Partiu, pois, Elias dali e achou a Eliseu, filho de Safate, que andava lavrando com doze juntas de bois adiante dele; e ele estava com a duodécima.
E Elias passou por ele e lançou o seu manto sobre ele.
Então deixou ele os bois, correu após Elias e disse: Deixa-me beijar a meu pai e a minha mãe, e então te seguirei.
E ele lhe disse: Vai e volta; pois que te fiz eu?
Voltou, pois, de o seguir, tomou a junta de bois e os matou; e, com os aparelhos dos bois, cozeu as carnes e as deu ao povo, e comeram.
Depois se levantou, seguiu a Elias e o servia.
Sucedeu que, havendo o Senhor de elevar a Elias num redemoinho ao céu, Elias partiu com Eliseu de Gilgal.
E disse Elias a Eliseu: Fica-te aqui, peço-te, porque o Senhor me enviou a Betel. Porém Eliseu disse: Vive o Senhor, e vive a tua alma, que não te deixarei. E assim desceram a Betel.
Então os filhos dos profetas que estavam em Betel saíram ao encontro de Eliseu e lhe disseram: Sabes que o Senhor hoje tomará o teu senhor por sobre a tua cabeça? E ele disse: Também eu o sei; calai-vos.
E Elias lhe disse: Eliseu, fica-te aqui, peço-te, porque o Senhor me enviou a Jericó. Porém ele disse: Vive o Senhor, e vive a tua alma, que não te deixarei. E assim vieram a Jericó.
Então os filhos dos profetas que estavam em Jericó se chegaram a Eliseu e lhe disseram: Sabes que o Senhor hoje tomará o teu senhor por sobre a tua cabeça? E ele disse: Também eu o sei; calai-vos.
E Elias lhe disse: Fica-te aqui, peço-te, porque o Senhor me enviou ao Jordão. Porém ele disse: Vive o Senhor, e vive a tua alma, que não te deixarei. E assim ambos foram juntos.
E foram cinquenta homens dos filhos dos profetas e, de longe, pararam defronte deles; e ambos pararam junto ao Jordão.
Então Elias tomou o seu manto, dobrou-o e feriu as águas; e elas se dividiram para uma e outra banda, e passaram ambos em seco.
Sucedeu que, havendo eles passado, Elias disse a Eliseu: Pede-me o que queres que te faça, antes que seja tomado de ti. E disse Eliseu: Peço-te que haja porção dobrada de teu espírito sobre mim.
E disse: Coisa difícil pediste; se me vires quando for tomado de ti, assim se te fará; porém, se não, não se fará.
E sucedeu que, indo eles andando e falando, eis que um carro de fogo, com cavalos de fogo, os separou um do outro; e Elias subiu ao céu num redemoinho.
O que vendo Eliseu, clamou: Meu pai, meu pai, carros de Israel e seus cavaleiros! E nunca mais o viu; e, tomando as suas vestes, rasgou-as em duas partes.
Também levantou o manto de Elias, que lhe caíra; e voltou e parou à margem do Jordão.
E tomou o manto de Elias, que lhe caíra, e feriu as águas, e disse: Onde está o Senhor, Deus de Elias? E, ferindo ele também as águas, elas se dividiram para uma e outra banda; e Eliseu passou.
Vendo-o, pois, os filhos dos profetas que estavam defronte dele em Jericó, disseram: O espírito de Elias repousa sobre Eliseu.
Na última vez em que estivemos aqui juntos, compartilhamos sobre a vida e o ministério do profeta Elias. Abordamos um pouco daquela extraordinária vida e daquele ministério do profeta Elias.
Desta vez, creio que gostaríamos de continuar com a vida e o ministério do profeta Eliseu, porque não se pode separar esses dois homens, Elias e Eliseu, nem o ministério deles.
O ministério de Elias está mais ligado ao juízo e, portanto, à morte. O ministério de Eliseu está mais ligado à graça e, portanto, à vida — à ressurreição.
Vocês percebem que, quando Deus opera, essa é a ordem. Geralmente, vocês verão que Ele primeiro vem em juízo. Primeiro, Ele nos leva à morte. Mas esse não é o fim. A obra prossegue com a graça, que nos tira da morte e nos leva à ressurreição, à vida.
Portanto, não se pode dividir os ministérios desses dois homens, porque eles formam um só ministério.
Creio que isso fica muito claro quando lembramos que, ao se retirar Elias para o monte Horebe, Deus o enviou de volta. Deus lhe deu três missões para cumprir. Ele deveria voltar para ungir Hazael como rei da Síria, ungir Jeú como rei de Israel e ungir Eliseu como o profeta que lhe sucederia.
Mas, se vocês lerem o relato, verão que Elias foi, de fato, procurar Eliseu e colocou seu manto sobre ele. Porém, ele nunca ungiu Hazael, nem ungiu Jeú. A unção desses dois homens como reis foi realizada por Eliseu. Portanto, vocês percebem que esses dois ministérios são um só, não dois.
Elias voltou. A primeira coisa que fez foi procurar Eliseu. Agora, onde estava Eliseu?
Se vocês lerem 1 Reis 19:16:
E a Eliseu, filho de Safate, de Abel-Meolá, ungirás profeta em teu lugar.
Abel-Meolá ficava no vale do Jordão. Portanto, Eliseu estava no vale do Jordão. Ele devia ser um dos sete mil que não haviam dobrado os joelhos diante de Baal. Era um daqueles que eram fiéis ao Senhor em uma época de apostasia e declínio.
Sabem, o próprio nome Eliseu significa: “Aquele cuja salvação é Deus”. Elias significa: “Aquele cujo Deus é o Senhor”. Eliseu significa: “Aquele cuja salvação é Deus”. Eliseu devia estar entre aqueles sete mil que aguardavam a salvação do Senhor.
Foi ali que Elias o procurou, para ungi-lo como profeta. Quando Elias o encontrou, o que Eliseu estava fazendo? Estava arando o campo.
Ele estava arando com doze juntas de bois e estava com a duodécima. Sabem, quando uma pessoa ara o campo, normalmente usa uma junta de bois — isto é, dois bois unidos por uma canga. Mas Eliseu tinha tanta energia que, quando Elias o encontrou, ele estava arando com doze juntas de bois e estava com a duodécima.
O chamado de Deus é sempre soberano. Quem Deus deseja chamar, Ele chama. Essa é uma prerrogativa de Deus.
Mas, quando Deus chama, precisa haver naquela pessoa uma condição correspondente para responder ao chamado. A condição interior da pessoa não dá origem ao chamado; é Deus quem o inicia. Mas a condição interior da pessoa dá sustentação ao chamado.
É por isso que encontramos nas Escrituras:
Muitos são chamados, mas poucos são escolhidos.
O chamado de Deus chega a muitos, mas poucos são escolhidos. A razão é que, em muitos, não existe aquela condição interior para responder ao chamado e, assim, serem escolhidos.
Portanto, quando o chamado de Deus veio a Eliseu, ele estava ali, arando o campo. Certamente Eliseu, sendo um daqueles sete mil que aguardavam a salvação do Senhor, sendo um daqueles que confiavam no Senhor, devia desejar ver a nação de Israel restaurada a Deus.
Eliseu devia ser alguém que esperava que Deus fizesse alguma coisa entre o Seu próprio povo. Ou, dizendo de outra maneira, Eliseu devia estar entre aqueles que, por assim dizer, haviam se apresentado a Deus. Se o Senhor quisesse usá-lo para o Seu propósito, ele estava disposto e pronto.
E, no entanto, nós o encontramos arando o campo.
Sabem, muitas vezes pensamos que esperar para ser usado por Deus e arar os campos são coisas contraditórias. Se uma pessoa realmente tem o coração voltado para Deus e deseja entregar-se a Ele, para que Deus a use como instrumento do Seu propósito, pensamos que essa pessoa precisa se preparar.
De que maneira? Ou ela precisa ir para uma escola de profetas — porque, naquela época, havia escolas de profetas —, ou, se não for para uma escola de profetas, pelo menos deve ficar em casa e passar todo o tempo estudando a Bíblia, orando e se preparando.
É assim que pensamos que uma pessoa deve se preparar para o Senhor. Arar o campo? Isso é contraditório.
Mas aqui vocês encontram um homem cujo coração estava diante do Senhor. Ele estava preparado. Estava pronto. E, ao mesmo tempo, não estava sentado em casa, desperdiçando seu tempo na ociosidade. Estava arando o campo.
E arava com doze juntas de bois. Em outras palavras, colocava todo o coração naquele trabalho. Era tão diligente! Quando fazia alguma coisa, fazia bem-feito, até o fim.
Bem, podemos pensar que, se uma pessoa coloca o coração em uma ocupação terrena, certamente não terá energia para se preparar diante do Senhor. Mas, para alguém cujo coração é íntegro para com o Senhor, não há diferença entre ir para a escola de profetas ou estar arando. Tudo isso é preparação para o Senhor.
Não há diferença entre coisas sagradas e coisas seculares. Aqui encontramos Eliseu: antes de Deus chamá-lo, ele estava pronto. Mas como se preparou? Preparou-se no campo e fez isso de todo o coração, como para o Senhor.
Em outras palavras, havia caráter ali. Deus está procurando determinadas qualidades de caráter em nós. Se Ele encontrar esse caráter em nós, poderá nos usar.
Muitas vezes pensamos que, para servir ao Senhor, o mais importante é isto: se você tem dons, se tem talento, se tem uma personalidade dinâmica, se tem carisma, então certamente o Senhor poderá usá-lo.
Mas o que o Senhor procura em nós é caráter. Se Deus encontrar um caráter que corresponda a Ele, essas são as pessoas que Ele poderá usar. E o caráter se desenvolve ao longo dos anos.
O mais importante na preparação diante do Senhor é ter nosso caráter desenvolvido. Costumamos dizer que Deus nunca chama uma pessoa preguiçosa para servi-Lo.
Sempre que o chamado de Deus chega a alguém, encontramos essa pessoa ocupada, trabalhando. Quando o Senhor chamou Pedro, ele estava lançando a rede. Quando o Senhor chamou os dois filhos de Zebedeu, eles estavam consertando as redes. Quando o Senhor chamou Mateus, ele estava trabalhando na coletoria. Quando o Senhor chamou Saulo de Tarso, ele estava perseguindo os cristãos.
Todos estavam ativamente ocupados. Deus não precisa de preguiça. Nosso Deus é um Deus diligente.
Assim, encontramos Eliseu se preparando diante do Senhor. Embora estivesse ocupado com tarefas terrenas, ele arava o campo e colocava todo o coração naquilo, como para o Senhor. E essa é uma condição que encontra aprovação aos olhos de Deus.
Queridos irmãos e irmãs, se temos um coração voltado para o Senhor, se desejamos ser usados por Ele, como devemos nos preparar?
O melhor é isto: onde quer que Deus coloque você, em qualquer situação em que Ele o tenha colocado, faça tudo como para o Senhor — com diligência e de todo o coração —, porque não há distinção entre coisas sagradas e coisas seculares.
E aqui encontramos Elias. Ele não falou com Eliseu. Apenas chegou até ele e colocou seu manto sobre ele. Naturalmente, o manto de um profeta é o sinal de seu ministério profético. Assim, quando Elias colocou seu manto sobre Eliseu, Eliseu entendeu.
Não houve discussão. Não houve hesitação. Não houve ressalvas. Não houve questionamento. Eliseu estava pronto. Era como se estivesse esperando por aquilo. Imediatamente, deixou os bois e foi até Elias.
Então ele disse:
Deixa-me beijar a meu pai e a minha mãe, e então te seguirei.
E Elias disse:
Vai e volta; pois que te fiz eu?
Vocês se lembram de Lucas 9:61-62? Um discípulo veio ao Senhor e disse:
Senhor, eu Te seguirei, mas deixa-me primeiro voltar e despedir-me de meus pais; depois virei.
Vocês se lembram de como o Senhor respondeu?
Ninguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o reino de Deus.
Eliseu estava fazendo a mesma coisa?
Deixa-me beijar a meu pai e a minha mãe, e então te seguirei.
E Elias disse:
Vai e volta; pois que te fiz eu?
Exteriormente, essas duas situações parecem iguais, mas, interiormente, são diferentes. Quanto ao discípulo de Lucas 9:61-62, quando ele disse: “Deixa-me voltar e despedir-me de meus pais”, percebemos que estava preso a um relacionamento terreno. Estava relutante. Havia hesitação. Havia uma ressalva ali.
Ele não conseguia se desprender. Não conseguia deixar tudo e seguir o Senhor. Por isso, o Senhor disse:
Se você lança mão do arado e olha para trás, não é apto para o reino de Deus.
Mas, quando Eliseu disse aquilo, no que dizia respeito ao seu coração, não havia nada que pudesse prendê-lo. Ele estava pronto para deixar tudo.
Sabem, às vezes, quando vocês começam a arar, no início pensam: “Bem, por que eu deveria estar arando? Eu deveria estar profetizando”. Mas, depois de algum tempo, quando colocam todo o coração no trabalho de arar, começam a gostar daquilo. E, quando o chamado chega, não conseguem deixar a terra.
Mas não foi assim com Eliseu. Ele deixou os bois e foi imediatamente até Elias. Em outras palavras, não havia nada que pudesse prendê-lo. Estava pronto para deixar tudo e seguir. Mas disse: “Deixa-me voltar e beijar meu pai e minha mãe”.
Sabem, não é difícil para quem não ama seus pais deixá-los. Não há cruz nisso. Mas, para quem realmente ama seus pais, despedir-se deles com um beijo envolve uma cruz. Há o negar a si mesmo, o tomar a cruz e o seguir o Senhor.
Eliseu devia amar profundamente seus pais, mas estava pronto para despedir-se deles com um beijo. Em outras palavras, sua decisão de deixar tudo para trás era absoluta e firme. Não haveria olhar para trás.
Sabem, há uma história assim. Se vocês já leram a história do grande reformador Martinho Lutero, sabem que, em certa época, ele foi professor. Mas estava profundamente convencido de seu pecado e buscava a salvação do Senhor.
Certa noite, ele reuniu seus amigos e deu uma festa em sua casa. Eles tocaram instrumentos musicais, cantaram e passaram momentos agradáveis juntos. Depois que todos os amigos foram embora, sabem o que ele fez? Levantou-se, foi a um mosteiro agostiniano, bateu à porta e pediu para ser recebido. Aquela foi sua despedida do mundo.
O mesmo aconteceu aqui. Vocês se lembram de como Mateus se despediu do mundo? Depois que o Senhor o chamou para sair da coletoria, ele ofereceu um banquete. Convidou todos os seus velhos amigos para conhecerem seu novo Mestre. Aquela foi sua despedida de seu antigo mundo.
E Eliseu se despediu de sua antiga vida. Pegou os bois, matou-os, usou a canga e os instrumentos como lenha para cozinhar a carne e a ofereceu a todos os seus amigos. Depois partiu e passou a servir Elias.
Queridos irmãos e irmãs, é preciso responder ao chamado deixando tudo e seguindo o Senhor.
Todas as vezes, na Bíblia, vocês percebem que, quando o Senhor chama, a única resposta é deixar tudo e segui-Lo. Ou vocês deixam tudo e seguem, ou permanecem onde estão. Não há meio-termo.
Eliseu foi chamado para ser profeta. Talvez nem todos nós sejamos chamados para ser profetas. Segundo Efésios 4:11-12, Deus deu à igreja uns como apóstolos, outros como profetas, outros como evangelistas e outros como pastores e mestres, para o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para a edificação do corpo de Cristo.
Nem todos somos chamados para ser profetas. No entanto, todos somos chamados para servir ao Senhor. Todos somos chamados para servir ao Senhor em diferentes funções, segundo a vontade de Deus.
Mas vocês sabem que o chamado para servir também é um chamado ao discipulado? Quando Eliseu foi chamado para ser profeta, sabem o que aconteceu? Ele deixou tudo, seguiu Elias e passou a servi-lo. Em outras palavras, ele servia Elias.
O chamado para servir e o chamado ao discipulado caminham juntos. Não se pode servir sem primeiro ser discípulo.
Mesmo quando nosso Senhor Jesus estava na terra, Ele chamou os doze apóstolos. Mas, antes de enviá-los, eles estiveram com Ele. Aprenderam, e então Ele os enviou.
Muitas vezes temos o desejo de servir ao Senhor, mas não temos muito interesse em ser discipulados por Cristo. E, quando vem o chamado ao discipulado, a única resposta é deixar tudo e seguir.
Naturalmente, Pedro deixou tudo e seguiu o Senhor. Mas isso não significava que ele deixaria de cuidar de sua família. Vocês percebem que Pedro ainda tinha o barco. Quando o Senhor usou seu barco, retribuiu-lhe com dois barcos cheios de peixes.
Ele continuava casado e viajava com sua esposa. Até tinha sua sogra em casa e cuidava dela. Então dizemos: “Pedro, você não deixou tudo e seguiu o Senhor? Você deixou o barco e deixou tudo. Por que ainda tem todas essas coisas?”
Bem, a questão é esta: deixar tudo é, basicamente, uma questão do coração. Exteriormente, pode haver essa renúncia, dependendo de como o Senhor precisar de você. Mas, quanto ao coração, é necessário deixar tudo.
Se não houver essa renúncia a tudo, vocês não poderão seguir o Senhor, porque só O seguirão até onde lhes agradar. Não poderão seguir o Senhor até o fim. Se vocês querem seguir o Cordeiro para onde quer que Ele vá, o Cordeiro vai à cruz, e é para lá que vocês precisam ir.
Portanto, uma condição para responder ao chamado ao discipulado é deixar tudo e seguir o Senhor. Mas quem consegue fazer isso? Ninguém consegue. Somente o Senhor.
É o Senhor, em Sua graça; é o Seu amor que nos capacita a deixar tudo e segui-Lo.
Eliseu respondeu ao chamado. Foi chamado para ser profeta. Mas ele profetizou?
Durante vários anos, ele esteve com Elias. O que fazia? Encontramos uma expressão na Bíblia:
Aqui está Eliseu, filho de Safate, que deitava água sobre as mãos de Elias.
Não sei se os judeus daquela época comiam com as mãos ou não. Quando estive na Índia, vocês sabem, lá as pessoas comiam com as mãos — naturalmente, com a mão direita, não com a esquerda. Depois de comer, a mão fica engordurada, então é preciso que alguém derrame água sobre ela para lavá-la.
É assim que se faz na Índia. Ou você vai até uma torneira e deixa a água correr, ou alguém derrama água sobre sua mão para que ela fique limpa.
E Eliseu, depois de deixar o campo e seguir Elias, sabem o que fez durante todos aqueles anos? Nunca proferiu uma única palavra de profecia. Tudo o que fazia era derramar água sobre as mãos de Elias.
Ele ministrava a Elias. Servia Elias como um servo. Fazia todos esses trabalhos manuais. Fico pensando se Eliseu começou a se perguntar: “Fui chamado para ser profeta. Não fui chamado para derramar água. Eu tinha uma tarefa maior quando arava os campos do que agora, derramando água. Fui rebaixado”.
Mas isso é discipulado. Queridos irmãos e irmãs, a menos que estejamos dispostos a ser discipulados por Cristo, a menos que estejamos dispostos a fazer pequenas coisas — coisas insignificantes — com fidelidade, alegria e boa disposição, como para o Senhor, nunca profetizaremos. Nunca seremos capazes de cumprir nosso chamado específico.
Durante aqueles anos em que Eliseu esteve com Elias, ele estava ali o tempo todo, simplesmente servindo Elias. Uma palavra pode resumir aqueles anos, e essa palavra é: seguir. Seguir.
Tudo o que fazia era seguir. Aonde Elias ia, ele ia.
Em 2 Reis 2:1-15, temos a última jornada de Elias. A última jornada de Elias resume todo o percurso de sua caminhada com Deus. Elias andava com Deus, e dessa caminhada surgiu aquele ministério profético.
Sua caminhada com Deus poderia ser resumida nessa última jornada: saindo de Gilgal, indo a Betel, depois a Jericó e, finalmente, atravessando o rio Jordão. Depois de atravessar o rio Jordão, ele foi elevado ao céu. Essa foi sua caminhada com Deus. E sabem o que Eliseu fez? Eliseu o seguiu.
Muitas vezes Elias quis afastá-lo, para colocá-lo à prova, mas ele não se deixava afastar. Ele disse:
Vive o Senhor, e vive a tua alma, que não te deixarei.
“Aonde você for, eu irei.” Isso é seguir.
Irmãos e irmãs, seguimos o Senhor dessa maneira?
Gilgal é um lugar doloroso, porque foi ali que os filhos de Israel receberam a circuncisão. Betel é um lugar agradável: a porta do céu, a casa de Deus. Jericó é um lugar de batalha ou de conflito. O Jordão é um lugar de morte.
Vocês percebem que, em nossa caminhada com Deus, passamos por todo tipo de experiência. Às vezes, somos conduzidos a Gilgal. Em outras ocasiões, chegamos a Betel. Há momentos em que estamos em Jericó e outros em que talvez tenhamos de passar pelo Jordão.
Nossa caminhada com Deus é composta de muitos tipos diferentes de experiências. Mas podemos dizer: “Aonde Tu fores, eu irei”? Ou paramos em algum ponto antes de chegar ao fim?
Mas não foi assim com Eliseu. Eliseu seguiu Elias até o fim e não se deixou afastar. “Eu fico com você.” E, por ter seguido Elias dessa maneira, foi confirmado como o profeta que sucederia a Elias.
Depois que atravessaram o rio Jordão, Elias disse a Eliseu:
Pede-me o que queres que te faça, antes que seja tomado de ti.
Sabem, irmãos e irmãs, em nossas reuniões de oração, ou mesmo em nossa oração particular, muitas vezes citamos aquele versículo de Mateus 7:7:
Pedi, e dar-se-vos-á;
buscai, e encontrareis;
batei, e abrir-se-vos-á.
Muitas vezes usamos esse versículo em nossas orações. Mas será que não temos a experiência de, às vezes, pedir e não receber nada? Às vezes buscamos e não encontramos. Às vezes batemos e a porta não se abre. Vocês se perguntam por quê? Há alguma falha na promessa de Deus?
Bem, irmãos e irmãs, muitas vezes usamos as Escrituras fora do contexto. Vocês sabem onde está esse versículo? Está no chamado Sermão do Monte. E o Sermão do Monte não é dirigido ao mundo, mas aos discípulos do Senhor.
Em outras palavras, se vocês são discipulados por Cristo, então têm esse privilégio de pedir, e lhes será dado. Por quê? Porque pedirão segundo a vontade Dele.
Se não forem discipulados por Cristo, pedirão mal. Pedirão segundo suas razões e seus propósitos egoístas. E como Deus poderá lhes responder?
Portanto, somente depois de Eliseu seguir Elias até o fim é que Elias disse: “Peça o que você quer”. E Eliseu estava bem preparado.
Sabem, às vezes, se o Senhor nos diz: “Agora, o que você quer?”, nós não sabemos o que queremos. Mas Eliseu estava bem preparado. Quando Elias disse: “Agora peça o que quiser”, Eliseu disse:
Peço-te que haja porção dobrada de teu espírito sobre mim.
E Elias disse:
Coisa difícil pediste. Não posso dar isso a ti. Mas, se me vires quando for tomado, assim se te fará; se não me vires quando for tomado, não o terás.
Enquanto caminhavam e conversavam, de repente vieram um carro de fogo e cavalos de fogo e separaram os dois homens. Elias foi elevado num redemoinho, e Eliseu viu aquilo. Ele disse:
Meu pai, meu pai, carros de Israel e seus cavaleiros!
Ele rasgou suas próprias vestes, apanhou o manto que havia caído, e foi isso.
Eliseu disse:
Peço-te que haja porção dobrada de teu espírito sobre mim.
Será que Eliseu era tão ambicioso que queria ser maior do que seu mestre, Elias? “Elias, você tem apenas uma porção do seu espírito; eu quero duas, para ser maior do que você.”
Se fosse esse o caso, ele seria muito ambicioso e egoísta. Estaria pedindo algo para si mesmo.
Mas, depois de seguir Elias durante aqueles anos e de aprender tanto do Senhor, certamente Eliseu não estava pedindo algo egoísta para si mesmo. Ele pediu uma porção dobrada do espírito de Elias. Portanto, nossa pergunta é: o que é o espírito de Elias?
Vocês se lembram de Lucas 1:17? João Batista viria no espírito e no poder de Elias. Converteria o coração dos pais aos filhos e os desobedientes à sabedoria dos justos. Prepararia o caminho do Senhor.
E, mais tarde, o Senhor disse a respeito de João Batista:
Elias já veio.
Se vocês o aceitarem, trata-se de João Batista, porque ele veio no espírito e no poder de Elias.
Agora, o que é o espírito de Elias? Sabem, queridos irmãos e irmãs, todos nós temos um espírito, não é verdade? Um espírito humano — não o Espírito Santo, mas um espírito humano. Deus criou o espírito humano de vocês.
Aqui está nosso corpo. Dentro do corpo está nossa alma, e dentro da alma está nosso espírito. Portanto, nosso espírito está na parte mais oculta do nosso ser. Por estar tão profundamente dentro de nós, muitas vezes não sabemos que temos um espírito.
E certamente as pessoas raramente tocam nosso espírito. Especialmente em nossa sociedade moderna, desenvolvemos de tal maneira a arte de nos esconder que, na verdade, podemos conviver durante anos sem nunca nos conhecermos. Estamos fingindo o tempo todo.
Nós nos conhecemos fisicamente; se nos conhecemos mais profundamente, talvez conheçamos alguns pensamentos, algumas emoções, alguns traços de personalidade. Mas, quanto ao nosso espírito, ele está muito profundamente dentro de nós. Está oculto e é muito difícil de alcançar.
Não suportamos ser tão transparentes. Isso é verdade, porque, se vocês forem assim, sofrerão por isso. As pessoas se aproveitarão de vocês.
Mas onde está nosso espírito? O espírito é o verdadeiro “eu”. Mas onde está o coração verdadeiro? Quando ele se manifesta? Quando as pessoas conseguem tocá-lo? Infelizmente, no caso da maioria das pessoas, é possível tocar esse espírito quando elas estão com raiva.
Quando uma pessoa está com raiva, ela se esquece de si mesma, e então seu espírito se manifesta. E muitas vezes vocês percebem que esse espírito é feio. É um espírito feio.
E, no caso de Elias, o que é o espírito de Elias? Quando vocês viram seu espírito realmente se manifestar? Seu espírito se manifestou quando ele se queixou diante de Deus.
Sabem, depois daquela grande vitória no monte Carmelo, ele pensou: “Agora toda a nação de Israel voltará para Deus. Certamente Deus me usou para fazer algo que nunca havia sido feito antes. Que vitória!”
Então Jezabel mandou dizer: “Amanhã, a esta hora, quero a sua vida”. De repente, ele ficou com medo. Levantou-se e fugiu.
Se tivesse fugido apenas para a nação de Judá, estaria seguro. Estaria fora do domínio de Jezabel e Acabe. Mas deixou seu servo ali e prosseguiu até o deserto. Caminhou quarenta dias e quarenta noites, até chegar ao monte Horebe.
No caminho, ele se queixou a Deus. Disse: “Tenho sido muito zeloso pelo Senhor, e, no entanto, Tu não me ajudas. Sou o único que restou, e querem me matar. Não há esperança. É inútil”.
E, depois que chegou ao Horebe, Deus veio, e ele fez a mesma coisa. Disse: “Tenho sido muito zeloso por Ti, e, no entanto, nada aconteceu”. Estava amargurado. Estava com raiva. Estava decepcionado — realmente decepcionado — com Deus e também consigo mesmo.
Foi naquele momento que seu espírito se manifestou. O que é o espírito de Elias? Embora estivesse se queixando, seu espírito era este: o zelo pelo Senhor o havia consumido.
Ele era uma pessoa zelosa por Deus. Era alguém que tinha um zelo muito intenso pelos direitos de Deus entre o Seu próprio povo. Essa era a única coisa que o consumia: o zelo pelo Senhor. Essa era sua vida. Esse era seu espírito.
No Novo Testamento, quando nosso Senhor purificou o templo, expulsou os comerciantes, derrubou as mesas dos cambistas e mandou aquelas pessoas saírem, a Bíblia diz:
O zelo da Tua casa Me consumirá.
Esse é o espírito do nosso Senhor.
Vocês se lembram dos dois filhos de Zebedeu? Certo dia, nosso Senhor Jesus estava indo da Galileia para a Judeia, para Jerusalém. Ao passar por Samaria, os moradores de uma aldeia não quiseram recebê-Lo, porque Ele estava seguindo para Jerusalém. Eles não queriam nada com os judeus.
Os dois filhos de Zebedeu vieram ao Senhor e disseram:
Senhor, queres que façamos o que Elias fez? Queres que mandemos descer fogo do céu para consumir os moradores desta aldeia?
E o Senhor disse:
Vós não sabeis de que espírito sois.
De fato, eles tinham um espírito, sim, mas não o espírito do Senhor. O Senhor estava indo a Jerusalém para morrer.
Irmãos e irmãs, o que é o espírito de Elias? O espírito de Elias é um espírito de zelo, de fervor e de ardente defesa dos direitos de Deus. Esse é o espírito de Elias.
Por causa daquele espírito dentro dele, ah, como Elias sofreu! Teria sido muito mais fácil se ele não tivesse aquele espírito. Poderia ter se escondido em algum lugar e vivido sua vida em paz. Mas, com aquele tipo de espírito, não podia.
Ele teve de enfrentar Acabe. Teve de enfrentar a nação inteira. Teve de enfrentar o ódio de Jezabel. Teve de passar por sofrimento, perseguição, decepção, desânimo — tudo isso. Por quê? Porque o espírito de Elias é um espírito de zelo pelo Senhor.
Pedir uma porção dobrada é pedir problemas em dobro.
Eliseu não estava pedindo algo para si mesmo, para se tornar grande. Não. Enquanto Eliseu seguia Elias, o espírito de Elias já havia vindo sobre ele. Ele pediu uma porção dobrada do espírito de Elias. Em outras palavras, queria ser literalmente consumido pelo zelo pelo Senhor.
Que oração foi aquela! Elias não podia responder àquela oração. Somente Deus podia responder à oração dele.
Queridos irmãos e irmãs, temos o espírito de Elias?
Quando vemos os direitos de Deus sendo combatidos, ignorados ou desrespeitados entre o Seu próprio povo, como nos sentimos? Sentimos como se nada tivesse acontecido ou literalmente ardemos por dentro?
Ah, se tivéssemos uma porção dobrada desse espírito! Eliseu estava pedindo dificuldades, não tranquilidade e conforto. Não estava pedindo nada para si mesmo. Estava pedindo por amor a Deus.
Por quê? Elias havia trabalhado tremendamente, mas a nação não havia voltado. Apenas exteriormente eles adoravam. Os direitos de Deus continuavam sendo desprezados, e Eliseu queria concluir aquela obra. Estava pronto para sofrer, fosse o que fosse.
E Elias estabeleceu uma condição:
Se me vires quando for elevado, tu a terás.
Sabem, irmãos e irmãs, como podemos atuar de acordo com o chamado de Deus em nossas diferentes funções? Podemos ser chamados, mas esse chamado precisa ser confirmado.
E a confirmação se baseia no tipo de espírito que temos. Temos o espírito de Elias? Temos o espírito de Eliseu? Se temos esse tipo de espírito, a confirmação está presente.
Mas precisamos ver uma coisa. Precisamos ver o Senhor elevado às alturas, assentado à direita do Pai.
Eliseu não receberia o que havia pedido a menos que visse Elias sendo elevado. Nós não receberemos a porção dobrada desse espírito a menos que vejamos o Senhor à direita do Pai.
Vocês encontram no livro de Atos que, quando o Senhor foi elevado às alturas, os discípulos olhavam para cima, mas apenas O viram sendo elevado. Contudo, o Senhor chegou ao céu. Como sabemos disso? Porque, no dia de Pentecostes, o Espírito Santo foi derramado.
E Pedro e os onze disseram:
Isto é o que vedes e ouvis.
Aquilo testemunhava uma coisa: Deus havia feito de Jesus tanto Senhor como Cristo.
Irmãos e irmãs, como podemos receber a confirmação de um chamado? Quando o Senhor abre nossos olhos para vermos que Ele não é apenas Aquele que foi crucificado; Ele é Aquele que está na glória. Ele é o Senhor na glória.
Quando vocês veem o Senhor na glória, então o Espírito Santo é derramado. Vocês recebem uma porção dobrada desse espírito.
Assim, Eliseu teve seu chamado confirmado. Vocês se lembram de que Pedro diz:
Procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição.
Vocês são chamados, sim, mas tornem isso firme, para que não sejamos apenas chamados, mas também escolhidos.
Então Eliseu rasgou suas próprias vestes e vestiu o manto de Elias. Quando voltou, todos sabiam que o espírito de Elias repousava sobre Eliseu.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, que possamos aprender com a vida de Eliseu. Todos somos chamados para servir.
Mas, para que possamos servir, em primeiro lugar, precisamos ser discipulados por Cristo — não por um homem, mas por Cristo.
E, em segundo lugar, precisamos seguir até vermos o Senhor na glória. Então seremos cheios de uma porção dobrada. O zelo pelo Senhor nos consumirá. E somente então seremos capazes de atuar como devemos.
Nosso Pai celestial, nós Te agradecemos por Teu servo Eliseu. Nós Te agradecemos porque ele era um vaso preparado, porque estava disposto a deixar tudo e porque estava disposto a seguir até o fim.
Ele não pediu nada além de uma porção dobrada do espírito de Elias, para que pudesse servir-Te. Ó Senhor, oramos para que esse mesmo espírito caracterize todos nós aqui, porque Tu és Aquele que deve ser servido, e há muito que precisa ser feito.
Pedimos em Teu precioso nome. Amém.