Por favor, abram no Evangelho segundo Lucas, capítulo 3. Lucas 3, a partir do versículo 1.
No décimo quinto ano do reinado de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos governador da Judeia, e Herodes tetrarca da Galileia, e seu irmão Filipe tetrarca da região da Itureia e de Traconites, e Lisânias tetrarca de Abilene, no sumo sacerdócio de Anás e Caifás, veio a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto. E ele percorreu toda a região ao redor do Jordão, pregando o batismo de arrependimento para remissão dos pecados; como está escrito no livro das palavras do profeta Isaías: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; Endireitai as Suas veredas. Todo vale será preenchido, E todo monte e outeiro será rebaixado; Os caminhos tortuosos se tornarão retos, E os caminhos ásperos, planos; E toda carne verá a salvação de Deus.
Dizia, pois, às multidões que saíam para ser batizadas por ele: Raça de víboras, quem vos advertiu a fugir da ira vindoura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento, e não comeceis a dizer entre vós: Temos Abraão por pai; porque eu vos digo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão. E já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo.
E as multidões lhe perguntavam, dizendo: Que devemos, então, fazer? E ele lhes respondia: Quem tiver duas túnicas, reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver alimento faça o mesmo. Vieram também publicanos para ser batizados e lhe disseram: Mestre, que devemos fazer? E ele lhes disse: Não cobreis mais do que vos foi determinado. Também os soldados lhe perguntavam, dizendo: E nós, que devemos fazer? E ele lhes disse: A ninguém extorquais por violência, nem acuseis falsamente; e contentai-vos com o vosso soldo.
A última voz de Deus no Antigo Testamento é a voz do profeta Malaquias. Depois de falar ao remanescente que voltou do cativeiro babilônico, Deus permaneceu em completo silêncio durante quatrocentos anos.
Vocês sabem, nos dias de Eli, somos informados de que a palavra de Deus era rara, e as visões não eram frequentes. Em outras palavras, nos dias de Eli, a condição espiritual do povo de Deus era tal que Deus falava muito pouco e raramente Se manifestava ao Seu próprio povo.
Deve ter sido uma situação terrível naquela época. Mas, em comparação com os dias de Eli, vemos que, durante quatrocentos anos, Deus não disse sequer uma palavra ao Seu próprio povo. O céu estava em completo silêncio.
Que condição espiritual devia existir entre o Seu povo! Imaginem se Deus não falasse conosco durante um ano. O que aconteceria conosco? Deus não falar durante quatrocentos anos — em que situação terrível aquele povo devia estar!
Vocês têm alguma ideia, irmãos e irmãs? Quando observamos a condição da nação de Israel pelas aparências exteriores, vemos que tudo parecia continuar como de costume, mesmo sem Deus falar.
Os filhos de Israel haviam voltado do cativeiro babilônico. Reconstruíram o templo, e esse templo foi ampliado pelo rei Herodes até se tornar um belo edifício, adornado com belas pedras e ofertas. Era motivo de orgulho para o povo judeu.
No templo, o sacerdócio foi restaurado, embora não fosse perfeito. Os sacerdotes que voltaram do cativeiro babilônico não pertenciam a todas as vinte e quatro turmas, mas conseguiram distribuir os que voltaram em vinte e quatro turmas. Assim, no templo, os sacerdotes serviam dia e noite, ano após ano, nas vinte e quatro turmas, conforme a organização estabelecida pelo rei Davi.
Não apenas o sacerdócio foi restaurado, mas também os sacrifícios. Todas as manhãs, no altar de bronze, um holocausto era colocado sobre o fogo. Depois, as outras ofertas eram apresentadas sobre aquele holocausto. Quando o holocausto da manhã era completamente consumido, outro cordeiro era colocado ali à tarde. O fogo no altar ardia dia e noite.
Muitos sacrifícios foram oferecidos no altar ao longo daqueles quatrocentos anos. Mas onde estava a palavra de Deus entre eles? Onde estavam os milagres de Deus que redimiam o Seu povo?
Além disso, quando voltaram da Babilônia, desenvolveram aquela maravilhosa invenção humana: o sistema de sinagogas. Durante o cativeiro, não havia templo, e, ainda assim, eles queriam adorar a Deus; por isso, o sistema de sinagogas foi inventado.
Quando voltaram do cativeiro e o templo foi reconstruído, poderíamos pensar que o sistema de sinagogas desapareceria completamente. Mas não foi assim. Ele se expandiu ainda mais. Sinagogas de todo tipo surgiram por toda a terra.
Nas sinagogas, faziam-se orações, liam-se os cinco livros de Moisés e os profetas, e havia exortações. As pessoas podiam exortar umas às outras. Era um povo muito piedoso.
Somava-se a isso um ascetismo rigoroso. Os fariseus se dedicavam especialmente ao estudo da lei e procuravam cumpri-la à risca. Eram os mestres do povo.
Havia também outra classe de pessoas, chamadas escribas. Eles dedicavam toda a vida a copiar a palavra de Deus. Como eram piedosos! Quando chegavam ao nome de Deus, precisavam se banhar antes de escrevê-lo.
Eram tão familiarizados com as Escrituras que não precisavam de concordância bíblica alguma. Então, aqui estão os judeus: estavam de volta à Terra Prometida; tinham um templo, o sacerdócio, sacrifícios, a palavra de Deus, sinagogas, escribas e fariseus. O que mais queriam?
Consideravam-se o povo mais religioso do mundo. Orgulhavam-se de ser os mestres das nações. Tinham a religião mais pura.
Ao longo dos anos, as tradições haviam se acumulado. Grandes mestres surgiram para interpretar a Bíblia, e depois outros grandes mestres surgiram para interpretar as interpretações daqueles grandes mestres. Na época que estamos considerando, as tradições dos pais haviam se tornado tão imensas que a palavra de Deus estava literalmente soterrada.
Por todas as aparências exteriores, eles eram o povo mais religioso e piedoso de todo o mundo, e eles mesmos pensavam que era assim.
Vocês conseguem conciliar essas duas coisas? De um lado, encontramos o povo mais religioso do mundo. Certamente Deus estaria satisfeito com eles. Certamente desejaria ser amigo deles, falar com eles e revelar-Se a eles. Sem dúvida, mereciam todas essas coisas.
E, no entanto, a Bíblia diz que, durante quatrocentos anos, não houve visão nem palavra alguma. Deus permaneceu em completo silêncio.
Não era porque Deus não quisesse falar ao Seu povo. Certamente Deus queria falar ao Seu povo. Não era porque Deus não quisesse revelar-Se ao Seu povo. Ele certamente desejava fazê-lo, porque esse era o único povo ao qual Ele podia revelar-Se.
Mas eles O levaram ao silêncio. Levaram-No a Se ocultar. Deus não estava satisfeito com aquela situação.
Quatrocentos anos se passaram. Que morte espiritual deve ter sido essa! No entanto, o povo conseguia continuar como de costume, como se Deus estivesse com eles e fossem pessoas tementes a Deus. Que hipocrisia!
Depois de quatrocentos anos de silêncio, Deus não pôde mais permanecer calado. Ele rompeu o Seu silêncio e, de repente, houve uma voz no deserto.
Esse homem era João. Mencionamos ontem que ele foi um instrumento de Deus que marcou uma mudança de época. Deus iria mudar os tempos. Iria concluir a era da lei e dos profetas e introduzir a dispensação da graça. Iria trazer o Rei, o Seu Cristo.
Então Deus encontrou esse homem, João, um instrumento que marcou uma mudança de época. Ele nasceu pela graça. Foi nazireu por toda a vida. Foi cheio do Espírito e do poder de Elias e enviado por Deus para preparar o caminho do Senhor.
À medida que crescia em estatura e em espírito, desenvolvia-se de maneira muito diferente das pessoas do seu tempo. Vivia no deserto, não em casa. Vestia-se de pelos de camelo e usava um cinto de couro, não as roupas romanas que estavam na moda naquela época.
Ele nem sequer comia cereais e trigo. Comia gafanhotos e mel silvestre encontrados no deserto. Era uma pessoa muito diferente, não porque quisesse ser diferente, mas porque Deus tinha uma mensagem muito diferente para ele levar ao Seu próprio povo. Por isso, Deus o criou de uma maneira muito especial.
Quando ele tinha trinta anos — lembrem-se de que vinha de uma família sacerdotal —, chegou à idade em que um homem nascido numa família sacerdotal entraria no templo para exercer plenamente o serviço de sacerdote.
Mas, em vez disso, a palavra de Deus veio a João. A palavra ali não é logos; é rhema. Em outras palavras, era a palavra atual do Senhor, a palavra imediata e presente do Senhor, que vinha a João.
Deus nem sequer permitiu que ele fosse sacerdote. Ele nasceu para ser sacerdote, mas, antes que pudesse servir como sacerdote no templo, segundo o costume e a tradição, Deus o chamou para ser profeta — um porta-voz de Deus.
Assim, ele saiu do deserto e trouxe uma mensagem ao povo de Deus do seu tempo.
Queridos irmãos e irmãs, como mencionamos ontem, estamos à beira de outra grande mudança nos tempos. Cremos que Deus vai concluir até mesmo esta dispensação da graça. A porta da graça se fechará muito em breve.
Deus vai introduzir no mundo a era vindoura, que é o milênio, o Reino. Deus vai trazer de volta o Seu Rei, o Rei dos reis e Senhor dos senhores. Estamos à beira de outra grande mudança.
Qual é a nossa condição diante dos homens e diante de Deus? Provavelmente, diante dos homens, vocês encontrarão um grupo de pessoas muito piedosas, muito religiosas.
Sabem, irmãos e irmãs, disseram-me que este país tem o maior número de escolas bíblicas e seminários de todo o mundo. O ar está literalmente cheio do evangelho.
É um país cristão, um povo religioso. Numa pequena área da praça, há pelo menos três edifícios de igrejas; o quarto é um tribunal. Por todas as aparências exteriores, parece que somos um povo religioso. Adoramos a Deus.
Mas, queridos irmãos e irmãs, a pergunta é esta: Deus está falando conosco? Ouvimos a voz de Deus?
Sim, temos estudos bíblicos três vezes por semana. A Bíblia pode ser exposta em muitos lugares e de muitas maneiras. Mas ouvimos a voz de Deus? Há visão? Deus Se revela ao Seu povo?
Vejam a fome e a sede entre o povo de Deus. Por quê? Por que não há água viva?
Encontramos aqui uma situação muito semelhante à dos dias de João Batista. Exteriormente religiosos, cheios de tradição — mas não há realidade nem poder.
Deus vai realizar uma mudança tremenda: passar da letra para o Espírito, transformar religiosidade em espiritualidade, transformar formalidade em realidade.
A sombra passará; a realidade virá.
Já que vivemos num tempo como este, será que Deus tem uma mensagem para nós hoje? Podemos ouvir muitas vozes. Podemos até ouvir muitas palavras, a palavra de Deus sendo exposta a nós. Mas a pergunta é: Deus tem uma mensagem especial para os nossos dias?
Sim. Na época de João Batista, creio que Ele tinha uma mensagem assim. Havia uma voz no deserto.
Como Deus não havia falado durante quatrocentos anos, quando aquela voz começou a falar, o país inteiro ficou literalmente eletrizado. As pessoas afluíam das cidades, das aldeias e dos campos. Afluíam ao deserto para ouvir o que Deus tinha a dizer ao Seu povo.
Qual era a mensagem?
Arrependei-vos; porque o Reino dos céus está próximo.
Que mensagem estranha deve ter sido aquela! A palavra arrepender-se é muito forte. Não é uma palavra fraca.
Arrependimento significa uma mudança de mente, uma meia-volta, um retorno, uma mudança de direção, uma mudança de estilo de vida, uma mudança de tudo — uma mudança completa, radical.
Certamente, os judeus daquela época esperariam que João viesse com uma mensagem dizendo: “Reformem-se. Melhorem. Progridam um pouco mais”. Teriam dito: “Isso é muito lógico, muito razoável. Essa é a mensagem que estamos esperando”.
A atitude deles era representada por Nicodemos. Nicodemos era o mestre de Israel. Não era simplesmente um dos rabinos; era o mestre de Israel — um homem idoso, de grandes realizações, respeitado por todos.
Ainda assim, ele sabia que isso não era suficiente. Então foi ao Senhor à noite e disse: “Sabemos que Tu vieste de Deus. És um Mestre vindo do céu. Eu sou um mestre na terra, o maior; mas Tu és um Mestre vindo do céu. Deves ter algo a me ensinar, algo a mais, para que eu possa melhorar um pouco mais”.
Mas o Senhor Jesus disse:
Em verdade, em verdade te digo: Se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus.
A mensagem de Deus ao Seu povo é uma mensagem de arrependimento — uma mudança total de mente.
Não é de admirar que os fariseus e os escribas não aceitassem João Batista. Para eles, aquilo não era razoável. “Não somos o povo mais religioso? Por que deveríamos nos arrepender em relação ao templo? Deus o instituiu. Por que deveríamos nos arrepender em relação ao sacerdócio? Deus o instituiu. Por que nos arrepender dos sacrifícios que Deus nos ordenou oferecer?”
“O que há de errado com os oráculos, a palavra de Deus? Nós a estudamos e cumprimos a letra da lei. O que há de errado em orar? O que há de errado em louvar? O que há de errado em exortar uns aos outros? Deveríamos nos arrepender dessas coisas? Essas coisas vêm de Deus.”
“Deus nos pediu que construíssemos um templo, e fizemos muitas coisas para Deus. Deus nos deu a Sua palavra, e acrescentamos as tradições dos pais. Fazemos mais do que Deus jamais pediu. Certamente o arrependimento não é para nós; é para os pagãos, aquelas pessoas impuras.”
Somente os pecadores e os publicanos vieram a João Batista e receberam o seu batismo.
Queridos irmãos e irmãs, muitas vezes pensamos que o arrependimento é para os incrédulos. É verdade: um incrédulo precisa se arrepender, porque, se não se arrepender, jamais poderá receber a salvação do Senhor.
Mas, na palavra de Deus, vemos que o arrependimento também é pregado ao povo de Deus. Nós precisamos nos arrepender.
Perto do fim do primeiro século, em Apocalipse 2:1–3:22, encontramos as sete cartas do Senhor ressuscitado às sete igrejas. Com exceção da igreja em Filadélfia e da igreja em Esmirna, encontramos a mensagem do Senhor a cada uma de Suas igrejas:
Arrepende-te.
Por quê? Elas não tinham boas obras? Não tinham zelo, entendimento, conhecimento, trabalho e todas essas coisas? Tinham, e o Senhor sabia disso. Mas a palavra do Senhor ao Seu povo era: “Arrependam-se. Arrependam-se dessas coisas”.
Em outras palavras, a palavra do Senhor dizia: “Vocês estão completamente errados. Precisam se arrepender de tudo o que fazem. Até do que há de melhor precisam se arrepender. Até do que há de mais correto precisam se arrepender. Até do que há de mais ortodoxo precisam se arrepender. Até do que há de mais zeloso precisam se arrepender. Não quero ter nada a ver com essas coisas”.
Queridos irmãos e irmãs, o que é arrependimento? Creio que já lhes contei esta história, mas gosto tanto dela que não me importo de contá-la de novo, se vocês ainda não se cansaram dela.
Certa vez, houve um congresso de teólogos. Eles se reuniram para discutir as diversas doutrinas da Bíblia. Todos aqueles doutores em divindade e teologia apresentaram dissertações sobre vários assuntos, e um dos assuntos era o arrependimento.
Diferentes doutores apresentaram suas ideias e leram suas dissertações diante do público. Quanto mais explicavam o significado do arrependimento, mais confusas as pessoas ficavam, porque tudo aquilo estava além da compreensão delas.
Por fim, um missionário aposentado que havia servido num país estrangeiro, sentado ao fundo e ouvindo, não conseguiu mais suportar aquilo. Levantou a mão e disse: “Senhor presidente, o senhor me permite falar por apenas cinco minutos?”
O presidente olhou para ele. Tinha cabelos brancos e havia passado muitos anos no campo missionário no exterior. Embora não fosse considerado muito erudito, por respeito aos seus muitos anos de serviço, o presidente disse: “Está bem, vou lhe dar cinco minutos”.
O missionário se levantou e começou a caminhar em direção à plataforma. Enquanto caminhava, ergueu as duas mãos e começou a gritar: “Estou indo para o inferno! Estou indo para o inferno! Estou indo para o inferno!”
Ele foi gritando por todo o caminho, e todos ficaram eletrizados. Disseram: “Esse homem — deve haver alguma coisa errada com a cabeça dele”.
Ele gritava cada vez mais alto, até chegar à plataforma. Depois de subir, virou-se para o público, levantou as duas mãos e disse: “Estou indo para o céu. Isto é arrependimento”.
Acho que não há nada mais claro do que isso. Vocês sabem o que é arrependimento? Arrependimento não é simplesmente virar um pouco à direita ou um pouco à esquerda.
Arrependimento é isto: você está indo numa direção, rumo à morte, e agora dá meia-volta e segue numa direção inteiramente diferente, rumo à vida. Isso é arrependimento.
Em outras palavras, não é melhoria. Não é reforma. É uma mudança completa.
Agora, depois de ouvir isso, você acha que precisa se arrepender? Provavelmente você é como os fariseus e os escribas. Está seguindo na direção certa. Certamente não há nada de errado com a direção. Talvez se desvie um pouco à direita ou à esquerda e precise de algum ajuste, mas mudar toda a direção? Certamente não.
Você não precisa se arrepender, precisa?
Os judeus precisavam se arrepender? Todos iam ao templo. Precisavam se arrepender de oferecer sacrifícios? Precisavam se arrepender por terem sinagogas? Precisavam se arrepender porque liam a palavra de Deus, oravam, louvavam, estudavam a palavra e guardavam os mandamentos? Precisavam se arrepender de todas essas coisas? Sim.
Por quê? Porque o tempo havia chegado. O templo era uma sombra; a realidade havia chegado.
O templo em Jerusalém era magnífico, mas a presença do Senhor não estava ali. A presença de Deus estava com um Homem, Jesus de Nazaré. Ele é o templo.
Não havia nada de errado com o sacerdócio, mas o sacerdócio era uma sombra. A realidade está em Cristo. Ele é o Sacerdote, o Sumo Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque. Ele veio.
Não havia nada de errado com as ofertas, pois as ofertas eram figuras. Mas a realidade havia chegado. O Cordeiro de Deus havia chegado.
Não havia nada de errado com a palavra, mas o Espírito da palavra havia chegado. O Senhor Jesus disse:
Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de Mim; e não quereis vir a Mim para terdes vida.
Queridos irmãos e irmãs, havia chegado uma tremenda mudança de época. Enquanto permanecessem sob a dispensação da lei e dos profetas, todas essas coisas estavam certas. Mas agora, se se apegassem àquelas coisas e rejeitassem o Cristo que havia vindo, estariam errados.
Precisavam se arrepender disso? Certamente. Certamente precisavam se arrepender.
Ah, queridos irmãos e irmãs, quantas vezes pensamos que somos muito bíblicos, muito ortodoxos, muito tradicionais! Estamos fazendo coisas que são corretas segundo a palavra.
Mas, irmãos e irmãs, o tempo está chegando. Deus procura realidade. Se não há realidade, se não há espiritualidade, se não é Cristo, então, embora você esteja fazendo todas essas coisas, a mensagem de Deus para você é: “Arrependa-se”.
Você não pode confiar nessas coisas. Não pode se apegar a elas e depender delas.
João pregava o arrependimento e expressava seu ensino por meio do batismo. O que é o batismo? O batismo é morte, sepultamento e ressurreição.
O arrependimento é expresso pelo batismo. Em outras palavras, o arrependimento não é nada menos do que aquilo que o batismo representa.
Se você precisa ser batizado, isso significa que precisa morrer para o que é velho — seja bom ou mau, sejam suas realizações ou seus fracassos. Tudo o que pertence ao velho precisa morrer.
Não apenas precisa morrer, mas também precisa ser tirado de vista. Você não quer mais vê-lo, para que possa participar da ressurreição.
Queridos irmãos e irmãs, esse é o significado do arrependimento. Não se trata apenas de se arrepender de algo que você considera pecaminoso e mau. Certamente você também precisa se arrepender daquilo que considera bom.
Você olha para todo o seu passado como algo completamente errado, algo que precisa morrer e ser sepultado. Não quer mais vê-lo, para que possa começar de novo em Cristo, na realidade, na realidade espiritual. Isso é arrependimento.
Por que nos arrependemos? Arrependemo-nos porque pecamos, porque caímos, porque fizemos algo errado. Isso é verdade.
Mas vocês sabem, queridos irmãos e irmãs, que, se o arrependimento se baseia apenas em motivos negativos, ele é superficial?
Arrependei-vos; porque o Reino dos céus está próximo.
Essa é a razão.
Não se trata apenas de se arrepender porque você fez algo errado. Certamente eles não precisavam se arrepender porque o templo em si fosse errado, ou porque o sacerdócio e os sacrifícios fossem errados. Não.
A única razão apresentada para o arrependimento é uma razão positiva:
Arrependei-vos; porque o Reino dos céus está próximo.
Se não nos arrependermos por haver algo positivo, nosso arrependimento será sempre superficial.
Ao ler as Escrituras, vocês encontram isso na vida de Jó. Jó era um homem perfeito. Deus podia até usá-lo para desafiar Satanás: “Consideraste o Meu servo Jó, como ele é perfeito e justo?”
Certamente Jó pensava que não tinha nada de que se arrepender. Quando foi acusado pelos seus três amigos, eles disseram que devia haver algo de errado com ele, algum pecado secreto escondido em algum lugar; caso contrário, todas aquelas calamidades não teriam caído sobre ele.
Disseram-lhe que se arrependesse diante do Senhor, e o Senhor teria misericórdia dele. Mas Jó disse: “Examinei a mim mesmo. Não consegui encontrar nada de que precisasse me arrepender. Se eu me arrepender, serei um hipócrita. Não estarei sendo verdadeiro comigo mesmo”.
Ah, queridos irmãos e irmãs, podemos ser assim, justos aos nossos próprios olhos. “Se eu me arrepender, serei um hipócrita, porque não tenho nada de que me arrepender.”
Mas o que os amigos dele não conseguiram realizar, uma manifestação de Deus realizou. Deus apareceu a ele. Deus o desafiou. Deus nem sequer explicou por que aquelas coisas lhe aconteceram. Deus simplesmente revelou a Sua majestade, a Sua glória, os Seus atos criadores e o Seu poder.
E Jó disse:
Eu Te conhecia só de ouvir; Mas agora os meus olhos Te veem: Por isso, abomino a mim mesmo, E me arrependo no pó e na cinza.
Por que Jó se arrependeu? Porque havia visto Deus.
Se tudo o que você vê é o homem, talvez não ache que precisa se arrepender. Talvez pense que é melhor. Mas, se Deus aparecer a você, não poderá deixar de se arrepender.
Vejam Daniel, o amado de Deus. Ele era amado de Deus, mas, quando Deus lhe apareceu numa visão, caiu com o rosto em terra, como morto.
Quando o anjo do Senhor o tocou e o levantou, ele disse:
A minha formosura se tornou em corrupção.
Queridos irmãos e irmãs, se um dia vocês virem Deus, sua beleza se transformará em corrupção. Vocês pensam que isso é sua beleza, sua força, algo em que podem confiar. Mas, se O virem, sua beleza se transformará em corrupção; ela se tornará algo de que vocês se envergonham.
Isaías era um grande profeta. Como denunciava os filhos de Israel em nome de Deus! Mas, em Isaías 6:1, no ano em que morreu o rei Uzias, ele entrou no templo, e Deus lhe deu uma visão.
É claro que ele não tinha permissão para entrar no Lugar Santo, porque não era sacerdote. Deve ter estado orando no átrio exterior. Ainda assim, Deus lhe deu uma visão do Santo dos Santos. Ali, o Senhor estava sobre um trono, e a orla de Suas vestes enchia a casa. Os serafins clamavam:
Santo, santo, santo.
Quando Isaías teve a visão do Senhor, clamou:
Ai de mim! Porque estou perdido; Porque sou homem de lábios impuros, E habito no meio de um povo de lábios impuros: Porque os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos.
Graças a Deus, um serafim voou até ele e o tocou com uma brasa viva do altar. Mas foi a visão do Senhor que produziu aquilo.
A mesma coisa aconteceu com João, o apóstolo, aquele que se reclinava sobre o peito do nosso Senhor. Ainda assim, na ilha de Patmos, quando o Senhor lhe apareceu, ele caiu como morto.
Queridos irmãos e irmãs, precisamos nos arrepender? A razão pela qual achamos que estamos bem é que não vimos o Senhor. Se virmos o Senhor, saberemos que precisamos nos arrepender. Não há outro lugar para nós. O arrependimento é a nossa posição.
Arrependei-vos; porque o Reino dos céus está próximo.
Queridos irmãos e irmãs, essa é a mensagem que Deus deu ao Seu povo por meio de João Batista, e essa é a mensagem que torna um povo preparado para Deus.
Em outras palavras, como devemos nos preparar para a vinda do Senhor? Como podemos ser um povo preparado para o Senhor? Se o Senhor viesse esta noite, como nos prepararíamos para encontrá-Lo? Qual é o caminho da preparação?
Algumas pessoas dizem: “Ah, se o Senhor voltar e me encontrar pregando, então estarei pronto para encontrá-Lo. Ou, se o Senhor voltar e eu estiver de joelhos orando, então estarei pronto”.
Conheço amigos que acreditavam que o Senhor viria em breve. O marido era um cirurgião conhecido. Como pensavam que o Senhor viria em breve, saíram deste país com um grupo de pessoas e foram para o noroeste do Canadá. Limparam o terreno e construíram casas, porque queriam esperar ali pela vinda do Senhor.
É essa a maneira de se preparar para a volta do Senhor?
Talvez pensemos que, se quisermos nos preparar para a volta do Senhor, precisamos fazer alguma coisa. “Vamos servi-Lo e fazer algo para Ele, para que, quando voltar, tenhamos algo a Lhe oferecer.” Ou podemos dizer: “Se eu crescer, crescer e me tornar tão espiritual, então poderei encontrar o Senhor”.
Vocês terão muitas surpresas.
Como João Batista preparou o povo para o Senhor? Como preparou o caminho do Senhor? Como tornou um povo preparado para o Senhor? Com a mensagem de arrependimento.
Queridos irmãos e irmãs, creio que o caminho para estarmos preparados para encontrar o Senhor é o caminho do arrependimento.
Em outras palavras, precisamos estar em constante arrependimento diante de Deus — arrependimento contínuo. O arrependimento não é simplesmente algo que fizemos uma vez na vida.
Irmãos e irmãs, precisamos estar continuamente arrependidos diante do Senhor. Por quê? Porque, se vemos continuamente o Senhor, temos de nos arrepender continuamente.
É quando não vemos o Senhor que começamos a colocar nossa confiança nesta ou naquela coisa.
Colocamos nossa confiança no nosso conhecimento? Colocamos nossa confiança até mesmo na nossa obediência? Confiamos nas nossas realizações? Colocamos nossa confiança na nossa espiritualidade? Colocamos nossa confiança em todas essas coisas, irmãos e irmãs?
Se pensamos que estamos prontos para encontrá-Lo, não estamos prontos.
Ah, que Ele nos conceda uma visão cada vez maior de Si mesmo, para que permaneçamos na posição de arrependimento.
Isso criará em nós um espírito correto — o espírito de humildade. Esse é o espírito do Cordeiro, e esse é o único espírito que pode encontrar o Senhor.
Deus resiste aos soberbos e dá graça aos humildes.
Queridos irmãos e irmãs, como podemos ser humildes?
Talvez pensemos que já realizamos muito. Certamente obedecemos ao Senhor. Certamente encontramos o caminho certo. Certamente sabemos muito mais. Irmãos e irmãs, se essa é a sua atitude, você não está preparado.
É preciso haver uma visão cada vez maior do Senhor, para nos fazer descer mais, mais e mais aos Seus pés.
Alguém disse que até das lágrimas de arrependimento precisamos nos arrepender. É verdade, muito verdade.
Arrependei-vos; porque o Reino dos céus está próximo.
Nos dias de João Batista, o Rei havia chegado, mas foi desprezado. Aqueles que não estavam preparados não conseguiam reconhecê-Lo.
Somente os que se arrependeram e O receberam entraram no Reino dos céus. Sobre eles, o Rei governava.
Queridos irmãos e irmãs, aproxima-se cada vez mais o dia em que o Reino dos céus será manifestado publicamente nesta terra. Mas quem serão aqueles que governarão e reinarão com Ele por mil anos? Os que estiverem preparados.
Como nos preparamos? O único caminho para estarmos preparados é o arrependimento.
Irmãos e irmãs, sei que, nos dias de João Batista, isso foi uma surpresa para as pessoas. Elas não conseguiam acreditar. Creio que será uma surpresa para nós hoje. Não conseguimos acreditar. Pensamos que estar preparados para o caminho do Senhor deve significar algo diferente.
Mas é a mesma mensagem:
Arrependei-vos; porque o Reino dos céus está próximo.
Quando os escribas e os fariseus vieram a João Batista para ser batizados, pensavam que aquilo era apenas uma lavagem cerimonial. João os fez entender que era algo real.
Se vocês não produzirem frutos dignos de arrependimento, não adianta serem batizados. Não pensem em seu coração que são filhos de Abraão. Deus pode suscitar destas pedras filhos a Abraão.
Em outras palavras, tudo o que é natural já não pode ajudar. Somente um relacionamento espiritual com o Senhor terá valor.
Para os judeus daquela época, os frutos dignos de arrependimento estavam em Miqueias 6:8:
Ele te mostrou, ó homem, o que é bom; E o que o Senhor requer de ti, Senão que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, E andes humildemente com o teu Deus?
Para nós hoje, queridos irmãos e irmãs, qual é o fruto do nosso arrependimento? O fruto do nosso arrependimento é o fruto do Espírito.
Em outras palavras, sabemos que não há nada de bom em nós. Sabemos que não podemos confiar em coisa alguma, nem mesmo nas nossas realizações. Sabemos que precisamos constantemente nos humilhar diante Dele.
Disso virá o fruto do Espírito. Isso é digno de arrependimento.
Que o Senhor nos ajude, então, à medida que nos aproximamos cada vez mais do dia da volta do Rei. Irmãos e irmãs, que o Espírito Santo nos mantenha no espírito de humildade, em constante arrependimento, para que Ele verdadeiramente seja tudo para nós. Então o Reino dos céus virá.
Ó Pai celestial, como Te louvamos e agradecemos por estarmos vivendo num tempo tão maravilhoso — difícil, mas maravilhoso.
Nós Te louvamos porque há a esperança de que possamos ver-Te sem passar pela morte, pois Tu estás vindo. Mas, Senhor, somos um povo preparado para Ti, para que venhas e realmente habites conosco?
Forma em nós um espírito do Reino, um espírito de humildade. Senhor, encontra entre o Teu povo pessoas que se arrependam de si mesmas e se lancem inteiramente sobre a Tua misericórdia e a Tua graça.
Encontra um povo que não coloque sua confiança em coisa alguma nem em pessoa alguma, mas somente em Ti. Ó Senhor, trata conosco e reina verdadeiramente em nossa vida. Que Tu tenhas domínio absoluto sobre nossa vida em todas as áreas.
Ó Senhor, não permitas que sejamos justos aos nossos próprios olhos nem presunçosos. Senhor, leva-nos ao pó e à cinza, porque esta é a nossa esperança.
Ó Senhor, nós nos abrimos a Ti. Senhor, Tu és a nossa única salvação. Tu és o nosso único auxílio. Como confiamos em Ti!
Mantém-nos, Senhor, nesse caminho até que Te encontremos face a face. Pedimos no nome que está acima de todo nome, o nome do nosso Senhor Jesus. Amém.