empregado, sempre com algum propósito especial.

    Geralmente, é claro, seu propósito é contrapor-se a algo contrário ao que esse título representa: o Deus vivo. Quando reunimos todas essas referências em que as palavras aparecem, podemos organizá-las, principalmente, em quatro contextos específicos ou principais.

    O Deus Vivo em Contraste com o Paganismo

    Naturalmente, o primeiro contexto apresenta esse título em oposição ao paganismo e à idolatria — aos outros deuses das nações. O título o Deus vivo é o que distingue o Senhor dos deuses dos pagãos e das nações. Com bastante frequência, o título é empregado nesse contexto.

    Mas, à medida que avançamos, descobrimos que ele também é usado em outros contextos, ainda mais instrutivos, até chegarmos ao seu último emprego, que é o mais instrutivo de todos.

    O Deus Vivo em Contraste com a Religião Formal

    Em segundo lugar, naturalmente, esse título é apresentado em oposição ao mero ritualismo, cerimonialismo, sacramentalismo e a tudo o que constitui apenas uma ordem religiosa formal e exterior. Em contraste com isso, empregam-se as palavras: o Deus vivo.

    O Deus vivo é algo mais que um simples sistema. Embora esse sistema possa estar relacionado a Ele, ao Senhor, ele pode existir — como fica bastante claro nesses contextos —, todo o conjunto pode existir, ser mantido e levado adiante, sem que o Deus vivo Se manifeste.

    Pode haver um contraste muito grande entre tudo isso e o que se entende por Deus vivo. É aí que entram os profetas: não contra o paganismo e a idolatria em sua forma explícita entre as nações, mas contra o mero formalismo em Israel.

    Ali os profetas chegam com sua palavra, o Deus vivo, indicando algo muito maior do que tudo aquilo que constitui uma religião meramente formal.

    O Deus Vivo em Contraste com o Cristianismo Nominal

    Mas então avançamos mais, e esse título nos conduz a outra esfera: desta vez, ao próprio cristianismo — e, em grande medida, ao cristianismo ortodoxo: o cristianismo do tradicionalismo, do institucionalismo, do sectarismo, do nominalismo.

    Vejam, essa expressão, o Deus vivo, encontra-se no nosso Novo Testamento. Ela é usada entre aqueles que levam o nome de cristãos e, ainda assim, representa um contraste, mesmo entre cristãos.

    Pode haver a doutrina cristã e a prática cristã, a ordem cristã e a atividade cristã, e tudo o que pertence ao cristianismo, e, ainda assim, o Deus vivo é algo mais que tudo isso. Nesse contexto, o título também é usado para estabelecer um contraste.

    Vou destacar apenas mais um trecho, além daqueles que já citei, novamente da carta aos Hebreus. Essa carta foi escrita a cristãos. Foi escrita a cristãos e, no entanto, contém esta afirmação, em Hebreus 10:31:

    Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo.

    Uma advertência aos cristãos, usando a história de Israel, como vocês sabem, como a grande ilustração dessa advertência:

    Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo.

    A palavra é dirigida a cristãos. Bem, esse é outro contexto.

    O Deus Vivo na Realidade Espiritual

    Mas então chegamos ao quarto e último contexto. Aqui, o Deus vivo está em casa. Aqui, tudo corresponde a esse próprio título. Não há conflito nem contraste algum.

    Aqui, as coisas são vivas porque são espirituais, e não meramente formais ou ritualistas. Aqui, as coisas são essencialmente reais. São reais. Aqui estão as próprias coisas celestiais sob os cuidados do Espírito Santo. Aqui, o título se ajusta: o Deus vivo.

    Assim foi com os tessalonicenses. O contexto da expressão correspondia à própria expressão:

    Vos convertestes dos ídolos a Deus, para servir ao Deus vivo e verdadeiro,
    e esperar dos céus a Seu Filho.

    Agora estamos no terreno certo. Estamos no terreno que agrada ao Deus vivo. E, queridos amigos, é esse último contexto que temos diante de nós. É o que está representado naquilo que o Senhor nos apresentou como o propósito e o objetivo da nossa existência.

    É com isso, que temos visto em pequena medida, que estamos comprometidos. É isso que define este ministério. É aquilo que corresponde a esse título, o Deus vivo, num contexto apropriado a esse nome.

    Tudo aqui expressa o Deus vivo. É o Deus vivo Quem está entre nós. É isso que temos em vista, aquilo de que, como eu disse, temos visto um pouco e para o que fomos atraídos pela graça de Deus.

    Não é, em primeiro lugar, o ensino; é, em primeiro lugar, o próprio Senhor, o Deus vivo. Não é, em primeiro lugar, um sistema, uma prática e um procedimento; é, em primeiro lugar, a vitalidade, ou a vida. Não é, em primeiro lugar, a letra; é, em primeiro lugar, o Espírito.

    Essa é a esfera em que a iniciativa e o controle permanente não estão com os homens, mas com o Senhor, com o Deus vivo.

    A Realidade como Característica Essencial

    A única característica suprema do que isso significa é a realidade. Realidade.

    Se a expressão — o Deus vivo — significa alguma coisa, ela significa realidade em todas as direções e em todos os contextos. É a realidade do próprio Senhor entre o Seu povo. É a realidade da verdade que se ensina, que se aceita: a realidade. É a realidade da vida. A vida é real.

    Agora, há três relações principais dessa realidade. Espero que vocês reconheçam o que estamos procurando dizer nestas ocasiões. Trata-se daquilo que cremos que o Senhor realmente deseja ter.

    Acho que podemos dizer que nosso coração está voltado para isso. Nunca poderemos nos satisfazer com algo diferente, ou menor, do que aquilo que o Senhor realmente poderia ter. Mas, se é assim, se é assim, estamos de fato empenhados nisso e dizemos: “É realidade que queremos”.

    Se isso é verdade, então estamos entregues ao Espírito Santo para que Ele torne as coisas muito reais, mantenha as coisas muito reais e trate de tudo o que não é real, do que é artificial, do que não é real.

    Portanto, o Espírito Santo Se ocupa da realidade. O Espírito Santo sempre começa Sua obra de tornar as coisas reais introduzindo nelas a Cruz de maneira muito real.

    A Cruz como Fundamento da Realidade

    A primeira relação principal dessa realidade espiritual é com a Cruz — não apenas como um objeto, não como algo exterior a nós, não como uma coisa, mas a Cruz como uma força e uma lei presentes, vivas e poderosas, que governam tudo.

    Sim, a Cruz, como poder atuante nas mãos do Espírito Santo, é o fundamento da realidade.

    Se vocês e eu, queridos amigos, estamos realmente empenhados naquilo que Deus deseja ter — as coisas essenciais às quais Seu coração está voltado, as coisas reais —, descobriremos que somos colocados diante da operação da Cruz nas mãos do Espírito Santo.

    A Cruz, de fato, por um lado, é para o nosso bem e para a nossa bênção, e opera a nosso favor. Há bênçãos ilimitadas na Cruz para o povo de Deus. É algo em que podemos nos gloriar, como o apóstolo disse que fazia. Sim, a Cruz é um poder grandioso que opera a nosso favor.

    Mas a Cruz também operará contra nós. Ela é igualmente poderosa contra nós. Vejam, não podemos entrar na esfera de Deus sem descobrir como somos inadequados para essa esfera e que algo precisa ser feito para tratar daquilo que é tão inadequado ao Senhor.

    O que estou dizendo a vocês, queridos amigos, é isto: não pretendo lhes dar mais ensino sobre a Cruz, mas simplesmente mostrar que, se vocês e eu estamos realmente com o Senhor em favor daquilo que está mais próximo do Seu coração, nossa vida será mantida muito perto da Cruz, e a Cruz será mantida muito perto da nossa vida.

    Descobriremos que, ao mesmo tempo que entramos no bem e nas bênçãos que a Cruz proporciona, também somos submetidos a um tratamento muito intenso e preciso de tudo o que é contrário ao Senhor, pelo poder dessa Cruz. Ela é algo que opera.

    O Dr. [inaudível], muitos anos atrás, muito antes do início da era atômica, usou esta expressão: “a Cruz radioativa”. Você não pode tocá-la sem encontrar algo que o queime, que o cauterize. Ela é radioativa.

    Bem, essa é uma expressão muito boa. É assim mesmo. A Cruz não é apenas uma doutrina. Certamente não é um objeto de madeira para se carregar ao pescoço. A Cruz é uma força e uma lei presentes e contínuas na vida em que Deus há de ter as coisas de acordo com o Seu pensamento.

    A Cruz é por nós, mas a Cruz também é contra nós. Isso é essencial à realidade. Ela é gloriosa por um lado, mas terrível pelo outro.

    Não podemos permanecer em sua presença sem sermos verdadeiros diante de Deus. Descobriremos que isso não é algo meramente formal, feito de ensino, verdade e sistema. Encontramos o Deus vivo por meio da Cruz de Seu Filho.

    Vejam, o Espírito Santo realiza toda a Sua obra com base na Cruz. Ele começa a obra com base na Cruz, continua Sua obra com base na Cruz e concluirá Sua obra com base na Cruz.

    O Deus vivo significa que a Cruz do Senhor Jesus não é algo situado na história de muito tempo atrás. A Cruz do Senhor Jesus é algo aqui e agora, como fundamento de julgamento e de revelação do que realmente somos. É algo poderoso.

    Essa é a primeira relação da realidade. Suponho que, embora isso pareça um tanto pesado e difícil, vocês e eu preferimos que seja assim. Não queremos estar numa religião que não funciona.

    Não queremos estar num cristianismo meramente formal e vazio, mantendo alguma coisa, indo às reuniões e tudo o mais. Queremos realidade. Queremos realidade. Queremos que as coisas funcionem. Queremos o Deus vivo.

    Se é assim, então essa realidade se manifestará, antes de tudo, por meio da Cruz. A Cruz é o primeiro instrumento da realidade divina. É ali que, antes de tudo, encontramos o Deus vivo.

    A Ressurreição como Realidade Governante

    A segunda relação da realidade é com a ressurreição. O Deus vivo Se dá a conhecer a nós por meio da ressurreição.

    A ressurreição é a realidade governante do Deus vivo e do Seu propósito. Todo o propósito de Deus — ouçam isto —, todo o propósito de Deus será desenvolvido, cumprido e realizado com base na ressurreição.

    Mais uma vez, assim como a Cruz do Senhor Jesus não é apenas um ato histórico, ocorrido há muito tempo e num lugar distante, algo realizado num determinado lugar e num determinado momento deste mundo, mas permanece continuamente viva, o mesmo é verdade quanto à ressurreição.

    A ressurreição não é algo que simplesmente aconteceu e cujo começo e fim ficaram ali, naquele jardim, naquele país, naquele tempo. Não, a ressurreição é o fundamento sobre o qual Deus prossegue para a realização e o cumprimento de todo o Seu propósito.

    Essa ressurreição precisa tornar-se, cada vez mais, de maneira progressiva, a experiência do Seu povo. Ele, repito, opera sobre essa base.

    Como vocês conhecem o Deus vivo? Como conheceremos a realidade das coisas? Desta maneira: vez após vez, somos levados ao ponto em que, se não fosse o Deus que ressuscita os mortos, tudo estaria acabado. Seria o fim.

    Aqui está mais uma ocasião para o Deus da ressurreição intervir e cuidar da situação; caso contrário, tudo estará perdido. Isso é realidade. Isso é manter as coisas reais, não é? Isso é trazer a ressurreição para o presente.

    Se soubermos interpretar essa história, poderemos ver, em grande medida, que essa é a história de tudo o que é verdadeiramente de Deus. Essa é a história da verdadeira igreja, a história da verdadeira vida espiritual: uma sucessão de ressurreições.

    Essa é uma maneira de dizer. Talvez, mais corretamente, devêssemos dizer: uma sucessão de experiências da ressurreição. Realidade.

    É uma realidade terrível. Há nela algo que, de certa maneira, em certo sentido, é terrível quando chegamos ao ponto a que Paulo chegou e disse, em 2 Coríntios 1:8:

    Até da própria vida desesperamos.
    Fomos oprimidos acima das nossas forças.

    Isso é algo terrível. Mas não termina aí, como lemos em 2 Coríntios 1:9:

    Para que não confiássemos em nós mesmos, mas em Deus, que ressuscita os mortos.

    “Temos este ministério”, diz o apóstolo. Visto que temos este ministério — que ministério? Nosso ministério não é a verdade a respeito da ressurreição que ocorreu tantos séculos atrás, mas o poder dessa ressurreição no presente: a ressurreição, em certo sentido, repetida em nossa experiência, não uma nem duas vezes. Esse é o ministério.

    Ele nasce dessa experiência. Vejam, a ressurreição é o selo do Deus vivo. O Deus vivo coloca Seu selo sobre as coisas por meio da ressurreição. Ele colocou Seu selo sobre Seu próprio Filho e O confirmou como Filho pela ressurreição dentre os mortos.

    Ele coloca Seu selo sobre tudo o que está relacionado ao Seu Filho da mesma maneira. Seu selo é a ressurreição. A ressurreição marca o começo de tudo o que é de Deus. Deus começa ali. Deus começa ali.

    Na criação material, Deus começou com uma ressurreição: da morte, da morte, do caos — ressurreição dentre os mortos. Mais uma vez, vocês têm isso ilustrado diante de si e, quando chegam ao Novo Testamento, é exatamente isso.

    Tudo tem sua origem, seu começo, nesta dispensação, na ressurreição do Senhor Jesus. Deus começa tudo com ressurreição. Cada nova fase, cada nova fase — isso deve nos instruir e encorajar — nos encontra num ponto em que agora precisa haver ressurreição.

    Se é necessária uma ressurreição, então podemos entender que uma nova fase está próxima. Há alguma nova fase das coisas de Deus em vista. Devemos confiar em Deus, que ressuscita os mortos. Ele começa e prossegue com base na ressurreição.

    Isso é algo constante, contínuo e repetido no avanço de Deus. Mas não se trata apenas de Deus repetir a mesma coisa. Cada nova expressão da ressurreição traz algum aumento e algum avanço em relação ao que havia antes.

    Poderíamos dizer que a morte parece ser mais profunda, e isso é verdade; então a ressurreição precisa ser maior. Estou tentando definir para vocês, queridos amigos, uma verdadeira experiência espiritual e uma verdadeira característica daquilo que Deus deseja ter.

    É isso que constitui o testemunho do Deus vivo. O que é verdadeiro a respeito dos começos de Deus, sempre em ressurreição, e do Seu avanço contínuo também será verdadeiro, como sabemos pelas Escrituras, na consumação de tudo.

    O último acontecimento, que colocará a coroa sobre toda a obra de Deus, será a ressurreição: a ressurreição final, espiritual e física, e a da criação, novamente levantada dessa morte da corrupção. Poderosa e gloriosa.

    A questão é que tudo isso é a maneira pela qual Deus mostra que Ele é o Deus vivo. É muito real. Conhecer o Deus vivo é algo muito real.

    A Igreja do Deus Vivo

    Então, na terceira e última relação, a realidade se encontra na igreja verdadeiramente espiritual: na Cruz, na ressurreição e na igreja verdadeiramente espiritual.

    Não estou falando agora de algo que é chamado de igreja, mas daquilo que é a igreja do Deus vivo. A igreja do Deus vivo. É aqui que encontramos o significado dessa palavra, desse nome, dessa designação, dessa definição: a igreja — como se lê em Efésios 1:22-23:

    A igreja, que é o Seu corpo.

    É nela, se for a verdadeira igreja, que o Deus vivo habita e pode ser encontrado.

    Se o Senhor tem aqui neste mundo, em qualquer lugar, uma verdadeira representação da igreja, o que a distinguirá será a presença do Senhor.

    Isso parece muito simples. Talvez não lhes pareça algo tão maravilhoso. Mas, vocês sabem, afinal, é isso que decide e resolve tudo, não é, no que diz respeito à igreja? É verdade que a igreja é a igreja do Deus vivo, o lugar da Sua habitação.

    Então, onde quer que ela esteja representada, isto deve ser mais dominante e real do que qualquer outra coisa: o Senhor está ali. O Senhor está ali. O que quer que vocês digam sobre as pessoas, sobre isto ou aquilo, terão de dizer: “O Senhor está ali”. Vocês encontram o Senhor ali. Vocês se encontram com o Senhor ali.

    Isso é o que determina se ela é ou não a igreja do Deus vivo. Não, em primeiro lugar, o ensino ou toda a prática, mas a presença do Senhor — o lugar onde Ele habita.

    É o lugar onde Ele preside, não apenas como convidado, mas como Anfitrião; não como membro, mas como Cabeça: o próprio Senhor no comando, o Senhor sobre todas as coisas. Essa é, segundo a Palavra, a verdadeira igreja do Deus vivo, onde o Senhor está no comando.

    É o lugar do zelo do Senhor. Segundo a Palavra, o Senhor zela por Sua casa. Ele zela pelo lugar onde está o Seu nome. Ele zela por Sua habitação. Ele tem grande zelo e grande indignação quando possui algo que é a igreja do Deus vivo.

    Ali encontramos o zelo de Deus.

    Bênção e Responsabilidade na Casa de Deus

    Agora, queridos amigos, essa última afirmação contém muita coisa que vocês e eu precisamos procurar manter sempre em mente. Estou falando de realidade — realidade que opera de duas maneiras.

    Agora, quanto à igreja, à casa de Deus: se ela corresponde de fato a esse título, a igreja do Deus vivo, então estar nela, fazer parte dela, por um lado, traz consigo muitas bênçãos grandes e especiais, vantagens, coisas que são a nosso favor.

    Encontraremos valores especiais nessa casa de Deus — valores especiais de comunhão, de relacionamento, do Senhor vindo ao nosso encontro nesse terreno, nesse terreno da Sua igreja.

    Ela deve ser uma casa de pão. Será uma casa de abundância, de riquezas espirituais, uma casa que reúne muitos valores e muitas vantagens, se for a igreja do Deus vivo.

    Podemos ficar muito aquém do ideal e dessa verdade, mas isso é o que sempre tivemos diante de nós: deveria ser assim.

    Por outro lado, isso nos envolve em responsabilidade. As coisas operam aqui. As coisas operam aqui.

    Poderíamos dizer muito sobre a história da nossa própria experiência como povo ao longo dos últimos trinta anos ou mais. Temos visto os princípios da casa de Deus serem triste e gravemente violados, com as mais terríveis consequências.

    Sim, isso aconteceu — não uma, nem duas vezes. Havia conhecimento da verdade sobre a casa de Deus, e essa verdade foi violada quase deliberadamente, com resultados trágicos na vida. Há uma longa e terrível história desse lado.

    Mas, do outro lado, que bênção! Que enriquecimento! A questão é que a casa de Deus não é um lugar, não é uma ideia, uma verdade, uma coisa. A casa de Deus é uma realidade terrível e, ao mesmo tempo, gloriosa — uma realidade gloriosa.

    Gostaríamos que fosse diferente? Agora, mais uma vez, somos desafiados. Queremos apenas ir às reuniões, voltar para casa e continuar fazendo esse tipo de coisa ano após ano, mantendo algo quase como uma apresentação, ou queremos que isso opere?

    Queremos que seja gloriosamente real e, no entanto, se necessário, terrivelmente real? Terrivelmente real. Queremos que seja com o Deus vivo que tenhamos de tratar? Se é assim, é dessa maneira.

    Precisamos entrar em harmonia com o pensamento de Deus a respeito de Sua casa. Se fizermos isso, entraremos nos grandes valores e nas bênçãos da igreja do Deus vivo.

    Se violarmos os princípios da casa de Deus, encontraremos algo com que teremos de lidar. Vejam, Paulo apontou exatamente para isso, em 1 Coríntios 11:30:

    Por esta causa há entre vós muitos fracos e enfermos, e não poucos dormem.

    Era real. É a igreja do Deus vivo.

    Há responsabilidades que recaem sobre nós na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo. Há grandes bênçãos a serem experimentadas e desfrutadas na igreja do Deus vivo.

    Uma Oração pela Continuidade da Realidade Espiritual

    Bem, trata-se de realidade, vejam — realidade em tudo; vitalidade; algo que opera.

    Queridos amigos, devemos estar continuamente em oração para que sejamos livrados de algo que seja apenas uma forma vazia, apenas a manutenção de uma tradição, uma acomodação a algo aceito e estabelecido; para que sejamos mantidos continuamente no caminho da realidade.

    Em todos os sentidos, esta deve ser continuamente a oração entre nós: “Senhor, seja o que for que isso signifique, torna tudo real. Custe o que custar, mantém tudo real. Não nos deixes tornar um povo formal, um povo simplesmente preso a uma maneira de fazer as coisas, mas mantém tudo vivo. Mantém tudo real. Mantém tudo operando o tempo todo”.

    Isso pode significar opor-se ao que é errado, ao que é falso, ao que é mau; trazer à luz todas as coisas que estão sendo escondidas e que simplesmente impedem o Senhor de prosseguir conosco. Se precisam ser reveladas, deixemos que tudo venha à luz. Senhor, sê fiel. Sê verdadeiro. Sê justo.

    O Senhor Vivo entre as Igrejas

    Agora, se vocês lerem novamente os primeiros capítulos do livro de Apocalipse, verão que tudo o que tenho dito se encontra ali, em Apocalipse 1:18:

    Eu sou Aquele que vive.
    Eis que estou vivo para todo o sempre,
    e tenho as chaves.

    Símbolos de autoridade. Agora, quanto às igrejas, é o Deus vivo Quem está trazendo tudo a julgamento: para abençoar onde Ele pode abençoar, à medida que as coisas correspondem ao Seu pensamento; para julgar com terrível juízo onde as coisas são diferentes. É exatamente assim.

    Mas Ele está ali, fazendo Seu poderoso apelo à igreja para que entre em harmonia com Ele, como Aquele que vive. Vejam, é a vida que governa tudo.

    Ó igrejas, vocês não podem simplesmente continuar como se o Senhor estivesse longe, sem contato e sem relacionamento. Como se tudo fosse apenas um sistema de coisas. Não, Ele é o Deus vivo, aqui mesmo, presente, manifestando-Se. Tudo precisa ser muito real na presença do Deus vivo.

    A Bênção do Deus Vivo

    Bem, espero que, ao dar esse tom de seriedade — porque se trata de um assunto sério, um assunto que nos introduz numa esfera de realidade muito grande —, espero que esse lado sério seja bem equilibrado ao lembrá-los de que, se as coisas correspondem de fato ao significado desse próprio título do Senhor, o Deus vivo, em nosso meio, se as coisas entram em harmonia com isso, esse é um lugar de bênção muito grande, de enriquecimento muito grande.

    O Deus vivo a nosso favor — não é pouca coisa ter Seu zelo por nós. Não é pouca coisa tê-Lo em nosso meio. Não é pouca coisa.

    Assim, temos este ministério: revelar, manifestar a realidade do Deus vivo.

    Olhem novamente para essa carta, para toda essa carta da qual são tiradas as palavras “este ministério”. Vocês veem como tudo é vivo, não é? Tudo é tão real. Tão real.

    Que o Senhor faça com que seja assim entre nós.