E tomou o manto de Elias, que dele caíra, e voltou, e pôs-se à margem do Jordão.
E tomou o manto de Elias, que dele caíra, e feriu as águas, e disse: Onde está o Senhor, Deus de Elias? E, quando também ele feriu as águas, elas se dividiram para uma e outra banda; e Eliseu passou.
Vendo-o os filhos dos profetas que estavam em Jericó, defronte dele, disseram: O espírito de Elias repousa sobre Eliseu. E vieram ao seu encontro, e se prostraram em terra diante dele.
E disseram-lhe: Eis que entre os teus servos há cinquenta homens valentes; deixa-os ir, rogamos-te, buscar o teu senhor; porventura o Espírito do Senhor o levantou e o lançou em algum monte ou em algum vale. Porém ele disse: Não os envieis.
Mas insistiram com ele até que ficou constrangido; então disse: Enviai. E enviaram cinquenta homens, que o buscaram durante três dias, porém não o acharam.
E voltaram a ele, enquanto permanecia em Jericó; e ele lhes disse: Não vos disse eu que não fôsseis?
E os homens da cidade disseram a Eliseu: Eis que a situação desta cidade é agradável, como vê o meu senhor; porém as águas são más, e a terra é estéril.
E ele disse: Trazei-me uma vasilha nova e ponde nela sal. E lha trouxeram.
Então saiu até à fonte das águas, e lançou ali o sal, e disse: Assim diz o Senhor: Eu sarei estas águas; não haverá mais nelas morte nem esterilidade.
Assim ficaram sãs aquelas águas até ao dia de hoje, conforme a palavra que Eliseu havia falado.
E dali subiu a Betel; e, subindo ele pelo caminho, saíram da cidade uns rapazes, que zombavam dele e lhe diziam: Sobe, calvo; sobe, calvo.
E ele se virou para trás, e os viu, e os amaldiçoou em nome do Senhor. Então duas ursas saíram do bosque e despedaçaram quarenta e dois daqueles rapazes.
E dali foi para o monte Carmelo; e de lá voltou para Samaria.
E Eliseu voltou a Gilgal. E havia fome naquela terra; e os filhos dos profetas estavam assentados diante dele; e ele disse ao seu servo: Põe a panela grande ao lume e faze um cozido para os filhos dos profetas.
Então um deles saiu ao campo para colher ervas, e achou uma videira silvestre, e colheu dela coloquíntidas silvestres, enchendo o seu regaço; e voltou e as cortou na panela do cozido, porque não as conheciam.
Assim deram de comer aos homens. E sucedeu que, enquanto comiam do cozido, clamaram e disseram: Ó homem de Deus, há morte na panela. E não puderam comer.
Porém ele disse: Trazei, então, farinha. E a lançou na panela, e disse: Servi ao povo, para que coma. E já não havia mal algum na panela.
E veio um homem de Baal-Salisa, e trouxe ao homem de Deus pães das primícias, vinte pães de cevada, e espigas frescas no seu saco. E ele disse: Dá ao povo, para que coma.
Porém o seu servo disse: Como hei de pôr isto diante de cem homens? E ele disse: Dá ao povo, para que coma; porque assim diz o Senhor: Comerão, e ainda sobrará.
Então pôs diante deles, e comeram, e ainda sobrou, conforme a palavra do Senhor.
Ontem à noite, mencionamos o chamado de Eliseu para ser profeta e também a confirmação desse chamado. O chamado veio a ele enquanto estava arando o campo. Ele respondeu àquele chamado. Seguiu Elias por todo o caminho, até que Elias foi tomado de diante dele, e ali recebeu a porção dobrada do espírito de Elias. Seu chamado foi confirmado.
Ele foi, por assim dizer, um aprendiz durante vários anos, derramando água sobre as mãos de Elias, antes de ser confirmado como profeta. Assim, daquele momento em diante, ele era profeta diante de Deus.
Nesta noite, gostaríamos de ter comunhão sobre o percurso desse ministério. Vocês percebem que, na última jornada, Elias e Eliseu caminharam juntos de Gilgal a Betel, de Betel a Jericó e de Jericó ao Jordão. Então Elias foi levado ao céu.
Nesse sentido, essa caminhada pelas quatro estações representa uma caminhada com Deus. À medida que caminhamos com Ele, passaremos pelo que esses quatro lugares representam; e, por fim, haverá o arrebatamento.
Quando Elias passou por esses quatro lugares, com Eliseu seguindo-o, ele fez alguma coisa nesses lugares? Não há registro. Parece que estava apenas de passagem. Ele não fez nada. Por quê? Porque a ênfase está na caminhada — na caminhada com Deus.
A ênfase não estava no fazer. A ênfase estava na vida. Uma vida com Deus é uma vida que caminha com Deus, e uma vida que caminha com Deus passará por várias experiências, representadas por esses quatro lugares.
Assim, irmãos e irmãs, em certo sentido isso se aplica a nós hoje. Nossa vida com Deus é uma caminhada. Caminhamos com Deus e, se assim fizermos, caminharemos até o céu. A caminhada é sempre em direção ao céu; ela sobe.
Mas então vemos que, depois de Elias ser levado ao céu, Eliseu recebeu o ministério profético. E vemos que ele voltou. Ao voltar, passou pelos mesmos lugares, mas na ordem inversa. Partiu do Jordão, depois chegou a Jericó e, dali, foi a Betel. Depois de Betel, chegou a Gilgal.
Com Elias, era uma caminhada com Deus. Ela segue para cima, em direção ao céu. Com Eliseu, é um retorno ao povo de Deus. Nesse retorno ao povo de Deus, vemos coisas sendo feitas. Havia obras a realizar.
Assim, em certo sentido, com Elias temos a representação da vida. Com Eliseu, ao retornar a esses lugares, temos a representação do ministério. Essa é a ligação entre a vida e o ministério, e essa também é a ordem correta.
Se queremos ter um ministério espiritual para o povo de Deus, primeiro precisamos ter uma caminhada com Ele. Se não tivermos essa caminhada com Deus, voltada para o céu, não surgirá um ministério voltado para as pessoas.
É por isso que dizemos: os dons, por si só, nunca constituem um ministério. É preciso que haja uma caminhada, uma vida, que lhes dê sustentação. E, a partir dessa vida, um ministério será produzido.
Assim, no percurso de volta, encontramos os princípios e as manifestações do ministério. Espero sinceramente que nos lembremos disso como a base da nossa comunhão nesta noite.
Em primeiro lugar, o Jordão. Vocês sabem que, segundo o registro da Palavra de Deus, as águas do Jordão foram divididas três vezes.
Na primeira vez, as águas do Jordão foram divididas para que os filhos de Israel pudessem atravessar o leito do rio e chegar à Terra Prometida. Como as águas foram divididas? Foram divididas pela arca. A arca de Deus era levada sobre os ombros dos sacerdotes e, quando seus pés tocaram as águas, elas se dividiram.
Então os sacerdotes que carregavam a arca ficaram no meio do leito seco do rio, e os filhos de Israel passaram. Depois que todos haviam passado, os sacerdotes que carregavam a arca também subiram à outra margem. Quando chegaram à outra margem, as águas voltaram.
Essa foi a travessia do rio Jordão. Sabemos que, basicamente, as águas do rio Jordão representam a morte. Mas não é apenas morte; é vida que surge da morte.
Assim, na experiência dos filhos de Israel, temos a morte, o sepultamento e a ressurreição juntamente com Cristo, se quisermos usar termos do Novo Testamento. E, no que diz respeito a nós, é isso que essa experiência representa.
Precisamos ver nosso Senhor Jesus não apenas como Aquele que levou nossos pecados na cruz; precisamos ver que nosso Senhor Jesus também nos levou Nele. Com Ele, fomos crucificados e sepultados, porque estávamos Nele. Seremos ressuscitados dentre os mortos porque estávamos Nele.
Assim, a experiência dos filhos de Israel ao atravessarem o rio Jordão é a nossa experiência de morrer, ser sepultados e ressuscitar juntamente com Cristo. Por causa disso, entramos na vida de permanência em Cristo. Essa é a Terra Prometida.
A segunda ocasião em que as águas do Jordão foram divididas foi quando Elias, a caminho do céu, chegou à margem do rio Jordão. Ele enrolou seu manto, feriu as águas, e elas se dividiram, para que pudesse passar ao outro lado.
Creio que isso é diferente da primeira travessia. A primeira travessia é morrer, ser sepultados e ressuscitar juntamente com Cristo, para que, daquele momento em diante, permaneçamos em Cristo. Mas, com Elias, não foi a arca que dividiu as águas; foi o manto.
Um manto sempre representa ministério — uma obra. Com Elias, trata-se do ministério profético. Assim, as águas foram divididas por aquele manto. Creio que o correspondente no Novo Testamento se encontra em 2 Coríntios 4.
Quando vocês leem 2 Coríntios 4, parece que é um capítulo sobre a vida espiritual. O que é a vida espiritual? Como essa vida pode ser manifestada? Somos vasos de barro, mas temos um tesouro em nós. A excelência, o poder desse tesouro, vem de Deus, e não de nós.
Para que o tesouro seja manifestado, o vaso precisa ser quebrado. Por isso, Deus suscita todo tipo de circunstâncias. Somos pressionados de todos os lados, mas não esmagados. Por quê? Porque temos uma saída. Somos derrubados, mas não destruídos.
Vemos que o Espírito Santo dispõe nossas circunstâncias de modo a nos quebrar, a quebrar o homem exterior, para que o homem interior, que é Cristo em nós — o tesouro —, possa ser manifestado.
Paulo resume isso dizendo que trazemos em nosso corpo o morrer de Jesus, o ser entregue à morte de Jesus, para que a vida de Jesus seja manifestada em nós. Como essa vida, que está presa e aprisionada dentro de nós, pode ser liberada?
A única maneira de a vida que está em nós, que é Cristo, ser liberada é por meio do quebrantamento do homem exterior, trazendo em nosso corpo o morrer de Jesus. Isto é, morremos diariamente. À medida que o Espírito Santo dispõe nossas circunstâncias, nós as aceitamos. Deliberadamente nos entregamos ao morrer de Jesus, ao ser entregue à morte de Jesus, e o resultado é que somos quebrantados e a verdadeira vida é liberada.
Isso é representado por Elias. A travessia do Jordão com Elias significa que ele havia chegado à maturidade de vida. Ele havia conhecido a vida de Cristo — é claro, estamos usando expressões do Novo Testamento — de tal maneira que foi quebrantado, mas Cristo foi liberado.
Essa é a vida apostólica. Essa é a vida de arrebatamento. Esse é o tipo de vida que se deve esperar.
Agora, com Eliseu, vemos seu retorno. Ele usou o manto de Elias, feriu as águas e disse:
Onde está o Deus de Elias?
As águas se dividiram, e ele atravessou. No caso dele, a ênfase é o ministério.
Ao ler 2 Coríntios 4, sua primeira impressão talvez seja de que o assunto é a vida espiritual. Mas, se você ler novamente, verá que se trata do espírito do ministério. Na verdade, o assunto de 2 Coríntios 4 é o ministério, porque Paulo diz:
Temos este ministério.
O que é ministério? O ministério procede da vida.
Portanto, nesse mesmo capítulo, Paulo continua dizendo que trazemos em nosso corpo o morrer de Jesus, para que a vida de Jesus seja manifestada em nós. Então, em 2 Coríntios 4:12, ele diz que a vida de Jesus pode ser manifestada em vocês. Isso é ministério.
Quando a vida de Jesus é manifestada em nós, isso é vida; isso é vida verdadeira. Mas, quando a vida de Jesus é manifestada em vocês, isso é ministério. Quando a vida de Jesus é liberada por nosso intermédio e toca outras pessoas, isso é a transmissão de vida.
O ministério nada mais é do que a transmissão de vida. Creio que essa é uma compreensão muito básica do que é ministério.
Muitas vezes pensamos no ministério como fazer alguma coisa — agir. Às vezes pensamos no ministério apenas em termos de serviço. Fizemos alguma coisa, atendemos a algum propósito, realizamos alguma obra. Mas, queridos irmãos e irmãs, a rigor, isso não é ministério.
O ministério é a transmissão de vida. Se não somos capazes de transmitir vida a outras pessoas, não há ministério. É claro que a vida transmitida não é a nossa vida. A vida transmitida é a vida de Cristo.
Quer ela venha por meio da profecia, do ensino, do serviço, do amor ou da ajuda — seja qual for a função ou o canal por meio do qual se expresse —, vemos que a verdadeira substância do ministério é transmitir Cristo.
Estamos transmitindo Cristo? Essa é uma pergunta muito séria. Podemos estar envolvidos em muitas atividades. Podemos estar fazendo todo tipo de trabalho. Podemos estar realizando todo tipo de coisas. Mas, queridos irmãos e irmãs, se nisso não houver a transmissão da vida de Cristo, vocês não têm ministério. Não há ministério.
O ministério começa no Jordão. Vocês se lembram do nosso Senhor Jesus? Quando tinha trinta anos, Ele estava para iniciar Seu ministério. Onde Ele iniciou Seu ministério? No Jordão.
Ali encontramos nosso Senhor Jesus, que havia vivido uma vida perfeita durante trinta anos. Era uma vida perfeita. Mas, quando estava para começar Seu ministério, a primeira coisa que fez foi ir ao rio Jordão e ser batizado.
Em outras palavras, ali Ele entregou a Si mesmo para que Deus pudesse ser manifestado por meio Dele. Foi a partir do Jordão que Ele começou Seu ministério. Irmãos e irmãs, onde começamos nosso ministério?
O Jordão é a última estação no que diz respeito à vida. Gilgal é a primeira; o Jordão é a última. Mas, no que diz respeito ao ministério, o Jordão é a primeira estação. Conhecemos o Jordão? Conhecemos o quebrantamento do homem exterior? Conhecemos a vida de Cristo manifestada? Somos capazes de transmitir Cristo aos outros?
Assim, ao retornar, Eliseu descobriu que o primeiro ponto, o ponto de partida, era atravessar o rio Jordão.
Depois que ele atravessou o rio Jordão, os filhos dos profetas estavam observando. Eles não atravessaram o Jordão com Elias. Estavam do outro lado, e não creio que tenham visto Elias ser levado ao céu. Somente Eliseu viu isso.
Eles viram Eliseu voltando. Viram o manto. Viram Eliseu ferir as águas, e as águas se dividiram para um lado e para o outro, e ele atravessou. Imediatamente souberam que o espírito de Elias repousava sobre Eliseu. Então vieram até ele e se inclinaram diante dele, porque ele seria o líder, o responsável pela escola dos profetas.
Vocês sabem o que lhe sugeriram? É inacreditável. Disseram a Eliseu: “Temos cinquenta homens fortes aqui. Estamos prontos para percorrer os montes e os vales para encontrar o corpo de Elias. Deus levou Elias, e talvez o tenha lançado em algum lugar no monte ou no vale. Dê-nos permissão para procurá-lo”.
Eliseu, é claro, sabia que não era esse o caso, porque Deus havia levado Elias ao céu. Então Eliseu disse: “Não, não façam isso”. Mas insistiram tanto que ele ficou constrangido. Disse: “Está bem, se querem fazer isso, façam”. Então enviaram os homens e, depois de três dias de busca, não conseguiram encontrar o corpo.
Eles sabiam que Deus havia levado Elias, mas seu conhecimento era apenas intelectual. Se nosso conhecimento é apenas intelectual, nossa compreensão da Palavra de Deus é muito limitada. Só conseguimos crer até certo ponto.
Eles conseguiam crer que Deus havia levado Elias, mas não conseguiam crer que Deus pudesse levá-lo ao céu. Isso era alto demais. Então pensaram que Deus devia tê-lo lançado em algum outro lugar. Ora, não é verdade? Se nosso conhecimento de Deus é apenas intelectual, se nossa compreensão da Palavra é meramente intelectual, nossa fé é limitada. Só conseguimos crer até certo ponto, e não além dele. Não conseguimos ir até o fim com Deus.
Depois de três dias, é claro, não conseguiram encontrá-lo. Durante esses dias, onde estava Eliseu? Ele estava hospedado em Jericó. Assim, vemos a segunda estação.
Enquanto estava em Jericó, os habitantes de Jericó vieram até ele e disseram: “Veja, a localização desta cidade é boa. Tudo na cidade é bom; só a água é ruim, e por isso a terra é estéril”.
Quando os filhos de Israel chegaram a Jericó pela primeira vez, as muralhas de Jericó tiveram de cair. A fortaleza precisou ser derrubada. Mas aqui, enquanto Eliseu estava em Jericó, vieram até ele e disseram que tudo era bom, exceto a água. Porque a água era ruim, a terra era estéril.
O que a água representa aqui? Vocês se lembram de quando nosso Senhor Jesus conversou com a mulher samaritana. Ele disse:
Se soubesses Quem é que fala contigo, e se Lhe pedisses, Ele te daria água viva.
Você nunca mais teria sede, porque essa água se tornaria uma fonte que jorra dentro de você para a vida eterna.
É claro que Ele está falando de Sua vida. Então, em João 7, no último dia da grande festa, isto é, a Festa dos Tabernáculos, o Senhor Se levantou e clamou:
Se alguém tem sede, venha a Mim e beba.
Quem crê em Mim, do seu ventre fluirão rios de água viva.
Isso Ele disse a respeito do Espírito Santo.
Depois, em Apocalipse 22, vemos que na cidade santa há um rio de vida que flui do trono de Deus e do Cordeiro. Ele percorre toda a cidade e, por onde o rio passa, há a árvore da vida.
A água aqui fala de vida. O que é mais básico do que a vida? Você pode ter uma boa localização, uma boa origem, uma boa posição social, uma boa educação, um bom ambiente, riquezas — pode ter tudo e qualquer coisa —, mas, se a vida está morta, você é estéril.
Nossa vida não está morta? Paulo disse:
Em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum.
Mas como é difícil para nós perceber isso.
Antes de crermos no Senhor Jesus, o lado mau da nossa carne praticou muitas coisas, até que ficamos horrorizados e nos arrependemos. Mas, depois de crermos no Senhor, usamos o lado bom da nossa carne, tentando servir a Deus e guardar Sua lei.
Não somos tão ruins assim. Nossa água não é inteiramente ruim — até que um dia percebemos que em nós, isto é, em nossa carne, não há bem algum. Sua boa índole, seu bom temperamento, sua gentileza e assim por diante — nenhum bem. Não há absolutamente bem algum. Nossa vida natural é água ruim.
Se a vida natural está morta, não importa o que você lhe dê, ela não produz nada. Nada.
Então vieram a Eliseu. O que Eliseu fez? Ele disse: “Deem-me uma vasilha nova e ponham sal nela”. Tomou a vasilha nova com o sal, foi à fonte das águas, derramou o sal sobre a fonte e declarou:
Assim diz o Senhor: Eu sarei estas águas. Daqui em diante não haverá morte.
E assim permanece até o dia de hoje.
Esse “dia de hoje” não é apenas o dia em que 2 Reis foi escrito, mas também os nossos dias. Se você for a Jericó hoje, verá que há apenas uma fonte, uma nascente de água. É exatamente a fonte que Eliseu curou.
Quando estive lá, há mais de dez anos, fomos àquele lugar e vimos aquela água. Era a única água naquela localidade. Ainda hoje, as mulheres vêm em grupos buscar água. Vimos mulheres chegando de um acampamento próximo de refugiados árabes. Em vez de carregar um cântaro de barro sobre a cabeça, usavam latas de querosene. Vinham tirar água.
A água foi curada. Ao se aproximar da cidade de Jericó, você vê que tudo é verde — verde por toda parte.
Qual é a implicação espiritual da cura das águas? Vemos que a água foi curada pelo sal. O sal é algo que não apenas cura, mas também preserva. Há no sal um poder de curar e preservar.
No Antigo Testamento, todos os sacrifícios tinham de ser salgados. Era preciso colocar sal no sacrifício, até mesmo na oferta de cereais. Vemos também que a aliança de Deus com os filhos de Israel é chamada de aliança de sal. Em outras palavras, o sal fala de permanência. O sal fala de imutabilidade.
Portanto, nas Escrituras, o sal fala da vida eterna de Deus. A vida de Deus em Cristo é representada pelo sal.
Nosso Senhor disse:
Vós sois o sal da terra.
Quanto aos discípulos, eles são o sal da terra. Mas, se aplicarmos isso de maneira bem rigorosa, na verdade somos o sal da terra porque temos a vida de Cristo em nós. Ele é o sal; nós somos a vasilha nova.
O sal não deve ser colocado na vasilha velha. Ela não é adequada. O sal precisa estar contido na vasilha nova. A vasilha nova nos representa individualmente e, coletivamente, representa a igreja. A igreja é um vaso novo. Nós, que pertencemos ao Senhor, somos as vasilhas novas.
Irmãos e irmãs, se vivemos na velha vida, é como se o sal fosse diluído a ponto de perder o sabor. Seria inútil; seria lançado fora e pisado.
Mas, se vivemos na novidade do Espírito, somos uma nova criação. Se vivemos na novidade do Espírito, somos como uma vasilha nova, e encontramos o sal ali dentro.
Mas ele precisa ser derramado. Estamos prontos para derramar a vida de Cristo que está em nós? À medida que ela é derramada, a água é curada. Irmãos e irmãs, aqui novamente vemos que se trata do derramamento da vida.
É o derramamento da vida sobre a morte e a esterilidade da velha vida. Aqui vemos que ela cura e transforma — não no sentido de a vida natural ser transformada em vida espiritual, mas no sentido de a alma ser transformada. Por quê? Porque a vida de Cristo entrou para substituir a vida do eu.
Aqui está a transformação da alma. Daquele momento em diante, vemos que não há mais morte, não há mais esterilidade, mas há fruto.
Assim, irmãos e irmãs, vemos aqui que isso é ministério. O ministério tem um aspecto voltado para as pessoas. Esse aspecto é o seguinte: quando o sal que está em nós é derramado, ele cura, dá vida e faz frutificar. Isso é ministério.
Dali, vemos que se segue para Betel. Algo muito estranho aconteceu ali. O que é Betel? Betel é a casa de Deus, a porta do céu.
Se Jericó veio a Eliseu pedir ajuda, certamente Betel abriria suas portas a Eliseu. Mas, por estranho que pareça, enquanto Eliseu subia a Betel, alguns jovens saíram.
Alguns estudiosos nos dizem que a palavra ali não significa meninos pequenos ou criancinhas. A palavra se refere a adolescentes, a jovens. Um grupo de jovens saiu ao encontro de Eliseu e zombou dele. Disseram:
Sobe, calvo; sobe, calvo.
Eliseu olhou para eles e os amaldiçoou em nome do Senhor. Duas ursas saíram do bosque e mataram quarenta e dois desses jovens.
Betel era originalmente a casa de Deus, a porta do céu. Era um lugar onde Deus era adorado, onde Deus descansava entre Seu povo e onde a revelação era dada. Mas, no tempo de Eliseu, algo havia acontecido.
Quando a nação de Israel foi dividida em duas, as dez tribos formaram a nação de Israel sob o rei Jeroboão. Mas o povo de Israel ainda viajava todos os anos a Jerusalém, ao templo, para adorar a Deus, porque aquele era o lugar onde estava o nome de Deus.
Jeroboão percebeu a situação: ele tinha um reino separado, mas seu povo ainda ia a Jerusalém para adorar a Deus. Se isso continuasse, mais cedo ou mais tarde seu reino seria enfraquecido. O coração do povo voltaria para Judá, e seu reino chegaria ao fim.
Então, por razões políticas, tomou uma medida. Fez dois bezerros de ouro, colocou um em Betel e outro em Dã. Constituiu algumas pessoas como sacerdotes — não eram levitas, mas ele as fez sacerdotes. Fez uma proclamação em seu reino e disse: “Vocês não precisam ir a Jerusalém para adorar a Deus. Temos o Senhor Deus aqui. Venham a Betel e adorem”.
Eles até chamavam o bezerro de ouro de Senhor. Assim, vemos que em Betel foi estabelecida uma adoração falsificada.
Por isso, quando lemos o livro de Amós, em Amós 4:4, ele diz:
Vinde a Betel e transgredi.
As pessoas subiam a Betel para transgredir contra Deus.
Assim, em vez de uma adoração pura, havia uma adoração falsificada. Evidentemente, os falsos sacerdotes instigaram e incentivaram esses jovens a sair ao encontro do profeta, para impedi-lo de entrar na cidade.
O que eles disseram? Disseram:
Sobe, calvo; sobe, calvo.
Ora, se vocês conhecem a topografia do lugar, é claro que, ao ir a Betel, Eliseu precisava subir; isso é verdade. Eliseu talvez fosse calvo, mas isso, por si só, não era a zombaria.
Por que esse desprezo era uma zombaria? Creio que zombavam de Eliseu dizendo: “Seu mestre Elias não subiu? Por que você não foi com ele? Seu mestre Elias subiu, mas você ficou para trás porque não era digno. Você não pôde subir. Por que não foi?”
“Sobe, calvo” aludia a um sinal de luto. Quando as pessoas estavam de luto, raspavam o cabelo. Em outras palavras, estavam dizendo: “Eliseu, você deveria ter vergonha de si mesmo. Como ousa vir e tentar ser o profeta de Deus? Você não é digno. Você fracassou”.
Aqui vemos que o inimigo tentou lançar uma falsa acusação contra Eliseu. Se Eliseu tivesse aceitado aquilo, seu ministério teria acabado.
Irmãos e irmãs, isso não é verdade? Onde quer que Deus esteja edificando Sua casa, o inimigo tenta construir uma falsificação ao lado dela. Sempre acontece assim.
Em Mateus 16, o Senhor disse:
Sobre esta pedra edificarei a Minha igreja.
Imediatamente, Ele disse:
As portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Em outras palavras, quando o Senhor está edificando Sua igreja, verdadeira e sobre a rocha, o inimigo está em atividade.
Todas as portas do Hades serão abertas para atacar, acusar, frustrar, desanimar e destruir. Mas, graças a Deus, o Senhor disse:
As portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Por quê? Porque a porta do céu também está aberta.
Assim, Eliseu se voltou contra aquilo. Em vez de aceitar a acusação do inimigo, permaneceu ao lado de Deus e os amaldiçoou em nome do Senhor. Em outras palavras, exerceu autoridade sobre o inimigo em nome do Senhor, e o inimigo foi vencido.
Irmãos e irmãs, essa é a autoridade que Cristo deu à Sua igreja. O inimigo está tentando nos desanimar. Muitas vezes, o inimigo tenta nos acusar falsamente. Se não reconhecermos o inimigo e aceitarmos sua falsa acusação, nosso ministério estará acabado.
Como precisamos nos firmar sobre a base de que Cristo é a nossa justiça! Ele nunca muda. Nós podemos falhar; Ele nunca falha. Como precisamos vencer o inimigo pelo sangue do Cordeiro, pela palavra do nosso testemunho e por não amarmos nossa própria vida, mesmo diante da morte.
É esse o significado de dois concordarem na terra a respeito de alguma coisa. Se vocês ligarem na terra, será ligado no céu. Se desligarem na terra, será desligado no céu. Por quê? Porque há um conflito espiritual ali.
Sempre que Deus está edificando algo verdadeiro, o inimigo está tentando atacar e destruir. Ele quer estabelecer sua falsificação. Mas não precisamos temer. O Senhor nos deu autoridade, e precisamos reivindicar a vitória de Cristo — a autoridade de Cristo sobre todas as situações. O inimigo está vencido.
Assim, vemos aqui que o ministério não tem apenas um aspecto voltado para as pessoas. O verdadeiro ministério sempre tem um aspecto voltado contra o inimigo. Se não atinge o inimigo, algo não está bem.
Vocês acham que podem realmente ministrar vida às pessoas e que o inimigo ficará apenas olhando? Se for apenas uma transmissão de mente para mente, ele não precisa se mobilizar. Mas, se for a transmissão de vida, e se for a edificação da casa de Deus, o inimigo não pode se dar ao luxo de ficar apenas olhando.
Haverá conflito espiritual, e muitas vezes ele vem na forma de uma falsa acusação. É por isso que a Bíblia diz que os vencedores vencem o inimigo pelo sangue do Cordeiro. Não somos perfeitos, mas, graças a Deus, temos o sangue.
Por causa do sangue do Cordeiro, temos um testemunho: Ele é Senhor. Estamos inteiramente comprometidos com Ele, e o Senhor está comprometido conosco. Essa é a autoridade da igreja.
Então vemos que o percurso se completou quando Eliseu chegou a Gilgal. Quando ele chegou a Gilgal, duas coisas aconteceram.
Gilgal significa remover, porque, quando os filhos de Israel chegaram a Gilgal, foram circuncidados e a vergonha do Egito foi removida. Gilgal representa a operação subjetiva da cruz que conduz à morte.
Mas aqui vemos que Gilgal se torna um banquete de vida e ressurreição. Quando Eliseu chegou a Gilgal, havia uma grande fome, uma escassez de alimento. Eliseu disse: “Ponham a panela no fogo. Façam um cozido para o povo comer”.
Alguém saiu e viu uma videira silvestre. Colheu algumas coloquíntidas e as cortou na panela para dar mais substância ao cozido. Mas, quando começaram a comer, de repente clamaram:
Há morte na panela.
Não podiam comê-lo.
Eliseu disse: “Peguem um pouco de farinha”. Colocaram a farinha na panela, e ele disse: “Sirvam e comam”. Não havia mais morte. A vida havia tragado a morte.
A farinha representa Cristo, porque em João 12:24 nos é dito:
Em verdade, em verdade vos digo:
Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só;
Mas, se morrer, produz muito fruto.
Ela representa a vida de Cristo, que é tão pura, tão fina, tão eficaz e tão perfeita. Essa vida traga a morte e o veneno.
Assim, vemos aqui que a cruz tem dois lados. A cruz tem o lado da morte, de fazer morrer; esse é o lado negativo. Mas a cruz tem outro lado, que é positivo: a vida.
Assim, no ministério de Eliseu, encontramos a cruz em seu aspecto de dar vida — não apenas dar vida, mas vida em maior abundância.
O segundo acontecimento foi que alguém veio e deu a Eliseu vinte pães de cevada e espigas frescas. Eliseu disse ao seu servo: “Ponham diante do povo e deixem que comam”. Havia cem homens ali.
Seu ajudante disse: “Como esse pouco poderia alimentar cem pessoas?” Eliseu disse: “Faça isso”. Então distribuíram. Cem pessoas comeram, e ainda sobrou. Foi exatamente como nosso Senhor ao usar cinco pães e dois peixes para alimentar cinco mil, com doze cestos de sobra.
O que está representado ali é vida em maior abundância. Não apenas dar vida e alimentar a vida, mas vida em maior abundância. Há o suficiente, e ainda sobra.
É sempre assim quando o ministério está na vida. Sempre sobra alguma coisa.
Assim, irmãos e irmãs, vemos aqui que, no percurso de volta, a natureza do ministério é demonstrada. Podemos nos levantar e dizer que uma vida com o Senhor produzirá um ministério correspondente para as pessoas. Esse ministério será um ministério de vida — vida de ressurreição, a vida de Cristo.
Nosso Pai celestial, nós Te louvamos e Te agradecemos porque nos chamaste para ministérios de vários tipos, mas a natureza é a mesma. É um ministério de vida. É um ministério de transmitir vida — não a nossa vida, mas a Tua vida.
Oh, quem é suficiente para essas coisas? Nós Te louvamos e Te agradecemos porque nossa suficiência vem de Deus, porque fomos feitos ministros da nova aliança, não da letra, mas do Espírito; pois a letra mata, mas o Espírito dá vida.
Oh, nós Te louvamos e Te adoramos. Pedimos, Senhor, que cada um de nós aqui tenha uma vida Contigo e, assim, um ministério. Em Teu precioso nome. Amém.