E eis que havia em Jerusalém um homem cujo nome era Simeão; e este homem era justo e piedoso, esperando a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele.
E lhe fora revelado pelo Espírito Santo que não veria a morte antes de ter visto o Cristo do Senhor.
E, pelo Espírito, foi ao templo; e, quando os pais trouxeram o menino Jesus, para fazerem por Ele segundo o costume da lei,
ele O tomou em seus braços, e louvou a Deus, e disse:
Agora, Senhor, despedes o Teu servo,
Segundo a Tua palavra, em paz;
Pois os meus olhos viram a Tua salvação,
A qual Tu preparaste perante a face de todos os povos;
Luz para revelação aos gentios,
E glória do Teu povo Israel.
E Seu pai e Sua mãe se maravilhavam das coisas que Dele se diziam.
E Simeão os abençoou e disse a Maria, Sua mãe: Eis que este menino está posto para queda e levantamento de muitos em Israel; e para sinal que será contraditado;
E uma espada traspassará também a tua própria alma; para que se manifestem os pensamentos de muitos corações.
Todos nós sabemos que, na primeira vinda do nosso Senhor Jesus, havia um remanescente entre o povo judeu que estava preparado para Ele. De modo geral, toda a nação de Israel esperava a vinda do Messias. Essa era a sua oração; essa era a sua aspiração. Exteriormente, parecia que toda a nação — todos os judeus — aguardava a vinda do Messias.
Mas, quando o Messias de fato veio, ficou evidente que apenas um remanescente estava realmente preparado para Ele.
Queridos irmãos e irmãs, em certo sentido, todo o povo de Deus está esperando a volta do nosso Senhor Jesus. Ao longo dos séculos, a aspiração da igreja tem sido que Cristo volte. De modo geral, parece que isso é verdade.
Na parábola das dez virgens — não vamos entrar na parábola, mas vamos usá-la como ilustração —, encontramos cinco virgens prudentes e cinco virgens insensatas. Mas, fossem prudentes ou insensatas, todas saíram ao encontro do noivo.
Não foram apenas as prudentes que saíram ao encontro do noivo; as insensatas fizeram a mesma coisa. Todas saíram ao encontro do noivo. Mas, como o noivo demorou, todas adormeceram. À meia-noite, quando se ouviu o clamor de que o noivo estava chegando, todas acordaram.
Todas iriam encontrar o noivo, mas as cinco prudentes estavam preparadas. As cinco insensatas não estavam preparadas.
Assim, em certo sentido, podemos ver que todo o povo de Deus parece aguardar a volta do nosso Senhor Jesus. Essa é a nossa oração; essa é a nossa aspiração — o desejo da igreja.
Mas, quando chegamos à realidade, eu me pergunto se aquilo que aconteceu na primeira vinda do nosso Senhor Jesus acontecerá novamente. Quando o Senhor voltar, encontrará na terra um povo preparado?
Ou, dizendo de outra maneira, haverá um povo preparado para trazê-Lo à terra e preparado para recebê-Lo quando Ele vier? Haverá esse povo?
Em certo sentido, todos nós sabemos que o povo de Deus, em toda parte, está dizendo que o Senhor vem em breve. As coisas parecem estar avançando muito depressa e de maneira inesperada. Coisas que vocês jamais poderiam imaginar estão acontecendo hoje. O Senhor está vindo. Ele vem em breve.
Mas será que Ele encontrará um povo preparado? Haverá um povo pronto para Ele e que, assim, possibilite a Sua vinda? Acho que essa é uma questão muito real, uma questão que precisa nos inquietar diante do Senhor.
Na primeira vinda do nosso Senhor Jesus, encontramos na terra um remanescente. Entre esse remanescente havia pessoas como Zacarias e Isabel — Zacarias, o sacerdote, e Isabel, sua esposa. Eles esperavam a consolação de Israel, e Deus os usou para trazer o precursor do Messias, João Batista.
Sem dúvida, havia também outros, como Maria e José. O Senhor pôde usá-los para trazer o Messias. Havia ainda pessoas como Simeão e a profetisa Ana. Deus pôde usá-las em relação às boas-novas.
Havia também os pastores que cuidavam das ovelhas no campo. Dizem-nos que não eram pastores comuns. Eram pastores de ovelhas destinadas a ser oferecidas em sacrifício. Eles cuidavam das ovelhas que seriam oferecidas, e esses pastores, simples como eram, esperavam o Messias.
É claro que havia outros cujos nomes não são mencionados, como encontramos no Evangelho segundo Lucas. Acho que todas essas pessoas devem ser exemplos para nós.
O princípio é o mesmo, seja na primeira vinda do Senhor, seja na segunda vinda do Senhor. Deus precisa ter na terra um remanescente, não a totalidade. Deus precisa ter na terra um povo preparado para trazê-Lo e recebê-Lo.
Queremos ser esse povo? Se queremos ser esse povo, então há lições específicas que precisamos aprender. É necessário haver certas qualidades em nossa vida que nos capacitem a ser esse povo pronto, preparado para o Senhor.
Por isso, nesta noite, sinto diante do Senhor que devemos considerar juntos uma única pessoa: Simeão.
A história de Simeão nos é apresentada de maneira muito repentina. Antes disso, não ouvimos nada a respeito dele; então, de repente, a Bíblia diz:
E eis que havia em Jerusalém um homem cujo nome era Simeão.
Sempre que encontramos na Bíblia a palavra eis, ela é um chamado à atenção. O Espírito Santo está procurando chamar a nossa atenção porque vamos ver algo de imenso valor, algo de significado espiritual — algo que o Espírito Santo não quer que deixemos de perceber.
Às vezes, podemos ver alguma coisa, mas não a vemos de verdade, porque não há aquele olhar atento, aquela consideração, aquele contemplar. Por isso, o Espírito Santo está chamando o Seu povo a contemplar, a olhar atentamente, a ver algo muito precioso para o Senhor e que deveria ter muito valor para nós.
E o que vocês veem? Havia em Jerusalém um homem cujo nome era Simeão.
Não sabemos nada sobre o passado desse homem. Ele é simplesmente um homem. No momento certo, Deus trouxe à luz o Seu servo oculto para aquela hora.
Simeão estava na economia de Deus. Ele estava oculto, mas, no momento certo, Deus o manifestou, e ele faria algo que contribuiria grandemente para a vinda do Messias.
Queridos irmãos e irmãs, Deus tem os Seus servos ocultos na terra. O mundo talvez não os conheça. Eles estão, por assim dizer, ocultos; mas, no momento certo, Deus os revelará.
Quando forem revelados, vocês perceberão que eles estão intimamente relacionados com Cristo. Há algo com que podem contribuir para Cristo. Eles estão no plano de Deus. Não são simplesmente pessoas que nada têm a ver com o plano de Deus; estão diretamente envolvidos com Cristo e fazem parte do plano de Deus.
Acho que essa é a coisa mais valiosa da vida. Para que serve a vida, se a nossa vida não está de modo algum relacionada com Cristo?
Nossa vida pode ser grandiosa aos olhos do mundo, mas, se não contribui para Cristo, é um desperdício. O que será da nossa vida? Ela não está no plano de Deus. Vivemos os nossos dias fora da economia de Deus.
E, se esse for o caso, ela não permanecerá. Não será levada para a eternidade. Simplesmente desaparecerá. É vazio; é vaidade.
Mas ser os servos ocultos de Deus — não estamos tentando nos promover. No momento certo, deixemos que Deus nos revele. Quando formos revelados, que se constate que estamos intimamente relacionados com Cristo.
Vocês se lembram da história do Antigo Testamento, a história de Ester. É uma bela história. Embora o nome de Deus nunca seja mencionado em todo o livro, Deus está em toda parte.
Aqui encontramos uma mulher, Ester. Deus ordenou todas as coisas, até mesmo o coração e o temperamento de um rei, de tal maneira que Ester foi levada ao palácio. Deus a colocou ali para um momento específico.
Quando Hamã, o inimigo dos judeus, quis destruir todos os judeus, Mardoqueu foi até Ester e disse: “Vá ao rei e suplique pela vida dos judeus”.
Mas Ester disse: “O rei não tem me chamado nestes dias, e ninguém pode ir à presença do rei. Se alguém for à presença do rei, será morto, a menos que o rei estenda o seu cetro de ouro”.
Mardoqueu disse: “Você já considerou isso? Não sabe que talvez tenha sido Deus Quem a colocou nessa posição para este exato momento? E, se você não fizer isso, Deus providenciará outra pessoa para fazê-lo”.
Acho que isso é algo de que devemos nos lembrar: fomos colocados neste tempo, ocultos do mundo, por assim dizer; mas Deus nos colocou na hora certa, e isso tem um propósito específico.
Se não servirmos a esse propósito, Deus levantará outra pessoa para servir ao Seu propósito. Mas será que perderemos essa oportunidade? Não creio que perderemos, se quisermos ser aquele vaso que Deus pode usar neste momento específico em relação à segunda vinda do nosso Senhor Jesus.
Então, é necessário haver em nós certas qualidades que Deus possa realmente usar.
Havia em Jerusalém um homem cujo nome era Simeão. O nome Simeão significa “ouvir”. Encontramos esse nome pela primeira vez no livro de Gênesis. Lia disse: “Deus ouviu”, e por isso chamou o menino de Simeão.
O próprio nome Simeão sugere que ele tinha algo a ver com a oração. Ele era um homem de oração. Ele foi ouvido. Quem foi ouvido? Qual seria a sua oração?
Sem dúvida, sua oração era pela consolação de Israel. Em outras palavras, havia nesse homem uma paixão. Ele era um homem com uma única paixão, e essa única paixão se expressava de uma única maneira: pela oração.
A oração é a melhor maneira de expressar aquilo que é mais precioso e central em seu coração e em seu pensamento. Aquilo em que você realmente coloca o coração será o assunto da sua oração, porque é aquilo que você realmente busca.
Aqui percebemos que Simeão deve ter sido um extraordinário homem de oração. Ele estava, por assim dizer, tomado por uma paixão. Ao olhar para a nação de Israel e considerar a situação daquela época, sabia que havia uma única esperança.
As pessoas podiam tentar a política; podiam tentar outras coisas. Até mesmo a força: naquela época, havia um grupo chamado zelotes. Eles tentavam usar a força, até mesmo o assassinato, para libertar a nação.
Mas Simeão, ao olhar para a condição do povo de Deus naquela época, sabia que havia uma única esperança para o povo, e essa esperança era o Messias. Se o Messias viesse, então Ele consolaria o Seu povo. Não havia outro caminho.
Por isso, ele estava inteiramente ocupado com o Messias e orava pela vinda do Messias. Sua oração foi respondida durante a sua vida.
Queridos irmãos e irmãs, sinto que a característica mais básica do povo de Deus hoje, daqueles que realmente aguardam a vinda do Senhor, é que devem orar por ela.
Por um lado, podemos dizer: “Bem, Deus tem o Seu plano. Deus tem o Seu tempo. Quando chegar o tempo de Deus, Cristo voltará”.
Mas o tempo de Deus nunca é mecânico. Nunca é técnico. O tempo de Deus é vivo e espiritual. O tempo de Deus só chegará quando o povo de Deus estiver orando por isso.
Não podemos simplesmente ficar de braços cruzados, esperando passivamente a volta do Senhor. Se todo o povo de Deus fizer isso, Ele não voltará. Ele não poderá voltar.
Ele está esperando que o Seu povo esteja tão tomado por Ele que literalmente clame a Ele dia e noite para que volte. Ele está esperando que o Seu povo perceba que não tem outra esperança. Não há outro caminho.
Cristo é a única esperança. Ele é a única consolação. Tudo está Nele, e sem Ele nada pode ser resolvido. Quando o povo de Deus for levado a esse ponto, sem outra saída, e estiver realmente tomado por essa convicção, então as orações subirão ao céu.
E, em resposta à oração deles, Deus enviará o Seu Cristo.
As pessoas estão sempre perguntando: “Isso que está acontecendo hoje mostra que o Senhor vem em breve? Esse acontecimento está relacionado com a volta do Senhor?”. Parece que, à medida que esses acontecimentos e essas coisas vão se cumprindo, então o Senhor virá.
Isso é olhar para o exterior.
É verdade que coisas acontecerão e que os acontecimentos avançarão, mas esses não são os aspectos essenciais. São circunstanciais. O essencial está no coração do povo de Deus.
Não está simplesmente no cumprimento desses acontecimentos. Eles virão, mas são todos circunstanciais. O essencial está no coração do povo de Deus. Será que o povo de Deus realmente deseja que Ele venha?
Realmente vemos que Ele é a única esperança? Estamos tão sem saída que sabemos que esse é o único caminho? Estamos desesperadamente desejosos disso? Nós nos entregamos à oração por causa disso?
Quando o povo de Deus está realmente em águas profundas, ele sabe. Muitos dos que estão atrás da Cortina de Ferro e da Cortina de Bambu, e em lugares onde são perseguidos — vocês sabem qual é a oração deles? Eles oram pela consolação da igreja.
Eles sabem que esse é o único caminho. Não há outro caminho. Esse é o seu clamor; esse é o seu respirar. Ao longo da história, encontramos sempre essa realidade.
O requisito básico para esse vaso, ou esse vaso coletivo, que realmente trará o Rei e estará de fato preparado para a vinda do Senhor, é que haja um povo de oração.
Não se trata apenas de orar por tudo e por qualquer coisa. É necessário haver oração concentrada, focada. Não estou dizendo que vocês não podem orar por outras coisas. É claro que oramos, tanto pessoalmente como juntos. É claro que oramos.
Mas nossa oração precisa estar concentrada em um único assunto:
Venha o Teu reino.
Vem depressa, Senhor Jesus.
Essa é a oração da igreja.
Simeão era um homem de oração, e a Bíblia diz que ele era um homem justo e piedoso — justo em relação às pessoas e piedoso em relação a Deus.
Ele não era simplesmente um visionário, um sonhador ou um idealista vivendo em outro mundo. Bem, devemos viver em outro mundo, mas, ao mesmo tempo, vemos que ele era uma pessoa muito prática.
Quando estava inteiramente envolvido com o Messias e com a vinda do Messias, ele vivia de acordo com isso. Vivia uma vida justa. Ninguém pode dizer que espera a vinda do Senhor sem viver uma vida correta.
Se você não vive uma vida correta, será como aquele servo mau que diz:
O meu Senhor demora.
É isso que você espera. Você sabe que, se Ele vier, não poderá ver a Sua face. Você não quer que Ele venha; quer que Ele adie a Sua volta.
Mas qualquer pessoa que esteja realmente orando pela volta do Senhor precisa viver uma vida condizente com a sua oração. A oração de um justo tem muito poder.
Simeão vivia uma vida justa, uma vida de retidão. Ele era correto com as pessoas e piedoso para com o seu Deus. Em outras palavras, ele temia a Deus.
No Antigo Testamento, o temor do Senhor é o princípio da sabedoria. Nos tempos do Antigo Testamento, o temor do Senhor era o ponto mais alto da espiritualidade. Se alguém era espiritual, precisava temer o Senhor e ser piedoso.
É claro que, nos tempos do Novo Testamento, é o amor de Cristo. Somos constrangidos pelo amor de Cristo, sabendo que Um morreu por todos; portanto, todos morreram. Ele ressuscitou dentre os mortos; por isso, não vivemos para nós mesmos, mas vivemos para Aquele que por nós morreu e ressuscitou.
Queridos irmãos e irmãs, estamos orando pela vinda do Senhor? Se estamos, examinaremos nossa vida diante do Senhor?
Somos hipócritas, orando pela Sua vinda e, ao mesmo tempo, levando uma vida contrária a Ele e à Sua natureza? Como precisamos nos tornar participantes da Sua santidade, se desejamos ver Aquele que é santo!
Simeão, por desejar tanto a vinda do Messias, vivia uma vida condizente com a sua aspiração.
Olhem para as outras pessoas — os fariseus, os escribas e os sacerdotes daquela época. Eles faziam a oração da nação, orando pela vinda do Messias; mas olhem para a vida deles.
A vida deles era uma contradição ao Messias. Não é de admirar que, quando o Messias veio, eles ficaram com medo.
Simeão era um homem justo e piedoso, mas o maravilhoso é que o Espírito Santo estava sobre ele.
Nos tempos do Antigo Testamento, o Espírito Santo ainda não havia vindo no sentido do Novo Testamento. De tempos em tempos, o Espírito Santo — o Espírito de Deus — vinha sobre umas poucas pessoas escolhidas.
O Espírito Santo podia vir sobre um rei, um sacerdote, um profeta ou determinadas pessoas. Por quê? Porque Deus as separava para realizar algo específico. Para que pudessem cumprir essa missão, Deus as capacitava. O Espírito de Deus vinha sobre elas e as habilitava a cumprir sua tarefa específica.
Mas, nos tempos do Antigo Testamento, o Espírito Santo ainda não havia vindo habitar nas pessoas. Ele vinha sobre o ser humano por um tempo, e apenas sobre umas poucas pessoas escolhidas. Somente por um tempo o Espírito Santo podia conduzi-las, porque a Sua vinda sobre elas não era permanente. O Espírito Santo não habitava nelas nem permanecia com elas para sempre.
Essa era a experiência dos santos do Antigo Testamento com o Espírito de Deus. Embora encontremos no Antigo Testamento alguns que parecem ter entrado naquilo que chamaríamos de experiência do Novo Testamento com o Espírito Santo, isso era muito incomum — muito incomum. Davi foi um deles, e Simeão foi outro.
O Espírito Santo estava sobre ele.
Porque Simeão se entregou tão completamente a Deus, Deus, por assim dizer, o selou com o Espírito Santo. Deus o ungiu com o Espírito Santo. Ele vivia sob a unção de Deus. Algo muito incomum.
Seu coração era tão consagrado e entregue a Deus que Deus lhe deu o Espírito Santo para capacitá-lo a orar e a cumprir a sua obra.
Ele não era apenas uma pessoa que vivia sob a unção do Espírito de Deus; também está escrito que lhe fora revelado pelo Espírito Santo que não veria a morte antes de ter visto o Cristo do Senhor.
Em outras palavras, ele vivia sob a unção do Senhor. Se traduzirmos isso para a experiência do Novo Testamento, não é verdade que somos cristãos? Ser cristãos significa que somos os ungidos.
Não é verdade que deveríamos estar em um estado contínuo, constante, de unção? Deveríamos viver sob a unção do Senhor — isto é, com a presença do Senhor.
Isso é estar sob a unção. Simeão vivia na presença de Deus. Vivemos constantemente na Sua presença?
Não se trata simplesmente de uma experiência prática em determinado momento; deveria ser um estado.
Por isso, encontramos no Novo Testamento pessoas que eram cheias do Espírito Santo. Não se trata apenas de ser cheio do Espírito Santo em uma ocasião, mas de viver cheio do Espírito Santo. Há uma diferença.
Ser cheio do Espírito Santo fala de uma experiência de ser preenchido e governado pelo Espírito Santo. Viver cheio do Espírito Santo fala de um estado — um estado em que sua vida está sob a unção do Espírito Santo.
Isso é essencial: precisamos estar sob a unção do Senhor. Nossa vida está sob a Sua unção — isto é, com a Sua presença conosco. Tudo o que fazemos é impulsionado e vivificado pelo Seu poder. Não o fazemos em nossa própria força; tudo é feito à medida que somos vivificados e fortalecidos pelo Espírito Santo.
Então, vemos que isso foi revelado a Simeão pelo Espírito Santo. O Espírito Santo pôde comunicar uma mensagem a ele. Ele podia receber revelação de Deus.
Não deveria ser assim conosco hoje? Não deveríamos ser um povo ao qual Deus pode Se comunicar pelo Espírito Santo?
Paulo orou pela igreja em Éfeso para que Deus lhes desse espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento Dele. Deveríamos ser um povo ao qual Deus pode comunicar o que está em Seu coração.
Simeão podia receber essa comunicação. O que lhe foi comunicado tinha uma importância imensa: antes de morrer, ele veria o Cristo do Senhor.
O Cristo do Senhor — vocês encontram essa expressão em algum outro lugar do Novo Testamento? Até onde sei, e posso estar enganado. Se estiver enganado, por favor, corrijam-me; avisem-me. Até onde sei, esse é o único lugar em que encontramos essa expressão: “o Cristo do Senhor”.
O que significa “o Cristo do Senhor”? Quando vemos uma expressão como essa, ela de fato aponta para o propósito eterno de Deus.
No propósito eterno de Deus, Cristo é o centro. Ele não é apenas o centro do propósito eterno de Deus; Ele é Aquele que levará o propósito de Deus ao seu cumprimento.
Em outras palavras, Ele é o Cristo, o Ungido. A Ele foi dada a tarefa de realizar o propósito de Deus. O propósito de Deus se realiza Nele, e Ele também é Quem realiza o propósito de Deus. Ele não é apenas a realização do propósito de Deus; Ele realiza o propósito de Deus.
Vocês veem a posição de Cristo no propósito eterno de Deus. Esse é o significado da expressão “o Cristo do Senhor” — o Cristo que pertence ao Senhor.
Deus é o Senhor do céu e da terra, de todas as coisas, e esse Senhor tem o Seu Cristo. Tudo está centrado em Cristo, e tudo deve se cumprir por meio de Cristo. Nele, por meio Dele e para Ele são todas as coisas.
Irmãos e irmãs, um homem dos tempos do Antigo Testamento recebeu essa revelação. Quantos do povo de Deus hoje, na dispensação do Novo Testamento — na dispensação do Espírito Santo, quando o Espírito Santo habita em nós —, recebem essa comunicação?
A maioria do povo de Deus sabe que Jesus é o Salvador. Graças a Deus por isso; Ele é o Salvador. Mas, depois que você crê Nele como seu Salvador, isso é tudo?
Você conhece a preeminência de Cristo? Vê o caráter definitivo de Cristo? Vê a realidade de Cristo? Conhece Cristo como tudo em todos?
Em outras palavras, o Cristo que você vê é tão pequeno, tão fragmentário. Você não vê todo o propósito de Deus em Cristo.
No entanto, Simeão, um homem que pertencia à dispensação do Antigo Testamento, estava tão aberto ao Senhor que lhe foi revelado que, antes de morrer, veria o Cristo do Senhor. Que revelação!
Um homem de oração é um homem de revelação. Às vezes, nos perguntamos por que não recebemos mais comunicação. Talvez a razão seja que não estamos orando.
O melhor segredo para receber revelação não é simplesmente estudar. Reconheço que o estudo é um canal; isso é verdade. Se realmente estudamos com humildade, com mansidão, olhando para o Senhor, Ele revelará.
Mas acho que mais revelação é concedida à oração do que ao estudo, porque Ele revela o Seu segredo aos que estão perto Dele.
Simeão era um homem de revelação, e a revelação que recebeu era do pleno conhecimento de Deus. Irmãos e irmãs, é disso que precisamos. Precisamos de revelação. Precisamos ver. Precisamos de comunicação divina.
É claro que, hoje, não podemos receber novas revelações de coisas que estejam além da Bíblia. Claro que não, porque a revelação de Deus está completa na Sua Palavra.
No entanto, aquilo que está oculto na Palavra precisa se tornar real e vivo para nós. Isso é revelação.
Precisamos chegar a um conhecimento vivo do Cristo do Senhor. Quando chegamos a esse conhecimento do Cristo do Senhor, queridos irmãos e irmãs, já não podemos ser mesquinhos nem pequenos.
Está realmente abaixo da nossa dignidade, se posso dizer assim, brigar por coisas pequenas. Temos coisas muito maiores com que lidar.
A revelação de Simeão foi de tal natureza que o libertou de sua própria condição de judeu. Como todos os judeus, ele esperava a consolação de Israel. Em outras palavras, eles esperavam o Messias, e o Messias deveria consolar Israel — e mais ninguém.
“Esse Messias é nosso, não é para os cães, os gentios; é só para nós.” Havia um espírito nacionalista entre os judeus quando ansiavam pelo Messias.
Mas Simeão foi liberto dessa estreiteza. Por quê? Porque, quando viu Cristo, ele disse:
Pois os meus olhos viram a Tua salvação,
A qual Tu preparaste perante a face de todos os povos;
Luz para revelação aos gentios,
E glória do Teu povo Israel.
Ele foi liberto do judaísmo. Foi liberto de ser meramente um judeu. Ele disse: “Vi a Tua salvação. Ela foi preparada para todos os povos”.
A consolação de Israel não é apenas para Israel. Sim, Ele é para Israel; Ele é a glória do Teu povo Israel. Mas Ele também é luz para revelação aos gentios.
Como isso o libertou! Simeão estava livre daquele conceito nacionalista e estreito do Messias, porque havia visto o Cristo do Senhor.
Que revelação tremenda! Oh, irmãos e irmãs, temo que Simeão nos envergonharia. Não vemos Cristo tão grandioso quanto Simeão O viu.
Simeão não era apenas uma pessoa que estava sob a unção, nem apenas uma pessoa que havia recebido uma tremenda revelação de Deus; vemos também que ele era um homem guiado a cada passo pelo Espírito Santo.
Quando José e Maria vieram com o menino Jesus, conforme a lei, para apresentar o primogênito a Deus e para a purificação da mãe, foi exatamente naquele momento que Simeão foi conduzido pelo Espírito Santo ao templo.
O momento foi absolutamente perfeito. Não foi por acidente nem por acaso. Ele foi conduzido pelo Espírito Santo.
Ele vivia tão perto do Espírito Santo que o Espírito Santo pôde conduzi-lo ao templo no momento certo.
Todos os dias, no templo, havia vários bebês para serem consagrados. Certamente, Jesus não era o único bebê que havia nascido e que seria consagrado naquele dia. Nas doze tribos de Israel, todos os dias nasciam bebês que eram levados ao templo para serem consagrados.
Como Simeão reconheceria aquele bebê específico? José e Maria eram muito pobres. Só podiam oferecer um par de rolas ou dois pombinhos. Esse era o sacrifício dos pobres.
Não havia nada exteriormente que distinguisse aquele bebê de todos os outros. Simeão não ficou andando por aí à procura de um bebê. Ele veio no momento certo, tomou o bebê dos braços de Maria em seus próprios braços e louvou a Deus.
Ele sabia, mas não por sinais exteriores. Não havia nenhum.
Hoje, é claro, quando os artistas desenham o menino Jesus, colocam Nele uma auréola. Mas ela não estava lá naquela época.
Não havia nada exteriormente pelo qual se pudesse distinguir aquele bebê dos outros. Ele era apenas um bebê normal, como qualquer outro bebê. Mas, porque Simeão era conduzido pelo Espírito Santo, não apenas na oração, mas também até Cristo, ele O reconheceu.
Em Romanos 8:14, lemos:
Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus.
Em outras palavras, somos crianças de Deus, bebês em Cristo. Mas, se aprendemos a ser conduzidos pelo Espírito Santo, então somos filhos maduros; crescemos.
Oh, Simeão vivia em uma relação tão íntima com o Espírito Santo! Nós, como cristãos — não deveria nossa vida estar tão intimamente relacionada com o Espírito Santo?
O Espírito Santo é o Espírito de vida para nós. A lei do Espírito de vida nos liberta da lei do pecado e da morte. Os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus.
Como nossa vida precisa estar nessa relação com o Espírito Santo!
Aqui está algo muito belo. Simeão tomou o menino nos braços, louvou a Deus e disse:
Agora, Senhor, despedes o Teu servo,
Segundo a Tua palavra, em paz;
Pois os meus olhos viram a Tua salvação,
A qual Tu preparaste perante a face de todos os povos;
Luz para revelação aos gentios,
E glória do Teu povo Israel.
Ele tomou o menino, louvou a Deus e disse: “Senhor, deixa o Teu servo partir. Era isso que eu estava esperando. Agora eu vi. Estou pronto para partir. Não há mais nada que eu queira”.
Seu coração estava completamente envolvido com a salvação do Senhor, com o Cristo do Senhor. Não havia nele nenhum outro desejo além desse. Quando viu isso, disse: “Agora, deixa-me partir. Não há mais nada que me prenda aqui”.
“Eu queria viver porque queria ver a minha salvação. Agora eu a vejo. Deixa-me partir. Deixa-me partir. Não tenho mais nenhum desejo.”
Podemos dizer, como o salmista em Salmos 73:25:
Quem tenho eu no céu senão a Ti?
E na terra não há quem eu deseje além de Ti.
Podemos dizer isso?
Estamos tão envolvidos com Ele que não há nada na terra que realmente desejemos? Estamos, por assim dizer, tão secos que um único toque pode nos levar para cima?
Que homem!
A palavra “Senhor” ali é uma palavra especial. É usada algumas vezes no Novo Testamento. É usada aqui, no capítulo 4 de Atos, no capítulo 6 de Apocalipse e em passagens de Tito e Timóteo.
Essa palavra para Senhor, em grego, é despotēs. Em português, é “déspota”. Isso soa muito mal, porque hoje tem uma conotação ruim. Mas a palavra em si significa simplesmente Senhor soberano, Mestre, governante de tudo.
“Tu és o meu Senhor. Tens poder absoluto sobre mim. Sou Teu escravo.” Essa era a relação de Simeão com Deus.
Isso nos leva de volta ao capítulo 15 de Deuteronômio. Se um hebreu se vendesse a outro hebreu, serviria ao seu senhor por seis anos. No sétimo ano, deveria sair livre, sem pagar nada, porque havia servido por seis anos.
Mas, se o escravo amasse o seu senhor, amasse a casa do seu senhor e não quisesse sair livre, o que deveria ser feito? Ele seria levado à porta, e sua orelha seria furada junto ao batente.
Assim, um escravo cuja orelha havia sido furada era escravo por toda a vida, em uma vida de amor. Ele não servia por obrigação; servia por amor.
Aqui encontramos uma bela relação entre Simeão e Deus. Para Simeão, Deus era seu Senhor soberano, seu Mestre. Mas sua relação com o Mestre era tão amorosa.
Havia entre eles uma relação tão amorosa que existia uma espécie de acordo. O Mestre disse: “Você não morrerá até ver a Minha salvação”. Agora ele havia visto a salvação e disse ao Mestre: “Deixa-me partir. Não me retenhas por mais tempo. Isso basta”.
Pelo que vale a pena viver? Você quer viver mais um dia depois de ter visto o Messias, a salvação do Senhor? O que mais pode ver? Não há nada. Nada.
É essa a nossa relação com Deus? Temos essa singeleza de propósito? Desejamos assim o Senhor — oh, o Senhor — e nada mais? Não há nada na terra pelo qual valha a pena esperar, nada que valha a pena buscar. Não há nada.
Como isso é belo! Eu me pergunto — pessoalmente, creio que Ele o levou, porque já não havia mais nada pelo que viver.
Mas, graças a Deus, Simeão também falou a Maria. O pai e a mãe de Jesus se maravilhavam, e Simeão os abençoou e disse a Maria, Sua mãe:
Eis que este menino está posto para queda e levantamento de muitos em Israel;
E para sinal que será contraditado;
E uma espada traspassará também a tua própria alma;
Para que se manifestem os pensamentos de muitos corações.
Simeão viu não apenas o propósito de Deus centrado em Cristo; também viu o caminho de Deus em Cristo. O caminho de Deus em Cristo é o caminho da cruz.
Cristo será o grande divisor. Na cruz, Ele dividiria o mundo em dois. Alguns cairão por causa Dele; outros serão levantados por causa Dele. O que está oculto será exposto e revelado.
Esse é o caminho de Cristo, e o caminho de Cristo é o caminho que todos os seguidores de Cristo precisam seguir, precisam trilhar.
Por isso, ele disse a Maria: “Uma espada entrará em sua alma”. Isso não se refere apenas ao dia em que Maria veria seu Filho crucificado na cruz. Sem dúvida, uma espada entrou em sua alma.
Mas isso é um princípio — um princípio aplicável a todos os que veem Cristo e estão dispostos a segui-Lo.
É glorioso ver o Cristo do Senhor. Ele nos eleva ao terceiro céu. Mas, ao mesmo tempo, o caminho até Ele é o caminho da cruz.
A menos que estejamos dispostos a deixar que essa espada penetre em nossa alma, dividindo alma e espírito, não há caminho para chegar a Cristo.
Aqui encontramos Simeão como esse vaso — preparado, um vaso que Deus podia usar naquele momento específico para manifestar e exaltar o Seu Cristo.
Assim, queridos irmãos e irmãs, se queremos ser o vaso, o povo preparado que Deus pode usar para exaltar o Seu Filho, o nosso Cristo, especialmente neste tempo, então Simeão é um homem que devemos considerar repetidas vezes diante do Senhor.
Que aquilo que o caracterizava também nos caracterize. Vamos orar?
Nosso Pai celestial, nosso coração verdadeiramente se alegra. Como é maravilhoso que Tu trarás o Teu Rei a esta terra!
Mas, nosso Pai, nosso Deus, entendemos que, a menos que possas obter um povo que prepare o Teu caminho, o Teu tempo será adiado.
Nosso Pai, nosso Deus, desejamos ser esse povo. Por essa razão, pedimos que sejamos um povo de oração, um povo de revelação, um povo tão intimamente relacionado com o Teu Espírito, um povo que compreenda o Teu plano, um povo que conheça o Teu caminho.
Oh, Senhor, em nós mesmos isso é impossível, mas Contigo todas as coisas são possíveis. Por isso, simplesmente nos entregamos a Ti, ó Senhor, para o Teu Cristo. No precioso nome do nosso Senhor Jesus.